sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Involução Humana – final


Parece-nos familiar tal contexto, não? Quando nos referimos a animais, humanos, cargos, poder... Identidade, estamos em meio a uma historia que virou clássico, escrita à época do Comunismo, mas que todos hoje em dia se sentem obrigados a ler, em razão de uma série de coincidências comparadas à realidade. George Owel, escritor, traduz quase que literalmente o comportamento humano – nos animais --, o qual se ‘desidentifica’, dando margem àqueles tomarem o poder, ou melhor, tornar-se instintivo, animal – em “A Revolução dos Bichos”.

Em uma análise mais aprofundada, Owel quis dizer que estamos nos animalizando com o poder, não nos humanizando. As profissões, a depender de quem as vê, podem servir de pontes para o profano ou para o sagrado. O que significa isso?

Um pouco de Tudo

É preciso buscar um pouco da filosofia para entender. Nas culturas antigas, o trabalho era feito com sacralidade, sacrifício – quando vem de sacro-ofício, dando oficio sagrado --, de maneira que fosse um trabalho voltado aos deuses, às potencialidades responsáveis pela nossa existência, pelo nosso pão de cada dia, pela alma que temos, pelo espírito.

Nada era feito pelo crescimento profissional, e sim interno. Ou achas que as pirâmides, o colosso de Rodes, Os Jardins Suspensos, tudo que de grandioso sustenta os olhares na Europa foi feito por escravos, açoitados?! Houve sangue, sim, mas no sentido de doação, amor, sentimento de paixão aos grandes que eram elos entre a terra, o povo e os deuses – os faraós, os sacerdotes, os reis...

E na involução humana, compreender esse fato é pedir demais. E muito. Mesmo porque a palavra religião, não a palavra, mas a própria religião, passou por um período em que distorceu-se todos os seus valores, e levou consigo os pilares do mundo antigo: Amor, Verdade, Justiça.

E na busca por esses valores, buscamos aqueles que se modernizaram, ou seja, se relativizaram nas leis, a partir de erros humanos. MAS os grandes do passado também eram humanos e conseguiram por meio de suas leis universais cumprirem com os seus deveres!!

A relativização de tudo transforma os interesses universais em humanos – teria que ser o inveso; e os humanos, em mesquinharias, e assim por diante. Não há nada que possa mudar isso. Ou seja, no conto de Owel, os animais que foram determinados a tomar o poder se transformaram em humanos, porque o ser humano já teria ultrapassado a esfera de animal. Somos piores que animais, porque nada pior que um animal que fala, que pensa, que ouve, mas não ama, não têm ideais, não sonha com um mundo melhor.

Este humano – esse animal moderno – interliga-se em referenciais falhos, dos quais não se pode tirar nada, pois as sementes que neles brotam dão frutos podres.

Reversão

Contudo, podemos reverter isso. Claro. Não há problema sem solução. Há problemas que se resolvem a curto prazo, e outros, a longo prazo, e põe longo nisso! Há nesse problema de se encontrar a raiz que dera o fruto que estamos comendo. Encontrar, matar, extingui-lo, e começar de novo.

O período de humanização, infelizmente, não será possível às massas. Apenas alguns blocos de pessoas que se interessam em realizar essa façanha em buscar, entender e praticar a real humanidade – assim como poucos hoje em dia – será claramente possível. No entanto, esse bloco será responsável por um futuro melhor para a maioria, ainda que ignorante dos fatos, pois é preciso um capitão para cada barco. Um capitão que sabe para onde estamos indo, que saiba lidar com o leme, que saiba ser fiel aos seus princípios.

Na visão macro, temos exemplos de heróis que um dia comandaram a humanidade de forma maravilhosa, e que foram expoentes em sua época. Mas esses heróis acabaram e, todos os dias, nascem os falsos heróis, os falsos mocinhos; vimos a origem do interesse humano virar sistemas nos quais governantes são eleitos apenas para sentir o próprio poder; vimos e ouvimos palavras fortes como crianças e acreditamos em cada uma delas, pois não há mais nada em que acreditar senão em miragens.

Na visão micro, temos nós, esse ser complexo física,biológica e psicologicamente, mas não apenas isso. Temos uma parte superior da qual podemos extrai o nosso eu verdadeiro e nele se basear para agir e montar guarda contra os males que nos assolam. Essa parte superior, desmistificada na visão de muitos, nos ensina a ser mais compassivos, mais humildes – não como na visão cristã --, de maneira que sabemos lidar com o que é certo, não duvidoso; com aquilo que é claro, vivido, e ao mesmo templo simples, belo e justo.

