Mostrando postagens com marcador Opinião.. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Opinião.. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Passeatas: passeios sem direção.


Passeatas na década de sessenta: elas sabiam muito mais o que queriam.

 


Há muito que se reivindica por meio de passeatas nas ruas, nas praças, até mesmo pela própria guerra, o necessário para a realização de um determinado grupo, para uma sociedade, ou mesmo país – e dentro desses quesitos, muitas coisas foram a essência para a modificação do mundo, como na Revolução Francesa, que nos deu princípios básicos de como ir à luta para a consecução de nossos nobres objetivos. Contudo, mais tarde, vimos que tal revolução nada mais era que uma necessidade de alguns, não da maioria – ou seja, não era uma revolução humana, dentro da qual poder-se-ía mudar comportamentos fossem eles éticos, morais ou não. Talvez, nenhuma o fizesse até hoje...

Assim são as passeatas... Não param jamais. São sempre em nome de paz, com porretes nas mãos; em nome de Deus, eliminando os supostos inimigos com palavras, ou mesmo com guerrilhas, todas – repetindo – em nome de Alah, Jeovah, Jesus, Deus, etc...; outras em nome do amor, na qual se configura a maior apologia ao sexo (às claras), pois querem liberdade para “expressar” seus sentimentos...

A mais nova é uma revolução às avessas. A passeata das Vadias, na qual meninas, mulheres, homens com sexo duvidoso, com sexo certeiro, caminham com faixas ao alto pedindo respeito ao corpo, respeito às vestes, de modo que sejam livres para “transar” com quem quiser, a hora que quiser, onde e como quiser. E vestir o que quiser, claro.

Vamos começar pelo inicio... Já faz algum tempo, que uma certa estudante foi pega pelos seus colegas de turma, com uma minissaia, entrando no recinto de uma faculdade conhecida. Houve, segundo ela, assédios além do normal, e mais, desrespeitos a sua pessoa de maneira que fora obrigada a sair correndo ou abrigada pelos seguranças da instituição...

Já percebeu que somos os únicos seres da espécie a pedir respeito? Por que motivo uma gazela, uma tigresa, uma onça não o pedem...? Não é brincadeira. Se colocarmos dessa forma, vamos dizer que não precisam, em razão de suas peles, pêlos, espinhos, enfim, são suas vestes naturais... as quais sincronizam com a maior das instituições... a própria Natureza.

Nós, claro, por razões animalescas que possuímos intuitivamente, não podemos fazer isso: andar nus. Podemos, sim, caminhar com harmonia, sintonia, seja aqui, ali, ou mesmo em qualquer lugar sem que possamos ser achincalhados, humilhados, ou vistos como animais predadores marinhos – piranhas, tubarões, baleias, etc – mesmo porque não o somos, ainda que insistam.  Há, com certeza, roupas que se harmonizam com o local, com tudo, sem que a pessoa seja ridicularizada.

Há, no entanto, algo ainda mais grave a se constatar, a de que estamos em mundos diferentes, dentro dos quais cada um possui uma esfera de evolução – estou me referindo ao mundo de cada um. Muitos querem a honra, a ética, a moralidade; querem o pudor, o respeito real, liberdade real, esses somam-se àqueles que estão em um patamar natural, belo por excelência; ao passo que muitos outros querem a mesma coisa, porém de modo diferente... Ou seja, assemelharem-se àqueles animais no inicio, como se uma revolução Inversa fosse possível.

QUEREM andar de microssaias, em qualquer lugar, e com calças supercoladas ao corpo, seja em igreja, em formaturas, nas quais se comemora a melhor parte da consecução de uma juventude... Sem falar em templos religiosos, nos quais a formação de todos, desde épocas passadas, era a de religar-se com o sagrado, o qual se demonstra sempre vestido de paz e harmonia onde quer que estejamos!

Querem usar o corpo como lhes convêm, pois acreditam que este é delas, assim como um carro que compram, que usam, que trocam. O corpo envelhece, enruga-se, transforma-se num ser que se esvai com o tempo, assim como qualquer planta, animal, e, se fosse para ele, o corpo, pedir respeito, ele o faria. E seu respeito, a depender de quem dele cuida, fica ou se vai antes mesmo de virar pó.

Não querem, contudo, pensar, refletir ou repensar acerca disso. A passeata das Vadias, como são chamadas (ou é a passeata?), é com um intuito de “respeitar ainda que sejam vadias”. Soa contraditório. Se bebo até cair, como grama, sou pisado pelos transeuntes, e peço que me chamem de doutor?...  Soa-me estranho.

A palavra respeito, assim como outras que se vão sem o sensor natural de elevação humana e universal, tem sido muito repetida em várias instituições, principalmente em senados, câmaras, tribunais. Mas sabemos que, ainda que peçam, não mereçam, pois são como lobos que destroem sonhos nossos de cada dia.

Agora, sair às ruas, com seios à amostra, com minissaias que, em meio a crianças e adolescentes, são pedidos ao lado bestial de cada um..., além de frases deploráveis, como “o corpo é meu, eu dou pra quem eu quero”, e mais... “Quero respeito!” – O que seria respeito então?? O que é moral? O que é Ética?

As passeatas sempre trarão revoluções, pois modificam o comportamento humano em décadas. A questão é uma só. Quando é que entraremos em uma passeata coerente na qual pediremos nossos princípios básicos?

Quais são?! Há há há!
É melhor rever seus conceitos em tudo, senão, amanhã você estará a favor do sexo, indiscriminadamente, a céu aberto...

sexta-feira, 2 de março de 2012

Quando nos separamos da terra...

Tivemos uma perda irreparável na semana do carnaval. No inicio, por assim dizer. Estamos tentando nos reerguer como pinos que foram derrubados por uma bola avassaladora da vida: uma doença incurável. Foi e está sendo difícil levantar a cabeça, andar e até mesmo falar qualquer coisa...

Alguns nervosos que falam sem parar, saltitam, correm, e choram escondidos segredando seus sentimentos à pessoa que se foi. Outros, calados, se escondem, ou se mostram com astral frio e contaminam o ambiente, ainda que crianças apareçam com seus sorrisos férteis de pureza...

É... A realidade nossa de cada dia tem sido uma subida ao monte Everest de costas, sem equipamento de segurança, com vendas nos olhos, e com muita fome.  Todavia... Assim prosseguimos. E eu, como um dos filhos mais esclarecidos (dizia minha mãe), não escondo minhas dores, mas também não escondo uma outra realidade: a de que temos que viver, trabalhar, respirar, subir, pois o trabalho não é apenas uma função natural ou empregatícia, com finalidade capitalista, mas principalmente uma forma de lidar com problemas de âmbitos diferentes, cada um com seu nível.

É um trabalho espiritual. A tradição – seja ela qual for – nos diz que temos que reverenciar os problemas, porque nos encaminham ao céu. E a cada passo, a cada duelo com a vida, devemos deixar um pouco de nós, dessa carga que nos leva e traz, chamada terra.

