quinta-feira, 8 de julho de 2021

A Parte que nos Falta

"É ótimo ter dúvidas, mas é muito melhor respondê-las" 


A sensação é de que todos te deixaram. Não há mais ninguém ao seu lado. Um sentimento de impotência que, como corvos, sacia-se de tua alma, tão frágil e alvoroçada por tentar entender o que está havendo, além de uma dor leve, fria, quase minúscula ao passo gélida, que transforma também nossa mente em um salão vazio, sem saber o que pensar. Aqui, moram as reflexões, a mais profunda dela, com fim de nos deixar agachadinhos, com medo de levantar e tomar algumas decisões...

Não sou diferente, mas tento buscar as cordas que me jogam, como a dos mestres antigos, que sinalizam a todos os instantes uma verdade simples e ao mesmo tempo dura: “acostume-se com o seu karma, passe por ele alegremente, e contente-se com o que tem ou com o que você perde – e nessa linha, a tua, pode haver perdas”.

Quando se refere a perdas, sabe-se que não fala de algo interno, mas externo com o qual você se entrelaçou durante toda a sua vida, ou não; de um objeto estimado ou de alguém que tanto ama... ou amou. TODOS estão no mesmo pacote. Não há distinção seja ela qual for na visão do Mar revolto. O fim é o mesmo – o quebrar, o desmontar, o morrer, expressões que ainda pensamos várias vezes antes de escrever, falar, soltar entre amigos, família, com aquele receio de trazer elementos que supostamente geramos ao comentá-los.

O fim é o mesmo. Mas o início, não. Nascemos após várias tentativas frustrantes em nos acostumarmos com o que somos (o que somos?). Depois de passear pela vida, chorando, gritando, pedindo como reis, pegos em colos maternos, amamentados pela biologia vital, sufocados por pensamentos acerca de tudo que nos passa, além da grande responsabilidade que nos chega... Crescemos naturalmente, seja dentro ou fora. Nos enamoramos, nos casamos, vem a prole, vem a idade...

As idades, símbolos referenciais de nossas tarefas junto ao sagrado, desvirtuados com o tempo, mal compreendidos até então, vão nos levar ou deter quanto ao nosso papel no teatro vital.

Olhamos o céu, o sol, as montanhas, os animais; nos encantamos como crianças por livros infantis; pesquisamos, nos tornamos especialistas, edificamos prédios, organizamos cidades, presidimos países, e nos tornamos presos reais do que criamos... Enquanto isso, a realidade nos passa junto aos pés, como riachos que são embebidos somente pelos mais humildes, pelos mestres, pelos visionários que a tanto perdemos no passado, ou que um dia fomos...

Depois de saciar-se com a água de tal rio, nos ensinam a sermos mais humanos, mais cautelosos em relação ao que somos e fazemos, mesmo porque temos uma linha a seguir, mesmo porque temos que nos assegurar contra nós mesmos, contra nossa violência física, ou pior, da nossa violência religiosa, que engloba nossas ideologias frias, desumanas, nas quais encontramos viés de assassinos naturais, em nome de entidades que criamos com fins de alevantar somente edifícios irracionais ao nossos interesses.

E quando pensamos naqueles que se foram em nome de tudo isso, é como se estivéssemos dançando sob a cabeça de inocentes enterrados, sem nome, em uma guerra gerada pela necessidade de sermos, um dia, melhores. Não essa guerra, mas a necessidade dela, assim como conflitos naturais entre seres da mesma espécie, com fins de elucidar e resolver questões internas ou pessoais.

O mal, assim, nos julga e o julgamos como necessário

Deus, A Onda Oculta

"É preciso ser forte, antes de tudo, para enfrentar o bicho-papão que se esconde debaixo da cama" (L. Carlos. professor)


Hoje, em tempos pandêmicos, nos quais entes queridos se vão como neve ao alvorecer do verão, se foi meu irmão, tão forte quanto rochas, tão alegre quanto uma criança, a acrescentar mais uma alma ausente, após outras que se foram em tempos não muito idos – minha mãe e meu irmão mais velho – para a dor de uma família que, naturalmente e ao passo infelizmente, acostuma-se com quintessência da alegria e o submundo da tristeza, ou mesmo em sua potência maior.

E agora, escrevo este pequeno texto, enfim, para falar um pouco a respeito de uma outra potência, que vem, que deixa, nos rejuvenesce, nos envelhece, envilece, nos oferece, retira, nos une, nos separa... E sorri ao fundo, tal vilã de um crime que já sabíamos que um dia seria cometido... Porém, do qual jamais nos acostumamos – É o papel das potências, das grandes ondas ocultas, sobre as quais nada sabemos.

SEM  a vontade humana, ou mesmo da simples oração, ela, a grande ONDA, vem em nome dos mistérios, desmistificando padres, bispos, anciões, falsos mestres, sacerdotes modernos, até mesmo o mais fervoroso dos fiéis. NÃO adianta, ela simplesmente vem.

Uma grande onda a desfazer nossos feitos, nossas uniões familiares, sociais, religiosas, idealísticas, filosóficas, como um vento que não cessa, sem observar lágrimas ou filhos de pais ou mesmo mães, sem filhos.

NÃO existe culpado ou inocente. Nem mesmo  o pior dos seres humanos, mesmo porque nosso legado tem sido não compreender a VIDA, mas editá-la segundo nossos princípios, nossas normas, regras e organizações, sem prismas míticos ou temperados E formulados pela grande onda – que não para, não pergunta, não responde, apenas É.

Tudo em nome de uma incompreensão massiva, de uma tentativa de redefinir o que somos, para onde vamos, sem saber porque vivemos, amamos, nos jogamos ao próximo e nos vamos sem saber do por quê dos seus motivos, de sua justiça, organização... da própria onda.

É a vontade pura. Leve. Brisa. Lua. Sol. Ar. Fogo. Água Oceânica, filha mais nova de um outro mar, que não ousamos nem mesmo refletir a respeito, ou mesmo sequer temos o grão de sal de sua existência, ou mesmo seu saber. POR ISSO, o fabricamos.

O saber em si é notório do ser humano, que possui em sua alma a possiblidade de ascender às potências, de modo a rever, como um pássaro do alto da montanha, a pequena presa que descansa no galho. MAS não precisamos buscar a presa, e sim olhar para o mais alto ainda... A questão não se encerra jamais pelo fato de que ainda que sejamos parte dela (da grande Onda), buscamos apenas o que nos é inerente como humano – no sentido mais terreno da palavra... ASSIM o objeto do sonho daquela alma sequer foi tocado, mas sondado pelo passado do qual fazemos questão de esquecer... Passado precioso, joia de museu, palavras belas e úteis, em dicionários esquecidos.

Saber, ainda ponte que nos leva a refletir acerca da ONDA OCULTA, de seu papel junto à vida, portanto ao homem também. ONDA sem nome. Sem fé. Sem razão. Sem misericórdia. Sem vestes. Onda que rege a todos e a tudo, até a si mesma, nos faz livres e ao passo presos com suas grades redondas, celas em espiral, com seus vermes sorridentes, ou como dizem, anjos cadentes, tão sérios e pendentes de história e misticismo, ao tempo, cheios de pendências em palavras que não se mostram e se calam, e ao mesmo tempo nos ensurdecem.

