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terça-feira, 18 de outubro de 2011

O Erro de ser Mau e do Mal


Ao cair da tarde, meu coração se isola dentro do meu peito, e triste pelos pensamentos que correm em minha mente corrupta aos valores que se formam, chora. Não transborda; não se mostra, ou mesmo se inclina frente ao que se vê, mas ao que está oculto aos olhos.

Venho a pensar no mal que separa os homens, e que há muito se veem como únicos nessa galáxia onde há tantas e quantas espécies! Penso nas fileiras de assassinos que se criam a cada dia, nas formas do terror, por uma indignação política, à qual todos chamam de religiosidade...

Reflito; e entro em colapso só de pensar que somos o que somos: seres que discriminam, assassinam e destroem vidas a troco de nada. Onde estão os heróis? Não falo de heróis da Marvel Comics, mas daqueles que se infiltraram nas guerras ideológicas para salvar o mundo, ou antes disso, as pessoas?! Onde estão os seres que vieram e sustentaram suas bandeiras e até hoje, quando o céu brilha, os vemos como uma simbologia constante, flamejando, entre lágrimas daqueles que ainda deles se recordam?...

Não sabemos... Mas o erro de ser mau nos faz ser compatriotas do próprio mal. Não adianta nascer e crescer com ideais se somos corrompidos a todo instante por políticas miseráveis que nos fazem sucumbir em fome, em dor, em tudo, simplesmente porque não temos um carro, uma casa, uma roupa... E não adianta ser do bem, se não somos do bem. Temos que ter coerência, ou como diria Buda “Não podemos ser palavras ao vento, pois pior do que isso são flores de plástico, que não têm perfume algum. Isso não podemos ser.” – e estamos sendo... Não adianta ter “parlatória”, se descemos do palco e esquecemos tudo que dissemos.

A falta de coerência nos faz ir atrás de salvadores nas religiões, na política, nas ruas – no pedir, nas passeatas, nas greves, nas reclamações... – enfim, atrás da própria incoerência, e, por isso, temos que refletir acerca disso também, pois as palavras “coerência” e “salvação” devem ser repetidas vezes questionadas como “salvação de quê ou de quem”, “coerência de quê ou de quem”, porque estamos perdendo o fio da meada! Se não soubermos, então... Podemos voltar ao nosso sofá e lá morrer na calada noite.

O erro de ser mau, voltando, nos faz amar a maldade como caminho, como uma vivência sem freio, sem causas ou consequências. Faz-nos amar a dor como forma natural da vida, sem o mínimo de ensinamento, sem o mínimo de pudor... Faz-nos mergulhar no fosso, tentando encontrar um caminho para o céu. Faz-nos sábios às avessas, batendo no peito, tento como referência uma pedra, ou mesmo uma besta, ou um grupo de bestas.

Essa é a questão da ideologia em excesso. Buscar, por meio de interesses próprios, a felicidade. Não há felicidade sem que haja direção, conceito, humildade, ou mesmo um pouco de divindade em si. E isso o mal não tem. A exemplo disso, temos diversas organizações que acreditam ser portadoras, pontes, escolhidas para a felicidade “geral da humanidade”, e não são.

A máfia, por exemplo, seja ela em qualquer âmbito, produz em seu favor a ética baseada em seus preceitos, mas não de acordo com os reais preceitos, pois como diria o sábio “o que é ético aqui é ético em qualquer lugar”. A máfia possui o seu código de ética para produzir, em segredo, homicidas, terroristas, falsos padres, falsos políticos, falsos profissionais, porém, se revelam disciplinados tanto quanto qualquer ordem.

Assim, prevalece, sempre, uma megaorganização clássica que se infiltra em congressos, câmaras, igrejas, famílias, com a finalidade de manter seu patrimônio ao custo de muito sangue.

E o mal prossegue.

Prossegue porque não há como estacioná-lo, ele não é uma viatura; mas funciona como um trem no qual pessoas de bem são levadas, corrompidas e deixadas em seus lares. Não há maquinista, mas funciona à base do pior desejo humano: de ter sempre tudo a qualquer custo.

Todavia, sem o mal não saberíamos relutar em favor do bem. Podemos dizer que o bom é como uma grande linha imaginária na qual todos por ela passam, como um raio, e voltam ao mal, que fica a ela paralelo.  Quando sentimos o bem em nossos corações, já é tarde, partimos para o mal como em um rio...

Vamos buscar, aos poucos, o significado do mal em nossas vidas, com a finalidade de usa-lo como peça essencial na busca pelo bem; vamos racionaliza-lo, não senti-lo, tentando entender cada parte de seu corpo, de sua alma. Vamos pegá-lo no colo, mas não olha-lo nos olhos, como um filhote de leão, cujos olhos e garras ainda em pequeno nos dá medo, porque pode nos devorar em segundos!

Vamos aprender com o mal, mas não fazer parte de suas organizações, de sua ética enganadora, de sua ordem sem ponte, de seu amor mentiroso... Vamos transgredir ao próprio mal, mesmo sabendo que nunca nos deixará em paz, e por isso mesmo cortar, aos poucos, suas garras, e com o tempo, ter de volta nossa vida.

Na dúvida, olhemos para o eterno.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Tempestades




Escrevo em meio a uma tempestade, a uma intensa tempestade, e percebo o quanto somos passiveis de nos enganarmos a todo instante, frente à vida. Ela nos mostra com seus braços, pernas e pensamentos (como se fosse uma líder de torcida), o quanto somos precipitados, e às vezes loucos e desesperados em horas que podem definir nossa lenta evolução. E não vemos.

Quando a tempestade chega, percebo, não falo apenas da real tempestade, mas principalmente daquela metafórica, que nos decresce ou, como nunca, nos eleva, e tudo ao nosso redor desaparece. Ao chegar sem bater as portas da alma, é como se a verdadeira tempestade que arrasta casas, carros, bois, homens, fosse apenas um mero pingo no rosto...

E depois que ela se vai, vêm os choros, risos, bravuras, ou piadas acerca do que se foi... E assim, da maneira mais humana, nos desvencilhamos dela. A dor, as lágrimas, até mesmo a poeira não são tão lembrados; são formas psicológicas criadas em torno daquele momento mais tórrido, que nos faz trepidar em conflitos familiares, profissionais, amistosos, enfim, uma tempestade que está prestes a ter seu fim, mas que nós não o alvejamos graças a uma consciência que ainda não aprendeu que todas as formas psicológicas são relativas, por isso, se vão, mais cedo ou mais tarde.

