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terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Canto Escuro




Preciso te ver,
Preciso de seu rosto.
Sentir seu cheiro de perto
Tocar em suas ondas,
E provar a maresia do teu corpo...
Preciso de tua ajuda,
Antes que enlouqueça,
Pois estou fadado a morrer
De saudades,
De fazer-te maldades,
liberdades,
Em nossas cabeças...

Sucumbo em vida,
Ainda sem você,
A madrugada doente,
Ao passo ausente,
Me revela deveras fraco...
Não sei se vou viver.

É preciso morrer,
Ressuscitar em outra vida,
Esquecer que um dia amei,
E não me lembrar de uma
Despedida...
E dos infernos a descida,
Onde mora meu clamor,
Jorro lágrimas
Frias de ansiedade
Em te ver,
Oh, meu amor!







Aos loucos de paixão.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Esquecidos



...E vem o vento forte de teu perfume,
Eclodir em minha alma como peixes em
Cardume.

Vem o beijo de seus lábios
Sugar os meus...
Tornar-me um sem abrigo,
Que um dia roubou sonhos teus.

Vem a peste de nossos desejos
Arranhar os céus, criar infernos,
Desatar palavras,
Criar em nós... Larvas,
Fluir lampejos.

Vem a crença no nada,
Apenas homem e amada
No vicio,
Jogados do amor ao precipicio.

Destronados e esquecidos
No drama,
À meia luz da lua,
Férteis como rios,
No cio...
Na cama.







à amada

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Apego

"Tudo é sangue, sombras e nuvens" - M. A.


A solidão de teus beijos em minha boca,
Surrupia o céu mais profundo, de um mundo,
Tão vasto e ao passo imundo,
Na praia de minha alma pouca.

E nesse mundo vadio e cruel,
Ainda que sem teus olhos e trilhos,
Corro em teu corpo imaginário,
Solitário, e frio.

Vou-me em meu rio,
Sobre as ondas do meu passado,
Donos de luas e sois alados,
Apenas eu e meu ser sozinho.

Como o mundo é vasto!,
E o meu, tão perplexo por você!
Surgem sementes de um amor bandido,
De um sonho sem gemidos,
Da falta do meu prazer.

Ah, solitário mundo que me corrói!
Por que destróis esperanças,
Que foram frutos de minhas andanças,
E que morreram em meu quintal?!

Sabei que das dores não podeis tirar nada,
Nem mesmo o som dos cabelos da amada,
Apenas o que me deras entre o bem e o mal!...

Não me deixai, eu vos peço, oh dia que se vai,
Seus ensinamentos, meus momentos,
Não vos esquecerei jamais!...

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Nilo





Traz-nos vida na terra que um dia brotou
De suas faces ainda ocultas e das lutas
Que foram belas e sem armas, e bravas,
Mas nunca nos deixara em vão, senhor.

Veio como uma canção divina,
Do céu, do qual jorrou alegria,
E fez o homem dançar em folia,
Reverenciando os deuses que sonhou.

Tão bendita água que na minha boca veio,
Inundou um coração deserto,
Molhou meu espírito sério e poético,
E nos deu a beleza do alimento lírico.

Obrigado, Oh Nut, Atum e Osíris sem idade,
Talhadores de um céu amado
Cancioneiros de um cosmos alado,
Pelo Nilo que ecoa divino na eternidade.



R

terça-feira, 12 de junho de 2012

Oração aos Homens de Bem

"Para que precisas de mais milagres? para que tantas explicações? Não me proceurei fora! Não me acharás. Procura-me dentro? aí é que estou, batendo em ti"






Orar batendo no peito,
Não sentir-se um eleito,
Desfrutar o mundo,
E por ele conhecer a ti.


Passear em Meus templos,
Acreditar em Meus ventos,
Em Meus bosques,
Onde praias batam em Mim.


Não se culpar pela miséria,
Passear pela terra,
Não sentir-se fora de si.


Crer em tua alegria,
Dizer que em Mim confia,
Deixar clarear o dia,
E dizer que és filho Meu.


Não sentir medo,
Revelar Meus segredos,
Não ler nas escrituras
Que o mundo se perdeu.


Esquecer mandamentos,
Colher frutos ao vento,
E em todos, amar a Mim.


Sentir nas montanhas,
Nos Alpes que desenhei,
A presença Minha,
Não nos templos de marfim.


