quarta-feira, 7 de abril de 2010

Ser e Envelhecer


“Ser velho é não ter ideais, objetivos, projetos...” LC.


Não sei ainda o que é envelhecer. Mas observo minha mãe, uma senhora de mais de setenta anos, com oito filhos – sete, um já falecido recentemente --, como um grande referencial a ser adotado por mim e por muitos, espero que por todos que a conheçam. Uma diva terrena, firme em suas convicções, que leva a vida como um rolo compressor em cima dos problemas, dos males que vêm e dos que estão por vir.

Sua natureza tão forte adveio de uma infância sofrida, na qual pais e mães – ainda que tão pertos, não puderam dar a ela tudo que necessitava. Muito pelo contrário, teve que trabalhar como doméstica, deixando seu maior sonho pelos cantos – o desejo de estudar, ler, saber, entender, conhecer e ser alguém.

Hoje, ser alguém, tenho a certeza de que independe de querer ser, mas sim pelo caráter demonstrado em caminhos pelos quais passamos. Semelhante um soldado que não perdera a racionalidade em plena batalha... Minha mãe, forte como um touro, religiosa mais que qualquer sacerdote cristão, nos passa uma velhice regada de caráter fibroso. Quem a vê alimenta as esperanças, de paz e amor em sua vida. Não foi preciso, dna. Joseja, o estudo para ser alguém. A senhora é e sempre será alguém, o qual demonstrará a luta pelas mínimas coisas, ainda que não seja regadas de valores maiores do que os nossos, nem os de grande interesse, ainda que não seja relevante, mas que tenha em seu cunho um pouco da sobriedade humana para ser alimentada.

Cícero, o grande orador grego, que soube envelhecer, disse um dia que pedimos a Deus para envelhecer bem, mas não nos contentamos com ela – a velhice – quando nos é chegada. Por quê? Não temos instrumentos – caráter formado desde a juventude para lidar com ela –, e isso nos corrói as entranhas, sendo fortes ou não.

É por isso que se deve alimentar de paz e fortaleza nossas almas, já que pretendemos chegar ao “fim” de nossas caminhadas bem seguro; é por isso que, sempre que pretendemos viver bem, que tenhamos orgulho de todas as idades, principalmente a maior, seja em qualquer âmbito que a considerarmos. Pois não há nada mais belo em nós que passar uma experiência que tenhamos orgulho de nós mesmos.

Quando se é jovem, precisamos mostrar que o somos – sempre falando o que bem quer, passando por experiências inúteis, levando gírias ao nosso pífio vocabulário, se esquivando de problemas que são nossos, correndo em direção ao mal, sorrindo ao nada... Enfim, somos frutos de épocas que não souberam nos educar – e o reflexo dessas imagens só o vemos quando mais velhos --, como se fosse genocídio em massa, mesmo não nos enterrando.

É de invejar aquele que passa por tudo isso e ainda possui o caráter formado, elevado a uma boa educação a ser passada. Esse nos faz acreditar que a vida tem recompensa, e que a evolução existe, pois criamos referenciais, como totens indígenas, lá nos alto, mas com um simbolismo profundo acerca do céu e da terra.

Epílogo

Atualmente, o medo de envelhecer combina-se com o medo da morte. Mas são percalços naturais pelos quais se passa, querendo ou não. Aliás, algumas coisas – as mais importantes – não dependem de nós, humanos. O que criamos sim, talvez, mas, mesmo assim, titubeamos em sua realização. O que quero dizer é que, já que podemos resolver determinados problemas, ainda que difíceis, vamos fazê-lo, não aqueles com os quais lidamos naturalmente, advindo dos deuses. Esses são provas naturais pelos quais temos (ou pelo menos tínhamos) que passar sem mágoas, enfrentando, sorrindo, saboreando a vida tal qual uma criança que cresce, desenvolve-se e vive sua plenitude na velhice – mas não nos tornamos crianças! E sim sábios! Uma condição pela qual nenhum animal ou planta por ela passa, apenas humanos. E envelhecer é isso. Saborear a vida aos poucos, até o presente maior nos seja concebido: a sabedoria de enfrentar a morte como se fosse um brinquedo, uma viagem ou um desprendimento de uma pedra que há muito nos segura pelos pés.

