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segunda-feira, 31 de março de 2014

Cidade Proibida

À feminilidade da mulher.



Sobrevoei teu corpo sem maldade,
E ao pousar em tua cidade,
Invadi seu aeroporto.
Adentrei em teu porto,
E naveguei em teu juízo...
Subi em teus edifícios,
Desci ao chão de tuas cascatas,
E na tua arena,
Foste a minha valquíria
Que cavalgaste sem fim.
Colhi frutos em teu pomar,
Surfei em tuas ondas,
Amei o teu amor, sem amar;
Deu-te luas e sóis distantes,
Ao passo, vidas errantes,
Como espírito em mim
A zombar.
Me deste um lar,
E dele eu saía
Tal menino vadio sem rosto,
Que nascia.
Que morria em seu corpo,
Além do palco que se abria,
E por meio dele,
Somente dele,
Prometeu, 
A peça que eu via.

Percorri tuas estradas,
E nelas perdi minha vida,
Colidi com  meus sonhos impuros,
E com o céu que me cobria.
Voltei ao teu mundo de amor,
Surrupiei o pouco que tu tinhas,
Recebi o fogo entrelinhas,
Tornei-me o rio que corria sozinho.
Recebi o teu ninho...
Contudo, embarquei em teus lábios,
Tão meus quanto livres eram,
E em razão de teus lírios que brotavam,
Cantei a canção que em presença
Gritava...

Te amo.

terça-feira, 25 de março de 2014

Cárcere do seu Universo

Descobrir os mistérios da mulher, planeta proibido.





Encerram-se horas no ponto

Meus minutos chegam ao fim,

Em segundos te encontro,

Eu a vejo presa dentro de mim.

Árvores cansadas, homens alados,

Prestes a debandar,

Deles colho frutos sem pressa,

Com semelhantes quimeras,

Vou acordar.

Em caminhos retos me vou,

Em frios lírios por você,

Após, o calor do cipreste,

Tornei-me inconteste,

Voltei-me ao meu ser.

Voltei a ser criança,          

Em minhas andanças,

Fui semente por ser,

Corri mundos e luas nuas,

Calhei em mãos tuas,

Aos teus olhos, por você.

E pelo verso das lembranças,

Em continuas andanças,

Em cruas ruas sem ser,

Virei universo infinito,

Ao passo lírico,

Dentro de seu Corpo,


Em você.

quinta-feira, 13 de março de 2014

Rios Cansados

O cansaço vem e as palavras com ele.



Fria em gelo seco, esperas se vão.
Neros se formam em penumbras,
Tumbas se abrem em nobre falso,
Escuridão.

Luas se caem em noites gélidas,
Sóis se calham em selvas e brumas,
Horizontes se vão tão curvos,
É a solidão.

Matas se espelham no alto em mão,
Curvas se fazem, estradas, ferragens,
Alhures se perdem cegos,
Pavão.

Sons se estranham em verso,
Na aguda essência que se foi,
Universo infinito mudo,
O que queres que sou?

Amantes em folha verde
Num rio prata da noite vêm,
Respiram lentos o amor da vida,
Que se esvai ferida,
Pelos homens que não a tem.

E a montanha se cala ante a tudo,
Espera o dia nascer querido,
Cheio de brisas, ventos líricos,
Aludo.

Rosas presas à terra tocada,
Em cores virgens em tons de marcela,
Colírio aos meus pequenos,
À tua parte donzela.

E nela se vai meu coração vazio,
Minha alma pobre e vadia,
Que um dia, se foi fria,

Tão imortal pelo tempo,
pelo Rio.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Acúmulo de Sonhos








Alma enamorada pelo tempo,
Nas abóbodas celestes,
Em resquícios de sua veste,
Tornou-me homem em desalento...
O que fez o rio de estrelas correr,
Num sistema escuro,
Ao passo tão puro,
Não vi o fruto amadurecer!
Foi um anjo que me disse,
Ao descer de um paraíso sem vez,
Calhou em viver na terra,
Amou a todos,
Virou salvador,
Nos prendeu em tua cela,
À terra lavrou.
Não há mais porquês
Se minha vida se esvaiu,
Caiu sem espírito do desejo,
Abriu meu ensejo
E no clarão do teu beijo...
Me salvou.
Foi um sonho em desatino,
Fez-me dormir homem de bem,
E me acordou menino.
No mas porém,
Do seu contudo,
O no entanto surgiu,
Seu ares entretanto,
E na diversidade,
Buscou-me prantos,
Que de meu ser pariu...
Estou confuso
Em meu espaço,
Ao te vir longe em aparição,
Marquei passo em meu nome,
Sangrou meu coração.
E dele nasceu a lua,
E de teus olhos, a canção,
Teu corpo em desalinho,
Uniu-se ao meu,
Formou universos de Pompeu,

Que se abriu em vão.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Jornada Insana






"É preciso coragem para revelar o que velamos."





