quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Perder e Ganhar II


As guerras como um todo mudaram. Mas há quem diga que os treinamentos de soldados americanos são baseados nos dos espartanos, que fizeram sucesso há mais de quientos anos antes de Cristo. Diga-se ainda que o exército israelense copia, nas lutas armadas, alguns gestos dos romanos... E daí por diante. Mas e daí?

É admirável, claro, mas o que podemos ganhar com isso? Se, por exemplo, copiarmos eternamente as estruturas das casas antigas, não quer dizer que todas elas tiveram (ou terão) o mesmo objetivo... Ou seja, no quesito guerra, os soldados americanos podem até mesmo vestirem-se tais quais os espartanos, o que seria ridículo atualmente, todavia, nunca seriam espartanos em luta, em força, em ideais, em comportamentos...

Na realidade, nesse aspecto somos excelentes. Sempre queremos ser iguais aos grandes – desde pequeno – no falar, no gesticular, até mesmo no andado, mas nunca seremos o que copiamos (ou quem copiamos), mesmo porque biológica, física, psicologicamente seremos diferentes um do outro sempre...

Mas não era isso que eu ia expor, e sim algo em que podemos nos espelhar, sempre, de maneira que possamos seguir os mesmo caminhos, e, quem sabe, ter a mesma força, as mesmas ideias. Para isso, temos que ter outra visão. E mais, levar em consideração vários aspectos que no passado foram considerados, desconsiderando alguns do presente, entre eles, o conceito de religião, política, família, sociedade...Iiiiiih, acho que me refiro aos pilares do mundo moderno, não? E o era do passado, também. Contudo, possuíam neles, em todos, a religiosidade – diferentemente do que conceituamos hoje, pois sempre confundimos com religião.

A religiosidade incluía tudo. Política, Guerra, Família, Sociedade, tudo. Não era algo isolado. Em todas as batalhas se orava ao deus Marte; em todas as famílias, o deus Lar e assim por diante. A religiosidade permitia o guerreiro, o pai de família, os cidadãos, até mesmo os inimigos estarem ligados a um Ideal pelo qual viviam. E isso era o que distinguia e distingue o ser humano na hora de perder e ganhar. No passado, graças a essa filosofia, sempre ganhavam; por isso não havia pena, dó, compaixão... Pois sabiam que acima deles havia uma lei que os reconhecia como tal, dentro de sua natureza e capacidade.

Mas, como eu havia falado no texto anterior, os ideais do passado eram, antes de tudo – mesmo debaixo de flechas –, ser um pouco mais humano, com amigos, inimigos, em guerras armadas ou não, mas sempre sendo um pouco mais humano...

Nas Termophilas, quando os grandes soldados de Leônidas iam para o fronte, oravam a céu aberto, às estrelas, pedindo aos deuses que os levassem depois da batalha -- não porque eram suicidas --, e sim – porque era (e é) humano orar aos deuses, a deus, em qualquer cultura, a fim de que aquele ato de guerra não fosse apenas instintivo, animalesco (pois os animais não oram). Se sobrevivessem, agradeciam e faziam a honra ao deus e ao inimigo.

Perder uma guerra é demasiado triste, principalmente quando a derrota é para um país forte, com potencial bélico como os Estado Unidos, França, Inglaterra. O sentimento é natural a todas as nações que não possuem notoriedade física. Assim não era na antiguidade...

Quando Roma e seus exércitos caminhavam para o mundo-novo, seus adversários guerreavam para que nada disso viesse a se realizar, mas, ao contrario fosse, não havia a dor, nem mesmo a vergonha de se entregar como derrotado aos romanos, pois, pelos princípios ali adotados, sabiam que Roma não era imperialista da maneira como são determinadas nações atualmente, mas um país que respeitava a religião, a política, os cidadãos, a cultura, enfim Roma era uma hospedeira louvável.


Hoje


Hoje, quando o sentimento de "patriotismo" faz países atacarem um ao outro; quando o sentimento de “liberdade” o faz embarcar nas costas de um país quase derrotado pela natureza; quando a desculpa de levar a Democracia aos países ditos ditadores pelos ignóbeis governos leva milhares de pessoas a acreditar nisso... Eu digo: perdemos.




terça-feira, 19 de outubro de 2010

Perder e Ganhar


Há mais de mil anos antes de Cristo, na Antiguidade, à época das grandes guerras – Peloponeso, Guerras Púnicas, Guerras das Termópilas entre outras --, guerreiros morriam pela honra, morriam pela liberdade e por muitos companheiros que delas participavam. Muitos princípios estavam em jogo, e um deles era a coragem do próprio homem.

Assim, em meio a treinamentos, quase escolas de confronto, cujos professores eram os melhores generais do mundo, romanos, gregos, persas traduziam, em batalha, o que aprendiam, e por terminar ensinando a todos nós o valor de cada um, ainda que debaixo de flechas...

