sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Ser Feliz, o que e isso?

Contemplar a natura e seus elementos, viver ao lado da pessoa amada, amar a todos sem restrições, sorrir aos mais necessitados, abraçá-los; compartilhar, com seus filhos, as alegrias da vida, vê-los respeitar, obedecer aos pais, se formarem naquilo que a ele e a nós nos agrada; ver a pobreza em países miseráveis diminuir; ajudar o mais próximo, fazer parte de uma organização desinteressada, na qual o único objetivo é acabar com as injustiças sociais... Presenciar o sol, o seu nascer, o seu se pôr; o nascimento de uma alvorada; o canto dos grilos à noite, o cheiro da terra molhada após um calor escaldante; o sorrir de um homem que conseguira realizar seu sonho, o chorar pelo nascimento; o próprio sonho, a vida, a família, o universo em comunhão com nossos ideais, nosso projetos edificantes, a busca por Deus nas mínimas coisas; o acordar em Deus, o dormir em Deus; o sagrado nos símbolos, o símbolo como ponte para a compreensão do Todo, ou parte Dele.

As amizades de coração, o abraço no irmão-amigo-irmão... A resposta a um enigma que há muito nos enlouquece; a saída de um problema, a paz, o encontro, a saudade... A existência por si mesma, os enigmas da vida, da morte... A liberdade!

Todos são elementos nobres para a consecução da felicidade humana e muito mais. Assim, é natural que, em todas as leituras clássicas, todas elas, sermos remetidos a meios nos quais a própria felicidade é o foco principal. Em Aristóteles, Sêneca, Platão, Lao Tse, Esopo, Cícero, e em outros filósofos e não filósofos, como Humberto Rohden, Tomas More... haver de maneira distinta, porém não gratuita, o caminho para a felicidade...

Hoje, em razão da complexidade com a qual lidamos o nosso tempo, e pelas ferramentas em falta, somos obrigados a chamar de felicidade até mesmo a boa fase pela qual passa nosso time do coração – se nosso time vai bem, estamos felizes.

Os tempos mudam, os comportamentos, as falas, as dificuldades, e somos obrigados embutir em nossos sistema, qualquer que seja ele, valores, e dentro deles a nossa opinião sobre qualquer coisa, inclusive acerca da felicidade, não importando se significou algo ou não no passado, não importando se violamos naturezas, leis... Não, não importa isso. O que realmente importa é a felicidade, representando ou não o que representou ou representa em sua totalidade.

Nossa ‘realidade’ se esconde dentro de nossos interesses e, se não conseguimos realizá-lo, alcançá-lo, a felicidade nada mais é que um artigo de luxo – quer dizer, daqueles que sempre conseguem, honestamente ou não, seus objetivos.

Assim, sempre levantando castelos de areias, ao vento forte, inclinamo-nos a dar responsabilidades a todas as filosofias e religiões, ciências, estudiosos, governos ao que é de nossa responsabilidade. Nunca, jamais, batemos em nosso peito e dissemos “Eu sou o responsável por isso, portanto eu sou o culpado pela minha infelicidade”. Nada melhor que estar livre de pesos, de problemas, de cujo grau de dificuldade somos regadores.



Na Bíblia diz “Plantai e colhei”. Uma máxima que há milhares de anos já diziam os sábios que conheciam a grande lei universal, sem a qual não vivemos, nem se, por acaso, batermos as botas... Nas entrelinhas da bíblia cristã encontra-se a felicidade, assim como também na máxima budista “Encontre o caminho do meio”. Entender? Ah, mais isso não seria nato de seres que se importam apenas com o próprio umbigo. As máximas capitalistas sem moral alguma falam muito mais alto. Claro que estou sendo um tanto quanto genérico, pois, de alguma forma, para a sobrevivência numa selva, qualquer selva, até mesmo as de pedras, precisamos de máximas de pedra.

O capitalista tem sua meta: ser feliz com o que tem, ou com o que pode obter; o homem espiritual não precisa de nada, pois já possui a felicidade. Ele é a própria. E assim podemos sê-lo. Estamos longe, muito longe, mas podemos.

Como já diziam os mestres, “já possuímos tudo e não é necessário mais pedir a Deus seja o que for.” Para alguns, a realidade dessa frase nada mais é que uma forma de confrontar o pragmatismo religioso com a filosofia ateia. Não se pode desnudar, no entanto, uma verdade que há muito nos aparece como meia verdade. Isso só vai confundir muitos.

