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sexta-feira, 13 de abril de 2012

Egito -- a Vontade sem Muros.

Rá: o Sol egípcio.




Hoje, quando nos deparamos com grandes edifícios belos, desses de tirar o fôlego, ficamos impressionados, não é? Chega a fazer um frisson em nossas barrigas só de olhar pra cima, e ver o quanto foi investido e quantas pessoasnele trabalharam... E ao final de tudo, damos parabéns apenas ao grande arquiteto que elaborou o arranha céu. Tipo Brasília, São Paulo...

E quando nos reportamos ao passado, há mais ou menos (quase) três mil anos antes de Cristo? Consegue?... Bem... Na realidade, nem se quiséssemos, pois não temos material suficiente para imaginarmos. Porém, dá para, de pronto, entender que o nível dos materiais com os quais trabalhavam os egípcios era tão rudimentar, que, em relação à nossa cultura, nem mesmo martelos existiam, apenas pedras, paus, ferramentas não ferramentas, vamos dizer...

Na realidade, havia sim. Os egípcios se adaptaram mui rapidamente ao meio no qual viviam. Ou seja, já se mostraram donos de sua terra, após as grandes aglomerações aleatórias de clãs no Delta. Fizeram moradias, fincaram sua bandeira, e, por necessidade, surgiu um grande homem que, com o tempo, transformou aquele lugar, com o pouco que tinha, em uma das mais incríveis do planeta.

A impressão que nos dá é que houve um processo ditatorial (de ditadura) fomentado durante séculos. Não vou dizer que não houve, mas estaria sendo injusto em dizer que os egípcios fizeram parte desse processo até o fim de seus dias. Isso é falácia.

Prova disso temos vários faraós os quais, pela forma como governaram, são assuntos de várias universidades até então, pois não demonstraram sistemas escravocratas à época.  Não é fácil de entender, claro. Pegar uma terra e transformá-la no que se transformou o Egito Antigo. Primeiramente, nos vem os chicotes nas costas dos homens de bem, atormentados pelo senhor dos senhores, assim mostrados, incansavelmente, em películas holywoodianas, mas não foi assim.

Contudo, não se questiona (hoje é proibido...) o porquê das realizações, o que significavam para eles, e se realmente foram obrigados a fazer tudo aquilo; mas além disso fazem grandes questionamentos absurdos: “eram escravos?”, “eram extraterrestres”? – coisa que me causa náusea só de pensar que “pensam” em coisas desse tipo...

Mas tais pensamentos, infelizmente, têm sua lógica – ignóbil, ma há – pois a maioria não acredita que construções como as de antigamente foram realizadas com propósitos sagrados, desde o primeiro ao último serviçal egípcio, e não acreditam que havia um simbolismo profundo nas obras. Tais mistérios, que burlam o imaginário coletivo, são como portas fechadas as quais não se abrem por falta de pesquisa, das mais incessantes, ao se referir à terra vermelha – Egito.

Em um programa chamado “Egito revelado”, da Discovery Channel, pude assistir a um egiptólogo de respeito dando bronca ursais em seus alunos, ao subir na grande pirâmide Kefren, a qual possui uma altura considerável, e ao mesmo tempo com entranhas estreitas, as quais faziam com que o individuo – nesse caso o doutor e seus alunos – a se comprimirem quando nela entrassem. O grande egiptólogo, já de idade e bem experiente, demonstrava um racionalismo contundente ao passar pelos vários textos, peças, tumbas, pedras da grande pirâmide... Enfim, graças à sua vida dedicada ao Egito, pôde mostrar a todos, meio rispidamente claro, o trabalho dos grandes homens do passado.

Em meio à penumbra das paredes que se fechavam, lá estavam rapazes e moças ávidos para aprender o que mestre lhes passava. Todavia não sabiam os pequenos egiptólogos que a sensação de estar ali não era a mesma de estar em uma caverna, em um palácio com luzes apagadas, não.., não era. Era muito pior.

Os egípcios sabiam que culturas póstumas invadiriam suas terras, tomariam seu mundo e investigariam sua sacralidade, por isso fizeram com que o medo e desespero, mas acima de tudo o respeito fosse peça fundamental aos intrometidos de hoje, para que não houvesse tantos danos ao que fizeram durante séculos.

E conseguiram. Alguns dos alunos do professor e egiptólogo, após passarem pelas paredes e virem os trabalhos em relevo, tão perfeitos quanto qualquer outro, depois de presenciarem sarcófagos intactos, escadarias íngremes, as quais ficariam ainda mais íngremes à medida que subiam... tiveram medo, desespero e ao mesmo tempo respeito mútuo...

Muitos deles queriam ir embora, pois não conseguiam visualizar de perto aqueles grandes trabalhos, outros, urinaram nas calças, e mais alguns não pararam de falar, em consequência do nervosismo, porém o mestre, que conduzia a todos, fora tão ríspido quanto um faraó, pedindo àquele aluno que fizera suas necessidades ali, ainda que, involuntariamente, nas calças, que se redimisse, e ao mesmo tempo, ficasse longe dele, porque a dor de ver o que se passava, nunca fora visto em lugar algum naquela civilização.


A Sacralidade


Em tudo que o faraó tocava era como se um deus o fizesse. Tudo teria uma lógica sagrada, voltada aos deuses, ao universo. As pirâmides são um retrato desse mundo. Quando nos deparamos com aqueles grandes blocos, advindos de várias terras com a finalidade de compor apenas aquelas estruturas, por exemplo, não é por acaso que o fizeram, pois o mestre dos mestres sabia que, para atingir o sagrado – seja ele fora ou dentro de nós --, tínhamos (temos) diversos caminhos, entretanto, apenas um nos é inerente, correto, claro, visível...

Os blocos imensos, gigantes, que passearam de barcos por diversos lugares, eram depositados, servilmente, nas terras onde são vistas as pirâmides até hoje. Depois dos blocos, as grandes estruturas foram montadas de forma a assustar até mesmo ao mais sábio dos homens. E conseguiram. Como disse Christiam Jacq, “são estruturas que estão em nós, por isso o vislumbre”.

Mais que isso, a atemporalidade não se fecha apenas em seu simbolismo. Todas as construções desatam nós internos dos seres humanos, e ao mesmo tempo fecham outros que nos transformam em crianças ao vê-las de longe; e quando de perto, a dor da ignorância em perceber que estamos em um mundo no qual construções são feitas aleatoriamente sem o mínimo de sacralidade, e quando o são, aqueles que as “fizeram” são tão duvidosos em caráter quanto o de um ladrão que confessa.

A confiança nas grandes estruturas egípcias – assim como em outras nações que partem do principio sagrado para estruturá-las – vem não somente dos faraós, que fizeram questão de realizá-las, mas graças aos grandes sacerdotes construtores, que desenhavam, milimetricamente, cada detalhe, de forma que não fosse preciso levantar outras, derrubando as primeiras.

Sacerdotes

As pirâmides estão em nós, dizia um professor. As bases são nossas personalidades, e vão se afunilando em razão de nossas buscas ao topo de nossos ideais – leia-se: princípios. E em cada um, assim como no passado, deve possuir um uma fagulha para subir um pouco mais, dificultosamente, até o topo dele, de nosso ser, do que é de mais divino em nós. E em outras estruturas, como a do próprio faraó, que significa o deus em si, temos que retirar o sagrado, visualizá-lo, e entender que podemos ser um (faraó), em nossas possibilidades, sempre obedecendo à regra divina dos deuses... E assim também eram os sacerdotes.