A terra, aqui, não seria essa parte branda do solo que nos dá o prazer de plantar e colher, não. Seria essa personalidade enraigada de prazeres, de elucubrações, informações, chateações, etc... Dela, temos que deixar um pouco em cada conflito, em cada caminho, pois nossa alma, essa bela adormecida, essa princesa cujo dragão protege, deve, um dia, esvair-se do corpo, esse receptáculo que tanto amamos, e voltar ao seu lugar de origem.

Impossível, talvez. Mas reza todas as tradições que há um céu, um inferno, um Devachan – lugar de bem aventurança do qual não se pode ter nem mesmo ideia dele; uma reencarnação, sei lá, e temos que nos pautar, eternamente,  naquilo que acreditamos, assim como o ar que vivemos. E quando a bendita hora chegar, respeitar cada segundo, e respirar como se fossemos pequenos alunos voltando para Casa...

Talvez por isso a ideia da reencarnação... Alguns acreditam que tais alunos – nós – não aprendem nada em vida e retornam semelhantes a repetentes, ou àqueles que têm chances – contudo, tal processo seria de aperfeiçoamento, de evolução interna, humana... Isso para todos – do homem sem religião àquele que se julga Cristo na terra.

E nesse intervalo de homens que não possuem religião e de homens que se julgam Cristo, fico como intermediário, levando meus princípios aos seus fins, com dores no peito, na alma, contudo, prosseguindo racionalmente, graças à falta de coração, o qual se perdeu depois da perda dessa grande pessoa, que agora, independente de nossas convicções, se encontra viva em algum nível, em algum lugar, sem desejos, sem dor, elevada em todos os sentidos – sem preocupações (o que a fazia presa na terra), passando por tudo aquilo que os deuses a reservaram.

Enquanto isso, aqui na terra – agora sim, literalmente – buscar forças em nossas convicções, sejam elas reais ou não, mas sempre buscando em si a resposta dos mistérios mais belos, ainda que para nós soe como horríveis.





Á benção, mãe.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Cobras sem cabeças



Há pouco tempo, tivemos nos noticiários do Brasil e do mundo uma noticia que nos assombrou muito. A história dos universitários da USP que invadiram o interior desta com a finalidade de protestar contra três estudantes que haviam sido pegos e levados pela policia, pelo fato de estarem fumando maconha no estacionamento da universidade... Isso depois de a policia ter sido convocada, há muito, pela diretoria para protegê-los de assaltos, os quais já estavam em evidência.

Mas isso não foi relevante aos caros jovens, que, sem o mínimo pudor, quebraram, invadiram, e se fincaram nas salas de aula como se fossem suas próprias casas. E depois de se instalarem no local, tentaram negociar com o governo a soltura dos outros que tinham sido presos.

Dias se passaram, e a Justiça decretou a falta de bom senso daqueles que um dia serão o futuro do Brasil. Com medo de represália dos “pimpolhos”, a policia, a pedido do Estado, retirou-os de madrugada, sem que houvesse mais quebras e violações de patrimônio, o que surpreendeu muito o governo, pois os estudantes já tinham feito muito estrago...

Mas não estou aqui para falar dos estragos, falar dos policiais, falar de suas ações, mas, em especifico, da grande ideologia perdida em salas de aula que um dia fizeram a diferença, não somente em campus universitários, mas em lugares nos quais nem mesmo o exército ousava que estivessem: na rua.

Foi na rua, nas esquinas, nos porões de suas casas, que nasceu o sentimento de liberdade contra os regimes opressores, e dali, com mentes ávidas e quentes a enfrentar os cassetetes, as armas, e o lado frio de outro porão (o da ditadura!), estudantes do Brasil e do mundo conseguiram, aos poucos, com organizações disciplinadas, o que hoje chamam de liberdade de expressão, de imprensa, etc.

A chama em desafiar autoridades esfriou nesses mais de trinta anos. O que se faz hoje não é desafiar, mas mostrar-se infantil em relação ao que se quer. Ou seja, não se sabe o que se quer...

Depois de anos de ditaduras, até mesmo na queda por impeachment de um presidente corrupto, vimos o quão necessário é um corpo estudantil consciente de seus atos, na mudança comportamental de um país. E isso ocorreu, não só aqui, mas, principalmente, em repúblicas vizinhas, na America do Sul, como a do Chile, Argentina, as quais se mostram, depois de anos, mais conscientes do que a nossa.

A do Chile, por exemplo, ainda que seja a mais desenvolvida em termos educacionais, percebe-se que estudantes daquele país não se conformam com o pouco que têm... Fazem passeatas, piquetes, vão à luta e, antes de declinar-se, conseguem melhorar, ainda mais, o quadro educacional daquele país. Era o que esperávamos dos estudantes da USP, da UnB, da FUVEST e de outras que racionalizam suas ideologias estudantis e se conformam com o que têm.

A própria UnB, Universidade de Brasília, foi modelo no passado, entre muitas do Brasil, de resistência ao exército, que, às vezes sem delongas, “despachava” ali mesmo, na universidade, o manifestante-aluno para o céu. Hoje, a mesma universidade, com papel político, preocupa-se com uma democracia em frangalhos, a qual elege corruptos a cada quatro anos.

Ou seja, não há mais pelo que lutar, nos parece. Se nosso melhor foco, hoje, é nos preocupar em fumar maconha em estacionamentos, em ir para a sala de aula com vestidos justos e sensuais, em andar de sandálias em salas de aula, em cogitar saídas para baladas nas quais ninguém sabe se se vive para contar noutro dia... Podemos esquecer o futuro de um país cujo núcleo, os estudantes, é tão estragado quanto ovo podre.




sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Nas mínimas coisas...

Hoje, 11 de novembro de 2011. Uma data esotérica. Mas o que significa esotérica? Na Antiguidade, significava uma linguagem não acessível ao grande povo, mas apenas aos poucos iniciados que se adentravam na linguagem sagrada. Assim, o fora a escola Pitagórica, a escola de Eleusis, a escola estoica, etc... Isso na Grécia, lugar de uma filosofia clássica e prática que pairava no ar, na vida e na educação de todos.

Hoje, esotérico não tem nada mais a ver com o passado. Muitos, em razão de notícias que circulam nas redes e jornais impressos, se impressionam com o teor da matéria acerca do grande dia (11/11/11!) e vão atrás do que se trata. Outros, em razão da formação moderno-budista, ou xintoísta, tanto faz... Organizam passeatas, eventos nos quais a meditação é o foco principal, e mais adiante, mais alguns que acreditam no fim do mundo... Há aqueles que, cientificamente, opinam, sorriem, e dizem “nada nos vai acontecer, as datas são invenções humanas” – nada mais racional.

Contudo, só se esquecem de que somos seres humanos e participamos de um Todo  -- todos os dias. E isso não é invenção humana. É algo inato, que se “discutia” e se respeitava nas escolas iniciáticas da Grécia antiga, e por isso, temos que, diariamente, não apenas em datas gêmeas (12/12/12... 10/10/10...), elevar nossas mentes à quietude da vida, em algum lugar que corresponda a esse silêncio. Não possível, pensar em algo belo, bom e justo, dentro do que realmente o é. Algo que traspasse nossos valores individuais e caiba na casa dos valores humanitários, mais profundos e menos egocêntricos.