O que querem dizer os mestres é que a vida já nos dá o que é justo (assim acreditavam os egípcios), portanto o que nos rodeia, o que nos faz ser materialistas ao ponto de correr atrás de nossas “felicidades”, nada mais é que complementos circunstanciais. O que nos faz acreditar que tudo o que conseguimos para nos vestir, morar, comer, beber, trabalhar, até mesmo viver são felicidades reais e concretas são os homens de todas as épocas. Até mesmo alguns filósofos. Contudo, ao se deparar com a serenidade de uma verdadeira felicidade, o filósofo vê, percebe, se eleva e se torna um homem no sentido mais divino da palavra. Sabe que nada sabe, sabe que é natural os ciclos da vida, e sabe porque acontece, no transcurso de todas as vidas, a necessidade de ser feliz com o que tem, com o que pode um dia ter.

Esse filósofo já é um sábio , não é mais aquele que busca a verdade, pois já a tem. E sábio não precisa de ler livros para descobrir o sentido das coisas, pois já sabe o porquê delas. Sabe da real necessidade da miséria humana, o porquê da corrupção, do desamor, das lutas vãs entre os homens, dos maiores problemas que atingem nossos corações... da mau política.

A felicidade do sábio vem do conhecimento. E todo conhecimento significa, em seu âmbito, um processo de consecução interna por intermédio de evoluções individuais, não massivas. Todo homem tem esse poder interno, basta vivenciá-lo em seu trabalho como ser humano, dentro desse contexto no qual os deuses lhe propiciam a cada vida. Caso contrário, encontrará, de terceiros, uma felicidade embutida de fora para dentro, perdendo assim sua identidade.

O sábio existe como forma de nos alertar que somos possíveis, não impossíveis, realizadores de nossos desejos. Porém o sábio o é porque sempre se importou com todos, amou a todos, mas, primeiramente, buscou entender, no germe, o âmbito da palavra amor, que, com certeza, nos faz realmente felizes.

Ao Fim do Dia


Tantas das lutas por que passamos e nos esquecemos de agradecer a vida, ou melhor a grande Vida. Essa fortaleza que nos sustenta no inicio do dia, esse sentimento de viver após cada sol, cada lua... É tão puro e inato, quanto à criança que nasce, chora e mais tarde sorri. Dizer obrigado é pouco a esse sangue invisível que corre em nome do Espírito, que nos vem em nome do mistério, e nos faz chorar em nome da paz interna.

As ofensas um ao outro, as intrigas do dia a dia, a hipocrisia, além da incompreensão humana, tudo se revela espelhos voltados às sombras de nossos caráteres sem rumo; mas o dia – com seu caráter eterno – lubrifica nossas almas, ainda que não sejamos dignos de seu sol, de sua lua. Nada é tão belo quanto a vida, nada, nem mesmo a vinda dos messias que nos promete salvações; salvar de quê? Não preciso ser salvo desse manancial universal do qual sou parte, no qual, em mim, se faz; nem mesmo de minha persona maldita que me ilude com seus problemas tão naturais quanto o respirar do céu.

O inicio da vida começa onde a luz se inicia; a luz se inicia quando minha ignorância desaparece, se torna sabedoria – sem divisões – apenas Uma. Nada além das folhas, do cálice derramado, nada além do pão consumido, das refeições do corpo e da alma; precisamos delas.

Obrigado, ó grande céu, que sobre mim permeia cheio de belezas; obrigado a sua natura perfeita e incompreensível Metafísica... Obrigado a essa comunicação misteriosa que temos com o divino que nos ronda, tão simples e ao mesmo tempo tão complexo.

Enquanto isso, nossa natureza, tão humana, se vai como vento teimoso de verão. Questioná-la seria abrir espaços ao grande oceano da vida, que, de tão belo e místico, revela em nós um pouco dele, de suas águas que em nossas veias corre. Revela a porção salina, ainda que pequena, no entanto esotérica, daquilo que chamamos “Deus em nós”.