Na visão universal, temos cada ser trabalhando em sua esfera, em seu ponto, em seu espaço. Nada é por acaso. A Inteligência os colocou ali, cada um em seu devido lugar, ensinando, além de tudo, que a brevidade existe, pois nada pode ser aquilo que aparenta ser e sim o que fora determinado pelo mistério.

Involução Humana


Sabe, há determinados fatos que me chamam a atenção quando, por si só, independem da Imprensa, quero dizer... Falam alto, gritam aos nossos ouvidos, bradam “O que que está havendo conosco?!”, e me incitam mais um texto. Claro que o blog não chega a ser um diário das histórias pelas quais passo, mas... Mas... Vamos à historieta.

Bem, segundo a mardita imprensa foi assim, um senhor de mais de setenta anos chegou a uma agência de uma instituição – um tribunal – e foi fazer suas transações bancárias, assim como qualquer ser mortal. Ali mesmo, na agência, havia um estagiário que trabalhava na mesma instituição em que o velhinho aparentemente simpático trabalhava. O menino, inocente, com o mesmo intuito do senhor septuagenário, entrou em uma fila, mas nesta não poderia ficar porque o caixa, segundo o segurança, estava fechado – ou com problemas; então resolveu o menino ficar atrás do ‘humilde velhinho’ (não se enganem!), e pronto.

A partir dali, o inferno em forma de pessoa se fez na frente do pobre estagiário, que, na qualidade de cidadão comum, esperava o próximo a resolver seus imbróglios no caixa, mas, perdão, esqueci-me de dizer... O velhinho, além de trabalhar na mesma instituição que o garoto, era dono dela (!). Aproveitando seu cargo, sua idade, sua lucidez, ainda que medíocre, o presidente da Instituição, virou-se para o menino e começou a questioná-lo sobre a sua existência na terra.. “O que você está fazendo aqui? Por que não vai para outra fila ou fazer o que deve ser feito em outro lugar” – mais ou menos isso --, e o humilhado, quase sem voz... “Eu estou atrás da linha amarela, senhor”... O que nos pareceu uma simples forma de dizer ao senhor que não havia nada errado, ao velho foi como se fosse uma afronta ao poder... Ao poder dele.

Depois de meditar... meditar sobre o fato, tirei a seguinte conclusão: mais uma vez, estamos passando por uma transformação psico-material-involuida, na qual seres se confundem com cargos que ocupam, com carros que compram, com o lápis que escrevem, e, antes de mais nada, com as pessoas que vivem, porém nunca com seus atos, pensamentos, enfim, com elas mesmas.

De certa forma, chega a ser natural tal comportamento. Mas ser educado dentro dele como se fosse um refúgio da própria identidade, não é natural, e sim o inicio de uma avalanche decadencial na qual estão inseridas a política, a família, a religião, a ciência, a filosofia... a sociedade como um todo, enfim, a possibilidade de isso se transformar em uma extinção humana (não literal, claro) é muito grande!

Mas não estamos percebendo isso. Pelo contrário. A educação, desde a mais precoce idade, à fase adulta, nos conduz a esse pensamento torto – e arcaico. A criança, desde já, entende, isso na visão moderna, que, ao crescer, deve ter muito dinheiro, com uma profissão não humilhante, como sempre foram vistas as de gari, garçom, balconista, etc, e sobreviver em função disso, dessa desidentificação, ou seja, idealizar algo desde o inicio de sua vida até sua morte, como se fosse a maior busca que se faz enquanto vivo!...

O pior, teorizamos, fazemos palestras, concordamos com o fato de que realmente estamos sendo levado por essa avalanche, porém, ao passar pela porta, nos esquecemos completamente daquilo que somos! E o que somos? Somos seres humanos, e podemos nos identificar com o que fazemos, com o que pensamos, com a dor que sentimos, com o amor que damos e recebemos, etc... E mais, com sol que vemos e chuva que ouvimos; com a poeira molhada e seu cheiro... Com rosa, com lágrima que nos cai ao rosto quando nos emocionamos, com nossos atos elevados!... Mas nunca com o que temos. Talvez pela maneira como o conseguimos --, honestamente ou não; com lutas ou não... Assim: nenhum carro sou eu, nenhum cargo, nenhum lápis, borracha, nem mesmo o meu filho sou eu! – digo pelo exemplo de muitos pais se encontrarem na figura do filho e restringirem seus atos baseados em suas vidas.