Decerto olhemos para as vidraças da vida. Sejam vidraças reais ou simbólicas, todas elas possuem pingos, chuviscos, chuvas e, mais tarde, tempestades que se revelam fortes, mas que passam. Poucas vidraças se quebram, e a maioria delas se revela forte, pois sabemos que o intuito da tempestade é nos dar provas, e fortes, intensas, diferentes das que passamos em outras circunstâncias.

As tempestades vêm para mudar nosso mundo, nosso aspecto interno frente à vida. Assim como a real arrasta, porém renova, a nossa tempestade vem para desfazer o mal que fica rondando nossas mentes, que digladiam pelo passado, presente e futuro, em busca de alguma solução pelo meio mais virulento, a dor.

As tempestades, assim como os ciclones, maremotos, tsunamis são formas de uma outra Natureza que nos faz transcender ainda que sob grilhões, quebrando, levando, às vezes destruindo tudo que criamos desde o inicio. E do inicio começamos dentro de um corpo pesado que fora sujeito a carregar uma mente sobrecarrega de relâmpagos.

Não adianta, porém, fugir das tempestades (psicológicas). Na maioria das vezes, quem tenta delas fugir é atingido por um raio...

Ulisses

Quando Ulisses, o grande estrategista grego, conseguiu transformar Troia em cinzas com seus soldados, acreditou que seu trabalho como tal estivesse terminado. Ledo engano. Sua terra, Itaca, na qual deixara sua esposa e filhos, teria que esperar um pouco mais.



Poseidon, o deus mitológico das Águas, sentiu que o guerreiro possuía um vaidosismo extremo, no qual não conseguia ver outra coisa senão a si mesmo. O deus o fez perder-se em águas, em ilhas, e, após anos e anos, na tentativa de encontrar seu mundo (Ítaca), Ulisses enfrentou monstros, serpentes, maremotos, tempestades e outros infortúnios os quais foram o suficiente para fazê-lo entender que a vitória sozinha não significa nada, e que, se não tirarmos dela algum aprendizado, voltamos sempre à estaca zero. Os gregos sabiam tudo de ser humano!

De volta ao Real


Assim, em meio a tempestades, maremotos, sofremos, e na dor nos arriscamos para salvar vidas, ou mesmo as nossas vidas, como marinheiros em um grande navio em que somos comandante e marujo ao mesmo tempo e jogamos a água para fora – baldeando-a com um pequeno latão (quiçá com as mãos!), e cheios de esperanças de que ela – a grande tempestade – se vá – deixamos de lado o que mais necessita em uma escala, em uma ventania, em uma chuva, a consciência do aprendizado. Esta fica adormecida em meio às preocupações com botes, com a água, que sobe, sobe...!

As tempestades passam, como um grande monstro que nos vêm pisando a alma, o corpo e nos deixando um tanto quanto longe do espírito – do qual jamais, em hipótese alguma,  devemos nos esquecer em provas como essas.

Todas (as tempestades) se infiltram nas paixões, nos conflitos, nas guerras, na educação de um filho, na comunicação e na união de uma família, se infiltram nas diferenças entre irmãos, amigos, na inveja, na cobiça e, quando o grande vento a precede soprando em nossas veias, estufamos o peito e nos tornamos aço, o qual se arrebenta como linha frágil, e nos leva como papel ao vento.

As tempestades nos fazem falar coisas indizíveis, fazer gestos deselegantes, e nos cega para os inocentes, dando-lhes o que não merecem. E assim, depois de percebidos os estragos, começamos a organizar cadeiras, mesas... Como se realmente tivessem sido tais objetos vitimas de tudo. Nós é que fomos.

Se não aprendemos com as tempestades, pelo menos nos resta entender que “alegria passa, mas a tristeza também”.









terça-feira, 11 de outubro de 2011

O Poder da Amizade

 Quando, um dia, entrei para as asas da filosofia, um professor nos disse: “Um bolo você pode repartir para muitas pessoas se quiser, mas a música, esta não se reparte, ela é universal. A integração dela com todos é imediata, por isso é mais espiritual que o bolo...”

Hoje, após anos de pensamentos voltados a essa área, percebo, agora, a importância dessa grande frase, dita pelo grande professor. Pois nela, consigo refletir acerca do que é verdadeiro para o ser humano, do que é realmente espiritual.

Com os valores em baixa, sinto a falta de um exemplo que possa se encaixar nessa frase, de um algo especifico e necessário, além da música, além do sol, do qual tiramos tantas lições... e por incrível que pareça a mim – ou a nós humanos – podemos colocar a amizade como um desses valores pelos quais vivemos e lutamos acima de algum valor nato, concreto, criado pelo próprio homem.

A Amizade, essa com “a” maiúsculo, nos foge às vezes das mãos, ainda que dela precisamos como se fosse o pão de cada dia, o remédio, ou mesmo o próprio sol da gente. A amizade, filha da grande necessidade de ser social, irmã da paz e da solidariedade, gêmea da esperança, pode ser a salvação ante a deterioração de um mundo vazio e cheio de uma solidão que nos traz desamor, frio e depressão... É a música do mundo.

Hoje, infelizmente só hoje, percebo o quanto o mundo precisa de amizades puras, em pessoas que necessitam da nobreza, da ética e de uma moral, assim como precisamos de água no deserto.

A música da Amizade me veio quando percebi, no fim de semana, que tenho amigos, reais, sem rancores, sem medo, e com grande coragem, fidelidade, confiança, etc, etc... Todos eles advindos da humildade, um substantivo que precisa ser decifrado em lugares nos quais o coração humano ainda desconhece. Estou falando de maus caráteres que residem dentro de roupas elegantes, sorrisos falsos, faces frias, as quais enganam e transformam o mundo em uma grande melancia podre.

Meus amigos, hoje posso falar, residem dentro do meu coração, assim com o meu próprio coração reside em meu corpo. Tais amigos, cuja amizade se torna mítica, me honram com suas presenças, pois deram, mais uma vez, um grande sinal de que a terra é uma geradora de grandes seres.

Sábado.

Eu já os havia procurado para me ajudar na grande mudança que seria feita num prazo de uma semana. E eu os procurei em apenas três. Notórios amigos, deram-me suas palavras em conseguir caixas, caminhão, ajudantes, e, assim, o foi. No grande dia, acordei por volta de sete da manhã, apreensivo, com o coração na mão, esperando os grandes gladiadores do presente chegarem.


