quarta-feira, 5 de maio de 2010

À Mãe do Meu Filho

Queria muito dizer que Te Amo, mas não consigo.
É um sentimento bem privativo, cheio de segredo.
Se eu disser “Te Amo”, acho que a magia vai terminar...
E Tenho medo disso.
Levanto, vou ao espelho, olho para ti dormindo...
Sussurro ao teu ouvido com a esperança de que me ouves,
Mas não...
O “Te Amo” saiu fraco. Quase inaudível...







Volto e meia, corro para a cama, sorrio
Tal qual criança infernal que faz peraltices,
E corro para debaixo das cobertas...
Ah, como eu Te Amo!
Depois de anos juntos,
Jurando “separação”,
Estamos mais juntos, mais presos,
Mais amantes, como dois adolescentes crescidos...

Acho que não vou dizer-lhe “Te Amo”.
Ficarei preso à sua imagem bela
De bela adormecida, e eu, o rei destituído,
Na realidade, sucedido por um príncipe...
Nosso Filho...

Que criança bela, que corre, fala, adormece...
Dança na manhã, corre na tarde, sorri na noite,
Nos embriaga de vida, nos afasta do mundo velho,
Dos pensamentos velhos,
E nos renova, incentiva, fortalece, enriquece...
Por causa de tu, Mamãe, que o amortece nos braços,
E o faz se perder – como eu, um dia – nos teus
Segredos...

Ah, segredos, filhos da imensidão de tua coragem,
Da sua virtude ante os homens.
Ah, mulher-mãe, ah, mãe-menina,
Queria dar-lhe o que não tenho,
Pois o que tenho é apenas um trilho,
Um caminho, uma forma de caminhar,
Uma montanha e dela a subida,
Um céu, e dele as estrelas,
Uma lua, e dela a sua luz...
Pois nela eu te encontrei...

Minha querida Esposa, Luciene.

(feliz Dias das Mães!)




terça-feira, 4 de maio de 2010

Mães e Filhos


Alegria de viver, de estar vivo. Sobressaltar de todos os úteros in natura, nas águas da vida, nas ruas ladrilhadas, no paraíso. Velejar nos oceanos sem medo, subir montanhas sem cordas, ainda que frias, ainda que pontiagudas. Sorrir ao dormir, feito criança madura, saborear a melhor fruta da melhor mangueira.

Ser o que é, por mais falho que seja, ainda receber carinhos, semelhante ao vencedor da mais longa corrida. É ser o real fruto de uma genealogia, de um núcleo, no qual outros frutos, também chamados de filhos, brindam a existência da grande mãe.

Chorar, e não procurar o colo. Desenlaçar-se do útero, desfazer-se das leis. Como é difícil. Correr em direção oposta, ir de encontro a um novo mundo, sem aquela mão que há tanto te acompanha. Esquecer-se da origem, e começar do zero. Impossível.

Impossível viver sem ela, sem o sorriso e o abraço que nos conforta. Dos ouvidos que nos ouvem, da boca que nos acalenta, dos braços que nos amam, da alma que nos eleva... Impossível seguir sem a estrela-mãe, a que miramos desde a idade que não conta.

Agradecer. Apenas uma palavra. Não temos maturidade para tanto. Mas a palavra não existe. Pensemos, refletimos o que somos. Sejamos apenas filhos, que terão filhos, que nos serão netos, que nos amarão como pais, mas seremos avôs, e morreremos ainda filhos daquela mãe, que nunca se foi.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Família (II)


A priori é necessário ressaltar que ainda temos alguns vínculos familiares, ainda que desligados do grande referencial, mas que fazem valer o respeito necessário à palavra Família. O cristianismo é um deles. Com leis difusas, confusas, cheias de interpretações literais de sua bíblia, o cristão segue à risca seus princípios, ainda que vazios de sentido, pois não se religam ao céu nem obedecem à terra. Todavia, traduzem fielmente um texto que diz “obedeci aos pais”. “Feliz é o filho que obedece ao pai” – coisas assim.

O problema maior é que, sem saber, que quando se referem ao céu – à totalidade do Uno – trazem à terra os valores celestes de maneira a serem incrustados na ponta da língua como se fossem realidades naturais, claras e únicas. Contudo, ajuda na educação cristã, a qual pressupõe a única saída para o mundo de hoje.