Nem precisamos citar o grande exército de Esparta, do grande general Leônidas; do grande romano Julio César, de quem ninguém poderia retirar a vitória, graças as suas espetaculares estratégias contra o inimigo; do próprio Alexandre, o grande, inimigo-irmão de outro grande general persa, Dario. Alexandre tinha orgulho de seus homens e vice-versa... Poderíamos falar de vários, inclusive de Átila, o mais temível dos homens quando se tratava de enfrentar o grande exército romano... Enfim, alí, em meio às guerras, seja qual fossem seus objetivos, havia um pouco de filosofia enraizada em suas veias, uma educação voltada ao louvor aos princípios mais básicos do ser humano.

Todavia, com o decorrer das guerras, o próprio homem tornou-se um genocida em potencial. Prova disso, quando os espanhóis entraram em terreno inca, com a finalidade de tomar-lhes o território, na America Latina. E o fizeram.

Já com o sangue em fúria, os descobridores da América não respeitaram milhares de anos cultivados pelos incas – é claro, já em decadência – e destruíram quase toda cultura daquele povo.

Os incas, desde o inicio, cultivavam a ética, a moral, a honra, a coragem e todos os valores humanos com os quais lidamos de maneira simplória em nossos dia a dia, no entanto para eles era uma lei universal a prática destes, os quais eram o norte de sua sobrevivência... Entretanto, a anticivilização espanhola, friamente, destronou o grande rei, massacrou todos os guerreiros – segundo contam, os incas não guerreavam à noite, pois seria uma forma de desrespeito ao inimigo. Mal sabiam, no entanto, que o desrespeito viria naquela noite, quanto o exército espanhol, em sua prática progressista- genocida, fulminasse com tudo e todos.

E assim, desde que se conhece por guerras – a Primeira e a Segunda, principalmente --, pensa-se em morte à revelia, ou seja, homicídios em massa, o chamado genocídio coletivo.

Outro massacre: um tanto quanto distante das Grandes guerras, quando França e Inglaterra eram “donas do mundo”, quando todos eram a elas submetidos, um pequeno país chamado Paraguai, hoje um misto de descabro social com jogo de interesses políticos, mas, no passado, um país voltado à educação, aos reais valores de uma sociedade, crescia, desenvolvia-se surpreendentemente, quase se tornando um país primeiromundista, coisa que o próprio Brasil, hoje, rala para ser. Mas a regra de crescer e desenvolver sem a permissão dos grandes torna-se quase uma afronta em qualquer setor, e no mundial é a mesma.

Então, Inglaterra e França criaram o Triunvirato, uma ordem composta por países submissos a eles, entre estes estava o Brasil, juntamente com Uruguai e Argentina.

O trio, fortemente armado, foi designado para combater o irmão Paraguaio, que tentava crescer e ser gente grande, apesar do tamanho. A batalha se fez. Outra vez, o massacre sem a mínima honra e respeito ao inimigo foi histórico.

Hoje, depois de duzentos anos pós-guerra, não se sabe quantos morreram, mas o pequeno pais, que quase foi uma potência, é o maior sinal de desorganização de todos os países da America Latina – a vender produtos ilegalmente, sem políticas, sem rumo, e, que é o pior, sem qualquer pais que o reconheça e o auxilie no desenvolvimento interno. As consequências de uma guerra são terríveis, mas as que deixam sequelas históricas são piores, pois destroem gerações e gerações.

Mais na frente, a Segunda Guerra Mundial nos trouxe o holocausto. Hitler, o mal em pessoa, traduziu toda sua ira criando campos de concentração, nos quais judeus, negros, ciganos e raças minoritárias eram mortos sem honra, tais quais animais ao abate. Alias, a palavra honra não existia para o mal encarnado da Alemanha nazista.

A saudade das batalhas antigas, nas quais príncipes, reis e rainhas participavam e eram simbolicamente vistos como deuses e por isso não afetados, já nos bate a alma. É claro que houve heróis reais em batalhas modernas, mas não havia grandes referenciais pelos quais lutar, ganhar, perder. O maior dos referenciais, talvez, hoje, seja a família, um dos núcleos que ainda não nos tiraram e por isso quando se luta (ou não) pensamos em nossos filhos, em nossas esposas, irmãos...

Em lutas antigas, é claro que a família era importante, mas não era o símbolo que gerava a força e a união de um exército que bradava suas forças em prol de um país e mundo melhor. As forças eram reunidas em torno de um ideal tão maior que família, sociedade, humanidade – ainda que por elas se lutavam também, mas –, era o melhor de tudo que os fazia dentro daquele contexto: a ideia de um mundo melhor em que o maior valor de todos fosse o norte, o referencial, tão sagrado quanto qualquer coisa.

Esse Ideal não abolia nem mesmo iria de encontro aos pequenos ideais de liberdade, de humanidade, muito pelo contrário, abraçava a todos eles, de maneira que o homem, quando fosse à guerra, sabia que, sucumbindo, nenhum deles morreria, pois a alma do guerreiro quando embebida daquele ideal não morria, elevava-se e se tornava eterna.

