Mostrando postagens com marcador Filos.. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Filos.. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Donos do Destino

Viver, uma arte.


Os caminhos nunca são iguais. .




"Temos caminhos diferentes, porém nos encontramos em seu final"
Bagavah Gita 




Sempre de algum modo sentimos inveja. Ao presenciar uma pessoa com todas as honrarias que um dia pretendíamos ou pretendemos ter, ficamos reflexivos, e quem sabe ser aquela pessoa...

Um dia um grande mestre de filosofia me disse “se você pretende passar pelos mesmos caminhos que um dia eu passei, eu te sigo”. Com certeza são caminhos íngremes, estreitos, ou como diriam no passado, afunilados. Desses que somente pessoas que se aventuram a encontrar cascatas encontram...

Eu não tinha ideia do que ele passou, mas, um dia, percebi, sob o olhar de outro mestre o que o primeiro havia me falado. Não era para eu me igualar a ele. Pelo contrário. Não era. Mesmo porque temos caminhos diferentes, quer dizer, não apenas eu e ele, mas todos nós.

Se eu tenho uma vida regada de estreitezas, de dificuldades, é porque a própria vida me deu tal natureza para sobressair, viver, elevar-me, ainda que com dificuldades. Se eu tenho, hoje, tudo o que pensei em ter um dia, não foi gratuito; mas há muitos que pensam que foi assim, de um dia para o outro...
E nesses pensamentos, unidos à admiração e inveja, não nos questionamos a respeito de nossos caminhos, o porquê deles, da realização mística em poder traçá-lo, como se fôssemos donos de nossos destinos – e de algum modo o somos! Por que não?

O grande Nelson Mandela, ao sair da prisão após vinte e sete anos de torturas, trabalhos duros e muita discriminação, poderia, após, vingar-se em meio a um poder no que ele foi escolhido. No entanto, disse “Eu sou dono de minha alma, dono de meu destino”, preferindo perdoar a todos os que um dia, à época de sua prisão, foram por ela responsáveis. E mais, tentou integrar a todos por meio de um jogo, o qual, na África do Sul, é tão popular quanto futebol.

Mas isso é para poucos. A maioria das vezes, observamos a ascensão do outro, estacionados no tempo. Com isso, surge a admiração, surge até uma vontade movida pelo objeto, o qual, a partir de agora, é um referencial do primeiro.  Daí, surgem celebridades que passam a morar no subconsciente do jovem, e sobrevivem na alma dele até que um dia vem a maturidade.

Não podemos esquecer. Admirar é bom. A inveja corrompe nossa personalidade e a faz querer ser e ter o que, na realidade, não é nosso, e sim daquele que um dia lutou para tanto. Admirar é pensar em relação ao próximo como algo que mora em outra dimensão, mas ao mesmo tempo nos dá chaves para abrir nossas portas internas – assim como a mestre, um religioso, um pai... De repente um amigo.

Não podemos pensar que algumas pessoas desfrutam de privilégios e nós não. Devemos pensar que, se alguém consegue triunfar na vida, é maravilhoso, é nobre, é humano! Porém, se tal pessoa não fez o bastante para consegui-lo, esqueça, ela não os merece. E assim o mesmo para nós que galgamos pequenas coisas da maneira mais honesta e virtuosa possível, devemos ter orgulho do que temos.

Aquele mestre, que um dia chegou lá, não foi por acaso. Não foi o mesmo mestre que leu vários livros, e sentou-se em uma cadeira apenas para responder todas as perguntas advindas dos viciados em respostas inteligentes. Aquele mestre nasceu para sê-lo, pois seus olhos irradiam humanidade, amor ao próximo, caridade. Levantou-se de seu leito pondo os pés no chão a dizer que o bem da humanidade era o seu ideal. Harmoniza-se, sorri ao sol, abraça a todos literal e simbolicamente. Irradia força aos presentes, toca nossos corações, e depois vai ler um livro que, naturalmente, vai fazê-lo mais forte ainda.


Essa pessoa é, porém, é humana, e podemos ser, em nossas possibilidades, um mestre, um professor, um ser humano que na simplicidade do dia a dia, sem esperanças de ser ou ter, nos ensina com seus breves passos o que somos.






Ao Mestre L.C.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Senhora de Nossos Dias

Esse sentimento quente que aflora nas horas em que tudo se vai e não tem saída. Fica dentro do peito, martelando, reluzindo como um sol, ou espumando como larva quente de um vulcão que, até aquele momento, não existia. É a vida corrente nas águas que se vão, às vezes ocultas, mas existentes em nossa alma, em nossas possibilidades – é a esperança.
E vem de esperar, de conseguir, de levantar ainda que não existam forças, e de amar, mesmo que o coração choroso não acredite no humano, e se tranque em si mesmo com medo, com dor. Vem se sorrir, antes de qualquer ato bruto, violento ao extremo...
Vem de viver. Esse verbo incansável que reluta em trabalhar, se afincar, adentrar em tudo, em nome de algo que o faz caminhar por causas nobres, as quais para alguns são perdidas, sem nexo...
Não, esse sentimento não admite olhar para o chão e sofrer as mazelas até que o sofrimento passe, pois somos dignos, valentes, guerreiros com flechas no peito, com ideais firmes até a morte! Nada nos desanima, nada nos destrói, pois o que nos revela ser mais que outros é esse sentimento – a esperança.
Vamos seguir em frente, vamos trabalhar, tratar o mundo como se fosse nosso, fazer com que a esperança se torne algo concreto, e deixe de ser esperança para ser o mais fantástico ideal realizado por todos – por nós – sem medo de ser feliz, como diria um grande amigo, quando tudo lhe falta, quando não há saída, ou quanto nada mais lhe resta senão dizer... Sou feliz.
Ser feliz... Talvez o maior ideal a ser buscado após seu arquétipo – a liberdade --, o qual domina nossos corações nas manhãs ao levantar, nas tardes, quando trabalhamos, na alvorada, quando sem querer a vemos, ouvimos, sentimos, choramos...
O mais importante, aqui, é realizar, é se deter não somente na palavra – esperança – mas elevar nossas vidas a patamares divinos, concretizando, por meio de atos singelos, tudo que pensamos para nossos filhos, mulheres, família, amigos, como se nada mais houvesse.
Assim, é o homem de hoje, mas o homem sábio do passado tentava harmonizar-se com a vida, com sua natureza interior para que a exterior viesse a ser vencida, e sabia, no entanto, que não era gratuito, ou a pior escolha a se fazer, mas a esperança, esse presente dos deuses, derramado por Pandora, o fez escolher entre a comodidade relativa e felicidade geral da humanidade...
Nós, como sempre, sempre escolhemos a primeira, mas os homens (filósofos) do passado, com suas ferramentas naturais, às vezes uma obra clássica, assoberbada de racionalismos, às vezes em meio a batalhas, defendendo suas ideias, nos deram a capacidade de pensar em nós mesmos através dos tempos, ou mais que isso... Nos deram a Esperança de um dia melhor.