Desculpe, ó Dia, por nossas faltas, pelo nosso esquecimento. Lembrar que viemos de vós, seria ainda mais metafísico, todavia tão certo quanto ajoelhar-se ante o antropomorfismo criado. Perdoe-nos. É de nós inventar o que nossos corações precisam, e é de nós cobrir a verdade transformando-a em uma grande mentira, lacrando todas as possibilidades de evolução – ou melhor, do conhecer a si mesmo a partir desse imenso exemplo que és, diante de nossas janelas, ao abri-las e constatar que somos o que vemos, o que temos em nós, lá no fundo de nossas almas.

Não sei se nos perdoará, ó grande sonho real, grande pai belo, cujo manto é tão infinito quanto o da mãe nossa de cada dia.

Mas o dia está chegando ao fim, e Você, impassivo, nasce, cresce e dorme em nome da grande sabedoria que se revela e que se esconde, até o dia em que saibamos teu real segredo – se um dia assim quiser.

Inicio e Fim de Ano, o que (nos) muda?


Sempre em nome de Deus cometemos exageros para justificar nossa fragilidade frente às coisas que há muito são tão fortes quanto nós. Bebemos, comemos, falamos bobagens, tudo em excesso. Até o desrespeito em excesso vale, que coisa hein?! Nada melhor do que refletir sobre isso.

Acho que passamos o ano inteiro desejando que chegue essa hora tão bendita, a hora de fazer tudo – tudo mesmo, simplesmente por que o ano está se indo como água que vai para a correnteza, e nascendo outro como um filho belo que promete se obediente, forte e cumpridor de sua palavra com os pais.

Claro que a metáfora acima foi um tanto quanto exagerada, porém nos faz, mais uma vez, pensar no tanto que esperamos do ano e não de nós, os seres que vão atravessar o grande rio... “Espero que o ano que vem seja...”, não é assim?

Assim o é em todos os lugares, em todas as nações porque passa a estrela nova da esperança de um novo ano, um novo mundo, mas nunca um novo homem... Por quê? Se somos nós os comprometidos a realizar, a sonhar, a trabalhar, a viver em função de nossos projetos, querendo ou não.

O mundo gira por si próprio, mas não podemos esperar que ele realize nossos sonhos – porque ele não o fará. A inércia talvez seja o pior dos movimentos. Pois nos faz inúteis. Temos nossos próprios movimentos. Levantamos da cama, escovamos os dentes, vamos ao encontro daquilo que nos interessa, ou não. Partimos, voltamos, idealizamos... Buscamos ideais. Ou seja, sempre estamos em movimento, assim como tudo que nos rodeia, assim como tudo no universo, mesmo que aparentemente esteja estático...

“Espero que o ano que vem seja...” talvez seja uma breve frase de dedicação ao próximo, ou mesmo a nós mesmos, no sentido de que todas as coisas dêem certo e que se movimentem a nosso favor. Mesmo assim estamos sendo egoístas, porque nada se move a nosso favor se estamos estáticos, a espera de nossas riquezas pessoais. É preciso que sejamos mais diretos... “Espero que eu seja...”. “Espero que eu faça...”, “Espero que eu mude...”.

São formas de saber lidar consigo próprio, no sentido de buscar ser um pouquinho melhor a cada ano, ou anos, não importa. O que realmente interessa é entender que o mundo de cada pessoa não pára para receber bênçãos, jamais. Nossos mundos particulares rodam com um eixo, a alma. Se ela está bem, procuramos viver bem; caso contrário, o que nos pode acontecer é parar e viver da inércia universal, ou do próximo que quer mudar a sua vida... Você escolhe.

O exercício o fará pensar que tudo se move contra ou a favor de você. É uma questão de acreditar, pois a individualidade é tão egoísta que nos remete ao pensamento que, mesmo errados, estamos corretos. Tenhamos a alma como eixo, e tenhamos como meta ideais elevados, universais, humanitários. É uma questão de princípio.

E o fim de ano? E o inicio do ano? Haverá outros, e, quem sabe, seremos um pouquinho menos egoístas, interesseiros, desumanos, frios... Ou se não, comecemos agora mesmo, não percamos tempo!







Sete de Janeiro


Queria falar de uma pessoa que nos faz muuuuuita falta, mas não sei por onde começar. Geralmente se começa falando dela, da pessoa, com muito carinho, de maneira que saibamos usar as palavras, sem tropeçar, sem “tropegar”. Não, eu não queria apenas me referir a essa pessoa de maneira carinhosa, mas saudosa, como se ela entendesse o quanto sentimos – e sinto – falta dela. Mas as palavras me faltam, além do coração que é pequeno, tão pequeno, que não chora mais de tanta saudade.