Telefonei para todos. Num total de três. E pude perceber o quanto eu estava sendo ingênuo em relação aos meus sentimentos de desconfiança, pois todos – digo todos – já estavam de pé naquele sábado, como que esperando o general para dar as ordens. E a cada telefonema, eu me emocionava lá no fundo de meu coração.

Mudança


Nesse dia, tudo transcorreu de maneira leve e rápida, alegre e cheio de paz. Não houve nada com que me preocupar, apenas pela molecagem natural dos grandes soldados que vão à guerra, como se vai brincar de bolinhas de gude...

O aprendizado que me deixaram jamais sairá de minha alma, pois todos eles se foram – cada um para a sua casa – como se nada tivessem feito, ou melhor, como se tivessem feito um trabalho para o sagrado, para Deus, e é assim que devemos nos comportar sempre, como se fôssemos apenas meros instrumentos naturais da vida (na vida), agindo com amor e graça, nas horas mais difíceis, e nas mais fáceis.

Eu, nesse dia, senti-me um dos seres mais privilegiados do mundo, porque sei que ainda precisamos rever nossos conceitos acerca de muitos valores, mas também acerca de outros nos quais cabemos, mas não damos valor... A amizade, descobri, é um dos valores dos quais se pode tirar tantas coisas, tantas! Pois ela, além de tudo, nos faz dormir bem, acordar bem, pois sabemos que, ao abri nossos olhos, estaremos prontos para aprender mais sobre ela...


Ao grande Guarná, Alex, Piauí, e ao meu grande sobrinho Junior,

quinta-feira, 28 de julho de 2011

... E a Alma do Mundo...


Nas emoções refletidas nas lágrimas de amor e ódio, nas dores da vida, nas sensações de alegria, nas palavras de uma bela poesia feita de coração; no amor ao próximo, ao distante, do pequeno ao grande humano... Assim caracterizamos a alma do homem, que vive em função do que sente, ama, vive e morre! Assim, de maneira macro, caracteriza-se um país em época de festas, de canções em shows, que une a todos – tribos, línguas, músicas!

Contudo, a parte que nos cabe salientar é a mesma parte que nos preocupa. A alma do mundo. Tão doente pelos maus tratos, pela ignorância humana, pela falta de humanidade... A alma mundo trafega cansada em meio a florestas devastadas pelo interesse, pela indiferença à natureza. Trafega entre os homens de bem que são teóricos, são racionais e não deixam seus mundos, graças ao medo de perder seus valores alcançados durante a vida; a alma do mundo pede em suas vias estreitas o que se pede dentro do coração do homem de bem...

A alma do mundo está sem pernas, e se arrasta nos becos pobres das vidas, a demonstrar o preconceito profundo aos pobres, e se veste da pobreza dos homens ricos, mas que se alojam em suas mansões indiferentes ao mundo que morre, ao mundo que se encontra abaixo deles, ao mundo que se desfaz graças a eles.

A alma do mundo não vive, sobrevive na ganância dos governos corruptos, que transformam belos países em pobres mendigos, e por isso se emudece, chora e pede aos poucos do nosso tempo que tenham piedade dela. Pois no passado, viva como uma criança em parques, como jovens, como adultos honrados, a alma do mundo não procurava vida, ela já o tinha no coração dos homens, e, como ponte ao valor humano, transbordava como ouro fino nas vozes dos grandes homens, que não eram grandes por terem posse, e sim pelo, muito mais, respeito, pelo valor dado, e a ética ao ser humano, fosse de qualquer raça, cor, sexo, religião...

Aqui, a alma do mundo sorria e até mesmo o sol se fazia mais forte, e a chuva mais fértil nas plantações, e estas mais soberbas às tribos que colhiam, que brindavam, que cantavam e, na noite que vinha com a festa, a fogueira saltitava nos olhos das crianças cheias de vida e heróis nas veias...

Hoje, nossos heróis foram reduzidos a interpretes e a compositores que cantam suas debilidades internas, e criam “discípulos” com suas vestes, com seus modos extravagantes, e os fazem chorar quando se vão, ainda que sejam doentes, mórbidos, feios, malucos até, mas que, dentro de suas vozes maravilhosas, demonstram a realidade de um mundo que precisa mais do que nunca de um caráter para se erguer.

E a alma do mundo vaga nas escolas cheias de crianças e adolescentes que não sabem o que é respeito disciplina, ordem, organização – a mínima que seja, e clamam a troca de governos, a troca de professores, mas não pedem a troca de educação. A atual, preocupada em transferir o aluno à série posterior, desfaz todos os princípios humanos quando quebra o seu significado -- edutiere > transferir o que é bom para o externo.




Mas quem ou o que voltaria ao passado, tra-nos-ia a beleza das escolas gregas, romanas, egípcias em preocupar-se com o real valor das palavras, da semântica original delas, ou mesmo da preservação da educação tradicional, da qual somente os discípulos ou alunos mesmo poderiam realmente ganhar com tudo isso?

Ninguém o faria. As almas humanas transformam a beleza em ganho financeiro, levando o que poderia ser realmente belo em algo que, por mais lindo que seja, em interesse de poucos. Não se pode apreciar, a exemplo disso, uma ponte perfeita, tão bela, forte e firme, em algo belo, pois nossos pensamentos nos fazem imaginar o quanto responsáveis pela estrutura levam para casa ou mesmo para os bancos particulares milhões de dólares!

MAS pensar que a alma do mundo está doente e não se levantará é um tanto frio de nossa parte, e até comungável com a política e com a religião atual, a qual destrói famílias, assassina juventude, e ainda pula o muro sem ser vista.

A alma do mundo vai se levantar, dar saltos de alegria, ainda que se mostre claudicante no inicio, porém não está morta, não está banida do próprio mundo, pois ela depende dele, desse ser quase oval, no qual mares e oceanos deságuam em belezas naturais, no qual o sol ainda se levanta, sorri e embeleza as matas e jardins humanos.

E dentro desse mundo, há nós, humanos de almas belas, que se levantam na madrugada, tomam seu café, saem correndo atrás do seu ônibus, e começam o dia com um largo sorriso, na esperança de ver outro sorriso, outro e mais outro... como pingos n´água que geram pequenas ondas até a outra margem.