Realmente é algo que, desde que o homem é homem, vem sendo feito. No entanto, o que é sagrado para um, hoje, não é para o outro. Antes, tudo havia de ser sagrado, assim também o homem o era, pois todas as coisas participavam (e ainda participam) de tudo, sem divergências, como uma grande engrenagem, cuja sombra dela era a sua essência (mundo das ideias de Platão).

Não deixemos que se vá a prática dessa virtude tão humana, que é a busca pelo sagrado, ainda que seja de maneira moderna, física, mental, diferente da dos grandes iniciados, mas que nos traga sinais de que estamos e somos seres que se espiritualizam nas mínimas coisas, por mínimas coisas, e criaremos, assim, não só em datas gêmeas, mas em datas heterogêneas, mais seres que vivenciam o lado que realmente nos interessa. O lado humano.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Casados e casamentos, coisas que não mudam.

Sabe... Entre tantas coisas para lembrar, sempre fico com aquelas que me fizeram mais feliz. Não poderia ser diferente. Assim como todos se lembram de uma noite passada – de uma festa, de um baile, de um presente de aniversário, etc, --, de um dia em que tudo deu certo, lembro-me do passado.




Principalmente da época em que eu era solteiro, e saia com meus amigos aos chamados cines (não) proibidos, aos fliperamas, às pizzarias em conjunto... E muito mais.  É, por mais difícil que seja em acreditar, eu não vou mais a bailes, a festas, a pizzarias, teatros... O casamento puxou o freio de mão de tudo.

Penso: como adequar a vida de esposo à vida de um homem que quer voltar a ser feliz como antes? É difícil ser como antes, mesmo porque entramos em uma esfera da vida na qual tudo é diferente, até mesmo você. Se não és, vai ser. Mulher, filhos, sogra, família... são os ingredientes que nos farão melhores ou piores.

Se não vir assim, pelo menos como ferramentas para a ascensão vital ou mesmo barreira pelas quais podemos e temos que transpor. Casos há em que muitos não encaram a vida de casado assim, e sim como grades de uma prisão indeterminada, dentro da qual sogra e esposa são vigias constantes.

Falta de Exemplos..

Conheço um amigo que saía, ia às salas de cinema assistir àqueles grandes filmes franceses, irlandeses, até mesmo indianos, quando solteiro. Depois de casado, de ter conseguido dois filhos, um casal, sentiu-se na obrigação de cuidar deles, de dar mais apoio à esposa, de encarar o novo mundo. Resultado: nunca mais foi a cinemas, ou mesmo assiste a filmes em televisão. No máximo, pegava DVDs infantis para ver com os pimpolhos...

Sua esposa, sem compreender o que se passava no interior do marido, que ficava em casa, e só saia com os filhos quando dava, e com ela idem, iniciara uma perseguição mortal, acreditando que, no trabalho, durante os dias da semana, ele se encontrava com outra...

Acreditem se quiser. Porém, em nome da cultura – ou de uma liberdade que ele acreditava ter quando jovem --, ele se desfez do casamento, e claro, graças a elucubrações de sua dona, que nunca nele acreditava. Assim, hoje, feliz, não tem ninguém. Isso depois de anos sem a aliança. Com roupas novas, cheio da leveza moral que um homem (de meia idade) deve possuir, prossegue sua vida, na cultura, na informação e na busca pela sabedoria. E quando quer, encara uma paquera.

Isso não é o modelo de uma mudança na vida de um homem, mas um caso isolado de uma pessoa que se cansara das obrigações e preferiu abraçar seu passado. Acho que, de certa forma, é meio perigoso, ainda que seja válido em algum ponto o que ele fez, pois, se não encontrara a felicidade em seu casamento, tem todo o direito de ir atrás do seu passado ou catapultar para o presente e, quem sabe, realizar-se.

O perigo mora em obrigações que não são aceitas pelo homem atual. Obrigações que o fazem tropeçar, cair, levantar, mas sempre evoluir em algum nível. O casamento é um ato voluntário, mas, ao casar-se, nosso passado deve servir apenas como lembranças, ainda que tenham sido melhores que as do presente, e, na maioria das vezes, o é, mas isso não faz a vida de solteiro, jovem, etc, melhor do que a vida de casado, pois aquela vida sempre será desvinculada de uma obrigação que esta, a de casado, nos trará.

A de casado traz uma batalha. A da convivência. Conviver com o próximo é sempre um dos maiores desafios que temos atualmente. Tanto que há até uma ideia polêmica, no México, do casamento com prazo de validade. Se em dois anos o casal não renovar seu matrimônio, é dado como separados...

Para muitos, a ideia soa como a certeza da resolução das brigas entre casais, as quais não se consegue solucionar, apenas fomentar discussões, todos os dias. E pra dizer a verdade, eu penso muito nessa ideia... Mas fica fácil resolver essas questões nas quais se pode separar um do outro. Nunca se resolveu a questão do unir, resolver, conviver.. Amar, dar amor, carinho, entender, algo parecido com o que todos querem, mas temos medo de tentar. Não me venham com histórias de encontro de casais!

Sei que consultórios estão lotados, que precipícios de suicidas estão com filas imensas, que os homicídios a senhoras de idade aumentaram, que as leis em torno da violência feminina estão mais rígidas, que o homem está traindo mais, que filhos estão mais revoltos... Que a vida melhorou para os psicólogos de família...

Mas, como sou persistente, fico pensando em soluções do tipo, tenho que fazer minha esposa amar o que eu amo, e eu amar o que ela ama; saber o que eu sei, tentar entender o que ela sabe; aprofundá-la em questões psicológicas, filosóficas, sociais, familiares, das quais se pode um compreender o outro, cuidar mais do nosso filho de maneira que haja mais humor, ou, se não der, que haja mais leveza nas palavras impensadas. Difícil. A mulher, em si,  lembra um totem. Se a vir com uma cara, será sempre a mesma. Minha esperança morreu antes da sogra...

Se houvesse essa possibilidade de mudança,  meu passado tornar-se-ía mais passado do que nunca e não me atormentaria tanto na hora de uma decisão. Claro que é impossível ela gostar do que gosto, mas o que interfere na evolução familiar e que há sempre uma tendência feminina ao mito da caverna, na qual os dois seriamos os seres algemados, e o filho, o inconsciente, também algemado, assistindo à televisão. Os amos da caverna seriam os apresentadores.

Falo isso porque há mulheres que amam o lar e ficam tão fiéis a eles que se esquecem do mundo que nos enriquece, das amizades que nos fizeram fortes; esquecem dos livros, das músicas, da lua que os uniu, do sol que nos vivificou, enfim, lembram-se apenas do aniversário de casamento!