Queria falar do meu irmão João. Para muitos, Piaba. Para os mais íntimos “Inhão” – codinomes advindos de seu pai, Luis Piaba, e de sua infância perfeita, na qual se escutou musicas belas, namorou-se meninas ingênuas, viveu-se em meio a brigas talvez mais ingênuas ainda. Disputaram corações, ganharam partidas, uniram-se na dor...

Embora tenha sido a época da ingenuidade, grandes homens se fizeram á época de meu irmão. Luther King, Mahatman Gandhi, Indira Gandhi, Louis Armstrong... nomes inesquecíveis nas mentes e veias dos jovens na década de setenta. Sem falar na luta juvenil pela volta da democracia, numa ditadura severa, cruel. Contudo, João, Mundão – Raimundo, Gilvana, Rosângela, Beleza (Graciliano), Claudete, ocupados em beijar seus pares não deram trela aos cassetetes, às músicas de ordem de Chico Buarque, Geraldo Vandré, Caetano... É claro, não eram idealistas! Queriam dançar, se pudessem, ao ritmo de um Woodstok diferente, como por exemplo... Michael Jackson e os Jackson Five, Marvin Gaye, Diana Ross... Enredar seus mundos ao passo firme do funk, soul, à mercê dos cabelos imensos, nos quais não era qualquer escova que neles penetravam...

Muitos foram pegos pelo serviço militar. E nosso querido irmão João, percebendo que sua didática teria que sair do papel, foi para a aeronáutica. Hoje, percebe-se que nela um pouco de sua educação estendeu-se; ao deixar os passos antigos da música ritmada – todos sabem que Piaba nunca encontrava o ritmo da dança -- , começou a ritmar aos passos da ordem, da disciplina, e dentro dela achou a natureza de uma outra educação, a dos filhos. Quem o conhecia sabia que tudo o que fez foi baseado na ordem que aprendera nas forças armadas; que seus filhos beberam e muito nas águas de sua disciplina.

Mas a educação de um homem nunca é completa. João não fora perfeccionista a vida toda, nem poderia. Era ser humano. O que fica na realidade é toda a esfera que bordou em torno de sua vida particular. E dentro dela a organização, a elegância, a pouca e sincera educação ao filhos, que eternamente refletirá e causará espanto, mesmo em seus netos, que o conheceram e sorriem ao ver o símbolo do time do avô, Fluminense.

Tricolor doente, como a maioria dos torcedores deste time, Piaba revelava-se escudeiro, como nas histórias de Don Quixote, só que, agora, defendia a escuderia tricolor carioca, como a própria filha. Extensivo aos filhos, o time, no ano que se encerrou, estava tão doente quanto o nosso querido irmão, porém, numa arrancada, os dois se reabilitaram – João no hospital e o pó-de-arroz no campeonato --, o fluminense teria que vencer todos os jogos para não ser rebaixado; João, impulsionado pela alta que os médicos lhe deram, não se cuidava, pelo contrário, acreditava que tudo dependia da força de vontade, mas não dos cuidados que havia que tomar... Assim, voltara para o hospital.


O time do coração, que andava mal das pernas, seguira todos os caminhos, e não perdera desde o inicio, como lhe haviam pedido – a torcida inteira, quase como um médico nas orelhas de cada jogador: “Não desistam nunca”!

E assim, partiram para uma realidade que teriam que enfrentar a cada jogo; do outro lado, João, enfermo, passava por situações por que jamais pensava em passar – já durava um ano a leucemia. A seus olhos, e aos nossos, a doença jamais o prenderia, pelo fato de todos os dias nos passar a fortaleza, a paz, o humor, a longevidade de suas características fortes do passado – contudo, não tão fortes como antes. Sua energia não era a mesma, sua voz não era a mesma, seu físico de jogador atacante que vencera todos os zagueiros... Não era o mesmo. A luz se ia. Ali, o guerreiro não tinha mais forças, depois de tantos meses no leito dos hospitais, depois de tanto tempo forçando a face, ainda que triste por dentro, feliz ao ver um membro da família.