Temos nossas características individuais, já perceberam? Cada um levando em si a personalidade que se preparou, educou... E o próprio caráter. Os aspectos físicos são relevantes, e é compreensível se identificar com ele, mas isso é milenar, ou seja, por falta de uma educação psico-filosófica e prática, sempre nos identificaremos com nosso corpo... Nada mais natural. Agora, uma educação que está aquém do que somos pode nos tornar animais no poder, cheios de instintos, cheios de falas racionais, contudo, apenas animais disputando vagas, disputando o que não somos.

- Volto no próximo texto...

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Perder e Ganhar II


As guerras como um todo mudaram. Mas há quem diga que os treinamentos de soldados americanos são baseados nos dos espartanos, que fizeram sucesso há mais de quientos anos antes de Cristo. Diga-se ainda que o exército israelense copia, nas lutas armadas, alguns gestos dos romanos... E daí por diante. Mas e daí?

É admirável, claro, mas o que podemos ganhar com isso? Se, por exemplo, copiarmos eternamente as estruturas das casas antigas, não quer dizer que todas elas tiveram (ou terão) o mesmo objetivo... Ou seja, no quesito guerra, os soldados americanos podem até mesmo vestirem-se tais quais os espartanos, o que seria ridículo atualmente, todavia, nunca seriam espartanos em luta, em força, em ideais, em comportamentos...

Na realidade, nesse aspecto somos excelentes. Sempre queremos ser iguais aos grandes – desde pequeno – no falar, no gesticular, até mesmo no andado, mas nunca seremos o que copiamos (ou quem copiamos), mesmo porque biológica, física, psicologicamente seremos diferentes um do outro sempre...

Mas não era isso que eu ia expor, e sim algo em que podemos nos espelhar, sempre, de maneira que possamos seguir os mesmo caminhos, e, quem sabe, ter a mesma força, as mesmas ideias. Para isso, temos que ter outra visão. E mais, levar em consideração vários aspectos que no passado foram considerados, desconsiderando alguns do presente, entre eles, o conceito de religião, política, família, sociedade...Iiiiiih, acho que me refiro aos pilares do mundo moderno, não? E o era do passado, também. Contudo, possuíam neles, em todos, a religiosidade – diferentemente do que conceituamos hoje, pois sempre confundimos com religião.

A religiosidade incluía tudo. Política, Guerra, Família, Sociedade, tudo. Não era algo isolado. Em todas as batalhas se orava ao deus Marte; em todas as famílias, o deus Lar e assim por diante. A religiosidade permitia o guerreiro, o pai de família, os cidadãos, até mesmo os inimigos estarem ligados a um Ideal pelo qual viviam. E isso era o que distinguia e distingue o ser humano na hora de perder e ganhar. No passado, graças a essa filosofia, sempre ganhavam; por isso não havia pena, dó, compaixão... Pois sabiam que acima deles havia uma lei que os reconhecia como tal, dentro de sua natureza e capacidade.

Mas, como eu havia falado no texto anterior, os ideais do passado eram, antes de tudo – mesmo debaixo de flechas –, ser um pouco mais humano, com amigos, inimigos, em guerras armadas ou não, mas sempre sendo um pouco mais humano...

Nas Termophilas, quando os grandes soldados de Leônidas iam para o fronte, oravam a céu aberto, às estrelas, pedindo aos deuses que os levassem depois da batalha -- não porque eram suicidas --, e sim – porque era (e é) humano orar aos deuses, a deus, em qualquer cultura, a fim de que aquele ato de guerra não fosse apenas instintivo, animalesco (pois os animais não oram). Se sobrevivessem, agradeciam e faziam a honra ao deus e ao inimigo.

Perder uma guerra é demasiado triste, principalmente quando a derrota é para um país forte, com potencial bélico como os Estado Unidos, França, Inglaterra. O sentimento é natural a todas as nações que não possuem notoriedade física. Assim não era na antiguidade...