Toda mulher sabe que o homem tem tendências de descobridor, de ser livre como um general de guerra, ou seja, que quer descobrir o mundo, disciplinando seu filho (ou filhos), e mais, subir montanhas, acampar, comentar a vida, ir atrás de novas sensações, de realizar sempre algo diferente, mexer com a terra, fazê-la girar!

Não consigo tudo isso, mas sei que é muito bom acordar, vir trabalhar, brincar com meus amigos, soltar piadas, trabalhar com afinco, dedilhar um texto, expor minhas ideias... Solucionar problemas nacionais, internacionais, sim, porque, quando se discute política e religião em ambientes de trabalhos, tem-se todas as soluções do mundo sentado em uma cadeira giratória rs. Assim vive o servidor público! Falar de ideologias passadas e futuras, e me sentir útil.

Gosto de comida simples, viver de bem com meus amigos, sair com eles e comer pizza, ainda que seja uma vez por ano (!), caminhar, falar sozinho, responder-me, e concordar, e nunca brigar, pois sei com quem estou falando... (depois de casado, acontece...). Gosto de filmes, músicas, desenhos, comédias, tudo clássico. E amo a subtilidade, graciosidade, feminilidade da mulher – por isso, me casei.

A vida de casado não me dá essa abertura, talvez porque não sabemos o que se resguarda no coração de cada um. A alma fica no precipício dos valores morais quando algo de ruim acontece com o casal, mas, ao aparecer a solução, o paraíso é pequeno em semelhanças. Tudo se explica, e sorrisos se esticam.

Mas é por pouco tempo. A convivência, realmente, é algo humano por excelência. Ela nos mostra quão frágeis somos, e como egoisticamente vivemos. Quando realizamos tudo em conjunto, com a premissa de que tudo vai dar certo, com possibilidade de cinquenta por cento dar errado (!) as coisas podem se iniciar.

Vamos abrir o leque!

Eu ainda tenho exemplos de amigos que se casaram apenas por se casar. O grande amigo viu seus amigos colocarem alianças, ficou com inveja e foi atrás de uma donzela, ainda que  fosse frigida em relacionamentos, fraca em pensamentos, mas, em educação, era a mais cristã possível. Teve uma filha com ela, e não aguenta ouvir choro, mulher, sogra, sogro, irmãos, etc... E esqueceu-se de que, em casado, o leque de opções de direitos é pouco e o de obrigações é muito. Sua última fala foi “se eu soubesse que a vida de  casado era assim...!”.

O que nos falta talvez seja justamente a abertura desse leque. Saber o porquê de sua existência, o que traz nele, o que podemos fazer, o que não podemos, e se pudermos, tentar abrir mão do que queremos, mas de maneira lenta, gradual. E o que não podemos, dialogar, ainda que seja difícil, com o sexo oposto, mesmo que se pareça com uma empreitada, mas não podemos passar o resto de nossas vidas falando sozinhos! E mais, planejar estratégias humanas, não apenas financeiras, fisiológicas, etc, ma principalmente humanas. Não o somos?

Outro exemplo é de um amigo que se casou, teve vários filhos – um que não é dele, motivo pelo qual o  fez casar-se à força com uma esposa tão brava quanto o pai dela, o qual fora peça importante em sua decisão... Mesmo assim, após anos de casamento, conseguiu “abraçar” a causa, tornou-se religioso para criar uma evasiva psicológica, e, hoje, sai de casa tanto quanto seus filhos (a maioria dele, claro...), já crescidos, mas este amigo vai para a igreja, em vez de farras e faculdades... Tudo para não encarar sua esposa, aquela a qual, se a amasse, casar-se-ía por algum atributo dela.

Criar meios para distanciar-se do problema dentro do próprio problema é perigoso, ainda que sejamos craques nisso; deixar de ver a sogra, encontrando desculpas para tanto, sumir de casa e dizer que havia mais obrigações fora do que dentro, deixar filho com mãe, etc, nos tornam filhos inconscientes, pedindo aos deuses para não crescer e ficarmos apenas a brincar com aquele carrinho de caçamba que a mamãe nos deu...

Tenho um outro caso, o de um amigo que se casou duas ou três vezes, e que fez filho pelo menos duas. Paga pensão à ex-esposa, ao filho que não cria, e agora, casou-se mais uma vez, a terceira. Sua situação é a mesma de quando era adolescente... Seu  mundo atual, com o “novo casamento”, é velejar, descansar, dormir, comprar violões, arranhar (e muito) nas cordas, fingir que sabe tudo e por aí vai... 

Seu compromisso com o casório talvez seja o mesmo dos da época em que fez o primeiro e o segundo filho. Hoje, para se ter uma ideia, depende de sua mãe para morar, para comer, e sua esposa, à margem dessa sociedade criada por ele, está cheia dos problemas, dos quais nenhum deles está sob a responsabilidade do esposo.

Observando de forma genérica, posso admitir que o homem ainda carrega aquela clava dos brutos da caverna. Vão atrás de comida, e, depois de um longo tempo, voltam com a carne nas costas. A mulher, refinada, ainda se deixa arrastar pelos cabelos, quando sai de casa com ele, graças ao ciúme.

O homem, hoje, carrega o moralismo-pedra. Ou seja, acredita que o mundo roda em torno dele (devo confessar...), pensamos ainda que somos donos do mar, da terra e do ar, e, assim, nos passa filhos e mulher como simples empregados naturais de um relacionamento no qual tentamos ser felizes baseados no que o esposo pensa. O caso acima ilustra bem isso. E a mãe dele é uma das que foi criada sob esse manto frio do  machismo, dentro do qual todos os filhos homens são bens valiosos, ainda que não tenham força para serem...

O casamento...

Claro que o casamento é um dos meios mais eficazes de saber lidar com o ser humano. Se não casar-se, tudo bem. Haverá, em nós, outro tipo de casamento. O casamento do homem com a busca implacável em melhorar seus atos por meio de outros relacionamentos, pois não há outro meio – em nosso nível – que não aceite a evolução (a nossa) sem que passemos com outra pessoa o mistério do desconhecido. E o desconhecido somos nós.

E o casamento, com prazo de validade ou não, ainda serve como ponte para o conhecimento de si mesmo. Repetindo: em nosso nível. Não adianta padres, pastores, bispos ficarem à margem desse episodio, pois precisam lidar com alguma pessoa amada, de forma intima, seja física, seja emocional, espiritual, comungando ideias diferentes, encontrando-se no fim das retas opostas.

O casamento como prova é reprovável. Temos que vê-lo como uma beleza necessária, pois somos os únicos seres do mundo que transformam tudo em símbolos profundos, que se ligam com o sagrado. E o casamento precisa ser um símbolo do que somos e do que queremos com a vida... Não deixar que seja uma árvore que envelheça com tempo, sem frutos.

O casamento, com amor, é uma forma abstrata. Ou seja, sabemos que existe, mas não sabemos lhe dar forma. É belo, mas a depender de que o observa pode ser interpretado de maneira errônea. O amor, aqui, mais que todos os sentidos, não pode ser apenas um meio, uma peça de um casamento, ou um rótulo (pois que ama, amará sempre), mas um grande ideal de compreensão.

