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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Uma Questão de Opinião

Platão dizia que vivemos num mundo de opiniões. E estava certo. Nada há nesse mundo que não opinemos ou trazemos opiniões, graças às influências de terceiros, quartos, quintos, e daí por diante, além dos grandes e pequenos e médios sábios – sem falar daqueles irrisórios pensadores dos quais pronunciamos máximas e delas ainda tentando sobreviver acima de tudo e todos – que coisa hein!?


Opinião: cordas de aço

Depois de fazer das opiniões bandeiras em protestos, ou seja, depois de nos influenciarmos pelo mau gosto, pela falta de gosto, e às vezes pelo que não nos leva a nada, batemos no peito e dizemos... “eu sou assim!” ou, aos mais radicais jovens “eu serei sempre assim”.

Mal sabem esses filhos de uma natureza falha que opinião é semelhante a plástico ao vento. Sempre mudam de lugar, e dependendo do ponto de vista, de cor, de forma, e na maioria das vezes, nem parece plástico... Mas por quê? Porque o mundo é feito de opiniões. E isso, desde que o mundo é mundo...

Raros são aqueles que se moldam em pensamentos clássicos e tentam, por si próprios, trabalhar seu modo de vida, fazendo com que haja o mínimo de opinião. Sim, pois, se tenho em mim uma vocação, tento trabalha-la, seja ela qual for, baseada em premissas universais, sábias, nas quais a humanidade seria a âncora de tudo... Talvez seriamos dotados de uma sabedoria paralela àquela que nos embutem no dia a dia. Isto é, se for sabedoria... Sabe por quê? Porque a opinião não entra naquilo que é natural e forte, e sim no que é volúvel.

Nascimento das Opiniões

As opiniões já vêm revestidas de interesse em modificar pessoas, projetos, ideias, de maneira vagarosa, corrosiva e ao mesmo tempo voraz. Aquele que nasceu em meio a um mundo de opiniões, e não percebe, morre sem saber que tudo que sabe nada mais é que a compilação de valores arcaicos, mentirosos, frios e ao passo vistos como éticos, profundos, morais, etc...

As opiniões são frutos de verdades, que, com o tempo, foram distorcidas. Há vários exemplos disso na Educação. Quando, por exemplo, se educa uma criança, dentro de parâmetros protetores, sabe-se, lá no fundo, que ela precisa passar por experiências em seu nível, assim com qualquer animal o faz; porém, o protecionismo arraigado o faz atrasado, involuido em relação ao que devia ser naturalmente...

Além do protecionismo, claro, nos ancoramos em vertentes mais fortes, como o medo, a coragem falsa, a ética falsa, o humanismo falso... Ou seja, seja ele qual for o critério que adotamos, aqui e agora, vamos sempre cair no critério (e nos subcritérios) da opinião. Não adianta aquele grande autor nos tentar passar alguma coisa lógica ao extremo para que possamos nos impressionar, pois são premissas baseadas naquilo que alguém falou, escreveu...

Eu poderia terminar dizendo “E assim caminha a humanidade”, mas queria dizer que, para que resgatemos nossas formas naturais de opinião, ou melhor, nossas reais experiências, é preciso que sejamos fiéis a nos mesmos, deixando que frases passadas sejam deixadas no passado. Claro que precisamos de máximas, de frases, de textos que nos elevem, que sejam, na maioria das vezes, pequenos sonhos a se buscar, mas – na minha opinião rs – podemos fazer nossas próprias máximas. Basta que sejamos referenciados por algo maior que nós, tipo... a nossa vontade, nossos sonhos, nossos desejos, os quais nunca conseguem ser, vamos dizer, encabrestados (!).

Porém, ainda digo, é preciso que saibamos lidar com premissas falsas, pois elas dominam o mundo, dominam seus pais, seus avós, seu cachorro, gato... (então dominam você, certo?), o que nos faz horrorizados e ao mesmo tempo cientes de que podemos fazer algo... Mas como?

Mais uma vez... Tentar buscar saber o que é nosso ou o que não é. Antes de pronunciar algo, saber se é um pensamento nosso, ou não. Ao ler um livro, tentar extrair o que achamos, não o que o autor acha. Se escrevemos, passar experiências somente suas, não de outros, com seu estilo, não de outros. Ao fazer um poema, seja o mais simples possível, com suas palavras, erradas ou não, presas ou não, livre ou...

Enfim, quando estivermos em meio a grandes homens que admiramos, ou menos que isso, tentar filtrar apenas o que nossa alma, lá no fundo, quer, não o que o racional (mente) quer, pois podemos cair naquela do intelectual sem inteligência. Imagine quantos temos no mundo!

Lembram-se daquele menino que foi o único a enxergar o rei nu? Então... Encontremos nas coisas o que elas realmente são, não o que dizem, pois podemos não ver o que ela representa.

Nas Igrejas, Campos...

Não só nas igrejas, que mexem e remexem com seres frágeis e na maioria das vezes não gostam de ler, de perguntar – imaginem! – ou que nunca tiveram pensamento próprio, graças ao pai ou mesmo à mãe que seguem tal caminho, há opiniões fortes em campos de futebol, em países ditadores, em casa...

Ou seja, gerações se fazem e se desfazem em nome daqueles que fazem milagres em nome de outros, ou morrem gerações em nome de batalhas as quais nunca deviam ter sido travadas.


Assim caminha a humanidade!

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Real e não Real




Hoje, em razão de nossas culturas vagas, em cujas entrelinhas vagam o saber irrisório e o não saber, depositamos toda a nossa confiança no presente, nunca no passado. Em determinados pontos estamos corretos, em outros – na maioria – errados. Quero dizer que nossa razão, aquela que deveria unir o céu e a terra, hoje burla sensações relativas, ao ponto de sentirmos o que é e, mais, achar que é real, mesmo sabendo de sua relatividade...

Estranho, não? Já perceberam o quanto somos insensatos e, às vezes, entre aspas, defendendo teses frias nas quais nós nem nos cabemos? É, deixa pra lá. Buscar razões dentro da razão é mexer com as mãos, fazendo com que elas, voluntariamente, se cortem com facas afiadas...

Mesmo assim, mexamos um pouco com a razão...
Ao perceber a perda de algo, sentimos a relação de falta, ainda que ela seja mínima. A sensação aumenta, buscamos enfim sanar a perda, pois, de alguma forma, aquela coisa fazia parte de nosso contexto... Será que ela pode ser trocada por outra? – sim, claro, no entanto, apenas ela tinha a sua característica, e, apesar de ser ‘trocável’, fazia parte de um universo relativo – ou seja, poderia se extinguir...

Daí vem a pergunta: que universo é esse? Criado ou incriado? Com certeza criado, para sanar as necessidades humanas, não a do universo incriado – não criado pelos humanos... Se fosse do Incriado, não se acabaria, estaria ali para todo o sempre, e desaparecia de forma relativa, mas sem a compreensão humana, mas universal.


Na Prática



Um dia, em meu escritório, quando imprimi um papel cheio de cores que torneavam uma foto, quando o peguei, percebi que não havia mais tinta na impressora... Fiquei naquela ocasião com vários questionamentos na minha cabeça. Do tipo: a tinta acabou, portanto terei que comprar um novo cartucho; e se não houvesse mais cartuchos, e se não houvesse mais lojas, mais shoppings, mais árvores, mais tudo... Por fim, cheguei a ficar sem mim mesmo. Desapareci da terra e fui parar na necessidade.

Será que tudo se esbarra na necessidade? Necessidade de estar ali, em algum lugar, ainda que não seja para uma eventual necessidade humana. Parei no verme que piso na grama, na barata da cozinha, no bico do pássaro que se alimenta do resto dos dentes do jacaré; subi um pouco e fui até a gaivota que imita os humanos na pescaria, ao jogar seu bico como vara de pescar, puxando o peixe até a margem do rio, beliscando-o até ele, o peixe, virar almoço.