Quando Roma e seus exércitos caminhavam para o mundo-novo, seus adversários guerreavam para que nada disso viesse a se realizar, mas, ao contrario fosse, não havia a dor, nem mesmo a vergonha de se entregar como derrotado aos romanos, pois, pelos princípios ali adotados, sabiam que Roma não era imperialista da maneira como são determinadas nações atualmente, mas um país que respeitava a religião, a política, os cidadãos, a cultura, enfim Roma era uma hospedeira louvável.


Hoje


Hoje, quando o sentimento de "patriotismo" faz países atacarem um ao outro; quando o sentimento de “liberdade” o faz embarcar nas costas de um país quase derrotado pela natureza; quando a desculpa de levar a Democracia aos países ditos ditadores pelos ignóbeis governos leva milhares de pessoas a acreditar nisso... Eu digo: perdemos.




terça-feira, 19 de outubro de 2010

Perder e Ganhar


Há mais de mil anos antes de Cristo, na Antiguidade, à época das grandes guerras – Peloponeso, Guerras Púnicas, Guerras das Termópilas entre outras --, guerreiros morriam pela honra, morriam pela liberdade e por muitos companheiros que delas participavam. Muitos princípios estavam em jogo, e um deles era a coragem do próprio homem.

Assim, em meio a treinamentos, quase escolas de confronto, cujos professores eram os melhores generais do mundo, romanos, gregos, persas traduziam, em batalha, o que aprendiam, e por terminar ensinando a todos nós o valor de cada um, ainda que debaixo de flechas...

Nem precisamos citar o grande exército de Esparta, do grande general Leônidas; do grande romano Julio César, de quem ninguém poderia retirar a vitória, graças as suas espetaculares estratégias contra o inimigo; do próprio Alexandre, o grande, inimigo-irmão de outro grande general persa, Dario. Alexandre tinha orgulho de seus homens e vice-versa... Poderíamos falar de vários, inclusive de Átila, o mais temível dos homens quando se tratava de enfrentar o grande exército romano... Enfim, alí, em meio às guerras, seja qual fossem seus objetivos, havia um pouco de filosofia enraizada em suas veias, uma educação voltada ao louvor aos princípios mais básicos do ser humano.

Todavia, com o decorrer das guerras, o próprio homem tornou-se um genocida em potencial. Prova disso, quando os espanhóis entraram em terreno inca, com a finalidade de tomar-lhes o território, na America Latina. E o fizeram.

Já com o sangue em fúria, os descobridores da América não respeitaram milhares de anos cultivados pelos incas – é claro, já em decadência – e destruíram quase toda cultura daquele povo.

Os incas, desde o inicio, cultivavam a ética, a moral, a honra, a coragem e todos os valores humanos com os quais lidamos de maneira simplória em nossos dia a dia, no entanto para eles era uma lei universal a prática destes, os quais eram o norte de sua sobrevivência... Entretanto, a anticivilização espanhola, friamente, destronou o grande rei, massacrou todos os guerreiros – segundo contam, os incas não guerreavam à noite, pois seria uma forma de desrespeito ao inimigo. Mal sabiam, no entanto, que o desrespeito viria naquela noite, quanto o exército espanhol, em sua prática progressista- genocida, fulminasse com tudo e todos.

E assim, desde que se conhece por guerras – a Primeira e a Segunda, principalmente --, pensa-se em morte à revelia, ou seja, homicídios em massa, o chamado genocídio coletivo.

Outro massacre: um tanto quanto distante das Grandes guerras, quando França e Inglaterra eram “donas do mundo”, quando todos eram a elas submetidos, um pequeno país chamado Paraguai, hoje um misto de descabro social com jogo de interesses políticos, mas, no passado, um país voltado à educação, aos reais valores de uma sociedade, crescia, desenvolvia-se surpreendentemente, quase se tornando um país primeiromundista, coisa que o próprio Brasil, hoje, rala para ser. Mas a regra de crescer e desenvolver sem a permissão dos grandes torna-se quase uma afronta em qualquer setor, e no mundial é a mesma.

Então, Inglaterra e França criaram o Triunvirato, uma ordem composta por países submissos a eles, entre estes estava o Brasil, juntamente com Uruguai e Argentina.

O trio, fortemente armado, foi designado para combater o irmão Paraguaio, que tentava crescer e ser gente grande, apesar do tamanho. A batalha se fez. Outra vez, o massacre sem a mínima honra e respeito ao inimigo foi histórico.