Os ideais de honra, coragem, vida, morte ética, moral estavam acima de tudo, pois se aproximavam do grande ideal universal ao qual o homem, no passado, obedecia. E assim, dentro desse parâmetro, desse muro inexpugnável, dessa rocha inviolável, respeitava-se o inimigo, dando-lhe espaço, força e ao mesmo tempo amizade aos princípios ali adotados.

Um exemplo: em Roma, ainda que fosse o maior dos inimigos a batalhar em campo, mas obedecendo às leis ocultas, este seria irmão dos romanos – seria um pouco romano.


sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Paixão: a Guerra de um Homem Só.



Às vezes é preciso se apaixonar para dizer o quanto somos volúveis como sacos ao vento. É preciso mais que isso; é preciso ir ao fundo do fosso e dizer “como vou sair, pelo amor dos deuses!”, e mais tarde chorar porque saiu e viu, de longe, em que se meteu.

É, como diz a palavra a ela cognata, é de se apaixonar!
Quão fogo, larva, dor, terremoto, e ao tempo luzes, flores, sorrisos, paz... E depois, guerra, sangue, dúvidas, loucuras conscientes... Enfim, uma gama de luas e sóis permeando nas janelas de sua alma e ao passo... Dentro!

Faltava-me subir as paredes, escalar montanhas com as unhas, enfrentar gorilas, leões, comê-los crus no almoço... Bem... Uma coisa foi bem certa: todas as vezes que me vinha à consciência de meu estado, eu refletia. Mas uma reflexão inútil, pois me tornava pior com cada minuto que restava, quebrando tudo, distorcendo minhas emoções, desvirtuando meus pensamentos, desmistificando meu caminho...

A consciência, presa à loucura, quebrava a jaula dos idealismos, da religiosidade, e o pior... da própria filosofia... Lembrei-me das obras de Wagner ao iniciar com um grande órgão e explodir com os instrumentais ensurdecedores!

A educação, esmerada num principio significativo – a do legado de uma tradição --, mostrava-se crua, sem gosto, também inútil. Tanto quanto uma lula sem seus tentáculos, minha educação tornava-se deficiente, ou invisível. Motivo: a paixão! Esse monstro cruel que destrói famílias, desconserta sociedades, descaminha heróis, retira a pureza das flores, e assassina a todos. Esse sentimento baseado no sem-principio, na matéria carnosa, no sexo, nos lábios, no corpo, nos encontros, no nada... é como um filho desgarrado a transformar um canteiro zelado por Deus em migalhas pisoteadas pelo Diabo.

Assim, a empurrar o homem do mais alto abismo, a paixão sorri do alto e conta mais uma vitima – eu. Sofregamente embriagado, desfiz de meus princípios educacionais, cai na lona vermelha da vida, a ser pisoteado pelos mestres, os quais nem me viram pedir ajuda. Todavia, fui culpado de tudo. E estava apaixonado!

Nessa selva fria, sem uma fogueira para alimentar minhas esperanças, sozinho, com os piores dos animais – eu --, me punha a gritar em silêncio em meio a zebras, onças, cobras, tal qual o mudo em uma tentativa vã de ser ouvido. Meu grito, todavia, era interno, a causar uma dor maior, a da solidão, aquela praticada apenas em prisões turcas, nas quais nem mesmo a própria mãe sabe onde você está...

A tortura começava e não tinha tempo para cessar. Minhas mãos, trêmulas com cada ato, burlava meu rosto, quebrava vidros; meu rosto, sem poder mostrar a aparência denotativa, caía na conotação da alegria explicita, sem mesmo mostrar os dentes.

Meu coração, coitado, a mais de duzentos por minuto, tentava, em vão, sair do corpo, como no filme Alien, o oitavo passageiro – quando o monstrengo, depois de se alimentar das vísceras, tentar abrir, no meio de nosso estomago, uma fresta, esticando nossa pele... Assim eu me sentia.

A paixão é um verme que nos comanda. Ter consciência desse verme é pouco. É preciso estar preparado disciplinarmente e quando encontrá-lo vivenciá-lo como um poeta. Assim eu fui... Ou tentando ser.

De uma coisa estou certo. O amor pode ser confundido com paixão. A principio, leve como uma brisa, perfumado como uma rosa-criança, e termina como tsunami na alma, sequestrando nossos ideais mais íntimos. O homem apodrece, cai à lona, morre, ressuscita, tenta se elevar, mas os pés não andam, os músculos doem, o corpo inteiro não obedece... A guerra ainda não acabou.

Os poros de minha alma, também dolorida, me fazem sucumbir às palavras mais singelas, mas continuo com o sorriso trôpego, andando ao encontro de minha vida, e sendo puxado pela morte, esta que dá gargalhadas à beira de meu ouvido ferido. Não há, nem mesmo, alguém que venha do céu e me auxiliar a morrer, ou viver, apenas a me pisar na seca de meus sentimentos...

