sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

A Filosofia do Sol e da Chuva: pais e filhos


Kalil Gibran, filósofo indiano, em sua obra O Profeta, reverbera acerca de todos os valores existentes e necessários à vida do homem. Fala do amor, da verdade, do casamento, da união... Enfim, em um romance no qual um sábio, Mustafá, é o personagem principal, que, antes ir para a sua terra natal, responde a várias perguntas de moradores de uma cidade, Orfalese, onde o recebeu, onde o amou. E que agora, indo embora, dá de presente sua sabedoria em forma de palavras belas, quase um poema, em respostas. Sempre que um homem desse vem ao mundo e nos disserta acerca de tudo que nos é valoroso, devemos ficar atentos, mesmo porque o que nos interessa é o que o copo traz, não o copo.

Na obra, depois de vários, uma mulher quer saber sobre Filhos. Ele, o mestre Mustafá, responde “Nossos filhos não são nossos filhos, são filhos do Universo; somos apenas veículos nos quais eles vêm e os educamos para a vida” – após isso, completa “Somos Arcos, nos quais flechas são atiradas, e elas são os filhos”. Deixando ainda entender que somos flechas de um Arqueiro – este seria Deus – nos usando como Arcos, que somos.

Gibran, o filósofo da obra, remete-nos ao ensinamento clássico, no qual não apenas ele, mas muitos outros nos faz refletir acerca de nossa existência, comportamento, apego, família... E tudo que nos cerca dentro de uma realidade mais profunda da qual sempre fugimos em entender.

Quando se refere aos filhos como flechas, e nós, Arcos, tudo bem. Mas, ao dizer que não são nossos filhos, acredito que não só a mim, mas a muitos soa como um conto do qual levaremos milhares de anos para levar para compreeder; ou seja, por ser um conto, não levaremos nunca.

Mas a finalidade de Gibran é nos tornar mais desapegados desse universo visível, no qual, e do qual partidos e chegamos, a toda hora. Claro que, quando se refere a filhos, somos mais pragmáticos; é quase que impossível sermos flexíveis a filosofias, a religiões nas quais se coloca em xeque a relação pai e filho.

A questão do desapego, principalmente a nós, seres deste século tão pegajoso, é ainda uma utopia. Não faz sentido qualquer obra, qualquer autor, que nos eduque ao contrário do que hoje temos como o maior tesouro de nossas vidas. Talvez no Oriente, não sei; mas hoje, como a grande maioria cristã, e outras religiões na influência quase direta da mesma filosofia, fica irrealizável filosofias que tentam nos reeducar frente ao que temos como o que é certo para nós. É como quebrar um dogma.

NA REALIDADE, há possibilidades tais de entender a profundidade das máximas e dos textos clássicos, por isso o são. As chaves para a compreensão de um texto de Gibran são as mesmas para a abertura da porta para a compreensão de outros textos clássicos: o conhecer a si mesmo. Outra máxima, agora, platônica.

O conhecimento humano, legado de todas as épocas, nos diz que viemos de várias encarnações, e que nosso corpo – esse ser tão cultuado e confundido conosco mesmos – não seria nada mais que um veículo preso a nós, e nós seríamos o que subjaz a tudo que pensamos ser, tudo que estivesse além de nossas opiniões a respeito de alma e do espírito; diz a sabedoria clássica que reencarnamos pela ignorância, e que, enquanto humanos, passaremos pela roda da encarnação, em ciclos, até a ultima ronda, a fim de alcançar a real natureza humana-divina. É como se nos dissesse “somos únicos e dentro desse plano divino não há nada que seja de nossa responsabilidade, apenas o crescimento interior. Mais nada. E nada podemos mudar.”

É perturbador a alguns, pois atinge e ao mesmo tempo vai ao encontro de muitas filosofias nas quais se restringem e ao mesmo tempo revelam aos poucos tal realidade, que passeia pelas escrituras ainda que de forma velada.

Gibran, em sua filosofia indiana, uma das mais antigas do mundo, revela sem restrições o que ela traz; isso nos faz um pouco trêmulos pela verdade que carrega; mas, pelo fato de ser uma verdade, nos faz, aos poucos, refletir e tentar ver nas coisas, na família, na sociedade, milímetros de realidades nas quais estão embutidas as filosofias eternas.

Quanto ao filho, esse sol que nasce em nossas vidas, ainda que milímetros de verdades nos bata a porta, ficamos com a nossa, pois nos ensinaram que eles dependem de nós, e nós deles – é o aspecto familiar falando mais alto. Ensinaram a nós que não somos arcos, mas pais que devem se preocupar e morrer quando a morte vem a ele, de alguma forma figurativa, metafórica, ou real aos nossos filhos; fizeram-nos acreditar em nossa fiel educação cristã de todos os tempos, que ele somos nós, e nós a eles...