Obrigado, mestre.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Meu projeto, meu ideal.

Projetos e Ideais, forças que somam ao homem.

Eu sempre fui voltado a projetos. Em minha vida, já realizei vários, entre eles casas. Já levantei uma casa para minha irmã, ajudei meu irmão a levantar a dele, realizei o desejo de minha mãe ao levantar a dela... Enfim, eu sempre tive o prazer de realizar sonhos. Agora, graças às minhas plantações de projetos, realizarei o meu: farei a minha casa!

  Lembro-me de quando fazia filosofia na melhor escola do mundo, Nova acrópole, onde o querido professor e mestre, Luis Carlos, que, até hoje, realiza sonhos, disse um dia “um projeto se realiza, mas só o ideal dá glória”, e atento às suas palavras, pude perceber que a realidade delas é tão profunda e verdadeira quanto o tijolo que se ergue em meio a uma obra, qualquer que seja ela.

Percebi que projetos são forças físicas, emocionais, psicológicas em nome de algo concreto, ao passo humano, às vezes tão necessários quanto à própria necessidade de estar vivo – a depender de quem o realiza, o faz. Descobri que projetos mudam pouco o homem, de modo a alimentar o seu ego, e alimentar mais a sua sede de ver, sentir e chorar.

Tais sentimentos, no entanto, podem vir também pelo ideal, mas de forma sutil e espiritual, como se cristos invadissem almas alheias e deixassem uma porção de ação no fundo de nosso ser. Simplesmente porque não se consegue deixar nunca o ideal, ele se é descoberto, nunca realizado. Como se fosse uma grande linha em meio a uma natureza rica se fazendo debaixo de nossos pés, como o melhor dos ladrilhos...

O projeto nos dá alegria, mas o ideal, a plenitude de uma real felicidade, acima de nossas montanhas interiores. O ideal é o sonho dos projetos. E o meu projeto, minha casa, ainda não coincide com o ideal, mas, em minhas possibilidades, posso, tal qual os grande homens, realizá-lo...

Tijolo por tijolo, célula por célula, cimento por cimento, alma por alma.. elementos que se unem na consecução de um projeto que tem por objetivo não apenas a realização por si mesma, mas a mudança interna do ser humano. Uma mudança referenciada em preceitos humanitários, sociais, e harmônicos.

Em minha casa, cada tijolo terá a minha vida, meu amor ao meu filho, à minha esposa; neles resguarda-se-á a fé de minha mãe, que um dia chorou e sentiu nas veias as dificuldades de um filho que ajudara a todos, e que não tivera a oportunidade de sonhar como seus irmãos.

E hoje, após tempos de guerras, batalhas vencidas, inicia-se a beleza da maior de todas as batalhas, a de ser um pouco melhor todos os dias, do primeiro ao último dia da grande da obra, que me trará a maior de todas as vitórias.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Pequenos e Simples Milagres

Simples gestos, grandes milagres.

A vida em si já é um grande milagre. Ao se deparar com o sol, com suas nuances cristalinas que rodeiam o céu azul, depois, tornando-o alaranjado no fim da tarde, penso que somos filhos de uma ignorância tamanha que nos engole em processos como esse, tão simples e belo.
Pois o sol, a chuva, a natureza como um todo, além de ser um grande mistério ao ser humano, também nos colocar como um deles, talvez até como o maior dos mistérios, e o maior dos milagres...
Digo isso porque percebo em templos a busca por milagres fortes, como a tentativa em fazer uma pessoa andar, falar, enxergar, sair de suas dores internas, além das principais dores do dia a dia, a falta de dinheiro para prosseguir...
Aí, nos aparecem as igrejas, tão sólidas na sua finalidade em fazer pessoas humildes felizes, que esquecem que o real milagre – o que procuramos – esconde-se em nós, e para desvendá-lo nem mesmo o pensamento mais racional, científico, com suas nuances matemáticas, físicas, químicas, poderiam explicá-lo... (ou poderiam, apenas com intuito de desacreditar do espírito...).
Mas teorias, por mais radicais que sejam, profundas no sentido exato, não fazem o espírito deixar de existir, pois não há como provar a inexistência de algo que nos faz amar, sentir o mais profundo sol, a mais bela poesia e não chorar... Até o mais incrédulo cientista não resistiria!
Sabe por quê? Porque somos milagres ambulantes, antes de sermos homens que duvidam, e teorizam acerca de tudo. Temos a semântica – espiritualidade infinita – enraizada em nossas células, em nossos ossos; temos a alma!
Hoje, meu medo maior não é a formação de cientistas, mas a formação de um duelo entre o homem que acredita saber tudo, e aquele que acredita ser Deus. Os dois, cientista e religioso, em paralelo em seus mundos, tentam provar a existência de entidades diferentes, uma racional e a outra sobrenatural.
Tais entidades, existentes em sociedades diferentes, se cruzam apenas com intuito de digladiar inutilmente, provando com seus livros ou com suas teorias, duas verdades, que, na realidade, se encontram no fim de uma reta, formando apenas uma só Verdade... (até mesmo Einstein dizia que duas retas paralelas se unem no final rs).
Mas como diria o filósofo Fernando Schwatz, “o racional tomou conta de gerações e dificultou o entendimento do ser humano”, e ele tinha razão. Pois não somos apenas ossos que se vão para a terra e seus vermes comerem, como pensava Darwim.

Somos milagres que têm a capacidade de entender a si mesmo, se aprofundar nos mistérios, sorrir ante o medo; dar o primeiro passo ainda que não tenhamos pernas! Somos seres que enxergamos, até mesmo sem a visão biológica; somos guerreiros romanos, persas, egípcios, somos reis!
O milagre mais belo, no entanto, não é aquele que nos faz ir atrás do sol, ou mesmo que nos faz ser humanos, mas aquele que veio antes de nós, que se chama ideal. Este, tão retilíneo quanto a melhor das retas, nos propõe a natureza, humana ou não, da continuação da vida, dentro desse grande mistério chamado Deus.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Gestos que Mudam o Mundo

Um sorriso pode trazer a paz real em sua plenitude



As guerras começam com um gesto ou com uma palavra árdua. Depois delas, milhões de indivíduos se vão. Uma fagulha de cinza de cigarro, involuntária, carrega em si a morte de diversas espécies em incêndios, dentro das quais até mesmo a nossa se vai. Assim, é a dor, a violência, o castigo, a tortura, sempre sombreadas com intenções mórbidas, as quais frutificam a mudança de comportamento de uma sociedade, de uma geração e da humanidade... Tudo por causa de um simples gesto.

E, com toda sua expressividade, o ato singelo pode também desestruturar o mal de um mundo magoado pela corrupção, pelos conflitos e guerras inúteis. Nele, se de coração for, vem-nos a esperança de que, um dia, o próprio ser humano se redima ante seus atos, que, há anos, desordenam um mundo que fica à mercê do homem para sobreviver no universo.