Assim como um fogo que acaba com todas as suas madeiras, e alimentado por outras, o fogo da desvalorização humana extinguiu os conceitos e tem, como nova madeira a ser queimada, quase que intacta, a educação cristã dentro do meio familiar.

Sem seguir qualquer referencial, seja tradicional ou não, apenas atropelando o que nos fez homens no passado e mulheres de bem, o cristianismo se equilibra na religião dos padres, dos pastores, dos papas, dos anciões, os quais, com lastros na figura de Cristo, mesmo assim, desencadeiam a falta de personalidade e caráter para lidar com a vida, levando à família – o núcleo a que tanto visam – a tortuosidade inerente ao homem sem sabedoria, ou seja, sem amor à história do próprio homem a qual o fez ali, reto, disciplinado, ordenador dos princípios na terra, religador do céu e da terra, com o foi há muito tempo.

Sem a educação – edutiere – principio avassalador do mal, o homem se torna o próprio mal, refletindo em suas leis a própria personalidade, o próprio caráter que não o liga mais ao Logus (ver texto 1).

Não se pode ter uma educação baseada em princípios falhos, pois é ela que nos conduz à nossa origem, seja aos núcleos, seja a nós mesmos. Uma prova disso são notícias de uma sociedade se adequando às suas necessidades mais falhas ainda, ou seja, como se não se houvesse porta, vamos fazer um grande buraco na parede, ainda que tenhamos todas as ferramentas para fazer a nossa porta...!

Mas já que estamos no caos – crianças sem pais; com pais violentos; com mães irresponsáveis; mães precoces que deixam filhos em lixos... – busquemos, pelo menos, olhar um pouco para a estrela que está ali, ainda, a nos ensinar que ela está ali não porque o homem quer que ela esteja ali, mas porque existem inteligências no universo trabalhando em prol de um Universo maior, e que não conhecemos, e se mantivermos a mentalidade voltada aos interesses frívolos, como dinheiro, duvidaremos sempre de nós mesmos, em qualquer quesito humano....

O Porquê da Educação

A educação é que nos gera princípios. Faz-nos viver deles. Ela é a massa que une os tijolos de nossa alma quando nos atemos a algo verdadeiro, justo, belo, sempre a religar o homem ao céu, assim como o fizeram os grandes homens do passado. Depois de todos unidos, como uma parede ou mesmo um muro, não há como derrubá-los. Lembram-se dos três porquinhos e sua casa de tijolos? Pois é, no fundo, queremos que nossos princípios sejam como aquela casa onde a Tríade – os três porquinhos – vive. Casa esta que nem mesmo o maior dos lobos – as depreciações de uma sociedade caótica – derrube.

A verdadeira família, a partir dessa premissa, só será tradicional, forte, bela, unida, religada com seus princípios, amada, quando houver essa reviravolta na educação – não a que estamos acostumados a ver e dela sobreviver – mas aquela que fazia o grego a acender um pequeno fogo em meio à sala de estar, religando com o grande fogo no meio da praça da cidade, a qual estaria ligada ao fogo maior – o fogo dos mistérios.

A família, hoje, não respeita os homens nem mesmos as mulheres, e sim a adequação de novas leis em favor do mal que não se conseguiu parar. Mal em forma de homossexuais que adotam crianças, mal em forma de pessoas, aparentemente de bem, que jogam crianças do sexto andar; mal que joga crianças em rios; mal que faz crianças pedir esmolas a pais miseráveis em todos os sentidos; mal que nos faz acreditar que o “importante é ser feliz”, enraizado em uma felicidade sem ponte para o sagrado, cheia de buracos, sem elementos visíveis do verdadeiro amor – mas o amor relativo, aquele que faz suprir a vontade de ter uma criança em nome de uma família moderna, sem o caráter daquela que um dia foi o maior núcleo de todos, no qual o homem se confortava até mesmo em pensamento...






Familia (I)


“O mundo anda tão estranho”, conta uma música de Renato Russo, vocalista do extinto Legião Urbana, numa música em que relata a simplicidade de uma família que passa o seu dia de forma bela e natural, como realmente deveria ser em qualquer família. Nesse aspecto, a música nos remete a um saudosismo que nos fica na alma, fazendo com que a alusão acerca de família, bem-viver, amor, paz sejam revistos em nossa sociedade, que se esqueceu de si mesma.

Fora a música, tenho a nítida impressão de que estamos longe, a cada dia que passa, do que nos é inerente, como humanos, como seres naturais, com seus valores e coisa tal. Até mesmo do fator família. Há uma massa desinformada ou informada demais nos fazendo esquecer de que há coisas que não se mudam, são eternas, são clássicas, por isso deram certo até hoje.