Hoje, depois de duzentos anos pós-guerra, não se sabe quantos morreram, mas o pequeno pais, que quase foi uma potência, é o maior sinal de desorganização de todos os países da America Latina – a vender produtos ilegalmente, sem políticas, sem rumo, e, que é o pior, sem qualquer pais que o reconheça e o auxilie no desenvolvimento interno. As consequências de uma guerra são terríveis, mas as que deixam sequelas históricas são piores, pois destroem gerações e gerações.

Mais na frente, a Segunda Guerra Mundial nos trouxe o holocausto. Hitler, o mal em pessoa, traduziu toda sua ira criando campos de concentração, nos quais judeus, negros, ciganos e raças minoritárias eram mortos sem honra, tais quais animais ao abate. Alias, a palavra honra não existia para o mal encarnado da Alemanha nazista.

A saudade das batalhas antigas, nas quais príncipes, reis e rainhas participavam e eram simbolicamente vistos como deuses e por isso não afetados, já nos bate a alma. É claro que houve heróis reais em batalhas modernas, mas não havia grandes referenciais pelos quais lutar, ganhar, perder. O maior dos referenciais, talvez, hoje, seja a família, um dos núcleos que ainda não nos tiraram e por isso quando se luta (ou não) pensamos em nossos filhos, em nossas esposas, irmãos...

Em lutas antigas, é claro que a família era importante, mas não era o símbolo que gerava a força e a união de um exército que bradava suas forças em prol de um país e mundo melhor. As forças eram reunidas em torno de um ideal tão maior que família, sociedade, humanidade – ainda que por elas se lutavam também, mas –, era o melhor de tudo que os fazia dentro daquele contexto: a ideia de um mundo melhor em que o maior valor de todos fosse o norte, o referencial, tão sagrado quanto qualquer coisa.

Esse Ideal não abolia nem mesmo iria de encontro aos pequenos ideais de liberdade, de humanidade, muito pelo contrário, abraçava a todos eles, de maneira que o homem, quando fosse à guerra, sabia que, sucumbindo, nenhum deles morreria, pois a alma do guerreiro quando embebida daquele ideal não morria, elevava-se e se tornava eterna.

Os ideais de honra, coragem, vida, morte ética, moral estavam acima de tudo, pois se aproximavam do grande ideal universal ao qual o homem, no passado, obedecia. E assim, dentro desse parâmetro, desse muro inexpugnável, dessa rocha inviolável, respeitava-se o inimigo, dando-lhe espaço, força e ao mesmo tempo amizade aos princípios ali adotados.

Um exemplo: em Roma, ainda que fosse o maior dos inimigos a batalhar em campo, mas obedecendo às leis ocultas, este seria irmão dos romanos – seria um pouco romano.


sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Paixão: a Guerra de um Homem Só.



Às vezes é preciso se apaixonar para dizer o quanto somos volúveis como sacos ao vento. É preciso mais que isso; é preciso ir ao fundo do fosso e dizer “como vou sair, pelo amor dos deuses!”, e mais tarde chorar porque saiu e viu, de longe, em que se meteu.

É, como diz a palavra a ela cognata, é de se apaixonar!
Quão fogo, larva, dor, terremoto, e ao tempo luzes, flores, sorrisos, paz... E depois, guerra, sangue, dúvidas, loucuras conscientes... Enfim, uma gama de luas e sóis permeando nas janelas de sua alma e ao passo... Dentro!

Faltava-me subir as paredes, escalar montanhas com as unhas, enfrentar gorilas, leões, comê-los crus no almoço... Bem... Uma coisa foi bem certa: todas as vezes que me vinha à consciência de meu estado, eu refletia. Mas uma reflexão inútil, pois me tornava pior com cada minuto que restava, quebrando tudo, distorcendo minhas emoções, desvirtuando meus pensamentos, desmistificando meu caminho...

A consciência, presa à loucura, quebrava a jaula dos idealismos, da religiosidade, e o pior... da própria filosofia... Lembrei-me das obras de Wagner ao iniciar com um grande órgão e explodir com os instrumentais ensurdecedores!

