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quinta-feira, 27 de agosto de 2020

A Meta Física

 ... Foi proposital o título acima (A Meta Física), com os vocábulos em separados, em vez de a Metafísica, a significar "além da física", além da compreensão rasteira e básica dos estudiosos de uma didática menos avançada. Quero falar, nesse momento, que  a meta é o físico, de verdade, sem 'medo'. Dizer que somos todos voltados a esse invólucro sagrado que se vai após a morte, e que sustenta nossos desejos, sentidos, loucuras entre outras coisas.

Ele, nosso físico, para o qual vivemos egoisticamente, todos os dias, é visto por meio de espelhos que criamos, ou espelhos criados, de modo a nos identificarmos com ele, como se fosse eterno. Todavia, ao nos bater a realidade da Vida -- isso mesmo, com V maiúsculo, na qual estamos todos, humanos ou não, vem-nos uma depressão somente em pensar que, um dia, vamos perdê-lo.

Assim, a morte é-nos inimiga, a má gestora, a dor premeditada, a planejadora de ideias malignas que vai desfazer nossos sonhos de eternidade... E assim, morremos antes mesmo que ela (a morte) nos venha. É o culto ao físico, com auxílio de uma personalidade voltada ao ego, educada para satisfazer as necessidades extremas do teu corpo -- nosso corpo. 

E como uma criança mal educada, o corpo exige; como um cãozinho mal adestrado, pede para comer, beber, viciar-se, ou mesmo envelhecer por meio da dor. Noutros mais educados quanto à educação física, os mais interessados em deixá-lo 'top', chegam à academia por volta das cinco da manhã, saem às dez, e não pensam em outra coisa senão tomar remédios anabolizantes para deixá-lo acima da média. 

É o vaidosismo. Aqui cabe, também, o charme físico daqueles que querem conquistar com músculos até na face! E não faltam, claro, pretendentes femininas (ou não), como que encantadas pela beleza 'grega'. Mal sabem os fisicultores que os deuses gregos eram baseados na perfeição física, mas também na espiritualidade humana, sendo esta muito mal compreendida atualmente, e por isso somos fadados a ver todos os dias belezas que se julgam gregas.

A real beleza humana sabemos que reside não somente no físico, mas principalmente dentro dele. Se conseguimos melhorar nosso físico (ou contemplados desde nosso nascimento), pensemos em melhorar o que somos por dentro, mesmo que sejamos materialistas, senão sucumbiremos antes de aprender ser o que somos: humanos.



Volto com o assunto,



 

quinta-feira, 20 de agosto de 2020

Sentido

Todos os sábios deste mundo são unânimes quando nos referimos à força, fé, religiosidade, amor, vida, morte, à reencarnação, aos detalhes dos jardins da vida que são tão importantes quanto o ato de vê-los crescendo diante de nossos olhos. "As diferenças nos tornam flores de jardins imensos", dizem, como se a certeza de que tudo é certo, real, independente do que acreditamos, e somos.

Questão é que damos valores à nossa opinião. Somos frutos de interesses arcaicos, não tradicionais no sentido de conhecer para ampliar, mas no sentido de restringir e fechar o cerco e dar notoriedade à nossa razão. O Sábio não opina. Dono de si, sabe para onde vai e o que expressa em palavras e corpo. Às vezes, dentro dessa veia reflexiva, percebemos coisas que não são; todavia, os sábios buscam respostas, buscam coisas que são.

O despertar das coisas que são/ é percebido quando temos simpatia pela nobreza, pela honra, pela verdade clara que parte de princípios altos, não rasteiros inibidores, como de ditadores que nascem todos os dias, não. Mas de homens que brilham e dão sua vida -- corpo, alma, espírito -- a tudo que vale à pena para conhecer a si próprio, e por consequência a Deus.