Parei na nossa necessidade de estar vivo. Por quê? Como? Para que estamos andando, respirando, vivendo....? Claro que, no universo, somos de partículas irrisórias e todas elas, por mais semelhantes que sejam, são completamente diferentes! Assim, o ser humano teria que saber que, por mais incrível que nos assemelhamos, cada um tem o seu papel dentro desse cosmos... Mas qual?

“Há vários caminhos, mas só um leva a mim”, como diria Krishina, no Bagavagita, quando Arjuna, o discípulo, perdido no meio da batalha, o questiona acerca de seu papel no Universo. Na realidade, ainda nos vaga essa pergunta, em todos os lugares, em todas as batalhas que lutamos. Arjuna, personagem simbólico, representa a Humanidade perdida entre o céu e a terra, entre o que é perecível e o que eterno – entre o espírito e a matéria...

Na batalha, Arjuna vence, apesar de ir ao encontro de seus valores que se diziam reais, e consegue seguir com outros completamente diferentes, os espirituais. Que valores são esses? Teríamos que navegar na cultura egípcia, celta, maia, grega, romana, e principalmente indiana para conceber tal conceito e responder essa pergunta.

Contudo, o que nos resta é estabelecer sempre contato com questionamentos acerca desse assunto – o que é real e o que não é --, e sermos Arjunas, e na medida do possível encontrar referenciais baseados na natureza, não naquilo que inventamos mesmo que seja para a maior das necessidades...

O Fator Humano

Arjuna – continuando – também digladia consigo mesmo quando fala da morte. Questiona seu mestre, e este abre seu Coração lembrando que a morte não existe. Que todas as coisas vão para onde devem ir, e que sua essência vai ao encontro da grande essência – Deus.

Isso acontece porque o discípulo tem que lutar com todos aqueles que um dia o criaram, amaram e com ele viveram, como amigos, irmãos, pai... Assim somos nós.

Todavia, quanto se trata de pai, mãe, irmãos, amigos... o que é relativo se torna real, pois nossos corações e almas, ainda dentro daquela cultura falha por natureza e ao mesmo tempo bela, sentem suas ausências, tal como fosse parte de nossos corpos, vidas, e universo... do nosso universo.

O fator humano clama explicações à natureza pela dor que nos faz, e ao mesmo tempo ao Tempo que nos dá ânimo para viver mesmo sem eles. Os deuses são realmente necessários! E na busca pelas explicações, nos debruçamos às religiões, partidos, seitas... Sem mesmo consultar a rica Natureza, que, ao nosso redor, nasce, cresce e morre em essência, e se vai em relatividades sem que percebamos... Por tanto dizia Heráclito: “nunca nos banhamos no mesmo rio” – a filosofia já tratava da nossa doença maior !

Tudo se vai...

Assim como o cartucho de tinta que se foi, tudo um dia se vai. Cada um dentro de suas proporções, claro! Não vamos nem comentar então acerca da vida em nosso planeta, do apocalipse, das mortes em excesso, da terra...do sol... da nossa vida...

Acostumar-se com a ideia de que tudo é relativo... que coisa, hein! Não, nem tudo é relativo, pois o que nos faz humanos não é algo relativo, e sim real: o Amor, a Justiça, o Verdadeiro... Isso nuuuuuunca morre.



Ao mestre L.C.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Fúria de Titãs... continuação.


Os labirintos são imensos para a compreensão dos mitos, no entanto não podemos deixar de citar alguns que, como contos de fada, nos atraem pela forma psico-histórica e pela relação evolutiva do universo; entre eles está a batalha dos Titãs – Hebe, os Gigantes, Tifão e Ofion --- entre outros, os quais enfrentaram Zeus, são figuras mitológicas, ainda que nos traspassem sentimentos semelhantes aos humanos.

Zeus, filho de Urano e Gaia, teve que matar seu pai em razão de um dia querer devorar todos seus filhos. Mas o filho maior conseguiu rebelar-se e soltar seus irmãos. Assim, Zeus tornou-se o maior de todos os deuses em razão da vitória desse embate, por fim sendo deus do Olimpo.

A batalha, a criação do todo, revela-se, como diria os cientistas de hoje, a manifestação da matéria, a dissolução do Caos – outro deus. E os Titãs nada mais são que elementos dessa matéria, potencialidades impessoais, sem sentimentos – paixão, instinto, ciúmes, como demonstram as histórias para as crianças, ou mesmo nos filmes. Mas Platão, na República, já avisava que antropomorfizar os deuses seria um tanto quanto perigoso ao mundo. Todos eles transbordam de significados míticos a fim de traspassarem o entendimento-terra do homem, por isso não temos base para montar em nossa psique a força de seu significado.

Será que é só isso?
Nossa cultura atual precisa se enriquecer no tocante a esses elementos simbólicos, nos quais o personagem representa uma peça chave para interpretação do mito. Isso, com certeza, nos resvalou das mãos em épocas negras, todavia, mitos semelhantes jamais perderam sua razão de ser. Apenas o modernismo transformou o que era fonte de inspiração para a compreensão divina em um materialismo psicológico, afundando as possibilidades de resgate – ou quase.

Mas como nos enriquecer?
Na realidade, a dificuldade em voltarmos à crença de que tudo pode ser divino está muito longe; pois há formas partidárias de pensamentos – além de ideias – religiosos, políticos, sociais, etc, nos quais o âmbito da questão com certeza se perderia. Seria dar cavalo de pau em um navio a centímetros de distância de um iceberg!

É, estamos prestes a virar comida de tubarões (a linguagem é metafórica, por favor!). Enfim, precisávamos de uma guinada – uma “revolucionada” – em nossos atos, pensamentos, tudo. Como se voltássemos para um ventre e dele saíssemos e começássemos a repensar nossos atos frente a nós mesmos. Pois esse é o trabalho do mito: não somente nos enriquecer culturalmente, desmistificando segredos divinos, mas principalmente os nossos.

É preciso entender porque aqueles seres mágicos, vivendo em sua época dourada, obedeciam aos deuses; pensar no porquê daqueles seres que pareciam escravos trabalhavam alegremente em nome de algo tão forte quanto nosso amor ao filho, construindo pirâmides, totens, etc..; precisamos retirar os óculos da vaidade, da matéria, do capitalismo doentio e rever nossos conceitos de espiritualidade. Precisamos entender porque todas essas sociedades, que um dia tinham que ir, viam o mito como uma fonte de inspiração na hora da guerra, da doença, da crença, da política...

Elas sabiam que o mito resguardava um pouco de tudo. Que os sábios sacerdotes ao elaborarem os mitos estavam não apenas construindo algo maior que o próprio homem, mas algo tão fértil quanto o próprio universo.

Volto no próximo texto...


segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Rastros de Amizade


Quando as amizades se vão, ficam rastros de sua beleza. Dos grandes encontros, dos grandes sorrisos, dos abraços no inicio e no fim da festa.

Quando as amizades se vão, ficam marcas de uma verdadeira paz no coração de quem cedeu a casa, ou o cantinho, para abrigar “aquela rapaziada” com quem sempre se pôde contar...

Quando as amizades se vão, as lágrimas batem no coração, e quando nele tocam, parecem larvas de vulcão presente a tanto tento inerte...

Quando as amizades se vão, a alma vai com eles, até suas casas, deixando um por um em seus portões, pedindo a Deus que os faça melhor do que são, todos os dias...

Quando as amizades se vão, não há dor, discórdia, guerras, batalhas infindáveis, mas a sensação de que não se foram, e que sempre estarão, ali, dialogando e dando o máximo de si para a alegria do anfitrião.

Quando as amizades se vão, não se vão. Ficam firmes, presos como ideais de juventude grega no espírito daquele lugar que os abrigou. Ficam marcas fortes de uma filosofia que não se vai, apenas está oculta aos nossos olhos e visíveis ao coração dos grandes homens.

Quando as amizades se vão, o sol se vai, e, como os amigos, deixa rastros de beleza no céu infinito. Deixa a saudade no céu, deixa as estrelas aparecerem, deixa outros astros se destacarem... Porém...

Quando os amigos se vão, deixam, como o sol, seus raios emprestados em outro ser, na lua, ou melhor, no grande céu da humanidade.

