sexta-feira, 9 de abril de 2010

Religare

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Nascer todo dia, esse é o meu conselho. Se todos passamos por diversas intempéries naturais de um ser humano, é porque somos seres humanos, não cavalos, porcos, aves, periquitos ou macacos. Somos seres que acordam em meio a guerras diárias, mas também em paraísos escondidos, e não sabemos. Estes, tão escondidos em nossa alma, porém, tão visíveis quando nossa própria imagem no espelho, são os grandes responsáveis pela nossa vivência – ou melhor – pela nossa sobrevivência num mundo de pessoas que não se compreendem e não esperam se compreender, mesmo porque não as interessa.
Somente quando lhes toca o “calcanhar de Aquiles” é que se tornam vulneráveis a qualquer diálogo em sentido até mesmo bíblico. Não podemos esperar que nossos calcanhares sejam arranhados, tocados... e olharmos para o céu pedindo perdão a Deus, não, não podemos. Olhar para si mesmo é compreender que somos seres religiosos, seres que perdoam, que amam ou que podem compreender o amor; olhar para si mesmo e ver um grande sol se fazer pela manhã, tão belo e ursal, sorrindo em nome de tudo que é misterioso e divino. Olhemos. Oremos.
Ele se vai na tarde, claro, mas nós não; ficamos a observá-lo novamente nos questionando “o que ele ganha com isso?”, “Por que tamanha bondade se somos seres tão brutos e não lhe damos absolutamente nada?” – são apenas indagações advindas de nossos corações frios e sem amor, cuja sabedoria não passara nem perto.
E assim, permanecemos intactos ante sua beleza indo embora, transparecendo um deus que se deixa luzir em sua calda alaranjada, até se acabar... E não aprendemos nada sobre ele, de novo.
Suas chamas ainda ficam em nossa memória, como uma miniexperiência filosófica sobre a qual não temos nem mesmo ferramenta para entender, mas buscamos à medida que sorrimos a alguém, abraços alguém, damos amor a alguém. É ele, o sol em nós, fluindo misteriosamente feito sangue invisível em uma alma perturbada e ao mesmo tempo cheia de raios aos semelhantes que por ela passam.
As chamas desse grande deus continuam na música de Bach, elevando a alma ao mais quente dos cimos. A música enfeitiça como uma lua que brilha nas ondas de um mar distante, sem ninguém, apenas um observador, o próprio espírito, ao longo, na praia, clamando nosso nome.
Nada disso é imaginação, nem mesmo abstração. É revelação. É religião.

O Direito de Ser


Em meio a guerras e conflitos pessoais, humanos e mais humanos se desencadeiam na evolução psicológica dos fatos, das informações; seus gestos, suas falas, a cada dia mais avançados são naturais de uma época que não pede educação e sim confronto, luta e discursos inúteis. Assim, como diria, Charles Chaplin, “Assim caminha a humanidade...” cheia do nada!

Uma prova disso: para onde estão indo aquelas informações que, desde criança – naquela tenra idade – recebemos de bom grado dos pais, avós, como se fosse nossa última tocha acesa na escuridão do último túnel, sem mesmo a quem o a que recorrer? Foi para os espaço, fazer parte dos programas espaciais americanos ou para a rua serem pisadas em meio à multidão infernal revoltada por salários dignos? Talvez.

Mas o que procuramos não é a informação de outrora, e sim nossa honra, nossa ética, nossos direitos de ser... Humanos. Queremos reconquistar esse direito, além de respirar fundo, acima desse mar de lama que nos impuseram, soltar uma gargalhada como quem enganou o inimigo direitinho... Queremos mais, muito mais que isso. Como diria Gonzaguinha “mostrar a bunda na janela” aos políticos, corruptos, aos miseráveis homens que vivem somente por viver, ou por interesse próprio, ou por atrapalhar a vida de quem quer ser feliz... Mostrar a esse gente infeliz que corrói na infãncia, juventude e que nos transformam em velhos mentirosos!

