terça-feira, 24 de novembro de 2009

O Sal Amargo de Nosso Tempo II

Se a própria Igreja abastece o povo com crendices arcaicas-sem-pé-ou-cabeça, é preciso entender que não é com ofensas que vamos lograr a verdade. Antes de tudo, é preciso que a tenhamos – a verdade – em nossas possibilidades; e mesmo que a tenhamos, o que acho quase impossível – pois até mesmo Buda dizia que da Verdade só temos o rabo, as orelhas, as patas, até mesmo o corpo, todavia não a temos por completo – vamos entender que há uma necessidade por trás das épocas, da história, dos ciclos, de haver uma decadência em determinados setores – no caso nosso, em todos! – pois tudo é cíclico, ou seja, há uma decadência, mas também há uma ascensão, não física, mas de valores essenciais pelos quais vivemos e morremos, e não sabemos, porém.

Uma coisa é certa, Saramago: o povo não é notório do completo saber, apenas alguns. Nem por isso aproveitamos tal natureza e a transformamos em um meio separatista, no qual apenas o racionalismo dos psedointelectuais esconde a ‘verdade’.

Saramago e a Crítica à Biblia

"A Bíblia é um manual de maus costumes, um catálogo de crueldade e do pior da natureza humana", dizia o autor de Caim.

Assim como várias bíblias, a Ocidental tem a finalidade de unir, mesmo que de maneira forçosa, todas as nações. Não há como ficar pior, como disse Saramago, pois se falamos de religião, ainda de maneira falha, há de convir que, mesmo com todas as más interpretações, com a falta de base intelectiva, filosófica, histórica, mítica..., sabe-se que pessoas melhoraram e se transformaram dentro do critério Antropomórfico-social religioso, no qual acreditam e morrem por ele.

A fé que tanto demonstram em seus céus, infernos circunstanciais e fictícios relata a falta de cultura, mas também demonstram a credibilidade em algo que não conseguem explicar – ou seja, sem base – o que demonstra a potencialidade humana no quesito Ideal. Mesmo não vendo, crê-se, e se vai à luta, e mais, consegue-se de tudo (fora os Bispos, Pastores ladrões, claro), além da própria simplicidade interna em lidar com seus semelhantes. Isso é incrível.

A Bíblia, por ser um livro sem chaves – cujos textos são vistos como indecifráveis por uns, e literais por outros – revela-se um texto atemporal, assim como todos os textos clássicos. Cheio de figuras míticas, até o próprio Cristo, espelha a necessidade de acreditarmos em algo maior que nós mesmos, de algo que seja grande, de poderes imensos, e que nos castigue no fim de nossos pecados. Ou seja, parece que queremos viver à sombra de alguém como nós. Isso difere muito das bíblias orientais, como a da própria Índia, a qual nos traz lutas simbólicas entre nós, personalidade, e nós, espírito – estou falando do Bagavagita. O livro mais lido e apreciado e seguido naquele país, pelo fato de levar a todos a sabedoria milenar de uma tradição enraigada de conhecimentos deixados pelos antigos sábios. Gandhi citava várias vezes livro na sua luta pela liberdade na Índia inglesa.

O Tao, até hoje, na atual China é seguido como o único livro a ser seguido tal qual as bíblias anteriores. Assim como outras filosofias, enraizadas em outras mais profundas, países orientais se firmam, se estruturam, se espiritualizam e, com certeza, se modernizam sem perder de vista a simbologia a que tanto respeitavam no passado.

O simbolismo de Saramago

Como um autor que despreza o processo histórico, é de se espantar em vê-lo fazendo um livro da altura de “Ensaio sobre a Cegueira”. Para quem leu a república platônica sabe muito bem que Saramago queria induzir o leitor ou expectador (virou filme!) a uma realidade paralela. Por meio de metáforas, desde o inicio conta-se a história de uma cidade cujos habitantes ficam cegos – e aos poucos –, quase enlouquecidos, não conseguem lidar com a situação a que se encontram. Fora a metáfora, é um texto farto de simbolismos os quais nos remetem a nós mesmos, ou a nossa sociedade, que trafega cega sem mesmo olhar o que faz, ou mesmo para onde vai.

Todavia, quando nos dirigimos a uma pessoa que possua ideologismos guardados na manga, fica até mais fácil introduzir uma linha de raciocínio que nos possa direcionar a algo certeiro, relevante; ou seja, é preciso ter um sol, ou mesmo uma estrela que nos encaminhe. E Saramago não tem um sol a nos direcionar. Ele próprio não tem direção.