Meu  beijo,
Em teu beijo,
Com sobejo à míngua,
Corre solto
Em teu corpo
Maduro,
E eu, tão puro, a levar minha
Língua
Ao som de um quarto
Escuro...

Teu nome
Em meu nome
Devora ateu
Tua ânsia, tua alma,
Tão mansa,
Em um mundo sem véu,
Tão preso à tua anca;
Leva-te meu doce,
Meu conto,
Meu canto lírico,
Meu mel, minha crônica...

Desafio a gravidade,
E, sem maldade,
Percorro, nas vias,
Tuas ruas vazias, vadias,
 E eu, vadio, a suar.

Não fui santo em te amar,
Éramos caracóis presos ao vicio,
Desde o inicio,
Solitários humanos,
Quiçá mais insanos,
Sem mundos a governar.

E o cansaço do medo
Desatou-me segredo,
Fez-me ao céu meditar,

Deu-me o espaço somente,
Tu, como estrela presente,
Com voz presa ao desejo,
Deu-me último beijo,
Deu-me o derradeiro respirar...!

Morri num espaço sem cor,
Num universo sem verso,
Desafiando leis íntimas da vida,
Mergulhando em rios de amor

Sem regresso.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Simples






A rua sozinha,
O chegar do vento,
O espalhar das pedras.
A brisa que de sobremaneira
Aquece a madrugada;
O acender  das velas;
Amada.

A nuvem teimosa,
A luz gigante de uma lua,
O mover-se das ondas.
O rosnar de um cão,
O caminhar do homem,
O poder de um não.

O farfalhar das asas
De uma borboleta
Que não dorme.
A escuridão que não dói.

O brotar de uma palavra,
A ideia que acorda,
A mente que desperta,
A alma que dança,
O sol que vem tímido...
A esperança me corrói.

Alaranjado, o céu é majestoso;
Formas abstratas,
Coloridas, expansivas...
Olhos efusivos,
Pássaros que acordam.

Teclas na saudade,
Música que não veio,
Orquestra do silêncio,
Harmonia dos céus,
Fúria das árvores,
Sonho interrompido.
E abelha mestra
A espera do mel.

  
Mãe que acorda,
Filhos que sonham,
Pai que trabalha,
Família.

Água que pinga,
Cachoeira que nasce,
Sombras que vêm,
Sombras que vão,
Fruto que cai.
Armadilha.

Terra que edifica
O homem que planta.
Livro que edifica
O homem que sabe.

Letras que somam,
Sílabas que unem,
Palavras que nascem,
Textos que matam.

Vermes no corpo,
Alma que se foi sem dor,
Vidas que renascem,
Paz que se revela.
Amor .









À mãe eterna.


quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Espelhos Quebrados



Aos pedaços que nos faltam.



Olho ao horizonte,
Não me vejo.
Ao céu que se desfaz
Em nuvem,
Ao mundo que se
Destrói em guerras,
Nas terras fugidias,
Onde mora a canção.
Na antemão das
Esquinas,
Dos carros que
Voam,
Das crianças que
Passam,
Das donas que
Lamuriam...
Do homem que
Pede.
Não me vejo.

Não me vejo
Ao som do sol,
A cair nas águas
Das belas sereias,
Das areias,
Das ruas,
Suas luas trêmulas,
Em suas vestes tão
Pequenas...
Tuas vozes amenas,
Que cintilam
Nas brisas
Que se vão.
Ao meu coração,
Cheio de bíblias,
De alcorões,
Tábuas e leis,
Sem mandamentos,
Apenas momentos,
Alentos...

E sinto o teclar
De minhas notas,
O sino de minha alma,
O pedir de minha
Calma,
A paz, nunca mais,
Se vai,
E fica a atribular,
À semelhança
De uma criança
E pedir, a sorrir,
Por esperanças,
Em crédulas
Andanças,
Danças,
Ancas,
Só.

Dó em meu peito,
Sem dor,
Na clausura
De te ver,
Amar,
Como mãos
Em violão...
A afinar as cordas
De teu mundo,
Ante o meu,
Imundo,
Submundo
de meus sonhos.