A quem recorremos? Não tem ninguém, pois papai e mamãe já não pensam como nós, e estão em uma esfera diferente do nosso planeta, porque a experiência – aquela que cultivamos individualmente – nunca é igual a outra. E nossos pais... Ah, nossos pais, por estarem ainda vivos, tentam nos atar ao nó eterno de seus colos e nos apegar a eles como filhos eternos que fizeram bobagens eternas... Além de, é claro, abraçar nossas consequências, aquelas pelas quais somos responsáveis... Não recorremos, então, a eles.


Recorrer aos saudosistas, aqueles que adoram voltar ao passado, cheios de dores do presente e que, sem querer, se machucam com lembranças frias e quentes, mais frias do que quentes? A esses eu desejo uma âncora, e que por ela saiam do atoleiro, pois o mundo precisa de idealistas que, pelos quais, conseguimos nossas honras, ou pelo menos um pouco dela...


Aos mentirosos de plantão, que vivem apregoados em casa, em busca de aventura; porém, nada melhor do que um bom filme para “ilustrar” a sua vida mansa, calma e cheia de moscas? Não a esses um empurrão, ou mesmo um chicote da vida para lhes mostrar o quanto falta a viver, sorrir e buscar o melhor da vida – seja nas crianças, seja no amor.

Enfim, é difícil buscar soluções dentro de uma decadência de valores nos quais até mesmo os cientistas têm duvidas quanto o que encontram. É preciso sentir, como em uma corrida solitária, o vento no rosto, o coração bater, o cheiro das rosas no campo, a brisa do mar, a poeira molhada, a verdadeira paz interna... E criar uma sociedade pessoas verdadeiras!

É preciso viver. Sair de casa, sair da televisão, criar formas de vida, sem que sejam influenciadas pelo mal que nos assola, mesmo quando estamos dormindo. É preciso criar filhos invisíveis, responsabilidades, com as quais não sentimos o peso e sim a leveza de realizá-las, semelhante aquele homem que saia de casa, todos os dias, e ia ao encontro da santa, puxando uma carroça, cheia de lixo, pesada, porém, ele, feliz...


Assim, na resposta àqueles que nos acham filhos do nada apenas porque somos realizadores de alma, não de concretos, diremos que, sem alma, não há corpo, mas há muitos corpos sem alma.

Vamos realizar! Mas antes, filtremos as informações, sempre dentro de parâmetros simples, nunca racionais!

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Ser e Envelhecer


“Ser velho é não ter ideais, objetivos, projetos...” LC.


Não sei ainda o que é envelhecer. Mas observo minha mãe, uma senhora de mais de setenta anos, com oito filhos – sete, um já falecido recentemente --, como um grande referencial a ser adotado por mim e por muitos, espero que por todos que a conheçam. Uma diva terrena, firme em suas convicções, que leva a vida como um rolo compressor em cima dos problemas, dos males que vêm e dos que estão por vir.

Sua natureza tão forte adveio de uma infância sofrida, na qual pais e mães – ainda que tão pertos, não puderam dar a ela tudo que necessitava. Muito pelo contrário, teve que trabalhar como doméstica, deixando seu maior sonho pelos cantos – o desejo de estudar, ler, saber, entender, conhecer e ser alguém.

Hoje, ser alguém, tenho a certeza de que independe de querer ser, mas sim pelo caráter demonstrado em caminhos pelos quais passamos. Semelhante um soldado que não perdera a racionalidade em plena batalha... Minha mãe, forte como um touro, religiosa mais que qualquer sacerdote cristão, nos passa uma velhice regada de caráter fibroso. Quem a vê alimenta as esperanças, de paz e amor em sua vida. Não foi preciso, dna. Joseja, o estudo para ser alguém. A senhora é e sempre será alguém, o qual demonstrará a luta pelas mínimas coisas, ainda que não seja regadas de valores maiores do que os nossos, nem os de grande interesse, ainda que não seja relevante, mas que tenha em seu cunho um pouco da sobriedade humana para ser alimentada.