A alma do mundo é a nossa alma.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

A Maior Conquista do Homem

Sabe aquele pássaro que voa na imensidão do espaço apenas para ir ao encontro de sua amada? Somos todos. Ele precisa da outra asa, da parte que lhe apraz num universo cheio de outras asas, contudo que não lhe satisfazem. Ele sabe que a real amada o espera entre milhões de pássaros nas montanhas, nas águas, nos picos... Ele sabe, em seu coração instintivo, que ela está reservada para ele, apenas para ele.

Mas, em meio a essa certeza, outra lhe vem. A de que tem que lutar por ela, ainda que seja uma batalha com outro pássaro. Ainda que deva machucar um ser da própria espécie para sobreviver em meio a um mundo cheio de injustiças, o qual não soa tanto como injusto pelo fato de ser pássaro. Lutar vencer e conquistar.



Os homens, numa época distante, eram filhos da cortesia, e as mulheres, damas a serem conquistadas pelo cotejamento. Não éramos pássaros, mas agíamos dentro de uma justiça que nos fazia cavalheiros e damas. Era a liberdade que tínhamos. Nela, o respeito às leis de conquista predominava nos olhos, nos corpo, na alma daquele que sentia afinidade por alguém que um dia, quem sabe, unir-se-ía a ele ou a ela.

Ao homem cabia a parte mais difícil. A conquista. Não poderia ser vulgar, nem mesmo educado em demasia. Sua gentileza deveria ser inclinada àquela lei que diz que “não somos pássaros, nem mesmo outro animal, mas uma espécie que conquista divinamente o seu amor”.

Dentro dessa lei, o homem se aproximava, encantava com seus gestos nobres, ao pegar a mão da dama, levemente a beijava. E se fosse além disso, ela sentir-se-ía ofendida, e a ordem da conquista estaria perdida. Não sendo o caso, um sorriso não muito fora do comum era um breve sinal de que ele poderia prosseguir.

Aqui, percebe-se que ela, a dama, tinha o poder de “manipular”(vamos deixar assim) a situação, mesmo porque ele estaria com intenções segundas, o que não era difícil de perceber, porque seus olhos, gestos, sorrisos estavam caminhando para esse fim. E ela, como uma juíza circunstancial, estava ali para sentir o lisonjeiro comportamento à sua pessoa.

Ela o amaria. Aperceber-se-ía sua graça feminina e seu encanto vaidoso àquele cavalheiro que, de longe, a viu, e ela o percebeu como um pássaro em busca de sua amada. E graças a uma tentativa quase que iniciática, ele fora ao encontro daquela que pode (ria) ser seu amor eterno.

MAS a batalha só estava só começando. Ele sabe que as conquistas são longas, e que seu amor é tão grande quanto, porque a vira e sentira em sua alma que aquela dama era a mulher de sua vida, e teria, daqui para frente, lutar por ela todos os dias, conquistando-a por meio de poesias, palavras de amor, gestos cordiais, o que nunca lhe faltara.

A dama sabia, dentro do seu instinto, que ele a amaria e teria que fazer o possível para que sua presença não se tornasse cansativa quando a visse; sabia que a batalha do homem era muito mais espiritual que material.

Teria ele argumentos internos para lidar com um amor propenso a terminar por algo frio, oculto, insensato?

Naquela época, a época dos grandes homens, dos nobres, da real educação, o homem era educado em escolas cuja cortesia, a gentileza, o respeito aos valores eram principais focos de sobrevivência, porque não poderíamos ser quais pássaros, leões, macacos que gritam, rugem, grasnam em nome do amor...

O homem tinha uma lei, assim como uma lei que rege os animais. O homem, dentro desta, amaria tal quais os princípios humanos, não animais, mesmo porque falamos, pensamos, temos a consciência da grande Lei, e que esta rege a todos. O homem sabia que, para vivenciar seu amor, aquele que partilharia seus afazeres pessoais, e que dar-lhe-ía a sensação liberdade – na lei a que devia obedecer --, teria que olhar para cima, para cima de tua alma, para cima das nuvens dos desejos mais secretos, e saborear o sol, o mesmo sol de sua dama.


Um dia quem saber podemos voltar a ser o que éramos.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

O Morador do Terceiro Andar (fim)

“A Dor Ensina”

Já dizia Sindartha Gautama, o jovem que se transformou em Buda, o iluminado. Gautama transformou-se num sábio depois de entender a relação entre nascer, crescer, morrer, entre a causa e as consequências de tudo em frente ao Todo.

Depois de buscar por meio de questionamentos acerca da vida – nascimento, crescimento, envelhecimento e morte – e não conseguindo junto a seus pares (pai, mãe, mulher...), saíra de sua mansão, de noite, e fora em busca de respostas. Assim, já no inicio, conseguira ver um senhor idoso já com a face enrugada à beira dos seus oitenta anos. Algo que jamais poderia ter visto, pois queriam (sua família) que o jovem estivesse sempre com a ideia de que o mundo era eterno, jovem e belo como ele.

Mas a alma do jovem guerreiro jamais se contentaria com aquela cena e fora embora. Depois de muitos anos, o jovem se tornou símbolo iniciático do Oriente. Tornou-se Buda, o iluminado.

Em seus escritos, ainda míticos para nós, Buda retrata a necessidade do nascimento. Para ele, nascer se tornará uma necessidade ao humano, pois temos muito que aprender com a vida, no sentido de saber quem somos nós, a partir de premissas universais, não religiosas, políticas, sociais, mas principalmente universais, as quais direcionam a humanidade e o resto dos seres.

O crescimento, sendo físico ou psicológico, daria ao homem estrutura para a consecução de seus fins internos, ou seja, espirituais. O crescimento baseia-se nas experiências por que passamos, contudo teríamos que fazê-lo hu-ma-na-men-te, o que para nós soa como se fosse um mistério. Aqui cabem nossos valores a que tanto um dia a humanidade respeitou --, ética, moral, respeito, amor... Os quais sintetizam um crescimento voltado ao sagrado, à verdadeira religião – de religare – religando o homem a Deus (ao Todo), auxiliando seu próximo, a natureza como se fosse uma obrigação semelhante ao andar do dia a dia.

A morte, pelo que me consta nos escritos budistas, também seria uma necessidade, não apenas ao humano, mas a todos os seres. A questão é apenas fática em nosso meio porque somos questionadores, sentimentais, educadores e isso nos faz ter medo daquilo que não vemos, ouvimos ou praticamos. A morte não se pratica, não se vive, mas se vê em forma de corpos decompostos sem a “alma falante”. O que traduz nossa maior indignação. Se não podemos saber para onde vai a alma, como saberemos para onde vamos?