Sacerdotes eram grandes seres humanos dedicados aos deuses, tanto quanto aos faraós, pois descobriam fórmulas, trabalhavam métodos de agricultura, racionamento do Nilo, comida... Faziam livros divinos, baseados na vida dos  homens-deuses, acompanhavam-nos em lutas, davam conselhos e sabiam quando e como seria o futuro da grande terra.

Contudo, partia do faraó falar com os deuses para que seu povo fosse suprido em momentos de crise, seja ela de qualquer nível. E quando buscava aquela divindade especifica, dava-lhe formas em forma de monumento, como se fosse um presente pelo amor à terra. E os deuses o atendiam.


Batalhas

A terra vermelha era submetida a tudo, até mesmo a invasões, e ao passo delas, o grande povo egípcio lutava, como se fosse seu último dia, porém havia nações que se armavam com armas mais ‘modernas’ e outras com mais homens em batalha, assim, a grande terra era tomada, violada, e os egípcios – donos da mais bela e coerente terra do mundo – passava por percalços e deles aprendiam que além-deserto havia mais homens e menos deuses do que se imaginava.

Contudo, na história, conta-se que faraós – como o Grande Ramsés I, -- lutara sozinho em batalhas (como era normal, pois o faraó também era guerreiro), e as vencia como se fosse um deus ceifando vidas alheias para defender seu povo. E ele era.

Mesmo assim, somos obrigados a entender que essa terra aos olhares dos descobridores era não só bela, como também a filha do ouro latente, na qual se resguardavam sepulturas belíssimas cobertas de ouro, cujo governante tinha objetivos espirituais para com ele. Compreender isso ou levar para museus intocáveis, ou mesmo para comercialização, não há como titubear.

E assim o foram varias civilizações ao redor do Nilo, as quais sintetizaram a cobiça, a guerra pela guerra, no caso dos helenos, comandados por Alexandre, o qual dominou a terra vermelha, pôs o terror a toda prova, renomeou cidades; mas, depois dele, houve piores que, revestidos de exércitos modernos, chegaram a roubar, matar, estuprar, e reinar e acabar com quase tudo... Se não fosse esse “quase”, não haveria mais o que contar.

Os hicsos, um povo cuja educação era mais voltada à guerra que os nobres egípcios, tomaram o Egito e ficaram quase cem anos no poder... No entanto, estudando o inimigo, apreendendo com ele, e claro, ficando mais fortes em suas convicções, o povo egípcio voltou a reinar, batalhando, rompendo, e trazendo à tona toda sua imortalidade numa terra que jamais deveria ser tomada ou castigada, pois era (e foi) o berço de várias sociedades, no tocante à religião, à filosofia, a Deus, ao amor, à verdade, à simplicidade, à ordem...




Enfim, temos muitos que aprender sobre nós mesmos. E uma dessas formas, talvez, seja olhar para nossos ancestrais, os quais sintetizam nossas virtudes mais sagradas, ao passo esquecidas. Por isso, escrevo sobre o que podemos -- e podemos ser um pouquinho egipcio todos os dias, olhando para o sol, para a lua, para a vida, respirando o bem e o mal, peneirando com nossas consciências -- voltadas a Deus -- o que nos atrapalha a visão acerca da verdade.





Temos mais textos.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Egito - Visão de um Sonhador (e Filósofo)

Egito: uma terra, um sonho.



Muitos me acham meio, vamos dizer..., ingênuo quando tento retratar o que há de bom nas pessoas, no mundo, numa sociedade... E todas elas acreditam que o mundo não tem jeito, e que sociedades, pessoas e etc. nascem para o mesmo fim: serem corrompidas, levadas ao fosso do mundo ou mesmo a um gigante precipício no qual, lá embaixo, nos esperam capetas e coisas semelhantes. Claro, apenas aos referidos acima... Às vezes sou assim também, mas, na maioria das vezes, tenho que acreditar.

Não sou ingênuo, mas possuo o “dom” de ver a realidade através dos sonhos. Tais quais os grandes homens que um dia sonharam um mundo melhor, dentro daquilo que chamo de parâmetros existenciais, ou melhor dizendo, nas nossas esferas, ainda que antigas, das quais legados interessantes nos saíram, como a própria ética, a moral, a temperança, a coragem, o amor ao próximo – essas coisas que, hoje, cultivadas, segundo alguns, caem no esquecimento e, se fossem sementes, tardariam a dar frutos, ainda que jogássemos água. Sabe por quê? A água seria contaminada, e temeríamos nascer daquela árvore maus frutos...

E quando me refiro ao grande império dos faraós, sei que no passado houve grandes homens e homens grandes, ou melhor, sei que, por sermos humanos, não houve apenas uma época dourada, pois assim como em muitas nações que tiveram sua ascensão e queda, o mundo dos faraós também teve sua, porém, no momento dourado, poucas nações nos deram tanto quanto o Egito nos deu, ou melhor, nos presenteou.

Assim e dessa forma, vou sempre me reportar a ela como uma árvore da qual retiramos frutos doces, pois eles sabíamos governar, dar ao governado – o povo – o que realmente mereciam: humanidade! Tínhamos a nosso favor seres que cultivavam a ética, fosse ela fora ou dentro dos palácios, ou dento ou fora de nossos corações.


A Complexa Ética

 

E a ética obedecida – há muito – tinha sua singularidade a partir do momento em que a religião, a qual em todos as bases da sociedade era registrada como necessária ao homem, fosse ele de bem ou não, uniria não somente o homem com o homem, mas o homem com o próprio universo. Sabemos disso no fundo.

Contudo, de lá pra cá, há mais de dois mil anos, num mundo em que os valores mudam quase que anualmente, juntamente com as disparidades sociais, pode-se dizer que estamos a nos referir a um “planeta” fora das limitações dos cientistas, e dos nossos meios como realidade.

Podemos, no entanto, ressalvá-los e apreciá-los tais quais sóis na manhã ou na tarde de domingo. Podemos citá-los como se fôssemos PHD,s e racionalizá-los à medida de nossas razões sujas do barro dessa política educacional, de onde saímos e entramos, todos os dias, mas... podemos.

O que quero salientar é que há pilares que deviam ser respeitados em nosso mundo, mas a educação atual seria, para o nosso desgosto, na visão egípcia, um amontoado de informações das quais retiramos ferramentas para o convívio social, familiar, e só. Para o egípcio, a religião estava acima de tudo. E quando me dirijo à palavra educação, desconsidere a visão de hoje, e reporte-se a outro mundo, além é claro da palavra religião, manjedoura espiritual de todas as raças, nas quais (religião e educação) são apenas uma.

Nada, simplesmente nada, passaria a ter existência sob os olhares egípcios senão fosse pela religião – a educação por excelência – por isso, em escolas peripatéticas, como gregos e romanos copiaram, ou mesmo no trabalho, na política com o exército inimigo, na área econômica, enfim, em todos os setores da sociedade egípcia, a religião-educação seria tão concreta quanto um bloco de pirâmide – algo que nos faltará mais tarde, dois mil anos depois...

Daqui, segundo os olhares mais sutis, saiu a educação nossa de cada dia, sempre voltada à disciplina, ao bom senso, ao respeito – seja ele qual for – mas que, de alguma forma, norteou (e norteia), em alguns países europeus, nossos alunos, nossos pensadores. Isso, repetindo, de forma bem sutil.
  

E os sonhos continuam...


A compreensão divina


Ainda no campo religioso-educacional, podemos nos intrometer a dar algumas opiniões a respeito das potencialidades as quais eram norte da grande nação. Desde o inicio desta civilização, o Egito, assim como outras nações em paralelo, compreendiam – sem sombra de dúvida – a questão do sagrado, por isso adotaram rótulos em elementos conhecidos do próprio homem, os quais formam o universo, e outros para a formação da própria história daquela civilização.

