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segunda-feira, 4 de julho de 2011

Homens e Neblinas (ii)

O que não nos falta é um sol em nossas almas com o qual nos identificamos e levamos nossas vidas. Então por que razão ainda nos sentimos tão sozinhos, quando olhamos para esse sol que no ilumina lá dentro, ainda que seja um ente espiritual?

O solstício também há em nós. Às vezes, a família está longe, o filho amado, as pessoas em geral que amamos – todos estão bem longe, e suas imagens em nossos corações não nos bastam para irradiar ou ladrilhar as ruas de nossos pensamentos. E os mestres, idem.

Por isso, a neblina de nossa personalidade se torna tão forte a ponto de nos tornarmos cegos em relação ao que nos é bom ou mal. E quando há dúvida – como já dizíamos – fica fácil determinados pensamentos odiosos nos tomarem o corpo, a mente e finalmente a alma.

Não precisamos ter dúvidas quanto às pessoas que amamos, aos familiares, ao filho, aos amigos, mãe... Todos eles estão latentes como potencialidades modificadoras em nós. E quando somos religiosos, nada melhor que nos ampararmos na figura de um mestre que nos traz todas as formas de bem, seja nas horas difíceis ou não.

Tudo isso nos serve de âncora, contudo, são pessoas, são seres humanos, são vidas que, querendo ou não, se dissipam da terra e começam a fazer parte das nossas a partir de um céu que criamos, aqui dentro de nós. Essa pessoa, se maravilhosa, tornar-se-á mais ainda, com atributos universais, divinos, para a qual sempre oramos e dela sempre lembramos; e, se mal, ainda sim buscamos a sua essência, aquela que um dia nos fez gostar dela e, agora, mais ainda.

Isso nos faz entender uma realidade, a de que até mesmo a morte nos faz ver as pessoas como elas realmente são ou pelo menos deveriam ser. A morte, essa mãe do mistério, nos faz ver um sol diferente, explícito, um sol que há em nós, o sol da humildade, do amor, da verdade que não temos...

E quando se percebe que temos uma grande vida pela frente com tantos parâmetros a referenciar, levamos para os nosso coração a certeza de que éramos mesquinhos e frios até aquele momento. Todavia, tal sentimento é provisório (passa logo), e se desfaz com os desejos de ter, querer, conseguir... de modo que é preciso que passemos por uma nova experiência, porque não aprendemos ainda com a primeira...

Contudo, se aprendemos e entendemos o porquê das mais árduas experiências, vamos trabalhar em prol de um sol maior, daqueles que apenas a lembrança nos basta para dissipar a neblina de nosso egoísmo, solidão, paixão... É o sol da liberdade, da batalha, da vitória, do amor além-vida, que, com pequenos gestos a um ser humano, geralmente não muito longe de nós, nos eleva como generais frente a batalhas, pronto para digladiar com o inimigo.

E esse inimigo somos nós mesmos. Não há outro.

Homens e Neblinas




Nesses dias frios, a umidade tem ficado sempre abaixo do esperado, formando neblinas em torno de vilas, cidades, principalmente em lugares onde possuem, às margens, lagos, lagoas, mares, ou seja, nas regiões Sudeste, Centro Oeste, Sul... que sofrem na hora do rush da manhã.

E me aconteceu nesses dias de uma grande neblina fechar nossas visões ao sair de casa. Eu, que vou de ônibus, saio de casa e me deparo sempre com casas, pistas e uma igreja a menos de cinquenta metros do meu apê.

No “dia da grande neblina”, além do frio, uma grande nuvem tinha tomado minha visão, como se todas as nuvens do céu tivessem resolvido descer ao chão e reunirem-se. As casas que ficam na frente de minha estavam por pouco sumidas. A igreja, nem se fala. Eu não a estava vendo. A parada de ônibus para qual eu vou estava sumindo; e quando olhei para o céu, nuvens e nuvens...

Contudo, ao pegar o ônibus, pela janela, percebi que lá em cima delas tinha um ser que estava pleiteando aparecer, de forma simples e envergonhada. Era o sol. Sorrindo frio, graças a sua distância da terra nessa época (solstício de inverno), burlava uma nuvem aqui e ali, até que... pronto, aparece! A neblina, aos poucos vencida, começou a desaparecer; e o sol, pronto para comandar o dia, parecia dizer... “Agora, deixa comigo”. E o dia se tornou quente, belo, com uma tarde mais bela ainda... O frio, esse foi esquecido.

Neblina

Eu queria que as depressões humanas (neblinas) tivessem um sol. Todas elas são feitas de neblinas, talvez mais fortes e densas que as reais. As neblinas tapam nossas visões provisoriamente; mas as que temos sempre superam nossas razões, nos impedindo de reagir frente às questões mais difíceis da vida.

Nossas reações são inúteis. E o sol não aparece. O sol, em si, está preso, encarcerado a uma alma congelada por pensamentos férteis de ódio, desamor, desolação... Trazendo uma nuvem negra, a falta de autoestima.

Se não temos confiança naquilo que fazemos, se não somos flexíveis aos nossos erros, se os acertos são vistos como mera consequência de uma sorte, acabou... Adeus mundo cruel!

Humanos

Sabemos que nossa natureza é buscar a felicidade onde quer que caiba nosso sorriso. Seja em atos bons ou em atos maus. Claro, há bandidos que se consideram felizes por roubarem e matarem e nunca seres descobertos! E há, claro, os homens de bem, que procuram transformar a sua vida e a dos outros em vidas realmente humanas.

E nas entrelinhas desse contexto, existem pequenas coisas com as quais lidamos no dia a dia, como estudar, trabalhar, ganhar dinheiro – pouco ou muito --; amar, ser amado... Apaixonar-se... Enfim, pequenas coisas que se tornam nuvens de sentimentos, valores relativos, princípios relativos, de forma que, sem perceber, já estão em nosso corpo como roupas!

A questão é que, se somos humanos, podemos nos desvencilhar das situações que criamos em torno de nós mesmos. Sim! A vontade, o equilíbrio e uma direção podem nos transformar em seres briosos. Mais que isso, nos transformar em seres férteis de experiências de diversos níveis, mas sempre voltadas a um sol que nos move todos os dias. E esse sol de cada um – podendo ser uma família, um filho amado, um Jesus, um Buda... – deve ser não só a raiz de nossos pensamentos, atos, escolhas, decisões, mas principalmente o nosso norte.



Volto no Próximo Texto...






A Parte que nos Falta

"É ótimo ter dúvidas, mas é muito melhor respondê-las"  A sensação é de que todos te deixaram. Não há mais ninguém ao seu lado....