A educação, esmerada num principio significativo – a do legado de uma tradição --, mostrava-se crua, sem gosto, também inútil. Tanto quanto uma lula sem seus tentáculos, minha educação tornava-se deficiente, ou invisível. Motivo: a paixão! Esse monstro cruel que destrói famílias, desconserta sociedades, descaminha heróis, retira a pureza das flores, e assassina a todos. Esse sentimento baseado no sem-principio, na matéria carnosa, no sexo, nos lábios, no corpo, nos encontros, no nada... é como um filho desgarrado a transformar um canteiro zelado por Deus em migalhas pisoteadas pelo Diabo.

Assim, a empurrar o homem do mais alto abismo, a paixão sorri do alto e conta mais uma vitima – eu. Sofregamente embriagado, desfiz de meus princípios educacionais, cai na lona vermelha da vida, a ser pisoteado pelos mestres, os quais nem me viram pedir ajuda. Todavia, fui culpado de tudo. E estava apaixonado!

Nessa selva fria, sem uma fogueira para alimentar minhas esperanças, sozinho, com os piores dos animais – eu --, me punha a gritar em silêncio em meio a zebras, onças, cobras, tal qual o mudo em uma tentativa vã de ser ouvido. Meu grito, todavia, era interno, a causar uma dor maior, a da solidão, aquela praticada apenas em prisões turcas, nas quais nem mesmo a própria mãe sabe onde você está...

A tortura começava e não tinha tempo para cessar. Minhas mãos, trêmulas com cada ato, burlava meu rosto, quebrava vidros; meu rosto, sem poder mostrar a aparência denotativa, caía na conotação da alegria explicita, sem mesmo mostrar os dentes.

Meu coração, coitado, a mais de duzentos por minuto, tentava, em vão, sair do corpo, como no filme Alien, o oitavo passageiro – quando o monstrengo, depois de se alimentar das vísceras, tentar abrir, no meio de nosso estomago, uma fresta, esticando nossa pele... Assim eu me sentia.

A paixão é um verme que nos comanda. Ter consciência desse verme é pouco. É preciso estar preparado disciplinarmente e quando encontrá-lo vivenciá-lo como um poeta. Assim eu fui... Ou tentando ser.

De uma coisa estou certo. O amor pode ser confundido com paixão. A principio, leve como uma brisa, perfumado como uma rosa-criança, e termina como tsunami na alma, sequestrando nossos ideais mais íntimos. O homem apodrece, cai à lona, morre, ressuscita, tenta se elevar, mas os pés não andam, os músculos doem, o corpo inteiro não obedece... A guerra ainda não acabou.

Os poros de minha alma, também dolorida, me fazem sucumbir às palavras mais singelas, mas continuo com o sorriso trôpego, andando ao encontro de minha vida, e sendo puxado pela morte, esta que dá gargalhadas à beira de meu ouvido ferido. Não há, nem mesmo, alguém que venha do céu e me auxiliar a morrer, ou viver, apenas a me pisar na seca de meus sentimentos...

Mas a paixão se solidifica, torna-se tão forte quanto uma ponte. Difícil de desabar, e ao mesmo tempo rangendo suas tábuas mais podres a cada passo meu. As cordas, no corrimão, fragilizadas... E, mesmo assim, forte.

Mas as metáforas da paixão serão sempre inacabadas quando se trata de expor os sentimentos na tentativa de compará-la. Nunca haverá palavra no mundo que demonstre o horror de suas características quando inclinadas a explicar o que sentimos.

Mas uma coisa é certa. Enquanto houver a mulher, esse ser que perturba e ao passo completa o homem, jamais na história da humanidade o homem entenderá o que é paixão – pois estará muito ocupado tentando se levantar da terra que o tenta consumir...


A todas às mulheres.
























R:)

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Fúria de Titãs, epilogo.


Chegamos, enfim, à nossa reta final!


Desde que pensei em discorrer acerca dos mitos, achei que fosse algo, como diria os gramáticos, “gratuito”... Mero engano. Não há nada de gratuito, é preciso ter uma razão, um motivo, primeiramente, com a finalidade de dissertar sobre algo tão profundo... No entanto, da maneira como se foi falado – por mim, claro – não havia nada de profundo. Eu, simplesmente, enrolei, e, claro, fui displicente, tolo, mais ou menos culto em relação à tentativa, não ao texto, mas ao assunto e consegui expor de maneira bravia (porém tola) um pouco sobre o assunto...