Mas a paixão se solidifica, torna-se tão forte quanto uma ponte. Difícil de desabar, e ao mesmo tempo rangendo suas tábuas mais podres a cada passo meu. As cordas, no corrimão, fragilizadas... E, mesmo assim, forte.

Mas as metáforas da paixão serão sempre inacabadas quando se trata de expor os sentimentos na tentativa de compará-la. Nunca haverá palavra no mundo que demonstre o horror de suas características quando inclinadas a explicar o que sentimos.

Mas uma coisa é certa. Enquanto houver a mulher, esse ser que perturba e ao passo completa o homem, jamais na história da humanidade o homem entenderá o que é paixão – pois estará muito ocupado tentando se levantar da terra que o tenta consumir...


A todas às mulheres.
























R:)

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Fúria de Titãs, epilogo.


Chegamos, enfim, à nossa reta final!


Desde que pensei em discorrer acerca dos mitos, achei que fosse algo, como diria os gramáticos, “gratuito”... Mero engano. Não há nada de gratuito, é preciso ter uma razão, um motivo, primeiramente, com a finalidade de dissertar sobre algo tão profundo... No entanto, da maneira como se foi falado – por mim, claro – não havia nada de profundo. Eu, simplesmente, enrolei, e, claro, fui displicente, tolo, mais ou menos culto em relação à tentativa, não ao texto, mas ao assunto e consegui expor de maneira bravia (porém tola) um pouco sobre o assunto...

No último texto, citava a Caverna de Platão, uma alegoria mítica, que o filósofo teria feito supostamente em homenagem a seu mestre, Sócrates, que, à época, segundo se tem notícia, desvirtuava a política do seu tempo, corrompendo os jovens, em conceitos filosóficos sobre a verdade, amor, beleza, ética, moral, coragem... Enfim, conceitos que, em nossa época, também estão tão desfalcados de suas origens quanto no passado. Por isso, foi levado a tomar veneno como castigo...

Mas não vamos, hoje, falar de Sócrates, vamos terminar nossa discussão sobre mitos, esse ser maravilhoso que se esconde e se mostra como a ponte entre o sagrado e o profano. Vamos tentar demonstrar em linhas breves o que podemos tirar desse manancial que nos deixaram como legado, e que, infelizmente, o percebemos com olhos de soslaio...

Mídia

A Caverna de Platão talvez seja a mais simples de se compreender, tanto no quesito simbólico quanto no metafórico, porque já nos apresenta elementos claros de sua intenção. Mas que intenção? A de que estamos presos a algo.

Mas o mito transcende esse sentido. Não nos passa, de pronto, seu sentido real. Se nos leva a questões de nível psicológico, não é do teor simples como Freud, o rei da psicanálise, acredita. Não tem nada a ver com o aspecto físico, biológico, sexual do homem, ainda que existam interpretações para tanto, mas, ao contrário do que se percebe com nossas lentes, sempre o psicológico voltado à Alma universal, como foi dito em eloquentes relatos, nos textos anteriores. Mas o que nos fez ver o mito com se fossem historinhas de ação? Será que foi a mídia?

O papel da mídia tem sido preponderante para que a educação humana se desvirtue tanto. Se não fosse essa deseducação, que faz com que a distância entre a realidade das histórias, dos personagens, das palavras, e enfim, dos mitos fosse tão lastimável, teríamos, pelo menos, uma visão menos assustadora do que ele significa.

A culpa, no entanto, não é dela, da mídia. A culpa é daqueles que desceram os degraus da iniciação, ou melhor, desistiram de resguardar os grandes segredos e repassaram para a massa, o povo. Este, cheio de relativas ideias, e confusas, desfazem naturalmente, no entender dos princípios, daquilo que é realmente válido. Ou seja, ainda que achamos que seja triste o papel daqueles que desceram os degraus para repassar, cheio de interesse, sua sabedoria ao povo, e este, tão ignorante quanto pedras incrustadas em cavernas... Há uma necessidade por detrás de tudo de decair no fosso dos princípios sem significância os valores humanos, caso contrário ainda teríamos Roma, e sua fortaleza; teríamos a Grécia, e sua sabedoria; teríamos o Egito, e suas belezas, além dos grandes faraós reinando...

O mito, uma dessas verdades que virou mentira, ainda brilha como uma estrela ardente em meio a um sol maior ainda, mas existe. Seu significado abrangente, assegurado pelos sacerdotes antigos, cujo legado nada mais foi que trabalhar para que o homem moderno não atingisse o cerne, a sua essência, ainda baila na alma universal.

Fúria de Titãs

Uma prova disso ainda são os filmes hollywoodianos, que, por mais que tenham a ideia de clamar heróis a todo custo, buscando o mesmo objetivo nos mitos – por exemplo, na de Zeus e seu filho, Perseu, como demonstraram em Fúria de Titãs --, apresentam, antes de tudo, a relação cósmica do homem com o uno, com deus, sempre se dualizando entre o espírito (Zeus) e matéria (Hades).