Sabemos, mais do que todos, que é preciso que haja, em nossos meios, batalhas cuja natureza íntima é a busca pela paz, ainda que nos pareça contraditório, pois somos de uma natureza de força e reação, coalizão, mas, nas entrelinhas, sabemos que a paz é o nosso maior ideal. E este não se busca em montanhas, em picos gelados, nos quais iniciantes a Buda se prontificam... A paz se busca aqui e agora.

Entretanto, fazer das batalhas o pão de cada dia, sem mesmo saber o porquê, torna-se vã a nossa busca, pois sabemos que até mesmo os animais, seres predadores – e também respeitadores de sua natureza --, têm seu limite em batalhas. Então, saibamos o nosso!

Benefícios da Guerra


Após anos, sabemos o quanto nos arrependemos com os atos dantescos, como a Guerra do Vietnã, dos Bálcãs, dos Sete Dias, até mesmo da Segunda Grande Guerra, a qual nos custou o “nascimento” de uma besta, cujo maior ideal era dominar o mundo à custa de judeus, negros, ciganos, paraplégicos, enfim, em nome de um ideal às avessas, estruturado por pilares de areia, que é o próprio mal. Sabemos, também, que fechar os buracos antigos não nos dá tempo da redenção, mas ficarmos presos a um passado sem respostas a um futuro que precisa de nós.

Tudo isso poderia ter sido repensado, e assim – para o bem de uns, para o mal de outros --, não nasceriam nações comerciais como os Estados Unidos, que, ante a tomada de Perl Harbor, viram-se na “necessidade” de se mostrar como donos das circunstâncias, jogando bombas em nações orientais, como forma de finalizar um processo no qual ele estaria se destacando pelos grandes atos.

Assim, ao demonstrar mais poder de fogo, foi detentor da melhor moeda, do melhor idioma, da cultura... Ou seja, a guerra, para determinados países, foi (e é) um bom negócio, ainda que inocentes se vão sem o mínimo de razão.


 O Mal da Montanha

Todo mal é análogo a uma montanha. E a montanha se fez. E nela as razões porque foi feita se vão. Quem observa uma, se indigna com ela, ou a admira. As guerras são assim: montanhas altíssimas em cima de vários milhões de inocentes, traumatizados, loucos, a mostrar, em seu cimo, a bandeira da paz...

Não sabemos nós, todavia, até agora, que a montanha da guerra se fez com a mínima poeira da natureza humana, e que preferiu optar pela dor e não pelo sorriso (ou pelo abraço, pela brandura da paz) que nos espera sempre no alto de nossas almas.

A alma do homem, que dá vida à montanha, no entanto, não é um produto que se faz em fábricas ou que se vende em feiras ou lojas em liquidação. A alma humana é plástica, é vento, é fogo, é o fluir das ondas e ao passo o canto do sabiá nas manhãs de domingo. Ela se identifica com o belo, com o justo, com o que há de mais verdadeiro no universo.

Não é difícil se apaixonar por uma poesia, ou mesmo por um pôr do sol. E quando a alvorada se faz, muitos correm de suas casas apenas para vê-la – e em muitos países, somente para reverenciá-lo. E do alto de nossas reais montanhas, vimos mares, pássaros em extinção cantando canções que o próprio homem nunca as ouviu. E ao acordar pela manhã, ao ver o filho sonífero em seu quarto,  sorrindo pelo sonho que teve, sem mesmo abrir os pequenos olhos, ele agradece a Deus pelos dias que o fizeram vivo na terra.

Esses são sentimentos sagrados, pois não há nenhum ser no planeta que o sinta ao não ser nós, seres humanos. Sentimentos profundos que podem ser transpassados a todos, sem medo, estruturados pelo Bem, pelo Amor e pela Justiça, regados pela verdade de uma natureza pura, advinda dos deuses e do deus interior de cada homem por meio de gestos que podem nos levar a sermos mais humanos, todos os dias.


Epíteto/Platão/Sócrates...

O grande mestre de Marco Aurélio, Epíteto, que um dia foi um escravo, mas também filósofo estoico, nos deixou máximas incríveis, em um livro homônimo, no qual diz “devemos sempre idealizar a natureza como um todo para com ela nos harmonizar”.

Explica Epíteto, na verdade, que em simples atos corretos, interligados com o desprendimento, em função do sagrado, podemos buscar não somente a paz, mas a resolução de muitos problemas que nos enclausuram, porém não nos retirando o que temos, o que conseguimos na vida. Apenas não nos importando tanto quanto nos importamos com as coisas banais.

Marco Aurélio, seu discípulo, mais tarde, em batalhas, escreve seu único livro “Meditações”, aperfeiçoando o que o mestre lhe impôs, sempre buscando através de atos simples, retos, a harmonia da vida, com Deus.

Na República Platônica, o autor faz alusão à Justiça, ao Bem, à Verdade, mas todos direcionados a nós, como se a única chance de obtemos sucesso da perfeição fosse a busca interna. Ele tinha razão.

Sócrates, e o seu “Conheça a Ti Mesmo, e conhecerás o Universo”, resume, antes de todos, a prontificação humana na busca determinada pelo seu lugar no universo. E Cristo, “Eu sou a Luz, e a Verdade”, deixa-nos claro que somos mais que meros corpos em busca de prazeres sem sentido. Somos grãos em busca da duna perdida, e ao mesmo tempo somos o mar, o céu, as estrelas, o infinito puro e divino, assim como tudo que é sagrado e divino.

Não é sonho, é real. Podemos mudar o mundo com pequenos gestos simples e humanos, dentro do que somos, ainda que não acreditamos. Gestos, como vimos, podem matar milhões, mas podem fazer nascer seres maravilhosos, dedicados, voluntários em causas nobres.

Acreditemos nisso!

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Identidades, Personas e Falsos Mundos...(fim)

Talvez este título tivesse que ser chamado de Amigos de Plástico, segunda parte, fazendo referência a um texto que trata dos anseios de alguns em fazer amizades apenas para lotar agendas de celulares, mas não vou... Este texto é um pouco mais profundo, pois trata não apenas dessas pessoas mais de outras que conseguem infiltrar-se em mundos irreais como forma de fugir de si mesmas, ou do mundo real.