Os grandes lideres de que lembramos – Luther King, Gandhi, Che Ghevara, entre outros, que nos mostraram energias suficientes para mudar o mundo, foram mortos e, ainda hoje, suas idéias são tão fortes quanto se estivessem vivos. É sempre assim... As idéias que geram melhorias à humanidade são como tochas eternas que iluminam a humanidade. Sem falar nos verdadeiros mestres – Cristo, Buda, Lao Tse, Confúcio, Sócrates... que são as próprias tochas, ou mesmo o sol de muitos. Esses seres especiais não criticaram ou mesmo deterioraram Igrejas e suas religiões... Buda já dizia que a verdadeira religião é aquela que respeita a do próximo.

Saramago na sua cegueira tem um mundo sem pensar; mas que mundo guardaria um homem sem Deus? Como seria comandado um país cujo governante teria medo em falar de Deus? Sim, claro, pois, se eu tenho uma parábola, uma história, um texto simbólico, ou mesmo um conto de fada, devo ter minhas convicções a um mundo melhor! Se, claro, esse texto estiver dentro de um contexto benéfico a um determinado tempo, povo... sociedade... Mas, não havendo essa idéia, para que a simbologia crítica de Saramago? Seria só para criticar as entidades, tal qual um apresentador de televisão visando audiência? Nesse caso nem mesmo a intenção é válida.
Continua...




















segunda-feira, 23 de novembro de 2009

O Sal Amargo de Nosso Tempo.


Existem processos históricos que devem ser relevados (e observados) não só pelos historiadores parciais, mas também pelos gênios de nossa época – pelos menos assim eles se proclamam; ganhadores de prêmios Nobel, de troféus televisivos, autores de best sellers, e entre outros, eles se expressam pela maioria que compra seus produtos, pela maioria que segue seus passos rumo ao precipício do vazio, e o processo histórico, aquele pelo qual o conhecimento foi gerado, e nele o fortalecimento do legado humano gerado, graças a eles, não faz parte de nossa educação.

É claro que nem todos são dessa forma, mas a maioria – Saramago, Dan Brawn, Mark Baker, Morris West etc – se vê como divindades intocáveis e vivem dentro de um âmbito egocêntrico no qual suas opiniões tão contextuais quanto seus textos não melhoram o mundo nem mesmo a eles próprios.

Saramago (José Saramago), um dos maiores escritores portugueses modernos da língua lusa (é o que ele acha), ultrapassa todos os limites de credibilidade que o mundo pode lidar. Mundo esse que sofre com opiniões e morre sem a praticidade dos bons. Com intuito de seguir o menu da decadência, o escritor, assim como muitos que estão quase esquecidos pela mídia – conjunto de informações atuais dadas pelos jornais, tv, rádios... – fez um manual de como não se deve envelhecer, dessa vez, falando mal dos religiosos em geral e em profundidade... de Deus.

Um escritor que se julga um bom escritor deve ter pelo menos uma razão para determinadas teorias que elucida em seus textos (ou seja, críticas). Em algumas obras tenta impor uma opinião divergente em meio a popularesca filosofia que defende e a religião que não tem. Em “A Caverna”, título que revela a tentativa de dualizar com o mítico Platão sua alegoria dita no livro VII d’ A República, escrita há quientos anos antes de Cristo, Saramago moderniza tanto o aspecto simbólico, que o texto fica ilegível, além de sua forma singular de escrever... Repugnante. Muitos, além, dizem que o escritor inventa formas apenas para se mostrar original. Isso dentro de uma língua que, por si só, já se mostra dificultosa para muitos.

Em outra aberração literária, Saramago – agora mais sal amargo do que nunca – no livro o “Evangelho, segundo Jesus Cristo”, opina acerca de Cristo e seu provável relacionamento com Maria Madalena (o mais interessante é que o escritor parece não se cansar de tentar ser original)... Acredito que Dan Brawn, de ‘Código Da Vinci’, devia tê-lo lido... Ou o contrário?!

Mais uma vez, irrelevando o processo histórico, o ‘grande’ imediatista e escritor esqueceu-se de que houve nações como a Índia, na qual se aceitou o processo de evolução espiritual de Sindarta Gautama, o qual transformou-se em Buda, contudo, antes de sê-lo, teve uma vida tão normal quanto qualquer ser mortal, casando-se com uma mulher arranjada pela família – costume do país. Saramago perdeu, de novo.

A longevidade da história é tão maior quanto a ignorância de Saramago; ainda bem! Ela, a história, nos diz que houve ainda Sócrates, talvez o maior de todos os filósofos, com uma sabedoria notável em relação a tudo, até do próprio universo... Contudo, sempre dizia... “só sei que nada sei” – lembra-se disso, Saramago? O filósofo nascera com todas as ferramentas para dualizar com seus contemporâneos, mas fora morto por simplesmente expor suas ideias, tão naturais quanto sua burrice, meu caro escritor, e fora morto por isso. Tempos difíceis aqueles, não?