Quando os amigos se vão, a saudade fica, e a honra de ser amigo de cada um deles se fortifica.

Aos Amigos do Projeto Leônidas.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Poeiras, Caixas e Lembranças


Não pude de deixar de ver uma matéria excelente no programa global Fantástico, que falava de um grupo de jovens que havia deixado, em uma caixa, lembranças de uma época em que tinham entre treze e dezesseis anos. Hoje – quer dizer, agora – ao abrir a caixa, com seus vinte e três, vinte seis anos..., com seus lembretes antigos – cartas, mensagens, hinos de clubes, fotos --, depois de formados ou não, viram o quanto seus desejos mudaram com o tempo. Ainda, viram o quanto perderam tempo...
Isso me lembra Cronos, deus do Tempo, que começara a comer seus filhos, em uma alegoria que nos diz que o tempo urge, não para, e devora, sempre, o que encontra.

Mas não queria falar de tempo, e sim de comportamento – o que nos exige uma dose se simpatia de alguns que não compreendem a ordem prática da vida. Pelo menos quando se é jovem --, é o que parece. Mas por que somente quando jovens?

A falta de critérios, de caminhos, de uma convicção, de uma reta a seguir... – o que significa não precisa ser algo grandioso, mas que seja algo que nos imprima lealdade, um dos princípios que recebemos quase de maneira inata – ou seja, dos deuses, de Deus, sei lá, e que nos sobressai na juventude tão forte quanto qualquer guinada de um poço de petróleo descoberto.

É por isso que temos que levar a sério essa questão, porque é uma das primeiras virtudes direcionadas a algo que vale à pena – quer dizer, a depender de quem a leva. Muitos mafiosos, ladrões, traficantes, homens-bomba, etc, por exemplo, são leais, o que não significa que lealdade seja mal, mas o próprio homem que a conduz...

É como se pegássemos uma faca e, com ela, a vida toda assassinássemos a torto e à direita todos que encontramos. Mas, na realidade, a sua finalidade é cortar carne, batatas, presuntos, salsichas... Assim tratamos a lealdade. É um ponto necessário de se entender. Não só jovens, mas muitos marmanjos ainda não entendem essa questão.

Hoje, em minhas andanças, por exemplo, percebo o quanto errei no passado e gostaria muito de rever certos conceitos de maneira a não desvirtuá-los no futuro, ou seja, hoje. Mas, hoje, também acredito em determinadas coisas errôneas, e minha finalidade é buscar “reconceituá-las” e, na medida do possível, entendê-las, praticá-las – enfim, eu também sou humano, e por que não dizer... Jovem? Quer dizer, pelo menos, em algumas coisas nas quais claudico... Em outras, maduro o bastante para saber o quanto estou errado em continuá-las. Essa é consciência real do homem. Saber dos seus erros e por eles traçar uma meta, sempre na tentativa de, com eles, aprender e ser leal a eles.

Aqui e agora, não sabemos nada do que nos ocorrerá no futuro, por isso tememos até mesmo os importunos, assim fazemos de tudo para vivermos a máxima do viver sem controle, sem respeito, sem amor, sem direção; viver sem olhar onde pisamos – seja em minas, seja em pessoas, até mesmo em crianças abandonadas, mas o pior de tudo é viver sem tentar ser amigo de quem mais precisa de nós: nossos pais, irmãos e filhos.

A caixa aberta pelos jovens, depois de dez anos, não só impressionou a eles, mas a nós também. Seus olhos de arrependimentos foram nossos olhos, nossas lágrimas. A menina que tinha escrito coisas vãs sentiu-se a mais pobre das criaturas ao descobrir que poderia ter deixado uma lembrança dos pais que haviam morrido dez anos depois. Um garoto ficou feliz por ter realizado seu sonho de terminar a faculdade, se formado em arquitetura, mas triste por muitas coisas que havia dito na pequena carta de há dez anos.

Se pudéssemos fazer isso com freqüência, sentiríamos a mesma dor da decepção de nossas imaturidades. Contudo temos a consciência de que podemos melhorar nossos pensamentos, nossos relacionamentos, seja com pais, mães, filhos, amigos, enfim, começar de novo, com novas premissas, novas idéias e comportamentos. Rever, assim, nossos conceitos de liberdade, de amor, justiça, de paz, de lealdade... E, quem sabe, conversar um pouco consigo mesmo, sempre refletindo o que poderia ou não sobreviver nesse mundo depois de dez anos, ou mesmo a eternidade naquilo que fazemos diariamente.



Regis :/



segunda-feira, 26 de abril de 2010

Quisera, uma Quimera?


Quisera eu um dia ler as mensagens da vida que nos corre pelas mãos, pelos olhos, e nos faz de bobos todos os dias. Sentir um pouco de sua sabedoria, apesar de minha falta de compostura frente a ela, nesse manancial de segredos os quais nem mesmo o mais sábio dos homens pode interpretá-la.

Quisera eu, um dia, deitar-me no meu colchão, olhar para o teto e sorrir, dizendo palavras belas até o amanhecer. Sei o quanto todos desejam realizar esse sonho, todavia, graças aos deuses, nem chegam(os) perto.

Contudo, com nossos olhos pequenos – as chamadas janelas da alma – já nos é o suficiente para ver e intuir o quanto somos ignorantes – o primeiro passo – para adentrar nos grandes segredos de Deus. Mas, ainda como homens, também podemos chegar perto daquilo que chamamos mistérios imediatos, que nos batem à porta. Uma porta simbólica, com chaves simbólicas, resguardando segredos reais pelos quais vivemos e morremos sem mesmo, às vezes, sentir o odor frágil de sua filosofia.

Temos que ser preciosos, não apenas nos sentir com tal. Mas ter uma virtude em particular que nos torne mais sinceros, morais, éticos, cheios de princípios acalentadores de almas. Ter uma filosofia de vida...

Ah, a Filosofia, essa porta mágica pela qual se entra e sai todos os nossos mistérios vitais, e ponte que serve de caminho para as maiores aventuras humanas. Essa palavra de significado amplo tem em seu âmbito um universo, cujas estrelas intermináveis, dançam em nosso ego, nos transformando todos os dias e nos renovando interiormente, sempre, na medida de nossas naturezas.

Quisera eu compreender o ideal dessa palavra – fi-lo-so-fia – pronunciada, praticada, mal tratada, elevada e ao passo discriminada. Trazer aos homens sua natureza, vociferar como um animal a fim de que todos parem e entendam seu significado. Mas não sei nada, pois a reminiscência em mim falhou e me dela esqueci.

A filosofia, pelas águas que me passam, se confunde com o próprio ser humano. Cheia de mistério, ela norteia cientistas, religiosos, educadores em geral, e os faz buscar, dentro de seu meio, a realização interna ou externa de seus objetivos. O cientista na busca pela cura de uma doença que atinge a humanidade; o sacerdote moderno – um padre, pastor... – que busca em Deus a coragem para dar os passos na hora de aconselhar o próximo; na mulher que se questiona acerca de seu papel em setores nos quais apenas ela se eleva, como o de mãe – que sempre a religa com Deus, unindo cada vez mais a família; o pai, cuja presença já ordena a casa, e o filho, que dá os primeiros passos frente à vida, e depois questiona os pais, os amigos, a família e o próprio Deus... E os educadores, enfim, no frio da noite, no sol do dia, a refletir acerca de seu caráter frente aos alunos, ou mesmo frente à própria vida.

E a filosofia continua nas águas do oceano físico, no oceano imaginário, metafórico, simbólico... Na terra, que para os índios nada mais é que a mãe de todos, pois nos dá tudo sem pedir nada, apenas carinho e muito amor. Reciprocidades.

Queria desvendar mais segredos. Segredos dos grandes homens que elevaram as pirâmides, todas elas, ao tempo, do México ao Egito, na tentativa de nos religar aos deuses – quase que nos assemelhando a eles. É querer demais.