E a saga continua...
Falar dessa nova identidade, desse devaneio humano é falar de um atributo da personalidade que transborda nas horas mais obscuras da vida. Com o medo na face, ou com o desespero nas veias, disfarçados de alegria, seguidos de um profundo sentimento de solidão, percebe-se no ser humano, por meio das palavras, nos modos de vestir-se, e principalmente em comportamentos enlouquecidos de felicidades, a tristeza de ser o que é – sem vida, ideal, amor, carinho, paz... humanidade, -- ele pede, ou implora para emergir e gritar ao vento a exclamar ajuda.
No entanto, não ser quer auxilio. Não se quer ajuda, nem se transformar em um ser que necessita de alguém e tentar ser ele mesmo. “O ser ele mesmo”, infelizmente, colide com um mundo do “Não gosto desse”, e se insere no mais profundo do inconsciente humano, dando margens a dores tardias, reveladas em seres que não conseguem lidar consigo mesmo, nas horas em que o “real” dele necessita. Daí, a fuga.
E a busca do Eu se vai ou fica mais complexa.
A realidade se confunde com o mundo virtual, com o mundo das trincheiras – aquele no qual se escondem os mais covardes embaixo das camas, dentro dos escritórios, dentro das faculdades (estudando todas as matérias), passando o dia trancafiado nas bibliotecas, virtuais ou não, nas bebidas, até mesmo nas comidas! – a deixar as estruturas fisiológicas em pré-coma, pois o físico sente e ás vezes falece tal quais grandes antropólogos na busca louca pelo elo perdido.
E, no fundo, buscamos. Quando a reflexão nos bate, vem a igreja, os centros espíritas, os livros de autoajuda, até mesmo a filosofia barata nos serve. Quando não, até mesmo o suicídio serve de respostas a questionamentos inerentes ao homem, latentes, que nos sufocam, e que não há em mundos virtuais, seja lá qual for.
Precisa-se de práticas diárias para se ter respostas de determinados questionamentos, pois o mundo virtual nunca foi sábio para tanto, pois o que há do outro lado da “linha” nada mais é que outro ser perdido, na tentativa de encontrar o seu centro, da pior maneira possível.
A experiência real não se passa e seu resultado não se colhe em computadores e, ao contrário do que pensam os grandes da informática, o homem não precisa do computador, mas o inverso, porque a máquina precisa ser o que é graças ao homem, mas este não precisa daquele para ser real e humano...
Precisa se conscientizar apenas de que em todos os setores da vida, até mesmo em internets, procuramos respostas, mas apenas em si mesmo elas se escondem. Para descobri-las, no entanto, saliento buscar livros da tradição, e pessoas que levam a sério e buscam com amor o que procuramos ser, nós mesmos. Não precisamos criar novos mundos, novas identidades, e nos perder em uma personalidade cheia de nuances enganosas, nas quais somos  controle remoto para tais nuances.
Hoje, em meio a donos de si mesmo, sem serem, em meio a criaturas que se amam sem qualquer referencial de amor, em meio a identidades que não voltam à realidade, e que preferem a dor suave da ofensa em dígitos, do que a luta natural de cada um, sinto que não temos volta, e que há gerações cuja beleza de ser a si mesmo está-se indo embora, e mais, nascendo uma pirâmide de calados, de mortos.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Identidade, Personas e Falsos Mundos... (i)

O que sou?

Hoje não se fala em outra coisa senão celular, Ipods, Tablets, Televisões de LCD, computadores de bolso, livros de bolso, como se nada mais houvesse além disso, de modo que mergulhamos como crianças nessas invenções como em piscinas em verões ensolarados, ou muito pior. Hoje, milhões de pessoas desfrutam dessas grandezas tecnológicas e perdem, com o tempo, o que realmente importa... a Identidade.

Um dia, um professor me disse que temos vários “eus” – ou identidades internas, em nossa grande personalidade. Para ilustrar, seria como vários círculos dentro de um maior, fazendo seu papel para a grande mãe que se compõe de vícios, ou não.

A grande personalidade acima referida, segundo os gregos, seria a máscara de nossas vidas, a qual, com sua cortina, em forma de corpo, de pele, de ossos, e sentimentos, tapa o que realmente somos: o grande EU, a identidade real, aquele que se esconde dentro dos porões naturais de nossa alma, ou mais ainda. Como se fosse um elo entre o homem e o universo, o Eu, hoje em dia, torna-se apenas uma mera divulgação religiosa entre aqueles que supõe saber o que realmente são.

As especulações sempre vão continuar, pois somos especuladores naturais de algo, principalmente quando não conhecemos... Falamos do céu e do inferno, de fantasmas, de seres de outro mundo, e saímos de nossas esferas para falar de ETs.

Tais seres, no entanto, para muitos, seria uma ilusão criada pela grande persona como forma de se enganar em seu real caminho. O caminho do Eu. Atualmente, vê-se que os fantasmas são outros...

Fantasmas do Dia a Dia

... E hoje, como grandes fantasmas incompreensíveis, filhos da tecnologia tomam campo e nos fazem amá-los, não detestá-los, ou mesmo deles correr. Assim como os grandes mistérios que se vão, elementos criados pelos homens substituem aqueles que precisam ser identificados – como a própria vida, a própria morte, etc – e nos tiram a identidade. Ou mais. Direcionam-nos a uma espécie de caminho virtual sem fim, desconfigurando o que tanto tínhamos buscado e realizado desde que somos homens...

Talvez eu esteja exagerando. Há alguns que demonstram a complacência em saber harmonizar suas idéias, seus mundos. No entanto, sabemos que esses alguns são parte de uma realidade que pode se transformar naquilo que tanto o virtual quer. Isto é, uma outra pessoa.

E consegue... Milhões de celulares, iphones, tablets e seus derivados são pontes de um mundo irreal do qual não saimos, do qual somos apenas seres que neles adentram com um “eu” enraigado de dores do mundo real. Um “eu” cansado das lhanuras de um mundo infiel aos seus princípios, os quais nos desnorteiam e nos descaminham do nosso real objetivo... Ser humano.

Prova disso são pais e mães que não mais dialogam com os filhos como antes; homens e mulheres que, em parques de diversões, preferem ficar antenados ao facebook, ao twiter, ao Orkut, ao sms, deixando seus filhos de lado, como se não existissem.

Infelizmente, a prova maior dessa grande ignorância acerca da nossa identidade é usufruir em conjunto com nossos pares uma realidade que não existe. Dela saímos “felizes” graças aos valores que nos trazem: a liberdade em excesso, o comungar de valores criados do nada, a filosofia do nada, a sociabilidade do nada, a amizade...

Uma amizade feita sem o estreito conhecimento das partes, mesmo porque não nos interessa, pois o que importa é satisfazer uma personalidade vazia de ideologia, que fica a cargo de elogios às vezes pelo que se coloca em rede, pelo que se diz, pelo que se mostra... ou seja, lá vem apologia sexual envernizada de pernas e olhares sensuais, como se fosse o cume de um processo civilizatório... E é.

Porém, um processo civilizatório recheado de homens e mulheres que buscam, incansavelmente, vender e dar seus corpos abertos em propagandas mais incansáveis ainda... Assim, criam-se sociedades virtuais de modo tão natural quanto o nascimento de um peixe nágua. Assim, revelam-se todos o que pensam e fazem dentro de um mundo no qual não somos nós mesmos... É só refletir em cima disso.