Nosso tempo perdoa os canalhas, pois está fantasiado com uma capa chamada Democracia, na qual todos podem desrespeitar, fantasiar, burlar, ainda que seja um homem que teria tudo para ter em sua consciência a natureza cortês em lidar com as palavras, com as pessoas e com as instituições... Tempos fáceis, não?

Mas não... Dentro desse processo em que vivemos, esquecemos dos maiores que nos trouxeram as simbologias naturais, as quais nações inteiras – egípcias, maias, hindus, gregas, romanas, -- traspassaram como sinal de uma evolução humana em compreender as divindades, ou mesmo Deus. Contudo, autores modernos, talvez por quererem criar, remodelar conceitos, tal na arte, na música, na religião, na política, transformam tudo numa dantesca obra de uma vaca descuidada... E Saramago, como uma grande vaca – não descuidada – modela o tempo, a nossa época a seu bel prazer, a levar o pior às culturas, ainda que sua natureza seja voltada ao contrário; ou seja, poderia o autor, sob a égide do conhecimento que adquiriu ante sua grande passagem pelo mundo – ainda não passou, desculpe-me –levar o que há de necessário a seu público específico...

Mas se fizesse isso, teria que confrontar com outros que o fazem de maneira mais engajada, verdadeira e até virtuosa, o que lhe daria, pelo menos, nessa corrida pela ética e moral de uma humanidade carente, o último lugar.

Prova disso, além das expostas, é seu novo livro “Caim”. Ao tentar brilhar com holofotes que ele mesmo produz, não a mídia, revela não só a descrença como também o despreparo em relatar fatos necessários à elucidação da historicidade do texto bíblico – texto esse que exacerba infantilmente, atingindo comunidades e a própria Igreja, que, sem ferramentas, não consegue se defender do escritor, que, sorrindo, destrona, como um antiherói, uma mentira contada há séculos – porém, da maneira mais injusta e vil possível: com outra ignorância.

A Biblia

Com o ateísmo que lhe é peculiar, Saramago chama a Bíblia de “manual de maus costumes”.
A Bíblia, assim como todos livros clássicos, foi feita por um povo, uma comunidade, cuja cultura, ainda que obscura, em razão de até hoje se achar perseguida, nos trouxe, de alguma forma, a tentativa de nos elucidar a figura de um homem, que, segundo muitos, tornou-se Cristo depois dos doze anos de idade; este, após a maturidade iniciática, transladou todo o pensamento ocidental. Cristo se tornara, graças a seus discípulos, a figura solar do século – isso no Ocidente. Repartida em dois livros – o Velho e o Novo Testamento --, a Bíblia cristã inicia, cheia de simbolismos, o universo – elevando como mestre de obras e seus operários Deus e seus anjos; Adão – feito por meio das ‘narinas’ divinas, após a construção do mundo (água, ventos, terra, fogo...), supostamente o primeiro dos homens, teria toda a pureza e ao mesmo tempo todo o poder pela frente, mesmo porque fora a primeira criatura entre aquelas cujos atos eram apenas comer, pastar e viver conforme sua natureza. Adão era homem e vivia em meio a criatura que, segundo Deus, denominar-se-iam animais. O primeiro filho de Deus, a primeira criatura com pensamentos, tinha o mundo só seu, mas não sabia lidar sozinho com criaturas que não tinham o seu sexo; assim, Deus, sentindo a solidão do homem, o pegou, retirou dele uma costela, e fez, com sopros, tal qual o Adão, Eva, a primeira mulher.

A Tradição é repleta de simbolismos, os quais entre mitos gregos, egípcios, maias, astecas, hindus, etc demonstram, dentro de suas possibilidades, uma realidade muito profunda. Às vezes, nos mostram o inicio do grande Universo, a Alma, o Espírito, a busca pela compreensão humana, o próprio ser humano, e assim por diante. Até mesmo os sonhos são pequenos meios simbólicos para a compreensão nossa do dia a dia, quiçá de nós mesmos. Mas os autores modernos, até mesmo os que não são tão ateus, não cedem o conhecimento a essa complexidade, dizendo que a Tradição deve ser esquecida, e que tudo é passado, dando margem à outra complexidade: a de que a educação enraizada em preceitos antigos deve ser enterrada. Sabemos nós o valor de tais declarações...