Assim o foram Grécia e Roma, quando cantaram e se expressaram em forma de poesia e textos literários, os quais, mais tarde, chegaram até nós como expressões míticas, o que tornou a civilização responsável mais forte e ao passo eterna.

E o Egito, em razão desses textos tão míticos quanto os de Grécia e Roma e outras nações, sabia que havia uma necessidade: a de “esconder-se” por detrás de suas histórias, ainda que egiptólogos o façam como se fossem daquele mundo..., não, não são. Apenas interpretam o que foi deixado para tanto, e sabem o que foi deixado para entender, nada mais.




 Volto com outros Sonhos.






terça-feira, 10 de abril de 2012

Egito -- Um Olhar Filosófico


Pirâmides: Templos misteriosos.

Depois de muito refletir acerca dessa grande nação, que foi o Egito, eu iniciei um processo de autoconhecimento, um tanto quanto possível aos olhos de minha natureza – não da deles, ainda que eu quisesse rs. Não pelos deuses, porque, graças aos mitos mais que herméticos, diferentes dos mitos romanos e gregos, são difíceis de criar alguma forma de pensamento, dentro do que temos hoje, ou melhor, com as ferramentas que temos. Então, comecei pelos faraós. Esses homens-deuses, cujos atos eram mais que atos, eram uma modificação numa sociedade na qual nem mesmo o mais egiptólogo dos homens conseguiu entender. Contudo, com um olhar filosófico, consegue-se infiltrar em áreas nas quais nem mesmo o melhor dos cientistas compreende.

 

Vocação


E uma dessas maravilhas incompreensíveis são as pirâmides e para qual fim elas serviam, pois muitos se questionam a respeito delas, das grandes construções, dos “rabiscos”, os quais se mostram em revelo há mais de quatro mil anos! Ali, naquele lugar, onde faraós, sacerdotes dos deuses, onde construtores se iniciavam, havia uma mágica – a real – da qual muitos filósofos ocidentais beberam e se consagraram bases da civilização atual.

Daquelas paredes, nas quais o sagrado, o mais perfeito deles, por ser miticamente hermético, se fez, muitos até hoje se digladiam pela perfeição, pela beleza que, ao ver dos grandes cientistas, é uma realidade que jamais alcançaremos o significado – e estavam certos. Nada é tão perfeito, achamos, porque nos dá a impressão da chegada ao transcendente, ao místico, de forma incompreensível.

Contudo, podem-se responder algumas perguntas, dentro das quais sombreia nossa maior dúvida a respeito de uma nação que sempre nos causou espanto, tanto na maneira de governar, como na forma de respeitar as vocações. Explico: ao contrário do que temos na atualidade, o Egito, por volta de 2000 a C., zelava pelo individuo no tocante à sua vocação para a escrita, para o sacerdócio, para o governo, e em todas as funções necessárias ao Estado.

Daqui surgiam grandes escultores, desenhistas, artesãos, e governos que duravam décadas – como fora o caso de vários faraós os quais tinham obrigações natas para com o seu país e com seu povo; e, por mais que se coloque essa questão para um ser que nasce, hoje, em nações de culturas distantes, fica difícil explicar, pois o que nos passa pela cabeça é que há um governo que satisfaça, provisoriamente, os desejos alheios – isso materialmente – e pronto.

 

 

A Alma nas Construções


No tocante às construções, o que devemos salientar, a principio, é que nada foi feito para o bel prazer dos homens-deuses, mas para os deuses, numa sintonia em que o sagrado e o profano se uniam de forma que houvesse uma harmonia entre os dois – por consequência entre povo, universo, faraó, deuses...

Quando se fala em pirâmides, vêm-nos logo questionamentos acerca de suas construções, do modo a que foram feitas, enfim, pairam dúvidas seculares (e normais) a respeito delas. Nelas, no entanto, pairam mais mistérios que seus próprios blocos pesados, pois singularizavam a perfeição, a ponte e o processo de iniciação para o conhecimentos da Vida.

Muitos, todavia, graças à cultura de se reconhecer algo, alguém, ou mesmo uma nação pelos seus últimos momentos – como aconteceu com Roma, que é reconhecida apenas pelos leões e gladiadores nas grandes arenas – o Egito é conhecido pelo país mais louco do planeta por ter construído grandes sarcófagos (pirâmides) ao longo do tempo. Outra falácia.

Pirâmides eram centros iniciáticos nos quais todos aqueles que aceitavam suas vocações, fosse de pintor, desenhista, arquiteto, até mesmo um faraó, teriam que conhecer os mistérios sagrados, legados pelos antigos. Dali, entravam seres pensantes, filósofos, e saiam outro seres, voltados ao que os deuses lhe deram de acordo com sua natureza e capacidade: prova disso, foram vários filósofos que beberam dessa água e expandiram a todo o Ocidente, tais como Platão, Pitágoras, Anaxágoras, Anaxímenes...



sexta-feira, 6 de abril de 2012

Egito -- um olhar apaixonado

Egito: berço e tesouro da humanidade.

Sabe, após várias leituras clássicas acerca de uma civilização, podemos nos sentir dentro dela como um viajante ou mesmo um habitante que há muito não a visita há séculos. Assim eu me sinto quando folheio com paixão meus livros sobre Roma, Grécia, Pérsia , Índia e principalmente sobre o Egito.

Nada há que me tire da concentração, nem mesmo minha esposa e filho quando a lua é cheia e começam a esquentar o ambiente, trazendo inquietude a um mundo particular em que vivo. Porém... O mundo meu fica um pouco menor (ou maior) e dispenso a realidade e caio nos sonhos de uma civilização que fora a mais coerente, em tudo.
A partir de hoje, convido-os a entrar nesse sonho que um dia foi uma realidade aos habitantes mesclados do Delta – segundo um grande escritor, no qual tentarei me basear (Christian Jacq, egiptólogo francês, amante do povo egípcio desde criança), diz que “o Egito e suas origens são muito difíceis de explicar”.

Por enquanto, todavia, remeto-lhes uma visão – mais opinião particular – de um Egito fechado e ao mesmo tempo fascinante, o qual me levou a suprir as melhores informações acerca desse manancial que, um dia, se chamou Ken – terra vermelha, e na qual a palavra alquimia se fez, de Al-Ken, após conhecer um pouco dos amantes da terra em destaque.

E graças a esses amantes, pude quebrar preconceitos fortes que estavam enraizados em minha alma desde pequeno, pois graças à cultura cristã, tão atormentada pelas grandes civilizações (principalmente a egípcia in biblos), a qual, obrigada a velar a verdade repetindo e  citando mentiras através dos tempos, fiquei com minha visão serrada e preconceituosa até o dia em que li o primeiro livro desse grande mestre chamado Christian Jacq.

Como dizia um grande professor de filosofia, nada vem por acaso. Se um dia comecei a respeitar o Egito como nação, não foi porque apenas li um livro ou dois, e sim porque, há tempos, a ideia me persegue inconscientemente, ou seja, eu já procurava saber a respeito dela, dessa grande nação, de maneira que, assim como acontece com todas as crianças que são presenteadas um dia com o brinquedo que sonham, eu fui contemplado em saber algumas verdades (tabus) as quais bailam no mundo, mas com outra máscara...