E a velhice seria a ponte entre o homem e o mistério.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Sombras, Pó e Eternidade

A terra nos ensina que tudo se vai... Nas mínimas coisas que são – ou que aparentam ser – nada é eterno do ponto de vista terreno, humano, animal, mineral... E vegetal. As experiências no conduzem a isso também, a essa conclusão fácil, no entanto, de difícil aceitação quando por ela passamos. Não falemos na morte, por enquanto.
A experiência dos males naturais -- as doenças; a perda de um objeto; o sumiço de um fio dental, o desaparecer de um controle remoto... Oarranhar de um relógio... de um carro!... Enfim, somos assustados com o fim de tudo, com o nosso fim, mesmo sabendo que até as rosas, seres tão belos e frágeis, também se vão, mas voltam, e, entanto, tão imprescindíveis!

Quando somos pegos em pensamentos do tipo “tudo um dia se vai”, ficamos presos a ele, ou tentamos esquecer que somos mais físico do que tudo, e ele se vai – antes ou depois de seus objetivos cumpridos --, pois não há nenhuma lei que diz que tudo que é do homem é necessário que fique no mundo para dar cria. Talvez, em certas cabeças, tal pensamento se funda pelo fato de que enxergamos nossos filhos como uma contínua forma de imortalizar a nós, o que é exageradamente errôneo de nossa parte.
E aquele que não pode ter filhos pensaria do mesmo modo? Então é falha a premissa de que os filhos são complementos imortais, os quais se vão um dia, mas deixam (ou são obrigados a deixar) mais filhos, apenas porque queremos deixar enraizada a idéia (errônea) de que somos eternos. Muito pelo contrário, tudo se vai.

O homem é eterno, mas não do ponto de vista físico. Nada é eterno desse ponto de vista. É assim que devemos nos educar em relação às coisas que nos acontecem, desde a infância. Mas educar também nossas idéias, pois elas, a depender de quem as deixa, duram mais que homens, mais que as revoluções, muito mais que a história...

O homem que tenta ser bom e justo em sua sociedade já tem a sua parcela de imortalidade – ou pelo menos um pouco dela, mesmo porque precisamos ressaltar seus feitos àqueles que ficam, como nossos filhos. O homem que irreleva, em sua vida familiar, profissional etc certos fatores naturais de sua responsabilidade mais tarde encontrará um caminho que o forçara ser melhor, ainda que seja tarde.

Suas idéias serão eternas em sociedades que necessitarão delas, seu comportamento, em um mundo que necessita de uma educação prática, será lembrado... Isso é um pouco de eternidade – os livros são prova disso.

As idéias podem ser grandiosas, durarem muito, e até mesmo deturpadas, mas não são melhores do que os referenciais dos quais elas vêm. Se adotadas dos céus, durarão eternamente, se da terra, não muito.

Voltando...

Epíteto, filósofo estóico, dizia sempre que, se quisermos nos acostumar com a perda, devemos sempre dizer... “Ele (a) vai voltar à sua origem”. Significa dizer que temos que nos referenciar sempre em alguma coisa mesmo que seja com a finalidade de nos acostumarmos à falta de algo, pois o que nos falta sempre nos causa dor, principalmente quando se está muito tempo do nosso lado – as pessoas, os animais, etc...

E obedecer às máximas não quer dizer repetir várias vezes uma frase, mas tentar buscar o porquê delas, assim como tudo em nossa vida. Frases fazem efeito, mas a razão pela qual fazem é que temos que buscar.

Epíteto sabia que tudo era relativo do ponto de vista físico, mas também sabia que havia sofrimentos na perda de qualquer ente. E isso, de alguma forma, desacelera o ritmo evolutivo de uma personalidade. Temos que começar com as pequenas coisas, ainda que sejam inanimadas; coisas que fazem parte de nossas vidas, e que, de alguma forma, criamos pendências sentimentais; “todas elas vão para o lugar de onde vieram” – um prato que quebra; um jarro que cai no chão e se espatifa; uma roupa comprada há pouco tempo que se suja com vinho... etc.

São reflexões necessárias. Dentro de dessa autoeducação, partiremos para o mais alto grau de consciência, que, um dia, nos fará mais ou menos inclinados a respeitar a natureza da morte.