Dan Brawn, o escritor da hora, sabe muito sobre simbolismos, mas, assim como outros enganadores de renome, engana muito a todos, em todos os seus livros, principalmente em “Codigo Da Vinci”, no qual relata a aventura de um professor de simbologia que persegue a ‘verdade’ após a morte de um iniciado mestre maçon. No livro, Brown elucida pontos importantes como a indagação sobre o Conselho de Nicéia, que, provavelmente, teria inventado a figura de Cristo apenas para manipular a situação, com a ajuda do imperador Constatino, que, ante o crescimento do Cristianismo, impõe à cultura da época vários pontos da Tradição, contudo, distorcidos, apenas para fortalecer a base Cristã. E conseguiu. Até aí tudo bem, mas, no andar da carruagem, o escritor que comprara uma ilha com a venda de Código Da Vinci distorce, também, um fator histórico muito importante, a de que o Santo Graau seria, nada mais que nada menos, algo restrito ao Cristianismo, e mais, que o Graau seria Maria Madalena... Ufa! Absurdo histórico. Sabemos todos que os celtas já possuíam o simbolismo do Graau em sua cultura, e ainda o têm. O Graau seria o próprio homem, segundo o simbolismo celta. Quando Artur o encontra, tudo floresce, acende, vira fogo – não no sentido literal --, e levanta-se derrotando o mal a sua volta... Artur, o grande, torna-se um sábio. Falemos mais tarde desse mito.

O ruim do ateísmo é que, quando se aprende que Deus não existe, falamos de uma entidade que circula em todos os lugares como se fosse um vento que não para. Mas, ao clamá-lo, está sempre conosco, resolvendo nossos problemas familiares, de saúde, de amor, financeiros, etc. Ou seja, sempre visualizamos uma grande sombra a nos rondar e que, ao precisar dela, está sempre ao nosso lado, e, quando ela não está, apesar de todas as nossas aclamações, choros, berros, suicídios... Aí, Deus não existe...

O ruim do ateísmo é que as opiniões não se aprofundam em torno da própria questão que o aflige, e quando se buscam opiniões relativas às dúvidas, encontram-se pessoas cujas opiniões nada mais são que meras elucubrações cruas, ignorantes, sem argumento...

Ateísmo
Saramago é ateu. Nisso, como diria o cristão, “ele peca”. Na antiguidade, se houvesse algum ateu, com certeza, não seria daquela época, mesmo porque não teria como sê-lo. Todos, inclusive indiano da grande Índia dourada – a Ariavarta – tinham conhecimentos profundos acerca do Universo, era uma nação comandada por sábios. Deus, para eles, era o Mistério; suas ramificações eram os deuses; por isso Platão sempre dizia “O homem é um Deus e disso ele se esqueceu”, porque o homem faria parte dessa ramificação. Deus estaria na dualidade, na incerteza, na pobreza, no amor – que une – no mal que separa. O resto: diabos, anjos bendidos, anjos rebeldes, nada mais que invenções necessárias ao engano coletivo, reforçado na Idade Média Ocidental.

Voltando à Bíblia

... Adão, segundo H.P.Blavatsck -- fundadora da Sociedade Teosófica --, teria um significado voltado mais à formação do Homem – Adão não seria literalmente o barro, mas significaria terra, tudo que é concreto, e Eva, Céu. Estudiosa, filosofa e ocultista, Blavatsck nos diz que em várias culturas o papel do homem e da mulher se complementam, como Um; o terceiro elemento nos daria a formação de uma Tríade superior. O Deus bíblico, nesse caso, seria o Nous, o espírito acima do homem, mas não o total que une o homem a tudo. Soma, a totalidade de uma personalidade; Psique, a Alma, e Nous, o espírito, o qual não se discute em termos humanos. Para o Cristianismo, que adotou a linha literal da palavra, Adão nada mais é que um homem que nascera primeiro que todos os homens. E Eva, a primeira mulher. Nesse caso, não caberia qualquer projeção simbólica ao casal. Uma falha medieval!

O pecado original, segundo a Igreja, seria a parte que, durante séculos, permeia com o maior dos pecados: o sexo de Adão e Eva. Tal ato deve-se ao desejo de Eva, junto com a Cobra, a grande maldita de todos os tempos, de comer a simples maçã, o fruto proibido, do desejo...

Adão e Eva, criando a consciência de suas realidades, nus como crianças, taparam seus sexos com folhas, e ficaram envergonhados perante o Pai. O simbolismo nos permite dizer que distorção feita pelos cristãos em relação ao “pecado original” foi diretriz a muitas gerações que acreditaram que Adão e Eva realmente existiram e fizeram o mal quando comeram do fruto, tiveram a consciência e se questionaram acerca do que estavam fazendo...

O simbolismo ainda nos permite dizer que a tomada de consciência, em qualquer época, é boa; é mais que isso. Para nações, sociedades, sejam tradicionais ou não, arcaicas ou não, é uma característica humana, não animal, mineral, o que nos dá a chave para muitas realidades, qual Adão e Eva. Governos mudam, países se modernizam, déspotas caem, corruptos são presos pela consciência coletiva...