Contudo, quando crescem, a realidade da grande filosofia humana clássica se desvela aos poucos, e não queremos ver. Ficam rebeldes, querem seus lugares, ficar independentes, construir seu caminho, com ou sem o pai. Alguns, no entanto, a minoria, serve-se dos pais para tudo, ainda que maduro o bastante, até para tirar as calças precisam de nós. A rebeldia, a independência, atitudes de liberdade frente a regimes seriam, talvez, uma forma de dizer que deles não somos donos, apenas pais. Os arcos, aqueles cuja educação os nortearia para as lhanuras da vida, não seriamos nós, mas seres semelhantes a nós – é o que queremos na maioria das vezes.

Pais há nesse mundo que sofreram em tempos árduos e que sofreram em suas épocas, e viram, de perto, o próprio inferno. É mais que natural não querer que seres humanos sofram, muito menos filhos. Todavia castramos todas as possibilidades de que ele – o filho – passe pelas mínimas estreitezas que a vida lhes dá. Daí nasce o medo, a dependência, a retração em dar passos sem o pai, enfim, várias ‘doenças’ seculares nascem desse medo genitor, porque ele passa e que somos responsáveis.

E o pior, as atitudes ficam sempre à mercê de um pai, ainda que distante. As decisões são dadas a terceiros, porque o pai não queria passar tal responsabilidade a ele. Devíamos, nesse fato, aprender um pouco com determinados animais que fazem questão de empurrar a cria a fim de que voem para se alimentar. Nós, não. Mesmo que o filho não se ache digno de buscar seu alimento ou não o faz por mera preguiça, o pai, com sentimento de que lhe apraz, o faz e busca, vai atrás, consegue e educa, tortuosamente, o passarinho-velho. Daí nascem os psicólogos!

A RESPONSABILIDADE a que nos dispusemos aos nossos filhos é muito grande, desde o dia em que nascem até a data de sua saída de nossas vidas – não da família. O apego físico nos torna escravos, achando que o que sentimos é amor. Ou seja, a falta de uma filosofia educacional que nos direcionaria ao espiritual é muito grande. A atual nos faz confundir paixão, apego e amor. Dizer que “nossos filhos não são nossos filhos” ainda está como milhares de idas da terra à lua (!) para nós, seres ocidentais vazios de sabedoria.

O Amor, o verdadeiro Amor, de pai para filho, não estaria na criação mas no desapego, na sinceridade do desapego, pois a Tradição nos diz que somos todos irmãos de um grande pai – o Uno. Todos dele viemos e para ele retornaremos.

Epíteto, em sua grande obra, do mesmo homônimo – estóico, que fora escravo e professor de outro grande estóico, o grande general Marcos Aurelios, -- ensina-nos a desfazer de nossos apegos de maneira sutil e, por que não dizer, agradável?

NELA, Epíteto, cuja obra era levada até para os campos de batalha, diz “aprenda a lidar com morte. Saiba que tudo se vai. Tudo tem seu tempo. Tudo volta para onde veio, até mesmo as pessoas mais queridas”. E lá na frente diz “Comece dizendo: ‘se esse copo quebrar é porque voltou para o lugar de onde veio’; e assim por diante. Se um de meus amigos morrer, é porque voltou para o lugar de onde veio’” .

UM AUTOR que corrobora com Epíteto é Platão, em A República, na qual traduz a Justiça de forma racional, no entanto de maneira esotérica aos nossos olhos, diz que a República deve conter, acima de tudo, Guardiões, na qual a proteção seria tão necessária quanto à liderança advinda dos filósofos: os Guardiões deviam ser filósofos também, ou melhores até. Mas o que incomoda a todos é a formação dos guerreiros e guerreiras. Por intermédio da música, da dança, da ginástica todos seriam educados – uma pausa para a palavra educação.

Com relação às crias, sabendo do apego dos pais aos filhos, Platão, para uma República Ideal, diz que mães não devem saber da existência dos filhos reais; estes seriam, antes do reconhecimento da genitora, levados a uma educadora, com a qual ficaram todos os rebentos. Assim, sem conhecer os reais filhos, a mãe teria amor por todos eles. O real Amor, no entender do filósofo.

BLAVATSKY, uma filosofa de nosso tempo, diz que cada indivíduo nasce completamente diferente de todos aqueles já existentes; é um ser único, cujas características físicas não são relevantes, pois não implicam na evolução do individuo. A autora, claro, assim como todos os filósofos acima, é uma iniciada. Todos eles falam e teorizam sobre algo de responsabilidade humana, todavia, ainda que épocas passem, pessoas e suas opiniões mudem, suas teorias não mudam. São ensinamentos universais de um passado no qual um dia foram leis, hoje são apenas reverberações em nossas mentes. Todos os filósofos falam de algo que ainda será alcançado, ainda de maneira atrasada, mas que será alcançado.