Queria não querer tanto. Apenas viver o que posso e transformar aquilo pelo qual vivo. Estar leve na hora da morte, e não pronunciar, sem exagero, palavras que me demonstrem a maturidade daquele que já viveu o bastante para dizer que viveu sim um pouco dos mistérios. E que o significado maior de tudo é entender que morte e vida nada mais são que dois rótulos de uma mesma resposta. Desse mistério devo viver.

terça-feira, 23 de março de 2010

Projetos


Sabe-se que em todos os projetos damos um pouco de nós, daquele intimo necessário a sua realização. Muitos, porém, dão muito de si. Vem a idéia, o planejamento, os caminhos, a luta, e enfim, a consecução dele – do seu projeto. Todavia, ao acabar com este, vem outro e outro... de maneira que se vive perguntando... “será que sempre terei projetos a realizar?”. Sim. Entre o céu o mar haverá sempre projetos nos quais o esforço, a concentração, a determinação estarão sempre presentes, seja em qualquer momento de nossas vidas...

Mas aquele projeto de ser bom, belo e justo? Será que sua realização é possível? Depende. Há uma frase que diz “Se acharmos as estrelas um tanto quanto longe demais, a lua já nos basta”. Significa que um projeto como esse instiga muito trabalho interno, muito de si próprio, não dos outros. E ser um pouco melhor, todos os dias, ou semanas, ou anos, ou décadas – não importa – já significa muito em nossas jornadas.

Contudo, por ser uma empreitada que nos leva uma mudança profunda e um tanto quanto “diferente” das que somos acostumados, vem o desânimo, a cara feia, a preguiça, o cansaço e a entrega completa a uma personalidade maluca para explodir e ser o que você não é... Daí é que vem as frases “eu sou ignorante mesmo, e daí?!”; “sou bruto mesmo, e gosto assim”... E outras de efeito animal, sintetizando a opção que tomou no lugar de ser um pouco mais humano...

“Um caminho de mil começa com o primeiro passo”, já dizia Confúcio, filósofo chinês. Em todos aspectos pode-se levar essa frase, mas deve-se principalmente levá-la de forma simbólica, de forma que se possa interiorizá-la, intuí-la, praticá-la nos meandros de nossos caminhos. Pode-se usá-la para passar no vestibular, para fazer concursos, conseguir empregos, mas... vejamos... estamos citando algo de um mestre que falava da evolução humana e deixava rastros em forma de máximas a fim de que nós, seres patéticos e estruturalistas, observássemos a importância de nos educarmos frente a tudo, frente à vida, que, antes de mais nada, pedia nossos interesses ao espírito, simples e puro, cuja forma de lidar, além de cultural, nos abriria portas naturais, antes de pisar na terra e lidar com toda a matéria circundante.

É preciso, pois nos apaixonamos pela matéria desde o dia em que nascemos, e aí nos perdemos! Mas os mestres tentam nos equilibrar; nos jogam máximas, e levamos ao pé da letra...! Nos dão ferramentas e achamos que são brinquedos!... Nos dedicam suas vidas, dedicam-nos textos, nos dão suas palavras... No entanto, intricados na matéria fria, nos perdemos...

É... A realização de nossos projetos físicos, assim, nos fica mais fácil. Seja em qualquer nível. Quem vai querer olhar a si mesmo e tentar mudar sua vida, simplesmente porque alguém um dia disse que “conhecer a si mesmo é conhecer a Deus”. Fica mais fácil olhar para o espelho e achar que somos divindades...

segunda-feira, 22 de março de 2010

L a r v a s


É como se o mundo de repente ficasse negro. Como se todas as nuvens sombrias se juntassem em torno do sol e o tampassem para sempre. É como se o caos se infiltrasse em sua mente e o fizesse ver apenas a dor – como em uma guerra solitária, entre você e você mesmo.

Como se a solidão mais profunda caísse em seu corpo, deixando veias a correr com sangue negro, semelhante a vampiros na noite à procura de algo vermelho. A solidão dos edifícios, das casas, dos animais que se guardam com medo do humano, agora, correndo em meio a ruas tristes, sem um coração... sem uma alma é friamente visível.

A semelhança não se restringe apenas ao mal, mas ao mal completo. Como se não bastassem os olhos cansados de procurar alguém, avermelhados pela seca dos ventos das esquinas, bate o cansaço do mal da imaginação, cujas violações ultrapassam até mesmo a compreensão divina...

Divina... Única palavra que nos traz saudades de um dia – daquele dia – em que éramos humanos, filhos da ordem universal, pais de invenções que um dia auxiliaram a humanidade a viver e a ... Sobreviver... Época em que vidas eram válidas no sentido mais exato da palavra, ou pelo menos pareciam ser.

A realidade atual, da grande obra da solidão, nos mostra, pelo menos a mim, que tudo não passara de espetáculos frios, nos quais a vida era um jogo perfeito que dera à raça humana preceitos para viver com seu livre arbítrio no sentido mais cínico do termo.


É a semelhança das coisas que me confunde: em que ou a que podemos nos assemelhar, se até mesmo os animais tinham seus códigos, suas leis, e a eles obedeciam?!

A queda da raça humana talvez tenha sido esse desligamento com suas leis com as quais um dia lidou, obedeceu e teoricamente... Amou. Leis que fizeram homens de fé, guerreiros do mundo; nos trouxe homens fortes, carismáticos, e além destes os divinos. Por eles, um dia, vivemos, criamos referenciais, adotamos leis gerais e particulares, educamos nossas crianças, e morremos por eles... Contudo... Hoje, nas pedras em que piso, na dor de meu peito que respira fracamente o ácido das fábricas, dos carros, do céu poluído...morro sem direção.

Morrer, que um dia fora a maldição humana, hoje me vem como a solução para cessar todos os males... Porém, a morte se foi. Anda-se velho, a pedir esmolas, como zumbis em busca de carne animal.... Humana, qualquer uma que nos lembre o sabor do sangue que se foi também.

O andar trôpego continua. E meus pensamentos embaralhados correm soltos em uma página em branco, filha de uma árvore que um dia nos dera frutos, sombra, fortaleza, mística... Enfim, árvore que nos trouxe bosques, casas, bancos... Não há mais. Assim com a lua... o sol... os rostos... as crianças...

Aprendemos a não educar, pois não tínhamos o que oferecer. Ficamos brutos como tijolos quebrando vidraças da casa do vizinho; não queríamos mais educar nem mesmo a nós, o custo ficou muito alto. Tínhamos que mudar nosso comportamento, o que seria o fim propriamente dito, numa era em que mudar para melhor já era sinônimo de caretice, burrice... Na adiantava sorrir, porque já significava interesse em alguém, em algo. Não adiantaria falar em Deus, pois já era prova de que você era um ignorante que não sabia ler ou mesmo fantoche de padre, pastores, da Igreja, enfim. Os templos foram queimados, e a dor recaiu em nossa pele...

As bases de uma sociedade – família, religião – se foram como se vai um plástico flutuando em redemoinho; as luas negras voltaram. O sol avermelhado, os pássaros famintos, os cães...

Se fôssemos mais humanos, se tivéssemos mais tempo aos nossos filhos, se tivéssemos mais amor ao próximo, àquele vizinho que nos observava pela fresta do muro... Se tivéssemos honrado os princípios aos quais os grandes obedeciam; se fôssemos menos egoístas e transformado nossas vidas em uma ampla casa onde todos pudessem se abraçar, sorrir, cantar à noite toda... Mas hoje lembranças não vão nos abrir, apenas nos fazer chorar e cantar como lobos frente à noite intrigante.

As óperas, as cantatas, a Nona de Bethoven... E todas de Mozart! Nossos corações foram enaltecidos pela eternidade de todas as composições clássicas por que passamos. Nossas almas se aqueceram do frio da humanidade quando as escutamos. Foram séculos jogados no poço da transgressão ética, moral, nos revelando o mal mais pérfido que temos notícia: a dor do esquecimento do que realmente nos fez pessoas de bem.

A justiça interesseira se sobressaiu; o amor confundido com paixão nos levou a violência; o capitalismo nos fez animais frente ao trabalho; a arte virou reflexo de uma personalidade virulenta, sombria, de um homem que nunca mais se elevou às coisas simples da vida. A música, longe de sê-lo, ensurdeceu nossos velhos, enlouqueceu nossos jovens e matou nossas crianças... A música morreu ao lado da arte.