O mito grego de Zeus, Hades e Perseu se transforma na busca de uma realização heroica no filme, o que descaracteriza completamente seu ideal. Contudo, ao observar de perto a cultura que há séculos nos deu Dédalo, Minotauro, Teseu, Ícaro e vários personagens clássicos, sabemos que temos em mãos vários aspectos simbólicos a decifrar.

Hades, assim como todo problema, transfere a Zeus a inveja, o egoísmo e a relutância dos seres humanos, os quais vivem com Arjuna – outro personagem mítico da Índia – que nos representa também entre nossos valores materiais e espirituais. Perseu seria a realização, ou melhor, concretização dessa dualidade entre os deuses e seres humanos. O filho do deus-maior reluta em ser um pouco temperamental como o Pai, mas não tem jeito, todas as coisas pelas quais passa têm uma forma divina de serem realizada.

Zeus, para tudo, lhe dá presentes para combater o mal, e, mesmo na relutância, Perseu aceita. Contudo, mostra que, ainda seja semideus, realiza facetas com potencialidades tais, que nos assemelha em tudo, quando temos força em nós mesmos.

Significado

A guerra entre Zeus e Hades nos lembra a natureza de nossa razão, sempre no meio de uma linha imaginária, relutando entre o céu e o inferno (simbólicos), os quais pairam eternamente em nossos ombros como dois seres briguentos, cada um levando a razão para onde quer. Na maioria das vezes, em nós, Hades vence.

Hades, na Grécia antiga, tinha uma simbologia tão profunda, que não era pronunciado. Era proibido. O homem comum grego não era medroso, mas espiritual e tinha lá suas razões para não citar o nome do deus que representava o mistério mais profundo do universo ou da alma humana.

Zeus, uma potencialidade que se parece com o homem, sempre descendo e amando as mulheres humanas, fazendo semideuses, representaria, talvez, a descida do divino à terra com a finalidade de elevar o ser humano. Perseu seria a figura do ser humano divino, porém com o pé ainda na matéria – ou vice-versa.

No filme, Perseu vence as armadilhas de Hades, reconhecendo, enfim, Zeus como seu pai. Na película, ainda se vê o filho terminando como uma sacerdotisa, como se fossem filmes em que a mocinha termina com o mocinho, depois da morte do vilão.

A importância, ainda que esteja longe de ser dita, não está tão longe. Está tão perto quanto nossos corações de nosso corpo, apenas não percebida. E todas as vezes, será assim, vamos transformar tudo que não pode ser compreendido em meras visões humanas, na busca da real essência, o que seria impossível. A real essência de tudo se resguarda em um intimo universal, divino, sagrado, nas mínimas e simples coisas...

Fim

Ufa! Assim, entre mitos a humanidade se vai, o universo se expande; entre mitos, nascemos, crescemos, vivemos, envelhecemos e morremos com sabedoria, sem medo, sem dor. Entre mitos, somos mais que pedras paradas nas calçadas, mais que plantas em busca de água e ritmo, ou animais em busca de alimentos... Entre mitos, somos humanos beirando a divindade, ou buscando ser.






sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Teatro e o Ser


Um dia um grande professor nos disse em sala de aula. “Quando o artista sai de cena, ele se desfaz das roupas, da personagem e volta a ser ele mesmo. E quando sabemos que não somos o que vemos, no que acreditamos ser? Conseguimos nos desfazer de nós mesmos? Difícil”, completa.

Ele sintetiza o que os gregos chamavam de persona, uma máscara que acreditavam existir em nós, como uma capa que “cobre” o que realmente somos: um ser. Um espírito. Hoje, como diz o mestre, é fácil se desfazer alegorias da dramaturgia, mas como o faremos se percebemos que tudo isso que nos cobre é outra “fantasia”, uma máscara?

O teatro se revela universal justamente por isso, isto é, tenta nos revelar que até mesmo as coisas mais metafísicas ou que achamos como tal são meras máscaras, e o que realmente são vivem em um mundo perfeito – é o que Platão chamara de mundo das Ideias.

Mas transportando para o nosso mundo, podemos dizer que também temos o nosso mundo das ideias, de forma micro, assim como todas as coisas o têm. Contudo, esse micromundo denominamos Ser, aquilo que é intocável, indivisível, que subjaz a tudo que vemos e sentimos, e que, na antiguidade, chamaram de nows no homem.

Cristo

Acreditavam os gregos, não somente, mas também outras culturas sábias, que tínhamos em nós a divindade, essa tão escondida quanto uma estrela de dia, ofuscada pelo sol. Acreditavam que essa estrela em nós era tão pura e perfeita, que jamais seria dita com palavras e sim codificada por aquele que tocasse pelo menos em suas margens, ou seja, somente os grandes avathares que, com sua mensagem tão simbólica quanto eles próprios, levaria à humanidade a Verdade, o Caminho e a Vida, ou seja, o próprio Ser, de maneira racional-alegorica, às vezes, em forma de mitos, parábolas, etc...