No que se refere à educação de filhos, somos ainda mais crianças ainda, mas o pouco que temos, devemos às grandes culturas, e seus filósofos, como o grande Platão, que influenciou a cultura mundial com seus livros e que, até mesmo hoje em dia, soa como uma porta de saída aos nossos mais angustiantes problemas, ainda que torçamos o nariz.

Quando ao apego, filho de uma educação arcaica, nos faz mais responsáveis e conscientes de nossos frutos, de nossa família. E isso já nos deixa a existência mais válida.

Papas e Hitleres

Nascemos, crescemos, amadurecemos, envelhecemos e morremos. Isso, desde o dia em que em que a plaqueta Ser Humano esteve em nosso peito. “Não adianta, -- dizia Marco Aurélio – até mesmo o mais sábio dos homens morre”, é irrefutável. Nesse jardim imenso pelo qual passamos, onde flores nascem, crescem, ficam belas, envelhecem e morrem, tal qual nós, andamos todos os dias. Um andar diferente, a cada passo, além do próprio caminho no qual, às vezes estreito, largo demais, mas com uma certeza: ou passamos ou passamos. Dentro dele, muitos falam – ou mesmo antes – com a narrativa falaciosa, fria, às vezes, embriagada de polidez demagoga, levando muitos a enfrentar, além dos próprios obstáculos do próprio caminho que lhe é dado, muito mais obstáculos – estes nos dado em vida por terceiros.

Nas entrelinhas de nossas vidas, como dizia o mestre dos mestres Carlos Ilha “Temos sempre que escolher, a toda hora, entre um prato de comida e um prato de ração”, o que nos torna insensatos é que preferimos, na maioria das vezes, o prato de ração. Por quê? Muitos pela euforia, paixão, amor desmedido... ou mesmo “safadeza” – completando o que mestre Ilha disse “— são levados a abismos, à destruição.

Um exemplo disso seria uma menina que possui uma educação clássica, porém põe tudo perder se apaixonado por um marginal de alguma favela. Temos a certeza de que ela nos diria que o que sente pelo desafeto é amor. Outra forma de incoerência seria uma professora que, dentro de sua vocação de dançarina, montasse uma academia onde o prato principal seria a dança baiana, cheia de nuances sexuais, com o codinome de arte.

Nossa insensatez se prolonga a partir do momento em que queremos mudar o que não podemos, como o caminho nos dado. Se pudéssemos, nasceríamos ricos, cresceríamos fortes, sem defeitos, brancos ou negros – dependendo do lugar e circunstância --, seríamos detentores do saber universal, nunca envelheceríamos, e, enfim, nunca morreríamos. As leis são a todos iguais – às pedras, às plantas, aos animais, e por que não aos seres humanos?

Houve época em que aceitávamos mais nossos destinos de humanos, e filosofávamos mais em torno do que somos e em torno do que poderíamos ser, e em torno da morte, esta com se fosse um tesouro perdido, um mistério, uma coroa após tantos anos de trabalho como ser humano, ou mesmo, dependendo do individuo, do inicio de uma nova ação nos dada pelos deuses. A vida, assim, seria apenas um prelúdio, não tudo. Temos medo até da própria palavra.

Mas os caminhos nos ensinam muito a longo prazo. Nos ensinam a ser papas, hitlheres; na realidade, mais hitlheres que papas. A decadência está visível aos olhos, à alma, ao próprio homem, de cuja responsabilidade é e sempre será o seu caminho, mesmo que entregue a outros. Ainda nos ensinam a entender a partir de premissas relativas o que é Deus, o que é Política, o que é amor, verdade, ética, moral, prudência, vida, morte... Todas de maneira sutil, sem a profundidade de antes. Não há mais escolas que se importam ou mesmo governos de sábios. Há governos de tiramos disfarçados de salvadores; salvadores disfarçados tiranos; homens que não são homens, mulheres que não são mulheres; homens que querem ser homens, mas não são; e mulheres que querem ser, mas não são mulheres...

São fatos. São caminhos. São leis que incidem em cada um. São aprendizados nos quais o próprio ser humano se perde em sua identidade e assume o que não é; jogado fora, o aprendizado se torna uma linha a seguir uma dor a sentir nas veias, no corpo, na alma; alguns assumem em razão de escolhas – não se pode fazer nada, então, aceito. Outros buscam a fé, a ciência, os grandes livros e até mesmo grandes professores na intenção de desvendar o porquê da vida ser “assim” tão imperfeita a seu ver.

Descobrindo... se suicida, ou se converte, ou se magoa e continua sua busca; ou na pior das hipóteses, não faz nada, ao acreditar que é mero acaso, um grande erro do universo, de Deus. É o Hitler nascendo e exterminando gerações, cegamente.