Ou melhor máscaras. E uma delas é o preconceito em saber a respeito da Terra Vermelha. Outra máscara, a da opinião. Todos podem opinar sobre tudo, por isso, não apenas por isso, a falta de trato com o passado de muitas nações – principalmente a referida. Outras máscaras, como a da ignorância, que impede qualquer ser ir em busca de algo, e mais, uma ignorância involuntária revestida de racionalismos; e a pior de todas, a difusão de várias nações – inclusive a cristã – em fazer com que verdades sejam veladas, transformando-as em mentiras frias, por gerações e gerações.

Há muitas máscaras, e se começarmos a escrever sobre elas, cairemos na profundidade de um mal que nos assola todos os dias: a patologia de uma personalidade que cria, em si, modalidades de preconceitos. E isso seria, dentro do que podemos passar aos senhores leitores, uma falta de respeito à cultura que foi o grande Egito.


Um Homem se levanta

Desde criança, achei que aquelas grandes figuras humanas, mais que humanas, os faraós, eram maus. Pela forma como se vestiam e nos olhavam em seus desenhos cavernosos, era assustador. Porém, a História nos diz que o Egito foi a nação mais coerente em todos os sentidos, em todos os tempos, desde o inicio de todas as civilizações, graças a esses homens “assustadores”, pode?

Sabemos, pelos textos apresentados aqui, nesse blog, que havia uma Roma dourada, na qual césares fizeram dela um dos maiores expoentes do Ocidente. Não menos que isso foi o Egito. E digo porque acredito.
Uma terra que, segundo os mais respeitados egiptólogos, foi o berço de todas as culturas que mais avançaram no contexto histórico, seja moral, física ou espiritualmente. Prova disso foram os faraós, os quais traduziam a beleza de governar por décadas, sempre baseados e estruturados em filosofias míticas advindas dos textos sagrados que foram deixados por seus ancestrais.

Nada por eles foi feito porque “quiseram”, mas porque houve uma necessidade intrínseca, na realidade uma necessidade sagrada. Quem poderia dizer isso, com toda a pompa, seriam os hebreus, os quais foram clãs, que, segundo a história, foram bem recebidos, bem alimentados e que trabalharam na terra dos faraós sem que fossem tratados como escravos... É uma das realidades. No Egito, como já foi constatado, não havia escravos...

Quando houvesse guerra, talvez o fizessem em nome da própria guerra que, até hoje, tenta eliminar o inimigo ou faz dele escravo... Mas nunca houve, mais uma vez, escravos numa terra que tratava – segundo escavações recentes – dos seus hóspedes como se fossem do próprio povo. O que significa, em termos naturais, respeitar ideias, religião, família, Deus...
O que nos passa, no entanto, é que o Egito, por ser uma terra escondida, distante das demais, escondeu a escravidão depois do grande deserto. Falácia literária. Se houvesse escravos entre os egípcios, nenhum deles teria tratamento humano, ou menos que isso, não haveria nem mesmo covas para sepultá-los. Nessa nação, no entanto, assim como a de Roma, Grécia, entre outras, o que ficou foi a “última cena”, ou seja, quando uma civilização se apaga, o que dela fica é apenas o pequeno e ridículo fogo de uma vela que um dia iluminou o mundo inteiro – quem diga os povos ameríndios, os romanos, os gregos, indianos, os quais já foram manto de nossa cultura, mas que, graças a um passado recente, são vistos como culturas à parte.





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terça-feira, 13 de março de 2012

De Volta às Origens


Eternas guerreiras, obrigado.



Eu havia perdido a noção do belo e do simples nessa vida, nesse oceano em que desenvolvemos nossas personalidades sempre voltadas ao complexo. Pensei que tudo por que lutávamos – a volta à nossa origem, ao simples, à verdade – estaria tão longe quanto o homem de seus mistérios sagrados.

Como eu estava errado! Tão errado, que tive medo quando encontrei. Eu me senti eu mesmo, e tenho a certeza de que muitos – graças a uma senhora belíssima de princípios fortes – também se sentiram assim. Tal senhora era minha mãe.

Tudo isso se deu em um evento no qual a forte senhora e várias outras mulheres foram homenageadas graças ao Dia da Mulher, senão... Quer dizer... Não sei, talvez houvesse outra ocasião na qual fossem lembradas, mas nada melhor, do que ouvir da boca, dos olhos, da alma das senhoras as venturas em uma época em que muitos se acomodaram, muitos se fizeram, outros fizeram muitos, e outros se realizaram honesta ou desonestamente. Época da construção da capital Brasília.

O inicio


Uma jornalista de nome Tânia havia telefonado para minha irmã, e disse a ela para levar algumas fotos de nossa mãe, já em seu descanso eterno,  pois haveria um evento no qual várias mulheres, entre elas nossa genitora, seriam homenageadas na Semana da Mulher.

Nesse grande evento, todos da família deveriam ir, pois haveria uma homenagem em particular a nossa mãe, porém, o que vimos foi a síntese do que somos e do que poderíamos ser antes e depois da realização do evento. O evento em si norteou-me.

A metade da família chegou atrasada, graças ao trânsito. A outra metade chegou em cima da hora, mas as homenagens não haviam começado, graças à compreensão da jornalista, que sabia o que aconteceria naquele dia, naquela hora, em um dia tão perto do fim de semana. Enfim, a família quase toda estava unida em torno de uma das mais lindas formas de mostrar o que somos e de onde viemos, e por que motivo, pelos olhos e alma das mais belas e lindas senhoras que beiravam a setenta a noventa anos de idade, contudo com uma jovialidade estelar, quase transcendente, chegando a burlar nossas consciências quanto ao que podemos fazer em um mundo tão velho e sem ideal.

Na sala onde havia um pouco mais de quarenta pessoas, aparece-nos a anfitriã, a jornalista Tânia Fontenelli. Uma pessoa, por assim dizer, incrível. E, pelo que nos passara, senti que seu trabalho, o de recolher depoimentos femininos a respeito da origem da Capital, fora um daqueles trabalhos que, em vida, não se fazem mais. E mais, acredito que, agora, seu dever foi cumprido.

Assim que me viu, sentiu que devia me congratular por estar ali, assistindo ao seu trabalho, o que já me deixara bem à vontade. Porém, ao questionar a respeito de minha pessoa, ficou tão feliz quanto eu, por saber que eu era filho de uma das mulheres mais fortes e incríveis que ela tinha conhecido -- minha mãe; logo após, chegaram meus familiares, os quais sentiram o mesmo que eu na recepção. Era um momento histórico.

Ali, naquele dia, perceberíamos o quanto nossa mãe havia lutado com todas suas forças para criar um bando de crianças em meio a poeiras e batons.

Nossa heroína

Nunca, em nossa vida, tínhamos sido homenageados. Mas a pessoa que nos deu tal presente não estava ali, ou melhor, estava em astral, em mente, em lembranças. Sua alma, tão presente quanto à nossa, levitava em nossos corações e nos fazia sentir, de novo, ao lado dela, como nos velhos tempos....

Sua figura, forte, austera, sincera e meiga nos transmitia (e nos transmitiu) uma paz fora do comum, e isso é o que nos falta hoje, após a sua ida. E quando os depoimentos começaram, sentimo-nos presos às cadeiras de filmes futurísticos, nos quais até mesmo público participa. Naquele dia, no entanto, apenas nós, da família, tínhamos esse privilégio, quando a dona de nossos corações apareceu recontando, de maneira sábia e simples, seu passado brilhante de heroína, que salvou a muitos, inclusive nós, da vulgaridade natural humana, pela qual poderíamos ter passado sem ela, essa figura bela – chamada Josefa.


Depoimentos.

Foi uma aula de simplicidade. Todas senhoras ali entrevistadas nos deram aulas de amor ao trabalho, de consciência em relação a nós mesmos, pois não tinham que esconder suas almas com vergonha de dizer quem eram e porque fizeram tudo aquilo.