Assim como muitos valores clássicos se perderam ou e entrando em deteriorização, pelo fato de serem levados a um ponto de vista interesseiro, às vezes, até social – numa sociedade que aceita tudo, até baratas em pratos! – o maior dos núcleos está voltado ao ostracismo, ou seja, a família está se indo como água de chuva em bocas de lobo, ou mesmo semelhante ao próprio homem que nasce, cresce, envelhece e morre, a família do homem está morrendo, junto com ele. É um assunto difícil de lidar, mas vamos lá...

Noutras sociedades antigas, talvez mais antigas do que parecem, nas quais referenciais celestes eram adotados – na Pérsia, Macedônia, Grécia, Roma; do outro lado, Egito, e mais do ‘lado’, Peru, México... – das quais nosso conceito acerca de muitos termos, comportamentos, educação, sociedade, família, ciência e filosofia foram retirados do nosso meio, a palavra Família significava um termo que se sobressaia acima de todos os outros, pois dela – assim como um núcleo – tudo vinha e para ela tudo ia.

Família, na Antiguidade, era composta de um homem – o pai; de uma mulher – a mãe; de um ou mais filhos, diversificados com mulheres e homens na sua composição. Não havia, como em toda a natureza, a mesma composição se houvesse dois homens ou duas mulheres com objetivos gêmeos, ou seja, com dois pais ou duas mães. Na realidade, família vem do latim, a significar “pessoas da mesma casa”, mas casa não seria apenas a nossa, a morada, mas o que vemos externamente como casa. Explico, onde houver possibilidades de nascer, crescer, desenvolver-se, educar-se em qualquer âmbito estrutural, é casa.

Exemplo: a própria terra, vista pelos ameríndios (ou mesmo pelos índios americanos, os mais atuais), era chamada de Mãe. Quando falamos de índios, temos um ligeiro preconceito, em razão da grande história dos descobrimentos, a qual nos relaciona a seres simples, ignorantes, que foram levados na conversa pelos brancos; foram catequizados, etc, contudo, o índio, no passado, nos mostrou o quanto à humanidade precisa rever determinados conceitos. Tais índios não eram semelhantes àqueles dos descobrimentos, e sim sacerdotes, guerreiros, iniciados; índios que nos deixaram legados ainda por refletir.

Na sua filosofia, a Terra seria a Mãe, o grande Pai, segundo eles, seria o Sol, assim como em muitas civilizações, pois a união dos dois nos daria as árvores, delas os frutos, as sombras, as ferramentas necessárias do dia a dia... Nos daria as rosas, seus polens, seus perfumes, a beleza de cada uma, que, unidas, dar-nos-iam os grandes jardins. E um milhão de coisas que, citadas, não caberiam nesta máquina. Entre elas, o próprio homem, que seria o filho maior, que cultivaria e semearia o que mais tarde poderíamos traduzir como necessidade de se manter pela mãe e pelo pai maior.

Aqui o conceito de Pai e Mãe supera o nosso, mesmo quando adotávamos o principal modelo (pai, mãe e filhos). Supera porque está se baseando em um conceito universal, no qual até mesmo estrelas, cometas, sóis, luas e todo o cosmos estão envolvidos. Não é algo relativo. E é nesse conceito que se baseavam os antigos.

O Pai, representado pelo homem, tinha que nos remeter a uma esfera maior em que nos religássemos ao uno, a Deus, ou mesmo aos seus mistérios – quem conhece um pouco da cultura egípcia, sabe exatamente do que trato aqui; a Mãe, à Justiça desse universo; à Beleza, ao Amor, nada disso relativo – ou seja, nenhum deles de acordo com o interesse voltado a qualquer pessoa, e sim ao grande Ser.

A Tríade – o Pai, o Filho e o Espírito Santo – é falsa. Se voltarmos à realidade dos maias, astecas, indianos, egípcios, podemos perceber que a Ela – a tríade – é composta por três elementos diferentes, não iguais. Kon, Kyla, Whilacotcha – O primeiro (Kon) seria Sol, o segundo (Kyla), Lua, e o terceiro, Filho. Há sempre um elemento que se formou dos dois primeiros. Em Átman, Manas e Budhi, a Tríade indiana, temos a mente superior, Deus (Átman), Manas, o Logos feminino, e Budhi, o Masculino. Tanto que a palavra Mãe pode ter vindo de Manas (Alma) e Buda, iluminado, de Budhi (iluminação). No Egito, como sabemos, Osíris, Isis e Horus. Osíris, emblema do pai maior; Isis, da grande Mãe de todos e Hórus, o filho iluminado...