Os hitleres são mais fáceis ser, pois respiramos a todo custo o ar que eles mesmos fazem. Hitleres manipulam dados, pesquisas, desmistificam símbolos, verdades que há muito nos deram credibilidade; nos fazem desacreditar em sonhos, e dizem que a matéria, a riqueza, o capital, a felicidade e todo o meio de vivência externa é o que mais necessitamos; dizem que a religião é o meio de consecução dos bens materiais. Dizem que temos o mal e precisamos a eles nos entregar em nome de salvadores antigos, e enfim vender, realmente, nossas almas. Os hitleres tiram o amor ao ser humano.

Desmistificam a política que há muito houve homens de bem, de cuja ética é moral nunca foram desconfiáveis. Até hoje, claro. Hoje o vocábulo se iguala à corrupção, à falta de valores que há muito na humanidade brotou e cresceu, e nos deu sonhos de humanidade – alguns poucos idealistas ressuscitam isso. Política é sinônimo de violência, destruição em massa, de guerras inúteis, de falta de caminhos e paz.

Há bons, no entanto, e também deles respiramos seus ares. Hoje, em nossa época, tão em falta de seres iluminados, que se tornaram sol em nossas vidas, nos faz voltar à tradição, àqueles heróis, de cujos atos não nos esquecemos, de cujos atos podemos nos referenciar e manter algo, um pequeno sol, uma pequena forma de se viver. Esses grandes homens, pais de legados de uma humanidade necessitada, devem ser procurados, amados, levados no coração.

Os papas, hoje no cenário mundial dados como descendentes de uma tradição cristã irrevogável, são a contradição do mal que nos afetou e nos afeta em nossa época tão fria e necessitada de heróis. Papas, ainda que meios frágeis em suas elucubrações, podem ser referenciais a alguns, mas não a todos, pois não possuem em sua linha hereditária a credibilidade como um todo, por isso é falho. O mal, assim, vence.

Contudo... Havendo caminhos, havendo referenciais dignos – como os grandes heróis da antiguidade – sim, podemos sempre construir novos homens e, com ele, novas formas de crescer, amadurecer, envelhecer e morrer.




Em Cada Um, Uma Poesia


Quando a alma sussurra, não a ouvimos; e quando o espírito nos pede um pouco de atenção, onde estamos? São forças que em nós permeiam como átomos quentes pedindo pelo amor de Deus que os demos atenção; mais que isso, são forças potentes e latentes em nome do sagrado, às vezes da própria personalidade que busca, dentro de sua própria leveza, um pouco de paz, harmonia e principalmente amor, da maneira mais pura que se pode existir...

Daí vem a poesia, um assalto ao verdadeiro homem, que, em detrimento de seus ideais, vive, cresce, morre e ressuscita, aqui mesmo em terra. Nela, revela seus sonhos, tenta realizá-los, e em cada tentativa descobre Deus, nas mínimas palavras, ou em cada ato, cheio da Vontade humana, tão humana, que nos torna divinos – assim como uma poesia que relata, pela alma, o real sentido de estar aqui, vivenciando todos os mundos, ao mesmo tempo.

A brutalidade, dessa forma, sem espaço, quebra-se, vai ao longe, em nome do que fora incriado; todas as formas de violência, por milésimos de segundo, se vão, mas voltam, pois são estruturas sombrias dos homens sem poesia, sem paz, sem humanidade.

Os segundos se passam. As luas se fazem em nossas almas, o Sol em nosso espírito, as montanhas em nosso corpo... As folhas, em nossa esperança: todas se fundem, e segredam o mistério da vida; assim, as palavras se fazem confusas, como teias de aranhas mal feitas... Como florestas em nossos corações sem rumo. Os segundos se vão... Mas não aos poetas reais que vivem do divino, do sagrado, do real mistério...

E a poesia está feita. Religando o homem a Deus, a ponte perfeita está presente e nem todos podem passar. Não há lágrimas aos transeuntes divinos, nem sorrisos aos meros pedestres da vida; não há nem mesmo pensamentos; apenas o elo, a poesia, a ponte entre os deuses do cimo, e nós, meros poetas, meros instrumentos de Deus.

Ser Feliz, o que e isso?

Contemplar a natura e seus elementos, viver ao lado da pessoa amada, amar a todos sem restrições, sorrir aos mais necessitados, abraçá-los; compartilhar, com seus filhos, as alegrias da vida, vê-los respeitar, obedecer aos pais, se formarem naquilo que a ele e a nós nos agrada; ver a pobreza em países miseráveis diminuir; ajudar o mais próximo, fazer parte de uma organização desinteressada, na qual o único objetivo é acabar com as injustiças sociais... Presenciar o sol, o seu nascer, o seu se pôr; o nascimento de uma alvorada; o canto dos grilos à noite, o cheiro da terra molhada após um calor escaldante; o sorrir de um homem que conseguira realizar seu sonho, o chorar pelo nascimento; o próprio sonho, a vida, a família, o universo em comunhão com nossos ideais, nosso projetos edificantes, a busca por Deus nas mínimas coisas; o acordar em Deus, o dormir em Deus; o sagrado nos símbolos, o símbolo como ponte para a compreensão do Todo, ou parte Dele.