Cícero, o grande orador grego, que soube envelhecer, disse um dia que pedimos a Deus para envelhecer bem, mas não nos contentamos com ela – a velhice – quando nos é chegada. Por quê? Não temos instrumentos – caráter formado desde a juventude para lidar com ela –, e isso nos corrói as entranhas, sendo fortes ou não.

É por isso que se deve alimentar de paz e fortaleza nossas almas, já que pretendemos chegar ao “fim” de nossas caminhadas bem seguro; é por isso que, sempre que pretendemos viver bem, que tenhamos orgulho de todas as idades, principalmente a maior, seja em qualquer âmbito que a considerarmos. Pois não há nada mais belo em nós que passar uma experiência que tenhamos orgulho de nós mesmos.

Quando se é jovem, precisamos mostrar que o somos – sempre falando o que bem quer, passando por experiências inúteis, levando gírias ao nosso pífio vocabulário, se esquivando de problemas que são nossos, correndo em direção ao mal, sorrindo ao nada... Enfim, somos frutos de épocas que não souberam nos educar – e o reflexo dessas imagens só o vemos quando mais velhos --, como se fosse genocídio em massa, mesmo não nos enterrando.

É de invejar aquele que passa por tudo isso e ainda possui o caráter formado, elevado a uma boa educação a ser passada. Esse nos faz acreditar que a vida tem recompensa, e que a evolução existe, pois criamos referenciais, como totens indígenas, lá nos alto, mas com um simbolismo profundo acerca do céu e da terra.

Epílogo

Atualmente, o medo de envelhecer combina-se com o medo da morte. Mas são percalços naturais pelos quais se passa, querendo ou não. Aliás, algumas coisas – as mais importantes – não dependem de nós, humanos. O que criamos sim, talvez, mas, mesmo assim, titubeamos em sua realização. O que quero dizer é que, já que podemos resolver determinados problemas, ainda que difíceis, vamos fazê-lo, não aqueles com os quais lidamos naturalmente, advindo dos deuses. Esses são provas naturais pelos quais temos (ou pelo menos tínhamos) que passar sem mágoas, enfrentando, sorrindo, saboreando a vida tal qual uma criança que cresce, desenvolve-se e vive sua plenitude na velhice – mas não nos tornamos crianças! E sim sábios! Uma condição pela qual nenhum animal ou planta por ela passa, apenas humanos. E envelhecer é isso. Saborear a vida aos poucos, até o presente maior nos seja concebido: a sabedoria de enfrentar a morte como se fosse um brinquedo, uma viagem ou um desprendimento de uma pedra que há muito nos segura pelos pés.

E a velhice seria a ponte entre o homem e o mistério.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Sombras, Pó e Eternidade

A terra nos ensina que tudo se vai... Nas mínimas coisas que são – ou que aparentam ser – nada é eterno do ponto de vista terreno, humano, animal, mineral... E vegetal. As experiências no conduzem a isso também, a essa conclusão fácil, no entanto, de difícil aceitação quando por ela passamos. Não falemos na morte, por enquanto.
A experiência dos males naturais -- as doenças; a perda de um objeto; o sumiço de um fio dental, o desaparecer de um controle remoto... Oarranhar de um relógio... de um carro!... Enfim, somos assustados com o fim de tudo, com o nosso fim, mesmo sabendo que até as rosas, seres tão belos e frágeis, também se vão, mas voltam, e, entanto, tão imprescindíveis!

Quando somos pegos em pensamentos do tipo “tudo um dia se vai”, ficamos presos a ele, ou tentamos esquecer que somos mais físico do que tudo, e ele se vai – antes ou depois de seus objetivos cumpridos --, pois não há nenhuma lei que diz que tudo que é do homem é necessário que fique no mundo para dar cria. Talvez, em certas cabeças, tal pensamento se funda pelo fato de que enxergamos nossos filhos como uma contínua forma de imortalizar a nós, o que é exageradamente errôneo de nossa parte.
E aquele que não pode ter filhos pensaria do mesmo modo? Então é falha a premissa de que os filhos são complementos imortais, os quais se vão um dia, mas deixam (ou são obrigados a deixar) mais filhos, apenas porque queremos deixar enraizada a idéia (errônea) de que somos eternos. Muito pelo contrário, tudo se vai.