Foi mais que isso, havia entrevistadas que se sentiam no período em que a capital estava prestes a iniciar sua construção e nos faziam rir, outras vezes chorar, mas que, em nenhum momento, nos transmitiu o medo, a dor, o desespero da miséria pelas quais passaram – foram heroínas.

A natureza feminina de confronto, de alguma maneira, é mais prática e viva do que a dos homens, pois é regada de feminilidade, ainda que debaixo de chuva e lama, poeira e lágrimas.

A maioria dos depoimentos falava da simplicidade da época, e faziam comparações com a atual – cheia de roubos, estupros, violações – ao contrário da passada, que nos limiares de uma construção, formava família, uma grande família, com princípios e valores ainda por ser formarem, mas que não pendiam para a violação dos direitos das mulheres e nem dos homens...

Eram valores que ainda em suas cabeças atuais residiam, por isso, a beleza de ouvir todas elas.

“Eu vinha de Berorizonti. E meu marido dizia ‘vamos pra Brasília’, lá vai ser o nosso lugar agora; e quando nós chegávamos, ficávamos espantados, pois não havia mais nada, a não ser trabalho, trabalho e trabalho...”

“quando meu marido disse ‘nós vai morar é aqui’, e eu fiquei abismada, pois a casa parecia um galinheiro!”

“Nós pegava e levava todas calça dos piões, porque ficava toda suja de barro, dos pés ao joelho”.

“Tinha a Casa da Placa da Mercedes, e todos os homes fazia fila, era mais de duzentus, um atrás do outro”

“Sim, era pau de arara. Um atrais do outro, assim e assim (gestos)”

“No dia da comemoração, eu coloquei o meu melhor óculos. E fui. Não sabia porque riam de mim, não. Eu tinha o meu mió vestido, meu mió óculos! Mas despois eu fui ao banheiro, e vi: minha cara estava toda amarela (de poeira), e quando eu tirava o óculos... a marca”.

“Tinha o clube dos rico e o clube dos pobres. Mas nóis dava um jeito de ir nos dois”

“Eu fazia comida pros piões, sim, e fazia todos os dias. Mas meu marido e eu conseguimo viver até hoje, graças a Deus!”

“Muitos conseguiram diploma de contador, em sê contador”

“Era muita gente, gente demais! Todas ela vindo de longe, de todas as parte; parecia que Brasília tava sendo invadida!”

“Era a coisa mais linda do mundo!”

“A coisa mais triste que eu vi foi quando o Jânio (Quadros) mandou todo mundo ir embora. Ele não queria vê nenhum nordestino por aqui mais. Até os home chorou.”


O ensinamento

As expressões de cada uma delas, que se formavam no telão, nos davam a impressão de que o mundo, para elas, tinha estacionado apenas para aquele dia, o dia delas. Mas para mim, esse que vos escreve, foi o dia em que tivemos uma consonância com o passado, com o nosso passado; dia no qual aprendi que temos que entender que todo o universo, ainda que nos pareça fútil e desagradável aos olhos, deve ser respeitado e amado, e por isso deve ser levado a gerações sua história, pois a sua essência sempre vai prevalecer – é o caso de Brasília.

Aprendi que somos mais que imagens em espelhos, e almas que em busca de uma verdade infindável, nós temos – cada um de nós – uma história para contar, não apenas aos filhos, aos netos, mas ao mundo, e quem sabe propagar em sua grande alma um pouco da nossa.













quarta-feira, 7 de março de 2012

Mulheres de Atenas

Atenas: deusa da Guerra




Mulher...

Ainda que se encontrem em vielas, nas esquinas frias, à noite, como crianças abandonadas ao vício, à prostituição... Ainda que a vida as agrida, em forma de machismos, comunismos, em forma de sistemas que as oprime, sem dar-lhes direitos acima das obrigações... Ainda que o medo de sair de suas casas, ou mesmo pôr suas singelas cabeças na simples janela gradeada... Ainda que homens revestidos de bem, mas que se desmancham em violência em seus rostos e corpos, na madrugada, segredando-lhe o terror em forma humana...

Ainda que o mundo te deixe em desconforto nas horas em que mais precise, ainda que seu âmago peça para morrer na falta de alguém a te proteger... Ainda que sejas comparada à parte mais frágil do mundo... Ainda que haja uma idade média em valores -- em comportamentos, em amor..., Em justiça...

Ainda que bombas explodam em seu lar, deixando-a solitária com seu filho no colo, ainda que o mundo doente explore sua cor, sua raça, sua dedicação, sua crença... Ainda que nasça em tribos, em família miseráveis, em favelas, em nada... Ainda que suporte a dor do homem que nasce e que morre em seus braços... Ainda que este mesmo homem, um dia, te dê adeus, e que esse mesmo filho, um dia, tenha que singrar os mares da vida sem você por perto... Ainda...

Ainda és a lua que recebe o dom de nos trazer a calma, ainda és o rio que corre oculto em nossos sonhos, ainda és o Logus divino que completa, que edifica e transforma a natureza com sua presença... Ainda és a flor que nasce num deserto de homens frios, a flor que amanhece ao pé da janela aberta ao teu sorriso.

Ainda és é sempre será a parte que amamenta, não apenas seu filho, mas também o mundo onde dorme e acorda o homem que vence, o homem que ama, pois, por trás de cada um de nós, e dentro de nós, sobrevive um ser que nos beatifica com seu ser doce e  largo, seja em forma de criança, seja em forma de uma idosa a qual sintetiza a experiência montanha, e ao mesmo tempo jovem...

Ainda és a fortaleza que assombra os lobos da selva, és o segredo do oceano, és a chuva na terra seca... Ainda és a sombra da familia, ainda que de longe permaneça, ainda que do Céu nos observe. Ainda és o fruto doce de nossas lembranças, de nosso viver, és o lenço de nossas batalhas... E como diria o  mais sábio "és a ponte entre o Amor e Deus"...

Ainda que eu escreva pelo resto de meus dias, e o farei, não direi a verdade completa, pois ela adormece nos tempos que passam, porém acorda em nome da paz, da guerra, da vida, na qual tanto nos ensina todos os dias.




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Á minha doce e querida mãe, que se foi. Graças a ela, chegamos à metade de nossas jornadas, e realizamos a maioria de nossos sonhos, nos quais ela própria era um deles.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

A Beleza da Utopia



A beleza em cada sorriso... Como não acreditar?

Sabe... Eu sempre acredito na grande mãe esperança, como um grande filho que nascera do seu útero. Sim, eu acredito em tudo que não acreditam, pois sou um sonhador. Um exemplo disso é que acredito que nossos olhares estarão, um dia, voltados a uma educação na qual indivíduos possam compartilhar o que há na cultura de seu país, e noutras culturas, amando-a e preservando-a, sem que seja (ou haja) um ato elitista, governamental, capitalista como hoje...

Acredito nos homens que amam a ciência, os quais se aprofundam em nome da humanidade, em busca de curas de doença degenerativas. Acredito na forma humana que como tratam os seres a sua volta; e mais, não me deixo levar pelas aparências daqueles vis e pseudomédicos que maltratam, destratam, e desmancham o caráter humano dentro de evidências nas quais ficamos tristes apenas em escutá-las...

Acredito em governos. Nas suas pretensões; na luta eterna em deixar seus povos mais felizes, ainda que não pareça, pois, ainda que transpareçam evidências em noticiários nos quais prefeitos, governadores, vereadores... presidentes são presos por lesionar patrimônios, erários, além de outras ilegalidades... Sou obrigado a acreditar que há outros cujo caráter justo predomina acima daqueles.