Hoje, piso em sangue. E nele adormeço. Sujo, morro sorrindo indo ao encontro do desconhecido, onde posso pelo menos pensar em um resquício de esperança... Essa nunca morre, sempre se renova, ainda sob os escombros de nossas ignorâncias.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

“Aquilo que não me destruir me tornará mais forte”


Não sei bem de quem é essa frase – talvez Nietzsche, na sei... --, mas é ela que me faz bem. Me norteia. Traduz um pouco das lhanuras pelas quais passo, e que também me ensinam. É de uma semântica natural combinada com a grossura de nossas ignorâncias – no caso, a minha – na leveza da queda de uma folha, em paralelo com a monstruosidade humana – no caso, a minha.

Na hora em que se passa por tudo, não se vê, não se percebe o quanto somos detentores de u’a imbecilidade, advinda de uma personalidade egoísta, cheia de conquistas relativas, embriagada de água suja, se fazendo de vinho – no caso, eu. Não tem como saber se é uma prova natural divina, ou mesmo uma consequência de nossos atos. Na realidade, agimos tais quais crianças que jogam seus brinquedos ao chão e mais tarde, ao sair de seu berço, sai tropeçando, caindo e, com certeza, se machucando, pela inconsciência do esquecimento...

Não sei se podemos nos fazer de crianças, pois há atitudes impagáveis feitas às escusas, conscientes. Há, sim, meios de descobrir que somos ou seremos culpados pelos ‘sofrimentos’, como diria o cristão, que nos são passivos. Crianças devem aprender com seus atos, um dia, pois estão descobrindo o mundo – dentro do seu meio, ou fora – o que é uma necessidade tão natural quanto qualquer outra ao ser humano! Isso nos leva a nos perguntar “será que somos crianças em determinados aspectos, mesmo sabendo que somos conscientes de nossos atos?” – claro que sim.

A natureza é feita de degraus, de hereditariedade, e por ela passamos. Não só, mas também em meios familiares, profissionais... Nos quais a hereditariedade é o reflexo da maior delas – ou pelo menos deveria ser. Vamos julgar que somos obedientes aos reflexos, vamos julgar que, mesmo assim, sem querer, cometemos nossas faltas nesses meios. As punições nos vêm, em qualquer um dos âmbitos – familiar, profissional (desobedecer a chefes, a mãe, a irmãos mais velhos etc...). E aí olhamos para cima e pensamos “Deus, por que comigo?”. Ainda que Ele não responda, no fundo, há uma voz em nossas almas que profere a seguinte resposta: “não mandei desobedecer!”.

Daí é que vem o pensamento religioso de que somos desobedientes a Deus, e que temos que segui-Lo, e temos que compartilhar com os sentimentos cristãos nos quais a credibilidade extrema e necessária a Deus vêm e voltam, vêm e voltam, até descobrirmos que somos filhos e ao mesmo tempo pais de nossos atos. Sim. O Deus a que me refiro é uma lei a que temos que obedecer. Esta, vista como uma sombra humana pela maioria, resvala pelas mãos dos menos ignorantes e se transforma instantaneamente de pedra, cruz, pecado em pena, leveza, paz, as quais justificam nossa existência de maneira una, sintética, porém dura.

Dura pelo fato de que ainda somos meio lacrados quando se trata de compreender o que realmente nos faz homens reais em torno de tudo aquilo que existe. A idéia atual – de que somos “primatas que julgam e matam” – persiste, pois nos deram ferramentas para tanto na Idade Média. E ela sobrevive até hoje. Como somos crianças!

A alma

Os problemas, dizem, existem para dar o brio às almas. O custo desse brio é que nos faz incrédulos. Assim como frestas que aparecem nas paredes e não as fechamos com o tempo, aparecem os problemas; contudo há aqueles que nascem conosco. Há aqueles que são retirados dos outros a fim de que se possa “crescer a alma” em cima deles (o pior de tudo).

A alma dos homens tem a natureza cíclica. Somam todos os atos em terra e crescem na medida de suas encarnações, ainda que pouco. Não precisam, claro, esperar as encarnações a fim de crescer. Atos praticados com finalidade idealística – com amor, esperança, humanidade, com coração, no sentido mais puro da palavra – ajudam um pouco. Ainda, tentar entender os sagrados mistérios divinos, amando a natureza, não somente o que lhe é fisiológico, também ajuda.

Por tudo que somos, vândalos de nossos físicos, almas e espíritos, ainda temos guardados em nós esperanças, assim como na grande caixa de Pandora que caiu e se mostrou libertadora de nossas esperanças, a que nunca morre – sabemos que o homem deve tentar compreender seus atos e saber que eles estão intricados um com os outros tal qual veias nos corpo, tal qual raízes de uma grande árvore... Tal qual uma gota em um grande oceano. Desviar do curso para qual temos natureza, é brincar de ser o que não é. “Se sou uma gota, devo buscar meu oceano”.

E os problemas, látegos invisíveis que nos surram todos os dias, nos indicam a realidade, a verdade, a justiça tão revelada, que não conseguimos ver.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Pontes


As pontes são construídas com apenas uma finalidade: unir. Mesmo de maneira metafórica, somos obrigados trazer seu real significado – o de unir. Pontes pequenas, grandes, médias, todas, todas com objetivo único frente a uma vida com milhões de significados e propósitos, como se fosse o próprio homem.

Frente aos animais, com suas leis já embutidas, e plantas e pedras, com reais significados de pontes, o próprio homem será a maior delas, assim como foi no passado – retratado pelos faraós, reis, rainhas – com a finalidade de unir o seu universo aos deuses; unir seu povo a Deus. Talvez seja essa a razão dos avatares – seres iluminados que vêm à vida dos mortais e deixam sua mensagem, ainda que simbólica, aos seus discípulos.

As pontes servem para nos aproximar mais das pessoas – dos amigos, dos irmãos, dos pais, mães e quem sabe... Filhos. Nesses últimos não haveria de tê-la, pois já somos, pelo menos, psicologicamente ligados a eles, mas nem sempre é assim. Há inimizades, confrontos, guerras, problemas familiares que avançam com a falta de dinheiro, compreensão, etc... E levam a nós pensar e repensar nossos caminhos, que descaminhados, cheio de pedras, desorganizados, a separar um do outro.

Entre casais, geralmente se escrevem livros sobre o que pode ter dado errado num grande relacionamento que durou anos, mas não se soube equilibrar até o fim da vida; fala-se de curtos relacionamentos os quais, com semanas, se desfazem, morrem à mingua na saudade. As pontes, aqui, são a religião, a filosofia, os idealismos, às vezes até o sexo – mas este não serve para a vida toda. Não há como.

A maior ponte talvez seja aquela que se encontra em nós, em um lastro de experiência pela qual temos que passar, assim, fomentando mais nossa estrutura psicológica, física e astral, nos dispusemos a qualquer ambiente e pessoa. Mas isso não quer dizer que temos que ser masoquistas e, apenas em busca de experiência, ficar com alguém que não queremos. É ser forte, mas também burro. Nesse caso cria-se pontes a todas as pessoas de todos os níveis, mas é possível que não se encontre a felicidade ao lado do ser que se quer amar. Portanto, é bom criar pontes naturais, aquelas que a própria vida nos dá em forma de vida difícil ou fácil – esta última é mais difícil de se receber, pois não se constroem pontes com argilas molhadas, mas com tijolos e cimentos de primeira!

Dizem os grandes mestres que estamos no Antacarana da vida. Significa dizer que estamos em pontes nas quais sempre estamos pendendo para o lado material e espiritual. Sempre em situações difíceis o homem, para conseguir o seu objetivo, clama o seu santo em particular. O herói, também homem, antes de prosseguir com seu ideal de vida, ajoelha-se à natureza e pede a Deus coragem, pois o medo de perder a vida, o medo da dor, o medo de perder seu companheiro; de perder seu exército...Vem à tona. A ponte se faz mais forte quanto o próprio herói tem a certeza de que a morte nada mais é que a própria vida enrustida de medo, e que a enfrentando seu ideal não morrerá: então ele parte e vence, e consegue o primeiro passo para o espiritual.