As amizades de coração, o abraço no irmão-amigo-irmão... A resposta a um enigma que há muito nos enlouquece; a saída de um problema, a paz, o encontro, a saudade... A existência por si mesma, os enigmas da vida, da morte... A liberdade!

Todos são elementos nobres para a consecução da felicidade humana e muito mais. Assim, é natural que, em todas as leituras clássicas, todas elas, sermos remetidos a meios nos quais a própria felicidade é o foco principal. Em Aristóteles, Sêneca, Platão, Lao Tse, Esopo, Cícero, e em outros filósofos e não filósofos, como Humberto Rohden, Tomas More... haver de maneira distinta, porém não gratuita, o caminho para a felicidade...

Hoje, em razão da complexidade com a qual lidamos o nosso tempo, e pelas ferramentas em falta, somos obrigados a chamar de felicidade até mesmo a boa fase pela qual passa nosso time do coração – se nosso time vai bem, estamos felizes.

Os tempos mudam, os comportamentos, as falas, as dificuldades, e somos obrigados embutir em nossos sistema, qualquer que seja ele, valores, e dentro deles a nossa opinião sobre qualquer coisa, inclusive acerca da felicidade, não importando se significou algo ou não no passado, não importando se violamos naturezas, leis... Não, não importa isso. O que realmente importa é a felicidade, representando ou não o que representou ou representa em sua totalidade.

Nossa ‘realidade’ se esconde dentro de nossos interesses e, se não conseguimos realizá-lo, alcançá-lo, a felicidade nada mais é que um artigo de luxo – quer dizer, daqueles que sempre conseguem, honestamente ou não, seus objetivos.

Assim, sempre levantando castelos de areias, ao vento forte, inclinamo-nos a dar responsabilidades a todas as filosofias e religiões, ciências, estudiosos, governos ao que é de nossa responsabilidade. Nunca, jamais, batemos em nosso peito e dissemos “Eu sou o responsável por isso, portanto eu sou o culpado pela minha infelicidade”. Nada melhor que estar livre de pesos, de problemas, de cujo grau de dificuldade somos regadores.



Na Bíblia diz “Plantai e colhei”. Uma máxima que há milhares de anos já diziam os sábios que conheciam a grande lei universal, sem a qual não vivemos, nem se, por acaso, batermos as botas... Nas entrelinhas da bíblia cristã encontra-se a felicidade, assim como também na máxima budista “Encontre o caminho do meio”. Entender? Ah, mais isso não seria nato de seres que se importam apenas com o próprio umbigo. As máximas capitalistas sem moral alguma falam muito mais alto. Claro que estou sendo um tanto quanto genérico, pois, de alguma forma, para a sobrevivência numa selva, qualquer selva, até mesmo as de pedras, precisamos de máximas de pedra.

O capitalista tem sua meta: ser feliz com o que tem, ou com o que pode obter; o homem espiritual não precisa de nada, pois já possui a felicidade. Ele é a própria. E assim podemos sê-lo. Estamos longe, muito longe, mas podemos.

Como já diziam os mestres, “já possuímos tudo e não é necessário mais pedir a Deus seja o que for.” Para alguns, a realidade dessa frase nada mais é que uma forma de confrontar o pragmatismo religioso com a filosofia ateia. Não se pode desnudar, no entanto, uma verdade que há muito nos aparece como meia verdade. Isso só vai confundir muitos.

O que querem dizer os mestres é que a vida já nos dá o que é justo (assim acreditavam os egípcios), portanto o que nos rodeia, o que nos faz ser materialistas ao ponto de correr atrás de nossas “felicidades”, nada mais é que complementos circunstanciais. O que nos faz acreditar que tudo o que conseguimos para nos vestir, morar, comer, beber, trabalhar, até mesmo viver são felicidades reais e concretas são os homens de todas as épocas. Até mesmo alguns filósofos. Contudo, ao se deparar com a serenidade de uma verdadeira felicidade, o filósofo vê, percebe, se eleva e se torna um homem no sentido mais divino da palavra. Sabe que nada sabe, sabe que é natural os ciclos da vida, e sabe porque acontece, no transcurso de todas as vidas, a necessidade de ser feliz com o que tem, com o que pode um dia ter.

Esse filósofo já é um sábio , não é mais aquele que busca a verdade, pois já a tem. E sábio não precisa de ler livros para descobrir o sentido das coisas, pois já sabe o porquê delas. Sabe da real necessidade da miséria humana, o porquê da corrupção, do desamor, das lutas vãs entre os homens, dos maiores problemas que atingem nossos corações... da mau política.

A felicidade do sábio vem do conhecimento. E todo conhecimento significa, em seu âmbito, um processo de consecução interna por intermédio de evoluções individuais, não massivas. Todo homem tem esse poder interno, basta vivenciá-lo em seu trabalho como ser humano, dentro desse contexto no qual os deuses lhe propiciam a cada vida. Caso contrário, encontrará, de terceiros, uma felicidade embutida de fora para dentro, perdendo assim sua identidade.