Acredito nas forças de segurança, em sua capacidade de luta, de sua vocação para lidar com o mal que nos torna inseguros ao sairmos de casa, da escola, faculdade, e que às vezes nos impede, até mesmo, de ir a um cinema.. Acredito que saibam identificar o mocinho do bandido, o bom do mau, e que seus corações são realmente banhados de coragem e de amor à profissão.

E quanto às crianças ligadas ao tráfico, não me deixo iludir com o mundo que me diz que não há futuro para elas, não, não me deixo. Sei o quanto há jovens que amam a vida, e sabem distinguir, pela grande educação que recebem, o certo do errado. E que, mais uma vez, devemos investir nesses jovens – que são a maioria – e levá-los a acreditar em seus ideais, aos quais obedecem regras, advindas de leis produzidas por homens de bem.

E quando vejo leis criadas para a proteção da mulher, sinto que o cavalheirismo coletivo pode retornar, semelhante à outrora, o que nos ressalta ainda mais a esperança de que há homens reais que estão por trás de tudo. Sei o quanto senhoras sofreram no passado, mas também sei que sorriem muito mais hoje que ontem, que confiam mais no sexo oposto, que se casam com amor, e que o número de separações diminuiu graças ao verdadeiro amor que fora semeado em suas vidas.

Acredito na recuperação dos presidiários, desses homens que são presos por inúmeros crimes. Acredito que todos eles podem vir a serem homens de bem, e que a sociedade pode dar-lhes crédito, e por sua vez vida digna, emprego, família, sem a qual não há recuperação. Neles eu acredito, pois ficaria fácil acreditar apenas nos bons, assim como apenas acreditar em mim, em meus projetos, desenvolvendo apenas expectativas egoístas!

Acredito na paz mundial ainda que haja forças desiguais, tão dessemelhantes, que nos passa pela mente que o mal vencerá – ou já venceu. Discordo. Há organizações não governamentais (e muitas outras) com intuitos humanos, não capitalistas, em auxiliar outras e mais outras instituições, das quais saem mais seres dispostos a viver e ajudar uns aos outros.

Devo e posso acreditar, ainda, nos países que invadem regimes ditadores com a finalidade de deixar a humanidade mais segura, e ao mesmo tempo mais voltada aos seus filhos, semente de uma grande árvore da qual podemos um dia retirar todo e qualquer alimento, conhecimento e sabedoria.

Não acredito no terrorismo – pois é isso que querem. Não acredito em seus ideais pífios de resguardar seja lá quem for de suas nações, com radicalismos extremos, em nome de seja Alá quem for, pois somos maiores em força, em armas, em organização. Não acredito em seus atos frios, nos quais homens e mulheres de bem pagam pela incompetência da minoria... Pois a maioria, somos nós, seres que atravessam esquinas; vão a escolas, vão a parques, a mercados, a países, e conhecemos culturas belas, sem que tenhamos o famigerado medo do próprio homem. Porque há homens e homens!

A esperança em acreditar, em ter que viver respirando o ar livre de todos os dias sem que tenhamos a grande preocupação em sermos assaltados na esquina ou mesmo no final do mês, no bendito salário... A esperança, aquela senhora sorridente que sai das sondas hospitalares na ultima hora, sobrevive, pois anda entre nós, e nos protege contra qualquer ato que não seja o de humanidade.

Acredito nos valores humanos, que, aos poucos, nos fazem acreditar que seremos mais que homens e mulheres. Seremos (e somos) feitos de partículas divinas, e delas podemos tirar nossos maiores enigmas, ou pelo menos o mais simples, como trabalhar a beleza de ser bom, justo e verdadeiro em nossos pequenos atos, nos esquecendo de que o passado foi nada mais que uma estrela que deu lugar a outra.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Fortalezas Invisíveis

Há pessoas que se vão, como sementes que nascem, crescem, dão troncos, folhas, frutos, sombras, e são fortes na chuva, no sol, até mesmo em desertos, no qual, quando sozinhas, brilham tão fortes quanto o sol que machuca a mais forte estrutura.

Há pessoas e pessoas. Há humanos e não humanos. Vamos falar de humanos. Esses pequenos filhos de Deus que buscam forças além-vida para sobreviver em meio a um mundo tão frio e opaco; falar desses seres maravilhosos que nos deixam rastros em vida, e quando partem para uma missão misteriosa, nos bate uma dúvida se realmente eram humanos.

Por isso, as palavras heroísmo, divindade, santos, solares, filhos sagrados.. se perdem em semânticas perfeitas, ao passo imperfeitas quando nos chegam à voz. Falta-nos tudo, inclusive – para não dizer somente – sabedoria.

E por causa dessa falta, recorremos a céus, a deuses que promulgam leis, a deuses que se revelam mesquinhos que precisam de seus fiéis ao seu lado, à frente de seu trono dourado. Montamos novos Olimpos.

E nascem mais humanos belos que surgem, às vezes, na pobreza, sem mesmo perceber que ela é um fator influente e mortal na consecução de seus objetivos. Mas ele não pertence à pobreza, à dor, ou mesmo à riqueza... Ele pertence à humanidade, ao mundo, para salvaguardar nossos valores, nossos maiores ideais...

São seres especiais. Mais que isso, moram em nossos corações, após sua ida ao imaginário coletivo – céus, infernos, paraísos... E lá, tenho a certeza, se houver a quem amar, ou mesmo um ser humano a defender, lutará contra as forças do mal, e libertará todos os homens em nome de uma justiça tão forte quanto à terrena...

São imortais. Ao perceber uma injustiça, estaremos ali, em nome daquele que morreu por ela. E viveremos em seu nome, pois seus rastros nos ensinam mais que palavras em livros, mais que metáforas profundas acerca do nada, apreciada e divulgada, graças a escritores modernos que nunca beberam da água de uma realidade que transborda nas favelas, nos morros, nos hospitais, nas escolas...

E por eles vamos orar. São divinos agora. Tornaram-se deuses. Pois, a cada levantar do dia, a cada dormir, pedimos forças para viver um pouquinho melhor em um sistema pobre, sem governo, enaltecido apenas pelos interesseiros de plantão, os quais ganham com a miséria humana.

Nós, não. Somos estrelas que não precisam de noite para brilhar, porque buscamos melhorar, ainda que em leitos hospitalares sujos, cheios de sangue passado, a humanidade, no leito do próximo, pois ali tem uma alma que precisa urgentemente de justiça e amor.

Há estrelas que nasceram tão fortes, que nos apaziguam com seu olhar, e nos dão fortalezas inexpugnáveis. Estas, cujo mistério ainda Deus guarda, enriquece o homem e lhe dá mais vida, em uma batalha incansável contra um grande inimigo tão natural quanto nós, chamado ignorância.






(Mãe, tenha força, mais do que nunca. A estrela da senhora ainda brilha tão forte quanto o primeiro dia em que nasceu)

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Filhos de dona Esperança



Hoje, quase de madrugada, percebi uma ventania sinistra chicoteando o telhado de casa. As paredes me pareciam que iam desabar, juntamente com as janelas que, ainda que sejam de ferro entrelaçados, possuem fragilidades à parte. Achei que o "barraco", que fica no segundo andar de uma barbearia, sairia ao vento como naquele filme twister, de Spielberg, quando uma vaca sobrevoa um carro em meio a um ciclone, depois uma grande casa, desapregoada do chão, invade a tela do carro em velocidade.