E para você que ainda não se casou, eu parafraseio o grande Fernando Pessoa, "amar é preciso; casar não preciso".

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Deficiência: a Guerra Invisível. (I)

Há dias em que não precisamos saber se há infernos ou não. Na verdade, tais dias respondem-me a uma série de questionamentos em situações que me pedem sabedoria – que eu os contarei – os quais vem à vida de uma pessoa que possui visivelmente defeitos físicos, mas não incapacidade de realizar seus sonhos. Acredito que o que lhes vou contar pode servir a muitos...

Fui afetado, na infância, aos cinco anos de idade, por uma doença advinda do sarampo, a encefalite, a qual possui diversos ramos que não sei citá-los. Os médicos conseguiram fazer um estrago em minha estrutura, mesmo a doença tendo cura, porém a incompetência, não. As sequelas foram: peitoral atrofiado, juntamente com braço esquerdo e perna direita, menos quatro centímetro!

Todavia, graças à idade dentro da qual fui limitado, não me afetara emocionalmente (no inicio). Tudo me afetou depois, quando meu racional e emocional estavam bem formados. Também percebi, com o tempo, que não era o único, tampouco o primeiro, a ser contemplado com tal prisão. Mas a história nos mostra claramente a singularidade do tratamento único em relação ao deficiente, em todos os seus níveis, pelos que não são, e às vezes pelos que também são...

Quem é deficiente entende que o mundo já está formatado para uma determinada classe, assim também pensam os negros, os gordos, os magros demais, os pobres, ou seja, os ditos excluídos da sociedade, do mundo... Mas não se pode prosseguir com esse pensamento, aprendi; do contrário, não se anda nem mesmo se trabalha, ou mesmo se vive em função de algo, apenas se esconde ou se enclausura debaixo de véus que ele  próprio – o excluído – cria.

Aprendi a me desfazer desses véus, até mesmo de cavernas! Contudo, de vez em quando me aparecem fantasmas em forma de questionamentos acerca de minhas possibilidades, necessidades e da origem de todo o meu problema, o que não é fácil, não só para mim, mas para qualquer um que tenha problemas físicos.

Assim, desfazendo dessas cavernas, pude entender que o mundo sofre de um grande mal, talvez o maior de todos: o da involução da espécie, a qual não se conhece, ou mesmo se observa no espelho, e quando o faz acredita piamente que não tem problemas, nem mesmo de caráter!

Aprendi a fazer questionamentos acerca do que poderiam refletir, do que poderiam fazer, ou mesmo do que poderiam relevar: o que nos move? O que nos guia? E o que nos faz distinguir o certo do errado? E nossos princípios? O que é alma, personalidade, valores?

  
Tradição.

Sabe-se, no entanto, que, em tempos de guerras, não podemos ser heróis, ou mesmo nos alistar – uma das nossas frustrações! Ao mesmo tempo, podemos ser heróis em nosso nível, levantando, sendo positivos, respeitando as opiniões, e, mais do que nunca, lembrando da máxima de Marcus Aurelius, filosofo, general: “Ao acordar, encontrarás um imbecil, um intolerante, e vai tolerá-lo, mesmo porque ele também faz parte do Todo, e o Todo está em você, portanto ele, o tolo, está em você”.

Ser herói em nosso nível é nascer, se realizar com nossas ferramentas, é atingir o topo de uma pirâmide, seja ela social, familiar, profissional, enfim, é conseguir ser o que queremos ser sem que sejamos discriminados pela aparência, pelas dificuldades, pois somos humanos, e ser humano é ter dificuldades, sejam elas físicas ou não; ser humano é conquistar, resolver, apesar dos pesares e dizer “sou vitorioso!”.

Todavia, a cultura das civilizações antigas, com relação ao deficiente, era... vamos dizer... justa. Não haveria nenhuma possibilidade de o ensinamento de guerra, que era tão forte quanto os de hoje, fazer parte daquele que nascesse com deficiência; e o persa, romano, espartano nesse quesito eram racionais: a morte era certa aos que nasciam com problemas cuja aparência necessitasse até mesmo de auxilio eterno. E os que nascessem com uma deficiência não preocupativa, ajudariam as mulheres na educação das crianças, contando histórias dos heróis passados.

Ou seja, em relação à sociedade de hoje, os critérios eram claros. A de hoje nos preocupa justamente porque não há uma política certa para o deficiente. Então, mesmo que seja cruel, racional, entendemos os critérios que eram baseados em batalhas, as quais não cessavam, e tinham também seus objetivos. Hoje, não há tantas batalhas ou guerras como na antiguidade, porém nos fazem pensar que somos os inimigos do Estado, nos tirando idas e vindas, nossos direitos, e, de alguma forma, sonhos.

A sociedade de hoje, pelo fato de não ter uma filosofia, decresce; e decresce pelo fato de deixar de lado questionamentos do tipo: será que vale à pena criticar alguém que nascera em desvantagem física? Será que só de desvantagem física vive o homem? Será que a estrutura física do homem é tudo para a consecução de seus sonhos, de seus ideais? O que posso fazer em relação a mim e aos meus defeitos internos? A humanidade será melhor ou pior com meus atos?

O que quero dizer? Que sofremos da semântica natural da vida. Aquela que nos faz reais humanos no sentido de compreender a si próprio, e consertar erros internos, os quais são tão problemáticos quanto os externos. Uma prova disso é o suicídio de vários jovens que poderiam ser atletas, soldados, coronéis, professores, mas escolheram o caminho difuso da droga; sem falar nos consultórios de psicólogos, psicoterapeutas, etc, lotados de perfeitos seres estruturados.

A questão é que, quando se tem problemas internos, fica mais fácil retê-los, demonstrando, ás vezes, não tê-los, o que é impossível para um deficiente. Além disso, não se discrimina alguém por ter ser mau caráter, pois fica fácil de fingir tal debilidade. Nós não.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Paz

Mahatma Gandhi disse “Não há caminho para a paz, a paz é o caminho”. Esse grande homem, adjunto de seus ideais mais nobres, conseguiu, sem violência, vencer um exército, vencer o medo, vencer um país inteiro, a Inglaterra, ao se dedicar de corpo e alma a uma causa que, hoje, torna-se a cada dia mais difícil, em países terceiro-mundistas, a liberdade.

Esse grande homem, que viveu e morreu por sua pátria, e deu aos homens do mundo toda uma lição de humanidade, talvez tenha sido um dos últimos a viver e a morrer por algo maior que a si mesmo, o que geralmente assusta a nós, mortais, a esses homens, de ideias e condutas semelhantes aos heróis, não, eles simplesmente vão, realizam, e conseguem, seja aqui no inicio do mundo ou no fim dele, por pessoas que nem mesmo sabem o significado de amor, liberdade, paz, vida, independência...

