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terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Convivência - a iniciação humana.

Um dia um filósofo tradicional-modernista nos disse “conviver talvez seja a parte mais difícil pela qual temos que passar”. E, com o passar de minhas experiências, ainda não tão prático quanto, contudo sempre perto de me sujeitar a defini-las, posso dizer... “Existe uma graaande verdade no que ele diz”.

Depois que me casei, pude perceber o quanto somos seres difíceis, sempre tentando defender aquilo que nos apraz, sempre. O que quer dizer isso? Significa defender apenas o que nos interessa... O homem a defender aquilo que lhe é inerente como tal, a mulher, como mulher, idem.

Assim, em um contexto maior, posso entender com mais facilidade (essa complexidade!) o que realmente nos faz perder a cabeça, a serenidade, a paciência... Tudo pelo simples fato de sermos inflexíveis ao que “somos”. Se sou homem, defendo minha ida aos bares, sou a favor das amizades femininas, das leituras, da cultura, dos diálogos informais... da beira do mar, dos quiosques... De chegar tarde sem dar satisfações a ninguém, enfim, uma série de individualidades sem caráter algum social, mas que podem transformar uma família, uma sociedade em flagelos interesseiros, a partir de um ponto – nós.

A mulher, o direito de falar de suas amigas, de sair em busca do sapato perdido – ainda que tenha milhares em casa; da bolsa nova, mesmo com três ou quatro penduradas no ‘bolseiro’, porém nenhuma parecida com a de sua amiga (!), ou com a da moda da novela...

E no plano emocional, quando o filho nasce, adeus esposo, adeus carinhos, ou mesmo a reserva deles na despensa. Ela se joga em uma vida paralela e dela não sai enquanto não descobrir um terapeuta ou uma amante do marido correndo entre os três – marido, filho e ela! Esse é um dos males em viver de interesses restritos, não sociais. Perde-se quem te escuta, quem te ama, quem sempre se inclinou a lhe fazer o bem... Perde-se o significado até mesmo na união entre os dois.

Os interesses da mãe, ao se declinar para o filho como único, desfaz o que o sagrado iniciou: a tríade. Entre os três – pai, mãe e filho – haveria de ter a harmonia sem dor, a sabedoria sem dono, o conhecimento diário, a paz que tanto se busca quando se une, e enfim, a consecução do amor... Por isso, convivência é difícil entre casais. Há sempre algo que os direciona ao caminho oposto.

Um dia, o mesmo filósofo disse “Se não há ideal entre os dois, não há união”. Hoje, temos casais unidos pela mesma crença, ideologia partidária e outras ideologias criadas dentro de uma sociedade necessitada de tudo isso. Porém, ideologias, ainda que belas ao olhar social, não enriquecem internamente – no sentido mais profundo – o ser humano. Quer dizer, tais, ainda que brilhem como estrelas, mas não modifiquem o ser humano, são apenas livretos de bancas, e mais, historietas de heróis que se corrompem facilmente...

A ideologia deve transpassar o valor social, estar acima de si mesmo, assim como o sol que se vê, todos os dias, ainda que nuvens o tapem, mas que sobrevoa o céu humano, como forma simbólica do que devemos ser – sóis a iluminar um ao outro.

Todavia, há em nosso mundo a psicologia. Mãe a qual recorremos nas horas chorosas, e que se vê como a última das saídas – pelo menos àqueles mais inclinados a ouvir outros além de padres, pastores... pais e mães sábios. Assim, a psicologia se torna dona do ser humano. O perigo se torna maior, pois acreditamos ter superado todos nossos dilemas, problemas, e todos os “emas”, até mesmo o apego à matéria (!), e recorremos ao divã, sempre que a dualidade física nos vem à alma...

Pobre de nós, pois a solução de nossos problemas estão longe a cada dia... a cada ano... enfim, somos perfuradores de cimento duro na busca de um tesouro do outro lado da terra (entenderam?). Claro que, em terrenos menores, a psicologia nos ajuda a trabalhar mais nossa consciência em relação às pessoas, e, dependendo do doutor, de nós mesmos. Essa última baseada em preceitos freudianos, lincados à psicologia modernista, nos deixa mais abertos, no entanto mais dispersos ao nosso caminho natural – o de ser um pouquinho melhor todos os dias.

Mas o convívio dentro desse parâmetro (psicológico) nos leva, na maioria das vezes, a achar que encontramos o self junguiano (C. G. Jung), mas a realidade é outra... A psicologia – seja entre casais, entre seres da mesma família, sociedade... – revela-se filha e não mãe de um problema tão maior quanto o do convívio... revela-se dona das resposta ao mundo...

Assim, graças à psicologia, a ideologia humana se desfaz. Vem aí o feminismo! A mulher se torna dona de si mesma e se torna a dona do cosmos, sem mesmo observar o sol. O homem, já machista, começa acreditar que ter amantes, amigos em botequim, amigas a qualquer preço, é algo de sua natureza divina... A ideologia se desfaz em mídias, em forma de novelas, filmes, desenhos, como resposta ao que o homem e mulher sentem um em relação ao outro...