Todos os homens, em seu íntimo, guarda um sábio. Contudo, se não for resguardado o valor a ser dado a ele em tempos difíceis, ou seja, se mergulharmos em tendências modistas, relativistas, capitalistas, sistemáticas, estaremos dando passos para trás, para longe do que somos -- sábios naturais. E nessa estreita forma de nos conhecer, também há aqueles que, mesmo e apesar de tudo, sangram, levantam-se, voltam a lutar e se conhecem melhor do que pacificadores de plantão, que nascem junto com outros corvos que enganam só pelo fato de abrir o bico.

Tudo é válido para se autoconhecer, para se elevar, tornar-se-se melhor a cada dia. Tudo pode ser uma grande batalha dentro da qual se pode ser protagonista, como um herói, um salvador de pátrias, um rei maravilhoso, de modo que, em seu meio, o mais curto ou o mais complexo, podemos ser o que queremos.

Eu quero aprender com o sábios.

quarta-feira, 19 de agosto de 2020

O Silêncio do Espaço

Pretensões humanas sobrevoam montanhas, céus e infernos com fins de dominar racionalmente seu espaço, o qual se é tomado e lavado para sempre como terreno humano. Mal sabe o homem que ele mal domina não só os espaço, o céu, a terra, os animais em termos literais, mas também em termos metafóricos e simbolicamente espirituais.

Todos de um passado longínquo sabiam disso, e por isso criaram leituras simbólicas nas quais o homem pode ser seu protagonista, mas não com a finalidade de dominar individual ou coletivamente aquela montanha, lugar, visível ou não; e sim, entendê-lo espiritualmente, trazendo-o para seu aprendizado prático. 

Para aquele homem do passado, matar um animal significava ir atrás de sua presa para um alimento necessário, não por esporte, e, quando não, o fazia de amaneira filosófica, exterminando seu ego, sua persona, seu eu animal que o atrasa na ascensão interna.

Se observarmos bem, também tentamos matar esse animal em nós, porém não temos referenciais para tanto, mesmo porque não há mestres como antigamente com o qual poderíamos tratar do que é animal em nós ou o que não é. O que temos nada mais é que teorias ventiladas por supostos homens que se julgam sábios e que possuem a falsa premissa de que 'mataram o animal' em si.

Buscar aqueles homens do passado, como Plotino, Platão, Aristóteles, voltar a sua sabedoria no tocante ao que somos, para onde vamos e por quê. Mergulhar na praticidade do dia a dia, e dizer que, por minúsculo que seja meu campo de atuação, temos que saber lidar com o meu, seu e nosso eu animal, domá-lo, e quem sabe vê-lo dar uma trégua ao grande Eu que se esconde em nós, dando-nos uma chance em contemplá-lo.

Transformemos nosso mundo, o interno, em espaços nos quais estrelas simbólicas há, sobre as quais falamos, mas que podemos interiorizá-las no sentido de fazer parte de alguma constelação de grandes homens, seja em pequenos e grandes atos.

Que esse céu que tanto brilha e na noite nos encanta, faça parte de nosso céu interno, de modo que saibamos viver e intuir acerca do que pode ou não nele surgir. Não serão conjecturas, mas plasmações naturais de um homem que vai ao encontro de si mesmo, sem destruir nada ao seu redor, e mais, pessoas que são parte de nosso universo.



sexta-feira, 14 de agosto de 2020

Nada Como Viver

Lutar contra si mesmo deve ser uma das maiores batalhas do homem. Talvez a maior. Umas das provas que me fazem crer nisso, e como sempre aludo nesse espaço, é que influências externas sempre ditam nossas regras  morais e tais. Sem saber que estamos sendo pensados, caminhamos em direção ao que aquilo não nos convém, e só depois de batermos a cabeça, amargurados, chorosos, cheios de estrelinhas na cabeça, é que voltamos para o ponto de partida..