O mesmo Gandhi teria dito que a paz seria tão complexa e por isso tão perfeita, que seria difícil, por assim, dizer de alcançá-la. Claro, tudo que é complexo na visão humana é difícil de ser realizado, contudo, esqueceu-se de dizer o Mahatma (grande alma) que, quando nos dispusemos a enfrentar qualquer problema, todo ele se torna pequeno, fácil, simples de ser confrontado; além do mais, tudo que na visão humana é difícil é fácil e perene na visão dos deuses.

Marco Aurélio, general filósofo, teria mesma opinião quando se referia nos campos de batalha à paz interior. “Quando estiver com problemas em demasia, busque a visão do espaço, sinta-se uma das estrelas, olhe para baixo, e olhe aquele ser que se turba sozinho entre os milhares. Este é você”. Aurélio, ao escrever seu diário máximo, queria dizer que a paz depende de cada um, seja em qualquer lugar, em qualquer ocasião.

Podemos, segundo ele, em meio a problemas de pequeno porte ou de grande porte, sermos aliados de uma paz a qual buscamos fora. E o general filósofo falava em meio a flechas que voavam em sua direção. Não apenas a paz. Segundo a filosofia estoica, a qual defendia, os valores humanos deveriam ser interiorizados e praticados, de forma que não deixasse margem à personalidade.

Para tudo isso, claro, não somente à paz, teríamos que ser realmente estoicos, pois não seria de um todo fácil praticar, vivenciar e sorrir, depois de encontrar a grande missão humana, ser realmente humano.

E nessa consecução ou tentativa dela, o ser humano se reveste de simplicidade, de humildade (não a cristã), vivencia o amor ao próximo, é mais espiritual, no sentido de estudar seus mistérios, sua capacidade de lidar com o outro, enfim... raios vão surgindo de um sol oculto, o sol de seu próprio ser, o qual é imortal e está em cada um de nós a espera de uma visita. A paz começa aqui.

O grande ditado

Há um ditado grego que diz “Se quiseres a paz, prepara-te para a guerra”.

A visão universal grega, advinda de um conhecimento clássico, do qual não se fazia paz sem que não houvesse guerra, traduz uma realidade pela qual passavam os grandes generais, mas também traduzia o que muitos atualmente não aceitam, que era a visão acerca de Deus, dos deuses, das divindades, etc... Tanto que havia o deus Ares, filho de Zeus e Hera, e Eirene, como deusa da Paz, segundo alguns, o que nos remete ao fato de que em sua filosofia o grego tinha sempre a visão de que não há luz sem a escuridão e vice-versa. E em Roma, o deus da Guerra, das armas, do combate, era Marte; e Huitzilopochtli, deus da guerra asteca...

Nessas civilizações, a paz não era uma utopia – algo impossível por mais belo que seja – e, sim, algo palpável, sempre advindo de uma natureza filosófica que norteava os grande homens da época, ao contrário dos nossos, que, cristãos, acreditam piamente que paz é silêncio duradouro, sem conflitos, sem combates... ou seja, algo impossível!

A paz, quando vista como um ser voltado a embates naturais, porque na natureza há embates de qual qualquer modo em qualquer lugar – os animais estão ai para comprovar isso --, seriamos mais pleno de uma consciência na qual a própria guerra seria também natural, não como algo alarmista.

A paz, assim, precisa da guerra; e a guerra, precisa da paz.







quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Um Mundo Melhor para Meu Filho



Ao chegar ao trabalho, ligo meu computador. Nele, depois da bendita senha, aparece-me o papel de parede: a terra pendurada no grande espaço pelos fios invisíveis da gravidade, e, em torno dela, seu satélite natural, a lua. Como fico vislumbrado com a cena! Uma bola azul, com terras em relevo, habitada por bilhões de pessoas de todos os níveis, de todas as esferas, e tipos! Como somos muitos, meu Deus! E, de presente, um ser mais belo ainda rondando, porém, menor, brincando em torno do grande planeta, como se fosse uma filha eterna, brincando com a mamãe... Na realidade, a lua é mais velha do que a terra.

Mas não venho com o propósito de levar a todos informações poéticas ou científicas acerca do que a terra é ou não. Gostaria muito, no entanto, vem-me mais a vontade de trazer à tona meus pensamentos acerca dos homens, os quais estão sendo responsáveis pela deterioração das sociedades e do próprio mundo, e da humanidade...

Tudo se inicia quando saio de casa, e vejo pessoas comuns jogando lixo fora do ônibus, ou antes disso, vejo paradas de ônibus lotadas de entulhos da noite anterior, na qual pedintes aproveitam para fazer no público o que se faz no privativo, e nós, seres que almejam uma sociedade limpa e consciente, nos deparamos com o odor do lixo, das fezes, às vezes, do próprio homem jogado em meio ao que ele mesmo chama de morada.

E passando pelos lugares mais simples, percebo que somos complacentes com o que passamos e choramos. Em rodoviárias, crianças correm de um lado para outro, com vidros de cola (de sapateiro!) ao ar livre como se estivéssemos no apocalipse, a observar a destruição, sem fazermos absolutamente nada! Essa criança, talvez, seja fruto de uma educação esmerada no interesse de poucos, os quais se alojam em suas casas e, com certeza, estão dizendo “ O ser humano é complicado!...”.

Não menos longe do que isso, pessoas de todos os níveis agarram-se em suas bolsas como se fossem suas vidas ou filhas, presas embaixo dos braços. Os homens, sem o medo aparente, observam e sorriem pelo ato ou se preparam para uma luta corporal caso necessário for, com uma criança, com um jovem ou mesmo uma menina com intenções terceiras.

Mais acima, no shopping, o policial, fardado até o nariz, torce para que nada ocorra fora do costume: sem correria atrás de jovens que levam mercadorias sem pagar, de senhoras que “esquecem” o cartão em casa e levam blusas, vestidos escondidos em suas grandes bolsas de passeio, enfim, o policial, mais inseguro e despreparado que crianças em sua primeira visita à creche, percebe que seu potencial não vai além de sorrir ao público e dar informações.


Não sei até que ponto, mas a insegurança tomou conta dos olhos, do corpo, e, antes de tudo, de nossa mente, graças ao quesito educação, pela qual a maioria dos homens de bem luta fervorosamente a fim de que se concretize e realize ante nossos olhos e mentes. Porém, o que se vê são disputas, são jogos, são formas de manipulação de ideias; são racionalidades voltadas a desculpas pelo grande ministro que roubou milhões, pelos juros que devem ser altos, pelas algemas que foram colocadas no graúdo que foi preso... A educação não existe.

O que se vê é uma educação genocida de gerações que amam seus pais, contudo, são obrigadas a ter ódio destes por não possuírem, em casa, seu computador, seu carro, sua internet, e, quando o tem, não sabem se direcionar em uma pesquisa, em diálogos, em amizades, mas destruírem-se em sites de relacionamentos, que são ferramentas duais, mas que, até hoje, ninguém as educou para tanto.