... E o time vencia todas, como mandava o figurino. Fred, Maicon, Conca... sob o comando de Cuca, vencia todas as partidas – perdendo apenas pelo cansaço a semifinal da Sul americana, o que não o fez menor no jogo de ida.. Contudo, por uma expulsão, mas com o placar de três a zero, revivemos um outro campeonato em que ganhamos, mas não levamos a taça...

Continuaram a vencer, vencer... E João a esmorecer. Os deuses já haviam se retirado do seu lado, mas as pessoas não. Sua esposa, Claudete, que o conhecera em épocas douradas, e desde então fora sua amiga, companheira, esposa e mulher, sempre a lidar com a vida – com a sua e com a dele, como se fossem um – de maneira que nem mesmo as lendárias Valquírias a compreendiam, nunca o abandonou, pois Dete, esposa do grande guerreiro, tinha tanta vida quanto um batalhão de mulheres. Assim eu a vejo.

No último dia do campeonato, num domingo, o Tricolor carioca só dependia dele...; João... Não sabíamos. Acreditamos que não. Em território inimigo, com a torcida cem por cento contra, o pó-de-arroz subiu ao palco como um time que daria a vida para se tornar o único time do campeonato não perder uma partida em treze, mas se a perdesse naquele dia estava fora da temporada na primeira divisão no próximo ano.

João, sem armas, forças, pedia para viver, ao mesmo tempo não mais sofrer. Como seu time, João não poderia ter desobedecido à lei, às regras da vida, ao grande jogo a que obedecemos todos os dias – jogo este em que estamos embutidos desde o dia em que nascemos... Até nossa própria ida ao desconhecido. Muitos sofrem por pequenas e grandes desobediências, mas João, o grande irmão que vivera em função de uma grande família, que dera aos filhos uma educação invejável, que amava a música, os vinhos, a boa conversa; que amava os irmãos – e nós a ele --, além dos amigos de infância, de juventude e na maturidade, todos eles, perdera todas forças naquele dia, talvez pela desobediência, talvez pelo caminho que teria que passar, talvez por muitas coisas que a nós sempre serão desconhecidas. Eu fico com a certeza dos deuses, ou seja, nada nos acontece por acaso.

Quanto ao time, podemos dizer que, naquele domingo, seis de dezembro de dois mil e nove, houve duas vitórias. O Fluminense não caiu por vencer, e João, vencido, subiu, fora para o desconhecido, onde somente aqueles que deixam lembranças memoráveis vão e nunca mais – fisicamente – aparecem.

João nos deixou sua simpatia, além dos sorrisos e piadas sutis; nos deixou o amor à vida; João ficou em nossos corações, almas, vidas, em todos os lugares por onde passou e amou; João ficou em nossos olhares, pois temos um pouco dele em nossas faces, corpos, cores, origens; deixou-nos quase que de maneira fictícia, pois até agora não entendemos o porquê da morte tê-lo levado tão cedo.

Para alguns a morte é o inicio, para outros é o fim. Para mim, é o mistério infinito pelo qual, assim como a vida, todas as leis pelas quais passamos aqui, em vida, continuam, bem depois, muito depois.

Feliz aniversário, irmão. Obrigado por ter sido o que foi.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

O Legado Humano II

... Ainda na esfera natural, temos que supor, como se fosse uma teoria bastante irrealizável, utópica, que somos dotados de bons dons. De refrearmos atitudes frias, grosseiras, instintivas; sabendo é claro que somente os animais vivem delas! Olhar a própria vida como se fosse uma batalha, sendo dentro de nós ou não. E que a expressão ‘dar passos’ signifique tanto quanto a vinda do messias (sei lá qual), não adotando expressões chulas, depressivas, natas de uma sociedade que quer elevar-se acima de qualquer razão. Não, não podemos ser negativos. É mais uma das expressões infelizmente que teremos que adotar nessas trincheiras contra nós mesmos ou contra todos que se instalam à margem de nossas casas e ficam nos degradando à medida do possível, com atos e gestos também natos; mas por que eu disse “infelizmente”? A vida deveria ser programada para nos embutir somente o que nos valesse à pena... Que utopia maravilhosa!