O homem é eterno, mas não do ponto de vista físico. Nada é eterno desse ponto de vista. É assim que devemos nos educar em relação às coisas que nos acontecem, desde a infância. Mas educar também nossas idéias, pois elas, a depender de quem as deixa, duram mais que homens, mais que as revoluções, muito mais que a história...

O homem que tenta ser bom e justo em sua sociedade já tem a sua parcela de imortalidade – ou pelo menos um pouco dela, mesmo porque precisamos ressaltar seus feitos àqueles que ficam, como nossos filhos. O homem que irreleva, em sua vida familiar, profissional etc certos fatores naturais de sua responsabilidade mais tarde encontrará um caminho que o forçara ser melhor, ainda que seja tarde.

Suas idéias serão eternas em sociedades que necessitarão delas, seu comportamento, em um mundo que necessita de uma educação prática, será lembrado... Isso é um pouco de eternidade – os livros são prova disso.

As idéias podem ser grandiosas, durarem muito, e até mesmo deturpadas, mas não são melhores do que os referenciais dos quais elas vêm. Se adotadas dos céus, durarão eternamente, se da terra, não muito.

Voltando...

Epíteto, filósofo estóico, dizia sempre que, se quisermos nos acostumar com a perda, devemos sempre dizer... “Ele (a) vai voltar à sua origem”. Significa dizer que temos que nos referenciar sempre em alguma coisa mesmo que seja com a finalidade de nos acostumarmos à falta de algo, pois o que nos falta sempre nos causa dor, principalmente quando se está muito tempo do nosso lado – as pessoas, os animais, etc...

E obedecer às máximas não quer dizer repetir várias vezes uma frase, mas tentar buscar o porquê delas, assim como tudo em nossa vida. Frases fazem efeito, mas a razão pela qual fazem é que temos que buscar.

Epíteto sabia que tudo era relativo do ponto de vista físico, mas também sabia que havia sofrimentos na perda de qualquer ente. E isso, de alguma forma, desacelera o ritmo evolutivo de uma personalidade. Temos que começar com as pequenas coisas, ainda que sejam inanimadas; coisas que fazem parte de nossas vidas, e que, de alguma forma, criamos pendências sentimentais; “todas elas vão para o lugar de onde vieram” – um prato que quebra; um jarro que cai no chão e se espatifa; uma roupa comprada há pouco tempo que se suja com vinho... etc.

São reflexões necessárias. Dentro de dessa autoeducação, partiremos para o mais alto grau de consciência, que, um dia, nos fará mais ou menos inclinados a respeitar a natureza da morte.

Até mesmo o grande Marcus Aurélius dizia “até mesmo o maior dos imperadores da história morreu”. Isso nos conforta, no entanto, ainda não nos acostumamos com ela. Isso nos faz crianças em busca da compreensão daquilo que é tão maior e melhor que nós – uma fusão de mistério e medo, ainda que sejamos cientistas, religiosos, filósofos, sacerdotes, enfim, a morte, será, um dia, o momento em que lembraremos que tudo, tudo mesmo, tem sua ida ao desconhecido, à sua origem.
Por enquanto, como diz o filósofo, comecemos com as pequenas coisas, sempre medindo nossos sentimentos com relação a elas.
A real felicidade nada mais é do que respeitar a origem e o fim de tudo.

terça-feira, 30 de março de 2010

A força da MÚSICA


O que nos leva a ir a shows de rock, com suas músicas ácidas, com ritmos fortes, cujos componentes sempre tentam nos trazer a imagem mais clara do que do são com suas vestimentas, às vezes, com suas letras revoltantes? Ou na maioria das vezes salgadas demais? Carl Gustav Jung, psicólogo-filósofo, sempre dizia que ir a shows como esses e colocar o dedo em uma tomada é a mesma coisa.