Até mesmo o grande Marcus Aurélius dizia “até mesmo o maior dos imperadores da história morreu”. Isso nos conforta, no entanto, ainda não nos acostumamos com ela. Isso nos faz crianças em busca da compreensão daquilo que é tão maior e melhor que nós – uma fusão de mistério e medo, ainda que sejamos cientistas, religiosos, filósofos, sacerdotes, enfim, a morte, será, um dia, o momento em que lembraremos que tudo, tudo mesmo, tem sua ida ao desconhecido, à sua origem.
Por enquanto, como diz o filósofo, comecemos com as pequenas coisas, sempre medindo nossos sentimentos com relação a elas.
A real felicidade nada mais é do que respeitar a origem e o fim de tudo.

terça-feira, 30 de março de 2010

A força da MÚSICA


O que nos leva a ir a shows de rock, com suas músicas ácidas, com ritmos fortes, cujos componentes sempre tentam nos trazer a imagem mais clara do que do são com suas vestimentas, às vezes, com suas letras revoltantes? Ou na maioria das vezes salgadas demais? Carl Gustav Jung, psicólogo-filósofo, sempre dizia que ir a shows como esses e colocar o dedo em uma tomada é a mesma coisa.

Seria isso de que precisamos? Choques? Em algum nível talvez, mas, na realidade, quando se trata de música, acredito que precisamos recompor nossas definições acerca dos benefícios que ela nos traz. Platão, filósofo grego, em sua República, expõe o fato de que a música, advinda de uma esfera não personalistica, poderia (e pode) atuar na educação.

A música levada ao extremo de uma personalidade maculada de interesses e revoltas se infiltra em outras personalidades imaturas, seja na infância, seja na fase adulta, o que resulta em um decréscimo psicológico. Mas não há como se importar em decréscimos educacionais, pois não se acredita que a música seja tão importante no aspecto educacional atualmente – assim, ouve-se de tudo: de funks com dancinhas libidinosas a forrós, ao contrário do que traziam suas raízes, com letras dúbias.

A raiz do problema é fecunda, ou seja, é difícil encontrar. A própria humanidade tem suas sequelas de um passado que a fez acreditar que abrir-se a tudo é bom. Ainda, que é antiquado tentar ouvir os clássicos; a própria mídia se encarrega de dizer isso indiretamente, porém crianças, influenciadas pela má formação de uma arte mal conduzida, cantam músicas sem ritmo, distorcem as cantigas infantis, amam cantores que relatam namoricos, paixões... Transformando-a em uma pessoa menos compreensiva e psicologicamente perturbada futuramente...

Hoje, são pouquíssimos os pais que levam filhos a concertos clássicos, nos quais ouve-se o som o violino, do violoncelo, da flauta, de um piano, às vezes, de um violão solitário, enfim, pais que querem transformar o mundo com pequenos atos. Há pais, no entanto, que amam tanto seus filhos que esquecem que amor é retidão, não democracia – e levar isso como um fator educacional é difícil. Um exemplo disso é quando filhos iniciam uma carreira solo, admirando heróis da música-rock, cujo líder é um ser descabelado, cheio das tatuagens, com desenhos que nem ele mesmo saberia dizer o que significa, desenhadas eternamente nos braços, pernas, costas... Além do vozerio alto, seguido de uma letra insignificante, sanguinária, com apelos sexuais fortíssimos. Alem do caráter do próprio cantor, que, sem uma vida responsável, leva tudo na espontaneidade sem mesmo um critério de organização. O reflexo se vê na vida do pequeno fã.

Mas o que faz irmos a shows de rock também pode ser a vontade de pular, sorrir, brincar, esquecer o dia a dia. Nesse caso seria melhor então pular em uma lama contaminada de malaria, dengues, e mais tarde nos depararmos com febres, dores físicas, fortes dores de cabeça... Tudo isso com o sorriso no rosto. O ruim disso tudo é que a morte pode nos cheirar o pescoço mais cedo do que tarde... Claro que a música não mata, mas traz seqüelas enormes, e a morte, nesse caso, seria uma das melhores escolhas.




Esquecer o dia a dia se infiltrando nos males da vida não seja talvez (!) a melhor saída. Há tantas saídas, como o conversar com um grande amigo, curtindo uma bossa nova, ou mesmo indo a shows de música clássica, ainda que não se goste, mas no silêncio do auditório pode-se pensar melhor, refletir sobre a vida, sobre a família, sobre a situação. Além de sentir um pouco sua alma mais leve para enfrentar o mundo.