As pontes desde criança nos perturbam. E ajudam. Os passos para enfrentar as sombras da vida, como a própria noite e seu mistério, que relutam em nos afastar das mínimas realidades; os caminhos tortuosos que nos fazem desistir de prosseguir; as próprias pessoas – algumas nascidas para o mal – servem de barreiras e nos fazem até desistir das pontes. A própria vida, às vezes quando mal compreendida, é uma vilã.

As pontes, quando frágeis, são meros instrumentos de medos e traduzem uma realidade pela qual passamos todos os dias – isso no psicológico, no físico que geram uma sensação de “eu não sou nada, deus é tudo”, desvirtuando todas as possibilidades do próprio ser humano ser o que é: tão forte quanto qualquer árvore na chuva, ou mais que isso. Elas, nossas pontes, quando feitas de cimentos fortes, tijolos idem, detalham a simplicidade por que passamos por todas as formas de problemas, sejam filosóficos, sejam religiosos, familiar, vitais, como se fossemos crianças a olhar a montanha-russa com medo, mas sempre querendo nela entrar. E quando olhamos lá de cima, vimos que o problema não era a montanha e sim nós.

As pontes – quando para elas olhamos – ainda sentimos um pouco de medo de traspassá-las, pois nelas se resguardam um pouco de nós, um pouco desse grande mistério chamado homem.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Para Além...

Colhemos e plantamos o que podemos e o que não sabemos por causa de nossa ignorância, ou por nossas teimosias. Todavia, há caminhos simples que nos revelam, às vezes, nossas maiores falhas, e dentro delas podemos perceber o quão somos desorganizados. Assim, se pudéssemos organizar nossas vidas tão perfeitamente assim como nos organizamos ao jogar um papel solitário do chão ao lixo, se pudéssemos regar nossas almas de bons atos como se fossem plantas, em nossos jardins preferidos; ah se fôssemos todos poetas práticos nessa vida tão insípida de coração... Não havia humanos mentirosos, rancorosos, nem mesmo haveria humano, talvez.

Depois que encontramos o caminho errado, parece-nos mais fácil continuá-lo ao invés de voltar e reconhecer que ele, o caminho, não é o que queremos. A dificuldade nos parece irmã, e a dor, a mais velha dela; dessa forma nos acostumamos aos males que criamos, educamos e damos faculdade, mentalidade a eles; assim surgem os seres que nos fazem perder o sono, os sonhos, os amigos, a família... Os pontos que nos fizeram homens de bem. Esquecemos o porquê da vida.

Lembrar que somos dotados de males que a nós pertence, mas que nós próprios os criamos, portanto podem ser destituídos de nossas almas, de todo o mundo. Lembrar que somos divinos e mais que sagrados, mais que humanos – um dia, quem sabe, reconhecer que poderemos ser deuses! Quem sabe, nasceríamos voltados a valores melhores do que os de hoje, sem repúdios, falsidades, interesses, joguetes... Relatividades!

Esquecer que as religiões separatistas existem, e que partidos só existem para re-par-tir... Nada mais. Que a lua e o sol, ainda que opostos em papeis, trabalham tão unidos quanto qualquer irmão; que o animais, por mais violentos que sejam, agem por pura defesa, ou para além de nossos narizes, ao contrário de nossos interesses que nunca se igualam ao espiritual, nem de longe; portanto não nos venham com histórias de guerreiros de Deus, de Jesus, Alá... Sei lá!

O sol nasce a todo instante e não nos questiona acerca de nossas deficiências; se o fizesse, naturalmente nos daria as trevas desde a queda dos continentes. Tudo isso nos soa como para além de nossos pequenos raciocínios, mas a realidade nos diz que somos ignorantes porque precisamos ser. O mundo capitalista nos tornou assim, sem visão. Ou uma visão mentirosa acerca de nós mesmos, apenas para nos “adequar” dentro do que não somos – do sistema presente que nos assola há gerações.

Fiquemos com a máxima que, com certeza, está para além de nossas compreensões: “Conhecemos a Nós Mesmos, e Conheceremos o Universo”.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

O Legado Humano

Às vezes vejo na mídia milhares de pessoas defendendo a paz, caminhando quilômetros de distancia, gritando “queremos paz”; outras, “queremos Justiça”, “nossos direitos” – não estão errados. Além dessa linha, há os idealistas de plantão que se cadastram em sites de organizações não governamentais, e, no outro dia, tentando suicídio em nome de peixes, de mares poluídos, de caças predatórias – não estão errados.

Não estão errados, porém, ainda que sejam pessoas que se jogam em nome do bem possível, ainda que estejam sendo provavelmente heróis de uma grande causa, há de convir que há medidas menos extremas e simples que podem, antes da paz, antes dos peixes, dos mares, salvar o mundo: os gestos, as falas, pensamentos...

Hoje, com continentes falecendo em nome da debilidade humana, não podemos voltar e nos manter frios frente às consequências que nós próprios criamos, desde o dia em que somos seres ambulantes, crianças desnaturadas, sem pais. Seria, com certeza, dar cavalos-de-pau em navios. Então continuemos em nossa tentativa vã, mas sempre voltados a novas soluções, tais como...

Começar de novo, deixando os buracos antigos para trás. Assim como o nascimento de uma flor em meio a um cerrado, como o pingar de uma chuva, que mais tarde se transformará em uma grande cascata, numa grande cachoeira. Começar novamente, sim, desde o inicio, em meio a tiros de bazuca, a guerras desordenadas, criadas por interesses políticos. Não inventar, e sim recomeçar e tentar obedecer a leis que já existem, que nunca prestamos atenção pelo fato de olharmos o bastante nossos umbigos.

O sair pelo portão da casa, olhar o vizinho, tentar entendê-lo com o passar do tempo. Criar meios – pontes – de comunicação ainda que sejam com gestos, olhares, e, como um jardim que precisa ser regado, a água da bem-aventurança vem bem devagarinho. Mais tarde, a gentileza do aperto de mão, a conversa, e quem sabe uma cerveja...

Com o passar do tempo, a natureza se encarrega das gentilezas a que obedecemos, das formas éticas – tão em falta em nossos dias – da cortesia, que nos é inerente. Vamos deixar os “contudos” pra lá... Vamos dizer que, em meio às guerras, estamos vencendo, trazendo um ser ao nosso circulo, e, principalmente, quando estamos dispostos a ajudar. Sem medo de dizer “em que posso ajudar, amigo?”, ao precisar de nós. E, se não dispusermos de elementos práticos-concretos, que nos venha à alma o grande abraço, o aperto doído de mão, a piada refinada... Ou mesmo o ouvir.

A guerra lá fora é bem maior, mas, por falta de humanidade, de amor ao próximo, não há vencedores, por mais que queiramos. Teremos apenas ruínas e recomeços tristes se não tivermos em mão uma nova trilha, um novo mundo. Para isso é preciso que regamos uma nova paz, uma nova justiça, sem medo da verdade, do amor, o primeiro dos sentimentos.

Vamos defender os mares, os tubarões-voadores, os golfinhos; defendamos, mais, o meio que nos circunda, caso contrário, nada terá valia, nada sobreviverá, se não houver mais defensores de seres humanos.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Ser ou Não Ser


Nascemos e crescemos e adotamos na personalidade, essa máscara grega, uma série de fatos, acontecimentos, até mesmos nuances dramáticas, como tristezas, alegrias, amor, doenças... As quais sintetizam um universo pelo qual passamos todos os dias.

O teatro vai além. Ele supera até mesmo a maneira de entender o universo, de cada um, em seu nível. Mas o real teatro, aquele pelo qual todo universo dança, sacode, vai e volta, como uma sinfonia de Vivaldi, somente o grande Sábio compreende.

Um deles um dia disse: “A Vida é um grande teatro, no qual pensamos que cada cena é real, porém, quando menos esperamos, estamos em outra peça”. De longe percebemos que em alguma coisa nos encaixamos. E essa coisa é a nossa vida em particular, essa pela qual (e nela) lutamos com nossas garras, armas, travas, arcos e flechas, e às vezes com a nossa própria vida.