O sábio existe como forma de nos alertar que somos possíveis, não impossíveis, realizadores de nossos desejos. Porém o sábio o é porque sempre se importou com todos, amou a todos, mas, primeiramente, buscou entender, no germe, o âmbito da palavra amor, que, com certeza, nos faz realmente felizes.

Ao Fim do Dia


Tantas das lutas por que passamos e nos esquecemos de agradecer a vida, ou melhor a grande Vida. Essa fortaleza que nos sustenta no inicio do dia, esse sentimento de viver após cada sol, cada lua... É tão puro e inato, quanto à criança que nasce, chora e mais tarde sorri. Dizer obrigado é pouco a esse sangue invisível que corre em nome do Espírito, que nos vem em nome do mistério, e nos faz chorar em nome da paz interna.

As ofensas um ao outro, as intrigas do dia a dia, a hipocrisia, além da incompreensão humana, tudo se revela espelhos voltados às sombras de nossos caráteres sem rumo; mas o dia – com seu caráter eterno – lubrifica nossas almas, ainda que não sejamos dignos de seu sol, de sua lua. Nada é tão belo quanto a vida, nada, nem mesmo a vinda dos messias que nos promete salvações; salvar de quê? Não preciso ser salvo desse manancial universal do qual sou parte, no qual, em mim, se faz; nem mesmo de minha persona maldita que me ilude com seus problemas tão naturais quanto o respirar do céu.

O inicio da vida começa onde a luz se inicia; a luz se inicia quando minha ignorância desaparece, se torna sabedoria – sem divisões – apenas Uma. Nada além das folhas, do cálice derramado, nada além do pão consumido, das refeições do corpo e da alma; precisamos delas.

Obrigado, ó grande céu, que sobre mim permeia cheio de belezas; obrigado a sua natura perfeita e incompreensível Metafísica... Obrigado a essa comunicação misteriosa que temos com o divino que nos ronda, tão simples e ao mesmo tempo tão complexo.

Enquanto isso, nossa natureza, tão humana, se vai como vento teimoso de verão. Questioná-la seria abrir espaços ao grande oceano da vida, que, de tão belo e místico, revela em nós um pouco dele, de suas águas que em nossas veias corre. Revela a porção salina, ainda que pequena, no entanto esotérica, daquilo que chamamos “Deus em nós”.

Desculpe, ó Dia, por nossas faltas, pelo nosso esquecimento. Lembrar que viemos de vós, seria ainda mais metafísico, todavia tão certo quanto ajoelhar-se ante o antropomorfismo criado. Perdoe-nos. É de nós inventar o que nossos corações precisam, e é de nós cobrir a verdade transformando-a em uma grande mentira, lacrando todas as possibilidades de evolução – ou melhor, do conhecer a si mesmo a partir desse imenso exemplo que és, diante de nossas janelas, ao abri-las e constatar que somos o que vemos, o que temos em nós, lá no fundo de nossas almas.

Não sei se nos perdoará, ó grande sonho real, grande pai belo, cujo manto é tão infinito quanto o da mãe nossa de cada dia.

Mas o dia está chegando ao fim, e Você, impassivo, nasce, cresce e dorme em nome da grande sabedoria que se revela e que se esconde, até o dia em que saibamos teu real segredo – se um dia assim quiser.

Inicio e Fim de Ano, o que (nos) muda?


Sempre em nome de Deus cometemos exageros para justificar nossa fragilidade frente às coisas que há muito são tão fortes quanto nós. Bebemos, comemos, falamos bobagens, tudo em excesso. Até o desrespeito em excesso vale, que coisa hein?! Nada melhor do que refletir sobre isso.

Acho que passamos o ano inteiro desejando que chegue essa hora tão bendita, a hora de fazer tudo – tudo mesmo, simplesmente por que o ano está se indo como água que vai para a correnteza, e nascendo outro como um filho belo que promete se obediente, forte e cumpridor de sua palavra com os pais.

Claro que a metáfora acima foi um tanto quanto exagerada, porém nos faz, mais uma vez, pensar no tanto que esperamos do ano e não de nós, os seres que vão atravessar o grande rio... “Espero que o ano que vem seja...”, não é assim?

Assim o é em todos os lugares, em todas as nações porque passa a estrela nova da esperança de um novo ano, um novo mundo, mas nunca um novo homem... Por quê? Se somos nós os comprometidos a realizar, a sonhar, a trabalhar, a viver em função de nossos projetos, querendo ou não.