A consciência, mais que uma forma de iniciativa, torna o homem mais humano pelo fato de tentar entender os próprios mistérios a sua volta, Deus. Então, não se pode levar em consideração argumentos que nos fazem pensar que Deus seria uma entidade que nos proíba de qualquer coisa, muito menos em CONHECÊ-LO, mesmo porque não estaríamos falando Dele e sim de um ser com botas, chicotes, bigodes, barba por fazer; cicatriz imensa no rosto dizendo “Por que comeram do fruto proibido? Eu não mandei ficarem longe da macieira?”

Esse tipo de constatação não é fácil; apenas aos voltados a respeitar os direitos educacionais e históricos da humanidade, o que não nos dá, por assim dizer, razão para desdizer grandes instituições como Igreja Católica ou qualquer Igreja que queira manter o arcaísmo em sua filosofia de vida, levando “iletrados e românticos” ao curral, como dia Marilena Chauí, filósofa – não podemos ser salvadores da pátria, sem pátria.

Continua...

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Guerreiro

Um guerreiro não se faz nos montes ou subindo montanhas; um guerreiro não é aquele que salva o mundo com interesses escusos, ou mesmo enfadonhos. Um guerreiro não grita: “sou guerreiro, sou o melhor de todos”, ou mesmo se torna uma entidade representativa do povo, ou mesmo humanidade. A humanidade o desprezaria...

Na inquietude de seu espaço, com atitudes simplórias, dorme o guerreiro a modificar sua estrutura interna, ainda que a empurrar o próximo para a luta diária. Sorri o guerreiro numa maca de hospital, ainda que seu leito seja pontiagudo e vil. Menospreza o lodo por onde passa, eleva tua alma ao humor, à vida, a Deus, e ama sua permanência entre todos que o amam, fazendo disso seu combustível, sua alavanca, seu ideal...

O guerreiro busca em si as guerras e as vence; o guerreiro não teme a morte, porque sabe que as etapas não estacionam nesse mundo estático de buscas ao mistério do pós- morten. Ele chora tal qual criança na beira de um abismo por não ter feito tudo que lhe deram os deuses, mas nos rios de tuas veias corre o sangue que nos parece frio, mas sabe o guerreiro que é tão quente quanto larvas vulcânicas, por isso se contenta com as lágrimas passageiras.

E se vai o guerreiro a duelar com a morte. Sorrindo para ele, ela, tremendo suas pernas, lhe diz “é hora de ir, meu amigo, seu tempo acabou”. Em gargalhadas, ele sucumbe aquele ser misterioso “Aonde houver batalhas irei, pois sei que vencerei todas”. A velha morte, sentada no leito do herói, lhe diz “ainda há muito que lutar nesse seu mundo, guerreiro; e que sua vida não é tua, mas do lugar de onde ela veio; e que um dia ela terá que voltar”.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Mudanças


O grande filho quer mudar. Todos já se foram. A mãe, que se tornara filha, clama aos deuses que ele não se vá. Os deuses, ainda que lancem o mal àquela pobre senhora, a atendem. O grande filho, contra os deuses, contra a própria família, após anos de felicidade, ao mesmo tempo, anos de tristeza, quebra o silêncio, quebra o cordão umbilical psicológico – o mais forte que o físico --, quebra a própria mesa, e se vai. A amargura no ar aperta o coração de todos, mas não o dele, que já previra tudo. O funil se faz.Irmãos degradam irmãos, depreciam o ato do irmã-pai. Restringem emoções. São fortes. A cólera é maior que o amor. O amor se esvai.



Se ainda choramos por causa das mudanças, é por que somos fracos.
A natureza sempre muda, todos os dias. Dizia o filósofo Heráclito “Não se banha no mesmo rio todos os dias”. A natureza está em eterna mudança. Ainda um grande filósofo ressalta em uma máxima inesquecível o poder da mudança – “Nada é tão estático quanto à mudança”.

Olhar para o céu, ver as aves mudarem, migrarem de lugares longos, apesar de suas pequenas asas, grandes ninhos, deixando-os em suas árvores com enormes galhos, traçados milimetricamente, como um arquiteto natural... Além dos seus filhos, que crescem, caem do galho, às vezes morrendo, às vezes voando alto, às vezes não voltando...

Não há problemas. Mas a nossa espécie, a humana, e seus sentimentos enraigados de pensamentos voltados ao passado, ao futuro, criam formas mentais lúgubres, criando cascas pesadas em torno de uma vida que, ao ver dos sábios, veio para ser leve e dar oportunidades a todos de viver, crescendo, aprendendo, errando, e por fim morrendo dentro de circunstâncias que nós próprios criamos. Circunstâncias essas cuja natureza e responsabilidade de ser boa ou ruim é nossa. O universo nos deu o livre arbítrio.