ONDA odiosa por nos levar a crer em homens vis, em pensamentos racionais frios; onda bela e justa, por nos acrescentar a palavra morte, da qual temos medo, e em outro contexto, a desejamos tanto... Em nos dizer com seu ATO que somos finitos e ao passo infinito, pois nos faz buscar a riqueza cheia de pesos e a outra, tão leve quanto à pena de uma pomba. Onda que nos acrescenta mitos, cheios de dúvidas e certezas, que arrebata monstros, e nos traz divinos; nos carrega como idosos, nos traz crianças; nos leva animais, e nos traz humanos – tudo em prol de sua continuidade, para que possamos eternamente indagar sua ida e volta, até que sejamos parte dela...

Enquanto isso, choramos e pedimos explicações em nome do que queremos, fazemos e principalmente amamos.

AMOR

Compreender as partículas desse formidável ser sem nome, a junção de cada uma, desde seus objetivos iniciais e finais, com o propósito de vivenciar essa união tal qual são (talvez) o início do conceito  de AMOR.

RESPIRAR esse ar, olhar as estrelas, sentir a joaninha roçar nos dedos, perceber a função das folhas, da flor, dos líquens, dos processos que a formaram, além das árvores, da comunicação sigilosa entre elas, do sorriso nos galhos, além da sabedoria de seus frutos... Da terra horizontal que a ergue ao vertical, para o qual sempre temos a chance de subir. Da bela rosa que, antes de ir, nasce, cresce, se mostra bela em matéria e essência, tão rápido quanto qualquer ser que tenta justificar sua moradia efêmera, entretanto tem o poder de ser mostrar tão belo quanto à rosa, quando busca honrar sua existência em virtudes, moral e práticas humanas, as quais são o princípio de uma reflexão extramundo – quando regados de beleza e amor.

 ANIMAIS

NÃO somos animais. Não estamos sós. SOMOS solitários em nossas cavernas ôcas, cheias de sombras e fogueiras contrárias à realidade e a verdade. É por isso que necessitamos buscar o que está além-religião, além-política, além-vida, e se tivéssemos o talento de visualizar tais aspectos de maneira frugal precisaríamos voltar à mentira e às sombras... Para isso, temos os símbolos – como o sol físico, a água, o vento e até mesmo o fogo, todavia o que nos faz mais próximos à onda é a regência de nossos instintos sobre os quais não temos força.

 ...E a onda nos vem, e lá vamos nós, sem saber para onde nos leva, sem saber por quê.                Ao contrário dos animais – que não precisam questionar a luz e a escuridão – e morrem feliz, questionamos tudo, e nos vamos tristes.

Não precisamos da tristeza ou mesmo da alegria como âncoras, mas vivenciar o que somos, no sentido mais pueril e divino, mais simples e complexo da semântica humana, com finalidades conscientes, sagradas ou pelo menos, com prismas sagrados, pois a onda nos envolve, e ao mesmo tempo nos retira de suas margens, sem mesmo nos deter de seu grande manto oculto.

Não precisamos ser loucos, religiosos, filhos de entidades, presos a dogmas, ideologias, tradições ou modelos que nos fazem bem. PRECISAMOS de nós mesmos, no sentido mais belo da palavra, da música, do fogo em nossos princípios, da brasa talvez como sólida partícula que queima em nossas entranhas nos elevando a seres que devem trabalhar, e muito, para que não sejamos levados e trazidos como turistas desavisados ao que sempre buscamos.

A ONDA não vai parar nunca. Seja em forma de doenças, violências, pandemias, velhice, ou simplesmente em forma de nascimentos incessantes, dos quais nem mesmo a metade conhecemos. PODEMOS, no entanto, trabalhar a beleza, a justiça e o amor – novamente – em nós, com fins de enganar a onda, que sempre acredita levar a todos como rebanhos cabisbaixos de um grande curral. E NÃO somos assim, somos maravilhosamente humanos.

 

 

 

AO MEU MARAVILHOSO IRMÃO

quarta-feira, 17 de março de 2021

Som da Vida

Não queria ouvir o som das bombas, sejam elas de átomo ou de nêutron, muito menos o horror dos gritos humanos ao seu redor. Não quero ouvir tiros de armas de fogo, das armas brancas em entranhas negras, ou mesmo de festim. Não queria ouvir as guerras, o enterro nas terras dos inocentes que nasceram somente  para... morrer.

Não queria ouvir o barulho das árvores ceder às serras frias, cortantes nas veias daquelas cujo sangue verde nos alimenta, nos cede tetos desde o dia que não éramos nem mesmo humanos. Não queria ouvir animais correr no fogo: do pássaro sem ter onde pousar, do leão sem onde reinar, da abelha, sem o mel, zoar.

Não queria ouvir a criança chorar sem a mãe, ou mesmo pai ao lado, sem dar-lhe leite, o amor, a fé, a razão, a paz que lhe apraz. Não quero ouvi-la morrer em braços sem força, sem almas, sem vontade, na beira do abismo incerto.

Quero ouvir o sorriso certeiro humano, nos trabalhos da terra; ouvir o som de suas gargalhadas a colher o alimento nato, e antes que o sol se vai, ouvir o suor de suas veias, caindo na terra agradecida pelo amor a ela. Quero ouvir o sol nascer e morrer nas montanhas, saber o que lhe passa nas entranhas, ouvir suas histórias, façanhas!

Quero ouvir o tilintar do coração humano, ao nascer de uma poesia; da lágrima corrente, seguida da face sorridente, de tão poderosa palavra se lia. Quero ouvir o som das nuvens reunindo-se em torno da montanha, da chuva, dos raios, dos trovões, do correr das formigas para sua pequena e inteligíveis tocas.

Quero ouvir o som do azul quando a chuva passar; da manhã que se esconde por trás da noite, quando esta se vai. Quero ouvir as miríades dos raios quando o arco-íris brotar! O nascer de suas cores, do sabor de cada uma! Quero dançar no sol, ouvir meus pés na terra; e na dança, ouvir a música divina do Amor, que multiplica a alma humana em duas, em três, em tudo.

Quero ouvir o som do amor nas teclas de cada ser que compõe a vida, sem o qual não há som, não há nada. Quero ouvir o som de Deus sorrindo, do gargalhar da floresta, do sorriso da vitória, das preces na noite. Quero ouvir o elo entre o humano e o divino, entre a vida e a morte, entre a paz e a vontade.

Quero ouvir o som do indizível, do inaudível, do despertar do nada, do tudo, dos mistérios que se foram, dos que se formam, dos sábios que dormem e que acordam sempre quando são chamados ao Mundo.


quinta-feira, 5 de novembro de 2020

A Consciência: fora do abismo

O fundador da Psicologia Analítica, o grande Carl Gustav Jung, em várias de suas obras, nos expõe conceitos explicativos a respeito do Inconsciente Coletivo e do Inconsciente Individual. Os dois, segundo o psicólogo, podem ter sido apenas nomeados por eles como tal, mesmo porque já haviam em forma de estruturas mais fixas, como os arquétipos no passado.

Todos inclinados a 'explicar' a saga humana, desde a tenra idade até o final da vida. Segundo Jung, para entender os arquétipos, no entanto, deve-se compreender as histórias míticas que norteiam cada cultura, de modo que reunidas como linhas paralelas, as quais se encontram em um só ponto no final, vão delinear o que somos, ou pelo menos explicar o enredo humano.

Nesse ínterim, Jung deixa bem claro que, para compreender tais conceitos, sejam de arquétipos, sejam de Inconscientes, é preciso entender que a consciência é parte do todo humano, não aleatória ao indivíduo, muito pelo contrário. Desde cedo, pode-se dizer que temos a percepção dela através das funções mentais.