Buda fala de reencarnação, assim como muitos antes dele. A reencarnação vem ao encontro da evolução humana na roda cármica. A cada “volta” em um corpo diferente, o homem teria que ser mais humano, até voltar a ser divino.

E quando se fala em ser humano, fala-se em ser humano pela ética universal, amor universal, moral universal, ainda que seja pela dor, paixão, vivência, dependência ao sagrado, ao Todo, não de forma branda, mas dedicada com a finalidade de ser o que sempre somos, lá no fundo de nossas almas, o morador do terceiro andar.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Homens e Caminhos II

A um idealista, no entanto, a morte não é nada senão um breve espaço de tempo entre a vida e a vida, o que se intui desde o dia em que seus olhos brilham por justiça, amor e principalmente Liberdade. A morte real a um idealista seria a prisão interna, o descaso de autoridades sem apelo popular, a religiosidade mentirosa, a política mentirosa, corrupta sem ao menos um representante coerente. A morte a um idealista nada mais é que vegetar em teorias que não levam nem trazem benefícios à humanidade.

Quando morre um homem como Steve Beecou, não se vão suas ideias. Assim como a de muitos outros – Che Guevara, Luther King, Mandela (ainda vivo), Gandhi, e muitos --, suas práticas são exaltadas e elevadas pelos que ficam; assim, quando morre um ser que procura viver em função do próximo, literalmente, não como nós ouvintes e falantes do dia-a-dia, em função de coisas nobres ensinadas desde que o mundo é mundo, no entanto, apenas aqueles corajosos, ou melhor, inexoráveis seres maravilhosos, se prontificam, antes do sol e da chuva, dos terremotos e dos dilúvios em sacrificar-se pelo gosto de um dia ver uma criança nascer com todos os seus direitos, e livre – seja ela de qualquer cor ou raça, nacionalidade...


O homem tem seus vários caminhos, assim o diz a bíblia indiana Bagavagîta, “Todos são diferentes, caminhos diferentes, mas se encontram no final dele”. Ou seja, não é preciso que vivamos em função de um ideal arduamente, em passeatas, em gritos pelos nossos direitos, mas sempre buscando, de acordo com nossa capacidade e natureza, o melhor para o próximo, ou mesmo não sermos incoerentes, nos educando tendo como norte o bem maior.

E o nosso norte deve ser um desses heróis que sempre lutaram e foram fieis a seus princípios. Estamos sem homens desse naipe em nossas prateleiras, mas, se observarmos bem, os clássicos nos trazem Adriano, Julio César, Alexandre, o grande; Ramsés, o filho da luz, até mesmo os grandes músicos do passado que tiveram suas vidas regadas a dificuldades, mas que, mesmo assim, respeitaram a todos, e, mais, conseguiram compor belíssimas músicas, como Mozart, Bach...

Se não há norte, não andamos. Se andamos, caímos e dificilmente levantamos. Um exemplo disso são adolescentes que caem no mundo, quando não possuem pais ou qualquer figura masculina que lhes serve de apoio para seus primeiros passos – ou últimos.


Mas havendo um, nos sentimos como cometas em direção a um sol que nos dará mais brilho a cada passo. E longe dele o brilho se perde. Assim, precisamos sempre de caminhos, de mestres, de professores, de irmãos, de pais, de amigos nos servindo de heróis ainda que com pequenos atos, como um grande abraço hora certa.


Aos grandes, aos pequenos, a todos.

Homens e Caminhos


Ontem, parece-me que todos os problemas pessoais me vieram à tona. E eu, tão perdido quando uma barata, correndo dos grandes pés da falta de solução, num grande ato heroico, ligo a TV e, no momento mais certo possível, um grande filme está por começar. “Um Grito de Liberdade”, um clássico da década de oitenta, que conta a história do povo africano na época do apartaid – segregação racial que se deu na mesma década, na qual negros e brancos não falavam a mesma língua.

Nessa época, tão difícil para a África do Sul, nasceram vários lideres pelos direitos humanos, entre eles Nelson Mandela, vivo até hoje e presidente do país, eleito democraticamente, após uma grande reforma no regime da África.

Contudo, não se esquecem as mentes mais saudosas da África de que um grande homem, com sua sensatez, inteligência, honradez, humanidade, que lutou severamente até a morte pelo sue povo, chamado Steve Beecou, levou vários africanos a serem eles mesmos, independente do regime.

O filme não exalta a figura de Steve, mas o mostra de maneira fiel, como sempre foi: fiel aos princípios de humanidade e igualdade, ainda que sob a violência brutal dos brancos que detinham o poder. Poucos se falavam, e, se falavam, eram escondidos a fazer planos para uma vida melhor, em suas casas.

Às vezes, do nada, vinham policiais de toda a espécie transformar a vida daqueles homens e mulheres sem direitos no país em um inferno, atirando, estuprando, queimando alojamentos simplórios, e todos os tipos de animalidades. A desculpa deles, dos animais, era de que estavam em território do governo e que aquela minoria tinha que sair, pois estavam transformando aquele lugar em local perigoso à saúde pública.

Não contavam, contudo, com a voz do grande homem, que se “rebelava” contra atos semelhantes. Sua indignação, no entanto, não era fazer passeatas, brigar contra brancos nas ruas pelos negros, mas dizer a verdade e vivê-la apesar de tudo, e para isso Steve tinha as palavras. Que palavras!

Sem medo de “confrontar”, como ele mesmo dizia, as autoridades, sempre fazia alusão aos negros como um povo que gostaria de ser eles mesmos, não brancos, pálidos, ou com modos brancos; queriam ser negros com suas vidas respeitadas, com seus modos, crenças, opiniões, política, ainda que não educados para tanto, porque a educação em voga era branca, ou seja, com professores que possuíam ideias, modos, opiniões dos heróis, dos pastores, dos salvadores, dos educadores brancos.




Como todos sabem, a educação não têm cor, muito menos a religião. Partidarizá-las por uma maioria que detém o poder é racismo. E de racismo viviam os Bantus, tribo da qual saiu a maioria negra africana, e que dela saiu Steve Beecou.

Um ser que ‘violava’ as leis racistas, tentando, sob a luz da razão não negra, nem branca, mas a universal, entrar nas mentes públicas – juízes, promotores, chefes de polícia, advogados – e fazer-lhes entender que ser branco não era ruim, mas que seus atos já não eram humanos, e sim de seres bestiais que tentavam dominar um país com leis desiguais a ponto de assassinar crianças e mulheres indefesas, e outras bestialidades não contadas no filme. Fazer-lhes entender que ser negro era e é ser humano, com sua cultura, com suas vestes, com família e emprego, os quais eram tirados e violados literalmente longe da opinião internacional.