Fantasia e realidade: falsos amigos, falsa identidade...

Tive a oportunidade de conversar com uma pessoa que se mostra em rede como se fosse uma estrela de novela ou mesmo uma coelhinha da Playboy em sem seu site pessoal, o Facebook. Essa, dona de casa e mãe de uma filha linda, escolhe fotos sensuais, das mais incríveis, com o intuito de revelar-se como, além de mãe, além de mulher, uma dessas que podem demonstrar, em meio a tudo e a todos, seus dotes de uma mulher de trinta anos.

Se perguntar o que faz em sua vida real, diz-me que sua vida é uma das mais apaziguadoras possíveis, pois ama a família, sua filha, seus afazeres de dona de casa, sua casa, e, com o pouco tempo que tem, faz o que um grupo de amigos em rede mais gosta: posta suas imagens para serem observadas e elogiadas, em um meio que, segundo pude constatar, palavras de baixo calão de indivíduos sem rostos, ou de rostos monstruosos, parecem bichos saboreando a presa ao longe.

Em sua opinião? Nada. Sua opinião é de uma pessoa cuja natureza revela-se tão sem caminho ao real, que não há palavras em sua boca que sejam aproveitadas, pois se acostumara à falsa identidade, aos falsos amigos, ao falso mundo...

Hoje, sem ferramentas para lidar com este mundo, usa apenas duas palavras: “ridículo” e “hipócritas”, como se fossem as únicas palavras do mundo, advindas de uma faculdade chamada televisão, de uma disciplina chamada novela...

Enfim, este talvez seja um dos milhões de exemplos que circulam nas redes sociais. Delas nascem e crescem seres que precisam dela sair, e morrem antes mesmo de serem sepultadas.

A felicidade

A contínua alegria em rede é, como dito, alegria não encontrada fora dela. Mas como podemos encontrar alegria ou mesmo a grande felicidade de nossas vidas, se as telas nos devoram todos os dias ditando o que podemos ser e que alegria podemos ter? é covardia.

Hoje, com meu filho e esposa lindos à minha espera nos portões de minha casa, sinto que nenhuma internet pode me dar o que realmente quero. Quando olho, em minhas caminhadas, o sol que se levanta, ao passo seus raios em minha pele, em meu coração, em minha alma; quando vejo a vitória nos olhos dos jovens que vão à luta, e conseguem “dominar” o mundo... Quando vejo o mundo mudar com ações dignas, acredito que estão nascendo senhores de si mesmo, com reais princípios, não com opiniões nascidas em um mundo virtual, do qual não se encontram vitórias, mas derrotas revestidas de alegria.






quarta-feira, 27 de junho de 2012

Sustentabilidade, o Equilibrio.


Um gotícula, um príncipio.



Ao ouvir uma música, fecho os olhos e penso na natureza de cada instrumento. Nada substitui a harmonia, o equilíbrio de uma orquestra que traduz, em forma de som, quando chega ao extremo de nossas almas, a espiritualidade, lá na consciência mística de cada um de nós.

E quando abro os olhos pela manhã, sinto uma fresta me bater na face ainda cerrada pela penumbra que se encerra aos poucos, até que o quarto todo, ainda hermético, se torne uma caverna iluminada pelos poucos raios que nela adentram. O sol, simpático, disciplinado, obediente às leis naturais, nunca perde a hora, o dia, e nunca deixa de cumprir o seu grande papel justo, vocacionado, e belo, nos dando uma alvorada no fim da tarde. Isso, todos os dias...

Nele, nesse grande disco solar, o equilíbrio e a harmonia com tudo e todos é de tão fácil compreensão que nunca nos questionamos a respeito de um dia ele, o grande disco (se pudesse, claro) um dia cansar-se de levantar-se, e dormir, ao som da grande música vital, a qual não ouvimos, mas que há em cada pétala de rosa iluminada... Temos a certeza de que se houvesse esse cansaço, morreríamos em pouco tempo, ainda que houvesse tempo de construir um “sol particular” à humanidade, pois o real, este que se esvai como um rei, deixando rastros de beleza e ética, jamais pode ser substituído...

O sol, a chuva, as cataratas, as montanhas mais altas e incríveis do mundo, as geleiras, e a própria terra, não dormem, não descansam, não questionam, não se suicidam, mas fazem parte de uma Filarmônica Divina na qual todos possuem seus violinos, violoncelos, pianos, flautas, sem falar nos corais de pássaros, e de suas árvores dançarinas que nunca param de bailar ao som das brisas simples ou aos ventos fortes.
As árvores, em si, trabalham em prol de nossa natureza, e não pedem férias, e quando adormecem aos olhos humanos, estão apenas, aos divinos, sintetizando a vida dentro de si, a fim de que mais tarde frutos belos fiquem ao alcance dos seres em sua volta – inclusive e principalmente o homem...

E a orquestra sustentável continua na terra ao som dos vermes simples que carregam os minicadáveres, limpando a natureza... Tais seres, com seus papeis inteligíveis e ao mesmo tempo racionais, traduzem a importância de uma natureza que necessita se assegurar tanto embaixo das nuvens quanto em cima delas. Isso é inato ao homem.
Tão inato que ao vir pássaros fabricando seus ninhos, se alimentando e ensinando seus filhotes a pular dele, passamos a acreditar em algo maior que a nossa própria natureza, que sempre acreditou ser separada do todo. Depois de mais exemplos os quais nos subjulgam falhos, continuamos a duvidar que somos o centro do universo, e que possuímos dons universais de modificar o passado, o presente e o futuro... Pensamento que nos faz, às vezes, sonhadores, nos sentido mais infantil da palavra, pois, na realidade, nada mais somos que um desses instrumentos naturais, os quais podem ajudar a grande orquestra da vida a tocar a grande música divina sem que cesse para ouvir um mundo que ainda não teve tempo para ouvi-la...

  
Todavia, há tempo...

Em nome dessa orquestra a que tanto bate em nossos ouvidos quando fechamos os olhos, desse sol que se adentra em nossos quartos, quiçá, de modo sorrateiro e belo, nos dando, em segundos, a consciência nata de que podemos abrir os olhos reais e fazer parte desse equilíbrio...

E quando isso acontece, nos revelamos tão limpos quanto à natureza na qual nascemos. Quando acontece, o coração recebe o sinal de que estamos indo ao encontro do céu interno, reflexo do externo, o qual transborda tal qual cálice de vinho de alegria.