O mundo gira por si próprio, mas não podemos esperar que ele realize nossos sonhos – porque ele não o fará. A inércia talvez seja o pior dos movimentos. Pois nos faz inúteis. Temos nossos próprios movimentos. Levantamos da cama, escovamos os dentes, vamos ao encontro daquilo que nos interessa, ou não. Partimos, voltamos, idealizamos... Buscamos ideais. Ou seja, sempre estamos em movimento, assim como tudo que nos rodeia, assim como tudo no universo, mesmo que aparentemente esteja estático...

“Espero que o ano que vem seja...” talvez seja uma breve frase de dedicação ao próximo, ou mesmo a nós mesmos, no sentido de que todas as coisas dêem certo e que se movimentem a nosso favor. Mesmo assim estamos sendo egoístas, porque nada se move a nosso favor se estamos estáticos, a espera de nossas riquezas pessoais. É preciso que sejamos mais diretos... “Espero que eu seja...”. “Espero que eu faça...”, “Espero que eu mude...”.

São formas de saber lidar consigo próprio, no sentido de buscar ser um pouquinho melhor a cada ano, ou anos, não importa. O que realmente interessa é entender que o mundo de cada pessoa não pára para receber bênçãos, jamais. Nossos mundos particulares rodam com um eixo, a alma. Se ela está bem, procuramos viver bem; caso contrário, o que nos pode acontecer é parar e viver da inércia universal, ou do próximo que quer mudar a sua vida... Você escolhe.

O exercício o fará pensar que tudo se move contra ou a favor de você. É uma questão de acreditar, pois a individualidade é tão egoísta que nos remete ao pensamento que, mesmo errados, estamos corretos. Tenhamos a alma como eixo, e tenhamos como meta ideais elevados, universais, humanitários. É uma questão de princípio.

E o fim de ano? E o inicio do ano? Haverá outros, e, quem sabe, seremos um pouquinho menos egoístas, interesseiros, desumanos, frios... Ou se não, comecemos agora mesmo, não percamos tempo!







Sete de Janeiro


Queria falar de uma pessoa que nos faz muuuuuita falta, mas não sei por onde começar. Geralmente se começa falando dela, da pessoa, com muito carinho, de maneira que saibamos usar as palavras, sem tropeçar, sem “tropegar”. Não, eu não queria apenas me referir a essa pessoa de maneira carinhosa, mas saudosa, como se ela entendesse o quanto sentimos – e sinto – falta dela. Mas as palavras me faltam, além do coração que é pequeno, tão pequeno, que não chora mais de tanta saudade.

Queria falar do meu irmão João. Para muitos, Piaba. Para os mais íntimos “Inhão” – codinomes advindos de seu pai, Luis Piaba, e de sua infância perfeita, na qual se escutou musicas belas, namorou-se meninas ingênuas, viveu-se em meio a brigas talvez mais ingênuas ainda. Disputaram corações, ganharam partidas, uniram-se na dor...

Embora tenha sido a época da ingenuidade, grandes homens se fizeram á época de meu irmão. Luther King, Mahatman Gandhi, Indira Gandhi, Louis Armstrong... nomes inesquecíveis nas mentes e veias dos jovens na década de setenta. Sem falar na luta juvenil pela volta da democracia, numa ditadura severa, cruel. Contudo, João, Mundão – Raimundo, Gilvana, Rosângela, Beleza (Graciliano), Claudete, ocupados em beijar seus pares não deram trela aos cassetetes, às músicas de ordem de Chico Buarque, Geraldo Vandré, Caetano... É claro, não eram idealistas! Queriam dançar, se pudessem, ao ritmo de um Woodstok diferente, como por exemplo... Michael Jackson e os Jackson Five, Marvin Gaye, Diana Ross... Enredar seus mundos ao passo firme do funk, soul, à mercê dos cabelos imensos, nos quais não era qualquer escova que neles penetravam...

Muitos foram pegos pelo serviço militar. E nosso querido irmão João, percebendo que sua didática teria que sair do papel, foi para a aeronáutica. Hoje, percebe-se que nela um pouco de sua educação estendeu-se; ao deixar os passos antigos da música ritmada – todos sabem que Piaba nunca encontrava o ritmo da dança -- , começou a ritmar aos passos da ordem, da disciplina, e dentro dela achou a natureza de uma outra educação, a dos filhos. Quem o conhecia sabia que tudo o que fez foi baseado na ordem que aprendera nas forças armadas; que seus filhos beberam e muito nas águas de sua disciplina.

Mas a educação de um homem nunca é completa. João não fora perfeccionista a vida toda, nem poderia. Era ser humano. O que fica na realidade é toda a esfera que bordou em torno de sua vida particular. E dentro dela a organização, a elegância, a pouca e sincera educação ao filhos, que eternamente refletirá e causará espanto, mesmo em seus netos, que o conheceram e sorriem ao ver o símbolo do time do avô, Fluminense.