A música pode mudar as pessoas. Há milhões de pessoas que dariam a alma para ver novamente seu ídolo, sua música preferida, e lembrar, mais uma vez, daquele momento impar por que passou na adolescência. O que nos move talvez seja essa relação com a música, essa sonoplastia eterna que buscamos para nossas vidas dentro e fora de nossas casas, carros, e lembrar, lembrar... relembrando...

Até aí, tudo bem. Porém, precisamos nos recompor e nos preparar sempre para o dia a dia, com a sonoplastia natural que a vida mesmo nos dotou, a música natural, aquela que ouvimos quando acordamos – a dos pássaros, ou mesmo a das cachoeiras imensas no fim do rio – quando dormimos, na canção de Bach, ou na flauta de Mozart, os quais sabiam traduzir a beleza em espírito, plasmado em ritmo e paz.

Os shows de rock são violências não qualificadas como tal, pois não revelam visivelmente seus males, apenas futuramente. No entanto, é preciso maturidade para perceber isso... Porém, quando percebido, é preciso que um ato semelhante a de um navio dando cavalo de pau em pleno mar, voltando ao seu local de origem com a finalidade de repensar para onde vai. O cavalo de pau, concretizado, revela força de vontade do navio e no nosso caso uma reflexão profunda acerca de nossos valores musicais ou não.






segunda-feira, 29 de março de 2010

Á Sombra da Inquisição

Não sei o que chamamos de justiça hoje, mas nos parece um montante de interesses por carne, ossos, sangue. Isso ficou claro no julgamento dos Nardoni, na ultima semana. Em meio a um todo de evidências, o casal foi entregue à justiça pública como dois conjuntos de ossos sem alma – realmente era o que evidenciava, pois, a priori, já nos transparecia em razão das provas no apartamento dos dois.

Mas segue os critérios justos de investigação e, em quem sabe, culpabilidade, dos réus ou não... Assim o foi. Porém a massa desinformada, sem critério algum, cheia das opiniões, crucificava a imagem do casal antes de qualquer julgamento – o que é natural, pois estamos em um mundo no qual nos deparamos com opiniões diversas e que podem influenciar um meio, mesmo assim, eu me senti numa Idade Média contemporânea, em que tochas e xingamentos por pouco não apareceram na mídia...

A mídia (runf...!), essa voz que não cala em nome do povo, (leia-se tronco a espera dos futuros assados), refuta qualquer ideia de inocência, de paz, de justiça, e sim de digladiações invisíveis, confronto, lutas e até mortes em nome da lei democrática que diz “não é proibida qualquer manifestação ideológica” por parte da imprensa. Nesse meio, tripudia-se, arranca-se olhos, bocas e cabelos com a finalidade de demonstrar que a mídia sabe o que é justo – lamento, mas não sabe não.

Não é justo que se espalhe nas ruas o ódio, o desespero, a guerra, a dor de uma mãe. Não é justo que jogue duas pessoas ao fogo – o pior dos fogos – antes de um julgamento... Não é justo que se premedite um julgamento antes mesmo de ter acontecido... A própria imprensa desconceitua os conceitos, irrevela opiniões de religiosos, filósofos, escolas morais; enfim, desgoverna ainda mais o que já nos é desgovernado – nosso mundo. Mas o papel dela se resume a isso: achar que é a voz de alguém. Não é não.

Após investigações, a perícia deu cem por cento de possibilidades de o casal ser responsável pelo crime – morte de uma menina, à época com seis anos de idade, após ser jogada pela janela do edifício – e refutara todas as opiniões contra, inclusive àquelas que afirmavam terem mexido na cena do crime – e mexeram. Mas a questão em foco não é o casal ou quem seria o real mentor-executor do crime, mas o senso de maturidade dentro de uma sociedade cuja educação é tão vazia, mentirosa, caótica, que, até os próprios neandertais, se sentiriam cientistas!

Quem conhece a história sabe que a decadência de comportamento se vê ao longo dos tempos em comunidades que, pelos seus atos, acreditam em fatos circunstanciais e casuísticos como se fossem o final do mundo. Levam uma realidade cientifica como se fosse um milagre advindo de Deus – como choro de santos, águas batismais que curam, etc, além dos eclipses que geraram no passado alvoroços, sem falar das sociedades que execravam os pensadores; um mundo que fora gerado pela ganância humana, e que nunca mais fora esquecido.