Claro que um ser como esse não era apenas um homem, era um idealista, destes que não tinham medo de viver no chão proibido, desses cujo céu só existe para os privilegiados, mas que fazia questão de olhar para cima, pois o céu não tem dono. Desses homens que tinham a estrutura simples, até mesmo o andado, mas tão forte quanto larvas a destruir um mundo débil quando suas palavras fortes e reais ao ouvidos brancos vinham às claras... Para os negros, conforto; para os brancos, traição às leis e à África do Sul.

Não era apenas um homem tentando mostrar uma realidade pisada pela maioria branca, mas um ser que se sentia na obrigatoriedade de falar o que via e o que sentia – e isso o levou a ser o mais procurado e odiado depois de Mandela na África do apartaid.

Por fim, morre assassinado. No fundo de uma cela estreita, seu corpo, espancado ao extremo, nu, cheio de dor, e sua cabeça, com o crânio à amostra, teriam sido vistos por um médico que fora convidado para saber se Steve não estaria fingindo. O doutor, triste com o que vira, pediu que o corpo de Steve fosse levado com urgência ao hospital mais próximo, mas a policia não o quis e o levou ao hospital mais distante, dentro de uma ambulância precária, sem acompanhante, com a cabeça batendo fortemente no casco da viatura... levando nosso querido amigo ao óbito, antes de chegar ao suposto destino.

(Volto no próximo....)

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Submundo, final (?)


Quando observo meu filho, sinto que detenho em mim uma prova maior do que a da própria terra em rodar em translação e rotação, para todo o sempre. Meus movimentos são andar em linha reta, com ânimo, com paz, respeito a mim mesmo e ao próximo; amar a mim mesmo, me dá valor, entender que ainda sou um pingo dágua em busca do oceano perdido – o qual ainda irei encontrar.

Sei o quanto sou incoerente com meus princípios, pois estes estão acima de nós como formas arquetipais, pedindo e implorando-nos para se ter um lugar em nossas almas nobres (ou pobres), nas quais existem elementos que sempre nos atrapalham em olhar para cima, e cair em devaneios pelo velho mundo...

Ainda sei o quanto somos incoerentes em nossas teorias humanas a respeito dos valores que nos fazem (ou pelo menos tentam fazer) humanos. A busca por eles deve ser desenfreada, sem respiração, caso contrário, estaremos dando margem ao ódio, a desesperança, a dor em excesso, a injustiça e ao mal propriamente dito.

A questão é que somos... Incoerentes. Temos que levantar a âncora dessa mentira que se instala em nossos corpos desde pequeno, que nos faz desalinhados, fora da rota de colisão com o Amor e a Verdade.

O Titanic bateu em um iceberg e afogou mais de setecentas pessoas, mas nosso navio-homicida nos faz sair da rota e bate em icebergs muito maiores, o da desumanidade conosco mesmos, assassinando milhões por ano – é só observar no rosto dos mortos-vivos, todos os dias, interagindo em internets, assistindo a reality shows, dormindo assistindo a sábios apresentadores de domingo, etc...

Somos tão incoerentes, que cuspimos no chão, jogamos papel ao ar livre, maltratamos os amigos, criamos filhos sem querer, mal educamos a nós mesmos, depois... mais filhos!

Enfim, a realidade do fosso mora em nós. Nada melhor que encará-lo. Dizer: “vou tentar, todos os dias, sair dele”, mas tentar... tentar... faz mal. Temos que conseguir nas vias mais simples até a mais estreita, da hora em que descobrimos que estamos sendo enganados, até a hora da morte – a qual divaga entre paraísos, infernos e reencarnações. O que nos dá uma boa margem para conseguir, porque, se formos para o inferno, é possível que não seja tão pior quanto o que vimos e passamos aqui. Pelo contrário, seremos o bam-bam-bam de lá e, quem sabe, tornaremos o inferno um lugar aprazível! Kkkk!

Quanto ao céu, bem... Não era o que eu procurava, porque fica chato demais dormir a acordar sem ter o que buscar – porque, dizem, o céu é o limite! O céu, pra mim, seria o inferno, kkkkkk! Quanto à reencarnação, temos que dizer uma coisa, estamos ferrados! Poxa, tentar de novo, de novo, de novo... Seria chato, mas só pelo fato de acordar, ver o sol, sentir o cheiro da terra molhada, da chuva caindo nas tarde de sábado...Puxa, que maravilha!

Mas não é só isso, não. E não é mesmo. Os dragões, as cobras, os leões, as onças... esperando você criar uma mentalidade formal a respeito de algo para que te restrinjam a fala, o grito, a alma... Mais do que isso: quando você nasce, quando você pensa, começa a falar... Já está em uma jaula completa de animais ferozes, tentando te ensinar o contrário da vida...

Não quero criar desesperança, mas ela reside em nós. E, a partir de nós, é que transitaremos em paraísos terrenos ou celestes – depende da cultura. Mas adoramos criar infernos, daqueles que significam o pior meio de se viver. Não gostamos das pessoas, não gostamos do mundo, de trabalhar; só amamos quem nos faz um favorzinho...; não vivemos de acordo com nossas leis, vivemos como animais, a cada dia que passa, e estes, a cada dia mais humanos – será que teremos uma real revolução dos bichos?! Kkkkkkk!

É possível que nossas revoluções pessoais caiam no fosso e não voltem mais. É possível que as teses cientificas de que o mundo não tem volta pode ser verdade; mas não acredito nisso, porque não somos donos do universo e não podemos criar leis apenas porque somos infiéis a ele.

Acredito em ideais humanos de evolução pessoal; que neste ideal, podemos transcender e encontrar a paz real em nós. Tal ideal, todavia, não se consegue de um dia para outro nem mesmo de uma vida para outra. Há dificuldades de caráter a serem sanadas, e mais, há dificuldades até mesmo de ser ‘ser humano’...!