Cristo, um desses avathares, com suas palavras codificadas, nos dá até hoje uma ideia do que seria o ser: “Somente a Verdade o libertarás”, aqui a Verdade jamais pode ser compreendida de maneira relativa, pois estamos falando de um individuo cuja natureza traspassou a nossa, estamos falando de um homem que se tornou o próprio Ser, ou seja a Verdade, o Caminho, a Vida – porém, ele estava se referindo ao nosso ser, aquele que em nós subjaz, e nos alertava que poderíamos ser um pouquinho avathar, na busca pela real verdade, pelo real caminho... isto é, estaríamos libertos se fôssemos nós mesmos, no sentido mais profundo da palavra.

“Venham a mim as criancinhas, pois somente os puros de coração têm o reino dos céus” – aqui, Cristo diz que, para que possamos obter o reino dos céus, é preciso que tenhamos a pureza tal qual uma criança, contudo conscientes, a fim de conhecer o próprio céu interior.




Nome Real

Ainda, quando Cristo dera o nome a Saulo de Paulo, sabia que em cada um de nós se resguardava um Nome, um ser; sabia que o nome a que damos aos nascituros são invenções nossas, mesmo que buscamos através da inspiração em rios, mares, montanhas, heróis, reis, comandantes... o nome, o Real nome, é apenas um – e cada um o tem individualmente. Por isso a cultura de algumas religiões de re-denominar aquele que entra para a seita. Cristo, por fazer Saulo seu discípulo, disse “a partir de agora, serás Paulo” – nome interno daquele individuo –; o avathar falava do espírito humano, da maneira mais própria.

E por essas e outras que é tão difícil relatar acerca do que está por detrás de tudo, embora saibamos. Sabemos ainda que divagamos e não temos uma experiência concreta do é o Ser, tudo parte de nossa personalidade, que se apaixona (por) e deseja tudo. E o que nos fez relativizar tudo tirou um pouco daquilo que é divino na natureza...

Um exemplo disso são as denominações dos Deuses – Zeus, Plutão, Netuno... – ao se referir às potencialidades que criaram o universo. Platão diz na república que um dos erros de Homero foi personificar as divindades, pois elas são vistas com olhares humanos, o que as distanciaria do que realmente são. Mas o homem não consegue sintetizar o que aprende e com ele ficar, ele sempre expõe o que sente, ama, admira, contudo, às vezes, quebrando o significado real das coisas – nesse caso, dos deuses.

E quando soubermos que não somos essa persona que se apaixona, ama, admira, come, bebe e age conforme os seus ditames? Será que vamos fazer o mesmo? Tentar relativizar o Ser em tudo que fazemos?

É o que o teatro faz, pelo menos fazia. Ele tenta demonstrar, pela nossa realidade, a maior das realidades, Deus – seja em nós, seja no uno. Todavia, sem vulgarizar, mas tentando se aproximar do significado do grande espírito.


Fico por aqui.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

O Teatro e Nós

Acho que já me reportei a esse assunto diversas vezes em meus escritos, mas é sempre bom deixar mais evidente, puro e simples a natureza de nossa personalidade, a qual é tratada de forma superficial dentro da nossa psicologia moderna.

O erro talvez seja o fato de que nos esquecemos de buscar, no passado, respostas para os imbróglios (confusões, distorções...) presentes. Isso em todos os aspectos. Caso contrário, perdemos fio da meada, e nos perdemos como Teseus em labirintos.

Na realidade, nós é que somos responsáveis pela criação de labirintos – sejam psicológicos, astrais-físicos... – e, assim, nos perdemos...

Com relação à persona, se nos reportarmos para a Grécia Antiga, época dos grandes heróis, dos grandes escritores, artistas, percussores de nossa educação, visualizamos na arena teatral as grandes cenas de teatros. Aqui começa o compasso para a saída do labirinto. No teatro, peças de nível altíssimo eram encenadas por pessoas que possuíam uma cultura vastíssima comparada à nossa. Não minimizando os nossos atores e atrizes, mas ali era o berço de tudo, portanto a gema da qual partem todos os exemplos do mundo atual.

Escritores há que dizem que o Teatro é tão antigo quanto o próprio movimento das pernas; concordo, todavia, quando transferimos a responsabilidade para os gregos, nos parece que foram (e serão) os mágicos únicos que souberam lidar com o que ele, o teatro, sempre representou: a condição humana.

Quando digo ‘mágica’, estou me referindo ao sentido mais egípcio da palavra, que nos induz aos grandes sacerdotes e suas magias secretas, nas quais apenas os iniciados nos mistérios conseguiriam ‘ver’ o invisível. O grego via o que estava por detrás das cenas de cada peça, ou seja, a própria essência do que realmente significava e significa o teatro.

O ator, imbuído do sentimento histórico, entrava em cena com apenas poucas roupas e uma máscara – fosse com a face sorridente ou triste, mas representando aquele momento em que a personagem traspassava. Isso aos nossos olhos é fácil de imaginar, contudo difícil de lidar quando se traz à tona aos dias de hoje, simplesmente porque, atualmente, o individuo que contracena não tem esse intuito, essa visão, mas apenas presença, o que dificulta a vestimenta psicológica no momento do espetáculo.