No entanto, livre não quer dizer fazer o que queremos, onde queremos. É viver dentro de nossos limites humanos, respeitando leis, obedecendo-lhes, seja em qualquer ocasião, lugar. A mudança deve ser feita dentro desse critério.

Não há porque tentar fazer mudanças só por fazer. Criaríamos inimigos, consequencias, desarmonias, e o pior, o mal a si próprio. A mudança deve ter finalidades, a de crescer, desapegar, voar, migrar, em nome de algo maior que cresce junto conosco em nossos corações; como uma vontade de crescer, elevar-se, planejar futuros, rever passados – às vezes, esquecendo-o, se for em nome de uma lei a que devemos obedecer.

Porém, se não há leis, não há rumos, não há nem mesmo propósito, a mudança se desfaz antes mesmo de ser feita. A mudança devia ser a meta humana, se houvesse referenciais. Sem eles, é como se fôssemos bêbados traçando a linha que demarca o meio de campo...


Não sejamos bêbados. Nada melhor que aceitar mudanças, antes mesmo de ser o sujeito da ação. A própria vida nos faz homens que mudam a toda hora, interna e externamente; então, na hora em que a flauta do céu tocar, vamos ouvi-la, e como pássaros sorridentes, em grupo ou individualmente, voamos e voamos ao encontro do sol -- ou ao encontro de nossos pequenos objetivos.


Sejamos fortes!





segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Reviver

Toda manhã, antes do nascer do sol, me empenho em respirar fundo e me elevar ao máximo, para quando o sol vier, sentir seus raios mais fortes do que de costume. É uma sensação divina, pois parece-me que tenho só a alma, sem todas aquelas parafernálias de costume – zangas, choros, loucuras.... – enfim, a contaminação da terra ao homem.

Quando o astro vem, sinto-me triste, porque sei que não fora o bastante minha dedicação inicial a ele, além da dedicação final que nem sempre com ele coincide. Não há importância, fazê-lo de referencial a minhas possibilidades já é o suficiente para me tornar um pouquinho melhor como ser humano, que também, em sua essência, pode nascer, crescer e desaparecer ao longo do grande ciclo a que tanto se obedece.

Assim, prossigo. No trabalho, dedico toda minha alma aos deuses que acima de mim estão, brilhando tanto quanto o disco solar que assola-nos com seu calor de costume; sorrio às pessoas, tento entrar no mundo delas, extirpar o que há de bom em cada uma, e nelas entender seus conceitos de amor e verdade. O mundo delas está em divergência com o alinhamento dos astros, do universo, de Deus...

O meu também. Contudo, em minha empreitada para saber a verdade, desloco-me até o submundo de cada ser, mergulho em suas raízes e sentimentos, compartilho sua dor, revelo-me vulgar e volto à superfície – não se pode mergulhar tanto. A vulgaridade pode fazer parte do ser humano às vezes por escolha, às vezes pelo desequilíbrio entre o que é certo e errado, escolhendo o errado.

Minhas escolhas estão feitas. O sol é a minha escolha. No declinar da cabeça, não vejo o chão, mas meu coração em chamas, a pedir mais amor ao homens, compreensão entre eles, paz a cada ser que nasce e a cada ser que morre – sem deixar de trabalhar um só instante, internamente.

E nesse labor, meu sol se esconde como o sol da tarde. Configurando o céu em um cenário divino, meu ser descansa, deixando minha alma mais leve, suave e fraterna. O laranjado das nuvens prova que o deus esférico está se indo, mas também está se pondo em corações como o meu, que não dorme, batendo todos os dias em busca de desvendar o mistério da vida.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Educação Religiosa


Muitos dos colégios atuais, segundo pesquisa, são a favor da educação religiosa em salas de aula. É certo que tal educação, com relação a outras “educações”, é necessária, para fins informativos, não formais. Digo isso justamente porque há paises nos quais há essa preocupação – de impor a religiosidade em sala de aula --, no entanto, mesmo com a boa intenção, não conseguem frear o desmantelo de uma sociedade.

Não sei se é com esse motivo – ideal talvez — mas exemplos nos diz que a direção parece oposta ao da ideia original. A cada dia, a violência em sala de aula aumenta, mesmo em países cujas estruturas são de primeiro mundo. É de se imaginar que, aqui, no Brasil, não seria diferente, mesmo porque não somos levados a acreditar na educação como meio de evolução de uma sociedade – caso contrário não haveria problemas de professores, alunos largados, salas quebradas... Enfim, como é que podemos pensar em refletir sobre ensino religioso se não acreditamos nem mesmo na educação?