Primeiro, antes de tudo, por meio do aspecto emocional, sem o qual não há como visualizar o que podemos ou não trazer à psiquê (alma), e de alguma forma restringir ou não o que se acrescenta à consciência. Isto é, como uma pequena estrada que se torna edificante com o tempo, a consciência se inicia e se torna forte. Ou mesmo como muros, feitos de tijolos fortes, desde o início, e terminam como tal. Entretanto, quando se fala em consciência é preciso entender que não se faz apenas caminhos e muros, mas algo que, a depender do Inconsciente passado, o coletivo, pode haver mudanças ou não.

Aqui moram os contos, os mitos, e as histórias tradicionais nas quais a humanidade teve a singularidade única de passar. Hoje, a exemplo, o Egito não é mais o mesmo, porém, há, ao mesmo tempo, na alma coletiva -- não na mente dos atuais habitantes,--, o grande respeito de um país que foi no passado potência espiritual, e até, em algum momento, estrutural e simbólica. Assim, em várias outras culturas nas quais nem mesmo a educação se aproxima do que fora antes, hoje, podemos dizer que ainda resguarda um elo com o passado. Incrível.

Jung, voltando, demonstra que a Consciência é a razão para qual se vai a consciência individual, e também coletiva. Ou seja, quando nas histórias passadas ou mesmo atuais, houver algo que religue com a Alma (Talvez o Nows platônico), há a realização sagrada de cada um.



Volto depois.




quarta-feira, 4 de novembro de 2020

Consciência: a Falta de Escolhas

Zeus, o maior dos deuses do Panteão grego, não era apenas uma divindade inventada para o ocupar o lugar em um mito. Todo indivíduo, assim como o indivíduo nórdico para a figura de Odin, sabia que suas estruturas internas dependiam daquele ser 'inventado', daquela figura, a qual, assim como centenas de outras da História, mesmo porque um 'inconsciente' já o tomava em relação aos deuses, ao sagrado, a si mesmo.

Por isso, os sacrifícios, as homenagens, ou melhor, a prática voltada àquela figura, que, misturado a evidências, às circunstâncias, ao que poderia ou não ser explicado, teria que continuar... Ou seja, o grego, o nórdico, o romano, ou mesmo o egípcio não acreditavam que tudo era desígnio apenas de uma natureza pessoal, porém, mais profunda, enraizada em preceitos não só históricos, mas racionais, no sentido de compreender uma Razão na qual o próprio homem não pudera jamais explicar.

Por fim, não havia o "vou fazer porque eu quero", e sim, pelo menos na maioria de seus atos, o que as divindades aceitavam, e Zeus, assim com Osíris, entre outros, de um Ocidente esquecido, "permitia", ou melhor, religava-se àquele.

Para cada ato, trabalho, oração, havia um ser no Oculto, tão explanado pelos grandes do passado, e hoje pelos descendentes destes, os quais, em vias modernas, tentam encaixar a consciência tradicional de volta ao seu eixo. Não é fácil. Estamos em outros tempos, em lugares cujas palavras ou o seu jeito de se encaixar nas orações, além de seus significados, caiu, sem falar nos templos passados, nos quais crenças passadas nada mais são do que homens presos aos seus interesses e pedras frias, a espera do passado.

A consciência, a meu ver, se mudou. Foi para um caminho mais estreito, cheio de irrelevâncias e ao mesmo tempo sem respeito algum. Antes, por mais simples e banais que pudessem parecer, nossas obrigações para com a 'linha imaginária' da consciência não era tão falha: tínhamos uma relação, um equilíbrio cantados, transformados em educação (do edutiere: de dentro para fora), em símbolos, fossem eles naturais ou criados com tais finalidades, mas eram tão sagrados e firmes quanto esse presente em que se nascem verdades em cada canto, em forma de igrejas e homens sem sabedoria...

A maioria dos homens, claro, não eram sábios à época, entretanto reverberava em forma de palavras nas fogueiras, nos livros, ou, antes, em hieróglifos, nos quais apenas o que 'se deveria' ensinar estava lá, não o que era fútil, desnecessário, ou mesmo com o fins de resguardar aos reais apaixonados pela verdade, os quais nasceram e morreram por ela. 

Estamos longe de sermos sábios, mas sabemos que nossa consciência, hoje, norteada por histórias interpretadas à luz da política, e da pouca religião entre os homens, nos faz adormecer a alma e nos inclinar ao espírito dos amos de uma grande caverna..



Volto depois.



Consciência: à sombra de Deus

Na antiguidade clássica, muitas das nações estiveram sob o manto de divindades que atuavam quase que diretamente no cotidiano daquele povo. Havia várias, não uma, mas várias às quais se prestavam serviços sagrados, e para as quais sentimentos, emoções, guerras, conflitos de todos os níveis eram levados -- e por que não dizer elevados.

Não havia uma brecha na qual não se podia fazer um pequeno sacrifício, ou mesmo uma interpelação seja ela de qual nível fosse; tudo era, de algum modo, em nome Delas. Isto é, tinha uma direção, uma forma clara (e quase visível de) condução daquelas consciências ao alto, ao sol, às esferas mais misteriosas de que se poderia imaginar.

Os mitos, para isso, foram elaborados. Em suas manobras necessárias para compreender e elevar a consciência coletiva daquele povo, graduados religiosos -- os sacerdotes --, como fiadores do tempo, mestres eternos, imortalizaram o universo, com participação dos deuses e humanos, em histórias que não apenas contam os passos humanos em direção ao sagrado, ao profano, mas principalmente a si mesmo.

Tudo se tornou um elo muito forte entre o homem e Deus, ou entre os seres mortais e os deuses imortais até então. Para quem já ouviu ou leu a respeito das várias culturas (Egito, Roma, Grécia, Persa, Alemanha, entre outras), sabe que, à época em que se falavam de deuses, todas elas possuíam uma casualidade relacionada ao seu modo de vida. Mas, a que mais se tornou potência nesse quesito, pelo menos desse lado do Ocidente, foi a Grécia.

Nela, vários mitos serviram para contar, como uma grande metáfora, a história da Humanidade, do homem, e sua participação vital no planeta. Há, claro, os mais detalhistas, além de criteriosos; há os filósofos, os sociais, os religiosos, enfim, pode-se trazer à tona qualquer elemento dentro de uma de suas histórias, que nossa consciência, de alguma maneira, tangencia ao que temos hoje.

E o que temos hoje?

Temos uma grande divindade que não admite histórias, nem lendas ou mitos para que possamos compreendê-la melhor. 



Volto depois.

domingo, 25 de outubro de 2020

Consciência: reta ação ou centro?

Consciência; com ciência, ciência, centro... Com centro. Não é à revelia das palavras que vos escrevo nesse pedaço de espaço o que há para entender, de início, o significado de nosso assunto, que, durante nossas vidas, nos instiga a questionar o porquê dela, da consciência.

Como no início fiz uma colocação de um significado, interposto por dicionaristas, baseado em premissas psicológicas, não filosóficas -- longe disso --, achei por bem trazer à tona algum elemento que, na visão dos grandes do passado, da tradição, na qual palavras não eram subjugadas, mas acertadas em raiz, produziam um efeito maior e melhor do que acreditamos hoje... A exemplo da palavra coragem: "moral forte perante o perigo, os riscos; bravura, intrepidez...", ou seja, a semântica acorda para um lado em que o sol está forte, mas não para os dois lados da cama. 

Tais sentidos dados às palavras, atualmente, corrói o que de início eram, e produzem o que raramente é; no caso de 'coragem', posso dizer que no passado longínquo, ela era interpretada como algo mais subjacente ao que temos na alma, o coração -- de onde vem o verbete. Nosso coração, como sabemos é tão indecifrável quanto qualquer estrela não vista, e há os que tentam de alguma forma entrelaçá-lo a outros adjetivos, tão passageiros quanto.