No ocidente, a Igreja por razões históricas, “cortou” a Mãe da tríade (pai, filho...?), a qual poderia ser representada por Maria (a suposta mãe de Jesus), o que nos fez progredir na decadência dos conceitos, que, antes, eram voltados ao céu, hoje voltados à terra.

A Tríade incompleta nos traduz ainda um universo relativo, baseado nas necessidades humanas – cristãs ortodoxas – que, mais tarde, foi responsável pela humanização – antropomorfização – do Uno. A humanização é uma forma de relativizar ou mesmo de fazer entender o incompreensível. É uma tendência nossa. Se eu não compreendo... Se não há como compreender pelas vias normais, então, determino uma maneira mais fácil de entender, todavia de maneira perigosa, pois se pode fugir do conceito real.

Pai e Mãe estão em todas as esferas do Uno. E todas as mitologias contam isso. Os filhos, ainda que meio fora dos padrões, lutam, matam, criam e até mesmo se sobressaem no aspecto mitológico, mas nunca deixam de existir, nunca advieram de dois aspectos gêmeos, pois há o chamado Logus, o qual determina a característica a cada ser, seja na terra ou no céu. O pai, por exemplo, tem o seu Logus. As características de um ser cortês, forte, disciplinado, ordenador, religador do céu e da terra, etc são do homem. As de bela, intuitiva, justa, amorosa, apaixonada, etc são da mulher. Há mitos que demonstram isso de maneira fechada, no entanto, esplendorosa, pois, além de resguardar determinados segredos, são fiéis ao universo de ambos.



A figura da mãe, nas mitologias, nos remete o sentimento da grande senhora que dá a Vida ao externo, que cuida dos filhos, que os educa, que os prepara para o mundo. Ainda nas mitologias, ela dá a luz a muitos filhos, os quais possuem diferentes vocações dentro de um cosmos cheio de trabalhos. O pai seria aquele que briga com os filhos e, às vezes, tem o seu poder tomado pelas crias, mas se funde, sempre, nas características de cada ser do universo, assim com a mãe.

Continuo no próximo texto.




terça-feira, 27 de abril de 2010

Prol - Blema

Às vezes é preciso reconhecer o fundo do fosso para se saber que ainda há mais fundo e mais fosso. A adrenalina, hormônio que se salienta em decisões, em aventuras, em circunstâncias além de nossos limites, fica à flor da pele. O coração, coitado, tão quieto, pacífico, torna-se passivo de receber dores, pulsações fortes, e bate mais forte a ponto de sair do peito e cair no chão, saltitando e gritando “me tirem desse corpo!”...

É a alma. Esse ser volúvel que nos faz perceber o quanto a maltratamos com intempéries inconsequentes, ou seja, o que nos fugiu a responsabilidade. Tudo ficou desorganizado... Da matéria ao espírito. E, nesse intervalo, quem sofre é a pobre daquele ser que eleva a Deus nas horas vagas, que nos eleva aos melhores sentimentos, à poesia maior, ao amor... Tudo se desorganiza. Em meio à alma, o físico se contorce, cai ao chão, se debruça na frente do invisível, pede perdão...

Não há perdão. As dores, normais e naturais, vêm como um furacão em busca de resposta àquela falta de disciplina ao universo-corpo, ao universo alma-espírito. Não encontra e se instala até doer mais e mais, até que a resposta seja dada ou que o dois universos se alinhem e se organizem em um.

O próprio Universo tem suas consequências se nele se alterar algo. E nós, o nosso. A própria Natureza, a visível, torna-se um caos, se houver uma borboleta que morre por morrer em meio à violência cotidiana. Imaginem a discriminação de todos os seres, animais, vegetais, humanos nesse universo, corpo maior em que estamos nos achando donos de tudo. E o universo invisível? Platão nos dizia que vivemos nas sombras do que é real – o invisível – por isso, as dores.