Um frio de dar nó no coração do mais valente dos homens. Tomei meu café feito pela esposa; refleti acerca do ocorrido, andei dentro de casa como um rato de laboratório, pensando como iria trabalhar com aquele tempo chuvoso e decadente. Não que eu deteste chuva, contudo, havia um sentimento de tristeza em mim, que se igualava àquele momento tão opaco...

É, meu coração estava tão chuvoso quanto o dia lá fora. Estava pior. Com tempestades tão frias e obominavelmente fortes, que precisei ser consolado pelas mãos de minha senhora.

Eu estava com uma dor inconsolável, ou uma semântica afetada, ferida, quase morta. Meu físico não conseguia se deslocar da cadeira, meus olhos tentavam se erguer ante as paredes azuis da cozinha, pequena, contudo, aconchegante, e que me trazia, todavia, em seu centro ideias de morte.

Eu tinha que me levantar e vir trabalhar. Minha mente não poderia me dominar como uma senhora feudal e me fazer acreditar que sou o que ela pensa, o que ela manda... Eu, no fundo, queria e quero me livrar das ideias tristes, sair do submundo dos pensamentos fúteis e racionalizar um futuro melhor ao meu filho. Este, graças aos deuses, trabalha inconsciente – ou seja, brincando o tempo todo – assim, norteando-se para descobertas, alegrias poucas e sutis, agradáveis ou não, mas vivendo, aprendendo, sob pequenos grilhões que ele mesmo cria...

Somos nós. Filhos de intempéries que nós próprios criamos, e delas vivemos ou... morremos. Somos filhos da ignorância que só nos é descoberta quando o mal se fez em nossa mente, corpo ou mesmo espírito – Platão já dizia que sofremos graças a nossa ignorância. E hoje, essa máxima se faz em nossos olhos, e percorrem nossas vistas, se fazem e se desfazem como edifícios pobres e podres numa avenida que se chama vida.

Nada mais há de viver, eu disse, tenho poucos elementos fortes para sobreviver a um mundo que nos destrói, nos corrompe, nos atrela às suas correntes imorais, e antiéticas, tão fortes quanto algemas reais. Nada mais a de fazer. Apenas assistir ao enterro nosso de cada dia, nos enganando com fatos corriqueiros de alegrias e felicidades teóricas, das quais nem mesmo o mais sábio pode nos dar forças internas.

O fim, para mim, está próximo. Está aqui, realizando-se em meu coração. Não sei se existe o inferno, nem mesmo o céu. Apenas sei que dores tais quais essa que sinto e sentirei daqui para frente farão o mais endiabrado dos homens a refletir acerca do que fez, ou mesmo o mais cristão, acerca do inferno, que, para ele, é a pior penitência aos homens...

E figuras metafóricas se fazem. Se revelam em forma de imagens distorcidas, como quadros abstratos feitos por amadores de rodoviária. A consequência disso tudo – desse estado mental pelo qual passo – é mais desejo de sair, e me unir à chuva que cai incessantemente, com suas rajadas de vento, a qual respinga nas paredes frágeis de minha casa, e de minha alma...

Eu, filho de uma grande mãe, de um pai que viveu do trabalho, percebo o quanto não estou fazendo jus aos meus genitores, pois estariam, tão loucos a manobrar suas vidas, correr no meio da chuva, enlamearem-se e mostrar que era apenas uma chuva... Mais nada...

E Era...

Ao abrir a porta, percebo que há águas transpassando as vias da pista que fica no fim da escada que dá acesso à parte inferior do andar. Todavia, me aproximo do fim dos degraus, e consigo ver o que não houve, ou melhor, apreciar o que a natureza havia deixado para os olhos dos mais atentos...

As ruas estavam como que lavadas, e o frio não era aquele do Alasca, e a chuva? Que chuva? O intrometido e belo deus solar já estava clareando as únicas e poucas nuvens que estavam lá para recebê-lo. E o seu show estava prestes a iniciar, com pequenas claridades – maravilhosas – as quais torneavam o alto das árvores e dos prédios com sua simplicidade laranjada, transformando o grande pico do mundo em algodão doce queimado... Sem palavras!

E o caminho para o trabalho foi-me iluminado constantemente pela beleza da vida que se esconde dentro e se revela fora de nós graças à grande esfera amarela do dia.

Talvez o mundo não seja tão mal assim, talvez a esperança não seja apenas uma ancora a se apoiar nas horas mais herméticas, mas sim uma realidade oculta na qual temos que nos apegar, viver, sentir, trabalhar, conviver, e dela sobreviver, pois somos humanos, e não temos apenas que colher resquícios de nossa ignorância não. Somos também parte de uma divindade que se revela em forma de chuvas intempestivas, mas, muito mais, em forma de um sol que nos diz todos os dias “trabalhe o que há de bom em você; ame mais o próximo, pratique o bem, e se esqueça da chuva do tempo, porque a verdadeira chuva é aquela que cai de nossos olhos, em homenagem aos grandes homens e mulheres que fazem de nossas vidas um sol”.






Mãe, a senhora vai ficar boa.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

A História de um Jovem Leão: a libertação.

E a cada dia, sua vida, que antes se via entre meninos correndo a ladeira de sua rua, a chegar correndo em casa, e tomar seu banho antes que seu pai percebesse, e nele batesse, hoje, é tão vasta e ao mesmo tempo tão frutífera quanto uma árvore cheia de mangas no cerrado.

Mangas que o representam, pois ele é fiel aos seus princípios (os poucos que construiu), formando um duro caroço, incorruptível, que somente os deuses para quebrá-lo e formar uma nova semente; e doce em espírito, em bondade, em paz.



Nosso Aprendizado

E assim, como esferas em zigue-zague, tentamos nos fixar em retas, em caminhos que nos levam à verdade, à justiça, ao amor, e a outros valores dos quais tiramos nossa humanidade do dia a dia; outros, claro, sem medo de dizer, traçam caminhos apenas com o sentido material da coisa, o que não deixa de ser humano também.

Contudo, quando este jovem se levanta, e põe os pés no chão, as árvores balançam ainda mais lotadas de frutos, o sol brilha mais que ele próprio, e crianças esquecidas no fim do mundo sorriem, pois sabem que a esperança acordou, e o mundo voltou a girar.

É a esperança que tenho em ver e ouvir, tão perto de mim, um grande ser, um grande homem nascer e provar, não apenas para si, mas ao ser humano, que somos e podemos ser o que quisermos no melhor sentido da palavra. Podemos mais: surgir como esferas brilhantes em meio a um mundo escuro e poluído, sem amor, sem vida, que mostra o âmago bestial do homem.

É a esperança de ver, além-formas, um sol entre nós, percorrendo nossos caminhos, nossas casas, nossas vidas, ainda que se pareça conosco, todavia não é: ele vai amar mais que o homem, vai sentir a justiça e fazê-la, vai ser forte tanto quanto um vulcão ressurgindo depois de milhares de anos extinto, vai deixar correr suas larvas em meio a um mundo adverso e frio, no qual não temos para onde ir, e ele, esse jovem, filho de algum deus grego, nos fará renascer ante nossas falhas e acertos, entre nossas violações e perdões, e nos ditará, como em mandamentos e leis antigos, nosso maior caminho...



O universo é pouco para o seu grande caminho ladrilhado de estrelas.



É isso que espero não apenas desse jovem, mas de todos os jovens do mundo.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

A História de um Jovem Leão (II)



E na flor de uma adolescência tardia, o grande jovem, hoje, tão desesperado por entender a vida, vai ao encontro de seus sonhos nas mínimas coisas, e delas retira ainda mais a simplicidade, que tanto regeu e rege sua vida – segundo ele, graças à mãe.