A educação, como modelo básico da credibilidade, como meio de sustentabilidade de um país, deve ser, acima de tudo, de tudo mesmo, o pensamento do governante. Nela, sabemos que se encaixa a filosofia, a família, a religião, a ética comportamental, o respeito ao trabalho, à condição humana... E assim por diante. Ou seja, respeitar o próprio desígnio da educação é a meta de cada um. Cabe ao governante levar a prática nas estruturas escolares, na experiência de cada professor, na formalidade tradicional, que sempre considerou a educação como meio natural de harmonização do homem com o próximo (e meio ambiente).

A religiosidade, hoje tratada à parte pelos especialistas, governantes, virou educação também, porém não da maneira tradicional; o que nos faz repensar o que seria religião, educação, e outros conceitos que foram transformados em cinzas pelo modernismo, ou marginalizados, quer dizer, quando necessitamos, o pegamos e levamos para dentro de nossas casas, tal qual crianças abandonadas, contudo sem conhecer suas raízes.

A Educação, como ponte entre o comportamento humano e suas consecuções objetivas, virou educação religiosa. Não há outra forma de reconhecer, senão dessa forma. Realmente um abstracionismo fora do comum...Isto é, duas forças, assim como duas potências num mesmo espaço, o que nos dá margem para conceituá-las de qualquer maneira sem que saibamos quem realmente são.

Educação religiosa deveria ser, já que se criou esse seguimento, uma única forma de se educar, em todas as classes. Levando ao aluno a tradição de várias nações que um dia adquiriram conhecimento e transformaram milhões de pessoas durante séculos. Ainda, levar a ele a natureza da causa e consequência naturais, com as quais lida desde criança, mas, com a advento das novas educações, fora apagado, extinto, e dessa forma retirado do seu âmbito humano... Todas religiões nos trazem essa filosofia, e por isso é natural a todos os seres humanos entenderem isso, não apenas os jovens. Estaríamos assim a falar de uma re-educação voltada a todos, até aqueles que se acham conhecedores dela (de toda educação).

Levar aos alunos a reflexão acerca de si mesmo e de seus atos, por meio dessa grande lei (causa/efeito) seria tão necessário quanto sua passagem pelo mundo. Além dessa filosofia, fazer com que sua política comportamental mudasse dentro dos parâmetros Éticos e Morais – também incessantemente ventilados pela tradição grega, a qual nos deixou, visivelmente, legados culturais, políticos, religiosos, familiares, sociais, etc – mas que sempre fazemos vista grossa, por sermos tão falhos na interpretação do que é realmente valoroso a todos.

Falar sobre Deus incessantemente, também, e direcioná-los ao respeito que cada cultura tinha uma com a outra nesse quesito, nunca dizer que “sobre Deus não se discute”, pois estaríamos fugindo de uma outra natureza, a nossa, a que se esconde em tudo, em nós mesmos. Dizer que Deus é uno, e se esconde em todas as estruturas inatas (e natas), nas quais até o próprio homem se insere. Dizer que Deus não é (jamais), e sim que é; não deixá-lo conceituar as divindades, pois estaríamos vulgarizando a própria existência humana, universal, mítica, e a todos aqueles que um dia nos passou com sua real religiosidade tais informações.

O comportamento humano depende essencialmente da religiosidade. Objetivos materiais, psicológicos, financeiros e principalmente espirituais não seriam reais objetivos. É como se houvesse letras em uma partitura sem notas musicais. A música é a religião da letra; flores sem o perfume, noite sem a poesia; o dia sem o sol, e daí pra frente... O homem, em todas as suas atividades, precisa de algo que o religue, o eduque, o direcione em seu caminho (fora os descaminhos), levando em conta sempre suas experiências individuais a fim de um crescimento vertical, acima de tudo. Cada um dentro de suas limitações, claro.

A educação religiosa, ao englobar toda educação, teria a responsabilidade natural, não forçosa, em fazer com que todos os jovens observassem a realidade atual e, com o tempo, modificá-la, crescendo e desenvolvendo, vivendo sob a sobra da maior de todas as responsabilidades, a de que ele é hoje o que plantou ontem.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Abrigo Eterno

Um dia uma filósofa disse: temos que encontrar naquele cantinho da alma um lugarzinho feliz, onde sempre possamos nos refugiar e nos sentir bem. Acho primordial essa máxima, pois o que realmente precisamos é de um lugar interno, no qual, ao fechar os olhos, nos encontramos com nossa parte divina, aquela parte que nos revela a humanidade, como em uma oração.

Mas a filósofa, mais profundamente falando, nos convida a entender o mundo em que vivemos, de maneira a observá-lo e tentar localizar, por assim dizer, algo melhor do que aquele ao qual ela se referiu no inicio.