O invisível é a parte a qual nos direcionamos sempre, em forma de Deus, de Santos, de Orixás... É a parte que nos interessa nas horas vagas, não naquelas em que devemos buscar, todos os dias, em forma de questionamentos, cujas respostas ser-nos-ão dadas à medida de nossas vivências – por que a árvore dá frutos? Por que somos dotados unicamente de pensamentos? Por que a vida nos dá dons que não compreendemos? Por que nascemos com problemas físicos, psicológicos; por que nascemos pobres, ou ricos demais?... – são questionamentos apenas, nada mais. Todavia nos dão caminhos, trilhas imensas nas quais podemos partilhar e compartilhar com o próximo ou mesmo sozinho os bônus ou ônus da vida, mas, de qualquer maneira, respondendo, dentro de nossas possibilidades, em nossas vidas cheias de experiências doloridas ou não...

“Se entrar pelo cano, saia pelo cano”, disse um filósofo moderno.
Se estamos presos a qualquer problema, seja de cunho financeiro, psicológico, estrutural, familiar, e não sabemos como dele sair, é necessário se recompor, levantar-se, firmar as pernas, caminhar e tentar entender o porquê de tudo. Há algo errado, com certeza, mas e aí? Não podemos congestionar nossas mentes de perguntas, e sim praticar a saída do problema. Não refletir muito, caminhar.

Enfim, se estamos presos, busquemos em nós aquela ferramenta que serra as grades – como naquelas comédias americanas, nas quais o individuo com o rosto preso em sua cela pega um instrumento bem pequeno e começa serrar as grades imensas. Assim temos que ser. Se não tivermos um grande instrumento, serve aquela pequena serra, que por sua vez, aparentemente, não nos parece grande coisa, mas se transforma em uma esperança ao problema presente. Qual é a sua ferramenta?

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Quisera, uma Quimera?


Quisera eu um dia ler as mensagens da vida que nos corre pelas mãos, pelos olhos, e nos faz de bobos todos os dias. Sentir um pouco de sua sabedoria, apesar de minha falta de compostura frente a ela, nesse manancial de segredos os quais nem mesmo o mais sábio dos homens pode interpretá-la.

Quisera eu, um dia, deitar-me no meu colchão, olhar para o teto e sorrir, dizendo palavras belas até o amanhecer. Sei o quanto todos desejam realizar esse sonho, todavia, graças aos deuses, nem chegam(os) perto.

Contudo, com nossos olhos pequenos – as chamadas janelas da alma – já nos é o suficiente para ver e intuir o quanto somos ignorantes – o primeiro passo – para adentrar nos grandes segredos de Deus. Mas, ainda como homens, também podemos chegar perto daquilo que chamamos mistérios imediatos, que nos batem à porta. Uma porta simbólica, com chaves simbólicas, resguardando segredos reais pelos quais vivemos e morremos sem mesmo, às vezes, sentir o odor frágil de sua filosofia.

Temos que ser preciosos, não apenas nos sentir com tal. Mas ter uma virtude em particular que nos torne mais sinceros, morais, éticos, cheios de princípios acalentadores de almas. Ter uma filosofia de vida...

Ah, a Filosofia, essa porta mágica pela qual se entra e sai todos os nossos mistérios vitais, e ponte que serve de caminho para as maiores aventuras humanas. Essa palavra de significado amplo tem em seu âmbito um universo, cujas estrelas intermináveis, dançam em nosso ego, nos transformando todos os dias e nos renovando interiormente, sempre, na medida de nossas naturezas.

Quisera eu compreender o ideal dessa palavra – fi-lo-so-fia – pronunciada, praticada, mal tratada, elevada e ao passo discriminada. Trazer aos homens sua natureza, vociferar como um animal a fim de que todos parem e entendam seu significado. Mas não sei nada, pois a reminiscência em mim falhou e me dela esqueci.

A filosofia, pelas águas que me passam, se confunde com o próprio ser humano. Cheia de mistério, ela norteia cientistas, religiosos, educadores em geral, e os faz buscar, dentro de seu meio, a realização interna ou externa de seus objetivos. O cientista na busca pela cura de uma doença que atinge a humanidade; o sacerdote moderno – um padre, pastor... – que busca em Deus a coragem para dar os passos na hora de aconselhar o próximo; na mulher que se questiona acerca de seu papel em setores nos quais apenas ela se eleva, como o de mãe – que sempre a religa com Deus, unindo cada vez mais a família; o pai, cuja presença já ordena a casa, e o filho, que dá os primeiros passos frente à vida, e depois questiona os pais, os amigos, a família e o próprio Deus... E os educadores, enfim, no frio da noite, no sol do dia, a refletir acerca de seu caráter frente aos alunos, ou mesmo frente à própria vida.