Aqui, o homem se revela limpo, harmônico, não apenas em ideias teóricas simpáticas, mas, em seus atos; vem a beleza do trabalho voluntário dentro do qual renasce, a cada dia, a cada minuto, um novo homem, que saberá comungar com seu próprio meio a sustentabilidade universal, e saberá que não é dono do meio, seja da águas, da terra ou do ar. Não matará baleias em nome da estética, não caçara raposas, em nome de rainhas sem nome, não exterminará tubarões pelo simples fato de achar que este é o real assassino das águas, não usufruirá do bens alheios, pois saberá que o único bem é o próprio universo dentro do qual vive-se, morre-se e nasce, sempre em forma de plantas, seres e sóis... De tantas coisas ele entenderá, e vai chorar em demasia, e levantará a bandeira da real sustentabilidade, em uma terra em que ele nunca havia pisado, a terra oculta do seu ser... Pois ele venceu a si mesmo.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Sombras e Pó


 

Ao vir algo se destruindo ou mesmo em falta porque acabou, temos a impressão – uma ligeira impressão – de que podemos repor rapidamente. Sim, dependendo do que estamos nos referimos, sim. Mas até mesmo esse algo, mais tarde, pode vir a se acabar... Ou seja, das mínimas coisas às maiores – isto é, de um cartucho que podemos trocar ou mesmo um sol que nos ilumina – tudo pode se esvair como água que se vai na ladeira ou grãos de areia no vento forte. Nada fica para contar a história.

O homem também é assim, possuindo seu físico forte e às vezes fraco, tem um físico concreto, biológico minuciosamente perfeito, mas que, de acordo com a natureza do concreto, do palpável, deve partir, virar areia nas mãos da natureza. Soprado pelos ventos divinos.

O estranhamento, no entanto, não é o medo de ver seu físico partir, mas a dúvida para onde ir depois que se deita na cama eterna, por isso a identificação com o físico. Sócrates um dia disse, antes de tomar seu veneno, que “o homem, por não saber para onde vai, é que devia ter menos medo”.

Hoje, no entanto, sobrevoa, em nós, as esferas duplas do céu e do inferno – como já fora explanado em textos deste que lhes fala – por isso o medo. Esse antagonismo célere desde o dia em que nascemos até o dia de nossa ida ao desconhecido nos fez menos buscadores, menos guerreiros, e ao mesmo tempo mais compassivos, menos aguerridos, enfim, toda a cultura relacionada a essa duplicidade nos fez mais lentos, menos descobridores e menos filósofos.

“Sombra e Pó”

Sabiam os guerreiros gregos e romanos que o físico tinha uma finalidade, a de realizar justiças na terra, sempre dentro de sua natureza, dentro de sua capacidade, ao contrário do homem de hoje, que, se algumas vezes se arrisca é muito mais para bater um recorde ou por uma medalha, o que vai de encontro a outras culturas das quais se tirava, nas guerras, lições de dação, de heroísmo, e ao mesmo tempo de consciência em relação ao seu corpo.

Diziam antes da batalha “É apenas sombras e pó”, entregando-se ao meio para salvar suas terras, sua família, seu amigo ou mesmo o seu exército. A cultura “sombra e pó” não era apenas uma expressão, e sim um legado. Todos os guerreiros tinham, desde a mais tenra idade, desde o dia em que seus pais o faziam confrontar-se com touros ou leões, a sabedoria interna. Hoje, desde criança, fugimos de testes naturais, até mesmo em uma simples caminhada ao sol. Isso revela um ponto crucial: que estamos mais acomodados em relação ao que somos, ou mesmo enganados.

Isso se deve, talvez, a grande maioria de comerciais, propagandas massivas, revelando o que temos ou não que fazer com nossos corpos. E isso nos dá outro tipo de medo: o de que temos que ser iguais àquele que conseguiu ser melhor do que nós em físico – não em espiritualidade, como antes.

O guerreiro romano, como já se estudou, tinha a estatura de um homem médio – um metro e sessenta mais ou menos – e não era muito forte, contudo, tinha a aparência de um dragão pronto para mostrar suas chamas. Os inimigos sabiam que era assim, mas o medo do inimigo era ver a luta, a disposição daquele homem que crescia dentro da batalha tal quais os gigantes ciclopes de um olho só; mas ali, eram guerreiros com seus mantos vermelhos, cor de marte, deus da guerra, com seus elmos, escudos, espadas, ceifando vidas alheias como um assassino em potencial, mas não eram.

O guerreiro romano (e o persa, o espartano, grego...) era tão espiritual quanto o homem de hoje, que, embora clama um Deus santo, um Jesus dos humildes, corta cabeças de muitos e empobrece a todos, além de desfazer gerações de indivíduos os quais poderiam batalhar sem medo.  O romano que ia à batalha estava ali por um ideal, que era transformar Roma em um celeiro de homens fortes, espirituais, conscientes, divinos, e quase conseguiram...

Hoje, ao viver do físico, temos a ligeira impressão de somos perseguidos por ladrões, por assaltantes, por sombras que desconhecemos além da nossa, enfim, pela incapacidade de lidar concretamente com o conhecimento que um dia nos fez fortes e heróis, nos alojamos em nossas gaiolas (casas) e assistimos aos heróis nos filmes, às vezes, em sonhos, e acreditamos que a vida é maravilhosa porque não precisamos guerrear com antigamente.


...Falha nossa.

quinta-feira, 15 de março de 2012

O Céu e o Inferno de Todos Nós (fim)

Céus e Infenos: batalhas eternas


E pra terminar, teríamos que morrer e voltar, ou ficar não sei onde, e dizer “realmente, encarnei em outro corpo!” ou “Olha só, o céu existe! Deus está comigo aqui do lado!”, ou “o inferno existe, galera, e tá todo mundo aqui comigo, menos minha sogra!”.

Não tem como. Nossas naturezas rondam em torno de suposições acerca do extraordinário (até mesmo do ordinário...), porém, apenas os sacerdotes do passado (leia-se: os iniciados nos mistérios sagrados, do céu e da terra) poderiam nos dizer algo a respeito do que se reverbera aqui e agora, mas não estão aqui. Ou melhor, estão em bibliotecas imensas e respeitáveis, como as de Oxford, na Inglaterra, em Harvard, no Estados Unidos, até mesmo no Vaticano, Itália, em forma de literaturas clássicas sobre ocultismo egípcio, hindu, maia, ou mesmo quando se refere às escolas iniciáticas gregas, etc; contudo apenas os letrados na matéria podem consulta-los.

No entanto, há literaturas das quais podemos reverberar e tirar algo acerca do nosso enunciado, de maneira a sintetizar, repeitando, naturalmente, o que nos deixaram como legado filosófico. Estou me referindo aos grandes autores (ou pós-modernos) os quais seguiam a tradição quando tocavam em assuntos de diversas áreas, principalmente quando aludiam acerca da vida, da morte, da dor, da justiça, verdade...

Entre esses autores, escolhi o mais difícil, porém um dos mais modernos que se seguem a tradição. Helena Petrovina Blavtsky.

Blavatsky, a criadora da Sociedade Teosófica, se aprofundou nesses itens – céu e inferno – de forma que nos parece que estivera lá, ou não!... Deixando rastros de uma verdade incontestável junto aos mais polêmicos órgãos religiosos e místicos de sua época, contestados até hoje pela Igreja (claro...), mas sempre respeitada a ponto de nunca ter suas informações ditas como contraditórias... Vejam por quê...