O nosso atual mundo está bem pior. Depois dos terremotos no inicio do ano, no Haiti e Chile, vimos o quanto resguarda o animalesco em nós. Saques, violência, mortes, tráficos de crianças demonstraram a verdadeira face humana diante do problema: somos ainda mais neandertais do que nunca; estamos em uma Idade Média pior do que aquela em que a Igreja comandava e jogava ao fogo os homens que pensavam... Hoje, qualquer um é jogado.

Feliz são aqueles que possuem interessem divinos e que nos dão esperanças de um mundo melhor, porém tais almas estão – graças à impressa – se extinguindo. A influência é tanta, que não se refuta uma massa, pois, morre-se na rua linchado... Mas quem vai refutar uma massa? Refuta-se apenas o núcleo criador dos massacres em uma época em que se precisa esquecer o mal que gerara toda a tristeza no passado; é preciso reavaliar o que é justo, transformar isso em educação e gerar menos linchadores de plantão.

sexta-feira, 26 de março de 2010

O Vício de Ser Feliz


Há dias em que se percebe que estamos tão felizes que abraçar apenas os mais próximos é pouco. A sensação iluminada vem do coração, que, descansado, cheio paz, quer transmitir a todos o valor da vida, o valor das pequenas coisas pelas quais passamos e deixamos de amar, porque somos (e seremos sempre) ocupados com o dia a dia, com nossos problemas, que tapam o sol de nossas possibilidades.

A lágrima de alegria nos corre no primeiro abraço... É quase indescritível. Nas mãos correm o suor, como se fosse em uma eloquência de uma paixão que incita, perturba, e nos catapulta ao primeiro ser humano – seja em casa, seja na rua, bonito ou feito...Etc. O mais interessante é que um ato tão agradável como esse, de tão universal que é, não se repugna, pelo contrário, até mesmo em animais domésticos (ou não) é bem vindo... De tão universal, não há relutância nem mesmo àquele ser que embrutece com o mundo e nos passa a mensagem de que a vida não vale à pena. O abraço, a essa pessoa, deve ser forte, tal qual o de uma imprensadura, porque o ato não é nada sem a vontade, sem o respeito ao que a pessoa está passando, ao que ela é.

Não é um vício, mas poderia ser. É apenas um, dos milhões de atos naturais que possuímos, mas que reprimimos. O sorrir a alguém, o abraçar, o beijar... O ouvir, sentir, o amar proveem, na maioria das vezes, da alma que quer voar e encontrar a simplicidade do espírito, em poesias, em textos belos, em crianças... Em nós mesmos! Se fosse vício, seriamos mais humanos, mas a palavra vício no remete a algo ruim, como a bebida, o fumo...etc. Então nos vem a palavra virtude, o que, de alguma forma, singulariza atos maravilhosos sem esforços, e que sempre são feitos em prol de Si mesmo ou mesmo de alguém a seguir sempre uma disciplina, uma ordem, mesmo que seja externa, tenha o reflexo de algo interno – o que realmente somos: virtuosos.

Assim, seria um relâmpago de virtuosidade? Talvez. O que é realmente humano é sempre conectado com tudo que é belo, bom e justo – ou seja, em tudo que é divino, aqui, ali, na China, no Japão, na Venezuela... Em todos os lugares. As ações humanas são reconhecidas em qualquer lugar, até mesmo no espaço, simplesmente porque somos e devemos sê-lo, não ao contrário...

Contudo, também reconhecemos as ações bestiais quando as vimos. Isso não nos interessa... E sim praticar, não como relâmpagos virtuosos, mas sempre que acordar – aos poucos – abraçando, beijando, se comunicando, com palavras doces, com ouvidos, idem; de maneira que se torne um ‘vício-belo’, uma educação vívida, cheia de sinceridade, carinho, sem pormenores, traduzindo o que temos no eu verdadeiro, sem deixar que uma personalidade cheia de reais vícios nos torne frios e desconfiados do dia a dia.


É difícil, no entanto, também é fácil. Vamos lá, gente!