Assim como coração, consciência, essa que temos, nos direciona ao centro, esse indecifrável centro para o qual tentamos obter forças e prosseguir. Entretanto, mais do que o coração, nosso centro é escondido, invisível, quase que abstrato e por isso inventamos centros externos. A prova maior é a dor que sentimos quando um ente se vai. Não há nada que nos faça mudar de opinião, seja ela filosófica, moral, social, ou pior, religiosa, ou até mesma política na medida que nos sentimos sozinho com aquele vazio de respostas, as quais são direcionadas apenas aos nossos interesses particulares. 

Nosso maior problema talvez seja esse: esperar que nos ocorra algo desse tamanho para que possamos direcionar nossas possibilidades de compreensão do mundo e a nós mesmos, e entender aquele momento... Na realidade, não sei se é esse nosso "maior problema", mesmo porque temos tanto, que somos obrigados a elencá-los na maioria das vezes e nos questionar o porquê de não fazermos mais e mais esse exercício natural da espécie humana.

Meu primeiro exercício para descobrir o "que é consciência" talvez tenha sido há mais de quinze anos, em uma sala de aula, em que havia professores sérios trabalhando nossos conceitos acerca das palavras e do poder que elas exerciam no passado e quando realmente eram levadas a sério. A palavra 'consciência', lembrou nosso genitor de almas, tem origem no centro de cada um, do próprio homem, e do universo. É como a razão, que trabalhada com vistas aos conceitos universais, se torna racional, não intelectual, como sempre pensamos...

Consciência, quando trabalhada, quando percebida como uma necessidade humana, se torna tão grande quanto qualquer significado. O maior exemplo disso talvez tenha sido a própria História humana que, ao passar dos séculos, nos demonstrou que a consciência humana está sempre direcionada a algo maior do que o próprio homem. 

Aqui cabe salientar o que Jung dizia acerca do Inconsciente Coletivo, com o qual o ser humano segue sem saber. Desde o nascimento, infância, juventude, envelhecimento e morte. Segundo Jung, iluminados pelo Inconsciente, o homem não vive no deserto, muito menos em mares esquecido. Vive o homem dentro de uma busca universal pelo valores que a própria natureza lhe dera desde quando seu surgimento. 

Assim, a grande Consciência nos trabalha, nos delega exercícios naturais, os quais são vistos por nós, na maioria das vezes, como castigo dos deuses, ou mesmo de Deus. Porém, não se verifica a elasticidade natural da própria Consciência que nos joga de um lado para o outro, de modo a nos fazer conscientes d'Ela própria.

Tão forte e inclinada a nos fazer certeiros em seu conceito, mas indiferente ao que realmente somos, a Consciência não pensa, não manda, não ordena -- apesar de fazer parte de uma Ordem, mesmo assim ela é algo sem atributos, e ao mesmo tempo forte e clara tanto quanto um rio não descoberto pelo homem.



Voltamos.



sexta-feira, 23 de outubro de 2020

Consciência: conceitos

O que significa "ter consciência dos fatos", "do mundo" ou "de algo que ainda não é perceptível" ? A consciência, nesse caso, de maneira bem explanada pelos dicionaristas, baseados em critérios psicológicos, nos surge como algo que possamos pegar, levar e trazer, tal qual uma colher que se vai à boca na hora da comida. Chega a ser duvidoso.

Como um "sentimento ou conhecimento que permite ao ser humano vivenciar, experimentar ou compreender aspectos ou a totalidade de seu mundo interior", ou "sentido ou percepção que o ser humano possui do que é moralmente certo ou errado em atos e motivos individuais"... A consciência assim é definida atualmente e nos sugere buscar mais conceitos, de modo a nos aprofundar no assunto, o que para nós, pequenos buscadores, seria um trabalho nada pomposo.

Iremos então trazer à tona apenas o que nos interessa, dentro, é claro, de pesquisas nas quais a tradição que invocava a consciência como algo maior, mais direcionado e prodigioso ao ser humano. A exemplo do que eu dissera lá trás (do macaco em seu galho), para uma leve compreensão, podemos perfurar mais.

Entretanto, por ser um assunto um tanto quanto quase que abstrato a meu ver, vou levá-lo em base metafórica, quase que neuro-simbólica, não simbólica, criando caminhos para que possamos entender nosso próprio eu.

Os mitos vão nos servir para tanto, mesmo porque quando nos reportamos a eles é como que o fizéssemos em todos os termos, sejam eles humanos, divinos, profanos, sagrado, enfim, e abarcando (ou embarcando) (n)esse mar, de repente nos aparecerão raios próprios daqueles heróis que buscam saídas de suas cavernas, e quando estão presos ao inconsciente, aparecem as divindades e os auxiliam.


A gente se vê!



quinta-feira, 22 de outubro de 2020

A Consciência

De uma coisa eu sei: eu devo ser louco ao ponto de querer trabalhar um assunto tão específico e ao mesmo tempo profundo. Louco ou não, esse formigueiro de minha alma me faz coçar até até o espírito para tentar entender, pelo menos, um pouco dele. E, se os deuses me derem força, tentarei trazer à tona elementos, por meio de fontes, sejam elas de experiências ou mesmo de livros, com a finalidade de retirar um pouco desse véu que me atrai para retirá-lo da face do meu destino.

A Consciência, isso mesmo, com 'c' maiúsculo, é algo que nos transcende a opinião humana, mas sabemos o quanto somos buscadores, ainda que pequenos e quase insignificantes, de seu significado aqui, agora, com as ferramentas que temos. E quando me refiro a ferramentas, não falo de martelos literais ou de pregos fortes, mas ferramentas com viés metafóricos, ou seja, o que nos faz comparar um elemento A com elemento B, não somados, mas interceptados - como na matemática, lembram? -- do qual nos surge um terceiro elemento, a metáfora.

Mesmo assim, o terreno em que trabalhamos é muito impuro, sem possibilidades de plantio, de colheita, enfim, precisamos mais do que ferramentas para entender a razão da consciência (agora com 'c' minúsculo) em nós, mesmo porque não é algo físico, simbólico, o que nos faz acreditar que seria mais metafísico do que qualquer outra coisa... Mas não é.

Macacos nos Galhos.

Já que não temos tanto para trabalhar inicialmente, posso iniciar a discursão com uma máxima de um filósofo do qual estou lendo um livro intitulado "Pequenos Segredos para Engrandecer a Alma", no qual faz alusões à vida de maneira filosófica, detalhando a presença divina em nossas vidas, sobre as quais não falamos, comentamos ou mesmo vemos, contudo, estão aqui, perto de nós. 

Ele, o grande mestre sobre a consciência diz "Ela pula como um macaco. De repente, por causa de uma dor, poder estar na perna, na cabeça ou mesmo, quando da falta de recursos, em nosso 'bolso'". Ou seja, compreender a consciência é um tanto quanto difícil, justamente pelo fato de que ela nunca está em seu devido lugar, em razão de nossos conflitos internos ou externos.

Há muitas verdades nisso, principalmente quando iniciamos um pensamento -- em prática -- direcionado ao que foi dito. Ao entrar em um estádio cheio de torcedores, por exemplo, antes da partida, já estamos nervosos, presos àquele pensamento que, a depender do mosquito que nos 'belisca', nem o sentimos! Ou, para ilustrar melhor, quando um pré-pai recebe a notícia de que será genitor de uma criança que em nove meses será seu pequeno filho... A consciência dele se volta quase por completo, naquele instante, eu seu sagrado instante, ao fato de ser pai, e o céu se faz (para muitos o inferno), mas seja lá qual for seu sentimento, outras notícias não vão lhe fazer sentido...