Tudo isso pelo fato de que tivemos medo de batalhar conosco mesmos, seguir nossos corações, nossos instintos voltados ao céu, às vezes, ao mais simples até; porém, nossos ouvidos voltados a outras 'razões', sem as quais não se vive, a transferir a uma personalidade sedenta de fome por algo 'melhor', tal qual o alívio imediato das dores ou mesmo de alguns problemas gerados há anos, acreditamos que podem ser sanados em pouco tempo, pelo simples fato de que ouvimos alguém dizer..."deixa de ser bobo".

Além dessa inviolável maneira de ser, prosseguimos sem olhar o retrovisor dos chamados internos, que nos avisam quando e como estamos errados, e temos que voltar à linha, à chamada retidão, que nos alinha à harmonia natural de nossas vidas. Todavia, não ligamos. Não queremos isso... E sim aventuras desmesuradas sem as quais não somos 'homens', não somos nada; enfim, só percebemos o erro quando nos sentamos após a derrota.

Ontem, eu lia um livro que me fez repensar o que se lê, o que aprende e o que se leva para a vida. Em seu livro Os Arquétipos e os Inconscientes Coletivos, na parte que fala da deusa Mãe, como símbolo natural de uma arquétipo que visualizamos como antropomórfico, graças à nossa combinação de imagens, Jung se expressa no limiar das explicações assim "Em meio à vitória, há um germe de derrota"... Eu acredito nisso, mesmo porque somos um tanto quanto relativistas e precisamos saber encontrar sempre os dois lados da moeda para que não possamos nos decepcionar... Entretanto,  aqui e agora, posso inverter a polaridade da frase, parafraseando o psicanalista, e dizer Em meio a derrota, posso sentir o germe da vitória...

Sabemos que o erro se esconde em cada via de nossas vidas, mesmo porque sem os quais não se vai ou mesmo se fica. Nem se vive. Ou como diria um filósofo querido, "sem ideais não se vive, morre-se a todo instante". Claro que estamos longe do ideal, ao passo, nossos erros são fatores necessários com vista a nos aproximarmos dele. O Ideal é a 'retidão em pessoa'...

Precisamos dos erros, mas não sejamos portugueses de piada, e erramos 'por querer', mas tentemos nos livrar deles à medida do possível, sempre nos elevando com histórias dos grandes homens, de seus grandes atos, dos grandes heróis, que um dia conseguiram, com pequenos atos, salvar o mundo. Temos que salvar os nosso. Buscar em cada linha imaginária esse ser chamado Ideal, persegui-lo, com ou sem o sangue que nos cai das mãos, chorando ou não, com ou sem amigos, com o caos formado mundialmente, porém sempre com vistas a melhorá-lo, trazendo à tona elementos simples, como atos de coração, até que um dia... como pingos de chuva, enchemos o grande Oceano.

Isso é viver.


terça-feira, 17 de agosto de 2010

Sonhos destruídos, Dois.


Hoje, quem pode repensa o fato de trazer ao mundo uma criança; se não houver estrutura financeira, psicológica, adeus. Mesmo assim, ainda que havendo todos os meios necessários para se criá-la, temos o mundo como se fosse um dragão à espreita a jogar seu fogo na primeira hora em que sai da casa em busca de uma amizade, de um emprego, de uma pequena aventura. É como se criássemos um filhote de águia, porém o medo da grande raposa em devorá-lo ou transformá-lo numa outra raposa, nos fizesse ser vigias constante da cria.

Criou-se o medo de criar, cuidar, estender nossa linhagem. A razão disso talvez seja um Estado falho em segurança, educação etc, etc... por consequência os anti-heróis tomam conta de nossas ruas, na noite, no dia... A refletir nos becos, ou mesmo a céu aberto, o tráfico, a decadência da juventude em busca de aventuras e que terminam em cárceres privados ou em cemitérios.

Mas discutir as falhas de algo que é relativo, mesmo em proporções dantescas como nosso mundo, estado, sociedade, país... é como se pedíssemos para averiguar nossas próprias falhas, porque nos soa como se fôssemos omissos a tudo que criticamos. Contudo, quando criticamos, levamos pontos a serem analisados em uma sociedade quase cega que deve entender e se informar em relação a tudo, principalmente em relação ao próprio sistema, o democrático.