Para, mim, no entanto, nada melhor do que dizer que o que ele é hoje pode ser um perigo a ele e ao mesmo tempo uma vitória antes de entrar na batalha, pois suas características de um grande jovem, hoje, vão além do necessário à sociedade, elas se encaixam no perfil das qualidades em falta na grande juventude que se arrasta ao mal do mundo... A desobediência, a falta de caminho, a falta de atitude frente ao mal, e a falta de heróis nos quais poderiam se basear e viver.

O jovem obedece aos mais velhos, tem um caminho, enfrenta o mal semelhante a um príncipe ao se deparar com um dragão, e tem um herói guardado no âmago de sua alma. Poucos possuem esse brilho oculto advindos de uma educação que, segundo constato, poderia ter sido completamente diferente...

E se um dia for diferente, que seja tão melhor quanto ao que transparece hoje: um menino que, embora sofrera tantas injustiças, conseguiu ser forte, virar homem, e sobreviver à falta de amor do pai, o qual foi suprido pela grandiosa mãe. 

O professor de arranhar violão


... E como um vulcão a explodir em ideais, que é, o jovem, depois de experimentar leituras acerca de religiões, políticas, e filosofia,  e encontrar amigos, tios e cunhados que lhe dão apoio em seu caminho rumo ao conhecimento de si próprio, tem uma grande desavença com o seu professor de violão.

Na grande desavença, que poderia separar a grande amizade ou engolir um grande sabão de um professor que não conhecera a trajetória do rapaz, ele, o jovem preferiu a separação, pois sabia que, ali, tinha a sua chance de se mostrar forte ante a todos, ante a ele mesmo, e, quem sabe, demonstrar um pouco de sabedoria aos seus aliados.

O assunto em debate era religião (olha só o assunto!), e os dois estavam juntos, em um pequeno encontro de família, até que todos estavam de saída, mas os dois não. Sérios, friamente a observar um e outro, discutiam baixinho, como se nada houvesse. Assim, após a saída de todos, levantaram-se e iniciou-se a discussão, na qual apenas um falava mais alto, o professor (bêbado), cheio de experiências de vida, de relacionamentos, de sociabilidade... Ao contrário do nosso personagem, que ainda esperava tudo isso e mais algo para erguer-se ante a todos...

E conseguiu! Sua voz alterou-se, seus modos foram claros, diretos, e não deixara se intimidar. Os tons, segundo ouvintes, foram certeiros, assim como flechas indígenas na selva, ou como lanças espartanas no inimigo!

Ele estava nascendo novamente! Adquirindo forças! Ele realmente estava preparado para ser homem houvesse o que houvesse! Ele havia matado mais um dragão.


Voltamos no próximo texto.

A História de um Jovem Leão (I)

As batalhas são assim. Alguém sai ganhando, outro perdendo. Sobreviver em batalhas humanas nas quais o emocional se faz, e, às vezes o próprio físico... é ser um soldado, um guerreiro, um homem-leão.



O Conflito de um Jovem

Conheço um garoto que sofreu muito em sua trajetória de vida. E ainda passa por coisas inerentes a ele (a nós). Contudo, o faz de maneira esplendida. Com humildade, simplicidade, cheio de fé, e lê livros clássicos a meu pedido, pois não acredito, hoje, em sermões de padres, bispos, pastores, mães e pais com intuito de alavancar vidas alheias, baseados em premissas arcaicas, das quais não se pode tirar absolutamente nada! Nessa parte, acredito, ao tomar essas decisões, somos responsáveis por nós mesmos.

Às vezes, precisamos de mestres, não de professores sem rumo, pois estes são tão volúveis quanto sacos ao vento. Esse garoto ainda não tem mestre, mas vai encontrá-lo e se dedicará a ele como se fosse a ultima gota de água em sua caneca, no seu mundo.

Esse grande jovem, sem munição racional, mas com uma gana além do comum, sentiu-se na obrigação de sair de sua casa, há mais de um ano, em um ato evolutivo advindo de sua própria vontade e por que não dizer de sua parca personalidade, a qual estava nascendo ali, naquele ato.

Muitos dizem que o mal é necessário, e assim eu vejo também. A exemplo disso, fora seu pai, que o havia mandado sair de casa várias vezes, acreditando ser ele, o filho, culpado pelos problemas da casa, o que, na realidade, seria o contrário: o pai era um durão, ditador e irresponsável, e sempre encontrou no filho um ser não bem-vindo ao mundo, à família... Simplesmente porque não nascera com suas características pessoais, ou seja, sem amor ao próximo.

Mas o jovem, depois de tantas injustiças, e depois que alcançou a idade de testar as experiências vitais, numa briga (mais uma) com seu pai, ao primeiro pedido do genitor, aceitou sair de casa, assim como um ato de bravura e liberdade, e ao mesmo tempo amor e carinho à mãe, que tanto o ama. Tal ato, para ele, significou tanto como o primeiro ato de liberdade da Revolução Francesa!

Ainda sofrendo por sua grande decisão, foi para a casa de um parente, da sua vó, que ainda o vê como um rebelde, não por ter saído de casa, mas por não seguir a religião que ela acredita ser a melhor de todas. A vida é cheia de degraus!

Ali, naquele imenso lugar no qual famílias residem, ele não teve medo de recomeçar. A base de amizades simples, e de gestos humanos, o jovem vive a conquistar seu espaço, estudando, trabalhando, vivendo em sintonia como toda pessoa de bem. No fundo, todavia, ainda, para nós, ainda restava um pouco da grande inocência do menino que levava tapas e surras gratuitas do pai, o qual se mostra, depois de tempos, arrependido com a saída do filho... (É a vida!...).

Contudo o grande jovem tem se mostrado, apesar das poucas ferramentas, forte nas decisões ao que se refere ao pai e à mãe, que o querem de volta. Ele quer chegar a algum lugar, a algum ponto. Ele, pelo que tenho percebido, quer uma vida, ainda que de consecuções difíceis, na qual possa realizar, apenas ele e seu caráter, simplesmente belo, todos os seus sonhos.

Entretanto, há sempre um boi no caminho de que quer realizar sonhos. Alguém disfarçado de amigo, de irmão, de pai, de mãe, de... melhor amigo... (este último, o pior).

Na casa em que mora provisoriamente, o jovem tem-se mostrado amigo de todos, e nas horas vagas aprendia, a convite de um esposo de sua tia (que lá reside também), tocava, claudicantemente, músicas de todos os níveis, em todos os finais de semana, de maneira que ninguém suportava (não ele), mas, sim, o professor dele, que arranhava mais que tocava... E o jovem aprendeu a arranhar também rs rs!

Isso poderia terminar em desastre para um garoto que busca desenfreadamente um ideal de vida tão forte quanto ele próprio, tão forte quanto às premissas que seu pai usava para lhe acusar de tudo. Assim, começou a ler mais, a se expressar mais, a viver em meio a grandes homens, a se comunicar consigo mesmo e a ouvir mais a sua voz – e gostou.

O Dia da Voz

Sua voz tornou-se audível, tão alta quanto seu grande coração; mas sua alma ainda pairava na ponte do desespero ao sentir que teria que, um dia, digladiar com alguém, fosse da família, ou não. Confrontar; estar na frente de alguém sem medo de dizer “me respeite!”, “eu posso!”, “eu quero”, seria, para ele, outra liberdade, ou o nascer de novo...

E percebeu que poderia nascer de novo, tão forte quanto era.


Voltamos no próximo texto.



A Parte que nos Falta

"É ótimo ter dúvidas, mas é muito melhor respondê-las"  A sensação é de que todos te deixaram. Não há mais ninguém ao seu lado....