O ator grego sabia que não era apenas uma máscara que o induzia a mudar a cena, mas que havia o aspecto simbólico em cada fala, em cada ato, e na própria máscara, que representava a própria vida, quiçá o universo. Não era um espetáculo no qual todos iam, mas também se viam. A vulnerabilidade da vida na saída na troca da máscara, o amor à persona quando eles se fixavam naquele ser vestido, enfim... até mesmo a natureza era representada na grande arena.

As danças das árvores, a queda dos frutos, a vida, a morte, o nascimento, o renascimento eram símbolos de uma divindade a qual não se poderia representar tão simplesmente com uma cruz ou com uma santa... santos, mas com a “voluveidade” e beleza a que temos direito natural.

Quando digo simbólico, não me remeto apenas ao aspecto metafórico, mas universal da coisa, o que dificulta aos olhos do leitor de hoje identificar o que é algo simbólico, e que é ao mesmo tempo pararracional. O simbólico-grego era a ligação a uma esfera maior e transcendente aos olhos do homem moderno, pois religava aquele aos deuses – também representados no teatro.

Atores Modernos

Há atores dessa época – a nossa -- no entanto que se vestem, se enraízam, buscam e mostram a beleza de compor uma personagem. Atores como Paulo Autran, Fernanda Montenegro, Marília Pera... são notáveis representantes do teatro, trazendo à tona um passado vamos dizer... Meio grego, cheio de virtudes, belezas e incontestáveis apresentações.

No mais, outros dificultam e se enraízam no modernismo simpático, no entanto, relativo aos olhos de um passado que se mostrou universal em cada ato. E se vão relativizando até desgrudar-se da tradição.

O teatro pede, todavia, que se olhe para ele como um ser que nos demonstra a beleza de representar profundamente cada personalidade que anda, vida, corre – sendo ou não humana – na harmonização de um todo, em homenagem ao sagrado que vive fora e dentro de cada um de nós.


Volto no próximo...




quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Fúria de Titãs, terceira parte.


O mito é u´a comunicação do homem com sua essência. E como toda essência que se resguarda em labirintos, bosques, cavernas, deve ser transformada em objeto de busca. Mais que isso, é um ideal de vida. O homem procurando o Homem em si mesmo. Tudo isso levado, sutilmente, secretamente, pelos mitos.

Antes dos mitos, contudo, vale dizer que os contos de fada eram a forma pela qual os iniciados – druidas, sacerdotes, bruxos (bons) --, se comunicavam e transferiam naturalmente à camada menos sábia – mesmo porque eram educados para entender que era um meio simbólico de tradução do sagrado – a filosofia do que viria a ser uma realidade profunda, mas que trazia os deuses até eles.

Os contos, mais tarde, deviam ter a mesma potência, no entanto foram deixados para trás – entre aspas --, pois foram introduzidos aos povos de maneira simplória, ainda que arquitetando a beleza do próprio homem. Deles, surgiram princesas que aparecem, até hoje, do nada, e fogem com o príncipe, também um belo cavalheiro que a salva sem pedir nada, sem mesmo saber quem é ou será a donzela – sem falar nos dragões, “pobres animais” que eram mortos sem ao menos uma defesa prévia... Os contos são assim: simples e complexos.

Cada elemento do conto nos levava a um ponto: a alma humana – correção, nos leva. Sua fragilidade, sua leveza, sua natureza volúvel transformou o mundo dos contos de fadas enriquecedores e educadores de crianças à beira das fogueiras. Hoje, em meio a tiroteios de mídias, competições, modernidade fugaz, o que nos oferecem são contos modernos, às vezes, sem sentido algum, ou sempre com o fundo voltado a uma educação mais fugaz ainda.

O conto possui uma natureza simples em comparação com o mito, tornando-se, pelas figuras que o caracterizam – anões, princesas, maças, heróis de chumbo, animaizinhos, florestas, lobos-maus, etc... – visualmente mais voltados às crianças, as quais entendem tão bem quanto o adulto.

Mas o mito – voltando --, pela estrutura, nos remete a forma universal, com elementos suprarreais – cavalos alados, semideuses, deuses, enfim... Sem os quais não haveria a possibilidade de formação de um universo, de uma tradição...

A Caverna

No livro Sete da República, de Platão, escrita há mais de mil anos, o filósofo fala de uma alegoria – chamada o Mito da Caverna -, na qual cria diversos símbolos partindo de uma realidade semelhante à nossa.

O mito nos conta que, em uma caverna extensa, moram vários indivíduos algemados de costas para a entrada e de frente para o seu fundo. Como desde pequenos estão ali, não sentem nada em relação a muitas coisas, principalmente à liberdade (conceito filosófico).

Por trás deles, queima uma fogueira imensa, que, por refletir em seus corpos e de outros que nela moram, mandam e vivem, sombras nela se fazem. Assim, todos vivem do reflexo, não da realidade – segundo Platão.