Acreditar, no meu caso, pelo menos, não tem muito efeito. Pois me perdi em ideias e em opiniões fora do senso claro; perdi as práticas de observar a flor, o sol, o cântico das aves, e ouvir as pessoas; hoje, nada mais sou que um filho do desespero em busca do pai sossego. Por isso, talvez, eu tenha baixado a guarda e direcionado minhas experiências a coisas sem sentido, e, quando o ser humano faz isso, o fosso se abre aos poucos em forma de pensamentos de práticas, de conversas sem sentido, e quando menos se pensa... O submundo está te dando parabéns.

Hoje, querem nos dar um sol mentiroso, um ar artificial; querem nos dar até mesmo amigos de mentira. Hoje, querem nos levar a crer que somos parte de um bem, mas realidade é um mal interminável, e eu queria dizer que, enquanto houver sábios, homens de realmente bem, de seres iluminados, avatares do passado, os quais um dia vieram apenas para dizer que o Amor é tudo, terei o prazer de dizer que tenho a honra de ser um ser que anda, que fala, que pensa, que ama, que vive, que corre, sorri, que faz o bem, sempre em nome de uma esperança que rascunha nossa alma, apesar do crescimento diário de submundos e de seus discípulos.



À Carla.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Contraponto Humano II


O COMPORTAMENTO juvenil transgride sim. Há uma lei, assim como em todas as esferas da vida – trânsito, campo, casa, família, trabalho...— em que a ascensão e queda, infelizmente, dependem do ser humano. Alguns defendem que seja normal. Concordo, mas que façamos o possível para que não caia tanto, se não vamos presenciar atos – se já não estamos presenciando atos – inomináveis.

Por isso....

Nada mais belo que sentir a simplicidade de um namoro no qual as partes se conheçam de forma simples, com as regras naturais de uma tradição que buscou o belo, o justo e o verdadeiro comportamento humano. Nada melhor que tentar o respeito mútuo, a partir de um ideal que brilha incessante nos olhos e nas estrelas que nos guiam.

Não podemos nos deixar levar por uma moda que nos leva a nos igualar a animais no cio, ou pelo menos nossos filhos. Vamos tentar nos igualar a comportamentos parnasianos, aqueles que um dia deveras nos influenciaram no passado, cheios de riquezas nos olhos da dama, do cavalheiro, cujo heroísmo era levar à guerra o lenço da amada.

O homem, enamorado daquele amor grandioso, não pedia nada, apenas que aquela mulher fosse o par de asas que um dia buscara para a compleição de suas batalhas internas, pois ele precisava, urgentemente, tê-la em seu coração... Por isso, o lenço.

Não havia o sentimento jovem pela mulher, pelo menos o instintivo, mas do homem que crescera e amadurecera seus sentimentos em relação ao sexo oposto. Em algumas tribos indígenas, porém, simbolicamente, o casamento de crianças – assim como na Índia atual --, era aceito dentro daqueles preceitos, e visto como normal.


No entanto, não podemos colocar na balança preceitos simbólicos e levá-los como desculpas para a nossa ignorância comportamental. Eles, os índios, nesse sentido, não são o que pensamos, muito pelo contrário, são seres que traduzem uma cultura de maneira que só eles podem compreender, diferente de nós, que tentamos transformar em cultura o bestialismo humano...

Então, que sigamos a clareza da vida, e nos empenhamos em promovê-la, no sentido mais humano possível, pois é o que precisamos. Nela, há a disciplina, a Ordem, o Amor, não o amor que restringe, mas o que nos eleva a alma, que traspassa essa realidade bestial, onde não valores, não há o que seguir, mas obstruir.

O homem não era somente o ser físico, sem pensamento, bruto, mas o sacerdote que cultuava a mulher e a protegia. A mulher não era apenas a dona de casa, a que cuidava da cria, mas que o fazia em nome de uma divindade, aquela que dizia que somos parte dela, e temo-la em nós. E os dois não transgrediam a Regra, a deusa, mas se dedicavam a ordem que vinha dos céus.







terça-feira, 1 de junho de 2010

Contraponto Humano




Tenho visto em minhas andanças que a humanidade não é a mesma. Que os jovens não são mais os mesmos... Não é uma declaração de quem tem uma idade avançada, mas a experiência de ver nos olhos dos jovens atuais que estamos caminhando para o calabouço dos sentimentos medíocres. Nas ruas, não se vê outra coisa, senão seres tatuados como se fossem seres de outro planeta, ou não – como diria Caetano --, não desse em que vivemos. Observo crianças e seus atos violentos em relação aos pais, jovens barulhentos que não sabem o que ouvem, dizem, amam... Principalmente amam.

O amor virou uma degradação fria e zoológica, em meio a uma educação antididática, à mostra, burra e anticortez. Não há limites em fazer o que quer, tal qual animais livres sem um sistema, sem um dono, sem ninguém... Apenas o sol e a chuva como testemunhas, ainda que poucos para a modificação desse animalismo-humano em frente a tudo e a todos.

O amor virou meio de sobrevivência a um tempo em que necessitamos de armas para tanto. Com políticos assassinos, juizes sem caráter, procuradores que torturam, delegados mafiosos, policiais militares amigos de traficantes, padres pedófilos... Tudo se torna um grande meio do qual jovens de todos os níveis procuram e não encontram referenciais para seus caminhos, assim, se escondem em sentimentos desvirtuados pelo próprio meio... O próprio amor é um deles... Logo o amor.

Namoros, Paqueras, coisa e tal.

Tenho medo em imaginar como se enamoram os pares de jovens atualmente. Com raríssimas exceções, há em seus olhos a faca de dois gumes, sendo um deles voltado completamente ao sexo. O outro, também. Não se pensa, se age; não há a conquista humana, mas a fraqueza instintiva pelo sexo oposto. Ontem – leia-se há muito tempo – tínhamos a esperança da cordialidade e do comportamento cortês. Ontem, havia humanos em busca de alguém para amar e dar a proteção, conforto de uma presença, cheia de u´a educação comportamental... Um sentimento enraigado de inocência, o que era notório de um relacionamento que dava certo, desde o inicio até o fim.

O namoro era o reflexo, a identidade do que viria a ser a relação pós-sim – ou seja, do casamento – do real convívio. Não é mais. Hoje, comparados apenas a pequenos potros cheios de instintos, loucos para “ficar” e “ficar” – o que significa matar a vontade de estar sozinho – eles fogem da grande responsabilidade, outro desvio de educação na moda, e desrespeitam as regras naturais da vida, que é o respeito mútuo, e se desnudam em uma liberdade fará do comum.