Se tu és livre para pensar,
És livre como água que corre,
Como nela o peixe doce,
Que sobe até o fim.


Este prelúdio que me precede
Me faz junto a ti,
Mais que o fogo que corre a terra,
És parte de mim.





A Espinosa.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Doces Vadias

 




Em teus olhos sujos de amor,
Tão friamente frigidos de dor,
Mergulho sozinho
E transbordo o meu vinho
Calado de suor.



Desço em tuas vestes sem vestes,
De teu manto natural,
Em teu pequeno agreste vegetal,
E suplico ao deus do amor
Que mo esqueça nessa hora,
Nesse caminho sem volta na dor.



Suplico-lhe que volte,
Que mo tire daquele teu corpo,
Tão belo, poderoso e fresco,
Como frutas colhidas num barco,
Ao mar de nossos desejos incertos.



E vejo tua alma,
Calada, fadada, burlada,
Por isso inquieta sob a minha,
Pulsando na terra fria,
Em que planto um pouco de mim.



E atravesso o oceano de teus beijos,
Como relâmpago oculto nas trevas,
Todavia, em tua via, em teu estreito,
Eu me julgo perfeito, e a você,
Minha doce Vadia.












À frialdade do amor moderno.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Lost



Natura fêmea


Queria mergulhar em teu corpo,
Como um peixe que há muito não via
Aquele oceano que, um dia,
Trouxe-me à praia uma breve alegria...

Queria...
tuas partes sedento,
E correr mares a céu aberto,
Chorar teu nome simplesmente
Sentir teu perfume bem de perto..

Nada mais eu queria
A não ser teu beijo certo,
Comer tua presença insana,
Sumir com peito aberto...

Quero gritar feito insano
Clamar em meio a tuas relvas,
Ser teu homem e ser teu amo,
E no percorrer dos anos,

Morar em teus olhos, em tua selva.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Curvas do Tempo


Perdoe-me pelo poema, caros leitores.

Em curvas linhas de teu corpo,
Em fios de cabelos curtos como um sopro,
Em traços belos dos teus lábios,
Em luas vigentes de teus olhos,

Em frios dedos de teus pés,
Em meras artes de tuas unhas pintadas,
Em brancos sois de teu sorriso tímido,
Em folhas secas de tua alma presa,

Em curtas palavras de amor,
Em práticas e físicas do teu nexo,
A se encontrar quente,
Não meramente aparente com
Meu sexo...

Transborda nua à mercê do vento,
Que corre paredes geladas,
Ao passo aladas,
Como sonhos sem tempo.

Oh dia que me fugira das mãos,
Iludiu-me sorrateiro,
Dizia-se verdadeiro,
feito brazas em vulcão.

Transcendeu-me, depois, o murmúrio calado,
Do homem que te ama,
Que esperou urgentemente e tão somente
Ser amado...
Como um cavalheiro e tua dama.



Reginaldo França


sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Alimentos da Alma






Quando alimento meu filho
Sedento de sorriso nos lábios,
Sedento de vida nos olhos,
Encontro Deus.

Quando o levanto em meu colo
Aperto como um filhote de animal cujo pai sou eu,
E escuto as canções de ninar de minha mãe,
Passando por minha cabeça...
Encontro Deus.

Quando meus olhos saem lagrimas puras
Ao vê-lo correr em gramas,
Atrás de uma bola
Que corre mais que seus
Pezinhos...

Contudo a alcança, chuta,
E sorri, e me chama para brincar,
Ainda que cansado esteja...

Quando os mesmos olhos,
Cansados, se rendem ao sono,
Desmaiam em nuvens de sonho,
Ali, Deus com ele adormece...

E dentro de mim pulsa
O coração de um homem feliz,
Enraizado em proteção
Em amor, em vida...
Um coração que encontra Deus,
E mais que isso,
Encontra a si mesmo...
Vou dormir.







Ao Filhão.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

E ela se foi...



Se foi...

Como pássaros ao luar, sem ninho.
Semelhantes a uma dor profunda,
Que se enraíza nas veias,
E nos confunde com teias...
Ela se foi
Como a paz no mundo...


Ela se foi com o atrito da vida,
Como aquela água bendita
Que se encalha na calha,
E se esvai na descida...

Como a libido do idoso,
Que se esconde tristonho,
Nos prazeres da sala,
Que se cala no escuro.