Mas quando se trata de ser humano, ainda que parecidos física, psicologicamente, temos uma alma cuja natureza é buscar, descobrir, se irritar, ir atrás de seus ideais, por mais dificultosos que sejam – assim diziam os sábios – e desgrudar de arcaísmos, e é aí que somos essencialmente diferentes; porque não tomamos partidos de determinadas coisas coletivamente, mas instigamos para isso, ou seja, a partir de reações individuais pode haver ações coletivas.

A partir disso, Platão fala de um dos indivíduos que se mexem entre todos os moradores, tenta desfazer das algemas a principio, e, mais tarde, o consegue. Ao perceber que estava sem as algemas, começara a perceber a realidade aos poucos, andando em direção oposta àquela que desde pequeno vira; vê a labareda que os enganava com suas formas em sombras, percebe que há uma saída, e para finalizar vê o sol. Acreditando naquilo que sente – vê, sente, ouve, pega... – tem apenas um objetivo: levar aos irmãos a sua realidade, a verdadeira...

Tradução (@&*...)

É vã encontrar a extensão do significado desse mito. Porque é enorme. Daria pelo menos duas ordens de mil páginas apenas para introduzir... Mesmo assim, estaríamos tentando apenas fazê-lo, pois a visão relativa do homem cai no racional e nos transfere o que a inteligência tem certeza – o que para a real tradução não passa de uma forma também relativa.

Vamos nos basear no aspecto filosófico da questão, não outro. Digo isso porque, em razão de muitos historiadores, políticos, religiosos, donos de botequim lerem o mito, e dele fazer devaneios interesseiros.

Os mitos, como foi dito, possuem ferramentas para a compreensão humana e universal, contudo, não temos para compreensão do que cada ferramenta nos serve. Por isso, nos alimentamos de metáforas pelas quais assemelhamos fatos corriqueiros com a ficção. Assim, para nós, o Mito da Caverna nada mais é que algo relativo também, ainda que tenhamos um ponto de vista filosófico, o maior que podemos ter...

Assim, em minha tentativa vã, tentarei com o que tenho reverberar acerca do Mito.

Desde a caverna, seus moradores, as algemas em suas mãos; passando pelas sombras – reflexo –; o individuo que se sente incomodado; o fogo, o sol, a natureza... Tudo possui um simbolismo metafísico, todavia, em nossa esfera, podemos dizer que tudo está em nós. Pois nossa alma, aprisionada, sente a necessidade de busca pela verdade, a qual está no próprio homem – estamos falando do divino.

Sua natureza volúvel, no entanto, nos aprisiona à matéria – não somente à física, mas também ao nosso passado, às nossas dores psíquicas, ao nosso mundo que tanto defendemos com unhas e dentes.

Por fim, estamos presos, de alguma forma, à minicavernas cujas estruturas são tão fortes quanto às reais. Platão, não sei, talvez, quisesse dizer isso. E prosseguimos com a tentativa de “desobscurecer” a caverna.

O individuo, quando tenta sair de suas algemas ou percebe o fato de que elas não são algo natural à sua identidade, se mexe, puxa, se incomoda... e sai daquela realidade imposta a ele desde criança... Após isso, começa a busca por algo que a todo ser humano é inerente: a busca pela verdade, pelo conhecimento, pelo Amor, Justiça, pelo Bem. Depois de seguir em frente, saindo da caverna, e ao encontrar o sol – símbolo tradicional do sagrado -- entende que a Justiça, a seu ver, é agir de acordo com sua possibilidades, natureza e capacidade; que Beleza é um conceito arquetípico (pararracional); que o Bem ilumina a todos... Que o Amor é vontade divina, não humana; e o filósofo ainda chama de político (filosoficamente) o ser que saiu e voltou para a caverna a fim de ajudar os outros que nela ficaram – e que nunca nele acreditariam.

O fogo, em muitas tradições, revela-se a espiritualidade simbólica, sempre vertical; na caverna, estou longe de saber. Mas as sombras, desde o inicio, são todas as coisas em que acreditamos materialmente, ou seja, objetivos palpáveis a nós embutidos por criaturas misteriosas, as quais Platão chama de Amos da Caverna.

Os amos da caverna podem ser os políticos de sua época, que condenaram Sócrates; podem ser nossos políticos, que fazem questão de nos puxar para o mundo relativo, objetivo, cheios de nuances, espertezas, racionalismos exacerbados – não estou falando somente de congressistas! – e ao mesmo tempo falácias.

Mas Platão não queria apenas servir este presente ao grande homem apenas, seu objetivo era deixar claro que seguimos uma educação paralela à Real – ou seja, aquela que nos é de direito do dia em que nascemos ao dia em que morremos: o conhecer a si mesmo.







Continua...

A Parte que nos Falta

"É ótimo ter dúvidas, mas é muito melhor respondê-las"  A sensação é de que todos te deixaram. Não há mais ninguém ao seu lado....