E assim o macaco pula de galho e galho, na busca por uma árvore acolhedora. Até quando?



Boa tarde.

Volto outro dia.




domingo, 27 de setembro de 2020

Vivendo o Mito - Da Terra para o Céu

 O mito que eu mais amo em discorrer talvez seja o de Dédalo e Ícaro, sobre o qual já falei muitas e muitas vezes nesse blog. Um mito que na antiguidade clássica fez link com uma realidade que perpassava na Grécia mitológica. No "Herói de Mil Faces", Joseph Campbell, cita um pouco do mito... "apenas àqueles que não conhecem nenhum chamado interno, nem uma doutrina externa, cabe verdadeiramente um destino desesperador; falo da maioria de nós, hoje, nesse labirinto fora e dentro do coração. Ai de nós! onde está a guia, esta afetuosa guia, essa afetuosa virgem, Ariadne, para nos fornecer a palavra simples que nos dará a coragem para enfrentar o Minotauro e, depois, os meios para encontrarmos o caminho para a liberdade, quando monstro tiver sido encontrado e morto?".

Como que perdido em suas entranhas emocionais e quiçá psicológicas, o homem pretende se encontrar com seus mitos, e neles sobreviver com suas ferramentas, com fim de elevar-se internamente. Para isso, nos deram ele, e no mito formas variadas de figuras com as quais nos concatenamos, elucidamos, e descobrimos o que somos. Por isso que 'herdamos' essa reflexão íntima, dentro da qual vários oceanos, até mesmo poços, das mais variadas criaturas horrendas, circundam e nos intrigam a alma. 

É nela, na alma, esse pequeno 'nows' que desafia a racionalidade humana, que tais criaturas surgem e desaparecem. É nela, nesse segundo ser, que Dédalos e Ícaros se transformam em heróis, voam como homens em uma fuga espetacular e nos ensinam -- até mesmo moralmente -- que temos nossas limitações quando desobedecemos os critérios do Caminho ao sagrado, ou como diria na Índia, à Retação, ao Darma, como se fôssemos meros seres que vieram ao mundo a passeio.

A Alma Inteligente não nos fez por acaso, assim como não fez os outros seres da mesma forma. Cada um descobre, por meio de seus mitos, seu papel nessa Organização. Dédalo, como o pai de Ícaro, o construtor de nosso Labirinto, onde havia nosso maior medo (o Minotauro), trabalha em prol do espírito a comandar seu filho, cuja mente racional pensou somente em duvidar das palavras do pai, enquanto que este, já sábio da natureza, dedicou-lhe a confiança -- assim como sempre se confia, -- e viu que era preciso mais que palavras para fazer seu pequeno e fiel filho acreditar que o Equilíbrio entre duas forças era a forma de lidar com o Mundo.

Aqui, nesse momento, temas como Justiça, Ética, Força de Vontade, Amor, Moral, Temperança, colidem de forma explosiva e ao mesmo tempo transcende o que normalmente temos como tais em nossa cultura. No entanto, podemos ver, nesse mesmo mito, como foi elucidado pelo autor acima (Campbell), que fora construído um grande labirinto a demonstrar o quão somos complexos internamente, e não aceitamos duelar com o que temos dentro dele -- o grande monstro do vaidosismo, (o leão com o qual Hércules lutou), o Seth (egípcio), entre outros, enfim, o Minotauro, parte homem, parte touro.

Isto é, queremos entender o porquê da liberdade em nossos corações, o voar da alma, o querer sem querer, a vontade de ir embora da Caverna, ou mesmo refletir acerca do que podemos ou não quando alçamos voo. Tudo não passa de meros racionalismos enfadonhos (e humanos, claro), se não dermos passos em prol de matar o que mais nos põe em dúvida quanto às nossas possiblidades. Busquemos assim Ariadne, a forma mais simples de lidar com nossos vícios, exterminá-los e voltar à busca organizada, à Filosofia.


Acreditemos.

Vivendo o Mito (2)

 ... Como assim, em nossa educação? (pergunta o menino de queixo caído). O mito, como já expus, é uma ponte ao fantástico mundo desconhecido pelo homem. Entretanto, temos que saber construir essa ponte, aceitar que ela é parte de uma outra estrutura que nos faz conscientes de nossas responsabilidades como ser humano: a evolução de cada um, com vistas à humanidade.

Não adianta querer construir pontes com ferramentas belíssimas, de primeira qualidade, se nossas ideias beiram ao ridículo. Nascemos com tais ferramentas, cada um de nós -- e isso temos que aceitar. Ou seja, muitos são propensos a ser mais inteligentes, fortes, interessados do que outros, porém, não é matemático que façam pontes nos sentido mais simbólico que o mito propõe. Os mais simples, menos vantajosos no quesito inteligência, podem ser tão sábios na maneira de lidar com suas ferramentas do que os primeiros -- É a corrida da tartaruga com a lebre!

O que me vem à mente agora é que 'Não somos perfeitos', e nem seremos! Mas a questão não é essa. Se o mito fala de cada um, de maneira simbólica, em uma linguagem quase que iniciática para alguns, porque temos que mudar nossos ritmos, nossas vidas, se estamos bem, aqui, nesse mundo, como nossas vidas, com nossos amigos? Por que que eu iria querer mudar minha vida, meu mundo?... 

Isso me lembra também um livro chamado 'A Revolução dos Bichos', no qual animais de um celeiro entram em luta com seres humanos e conseguem vencer. Mais tarde, sem referenciais qualquer, os mesmos animais começam a se comportar como os humanos anteriores, em pensamentos, em atos, em tudo... Enfim, qual o motivo de uma luta sem referenciais, ou mesmo qual o nosso fim neste mundo se não temos pretensões maiores do que nós? pretensões que, quando a visualizamos, não só nos norteiam como também nos modificam, no melhor sentido da palavra?

Não faz sentido. E é nisso que, hoje, apostamos: no 'sem sentido'. 

O Faz Sentido, por outro lado, é uma expressão dúbia, mas estamos a falar de mitos, nos quais, em épocas remotas, só tiveram um sentido: o de evoluir, transformar-se em um Homem melhor. Não cabe aqui pensar em mitos gregos, egípcios, romanos, entre outros, sob o prisma de nossa irreverente educação socialista, capitalista, extremo-direitista, comunista... Não. É mexer com a espada que há milhares de anos foi enterrada em uma pedra somente para nomear um rei que salvará nosso mundo...E que, em sua homenagem, inventamos outra espada, outra pedra, e a retiramos graças aos nossos interesses, seja lá quais forem...

O mito foi feito, na realidade, para que não houvesse deturpações de uma realidade mais profunda, mais específica (desculpe o termo técnico), mas é preciso que tenhamos pelo menos uma visão mais respeitosa em relação a ele e aos demais contos, histórias, folclores, enfim, que foram construídos com finalidades mais interessantes do que a que contamos para o nosso filhão... 

O mito, quando exposto demais, assim como um hieróglifo sagrado, encontrado nas pedras do Vale dos Reis, pode perder seu sentido. As  vezes, é melhor deixar em seus respectivos lugares, na profundidade da terra, naquele subterrâneo no qual fora deixado propositalmente pelos sagrados homens do templo, do que desenterrá-lo e deixá-lo morrer nas opiniões de uma época que se julga tão forte quanto às demais.


Eu duvido.