Seria isso de que precisamos? Choques? Em algum nível talvez, mas, na realidade, quando se trata de música, acredito que precisamos recompor nossas definições acerca dos benefícios que ela nos traz. Platão, filósofo grego, em sua República, expõe o fato de que a música, advinda de uma esfera não personalistica, poderia (e pode) atuar na educação.

A música levada ao extremo de uma personalidade maculada de interesses e revoltas se infiltra em outras personalidades imaturas, seja na infância, seja na fase adulta, o que resulta em um decréscimo psicológico. Mas não há como se importar em decréscimos educacionais, pois não se acredita que a música seja tão importante no aspecto educacional atualmente – assim, ouve-se de tudo: de funks com dancinhas libidinosas a forrós, ao contrário do que traziam suas raízes, com letras dúbias.

A raiz do problema é fecunda, ou seja, é difícil encontrar. A própria humanidade tem suas sequelas de um passado que a fez acreditar que abrir-se a tudo é bom. Ainda, que é antiquado tentar ouvir os clássicos; a própria mídia se encarrega de dizer isso indiretamente, porém crianças, influenciadas pela má formação de uma arte mal conduzida, cantam músicas sem ritmo, distorcem as cantigas infantis, amam cantores que relatam namoricos, paixões... Transformando-a em uma pessoa menos compreensiva e psicologicamente perturbada futuramente...

Hoje, são pouquíssimos os pais que levam filhos a concertos clássicos, nos quais ouve-se o som o violino, do violoncelo, da flauta, de um piano, às vezes, de um violão solitário, enfim, pais que querem transformar o mundo com pequenos atos. Há pais, no entanto, que amam tanto seus filhos que esquecem que amor é retidão, não democracia – e levar isso como um fator educacional é difícil. Um exemplo disso é quando filhos iniciam uma carreira solo, admirando heróis da música-rock, cujo líder é um ser descabelado, cheio das tatuagens, com desenhos que nem ele mesmo saberia dizer o que significa, desenhadas eternamente nos braços, pernas, costas... Além do vozerio alto, seguido de uma letra insignificante, sanguinária, com apelos sexuais fortíssimos. Alem do caráter do próprio cantor, que, sem uma vida responsável, leva tudo na espontaneidade sem mesmo um critério de organização. O reflexo se vê na vida do pequeno fã.

Mas o que faz irmos a shows de rock também pode ser a vontade de pular, sorrir, brincar, esquecer o dia a dia. Nesse caso seria melhor então pular em uma lama contaminada de malaria, dengues, e mais tarde nos depararmos com febres, dores físicas, fortes dores de cabeça... Tudo isso com o sorriso no rosto. O ruim disso tudo é que a morte pode nos cheirar o pescoço mais cedo do que tarde... Claro que a música não mata, mas traz seqüelas enormes, e a morte, nesse caso, seria uma das melhores escolhas.




Esquecer o dia a dia se infiltrando nos males da vida não seja talvez (!) a melhor saída. Há tantas saídas, como o conversar com um grande amigo, curtindo uma bossa nova, ou mesmo indo a shows de música clássica, ainda que não se goste, mas no silêncio do auditório pode-se pensar melhor, refletir sobre a vida, sobre a família, sobre a situação. Além de sentir um pouco sua alma mais leve para enfrentar o mundo.

A música pode mudar as pessoas. Há milhões de pessoas que dariam a alma para ver novamente seu ídolo, sua música preferida, e lembrar, mais uma vez, daquele momento impar por que passou na adolescência. O que nos move talvez seja essa relação com a música, essa sonoplastia eterna que buscamos para nossas vidas dentro e fora de nossas casas, carros, e lembrar, lembrar... relembrando...