Tricolor doente, como a maioria dos torcedores deste time, Piaba revelava-se escudeiro, como nas histórias de Don Quixote, só que, agora, defendia a escuderia tricolor carioca, como a própria filha. Extensivo aos filhos, o time, no ano que se encerrou, estava tão doente quanto o nosso querido irmão, porém, numa arrancada, os dois se reabilitaram – João no hospital e o pó-de-arroz no campeonato --, o fluminense teria que vencer todos os jogos para não ser rebaixado; João, impulsionado pela alta que os médicos lhe deram, não se cuidava, pelo contrário, acreditava que tudo dependia da força de vontade, mas não dos cuidados que havia que tomar... Assim, voltara para o hospital.


O time do coração, que andava mal das pernas, seguira todos os caminhos, e não perdera desde o inicio, como lhe haviam pedido – a torcida inteira, quase como um médico nas orelhas de cada jogador: “Não desistam nunca”!

E assim, partiram para uma realidade que teriam que enfrentar a cada jogo; do outro lado, João, enfermo, passava por situações por que jamais pensava em passar – já durava um ano a leucemia. A seus olhos, e aos nossos, a doença jamais o prenderia, pelo fato de todos os dias nos passar a fortaleza, a paz, o humor, a longevidade de suas características fortes do passado – contudo, não tão fortes como antes. Sua energia não era a mesma, sua voz não era a mesma, seu físico de jogador atacante que vencera todos os zagueiros... Não era o mesmo. A luz se ia. Ali, o guerreiro não tinha mais forças, depois de tantos meses no leito dos hospitais, depois de tanto tempo forçando a face, ainda que triste por dentro, feliz ao ver um membro da família.

... E o time vencia todas, como mandava o figurino. Fred, Maicon, Conca... sob o comando de Cuca, vencia todas as partidas – perdendo apenas pelo cansaço a semifinal da Sul americana, o que não o fez menor no jogo de ida.. Contudo, por uma expulsão, mas com o placar de três a zero, revivemos um outro campeonato em que ganhamos, mas não levamos a taça...

Continuaram a vencer, vencer... E João a esmorecer. Os deuses já haviam se retirado do seu lado, mas as pessoas não. Sua esposa, Claudete, que o conhecera em épocas douradas, e desde então fora sua amiga, companheira, esposa e mulher, sempre a lidar com a vida – com a sua e com a dele, como se fossem um – de maneira que nem mesmo as lendárias Valquírias a compreendiam, nunca o abandonou, pois Dete, esposa do grande guerreiro, tinha tanta vida quanto um batalhão de mulheres. Assim eu a vejo.

No último dia do campeonato, num domingo, o Tricolor carioca só dependia dele...; João... Não sabíamos. Acreditamos que não. Em território inimigo, com a torcida cem por cento contra, o pó-de-arroz subiu ao palco como um time que daria a vida para se tornar o único time do campeonato não perder uma partida em treze, mas se a perdesse naquele dia estava fora da temporada na primeira divisão no próximo ano.

João, sem armas, forças, pedia para viver, ao mesmo tempo não mais sofrer. Como seu time, João não poderia ter desobedecido à lei, às regras da vida, ao grande jogo a que obedecemos todos os dias – jogo este em que estamos embutidos desde o dia em que nascemos... Até nossa própria ida ao desconhecido. Muitos sofrem por pequenas e grandes desobediências, mas João, o grande irmão que vivera em função de uma grande família, que dera aos filhos uma educação invejável, que amava a música, os vinhos, a boa conversa; que amava os irmãos – e nós a ele --, além dos amigos de infância, de juventude e na maturidade, todos eles, perdera todas forças naquele dia, talvez pela desobediência, talvez pelo caminho que teria que passar, talvez por muitas coisas que a nós sempre serão desconhecidas. Eu fico com a certeza dos deuses, ou seja, nada nos acontece por acaso.

Quanto ao time, podemos dizer que, naquele domingo, seis de dezembro de dois mil e nove, houve duas vitórias. O Fluminense não caiu por vencer, e João, vencido, subiu, fora para o desconhecido, onde somente aqueles que deixam lembranças memoráveis vão e nunca mais – fisicamente – aparecem.

João nos deixou sua simpatia, além dos sorrisos e piadas sutis; nos deixou o amor à vida; João ficou em nossos corações, almas, vidas, em todos os lugares por onde passou e amou; João ficou em nossos olhares, pois temos um pouco dele em nossas faces, corpos, cores, origens; deixou-nos quase que de maneira fictícia, pois até agora não entendemos o porquê da morte tê-lo levado tão cedo.

Para alguns a morte é o inicio, para outros é o fim. Para mim, é o mistério infinito pelo qual, assim como a vida, todas as leis pelas quais passamos aqui, em vida, continuam, bem depois, muito depois.

Feliz aniversário, irmão. Obrigado por ter sido o que foi.

A Parte que nos Falta

"É ótimo ter dúvidas, mas é muito melhor respondê-las"  A sensação é de que todos te deixaram. Não há mais ninguém ao seu lado....