É o teatro se formando. Quando entendemos que em cada esquina há um sentido, seja ele obliquo ou paralelo, triangular, esférico, cheio de prismas, aí sabemos que estamos dentro de um contexto não casual, porque sentimos dores, alegrias, remorso, paz, guerra... Ou seja, aquela esquina, aquela pequena esquina, a que tanto aguardamos uma pequena virada, nos esconde mistérios da nossa personalidade – essa máscara que carregamos e com ela nos identificamos e a amamos até o fim de nossos dias...

Comecemos desde o início: os gregos sempre diziam que o teatro era composto de seres eternos: nós. As máscaras seriam todas formas volúveis humanas – esse relativismo que impera em nossa alma. Nós, no teatro, seríamos o ator, e ess ator, tal qual hoje, encarnaria vários papeis ao mesmo tempo em muitas cenas. Isso pode ser visto atualmente no teatro moderno, resquício do passado grego; pode ser visto em novelas, o folhetim diário das noites, e também nos filmes, uma forma extensiva de folhetim, que, de certa forma, não diferencia do teatro grandemente.

Enfim, cada ator, seja de novela, filme ou mesmo do próprio teatro, depois que retira sua fantasia, vai para o seu camarim, respira fundo, veste-se com seu traje normal, toma um banho, vai para casa ou não, e volta a ser uma pessoa normal, com todas as características de antes, talvez até gêmeas do seu personagem profissional – no teatro, novela ou filme.

Os gregos sabiam que esse ser que se veste de um personagem pode ser, dentro de um contexto filosófico, um modelo inspirando no grande universo que nos coloca máscaras quando concebemos a vida. Essa máscara seria todas as situações nas quais passamos; seria, dentro de algo mais sutil, o que sentimos – como fora dito mais acima. O grande ator, que recebe pele, ossos, caras, pernas e braços, seria o verdadeiro ator – seria nós. Tal ator passaria, segundo a tradição, por muitas vidas, a fim de se aperfeiçoar internamente, evoluindo em cada cena – tornando-se, um dia, Ator e Expectador do grande teatro universal.

Mas dentro do que somos, podemos ter essa realidade embutida em nossas vidas – de que somos partícipes de um pequeno teatro, e que, dentro dele, podemos ser um pouquinho melhores a cada dia. Baseando-nos nos grande atores de tvs, filmes, teatros, podemos, em cada cena, improvisar, baseados no livre arbítrio, ter idéias relacionadas a melhoria das peças, fazer todos entender que é só um meio pelo qual temos que passar, sentindo o que devemos sentir, e além de mostrar a todos o ideal, mas que, no fundo, são apenas frivolidades tão naturais quanto o sorrir de uma criança que ainda não tem consciência de nada. Podemos ainda fazer com, em cada peça, haja subpeças, e assim por diante, mas sempre com uma visão voltada ao grande ator, esse que somos, não importa o que fazemos, contudo o perdemos de vista.

Mas e a morte? A morte seria a ida do ator para uma nova peça, para um novo teatro, em um outro contexto. E assim sucessivamente...



segunda-feira, 21 de setembro de 2009

A Arte de Conhecer a Si mesmo, II

As organizações internas, baseadas na grande lei, são, de pronto, utópicas, mesmo porque somos, além de ocidentais, somos filhos de uma humanidade em que a expressão ‘conhecer a sim mesmo’ é simplesmente metafísica a quaisquer olhos.

Não adianta repetirmos como em um mantra (palavra ou expressão repetidas inúmeras vezes, em igrejas ou em mosteiros) tal expressão. Mas uma coisa podemos fazer: tentar entender, de acordo com nossas ferramentas, um pouco do que somos, ou o que podemos ser, a partir de todas as coisas que nos acontecem.

Diziam, na Antiguidade, que nada nos ocorre por acaso. O que significa isso? Significa que, dentro de tudo que fazemos, nada aparece a nós, assim, simplesmente pelo fato de existir apenas.

Uma grande prova disso é que, no universo, os alinhamentos planetários, comandados por forças desconhecidas (por nós, claro!), os cometas, a expansão das estrelas, sua destruição... Há sempre algo regendo, no sentido de organizar, dentro de um grande contexto cosmológico, o todo. Parmênides tentou nos explicar isso e nos deixou claro que “nada mais estático que a mudança”; Platão já dizia “Deus é a medida de todas as coisas”; já os indianos têm em sua cultura o “Pralaya”, movimento de retração, e o Manvantara, movimento de expansão universal; os cientistas têm as explosões do Big Bang.

Bem, juntando tudo, temos um único modelo de organização na qual o fruto é o mesmo: o próprio universo no qual estamos, também, como grãos de areia coloridos, em um enorme saco sem circunferência, mas que possui a forma esférica – antes de tudo, infinita.

Trazendo tudo isso para nós, é dizer que há uma organização em nossas vidas que devemos respeitar (ou aprender), baseada nessa grande premissa de que somos parte do grande todo; e, se nele faltar uma chispa, ele não o é. Muitos, claro, em razão de antigas culturas entenderem que deve haver uma manipulação antropomórfica por trás de tudo, criou-se um ser cheio de inteligência, saber e misericórdia humanos – não falemos ainda sobre isso – referenciado no próprio homem, ou mesmo em sua sombra. Blavatsky dizia que, se o mundo fosse povoado por vacas, elas teriam como modelo divino um grande boi, a tomar conta de todos.

E é assim que o vemos; mas, dentro do antropomorfismo, também há de se respeitar tais opiniões referentes a essa ideia, mesmo porque há estruturas complexas dentro das quais se seguiu em todos esses anos, séculos, nos quais a tentativa de entender a Deus se fora por água abaixo: a recriminação ao próprio filósofo, ao cientista que buscava a verdade, ao artista que singularizava o universo em suas obras, ao músico que sintetizava o sagrado em suas canções...ao religioso que descobria a verdade... Enfim, um declínio circunstancial, quando o próprio homem tentava conhecer a sim mesmo e o próprio universo.

Hoje, vivemos nesse meio antropomórfico. Os valores que nos fizeram humanos estão revertidos em hipocrisias em forma de religião, música, política, até mesmo – para não falar principalmente – na arte em geral. Ou seja, consequencias tão grandes que elucidam, historicamente, o caminho do homem em direção a nada (críticas ao próximo; desumanidade...), o que se tornou tão natural quanto respirar. Mas isso, como dito, é histórico, ou seja, não é de hoje! É de muuuuito tempo.

Enfim, a arte de conhecer a si mesmo, hoje em dia, só se compara a buscas por conforto “espirituais-financeiros”, diferente de uma época na qual a religiosidade e o próprio homem se confundiam em um só corpo. Época em que Deuses e naturezas eram nortes. Hoje, nosso egoísmo, inveja, interesses nos confundem com amebas na tentativa de sobreviver ao um mundo que podamos.

O conhecer a sim mesmo, embora tão longe quanto a lua da terra ao homem, pode-nos ser uma realidade ainda que distante da maior delas, mas, mesmo assim, real, a ponto de nos elevar a um patamar de diferentes em relação àquele que se distancia do seu conceito de humano todos os dias. O que seria?

Voltar a ser humano.

Volto no próximo texto.





terça-feira, 4 de agosto de 2009

Relembrar é Viver

Às vezes nos sentamos e relembramos toda nossa infância, nossas peraltices, nossos romances, na adolescência; nossas lutas, na maturidades... É inato a nós, seres humanos. Que bom! Não há outro ser na terra que pode sentar-se na beira de um rio e começar a sorrir sozinho – nem mesmo o mais inteligente ser dos rios, ou mesmo o mais racional quadrúpede da selva, não há. Não há nada melhor que subir em uma montanha e cruzar as pernas e sentir-se um deus e ... Relembrar.