Hoje, cheios de lugares maravilhosos, o mundo nos leva a contemplar abrigos naturais, mas também abrigos feitos com a estética baseada no grande desejo do homem de descansar e viver bem, de acordo com parâmetros atuais – tecnológicos, psíquicos, amorosos... – enfim, de acordo com sua personalidade, a qual demonstra nuances.

No tecnológico, pode-se demonstrar um abrigo (uma casa, mansão...) voltado ao homem cansado: no bater às mãos, uma na outra, a luz se acende; um pequeno botão, ao lado da primeira parede, poderia acender ou apagar, mas este, ao girá-lo em sentido horário e anti-horário, nos faz ver uma luz amena ou mais forte, dependendo do movimento que se faz. Um controle remoto, em cima de uma pequena mesa inútil, vigiando uma televisão de setenta e duas polegadas, não serve apenas para ligar o aparelho, e sim ligar um aparelho de som, com seis caixas de dois metros embutidas nas paredes da casa, no qual se liga, também, o fogão à gás, lá na cozinha de cinquenta metros quadrados, onde quadros modernos, iguais aos da sala, predominam apenas para colorir o ambiente... E outras facilidades mais traduzem o conforto buscado pelo homem atual. Contudo só se esqueceu de que a luz também é artificial, e pode faltar em algumas horas, assim como a sua paciência para esperá-la. Mas não tenhamos pressa, há técnicos para tudo no mundo...!

No psicológico, o homem tem várias salas cheias esculturas sentido, como essas modernas que parecem mais uma rosa, parecem mais um jardim, parecem mais... Uma planta. Parecem, mas não são. Ainda nesse terreno, a sala do abrigo possui livros de psicólogos freudianos, além do mestre na arte da psicologia, Freud. A dono do abrigo fala muito, tem muitas respostas para tudo, mas tem muitos problemas de ordem psicológica, no trabalho, na família...

No amoroso, como todos aqueles que são apaixonados, seu abrigo mostra-se perfeito para morar, para viver, mas, como toda personalidade apaixonada, vai ao encontro da moda, do amor passageiro, da paixão. Na sala, há quadros de família, de filhos, cadeiras confortáveis, outras não; a vida do dono deste abrigo é tão volúvel quanto o vento que muda toda hora de direção.

Claro que há abrigos nos quais podemos sintetizar sempre a personalidade humana, a máscara grega, em que mudança é a palavra de ordem. Simplesmente para que se possa sentir-se bem, sempre em consonância conosco mesmo, seja baseada na moda, seja em nossos vícios, virtudes... Mas sempre levada a mostrar o que temos dentro: a vontade de estar bem com nossa alma.

E foi a partir daí que veio a necessidade de a autora (filósofa) levar-nos a refletir acerca do que temos em nós, sob esse manto chamado corpo, sob essa personalidade que nunca para de refletir sobre o que se guarda dentro dela mesma. É para isso que serve o racional: pensar, refletir, meditar acerca do que é elevado em nossas vidas. É com ele que se pode constatar que queremos algo melhor em todos os sentidos, mas algo que dure, que seja eterno.

Quando a autora nos fala de alma, fala-nos daquela parte que nela se guarda o melhor de nós, a parte que “pensa” no espírito – ou seja, em nós. Na alma há lugares em que a personalidade se fixa, e não consegue sair. São coisas da moda, da vida externa, dessas coisas que estamos cansados de falar, viver, sofrer, calar, apaixonar... De coisas que nos destroem, mas que são válidas, no entanto não é desses lugares que conseguimos filtrar o que é realmente necessário para entender o abrigo, o real abrigo, aquele para o qual devemos ir sempre que sentimos necessitados quando estamos desesperados e inclinados ao mal. A autora está falando de um lugar (apenas) onde se pode dormir e acordar em paz; onde flores podem ser vistas com olhos cerrados; onde o amor é real, a paz é real!

Todavia há caminhos que nos podem retirar desse grande abrigo que se resguarda em nossa alma. É o caminho da dúvida. Acreditar que esse abrigo existe é o primeiro caminho. Depois, buscá-lo na medida de suas necessidades internas e externas, pois sabemos que todos a temos... É só meditar envolto a músicas clássicas, a quadros e estátuas míticos; onde se possa sentir o silêncio.

Os abrigos naturais são necessários ao homem, no entanto também são passageiros, pois podem se perder em nossa consciência fria e problemática, por isso, desde já busquemos o que temos em nós, como forma de viver uma vida melhor, mesmo que seja tão difícil visualizar o abrigo dos sonhos. Mas como dizia outro grande filósofo “Se está em nosso caminho, está mais perto a cada passo”.


Filos.

A Parte que nos Falta

"É ótimo ter dúvidas, mas é muito melhor respondê-las"  A sensação é de que todos te deixaram. Não há mais ninguém ao seu lado....