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sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Involução Humana – final


Parece-nos familiar tal contexto, não? Quando nos referimos a animais, humanos, cargos, poder... Identidade, estamos em meio a uma historia que virou clássico, escrita à época do Comunismo, mas que todos hoje em dia se sentem obrigados a ler, em razão de uma série de coincidências comparadas à realidade. George Owel, escritor, traduz quase que literalmente o comportamento humano – nos animais --, o qual se ‘desidentifica’, dando margem àqueles tomarem o poder, ou melhor, tornar-se instintivo, animal – em “A Revolução dos Bichos”.

Em uma análise mais aprofundada, Owel quis dizer que estamos nos animalizando com o poder, não nos humanizando. As profissões, a depender de quem as vê, podem servir de pontes para o profano ou para o sagrado. O que significa isso?

Um pouco de Tudo

É preciso buscar um pouco da filosofia para entender. Nas culturas antigas, o trabalho era feito com sacralidade, sacrifício – quando vem de sacro-ofício, dando oficio sagrado --, de maneira que fosse um trabalho voltado aos deuses, às potencialidades responsáveis pela nossa existência, pelo nosso pão de cada dia, pela alma que temos, pelo espírito.

Nada era feito pelo crescimento profissional, e sim interno. Ou achas que as pirâmides, o colosso de Rodes, Os Jardins Suspensos, tudo que de grandioso sustenta os olhares na Europa foi feito por escravos, açoitados?! Houve sangue, sim, mas no sentido de doação, amor, sentimento de paixão aos grandes que eram elos entre a terra, o povo e os deuses – os faraós, os sacerdotes, os reis...

E na involução humana, compreender esse fato é pedir demais. E muito. Mesmo porque a palavra religião, não a palavra, mas a própria religião, passou por um período em que distorceu-se todos os seus valores, e levou consigo os pilares do mundo antigo: Amor, Verdade, Justiça.

E na busca por esses valores, buscamos aqueles que se modernizaram, ou seja, se relativizaram nas leis, a partir de erros humanos. MAS os grandes do passado também eram humanos e conseguiram por meio de suas leis universais cumprirem com os seus deveres!!

A relativização de tudo transforma os interesses universais em humanos – teria que ser o inveso; e os humanos, em mesquinharias, e assim por diante. Não há nada que possa mudar isso. Ou seja, no conto de Owel, os animais que foram determinados a tomar o poder se transformaram em humanos, porque o ser humano já teria ultrapassado a esfera de animal. Somos piores que animais, porque nada pior que um animal que fala, que pensa, que ouve, mas não ama, não têm ideais, não sonha com um mundo melhor.

Este humano – esse animal moderno – interliga-se em referenciais falhos, dos quais não se pode tirar nada, pois as sementes que neles brotam dão frutos podres.

Reversão

Contudo, podemos reverter isso. Claro. Não há problema sem solução. Há problemas que se resolvem a curto prazo, e outros, a longo prazo, e põe longo nisso! Há nesse problema de se encontrar a raiz que dera o fruto que estamos comendo. Encontrar, matar, extingui-lo, e começar de novo.

O período de humanização, infelizmente, não será possível às massas. Apenas alguns blocos de pessoas que se interessam em realizar essa façanha em buscar, entender e praticar a real humanidade – assim como poucos hoje em dia – será claramente possível. No entanto, esse bloco será responsável por um futuro melhor para a maioria, ainda que ignorante dos fatos, pois é preciso um capitão para cada barco. Um capitão que sabe para onde estamos indo, que saiba lidar com o leme, que saiba ser fiel aos seus princípios.

Na visão macro, temos exemplos de heróis que um dia comandaram a humanidade de forma maravilhosa, e que foram expoentes em sua época. Mas esses heróis acabaram e, todos os dias, nascem os falsos heróis, os falsos mocinhos; vimos a origem do interesse humano virar sistemas nos quais governantes são eleitos apenas para sentir o próprio poder; vimos e ouvimos palavras fortes como crianças e acreditamos em cada uma delas, pois não há mais nada em que acreditar senão em miragens.

Na visão micro, temos nós, esse ser complexo física,biológica e psicologicamente, mas não apenas isso. Temos uma parte superior da qual podemos extrai o nosso eu verdadeiro e nele se basear para agir e montar guarda contra os males que nos assolam. Essa parte superior, desmistificada na visão de muitos, nos ensina a ser mais compassivos, mais humildes – não como na visão cristã --, de maneira que sabemos lidar com o que é certo, não duvidoso; com aquilo que é claro, vivido, e ao mesmo templo simples, belo e justo.

Na visão universal, temos cada ser trabalhando em sua esfera, em seu ponto, em seu espaço. Nada é por acaso. A Inteligência os colocou ali, cada um em seu devido lugar, ensinando, além de tudo, que a brevidade existe, pois nada pode ser aquilo que aparenta ser e sim o que fora determinado pelo mistério.