Até aí, tudo bem. Porém, precisamos nos recompor e nos preparar sempre para o dia a dia, com a sonoplastia natural que a vida mesmo nos dotou, a música natural, aquela que ouvimos quando acordamos – a dos pássaros, ou mesmo a das cachoeiras imensas no fim do rio – quando dormimos, na canção de Bach, ou na flauta de Mozart, os quais sabiam traduzir a beleza em espírito, plasmado em ritmo e paz.

Os shows de rock são violências não qualificadas como tal, pois não revelam visivelmente seus males, apenas futuramente. No entanto, é preciso maturidade para perceber isso... Porém, quando percebido, é preciso que um ato semelhante a de um navio dando cavalo de pau em pleno mar, voltando ao seu local de origem com a finalidade de repensar para onde vai. O cavalo de pau, concretizado, revela força de vontade do navio e no nosso caso uma reflexão profunda acerca de nossos valores musicais ou não.






segunda-feira, 29 de março de 2010

Á Sombra da Inquisição

Não sei o que chamamos de justiça hoje, mas nos parece um montante de interesses por carne, ossos, sangue. Isso ficou claro no julgamento dos Nardoni, na ultima semana. Em meio a um todo de evidências, o casal foi entregue à justiça pública como dois conjuntos de ossos sem alma – realmente era o que evidenciava, pois, a priori, já nos transparecia em razão das provas no apartamento dos dois.

Mas segue os critérios justos de investigação e, em quem sabe, culpabilidade, dos réus ou não... Assim o foi. Porém a massa desinformada, sem critério algum, cheia das opiniões, crucificava a imagem do casal antes de qualquer julgamento – o que é natural, pois estamos em um mundo no qual nos deparamos com opiniões diversas e que podem influenciar um meio, mesmo assim, eu me senti numa Idade Média contemporânea, em que tochas e xingamentos por pouco não apareceram na mídia...

A mídia (runf...!), essa voz que não cala em nome do povo, (leia-se tronco a espera dos futuros assados), refuta qualquer ideia de inocência, de paz, de justiça, e sim de digladiações invisíveis, confronto, lutas e até mortes em nome da lei democrática que diz “não é proibida qualquer manifestação ideológica” por parte da imprensa. Nesse meio, tripudia-se, arranca-se olhos, bocas e cabelos com a finalidade de demonstrar que a mídia sabe o que é justo – lamento, mas não sabe não.

Não é justo que se espalhe nas ruas o ódio, o desespero, a guerra, a dor de uma mãe. Não é justo que jogue duas pessoas ao fogo – o pior dos fogos – antes de um julgamento... Não é justo que se premedite um julgamento antes mesmo de ter acontecido... A própria imprensa desconceitua os conceitos, irrevela opiniões de religiosos, filósofos, escolas morais; enfim, desgoverna ainda mais o que já nos é desgovernado – nosso mundo. Mas o papel dela se resume a isso: achar que é a voz de alguém. Não é não.

Após investigações, a perícia deu cem por cento de possibilidades de o casal ser responsável pelo crime – morte de uma menina, à época com seis anos de idade, após ser jogada pela janela do edifício – e refutara todas as opiniões contra, inclusive àquelas que afirmavam terem mexido na cena do crime – e mexeram. Mas a questão em foco não é o casal ou quem seria o real mentor-executor do crime, mas o senso de maturidade dentro de uma sociedade cuja educação é tão vazia, mentirosa, caótica, que, até os próprios neandertais, se sentiriam cientistas!

Quem conhece a história sabe que a decadência de comportamento se vê ao longo dos tempos em comunidades que, pelos seus atos, acreditam em fatos circunstanciais e casuísticos como se fossem o final do mundo. Levam uma realidade cientifica como se fosse um milagre advindo de Deus – como choro de santos, águas batismais que curam, etc, além dos eclipses que geraram no passado alvoroços, sem falar das sociedades que execravam os pensadores; um mundo que fora gerado pela ganância humana, e que nunca mais fora esquecido.