Blavatsky dizia que a reencarnação era algo tão natural aos homens quanto aos seres em sua volta, não deixando, no entanto, de retratar a antítese céu e inferno, bem sintetizados pelos cristãos, como respectivos estados de bem aventurança (céu) e estado de desobediência a Deus (inferno). Mas...

Segundo a respeitada teósofa, o céu é o svarga que em sânscrito significa "mansão celeste" ou aquele estado puramente subjetivo de perfeita felicidade, no qual se encontram as almas dos justos durante o período existente entre duas encarnações consecutivas; ou seja – dentro das leis cármicas – haveria o bônus temporário ao indivíduo que, após sua morte, haveria de ser contemplado com um “descanso” antes de vir a reencarnar ao mundo.

Já em relação ao inferno, o esoterismo blavatskyano nos diz que a palavra “inferno” vem da cultura egípcia, que, tendo o deus Rá como deus das alturas e do submundo, teria se convertido em deus do fogo, e os maus, aqueles que mereciam o ônus após a morte, eram ameaçados com o fogo de Rá, ou melhor, infernal – de indeferi, mundo inferior.

Assim, temos elementos para decifrar um código, o qual, somos obrigados a dizer, “predomina há séculos” no Ocidente como pedra fundamental da cultura, a qual se norteia, por diversos ramos (facções), encerrando-se como verdade “natural”.

Elementos como “diabo”, “inferno”, “Deus”, “paraíso”, etc podem ter sido trazidos de culturas antigas as quais trabalhavam com simbologias, com a finalidade de direcionar a cultura do seu povo, hoje, a nossa cultura o faz sem a mesma simbologia, dando margem a compreensões individualistas, trazendo à tona o mercantilismo religioso – compra de fiéis, dízimos mal direcionados, compra de terrenos, vendas de livros religiosos; trazendo ainda diversidade de opiniões, de informações acerca de vários elementos reiterados pelo passado arcaico, ou seja, para a consecução de seus fins, a Igreja inventa, além dos antigos, mais pontes para a compreensão do que não se entende racionalmente...

E como já falamos em textos anteriores, tínhamos mais símbolos trazidos de outras culturas, como a grega, da qual foram retirados elementos do deus pagão Pã, o qual significa Tudo, todo o Universo, que, segundo o mito, vinha dos céus e assustava os seres humanos com sua figura meio demoníaca, a qual, naturalmente, fora levada ao pé da letra pelos cristãos...

Essa vinda do deus Pã a terra, está na palavra Pânico (medo de Pã), talvez, mais uma vez, essa retração à figura “demoníaca” da qual todos ainda medo, pânico – agora, muito mais, pela grande propaganda cristã em desfavor de um ser que ela criara em paralelo ao mito.

Resumindo

Podemos então dizer que céus e infernos foram figuras simbólicas obedecidas pela maior parte das civilizações com vistas ao comportamento frente ao sagrado, ou seja, ao todo. Foi mais que isso, foi o desmembramento de mistérios sagrados dentro dos quais muitos iniciados conseguiram, até hoje, resguardar, mas não transcender nas culturas pós-helênicas, o que para eles era uma verdade rebuscada das entranhas das grandes civilizações douradas, para nós virou uma feira de contradições.

Céu e Inferno sempre, em algum nível, terão suas explicações naturais, racionais, emotivas, simbólicas, com um ar de medo ou mesmo respeito, graças ao mistério que as duas resguardam, ainda que tenhamos “iniciados” que se dizem portadores da verdade e que derramam seus enxofres dentro de um mundo que, de acordo com o real (ou fictício) conceito, sempre nos mostrou o inferno e o céu de cada dia...


E quando eu olho para o céu, penso na figura divina de Zeus e Hades na luta deliciosamente inconsequente pelo equilibrio mundo -- pois são forças duais -- os dois, com duas espadas imensas, além-nuvens, sorrindo um para o outro em um eterno duelo de prazeres e harmonias; um, o grande Zeus, burlando o vento para a danças das árvores, do sol, da vida.. E o outro, Hades, com sua ferocidade, esperando o próximo humano a nascer para lhe dar, na primeira oportunidade, o egoísmo, a inveja... E assim, caminhamos juntos, como espinhos em rosas, como pedras em rios, como espadas debaixo do grande manto das paixões.




quarta-feira, 7 de março de 2012

O Céu e o Inferno de todos nós (iii)

Hórus, Isis e Osiris: Tríade egípcia.


Assim como em muitas culturas antigas, no Antigo Egito respeitavam e muito a tríade sagrada – da qual saíam todos os elementos vivos e inertes do universo – Isis, Osiris e Horus; sendo que, antes de se estruturar, um mito explicava (e explica) a complexidade da formação da tríade...

As tríades, normalmente, tratam de reunir três logos. Sendo que um deles é feminino. Na Egípcia, temos Isis; na Bramade, Manas (de Atman, Manas e Budhi); na cultura Ameríndia, tínhamos Whiracoxa -- de Kon, Quila, Whiracoxa...

Na Tríade Cristã, consegue-se perceber que há algo de “estranho”, pelo fato de não haver, entre os Logus, a parte feminina do universo, a qual sintetiza toda essência de uma natureza intuitiva, organizativa, prática, sem os qual o uno não funciona...

Mas o que teria tudo isso a ver com nosso céu e inferno de cada dia?...

Quando se tem elementos históricos dentro dos quais não se possui uma real estrutura mítica, fica mais fácil manipular. Sabemos que o Filho de Deus** nos deu uma tríade a orar, mas não fora de maneira aleatória, mesmo porque nenhuma dela o é, pois carregam em si uma compreensão (seja ela cultural ou não) do universo, de Deus, organizada na maioria das vezes por iniciados. E acredito que, antes que houvesse a tríade capenga, algum dia houve nela o aspecto feminino.

E o inferno se fez para as mulheres na Idade Média...

O Lado Escuro

A parte escura da tríade, para não dizer ‘o lado negro da força’, é parte dela, mas apenas em sua formação – ao contrário de algumas que se formam do nada. Ou seja, na tríade egípcia, por exemplo, temos Seth, o deus que matou Osíris, que, mais tarde, fora vingado pelo filho Horus.

Seth, por assim dizer, era o deus do “mal”, mas um mal que significava tanto mistério quanto qualquer outro deus, assim como o Pã e Hades. Para os Egipcios, não havia o deus do mal, assim como nos acostumamos a dizer no Ocidente, mas sim uma formação em paralelo ao deus Osíris, que, após ser despedaçado pelo irmão e se tornado parte do universo (tanto que a cor de Osíris é negra), sua esposa-imã, Isis, o ressuscita e Osíris vive eternamente entre o submundo, terra e céu – um ser unificado.