Ainda na esfera n..., podemos nos inclinar a irrelevar problemas casuísticos, e fazê-los amassar como folhas-rascunhos. É possível, é provável. Tanto que há pessoas que são visivelmente amigas, suntuosas, amáveis, belas no que fazem e dizem. São dotadas de uma alma apaziguadora. Nelas se revela a possibilidade de sermos bons, realmente bons, ainda que por motivos individuais, circunstanciais... Interesseiros... Mas o que importa é que temos a ferramenta básica para ser tanto quanto melhor do que somos agora, e se não o somos, como diria Marcos Aurélio, filósofo, paremos de falar bem do próximo e nos juntemos a ele em bondade, amor, justiça... Sejamos iguais a ele!

O legado humano é imenso e ao mesmo tempo cheio de nuances das quais tiramos todos os dias aprendizados; contudo, um aprendizado, para uma vida de sessenta, oitenta e até mesmo cento e vinte anos, é muito pouco, por isso acreditam os grandes homens que somos eternos, tais quais o pôr do sol, a grande chuva, o grande espírito, tais quais os perfumes que embriagam a terra... Enfim, acreditam que somos parte dessa roda que não para em nome da busca pela perfeição eterna e Divina; não teríamos, claro, chances de sermos divinos se não tivéssemos essa qualidade de eternos, se tudo que é divino é eterno!

As batalhas também são eternas

Hoje, temos visões de céus e infernos culturais, dos quais tiramos idéias simbólicas e ao mesmo tempo damos credibilidade semelhante a algo que realmente existe. O perigo de dar credibilidade em algo que nos limita a compreensão é simplesmente viver dele e levá-lo a nossas vidas quais roupas, quais sapatos e chinelos. Não nos faltam exemplos...

No cristianismo, o céu, a espera do homem que será julgado, lá mesmo, ou sei lá onde, reflete-se cheio de pessoas dotadas de uma bondade ao extremo, sorrindo um para o outro, tomando banhos de cachoeiras, dormindo em travesseiros dourados, de seda – ah, as cachoeiras são mel. Pessoas de bem com a vida e-ter-na-men-te...

E aí? Será que nasceram todas elas divinas iguais a Cristo, que, ao nascer ainda não o era, e sim Jesus? Nem Sindarta Gautama fora Buda desde criança! Mas o que quero dizer com isso? Que a perfeição é uma possibilidade, mas temos que entender que não nascemos santos, apenas dotados de qualidades e defeitos com os quais trabalhamos nossa vida, tão cíclica quanto as rodas de uma carroça...

Trabalhar nossos defeitos e canalizá-los em forma de potencialidades e elevá-los é algo tão natural quando o bote de um tigre numa gazela. A questão é que perdemos a essência dessa batalha, desse lado humano de lidar conosco mesmos.

Não nascemos divinos, portanto, fica a critério de cada um superar a si mesmo em cada cortina de sua ‘encarnação’, do teatro que vida nos oferece. Sejamos bons atores, já diziam os gregos! Vamos eternizar cada cena, em nossos diálogos, atos, ainda que falhos, corrijamo-nos!

As batalhas nunca são as mesmas; nos parecem guerras, às vezes, mas são apenas pequenas batalhas, espelhos de nossos atos, falas, pensamentos...
Quem sabe um dia nos tornamos, dentro de nossas possibilidades, um Cristo, um Buda, Confúcio. Lao...

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

O Legado Humano

Às vezes vejo na mídia milhares de pessoas defendendo a paz, caminhando quilômetros de distancia, gritando “queremos paz”; outras, “queremos Justiça”, “nossos direitos” – não estão errados. Além dessa linha, há os idealistas de plantão que se cadastram em sites de organizações não governamentais, e, no outro dia, tentando suicídio em nome de peixes, de mares poluídos, de caças predatórias – não estão errados.

Não estão errados, porém, ainda que sejam pessoas que se jogam em nome do bem possível, ainda que estejam sendo provavelmente heróis de uma grande causa, há de convir que há medidas menos extremas e simples que podem, antes da paz, antes dos peixes, dos mares, salvar o mundo: os gestos, as falas, pensamentos...

Hoje, com continentes falecendo em nome da debilidade humana, não podemos voltar e nos manter frios frente às consequências que nós próprios criamos, desde o dia em que somos seres ambulantes, crianças desnaturadas, sem pais. Seria, com certeza, dar cavalos-de-pau em navios. Então continuemos em nossa tentativa vã, mas sempre voltados a novas soluções, tais como...