O nosso atual mundo está bem pior. Depois dos terremotos no inicio do ano, no Haiti e Chile, vimos o quanto resguarda o animalesco em nós. Saques, violência, mortes, tráficos de crianças demonstraram a verdadeira face humana diante do problema: somos ainda mais neandertais do que nunca; estamos em uma Idade Média pior do que aquela em que a Igreja comandava e jogava ao fogo os homens que pensavam... Hoje, qualquer um é jogado.

Feliz são aqueles que possuem interessem divinos e que nos dão esperanças de um mundo melhor, porém tais almas estão – graças à impressa – se extinguindo. A influência é tanta, que não se refuta uma massa, pois, morre-se na rua linchado... Mas quem vai refutar uma massa? Refuta-se apenas o núcleo criador dos massacres em uma época em que se precisa esquecer o mal que gerara toda a tristeza no passado; é preciso reavaliar o que é justo, transformar isso em educação e gerar menos linchadores de plantão.

sexta-feira, 26 de março de 2010

O Vício de Ser Feliz


Há dias em que se percebe que estamos tão felizes que abraçar apenas os mais próximos é pouco. A sensação iluminada vem do coração, que, descansado, cheio paz, quer transmitir a todos o valor da vida, o valor das pequenas coisas pelas quais passamos e deixamos de amar, porque somos (e seremos sempre) ocupados com o dia a dia, com nossos problemas, que tapam o sol de nossas possibilidades.

A lágrima de alegria nos corre no primeiro abraço... É quase indescritível. Nas mãos correm o suor, como se fosse em uma eloquência de uma paixão que incita, perturba, e nos catapulta ao primeiro ser humano – seja em casa, seja na rua, bonito ou feito...Etc. O mais interessante é que um ato tão agradável como esse, de tão universal que é, não se repugna, pelo contrário, até mesmo em animais domésticos (ou não) é bem vindo... De tão universal, não há relutância nem mesmo àquele ser que embrutece com o mundo e nos passa a mensagem de que a vida não vale à pena. O abraço, a essa pessoa, deve ser forte, tal qual o de uma imprensadura, porque o ato não é nada sem a vontade, sem o respeito ao que a pessoa está passando, ao que ela é.

Não é um vício, mas poderia ser. É apenas um, dos milhões de atos naturais que possuímos, mas que reprimimos. O sorrir a alguém, o abraçar, o beijar... O ouvir, sentir, o amar proveem, na maioria das vezes, da alma que quer voar e encontrar a simplicidade do espírito, em poesias, em textos belos, em crianças... Em nós mesmos! Se fosse vício, seriamos mais humanos, mas a palavra vício no remete a algo ruim, como a bebida, o fumo...etc. Então nos vem a palavra virtude, o que, de alguma forma, singulariza atos maravilhosos sem esforços, e que sempre são feitos em prol de Si mesmo ou mesmo de alguém a seguir sempre uma disciplina, uma ordem, mesmo que seja externa, tenha o reflexo de algo interno – o que realmente somos: virtuosos.

Assim, seria um relâmpago de virtuosidade? Talvez. O que é realmente humano é sempre conectado com tudo que é belo, bom e justo – ou seja, em tudo que é divino, aqui, ali, na China, no Japão, na Venezuela... Em todos os lugares. As ações humanas são reconhecidas em qualquer lugar, até mesmo no espaço, simplesmente porque somos e devemos sê-lo, não ao contrário...

Contudo, também reconhecemos as ações bestiais quando as vimos. Isso não nos interessa... E sim praticar, não como relâmpagos virtuosos, mas sempre que acordar – aos poucos – abraçando, beijando, se comunicando, com palavras doces, com ouvidos, idem; de maneira que se torne um ‘vício-belo’, uma educação vívida, cheia de sinceridade, carinho, sem pormenores, traduzindo o que temos no eu verdadeiro, sem deixar que uma personalidade cheia de reais vícios nos torne frios e desconfiados do dia a dia.


É difícil, no entanto, também é fácil. Vamos lá, gente!

A Parte que nos Falta

"É ótimo ter dúvidas, mas é muito melhor respondê-las"  A sensação é de que todos te deixaram. Não há mais ninguém ao seu lado....