Projeto: Humanos


...Muitos se questionam acerca de sua vinda no mundo, essa bola quase oval, na qual homens, mulheres, cachorros, gatos, leões e leoas brigam em nome da paz particular – e pouquíssimos pela coletiva. Os questionamentos aparecem principalmente quando as coisas nos parecem sem retorno... “Ah, meu Deus, o que que eu fiz?”; “Por que acontece só comigo essas coisas?”, “Oh, Deus! Por que nasci nessa pobreza e não na riqueza?”.. Uma coisa é certa, se o Criador fosse alguém que tivesse a paciência de acumular perguntas, o computar dele de duzentos gigas já teria ido para o espaço (?)...

Na realidade, não fazemos as perguntas corretas, o que nos transforma em fugitivos eternos de nossas responsabilidades, ainda que tão fúlgidas quanto nós. Outra realidade é que sabemos (ou fingimos não saber) intuitivamente que há um circulo que criamos em nossa esfera de vida, e dentro dele fazemos e acontecemos. O primeiro passo do nosso projeto: tentar nos localizar. Não fugir, por mais que nosso mundo particular se resuma em Paris, Estados Unidos, ou mesmo a nossa saída e volta do trabalho para casa. Nossos rastros não estão à vista, mas, se tivessem, haveria marcas até mesmo de nossas dores por onde passamos. Mas não há, por isso a séria dificuldade de nos localizar...

Se nos observar dentro de um contexto maior, poderemos dizer que a esfera nossa de cada dia não se resume apenas às estreitas vias por onde passamos; em qualquer lugar do mundo, seja aqui, seja em Paris, ou na lua, estamos dentro de um mapa, seja estadual ou municipal, e este, dentro de um país, que por sua vez está dentro de um continente... E este continente, dentro de um mundo, a terra, a qual se encontra no sistema solar, e assim por diante... O que nos faz miniaturas, tais quais formigas, dependendo do ponto de vista, ou mesmo uma célula em um grande corpo – o espaço, por assim dizer – a trabalhar, a viver, a se questionar, sofrer, amar... Enfim, uma “formiga” que sabe onde está.

Outro parâmetro do projeto seria se preparar para os lugares em que piso, pois ele estará sempre cheio de armadilhas naturais, nas quais posso cair ou não, depende de minha esperteza em relação à vida. No entanto, se nos consideramos o trejeito ainda obscuro às nossas visões, teremos ainda que cair em muitas armadilhas, ou seja, haverá dias em que nossos aborrecimentos serão maiores do que eles próprios, porque terão, além de sua conseqüência, a minha ignorância em relação a ele – o que é pior. O que quero dizer é que, chegará o dia em que a pequena goteira em meu quarto será considerada uma “sete quedas”, simplesmente porque sou despreparado para enfrentá-la. No entanto a mesma goteira, em um outro contexto, pode ser o primeiro passo para uma real sete quedas se não tratada com a justiça que merece.

Preparado, o segundo passo é a forma de lidar com as pessoas, com o mundo. Não esquecendo que pessoas também – tudo – são armadilhas! O que determinará a sua realização do projeto é a sua forma de lidar com ele. Um exemplo disso são pessoas que nos intrigam todos os dias com a finalidade de nos “derrubar”, vamos deixar assim, mas que, sem saber, estão contribuindo para a consecução do projeto. Dessas armadilhas, já tínhamos consciência, o que nos dá uma margem imensa de ganho lá na frente. O nosso mal é que levantamos achando sempre que os deuses estão do nosso lado com a finalidade de nos elevar ao céu no primeiro pé no chão. Assim, muitos dizem, “mande pro inferno aquela pessoa”, “não fale mais com aquele canalha!”, “mude de caminho quando ele ou ela aparecer” “Ah, meu Deus, será que vou encontrar aquela maldita de novo?”– e a própria natureza se encarrega de lhe trazer aquela pessoa que você detesta sempre em seu caminho – por quê? Porque sempre que somos determinados a realizar um projeto de qualquer grandeza as dificuldades, as barreiras, aparecem como formigas em piquenique.

Então, deixemos bem claro: quando houver armadilhas pessoais em nossos caminhos, pulemos, mas sejamos conscientes de que são armadilhas humanas, não objetivas, o que significa que teremos que resolver atritos, confrontar com problemas, resolvê-los; jamais pular, no sentido de se esconder, sair correndo, mesmo porque sabemos que a encontraremos em nossos meios querendo ou não... Dos reais buracos, pulamos.