Nossa alma voa ao encontro de um passado ainda que distante, ainda que tão perto quanto nossos botões. Arritimados (cheio de ritmos), se transformam em jatos supersônicos que, em questão de segundos, milésimos, décimos..., correm nossas visões e nos fazem meninos em busca de algo para sorrir ou chorar. E o somos. Pois, quando buscamos uma aventura, mesmo em pensamentos, estamos em busca de uma realidade tão concreta quanto nossas luas e sóis. Sim. O pensamento é concreto.

Ele modifica a estrutura óssea do homem fazendo-o vibrar, “sartar de banda”, correr e viver emoções além de sua natureza plácida. A exemplo, uma morte mal vinda que nos mata internamente, destroçando nossos corações, e por fim nossa alma, que, em busca do espiritual, recua e cai nas águas do poço sem fundo. E voltamos...

Relembrar é viver, é mais que isso: é evoluir. Transcender ao que somos, refinarmos em relação ao que fomos em outrora. Usar de lembranças talvez seja um método pelo qual podemos elevar nossas consciências e sentir “as vestes” divinas roçar em nossa alma peregrina; relembrar é religar-se a si mesmo, em práticas constantes, seja qual lugar for necessário ou não. Não existem “poréns”, nem “contudos”, apenas lições a aprender ou a ensinar e nesse intervalo sentir o corpo e a mente se unirem em favor de uma nova vida.

Hoje, em templos religiosos, os fiéis se elevam em voz alta, combinando mantras (repetidas falas) em nome de Deus, com gestos dançantes, em gritos, às vezes, em silêncio... Eles não estão tentando lembrar, mas alcançar voo com o que têm: braços, pernas – com pulos e canções alegres -- - que desmistificam o poder que temos de evoluir. Aqui fica apenas a lembrança de que foi e será bom, não a reflexibilidade consciente, interna, de uma modificação humana para melhor...

O relembrar tem a concretude de nos fazer melhor a cada dia, numa prática só nossa, seja dentro de um quarto, seja dentro de uma batalha. Prova disso é de um grande estadista na antiguidade, o imperador romano Marco Aurélio, que, durante as batalhas, escrevia suas máximas filosóficas, as quais, até hoje, servem paras as nossas batalhas diárias; além de Julio César, cujo nome o precede, que escreveu suas memórias, relembrando sempre como seguir o caminho que nos é dado pelos deuses. E ele nunca perdeu uma batalha...

Também não perdemos batalhas, aprendemos com elas. Isso nos faz eternos vencedores, mas sempre a partir do momento em que elas nos servem para uma reflexão aprofundada do que somos e como devemos agir ante ao que nos é dado. As vitórias, assim, assim, nos serão eternas.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Pequenas Revoluções


O mundo, dizem, está em seus últimos dias. Seus habitantes, tão inconformados com seus ‘exemplares’ governantes, morrem à mingua, à margem dos poucos que conseguem sobreviver com muito. Continentes inteiros onde seres humanos caem pela miséria são esquecidos e lembrados apenas em filmes, nos quais pouco é mostrado. As soluções, cada vez mais distantes, se direcionam ao meio ambiente – rios, florestas, animais – menos aos esquecidos. Lembrando que fazemos parte também deste meio!

A frialdade inorgânica da terra, como dizia Augusto dos Anjos, consome os pés dos Africanos, dos imigrantes, dos favelados do mundo; a água suja bate os pés daquelas almas, que, embora esquecidas, buscam a sobrevivência em assaltos, roubos, pequenos e grandes furtos, em mortes desnecessárias; e nós, da camada mais ‘alta’ da pirâmide (invertida), racionalizamos e supúnhamos fórmulas mais frias ainda, pelo fato de não sermos nós os esquecidos...

É um quadro que nos parece imutável. Mas não é. Imutável apenas se fôssemos conformistas com nossos problemas, mas não somos. O ruim é dar ênfase apenas a eles, probleminhas que nos cercam e nos fazem rodar semelhantes a cachorros atrás do rabo. Passam-se as estações do ano, o aniversário de nossos filhos, a lua, o sol, a natureza... Os ciclos se fazem, e nós, filhos de nosso egocentrismo, presos ao nosso rabo!

Ficamos presos a uma realidade só nossa, aquela pela qual lutamos até o fim de nossos dias... “deixe o meu radinho para o meu filho, a cueca para o me cunhado, os sapatos para o meu...” – e antes de dizer... capuf! Morre.

Acredito que nosso legado não se restringe apenas a elucidar mistérios de nosso umbigo. Não se restringe a choramingar em cantos e parar de trabalhar, a ficar com raiva do amiguinho que nos faz uma brincadeira de mau gosto; ou ainda, presos a brigas que não são nossas, ou a outros problemas, pequenos, que nos afincam na terra qual plantas, sequóias... Não... Não...

Nosso emblemático tempo tem, apesar de todas as feridas, nos dado experiências necessárias que nos dizem o contrário a isso tudo. Os pequenos problemas, que para nós é o fim do mundo, para outros, é o inicio de uma vida, o inicio de um céu. Ou seja, estes que vêem em suas vidas a resolução para um mundo melhor têm mais possibilidades de encontrar a saída do que aqueles que se afincam nele – depende do modo com vemos o problema.

Se vejo em minha vida a possibilidade de resolver de maneira mais simples meus pequenos problemas, e da mesma forma os maiores, com certeza os resolverei, e mais, terei a possibilidade de resolver até mesmo os dos outros, no entanto, não posso fazê-lo, apenas dar-lhe a chave para encontrar uma saída – chave essa baseada em premissas pelas quais resolvi os meus... Mesmo porque, resolvendo os problemas alheios, estarei acumulando mais dificuldades além das minhas, portanto temos que saber lidar com isso... Ou melhor, com as pessoas!

Os mestres não resolvem problemas alheios, nós o resolvemos. Apenas nos dão meios (chaves internas) a partir do que já temos, no entanto não vemos, às vezes, pela ignorância, às vezes, por sermos confusos na hora de encontrar a solução (dá no mesmo!). Sócrates sabia que tínhamos a verdade em nós, e por meio de um método natural (a maiêutica) multiplicava perguntas, induzindo o interlocutor a descobrir a verdade, em si mesmo... Assim o faz o mestre na tentativa de nos ajudar a crescer, pois é para isso que eles existem, não para a resolução de nossos problemas!

No entanto, presos aos nossos, ou preocupados em demasia com o lixo atômico, e ainda, em passeatas longas e cansativas contra os casacos de pele, esquecemo-nos dos simples que estão a nossa volta. Mendigos que na calada da noite morrem de fome por falta de uma ajuda mínima, vítima de nossas desconfianças... Crianças ao nosso lado caem no lixo da esperança sem auxilio, nem mesmo racional, pela mesma desconfiança, que gera mais e mais marginalizados. Às vezes, nosso vizinho, na busca pelo “açúcar” nosso de cada dia que transborda em nossa prateleira, na realidade, quer uma atenção, um sorriso, um abraço... Algo tão distante, para ele, quanto a lua da terra.

Mas nossos problemas, vendas eternas, nos dirão ao contrário. Dirão que devemos fechar as portas da vida e ficarmos presos em nossa casa, sem abri-la (nem mesmo nossos corações), com cadeados fortes, correntes idem, convictos de estamos certos, pois “o mundo está triste e não temos que confiar em ninguém”...

A evolução humana depende de fatores que, como cálices, estão ao nosso lado, ou melhor, em nós. A fim de tomar esse cálice e levantar na busca da resolução dos grandes problemas e necessário entender que ele – o cálice, -- encontra-se em nós como a maior ferramenta de todas, na resolução dos pequenos e simples conflitos.

Não sejamos tais quais crentes ou qualquer xiita maluco que quer o céu esquecendo o próximo, ou o levando para um céu imaginário. Primeiro, enxergar o mal em nós, depois enxergá-lo no próximo como uma natureza diferente, porém que também está (ou pode estar) em nós... Assim, pequenas evolução serão feitas, sempre em nosso nível, de acordo com nossa natureza.

A Parte que nos Falta

"É ótimo ter dúvidas, mas é muito melhor respondê-las"  A sensação é de que todos te deixaram. Não há mais ninguém ao seu lado....