Levantar questionamentos acerca dele, começar a produzir efeitos pelos atos que podem ir de encontro a esse mal que nos corrompe em forma de falas e propagandas, leis... Propagandear o bom senso entre os jovens, leva-los uma realidade maior do que essa pela qual passamos, mostrar-lhes o valor de fazer o bem, dar-lhes a visão do bônus em acreditar em heróis reais, os quais um dia viveram em nossa terra como semideuses, com seus atos até hoje, de tão maravilhosos que foram e são, duvidosos.

A democracia, como um rio enlameado, no qual em quatro e quatro anos nos mostra as fezes de ratos dos ratos-humanos, surge como uma salvação para a escolha do bem, da “solução” aos cidadãos, que, em meio a má-educação, péssima saúde, péssimo tudo, graças ao hipócrita sistema, funciona como bomba genocida e, por mais que não vemos, inteligentíssima, pois nos faz acreditar que somos um povo, um governo e um país harmônicos.

Harmônicos não quer dizer tudo dentro de um mesmo saco. Muito pelo contrário. Cada qual cumpre (ou cumpriria) seu papel, dentro de sua natureza, dentro de sua necessidade, assim como o sol e o próprio homem. A grande esfera iluminando a todos independente da natureza das pessoas, animais, plantas e pedras, sem a escolha que se faz quando a natureza é humana. O sol não escolhe a quem iluminar, sempre cumprindo seu ciclo, sua natureza, sem pedir, sem férias, sem pagamentos extras, enfim, o que sempre esperamos de um grande ser.

E nós podemos sê-lo. Contudo, a raiz que conduz ao pensamento... “Temos que votar para que possam fazer algo por nós”... é uma raiz profunda de uma ignorância até mesmo infantil, a qual se alastra em tempos e tempos, de maneira que não podemos pensar em outra coisa senão em nós mesmos – essa é a razão de acreditarmos na democracia. O próprio interesse humano em se abster de seu papel idealizador, de fazer algo pelos outros, até mesmo pela natureza que o cerca, e acreditar que somos os comandantes, os generais do mundo, nos faz mais distantes de uma realidade pela qual utopicamente lutamos.

Ou pelo menos acreditamos que estamos lutando.
Os idealistas sumiram. Os homens de grande valia que queriam mudar o mundo estão sentados à beira da estrada, pegando carona, viajando pelo mundo. Não há mais força em suas palavras, pois soam como discursos falhos, cheios de democracia – retórica, enganos, demagogia, mentiras... – com algum interesse em se filiar a partidos, colocar uma gravata, ser nutrido dos grandes salários (serem corrompidos)!

A corrupção é como se fosse um lixo imenso só igualado aos grandes lixos do mundo, no qual pairam urubus, que somos nós, a beliscar o que nos deixam de pútrido às margens do mundo.

Assim, os sonhos se vão, em meio a disputas por uma presidência ou mesmo por uma representação de uma sala de aula. São a mesma coisa. Os dois visam um fim que não são de sua natureza.

Os sonhos estão sendo destruídos propositalmente. Por esconderem a face do caminho a ser percorrido, da mística, da divindade em nós, da real humanidade; os sonhos são perigosos, pois nos faz confrontar com os maiores sentimentos de amor e liberdade a que jamais vimos nesse mundo.

Os sonhos escondem a face de Deus. Nele vimos a dor e sorrimos; sentimos a paixão e nos despimos da escravidão – ao contrário do que nos ensinam e já nos embutiram na alma. Nele, o amor se sobrepõe, edifica, dá a glória ao idealista, e, em meio a feridas e guerras, continua-se a batalha, por mais difícil que seja.


Não deixemos de sonhar, nunca!






A Parte que nos Falta

"É ótimo ter dúvidas, mas é muito melhor respondê-las"  A sensação é de que todos te deixaram. Não há mais ninguém ao seu lado....