 

Vivendo o Mito

Hoje, assim como muitas palavras, o mito se desfaz, se derrete nas vozes dos incautos professores de filosofia, como meras fórmulas teóricas decoradas com fins de dar sensações a estudantes da matéria. Em outras ocasiões, como já fora exaustivamente aqui comentado, a palavra mito vem perdendo (ou já perdeu) a sua essência. Antes, a significar algo mais profundo, mais universal, e humano, hoje, a palavra nada mais é que "um conjunto de narrativas culturais".

Isso nos faz invalidar, de alguma forma, o que era repassado, o motivo, o porquê da 'invenção' do mito, e assim por diante. Se não se sabe o valor do que temos, como iremos usá-lo em prol de algo? Nesse caso, o estrago é maior do que podemos imaginar. Se entendemos o mito como simplesmente um 'conjunto de narrativas culturais', como saberemos o real valor dele, como iremos saber o porquê que usaram, como usaram, e qual a finalidade?

O mito não é 'apenas' um conjunto de narrativas, mesmo porque não se cria algo tão belo e grandioso, que perdura há milênios somente com fins básicos. O mito nos impressiona porque tem algo de nós ali, naquela narração, naquele ser que defende, que ataca, que destrói, que constrói. Há algo de nós nos dragões imaginários, nos imensos lagos, oceanos, nas lutas, na profundidade da terra, quando relatada com forças divinas: somos a luta dos deuses pelo Olimpo, ou seja qual for o Mundo.

Entretanto, em detalhes se perde nossa compreensão atual, mesmo porque preferimos 'não ser' do que 'ser', graças a nossa parca compreensão natural acerca das grandes culturas que um dia relataram 'em mitos' o esforço do homem em encontrar-se consigo mesmo (ou como diria em nossa linguagem), com Deus. E não podemos negar isso.

O mito foi criado com a mesma finalidade de uma ponte, que nos une a um território desconhecido -- no caso, a nós mesmos. Não como uma faca, cuja a ideia seria cortar legumes, e depois, como uma peça chave de um assassinato. Seria reinventar um significado, ou melhor, dessacralizar o sagrado, diferente de profanar algo.

Mesmo assim, é preciso entender nossa maneira de lidar com algo que na antiguidade clássica era simplesmente (como posso dizer...) mais do que necessário a Educação do indivíduo. Fosse em academias, ou de forma peripatética, como Aristóteles ou mesmo Sócrates, os quais caminhavam por campos, ruas, vielas, sempre acompanhados de seus fiéis discípulos, e estes, quando sozinhos com seus filhos, introduziam o mito em suas histórias, fomentados do melhor mel, a essência.

De lá para cá, introduzimos o racional de maneira errônea, como se reproduzíssemos os heróis que já estavam lá com seus ideais, e até mesmo seus atos, suas roupas, seus monstros, como se fôssemos os 'inventores' de uma nova maneira de educar (ou informar apenas) nossos filhos. A partir daí, novas aventuras são contadas, novos personagens são introduzidos, novas histórias são contadas, de modo a fazer essa geração (que não tem a mínima pretensão de saber a verdade) acreditar em um novo 'algo', ou como diria... Em uma nova narrativa sem qualquer objetivo. 

Assim a ponte se desfaz.



Volto daqui a pouco.


terça-feira, 15 de setembro de 2020

Meta Física. Equilíbrio Distante

 O "Equilíbrio é distante", como diria aquela música; mas sabemos os passos a dar em direção a esse equilíbrio. Não somente na balança física, com o espiritual -- que seria, na realidade, entre a matéria visível e a invisível, ou como diria Platão, "ao sensível e o inteligível", mas principalmente aquela balança imaginária em tudo que tocamos, fazemos, falamos, como que uma maldição. Mas não é. É um presente divino para o crescimento humano.

A maior das balanças, a da Justiça, que singra a consciência humana como um homem sozinho em um deserto infindável, norteia os idealistas, os filósofos, e quem sabe a humanidade. O que nos preocupa, no entanto, é a reflexão que se faz em torno desse equilíbrio, que, assim como tudo em que tocamos, pode vir a ser útil ou inútil aos nossos fins.

Isso é notório, é claro, e ao mesmo tempo dantesco, mesmo porque não há soluções rápidas e viáveis que nos possa dizer o quanto devemos caminhar ou parar. É um grande mistério. Me sinto, aqui, como uma astronauta que fora ao espaço buscar o significado de uma estrela, e dentro daquele grande escuro me perdi, e me esqueci do astro, e agora flutuo no manto negro do universo.

É por isso que as vozes dos mestres devem ser nossas vozes, suas palavras, nossas palavras, seu amor, sua dedicação, quem sabe, nossas diretrizes. Não há outra forma de crescer, ou mesmo viver. Se não temos mestres (ou alguém que nos direcione), o mundo seleciona para nós, e nos atormenta até que comecemos a adorar aquela figura, dentro do que nos expuseram como heróis, mestres, enfim, aquele que na verdade foi declarado dono de sua vida.

Não descarto os papas, padres, pastores, bispos 'universais' como mestres ilusórios, mas também não faço mal jus ao que alguns o são. Há uma necessidade de haver tais homens, mesmo porque estes, um dia, foram mestres no quesito sabedoria. Esta, no entanto, confundida, atualmente, como meras informações aprofundadas em livros religiosos, até mesmo clássicos, no sentido arcaico, desparece e aparece no fim do túnel como meras luzes mentirosas a indivíduos necessitados.

Buscar a sabedoria, hoje, é saber lidar com os valores, levá-los ao extremo de seu ser, e fazê-la de montanha em sua alma. Não esquecendo de subir um pouco, todos os dias, em pequenos e significantes atos, os quais possam sintonizar com o sagrado, com Deus, consigo mesmo.


Até.

quinta-feira, 10 de setembro de 2020

Meta Física iii

Falei em equilíbrio no último texto quando me referia ao corpo físico, e até fiz alusões acerca de pessoas que são mais físicas do que espirituais. Na realidade, até mesmo o mais inteligente dos seres, sabe muito bem que é uma tarefa árdua separar as duas partes -- corpo e emoções (ao que chamamos espírito, as vezes, ignorantemente). 

Para nós, seres físicos, falar em espírito se torna algo difícil, mesmo porque, ao contrário da educação passada que recebiam os discípulos tradicionais, somos voltados ao que mais nos dói, e isso pode ser físico, financeiro, social, emocional, mas nunca espiritual -- mesmo porque o espírito não dói. O que mais nos dói, o que mais nos interrompe nossa ascensão, nos faz mais apaixonados, mais diluídos em seres que não saem da caverna corpórea. E isso nos alimenta.

Isso, no entanto, nos faz refletir: "será que somos apenas isso?" (físico!), e nos aproxima de algo que há milhares de anos foi o início de uma grande jornada rumo ao Terceiro Andar de nossa alma. Entretanto, o passado, aqui, andou mais do que qualquer ser humano atual. Nosso maior mal é e sempre será a teoria, a falta do agir, perceber com o próprio tato interno que há realmente algo mais profundo do que aquela imagem que nos sorri na manhã de Natal. Imagem pela qual somos apaixonados.

E por isso nos vem outra imagem, ou melhor, outra história que nos conta acerca dessa prisão, a Caverna de Platão, do Capítulo VII, de A República, a qual faz alusões acerca de uma grande caverna na qual estão homens e mulheres acorrentados, embriagados com sombras refletidas na parede, graças a uma grande fogueira na parte de trás de seus corpos, a queimar e iluminar aquele ambiente, o qual, para eles, é tudo. E por que não fazer esse tipo de alusão quando falamos de nossos corpos físicos?