Eles não se cansam de se ofender, de se traírem, de se baterem, e ainda falam em filhos. Dormem juntos com idade pouca, fazem sexo quase todos os dias, tomam suas drogas, ficam loucos, e no outro dia iniciam o mesmo, só que com outro parceiro. Há comportamentos idênticos em animais no sul da África.

Após a gravidez “desejada” – como diria... deixa pra lá! – a criança balança no útero com as músicas pirotécnicas, sob a guarda de uma barriga de uma mãe que fuma, bebe, come de tudo. A criança, filha do desespero e da tristeza, vem ao mundo, cresce nele, e morre, mesmo antes mesmo de ver a luz.

Nada mais hediondo. Cheios do modernismo escachado, usam pirces, cabelos “na moda”, roupas idem, não gostam de trabalhar. Reclamam na escola, reclamam em casa, reclamam, no trabalho... Seu meio de vida nada mais é que falar em sexo em grupinhos, que lembram matilhas de cães vorazes, lambendo, batendo, ou hienas, a espera do que resta do leões.

Os jovens, talvez, sejam a realidade de uma educação voltada ao nada. E na queda dos valores humanos, nada melhor do que assistir a eles, presos à moda que não leva, mas que desgasta a todos – pais, mães, tios, e a todos, cuja educação fora o resquício do que valera à pena.


Volto no próximo texto.

terça-feira, 30 de março de 2010

A força da MÚSICA


O que nos leva a ir a shows de rock, com suas músicas ácidas, com ritmos fortes, cujos componentes sempre tentam nos trazer a imagem mais clara do que do são com suas vestimentas, às vezes, com suas letras revoltantes? Ou na maioria das vezes salgadas demais? Carl Gustav Jung, psicólogo-filósofo, sempre dizia que ir a shows como esses e colocar o dedo em uma tomada é a mesma coisa.

Seria isso de que precisamos? Choques? Em algum nível talvez, mas, na realidade, quando se trata de música, acredito que precisamos recompor nossas definições acerca dos benefícios que ela nos traz. Platão, filósofo grego, em sua República, expõe o fato de que a música, advinda de uma esfera não personalistica, poderia (e pode) atuar na educação.

A música levada ao extremo de uma personalidade maculada de interesses e revoltas se infiltra em outras personalidades imaturas, seja na infância, seja na fase adulta, o que resulta em um decréscimo psicológico. Mas não há como se importar em decréscimos educacionais, pois não se acredita que a música seja tão importante no aspecto educacional atualmente – assim, ouve-se de tudo: de funks com dancinhas libidinosas a forrós, ao contrário do que traziam suas raízes, com letras dúbias.

A raiz do problema é fecunda, ou seja, é difícil encontrar. A própria humanidade tem suas sequelas de um passado que a fez acreditar que abrir-se a tudo é bom. Ainda, que é antiquado tentar ouvir os clássicos; a própria mídia se encarrega de dizer isso indiretamente, porém crianças, influenciadas pela má formação de uma arte mal conduzida, cantam músicas sem ritmo, distorcem as cantigas infantis, amam cantores que relatam namoricos, paixões... Transformando-a em uma pessoa menos compreensiva e psicologicamente perturbada futuramente...

Hoje, são pouquíssimos os pais que levam filhos a concertos clássicos, nos quais ouve-se o som o violino, do violoncelo, da flauta, de um piano, às vezes, de um violão solitário, enfim, pais que querem transformar o mundo com pequenos atos. Há pais, no entanto, que amam tanto seus filhos que esquecem que amor é retidão, não democracia – e levar isso como um fator educacional é difícil. Um exemplo disso é quando filhos iniciam uma carreira solo, admirando heróis da música-rock, cujo líder é um ser descabelado, cheio das tatuagens, com desenhos que nem ele mesmo saberia dizer o que significa, desenhadas eternamente nos braços, pernas, costas... Além do vozerio alto, seguido de uma letra insignificante, sanguinária, com apelos sexuais fortíssimos. Alem do caráter do próprio cantor, que, sem uma vida responsável, leva tudo na espontaneidade sem mesmo um critério de organização. O reflexo se vê na vida do pequeno fã.

Mas o que faz irmos a shows de rock também pode ser a vontade de pular, sorrir, brincar, esquecer o dia a dia. Nesse caso seria melhor então pular em uma lama contaminada de malaria, dengues, e mais tarde nos depararmos com febres, dores físicas, fortes dores de cabeça... Tudo isso com o sorriso no rosto. O ruim disso tudo é que a morte pode nos cheirar o pescoço mais cedo do que tarde... Claro que a música não mata, mas traz seqüelas enormes, e a morte, nesse caso, seria uma das melhores escolhas.




Esquecer o dia a dia se infiltrando nos males da vida não seja talvez (!) a melhor saída. Há tantas saídas, como o conversar com um grande amigo, curtindo uma bossa nova, ou mesmo indo a shows de música clássica, ainda que não se goste, mas no silêncio do auditório pode-se pensar melhor, refletir sobre a vida, sobre a família, sobre a situação. Além de sentir um pouco sua alma mais leve para enfrentar o mundo.

A música pode mudar as pessoas. Há milhões de pessoas que dariam a alma para ver novamente seu ídolo, sua música preferida, e lembrar, mais uma vez, daquele momento impar por que passou na adolescência. O que nos move talvez seja essa relação com a música, essa sonoplastia eterna que buscamos para nossas vidas dentro e fora de nossas casas, carros, e lembrar, lembrar... relembrando...

Até aí, tudo bem. Porém, precisamos nos recompor e nos preparar sempre para o dia a dia, com a sonoplastia natural que a vida mesmo nos dotou, a música natural, aquela que ouvimos quando acordamos – a dos pássaros, ou mesmo a das cachoeiras imensas no fim do rio – quando dormimos, na canção de Bach, ou na flauta de Mozart, os quais sabiam traduzir a beleza em espírito, plasmado em ritmo e paz.

Os shows de rock são violências não qualificadas como tal, pois não revelam visivelmente seus males, apenas futuramente. No entanto, é preciso maturidade para perceber isso... Porém, quando percebido, é preciso que um ato semelhante a de um navio dando cavalo de pau em pleno mar, voltando ao seu local de origem com a finalidade de repensar para onde vai. O cavalo de pau, concretizado, revela força de vontade do navio e no nosso caso uma reflexão profunda acerca de nossos valores musicais ou não.






A Parte que nos Falta

"É ótimo ter dúvidas, mas é muito melhor respondê-las"  A sensação é de que todos te deixaram. Não há mais ninguém ao seu lado....