Assim como na Tríade Egípcia, descrita de maneira superficial acima, todas elas (tríades) se estruturam graças há uma forma mítica que as fazem sintéticas em três – sempre, e mais uma vez, com uma parte que sempre irá refletir o aspecto feminino – por isso, representações de deusas, em todas as culturas, caracterizando - o .

O lado escuro, como já foi dito, também se reflete na hora de entender a natureza, pois ela terá sempre o lado Espiritual, o qual se torna indefinível até mesmo quando se estuda a filosofia grega, principalmente, Parmênides, Platão, Plotino..., mas ao mesmo tempo sabe-se que fora a “porta” que gerou os outros dois Logus, o feminino e o masculino, dentro dos quais cabem apenas as raças masculinas e femininas na terra, e as dimensões masculinas e femininas no universo.

O mal em receber uma tríade sem o masculino ou sem ou feminino nos faz refletir acerca de um universo que já discrimina (naturalmente) um dos lados. E a consequência disso é a não possibilidade de trazer à tona elementos míticos que ficaram por trás de sua formação, pois, a depender de quem as cria – no nosso caso a Igreja – pode haver gerações que se submetem a valores capengas, ou seja, sempre faltando algo em seu âmago, isso tudo por meros interesses históricos.







terça-feira, 6 de março de 2012

O Céu e o Inferno de todos nós (ii)



Assim como o samurai que se apresenta ao seu mestre amedrontado, e que depois percebe que seu inferno e céu nada mais são que estados de consciência, temos nossos infernos e céus de cada dia. Contudo há relatos nos quais pessoas de crenças diversas, cujas formas em lidar com o desconhecido é casual, fazem questão de dizer que o inferno é literal – cheios de fogos em caldeirões, com pessoas (?) ao redor pedindo perdão pelos pecados, e pequenos diabitos puxando o individuo ao fogo eterno; e o céu, um paraíso imenso que abrigaria apenas os perfeitos (?), os bons, os obedientes, os santos...

Se nos evadirmos, um pouco, da cultura cristã ortodoxa, na qual tantos e tantos se infiltram todos os dias, e nela creem, podemos também tangenciar nossas informações a respeito do que podem ou não ser algumas alegorias ditas como reais pela cultura.

Heleba P. Blavastyscki*, por exemplo, a respeito de várias alegorias escreveu em sua Doutrina Secreta, a qual não sou digno de descrever aqui, nesse humilde blog; contudo, o pouco que se sabe de suas teorias a cerca dos símbolos é que a teósofa adquiriu notório conhecimento com (e em) diversas culturas – além de obras nunca dantes vistas – e nos fez um grande serviço em nome da verdade.

Segundo HPB, capeta, por exemplo, seria junção de vários simbolismos advindos do paganismo, o qual foi discriminado, modificado e desconceituado por culturas cristãs, que iniciaram seu processo de civilização em massa em muitas outras, principalmente na egípcia, romana, grega...  Tal processo foi algo planejado com o intuito de reverter conceitos simbólicos dos quais vivia o paganismo.

Pã e Hades

O deus Pã, como todo estudioso sabe, é representado por chifres, patas e um corpo de touro, exatamente o que vem ao imaginário coletivo quando nos referimos ao “deus do mal”. Todavia, esse deus, o Pã, não tinha sequer esse adjetivo (de ser mal), mas de simbolizar cada aspecto universal contido na natureza e no homem – assim como muitos deuses o são...

Segundo o paganismo, há mais semelhanças ao criador de tudo, no deus Pã, que nos Demônios; pois Pã, de acordo com a etimologia da palavra, significa tudo – daí também vem paganismo (aqueles que viam Deus em tudo). Então, de acordo com a natureza do deus, ele tinha que representar simbolicamente tudo. Ou seja, seus chifres, patas, corpo haviam de ter uma representatividade universal.

O Deus Hades, assim como o Pã, que representava o mistério mais profundo da alma humana, teve que ser igualado, em essência, ao que os cristãos chamam de diabo. Por quê? Além de Hades ser a outra parte de deus, ou seja, o lado negro da vida, era, necessariamente, preciso.

Quando se tem uma religião, tem-se uma ideia, não várias. E a Igreja, á época, precisava exterminar qualquer ideia que viesse de encontro a seus projetos, artifícios, o que levaram milhões a adotarem (às vezes, à força) a ideia da Igreja. E deu certo.

Hoje, reforçado milhões de vezes, e com praticamente um Ocidente inteiro a favor das formas literais de interpretação, temos um conflito celeste, entre deus e o diabo – cada um na busca pelo seu fiel discípulo. Na antiguidade, isso era visto como mitológico.


Zeus

Todos sabem que Zeus fora um Titã que venceu seu pai, e salvou seus irmãos de serem devorados por ele. Sabem que, após essa vitória, Zeus iniciara um processo de divinização, transformando-se, várias vezes, em um ser mortal (como ave, homem, etc) com a finalidade de povoar a terra com seus semideuses.

Claro que não fora isso que a tradição nos legou, mas sim a profundidade de uma potência que significava mais que ela própria, e por isso somos obrigados a ler e reler os mitos para uma compreensão mais filosófica, baseada em preceitos platônicos, ou seja, sem que transformemos um e outro em personalidades com ou sem caráter – o que não acontece nos filmes hollywoodianos...

Mas Zeus, por assim dizer, foi uma referência para que entendêssemos o comportamento do deus cristão. Seja Ele antes ou depois de Cristo. A complexidade da compreensão da Divindade nos faz ver que há comportamentos estruturados e refletivos no homem, e assim trás o mito grego quando trata das “aventuras” de Zeus na terra, sob forma de pássaro, humano...

Tais aventuras lembram a ferocidade divina em épocas do rei Davi, e noutras, o de Moisés, ao atravessar as águas do mar vermelho; sem falar em  épocas nas quais o divino deus quebra muralhas, salva o pupilo, extermina povos em seu nome... etc, etc.

Mas a grande figura de Deus está e sempre foi baseada na grande bondade, na justiça e no amor. E o contrário vai sempre representar, em qualquer hipótese, a do Diadorim, que sempre quer levar o homem para o seu caldeirão, e Deus, para o seu Céu.

Para os mais insistentes na verdade, são fenômenos pelos quais passamos, no dia a dia, que serão regados a simbolismos, assim como o pequeno centavo que ganhamos, vem do céu; e o mesmo centavo, se vier dos caminhos errados, será sempre vinda do inimigo.

Em outras circunstâncias, veremos o duelo em nossa consciência ao decidirmos algo de cunho interesseiro. Muitos desenhos nos mostram (de forma inteligente) um anjinho branco de um lado; e outro, com asas, porém vermelho e com chifres do outro, atazanando nossas escolhas...







A Parte que nos Falta

"É ótimo ter dúvidas, mas é muito melhor respondê-las"  A sensação é de que todos te deixaram. Não há mais ninguém ao seu lado....