Começar de novo, deixando os buracos antigos para trás. Assim como o nascimento de uma flor em meio a um cerrado, como o pingar de uma chuva, que mais tarde se transformará em uma grande cascata, numa grande cachoeira. Começar novamente, sim, desde o inicio, em meio a tiros de bazuca, a guerras desordenadas, criadas por interesses políticos. Não inventar, e sim recomeçar e tentar obedecer a leis que já existem, que nunca prestamos atenção pelo fato de olharmos o bastante nossos umbigos.

O sair pelo portão da casa, olhar o vizinho, tentar entendê-lo com o passar do tempo. Criar meios – pontes – de comunicação ainda que sejam com gestos, olhares, e, como um jardim que precisa ser regado, a água da bem-aventurança vem bem devagarinho. Mais tarde, a gentileza do aperto de mão, a conversa, e quem sabe uma cerveja...

Com o passar do tempo, a natureza se encarrega das gentilezas a que obedecemos, das formas éticas – tão em falta em nossos dias – da cortesia, que nos é inerente. Vamos deixar os “contudos” pra lá... Vamos dizer que, em meio às guerras, estamos vencendo, trazendo um ser ao nosso circulo, e, principalmente, quando estamos dispostos a ajudar. Sem medo de dizer “em que posso ajudar, amigo?”, ao precisar de nós. E, se não dispusermos de elementos práticos-concretos, que nos venha à alma o grande abraço, o aperto doído de mão, a piada refinada... Ou mesmo o ouvir.

A guerra lá fora é bem maior, mas, por falta de humanidade, de amor ao próximo, não há vencedores, por mais que queiramos. Teremos apenas ruínas e recomeços tristes se não tivermos em mão uma nova trilha, um novo mundo. Para isso é preciso que regamos uma nova paz, uma nova justiça, sem medo da verdade, do amor, o primeiro dos sentimentos.

Vamos defender os mares, os tubarões-voadores, os golfinhos; defendamos, mais, o meio que nos circunda, caso contrário, nada terá valia, nada sobreviverá, se não houver mais defensores de seres humanos.

Para o Bem de Todos


Se soubéssemos o que nos seria bom, já de pronto, causar-nos-ia menos problemas desde a infância até a idade da morte. Mas não temos bola de cristal. E se a tivéssemos, a quebraríamos. Ou a própria natureza o faria. A Natureza se encarregou de nos fazer “recordadores” de um passado que está em nossas possibilidades. Não de vidas passadas. De nossos passados, nos lembramos muitas coisas quando jovem, ou quando fazemos exercícios mentais para tanto – o que é bom; porém ainda nos resta muita coisa a ser lembrada, e muitas, com certeza, a ser esquecida. Mas, mesmo assim, queremos entender o porquê de nossas mentes, às vezes, nos deparar com raízes nas quais refletem nossas imagens de maneira desvirtuada, trazendo aquela sensação de dejavour – acho que vi esse filme...

Muitos simplesmente não ligam, fazem pouco caso, e deixam pra lá.É óbvio que não é preciso nos preocupar com lembranças de passados de maneira a ficarmos estacionados em frente à vida qual estátuas móveis, dessas que se encontram nas ruas, com a finalidade de levar dinheiro do transeunte.

Mas o passado, para o bem de todos, é como um som de uma flauta; como uma essência criadora de novos caminhos, não como forma de estações, que nos fazem ficar parados. Longe disso.

O passado, assim como tudo na vida, deve ser levado em consideração, mas para ser refletido dentro de nossas convicções, criando meios para fortalecê-as – sempre filtrando o que nos fez humanos ou pelo menos um pouco.

Não fiquemos, assim, a bisbilhotar nossas vidas – nossas próprias vidas – investigando feridas doloridas, com intuito de fazê-las doer mais ainda. Não é bom para ninguém e nos faz regredir ao degrau mínimo de nossas involuções, o que também é um fator humano, porém, evoluindo, sim, seria o critério mais adotado desde o dia em que tomamos nossas consciências de homens que devem se fortalecer e fortalecer o mundo.

A Parte que nos Falta

"É ótimo ter dúvidas, mas é muito melhor respondê-las"  A sensação é de que todos te deixaram. Não há mais ninguém ao seu lado....