E a filosofia continua nas águas do oceano físico, no oceano imaginário, metafórico, simbólico... Na terra, que para os índios nada mais é que a mãe de todos, pois nos dá tudo sem pedir nada, apenas carinho e muito amor. Reciprocidades.

Queria desvendar mais segredos. Segredos dos grandes homens que elevaram as pirâmides, todas elas, ao tempo, do México ao Egito, na tentativa de nos religar aos deuses – quase que nos assemelhando a eles. É querer demais.

Queria não querer tanto. Apenas viver o que posso e transformar aquilo pelo qual vivo. Estar leve na hora da morte, e não pronunciar, sem exagero, palavras que me demonstrem a maturidade daquele que já viveu o bastante para dizer que viveu sim um pouco dos mistérios. E que o significado maior de tudo é entender que morte e vida nada mais são que dois rótulos de uma mesma resposta. Desse mistério devo viver.

Formigas e Homens

Sim, hoje eu posso viver em nome do grande uno manifestado, na medida de minha vivência. Graças ao grande Espírito que em mim vive, questiono, pratico e vivo o que Ele me incumbe. É o serviço humano em prol da humanidade, quando o próprio homem se revela um pingo de um oceano em prol do oceano, que desemboca no Grande Oceano, o Desconhecido de todos.

Uma formiga, quando caminha com sua folha enorme em direção à sua toca, não pensa, não reflete, assim como todos os seres que trabalham e vivem a sua lei. Ao vê-la, sentimos todos um pouco dela, desse pequeno ser que caminha, trabalha, se comunica e provavelmente sorri na sua medida quando se deita.

Não há nada que a possa parar, nem mesmo o maior dos rolos compressores. Mesmo que se extinga a penúltima formiga no mundo, a última dará a vida para terminar sua tarefa.

Se fossemos tais quais formigas, teríamos honras, não pelo fato de fazer nosso trabalho, mas fazê-lo consciente em direção às nossas casas, ou mesmo – espiritualmente – em direção a Deus, em tudo que tocamos, falamos, vivemos e até mesmo morremos. Não somos formigas, no entanto. A lei que nos governa não é a mesma. Somos humanos. Isso nos dá uma lei pela qual viver, mas também questionar essa lei. Formigas não questionam, os animais em geral, também não.

Quando acordo, sempre me pergunto: “por que estou vivo?” , ou mesmo “o que é a vida?”. Por que essa insistência dos deuses em fazer um ser que digladia, todos os dias, com suas imperfeições, em direção a algo que ainda desconheço? É claro que tenho um filho que amo (uma mulher idem), mas ele vai crescer, amadurecer, morar longe dos pais, esquecer a maioria das experiências por que passou comigo e com sua mãe; quererá colher outros frutos... Enfim, se meu objetivo é meu filho, por que que ele, o objetivo, não é forte, eterno, como o céu que vislumbramos, e não um castelo de areia? Haverá um ideal maior e melhor por que lutar? Claro. Nós mesmos, nosso caráter, atitudes frente ao desconhecido, aos deuses, à nossa natureza – ao que realmente somos.

É um trabalho de formiga este? Talvez. Todos esse pensamentos em relação aos meus objetivos são como folhas enormes em meu corpo, que, às vezes, acorda dolorido, porém quente ao saber que tudo está apenas começando... É, eu, por mais incrível que pareça, ainda me sinto um guerreiro em minhas tentativas. Somos todos assim...

Então o que nos faz de pé todos os dias são nossas folhas enormes – filhos, mulheres, pais e mães, dinheiro, trabalho... em meio as crises de personalidades que temos ainda que não saibamos direcioná-la? Também. O que nos faz fortes são nossas vontades, nossas decisões corretas, nosso amor ao próximo, nossa relevância como ser humano e outros ingredientes que nos tornam melhores a cada dia...

Alem do que os deuses nos deram motivações para viver. Nos deram o fogo interno para a consecução de nossos fins, sejam eles de qualquer nível, grandeza.... Nos deram mais ainda: o maior de todos os títulos. Apenas nós, humanos, podemos compreender o universo um dia, o que significa entender Deus, mas para isso entender a grande lei que em nós vive. A lei da Formiga...

A Parte que nos Falta

"É ótimo ter dúvidas, mas é muito melhor respondê-las"  A sensação é de que todos te deixaram. Não há mais ninguém ao seu lado....