A morte da humanidade está anunciada.


Voltamos em outro texto.


















sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Amigos de Plástico

Sabe... Durante anos eu venho percebendo a necessidade de amigos aos homens de boa vontade. Mas apenas de boa vontade. E reais amigos! Porém, até mesmo nesse aspecto, não podemos ser claros, pois estão se formando, no decorrer do tempo, indivíduos capazes de formar “amizades” apenas para compor seu quadro social. Para estes, é um luxo. Para os mais tradicionais, é um lixo...

Não sei se esse fator Amizade faz parte da nossa criação, da educação alçada em preceitos naturais, talvez, mas acredito que não. Somos todos voltados a esse meio em que todos necessitam um do outro. E, dentro desse contexto, há aqueles que se emanam mais que outros, dando início a amizades – duradouras ou não. As duradouras, sempre voltadas a referenciais dignos; as não duráveis ficam sujeitas à reflexão humana...

Mas o que mais (me) nos machuca internamente é que uma das mais dignas formas de humanizar-se – porque não há animais que o façam --; uma das mais nobres e belas arte de se agrupar, sem que haja interferência de terceiros – pelo menos não era; uma das mais necessárias e universais maneira de se viver bem um com os outros... A amizade está sendo levada, como objeto da consecução humana, a compor quadros sociais, assim tal quais bonecos a preencher arquibancadas no lugar de torcedores, como frutas de plástico a preencher fruteiras para enfeite (já percebeu o quanto são belas, brilhantes, e que en-fei-tam a mesa?), está-se criando o amigo de plástico...

Assim estão sendo os caríssimos humanos, solitários, sem amor a si mesmo, portanto sem amor ao próximo. Às vezes, até com amor próprio, mas sem características naturais para encontrar amizades de forma natural... Assim, dentro de seus interesses, buscam trazer ao seu meio aqueles que se interessam por algo que ela – a pessoa que ‘convida’ – não é. E os dois, pelos motivos finitos, não se abrem, se abraçam, mas não amistosamente, não possuem assuntos louváveis das grandes amizades, não se unem, mas sempre estão perto um do outro; são risonhos, mas não possuem alegria; são amigos, mas não possuem a amizade...

Dessa forma, criam-se agendas lotadas de “amigos”, e seus telefones celulares, idem. Porém, não se liga para nenhum. Dezenas e dezenas de ‘amigos’ vão lotando agendas, telefones, estádios, festas, mas apenas um está ali a sua espera para se abrir de coração ou chorar em momentos difíceis. Apenas um deles irá a sua casa e simpatizará com sua família, apenas um amará você semelhante a um irmão. Apenas um verá sua mãe como uma segunda mãe, brincará com seu filho, com se fosse filho dele, apenas um deles terá a sua confiança. Esse é o seu amigo real.

Encontrá-lo não é difícil. Estará a sua espera nas situações mais inusitadas. Estará a sua espera, te admirando de longe, esperando uma conversa para dar inicio a uma longa jornada... E vai te respeitar como a um nobre, ainda que não pareça; fará brincadeiras sem graça, mas irá sempre pedir desculpas, dar-lhe-á um abraço e vai chamá-lo para um almoço na casa dele. Vai chamá-lo de irmão, pedir conselhos, e será uma torre a te observar sempre.

Mas as “frutas de plástico” ganham espaço na mídia, nas primeiras páginas dos jornais, abraçando um senador, uma deputado... um governador. Estes amigos plásticos serão contactados em nome da falta de reais amigos, destes que não se exibem por qualquer coisa, pois chamá-los a se mostrarem em imagens frias é como transformá-los em uma estátua cheia de fezes de pombos. E deste tipo de amizade, o mundo está cheio...

O real amigo escuta e leva consigo ensinamento nossos, ainda que não sejam ensinamentos raros; o amigo de plástico ouve, mas não escuta; fala, mas não a você, e sim a ele mesmo. O real amigo sempre renova sua amizade, o falso amigo, por ser falso, não se interessa em renovar nem mesmo as roupas que veste, quiça suas amizades. O real amigo está prestes a te fazer favores até mesmo debaixo de tempestades; o falso amigo está prestes para te pelas costas e sair correndo. O real amigo pode alçar voos, mas está sempre com os pés no chão; o amigo de plástico é racional, e não sabe a diferença entre céu e terra, por isso flutua no mau-caratismo.

Há inúmeras diferenças nas quais podemos identificar nossos queridos amigos, mas também os não leais amigos. E delas podemos tirar experiências incríveis, como, ao descobrir o não amigo, podemos torná-lo amigo real, algum dia.


A Parte que nos Falta

"É ótimo ter dúvidas, mas é muito melhor respondê-las"  A sensação é de que todos te deixaram. Não há mais ninguém ao seu lado....