Involução Humana


Sabe, há determinados fatos que me chamam a atenção quando, por si só, independem da Imprensa, quero dizer... Falam alto, gritam aos nossos ouvidos, bradam “O que que está havendo conosco?!”, e me incitam mais um texto. Claro que o blog não chega a ser um diário das histórias pelas quais passo, mas... Mas... Vamos à historieta.

Bem, segundo a mardita imprensa foi assim, um senhor de mais de setenta anos chegou a uma agência de uma instituição – um tribunal – e foi fazer suas transações bancárias, assim como qualquer ser mortal. Ali mesmo, na agência, havia um estagiário que trabalhava na mesma instituição em que o velhinho aparentemente simpático trabalhava. O menino, inocente, com o mesmo intuito do senhor septuagenário, entrou em uma fila, mas nesta não poderia ficar porque o caixa, segundo o segurança, estava fechado – ou com problemas; então resolveu o menino ficar atrás do ‘humilde velhinho’ (não se enganem!), e pronto.

A partir dali, o inferno em forma de pessoa se fez na frente do pobre estagiário, que, na qualidade de cidadão comum, esperava o próximo a resolver seus imbróglios no caixa, mas, perdão, esqueci-me de dizer... O velhinho, além de trabalhar na mesma instituição que o garoto, era dono dela (!). Aproveitando seu cargo, sua idade, sua lucidez, ainda que medíocre, o presidente da Instituição, virou-se para o menino e começou a questioná-lo sobre a sua existência na terra.. “O que você está fazendo aqui? Por que não vai para outra fila ou fazer o que deve ser feito em outro lugar” – mais ou menos isso --, e o humilhado, quase sem voz... “Eu estou atrás da linha amarela, senhor”... O que nos pareceu uma simples forma de dizer ao senhor que não havia nada errado, ao velho foi como se fosse uma afronta ao poder... Ao poder dele.

Depois de meditar... meditar sobre o fato, tirei a seguinte conclusão: mais uma vez, estamos passando por uma transformação psico-material-involuida, na qual seres se confundem com cargos que ocupam, com carros que compram, com o lápis que escrevem, e, antes de mais nada, com as pessoas que vivem, porém nunca com seus atos, pensamentos, enfim, com elas mesmas.

De certa forma, chega a ser natural tal comportamento. Mas ser educado dentro dele como se fosse um refúgio da própria identidade, não é natural, e sim o inicio de uma avalanche decadencial na qual estão inseridas a política, a família, a religião, a ciência, a filosofia... a sociedade como um todo, enfim, a possibilidade de isso se transformar em uma extinção humana (não literal, claro) é muito grande!

Mas não estamos percebendo isso. Pelo contrário. A educação, desde a mais precoce idade, à fase adulta, nos conduz a esse pensamento torto – e arcaico. A criança, desde já, entende, isso na visão moderna, que, ao crescer, deve ter muito dinheiro, com uma profissão não humilhante, como sempre foram vistas as de gari, garçom, balconista, etc, e sobreviver em função disso, dessa desidentificação, ou seja, idealizar algo desde o inicio de sua vida até sua morte, como se fosse a maior busca que se faz enquanto vivo!...

O pior, teorizamos, fazemos palestras, concordamos com o fato de que realmente estamos sendo levado por essa avalanche, porém, ao passar pela porta, nos esquecemos completamente daquilo que somos! E o que somos? Somos seres humanos, e podemos nos identificar com o que fazemos, com o que pensamos, com a dor que sentimos, com o amor que damos e recebemos, etc... E mais, com sol que vemos e chuva que ouvimos; com a poeira molhada e seu cheiro... Com rosa, com lágrima que nos cai ao rosto quando nos emocionamos, com nossos atos elevados!... Mas nunca com o que temos. Talvez pela maneira como o conseguimos --, honestamente ou não; com lutas ou não... Assim: nenhum carro sou eu, nenhum cargo, nenhum lápis, borracha, nem mesmo o meu filho sou eu! – digo pelo exemplo de muitos pais se encontrarem na figura do filho e restringirem seus atos baseados em suas vidas.

Temos nossas características individuais, já perceberam? Cada um levando em si a personalidade que se preparou, educou... E o próprio caráter. Os aspectos físicos são relevantes, e é compreensível se identificar com ele, mas isso é milenar, ou seja, por falta de uma educação psico-filosófica e prática, sempre nos identificaremos com nosso corpo... Nada mais natural. Agora, uma educação que está aquém do que somos pode nos tornar animais no poder, cheios de instintos, cheios de falas racionais, contudo, apenas animais disputando vagas, disputando o que não somos.

- Volto no próximo texto...

A Parte que nos Falta

"É ótimo ter dúvidas, mas é muito melhor respondê-las"  A sensação é de que todos te deixaram. Não há mais ninguém ao seu lado....