É possível que haja uma forma de educação proposital que nos alimenta em torno de nossos de nossos ideais frágeis, também ajustados somente para lidar com nossas fragilidades, nunca com nossa fortaleza. É possível que o amor que sintamos hoje não só pelo nossos físicos, mas também pelo que não conseguimos como ele seja fruto de uma grande educação proposital, dada por aqueles que sabem que se desviarmos os olhos da parede -- ou voltar os olhos para o Espírito, o próprio ser humano mudará.

E muito.



 

quarta-feira, 2 de setembro de 2020

Tudo em Mim

Não posso deixar que o pássaro voe sem mim

Que as árvores nasçam e deem frutos, sem mim.

Não posso deixar que as águas se turvem ante às pedras,

Que tais pedras não descansem, sem mim.

 

Não posso encostar a cabeça nas folhas secas,

Dormir ao som da lua,

Acordar ante ao majestoso esférico,

Estratosférico sagrado sol,

Sem que haja amor ao redor, sem mim

 

Não posso deixar o verde da planta ir embora,

Dando lugar à seca sabedoria antes de mim,

Do alaranjado alvorada na aurora,

Vou me embora, ah se vou, sem ti

 

Não há nada que passe sem mim,

Sem o crivo da minha alma,

Dos desejos livres do afeto,

Pois não há nada sem mim.

 

Se o corpo delgado daquele ser se vai

Enrustido nas penas esbranquiçadas,

Macias e ao passo assoladas,

Não há leveza nele sem mim...

 

Se leva o capim ao filho,

Dribla o cão a pegar o milho,

Desfaz a rota a enganar o humano,

Insano, devia sorrir pra mim...

 

Não posso deixa-lo partir.

Seus meigos olhos de ave,

Alusivos ao amor do mundo,

Me faz vagabundo, mas não imundo,

Pois minha alma limpa se desfez do mal

Até aqui.

sexta-feira, 28 de agosto de 2020

A Meta Física ii

Não podemos desprezar nosso físico, mesmo porque é a carapaça em que nascemos e com ele aprendemos o prazer e o desprazer, o ódio e o amor, ainda que tenros, fadados ao desgaste se com ele tivermos algum prisma. Ou melhor, assim como ele, os valores que por ele são vistos, e por ele embasados, se vão como riscos em areia.

Mesmo assim, pelo amor enraigado a ele, ao físico, acredita-se que esse grande substrato no qual viemos, e nele vamos, mesmo depois da morte. Ou melhor, da vida. Não nos importamos com os vermes que corroem nossos rostos no fim, quando no caixão estamos, pois somos indestrutíveis, sarados e que há um mundo no qual nossos físicos estão mais fortes quanto agora...

É o materialismo em forma de crença, destruindo tradições de conhecimentos profundos, aos quais devíamos nos inclinar simplesmente porque 'achamos' que somos o que vemos nos espelho... Isso pode nos trazer uma falta de equilíbrio constante, porque deixamos -- com o tempo -- de buscar o que realmente ocorre lá dentro de nossas esferas físicas, e quando digo esferas, me refiro também a conhecermos o que há dentro e fora de nós, sendo 'nós' tudo -- o que está dentro e fora. Mas o que está dentro?

Sei que temos respostas biológicas para tanto, mas somos filósofos e queremos entender o que se passa por dentro e por quê. De onde vem a ânsia, o amor ao próximo, os sentimentos mais profundos, tal aquele que vem quando assistimos a um filme belo ou mesmo ouvimos uma música que nos levita a... Alma...

A alma, esse 'outro' ser de quem devíamos falar e para qual devíamos trabalhar, desde o dia em que nascemos para não nos sentimos tão distante dela quando a ela nos referimos (!), até o dia em ela se vai, ou parte dela,  rumo ao desconhecido (?). Este, filho de várias culturas que inventam lugares nos quais lá nossa alma se encontra, se derrama de vinhos caros, de humanos humildes, porém felizes graças ao senhor que os dignifica, a depender da cultura, como reis mirins; em meio a um paraíso ou cachoeiras, lotadas de terroristas aos quais um dia foram levados ao céu a tomarem banho de cachoeiras de mel....

Falando assim, dá até vontade de morrer!


Volto com o assunto.





quinta-feira, 27 de agosto de 2020

A Meta Física

 ... Foi proposital o título acima (A Meta Física), com os vocábulos em separados, em vez de a Metafísica, a significar "além da física", além da compreensão rasteira e básica dos estudiosos de uma didática menos avançada. Quero falar, nesse momento, que  a meta é o físico, de verdade, sem 'medo'. Dizer que somos todos voltados a esse invólucro sagrado que se vai após a morte, e que sustenta nossos desejos, sentidos, loucuras entre outras coisas.

Ele, nosso físico, para o qual vivemos egoisticamente, todos os dias, é visto por meio de espelhos que criamos, ou espelhos criados, de modo a nos identificarmos com ele, como se fosse eterno. Todavia, ao nos bater a realidade da Vida -- isso mesmo, com V maiúsculo, na qual estamos todos, humanos ou não, vem-nos uma depressão somente em pensar que, um dia, vamos perdê-lo.

Assim, a morte é-nos inimiga, a má gestora, a dor premeditada, a planejadora de ideias malignas que vai desfazer nossos sonhos de eternidade... E assim, morremos antes mesmo que ela (a morte) nos venha. É o culto ao físico, com auxílio de uma personalidade voltada ao ego, educada para satisfazer as necessidades extremas do teu corpo -- nosso corpo. 

E como uma criança mal educada, o corpo exige; como um cãozinho mal adestrado, pede para comer, beber, viciar-se, ou mesmo envelhecer por meio da dor. Noutros mais educados quanto à educação física, os mais interessados em deixá-lo 'top', chegam à academia por volta das cinco da manhã, saem às dez, e não pensam em outra coisa senão tomar remédios anabolizantes para deixá-lo acima da média. 

É o vaidosismo. Aqui cabe, também, o charme físico daqueles que querem conquistar com músculos até na face! E não faltam, claro, pretendentes femininas (ou não), como que encantadas pela beleza 'grega'. Mal sabem os fisicultores que os deuses gregos eram baseados na perfeição física, mas também na espiritualidade humana, sendo esta muito mal compreendida atualmente, e por isso somos fadados a ver todos os dias belezas que se julgam gregas.

A real beleza humana sabemos que reside não somente no físico, mas principalmente dentro dele. Se conseguimos melhorar nosso físico (ou contemplados desde nosso nascimento), pensemos em melhorar o que somos por dentro, mesmo que sejamos materialistas, senão sucumbiremos antes de aprender ser o que somos: humanos.



Volto com o assunto,



 

terça-feira, 25 de agosto de 2020

O Filos e Felas

Platão, filósofo grego, em suas citações clássicas ao longo do tempo, sempre soube lidar com as palavras quando o assunto era o Homem. Em uma delas, disse que éramos apenas um amontoado de pernas, braços, pensamentos, instintos, mas que, para sermos reais homens, estaríamos um tanto quanto longe.

Para muitos, isso é uma afronta, pois tentam levar para o lado ofensivo, acreditando que estaria o filósofo nos chamando de animais. Só isso. Porém, aos que o compreendem, ou pelo menos se debruçam ante a sua filosofia, sabem que o mestre, ou melhor dizendo, o discípulo de Sócrates, outro grande expoente grego, que morrera heroicamente em sua época, por, segundo dizem, ir contra a ideologia sagrada de Atenas, sabem muito bem que não apenas seu mestre, mas o próprio Platão não comungava valores relativos sobre os quais os homens de ontem e de hoje se pautam e vivem.