Não me vejo,
E me vejo
Em tudo que não

Sou.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Sonata de Amor


Em vias e esquinas,
Em dobras, em luas,
Sóis, matas, horizontes,
Perfumes, serras,
Escuros constantes,
Cavernas errantes,
Me perco.
Em carne e ossos,
Fossos distantes,
Ruas vazias,
Rostos sem nome,
Teu nome.
Luz do céu
Que ilumina
Meu inferno;
Cobertas finas,
Alvas, meninas,
Sujas, cansadas,
Cheias de vida,
Sem almas.
Não clamo teu véu,
Estás comigo...
Deslizo em tua pele;
Seu umbigo.
Cheiro teus canais
Aromatizados,
Arados, em cardumes,
E colho cansado,
No verde dos teus olhos,
Meu fruto do mar.
E saio do mar,
Vou ao pomar,
Embriago-me
Em relvas,
Corro selvas,
Nas nuas brumas,
E um rio de pedras,
E me vou descalço;
Me engano...
São doces perfeitos,
Em forma de picos.
São montanhas...
  
Vou ao cume,
Ao frio quente
Do amor passivo,
Da loucura sana,
Inconsciente clara;
Caminho devagar,
Sonho acordado,
Como soldado,
Batalho nas terras,
Sem guerras,
Sem aliados,
Sem inimigos,
Sem ninguém,
Apenas eu e você,
Nas ondas que vão e
Vêm...

Um silêncio se fez,
As ondas cessaram.
O brio de teu lírio,
Em minhas crostas,
Calhadas no rio...
Santificaram
O impuro.
Não era sangue,
Era o suor vermelho
Da saudade,
Ríspida de vontade,
Sem algemas,
Sem cordas,
Sem som.

Vulcão,
Terremotos,
Tsunamis,
Alertas do fim...
As horas se foram,
O ar se foi.
Apocalipse,
Fim, destruição,
Frestas imensas,
Você se vai,
E teu sorriso fresco,
Sincero, agudo,
Atinge a plenitude,
Açude,
Cachoeiras,
E meu dique se quebra,
Meu calor se vai,
e meu coração...

sonata que vem.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Insônia







Há noites que não durmo,
Que não sonho,
Que não diurno.
Pernoito.
Procuro janelas nas estrelas,
Noites na lua,
Nua.
Tua imagem,
Danças,
Sorrisos,
Fuga.
Dormir não posso.
Mas posso correr.
Pular,
Rodar meu mundo,
Sagrado ou imundo,
Cantar mudo.

Há dias que te procuro.
Árvores, sombras se vão,
Tais pessoas inertes,
Freadas.
Dão frutos,
Semelhante a você,
Teus frutos,
E eu, bruto,
Hoje, de luto,
Sem poder.

Lá se vai o céu de novo,
Tão claro, agora escuro,
Embora puro,
Sem norte, isolado,
Ainda forte,
A espera de um mundo.
Não chegas, no entanto.
O pranto me vem,
E os lençóis em descaso,
Imundos pelo breu
Que me cobre,
São fantasmas de linho...
São ninhos meus,
À prova do som
De minhas lágrimas
Caindo.


Adeus, vou dormir.

sábado, 12 de outubro de 2013

A Onda e o Rochedo





Te amo,
Mas não amo;
Te desejo mas não te quero;
Sou um louco sano,
Insano pelo teu corpo molhado.
Não sou Nero,
Talvez Augusto por teu beijo amado.
Não sou pássaro alado,
Nem leão ferido
Em tua selva calada.
Sou a penumbra de tua tarde,
O sol de tua manhã fria,
Que isola a ira de Deus,
Consola-se em lágrimas nuas,
Em tua fruta madura que cai.

Te amo.
E nunca mais te quero.
Como a dor que chega do nada,
Chega e vai-te embora,
Vai-te como a aurora,
E que do nada me leva agora.

E bate em mim como ondas,
E não sei o que fazer...
Minha alma escudo se quebra,
E não paras de me amar
No mar de outrora.

Mas agora, a violência de teu beijo
Me destrói saliente no sal do amor,
Desfaz-se em migalhas
Meu corpo, meu mundo,

Mas refaz a harmonia,
Alegra-me nos dias
Em que eu, rochedo,

Clamo teu mundo, teu amor.

A Parte que nos Falta

"É ótimo ter dúvidas, mas é muito melhor respondê-las"  A sensação é de que todos te deixaram. Não há mais ninguém ao seu lado....