E assim, prossegue o pai, na tentativa de aprender o que significa internet, donlowad, Java, etc, apenas para se infiltrar no novo mundo... Aonde vamos? E pra quê? A incredulidade nasce graças a uma educação suicida, a qual abastece os lares de dor, quando o jovem se vê longe de encontrar alguém para um diálogo maduro e sensato, o que não acontece.

E continuo em minha caminhada, e leio os jornais... Não sei se os jornais são frios o bastante, mas o que percebo é que notícias descalabrosas estão sendo veiculadas como em concursos nos quais quem as divulga se sente honrado em levar o pior, o triste, o horrendo ao expectador, mas, sendo o primeiro a fazê-lo, leva a melhor: a audiência, a melhor critica, o melhor texto... Enfim, as mortes, as dores, o sofrimento humano estão se tornando manchetes não pelo fato de serem o que são – aberradores e tristes por natureza e que deveriam ser reflexos para uma sociedade decadente, e não pontes para a hipocrisia de muitos que querem se erguer com tudo que é triste.

Não apenas por isso. Percebo, no olhar das pessoas por que passo, que não sabemos mais refletir. Quando acontece algo em um país corrupto, muitos se deliciam, se elevam, deixando o fel nas palavras propiciando mais dores involuntárias àqueles que não têm nada a ver com o problema naquele país. E em países grandes cuja economia desacelera, ou mesmo há o principio de queda em suas finanças, há grupos que acreditam que tal problema deveria ter ocorrido de forma merecida, desconhecendo a história do país em questão.

E quando há noticias que se referem à prisão de homens que por milênios foram responsáveis por genocídios coletivos, e que sua história era construída pelo mal que fizera, tenho mais medo ainda: há seres que participam da história, apoiando o ditador, revelando uma humanidade em crise de identidade... Pois não se apoia democrata, anarquista, comunista que se firmaram nas costas de seres inocentes; não se apoia o grande vereador, governador ou presidente que ergueu, por meio ilícitos, pontes, edifícios, estradas, e que, em sua trajetória, um dia, fez “algo” pelo seu povo, muito menos um ditador!

O povo, em si, não merece falsos governos, penso. No entanto, enquanto houver sistemas que os fazem reeleger-se, haverá sempre a falácia de que “quem um dia fez algo pelo povo, pode assaltá-lo, roubá-lo, assassiná-lo da mesma forma”, ou mesmo outra falácia que virou cultura em países de terceiro mundo: “Eu roubei, mas eu peço perdão em público; eu roubei, mas eu reconheço que sou culpado”. O mesmo sistema vai criando uma cultura de isolamento e humilhação, na mesma proporção dos sistemas eleitorais democráticos, que se subjugam os melhores.


Folheio os jornais e percebo que o estrago é maior. Uma foto de um urso polar solitário, em cima de um pequeno iceberg, em meio a uma antiga geleira que fora no passado, não muito remoto, um grande tapete de gelo... E a exposição continua: fotos de lixos nas ruas, “enfeitando” cidades grandes, além do trânsito caótico, dos cartazes de candidatos que não os retiram nem com rezas fortes, poluindo, desde as eleições, a modernidade cruel dos edifícios – ninguém sabe o que é pior!

E minha caminhada pelo mundo de meu Deus continua.

Volto no próximo texto...

terça-feira, 26 de julho de 2011

Folhas Velhas e Varridas

Na semana passada, mais uma cena de horror deixou o mundo aterrorizado. Um louco, em nome de uma organização terrorista, assassinou vários jovens em nome de uma causa que, no entender dele, seria religiosa-política... ali, na Noruega, país, até agora, símbolo da paz, dos nobéis. Disfarçado de guarda florestal, o mentecapto se aproximou dos jovens em acampamento e iniciou a chacina, isso depois de ter explodido um prédio...

Como se justificasse seu ato monstruoso, ele, depois de preso, chegou a dizer que fizera aquilo porque a Noruega, país inventora no Nobel da Paz, abrigava não simpáticos a sua causa, os Judeus.

Assim como muitas no passado que assassinaram em nome de Deus, outras organizações atuais abreviram vidas por motivos iguais, mas de maneira mais contundente e horrível possível.

E assim, muitos se perguntam, o que podemos fazer com tais sujeitos (ou organizações) que destroem vidas em nome de Deus, Alah, Maomé, etc, ou por menos do que isso? Se fôssemos descrever tais crimes e suas formas, terminaríamos em um livro de terror, e mesmo assim não teríamos leitores satisfeitos.

Não há, pelo menos em minha visão, pena (justa) a quem mata ou maltrata crianças. Torturar tais monstros, maltratá-los, colocá-los em corredores da morte, a meu ver, chega a ser simpático à causa deles, ou melhor, chega a ser um presente...

Nada justifica a morte de seres inocentes que estão chegando ao mundo e aprendendo com ele, mas há aqueles que lhes ensinam da pior maneira possível valores inversos aos que aprendemos em casa, na escola... Tivemos, a exemplo, no inicio do ano, um fanático, em São Paulo, que o fizera em nome de sua religião, e que, depois assassinar mais de sete crianças em sala de aula, deixou cartas em que relata o porquê de tudo, e suas desculpas ao ocorrido. Antes de se suicidar, o monstro queria levar consigo tantos inocentes quanto o numero de letras em sua podre carta, na qual tentava justificar a morte dos jovens... Não nos interessa, claro, a sua justificativa.

Não adianta, há sempre um fanático por alguma causa. Não é de hoje. Há milhares de anos, já havia os xiitas assassinos por causas que nem mesmo poderíamos entender. Hoje, no entanto, graças à Mídia, podemos nos “inteirar” com opiniões de jornalistas, de especialistas nos assunto e, se quisermos, nos relacionarmos com indivíduos cujas mentes vagam entre o bem e o mal, tal qual aquele equilibrista que vai cair no chão, sem redes.

A questão é que, de tão perto que estamos desses insanos, que, na maioria das vezes, nos tornam seres medonhos em relação a outros seres humanos que não tem nada a ver com a loucura daqueles. A preocupação, assim, com aquele senhor que anda sozinho, do trabalho para casa, com aquele menino sozinho, nos cantos, sem a característica social própria, e outros comportamentos inerentes dos bestiais nos fazem temer a vida, sem que possamos nos aproximar daqueles e, quem sabe, auxiliá-los em sua solidão, em sua falta de carinho.

Assim, nos afastamos, pelo medo, de quem realmente precisamos nos importar, com as pessoas mais próximas de nós. Daqueles meninos que correm a nossa volta, em busca de alguém para comentar suas venturas, ainda que trôpego no assunto, na fala, contudo, cheio de energia e vontade nas veias, no coração, a fim de explodir em sorrisos férteis de inocência...

Há ainda os idosos cujos atos nos deram sabedoria no passado, os quais, pela Mídia, são ainda vistos como suspeitos por estupros, violência sem medida, pedofilia, etc, e que já não se enquadram em contextos de respeito, de moralidade, ética, pelos quais lutaram a vida toda. Simplesmente, graças a frios senhores de idade que, embora de idade, não tiveram a adolescência completa, não tiveram o amor ou os amores a quem deveriam amar, ou mesmo as relações próprias da época, e nisso se tornam imbuídos de instintos presos, burlando até aquela data em que os homens se tornam sábios ou meramente reflexivos quanto à vida, à morte... E se engendram em desventuras animalescas...