É natural errar acerca daqueles grandes tempos, dos grandes homens, que, provavelmente, possuíam uma visão um tanto quanto elástica em relação aos de hoje, que precisam se pautar em algo, com que para crescerem e serem percebidos. E semelhantes a crianças que tentam atrapalhar os adultos em frente à televisão, falam bastante, dançam, cantam, se expressam de maneira difícil, combinam palavras, e sorriem ao vento, em meio ao vazio de sentidos que deixou o mundo, que já está vazio de filosofia.

Se se pautar em programas sem sentido, em personalidades evasivas em suas semânticas, o filósofo atual não tem forças para iniciar uma empreitada significada ou mesmo a chamada praticidade, baseada em conceitos que estão aqui e agora para serem reinventados. O medo de encontrar a pedra filosofal, que tanto foi de Platão e Cia, o faz perder tempo (ou como mesmo gostam de dizer "dinheiro"), então não é elucidativo para qualquer pessoa o que se coloca em páginas, cheias de parágrafos inúteis, pois chega-se a criar 'fiéis discípulos' racionalistas, dentro de uma Era em que estamos cansados de criticar tais seres,

Esses dias, em uma visita ao youtube, queria ver o que tinha de bom para se ver, ou pelo menos não acreditar em premissas falsas de que a internet é totalmente do mal... E não é. Enfim, havia uma grande palestra com três filósofos (renomados) modernos, os quais iam debater sobre os dias atuais, e quem sabe fazer aplausos. Um deles, careca; o outro, com barba bem feita; mas foi o terceiro que, sentado no meio dos dois primeiros, se acalorou mais com a discussão. 

Chegaram ao ponto. O grande filósofo grego chegou aos lábios dos iniciados em opinião. Um deles, o do meio, já revoltado com nem sei o quê, disse bem alto ",,,Eu nem sei por que Platão criou aquela caverna mentirosa, pois ela é mentirosa mesmo! como é que pessoas ficam presas de costas, com algemas, desde a infância" -- só faltou dizer, 'Cadê a polícia?',,, 

Enfim... Levou uma risada vergonhosa na cara dos seu 'amigos', que, com certeza, viam a infantilidade nas palavras, e portanto sem chances de incrementar qualquer assunto do nível. Eu desliguei a tevê.




Amanhã continuo.



sexta-feira, 21 de agosto de 2020

Premissa Esquecida

Sou casado há quinze anos. Mulher linda. Filho lindo e meigo. Uma casa que construí em pouco tempo, e que hoje faz seis anos que está de pé. Tenho uma renda média boa para manter meu padrão de vida, com um carro na garagem, um belo cachorro pastor, que me ama e eu a ele, enfim, por que estou dizendo isso? Porque muitos estacionam, param em suas respectivas jornadas e não vão mais além do que pensar em manter a estrutura de suas vidas com muito custo, até mais do que necessitam às vezes.

Um homem se preocupa em manter as contas, a(s) mulher(es), quando somam-se mães e irmãs, entre outras, os amigos do peito, de infância, e não se esquecendo de trocar seu carrinho e dar aquela viagem com sua família -- tô precisando disso... -- Sair, beber sua cerveja, ou um vinho com a esposa, em casa, reencontrar com seus entes que te esperam para um churrasco no fim de semana, uma piscina, uma pesca, uma dança, ou falar mal do governo... 

Tudo é básico, por mais que achemos complexos e essencial ao extremo. Tudo é uma consecução notória de um homem que, não só hoje, como há dois ou três mil anos antes de Cristo, busca organizar sua vida social no sentido de demonstrar seu papel na sociedade civil. Buscar ser um responsável pelo seu "básico" e traduzir a honra e a honestidade, e a medalha maior daqueles grandes heróis que, um dia, o conseguiram... É o que esperam de nós.

Não desfazendo de nossos papeis como homens responsáveis que somos, no entanto, vários de nós o fomos e somos, independente do que a sociedade quer de nós. Se esta for uma sociedade tradicional baseada em premissas antiquadas, se for uma sociedade na qual ninguém se entende, ou mais, não há nada que possa espelhar o verdadeiro sonho humano, como podemos acreditar nessa sociedade ou, mais diretamente, naquele que a governa?

Platão, em sua República, dizia, em poucas linhas, que a verdade está por detrás da fogueira que nos aquece, quando se referia ao mundo dele, no Capitulo VII, no mito da Caverna. Sim, está por trás daquilo que nos faz bem sempre, mesmo porque aquele "bem" pode ter sido produzido por outras pessoas, para que possamos deixar de 'produzir' ou buscar o nosso "Bem".

Não apenas o Bem está em jogo, mas a Justiça, a Moral, a Ética, valores que foram relativizados, ou melhor desmistificados com fins de fazer com que nos esqueçamos, ou não mais ouvimos a falar dos reais valores que conduziram o mundo antigo, e no qual sociedades eram levadas a sério, grupos religiosos, políticos, familiares, que a compunham, relevavam-se interligados um ao outro, com a face sempre voltada ao oculto...

Hoje nos olhamos como seres horizontais. Nos tornamos animais. Só não adamos de quatro. Na religião, na justiça, na moral, até mesmo na honra, nossos interesses mais vazios, instintivos, sobressaem como aos de um cão faminto. Devemos ter respeito próprio. Amor próprio. E Vida própria. E quando isso acontecer com primeiro homem, o básico não será apenas o básico, mas uma organização baseada em preceitos divinos.



Boa sexta! 



quinta-feira, 20 de agosto de 2020

Sentido

Todos os sábios deste mundo são unânimes quando nos referimos à força, fé, religiosidade, amor, vida, morte, à reencarnação, aos detalhes dos jardins da vida que são tão importantes quanto o ato de vê-los crescendo diante de nossos olhos. "As diferenças nos tornam flores de jardins imensos", dizem, como se a certeza de que tudo é certo, real, independente do que acreditamos, e somos.

Questão é que damos valores à nossa opinião. Somos frutos de interesses arcaicos, não tradicionais no sentido de conhecer para ampliar, mas no sentido de restringir e fechar o cerco e dar notoriedade à nossa razão. O Sábio não opina. Dono de si, sabe para onde vai e o que expressa em palavras e corpo. Às vezes, dentro dessa veia reflexiva, percebemos coisas que não são; todavia, os sábios buscam respostas, buscam coisas que são.

O despertar das coisas que são/ é percebido quando temos simpatia pela nobreza, pela honra, pela verdade clara que parte de princípios altos, não rasteiros inibidores, como de ditadores que nascem todos os dias, não. Mas de homens que brilham e dão sua vida -- corpo, alma, espírito -- a tudo que vale à pena para conhecer a si próprio, e por consequência a Deus.

Todos os homens, em seu íntimo, guarda um sábio. Contudo, se não for resguardado o valor a ser dado a ele em tempos difíceis, ou seja, se mergulharmos em tendências modistas, relativistas, capitalistas, sistemáticas, estaremos dando passos para trás, para longe do que somos -- sábios naturais. E nessa estreita forma de nos conhecer, também há aqueles que, mesmo e apesar de tudo, sangram, levantam-se, voltam a lutar e se conhecem melhor do que pacificadores de plantão, que nascem junto com outros corvos que enganam só pelo fato de abrir o bico.

Tudo é válido para se autoconhecer, para se elevar, tornar-se-se melhor a cada dia. Tudo pode ser uma grande batalha dentro da qual se pode ser protagonista, como um herói, um salvador de pátrias, um rei maravilhoso, de modo que, em seu meio, o mais curto ou o mais complexo, podemos ser o que queremos.

Eu quero aprender com o sábios.

A Parte que nos Falta

"É ótimo ter dúvidas, mas é muito melhor respondê-las"  A sensação é de que todos te deixaram. Não há mais ninguém ao seu lado....