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quarta-feira, 6 de julho de 2011

O Enigma de uma batalha


Meus olhos ficaram fascinados com o espetáculo solar, agora pouco. As nuvens, unidas como se fossem paredões horizontais, em posição de alto e baixo relevo, eram iluminadas pelo sol, que ainda nem havia dado o ar de sua graça!

Seus raios, tão fortes, tão puros, graças a uma junção com a neblina que subia aos céus, nela traspassavam iluminando as nuvens frias, em um espetáculo sem igual. Não havia cenário tão forte e belo desde o inicio desse frio, que nos faz congelar em casa, no trabalho, seja física, seja emocionalmente.

Os raios, por hora laranjados, batiam nas nuvens transformando-as em paredes recheadas de luzes; e em outros lugares, nos quais os raios ainda não faziam efeito, nuvens negras se faziam, se intensificavam, como vilões a procura de um mal a fazer com uma visível inveja do deus solar, que, em seu leito, sorria.

Mas a batalha continuava no céu. A beleza dos raios procurava empurrar as nuvens iluminadas ao encontro daquelas cujo rosto de ódio e egoísmo figuravam como atores em um teatro cujo público eram apenas os pássaros que se inclinavam nas árvores e farfalhavam-na com medo das explosões dos raios inaudíveis ao homem.

A beleza era tanta que meu coração partira em graças; minha alma, tão falha, inquieta, e ao mesmo tempo ébria pelos dissabores humanos, esqueceu-se de seus atributos e clamou a Deus pedindo-lhe que jamais deixaria aquele momento sair de sua memória...

Ao mesmo tempo, a loucura daquela beleza colossal era divina , pois não se mostrava em vaidosismos, interesses, individualismos, mas porque teria que ser, nada mais... Era e estava sendo, como diriam os deuses, um presente ao humano que neles não acreditam, e acabam cedendo aos encantos da sacralidade natural da vida.

E ao olhar para cima, senti que posso olhar para mim e guardar as melhores lembranças da vida, de maneira que não sejam as viciadas em paixões, desejos, dor, desesperos, mas de amor, paz, vida... Assim como tudo que há de belo em nós.

E o sol acordou.

quarta-feira, 24 de março de 2010

D E U S


Os mananciais existem como livros abertos ao homem-sábio que sabe ler nas entrelinhas a semântica da vida. Com rios desgovernados, animais livres, crianças a nascer, homens de bem a trabalhar, a vida discorre no peito da terra, do mar, do ar... e do fogo.

A terra, mesmo com seus habitantes nefastos – os vermes – alimenta, infiltra, reanima e nos faz de pé; as águas, ainda que quentes, ainda que frias, jorram-se das entranhas da matéria e se vão, com ideais prânicos, a alma do peregrino que vem de longe – nós.

O ar, ao bater na alma universal, tão rarefeito, tão leve, quando em forma de brisa, e violento, em rajadas, em ciclones, em furacões, quando em forma divina, é a essência de um enigma maior – nós. O fogo, espírito humano, dado pelo deus Prometeu, que roubara de Zeus, que o amaldiçoara na cruz eterna pelo mal que fizera a humanidade... Fogo, ainda que pequeno, queima ou mesmo começa um incêndio em uma grande floresta, em uma grande civilização...

E o manancial, misterioso, continua a explorar a si mesmo, continua com sua ciclicidade, nas pedras, nas plantas, na profundeza sombria, cujos mistérios não saberemos jamais. Nosso único meio é tentar descobrir em nós esse manancial que corre solto, como criança levada no parque; descobrir para onde vai; tentar entendê-lo, talvez, em nós, pois o possuímos como um micro-organismo vivo – uma célula – na alma, cheia de vida, como furacões, larvas de vulcões, enfim, semelhantes a um atleta cuja velocidade não varia...

Nesse mistério aberto, as luas e sóis harmonizam – tais quais a todos as raças de toda a terra, de toda a galáxia, de todo o infinito... Nesse mistério, os instintos, presos a uma lei natural, correm e lutam pela sobrevivência, e morrem para gerar uma outra vida: é o renascer de cada alma.

Não se fala, não se ouve, apenas o correr das almas em direção ao Grande Espírito, tão inimaginável quanto Ele próprio. Suspenso, sem fim, tão mítico quanto qualquer criatura, o espírito se sustenta, se revela e é velado, se mostra e se esconde, tão simples e tão complexo... Tão belo e ao mesmo tempo tão bruto. Visto como a inteligência maior, Ele comanda, mas não dá ordens, mostra a dor, mas não é Injusto, não mostra a face, mas se inclina ao coração da espécie mais simples à mais complexa, o homem.

Não há divisões, não há partidos, mas há seleções de raças, lugares, elementos, seres, os quais unidos refletem seu corpo, e não necessariamente sua mente, que, acima de qualquer visão humana, se abre e se mostra maior que todo o universo.

Mas o homem, ainda que ínfimo em sua complexidade, pelo seu racionalismo exacerbado, pode um dia compreendê-lo. Um dia... um dia...

A Parte que nos Falta

"É ótimo ter dúvidas, mas é muito melhor respondê-las"  A sensação é de que todos te deixaram. Não há mais ninguém ao seu lado....