A realização completa desse segundo estágio lhe dará meios para conhecer um pouco do seu Eu, aquele vazio que pede uma nova experiência. Ou seja, comparando você a uma oceano, já conhecemos uma gotícula de você, não de sua personalidade. Pois sabemos que somos vaidosos, e lidar com o ser humano é um tanto quanto – em nosso nível – “uma prova iniciática”. A realidade é que, hoje, acordar cedo, abrir os olhos, sorrir ao mundo, vê-lo com olhos leves, sem aquele medo de batalhar... já é uma prova iniciática...

Ficamos por aqui. Quando passarmos do segundo estágio, volto.



quarta-feira, 24 de março de 2010

Um pouco do FARAÓ

No antigo Egito, o faraó era o símbolo da ponte entre as divindades e sua terra. Por sê-lo, plasmava a disciplina, a ordem, a justiça advindas do Universo. Não havia outro modo, diziam, de governar, sabendo que nossas naturezas divinas, assim como a própria Natureza, são frutos de uma Ordem maior, Justiça maior e Inteligência maior materializadas no ser humano, em seu espírito.

O faraó, pela percepção maior, teria que abraçar suas causas, fora e dentro do próprio reino, o que lidaria a simplicidade em lidar com o povo; mas também a complexidade, por saber lidar com os deuses. Muitos, pela figura fria e ao mesmo tempo respeitosa, o confundiam com a própria divindade a que buscava – e realmente parecia.

Sua face, adornada da retidão, seus olhos, que não vibravam frente ao sol, seu andado, imitado até mesmo pelos inimigos, seus gestos, sempre no compasso de uma organização maior, e muito mais, demonstravam a espiritualidade em pessoa.

Sua fé, não confundida com força e dúvida, traduzia o que podemos dizer de “uma realidade invisível na qual se deve crer e com o tempo ver”. O faraó via o que não se via com olhos normais. Por isso, a força da religião – no sentido universal – com a qual sabia lidar nos momentos mais difíceis de seu país.

Em épocas de seca, o rio Nilo baixava suas águas e o povo não ficava sem esperanças. Havia a figura firme do faraó que emancipava todas as energias naturais do próprio ser humano e do universo, sempre com a finalidade de referenciar àqueles pobres homens e mulheres que ainda titubeavam na credibilidade divina e do ser humano. Mas o faraó, figura divina, possuía em seu legado, em sua família, as mais terríveis batalhas vencidas, os piores inimigos em seus pés... Possuía os deuses ao seu lado, e ao aparecer ao povo – ao seu povo – mesmo em épocas tristes – a terra iluminava-se, o sol parecia se declinar ao homem da terra, assim tudo estaria bem.

Com suas vestes simbólicas, o faraó na eminência de ser o dono das duas terras, teria que ter a coroa de duas cores, representando o Alto e o Baixo Egito, os quais simbolizavam a fortaleza maior do Céu e da Terra. O látego, de forte símbolo nas mãos da divindade em terra, representava um faraó já dono do Uno, após sua morte, dono das causas e efeitos humanos, ou mesmo a disciplina ao discípulo, que erra e acerta.

Uma Águia, tão bela, representada por Hórus, transluzia-se no seu ombro a ligação entre o céu e a terra. Além do grande poder – não confundindo com autoridade – o homem-deus não teria que ter medo da morte. Era obrigação dele, ao assumir seu reinado, pedir aos mestres de obra que fizessem sua cova, pois sabia tão profundamente sobre os mistérios da vida, que a morte era só um meio natural para a qual se ia. Mas o faraó tinha a obrigação de seguir em frente, não reencarnar, e seguir para o devachan egípcio, no qual apenas os de corações leve permaneciam, e permanecem.

Era em vida, a obrigação do faraó era dar a possibilidade de várias crenças seguirem em sua terra, ou fora dela, pois tinham a certeza de que Deus era todo o Universo manifestado e não manifestado, o que não daria margem à discriminação em qualquer lugar.

Por mais que se conte acerca dos faraós, é pouco pois tudo foi desvirtuado, apagado, desacreditado... Enfim, o vandalismo psicológico nos tornou sectários e burros.

A Parte que nos Falta

"É ótimo ter dúvidas, mas é muito melhor respondê-las"  A sensação é de que todos te deixaram. Não há mais ninguém ao seu lado....