Ela se foi...
Como o sol distante da alvorada,
Tão belo e presente,
Porém amante, ausente e calado.

Talvez se fora pra sempre,
E pra minha sorte,
Vem a morte,
Como abutre sorridente...


RF/CW

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Dúvida do Adeus

Vou me despedir da vida,
Não, não vou não.
Sair das mazelas malditas,
Fingir que são queridas...

Pensando bem, não vou não...
Ao vir seus olhos benditos,
Na escuridão da minha alma,
Ao abri-los no azul de teu céu
Rondar como abelhas o teu mel...

Não, não me vou não.

Quero me ir da vida,
Não vos vejo em meus sonhos.
Perdi teu rosto, o meu gosto,
E vivo em meu fundo fosso.

Porém, tem minhas andanças,
Teu quadril, tuas ancas!
Delas eu vivo a lembrar
Que no vazio do leito,
Enche-me o peito
E vou-me respirar...

Adeus, vida?
Ainda não sei amor,
Se me enviasses teu desejo,
E dentro dele o teu beijo,
Exterminaria toda a minha dor.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Desertos, nada mais...

E se não houvesse a paz,
O que de nós seria?
Sem o sorriso no parque,
Correrias aos domingos
Das crianças fugindo,
Das sogras mentindo,
Dos homens sorrindo...
O que de nós seria?

E se não houvesse a lembrança?
Como o mundo estaria?
Pirâmides tão altas
Mirando ao céu,
Pontes tão longas,
Muralhas perfeitas,
Com deveras receita,
Mistérios sem véu?!

E se não houvesse o carinho,
Criança, onde estarias?
Sem braços, na poeira,
Nas sobreiras da solidão?
Em ruas como pedras
Que caminham,
Em restos que se jogam,
Em mundos que se vão.
Estariam em paredões da noite,
Como escravos no açoite,
Com medo da escuridão...

E se não houvesse o desejo,
Onde, homem, estarias?
Subjugado, iletrado,
Sem caminhos à verdade,
Sem buscas à liberdade,
Sem conceitos, razão!
Não haveria a filosofia,
A ideologia da vontade,
Em salvar a humanidade,
A colheita do vinho e do
Pão...


Sem a bondade, onde haveria
De estar, oh homem?
Nem mesmo nascido no Verso,
Da palavra sem prumo,
Do útero materno, do Uno.
Estaria oculto aos olhos divinos,
Por ele não bradariam a vozes,
Seriamos seres atrozes,
Em meio a nenhuma multidão...


E se não houvesse o Amor,
Senhor, o que haveria?...
Dor sem razão,
Fugas em massa de vida,
Correntes ocultas em braços,
Disputas em aluvião.
Sem a esperança,
Sem a nossa Mãe,
O fruto doce cair na terra,
Da árvore maior do mundo,
Seriamos do mal fecundo,
Destruindo o próprio ser
Em vão.
Seria a noite pura,
Ainda sem lua,
Sem dia, sem sol.
Sem jardins ou flores,
Haveria horrores,
A descrença, o sempre não.
Traria a indiferença nua,
A igualdade da palavra tua,
O medo da opinião...
Sem amor,
Não haveria o espaço,
E seu ato,
E sem ele, a poesia criança,
Não haveria lembrança,
Nem o pássaro no ninho,
Nem carinho, desejo,
Nem o teu beijo, mulher.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Solidão Teimosa

...E se fora um homem que bradava,
como louco nas veias da vida,
que penetrou nas vias do nada,
e do fosso não subira.

Foram dias ocultos,
tua alma não chorava,
Sentia dores da perda,
E do coração não voltava.

Foram quedas e dissabores,
E nada o fez voltar,
Nem mesmo a voz da vida,
Imbuída do cantar.

A solidão fora teu prato
Tão sujo quanto teus pés,
Nada aprendera com o vento:
falecera ao revés.

Enamorou brisas caladas
Em paredes aladas,
Sorriu ao nada, ao em vão.

Vociferou ao norte,
Que em outrora o deixou forte,
Deu-lhe o ideal de homem,
Deu-lhe a mão.

... E nada o fez partir da dor.
Preferiu morrer à morte,
Tão sozinho quando o espinho,
Que nascera sem amor.


R.

A Parte que nos Falta

"É ótimo ter dúvidas, mas é muito melhor respondê-las"  A sensação é de que todos te deixaram. Não há mais ninguém ao seu lado....