Precisamos tornar realidade aquele sentimento humano que causa inveja aos deuses, como dizia Aquiles, herói grego. Mas a modernidade nos sucumbe. Depois que colocamos os óculos do medo, uma visão aterradora e genérica nos toma a casa, a escola, os templos, as ruas, os parques... A desconfiança do mal dos homens nos faz dar passos lentos em direção às paradas de ônibus, ao nosso carro, sem o qual nem sairíamos de casa... Nos faz pensar duas vezes antes de confiar em alguém.

Não há como negar nosso medo. Mas também não há como ficar em casa para sempre, a espera do filho que foi à escola, ou à balada, ou ao acampamento... Não podemos desconfiar sempre de todos, nem mesmo daquele jovem quieto em seu mundo, que precisa de um diálogo, ainda que breve, para que possa confiar em Deus, ou menos do que isso, em uma pessoa de bem, que queira realmente seu bem...


Quanto àquela dor que nos vem quando surgem loucos nos jornais, exibindo seus rifles em fotos, sorrindo nas viaturas de polícia, depois de presos, após um massacre..., ela vai passar, e vai para a memória da alma nossa de cada dia, e para a alma coletiva da humanidade. E nos ensinando que o mundo muda a partir de decisões, tomaremos as nossas, e trabalharemos para que nossos filhos sejam as melhores pessoas do mundo, e se não forem, que não sejam vitimas, ou fanáticos religiosos-políticos, pois, um dia, estes fanáticos serão varridos como folhas velhas pela grande vassoura da paz.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Perdão, a Palavra (fim)

(Aos Buscadores)

O homem, segundo Platão, é um Deus e já se esqueceu. Houve um tempo em que, antes dessas religiões separatistas, desses blocos partidários, das competições, dessa nossa natureza racional tomar conta de nós, éramos puros. Tínhamos a fé, a religião, a paz, sem rótulos. O universo em nós corria como rios que desembocavam no maior dos rios, que jorravam no Oceano da vida...

No passado, plantávamos, colhíamos, nos alimentávamos, vivíamos extremamente nossas vidas religadas a um Todo complexo, no qual todas as vidas estavam inseridas. Mas a necessidade humana de trazer de volta o plantio depois das enxurradas, dos terremotos, nos trouxe outra necessidade: a de orar e pedir a qualquer entidade o nosso pão de cada dia...

Éramos voltados ao sagrado. O profano nada mais era que a falta do religare em relação àquelas entidades que nos protegiam, mas também estavam, em algum nível, dentro de nós. E os iniciados sabiam disso.

A terra, o Fogo, o Ar e a Água sempre foram elementos dos quais vieram outros elementos mais sutis os quais apenas alguns, mais tarde, como os pré-socráticos, os sacerdotes egípcios tiveram o entendimento. Tais elementos sutis, de acordo com alguns filósofos, foram responsáveis pelo inicio do universo, o qual sempre existiu antes mesmo daquele pequeno ponto invisível do átomo explodir e iniciar o processo de criação do Uno.

Ali, potencialidades de todos os tipos – além da água, terra, fogo e ar – se expandiram e deram origem ao que chamamos de sistemas, o nosso Solar, e mais outros e outros, sem fim. Aqui se esconde o segredo maior...

Não havendo inicio nem fim, o universo de desprende dele mesmo e começa a expansão em milhões de anos; após essa expansão sem fim, inicia-se o processo de recolhimento, bem devagar, como se cada estrela estivesse se apagando, imperceptivelmente...

Jostein Garden, autor do livro Mundo de Sophia, ilustra bem essa passagem, comparando a expansão universal e seu recolhimento a um balão enorme cheio de pontinhos. Ao crescer, é como se estivéssemos enchendo o balão, mas chegaremos a um ponto em que teremos que esvaziá-lo bem devagar até ficar bem pequeno. Assim é o universo. Manvantara (expansão) e Pralaya (recolhimento), segundo a filosofia indiana.

Mas por que tais explicações, se estamos dissertando acerca da palavra perdão? –Tudo. Os processos pelos quais passamos não são aleatórios, apenas quando caem no livre arbítrio do homem quando este se depara com problemas e deles não conseguem sair. Contudo, se estamos inseridos dentro de uma lei universal inexorável, não só para os homens, mas a todos os seres conhecidos ou não, e se há leis que funcionam desde que o primeiro ponto surgiu no universo dando inicio a tudo; e se a modificação dessa lei, de maneira arbitrária, a sua violação, nos dá inicio a uma série de problemas sejam eles internos ou não... Não temos o perdão.

Talvez para o conforto passageiro de determinados homens que causaram danos à vida do próximo ou mesmo à sua, mas é só isso... Se as leis são inexoráveis, não esperemos que haja qualquer entidade que nos leve ao céu depois de recebermos, seja lá de quem for, o perdão.

Nós simplesmente tratamos o perdão assim como tudo que queremos, como foi dito. Mas não se pode dizer “não cresça, plantinha”, se você jogar água nela. Há uma lei que precisa ser observada dentro desse universo, no qual as plantas de todos os tipos precisam de água para desenvolver suas folhas, mais tarde frutos... etc. E a planta não vai, por mais que estejamos com o sentimento louco e contrário ao seu crescimento, deixar de crescer... É mais fácil ela morrer, porque as plantas tem vida. E uma vida que se choca com outra cujo astral é débil pode levar daquela problemas não só no crescimento, mas pode vir a falecer com tempo... É só colocar uma pessoa com problemas psíquicos ao lado de uma planta, e mais tarde observe o vegetal. Morto. Do contrário também pode acontecer... Plante um jardim ao som de Bach, Mozart e verás um bando de planta quase que te agradecendo...rs.

Mas o perdão não pode ser transformado em um ser. Ele é uma criação humana aos homens que querem uma saída para seus problemas. Aos homens que querem se confortar, acreditando que nada mais precisa, a não ser aquela palavra de bem-aventurança criada a partir de um processo de paixão universal, e pronunciada pelos homens que se julgam perto de serem divinos.

O perdão pode até existir, mas não desacelera nem uma lei em função de interesses celestes ou não. A lei universal não é cruel. Se temos a visão de que a planta crescerá independentemente de nossos sentidos, se temos a visão de que somos parte de um todo e que estamos sujeitos às leis internas e externas, se entendemos naturalmente essa lei, não precisamos criar qualquer palavra com a finalidade de confortar ou não o próximo.

Mas não é fácil. Qual é o padre que vai dizer “olha, não posso fazer nada por você. É a lei!”.(?)






Regis.


A Parte que nos Falta

"É ótimo ter dúvidas, mas é muito melhor respondê-las"  A sensação é de que todos te deixaram. Não há mais ninguém ao seu lado....