No último texto, citava a Caverna de Platão, uma alegoria mítica, que o filósofo teria feito supostamente em homenagem a seu mestre, Sócrates, que, à época, segundo se tem notícia, desvirtuava a política do seu tempo, corrompendo os jovens, em conceitos filosóficos sobre a verdade, amor, beleza, ética, moral, coragem... Enfim, conceitos que, em nossa época, também estão tão desfalcados de suas origens quanto no passado. Por isso, foi levado a tomar veneno como castigo...

Mas não vamos, hoje, falar de Sócrates, vamos terminar nossa discussão sobre mitos, esse ser maravilhoso que se esconde e se mostra como a ponte entre o sagrado e o profano. Vamos tentar demonstrar em linhas breves o que podemos tirar desse manancial que nos deixaram como legado, e que, infelizmente, o percebemos com olhos de soslaio...

Mídia

A Caverna de Platão talvez seja a mais simples de se compreender, tanto no quesito simbólico quanto no metafórico, porque já nos apresenta elementos claros de sua intenção. Mas que intenção? A de que estamos presos a algo.

Mas o mito transcende esse sentido. Não nos passa, de pronto, seu sentido real. Se nos leva a questões de nível psicológico, não é do teor simples como Freud, o rei da psicanálise, acredita. Não tem nada a ver com o aspecto físico, biológico, sexual do homem, ainda que existam interpretações para tanto, mas, ao contrário do que se percebe com nossas lentes, sempre o psicológico voltado à Alma universal, como foi dito em eloquentes relatos, nos textos anteriores. Mas o que nos fez ver o mito com se fossem historinhas de ação? Será que foi a mídia?

O papel da mídia tem sido preponderante para que a educação humana se desvirtue tanto. Se não fosse essa deseducação, que faz com que a distância entre a realidade das histórias, dos personagens, das palavras, e enfim, dos mitos fosse tão lastimável, teríamos, pelo menos, uma visão menos assustadora do que ele significa.

A culpa, no entanto, não é dela, da mídia. A culpa é daqueles que desceram os degraus da iniciação, ou melhor, desistiram de resguardar os grandes segredos e repassaram para a massa, o povo. Este, cheio de relativas ideias, e confusas, desfazem naturalmente, no entender dos princípios, daquilo que é realmente válido. Ou seja, ainda que achamos que seja triste o papel daqueles que desceram os degraus para repassar, cheio de interesse, sua sabedoria ao povo, e este, tão ignorante quanto pedras incrustadas em cavernas... Há uma necessidade por detrás de tudo de decair no fosso dos princípios sem significância os valores humanos, caso contrário ainda teríamos Roma, e sua fortaleza; teríamos a Grécia, e sua sabedoria; teríamos o Egito, e suas belezas, além dos grandes faraós reinando...

O mito, uma dessas verdades que virou mentira, ainda brilha como uma estrela ardente em meio a um sol maior ainda, mas existe. Seu significado abrangente, assegurado pelos sacerdotes antigos, cujo legado nada mais foi que trabalhar para que o homem moderno não atingisse o cerne, a sua essência, ainda baila na alma universal.

Fúria de Titãs

Uma prova disso ainda são os filmes hollywoodianos, que, por mais que tenham a ideia de clamar heróis a todo custo, buscando o mesmo objetivo nos mitos – por exemplo, na de Zeus e seu filho, Perseu, como demonstraram em Fúria de Titãs --, apresentam, antes de tudo, a relação cósmica do homem com o uno, com deus, sempre se dualizando entre o espírito (Zeus) e matéria (Hades).

O mito grego de Zeus, Hades e Perseu se transforma na busca de uma realização heroica no filme, o que descaracteriza completamente seu ideal. Contudo, ao observar de perto a cultura que há séculos nos deu Dédalo, Minotauro, Teseu, Ícaro e vários personagens clássicos, sabemos que temos em mãos vários aspectos simbólicos a decifrar.

Hades, assim como todo problema, transfere a Zeus a inveja, o egoísmo e a relutância dos seres humanos, os quais vivem com Arjuna – outro personagem mítico da Índia – que nos representa também entre nossos valores materiais e espirituais. Perseu seria a realização, ou melhor, concretização dessa dualidade entre os deuses e seres humanos. O filho do deus-maior reluta em ser um pouco temperamental como o Pai, mas não tem jeito, todas as coisas pelas quais passa têm uma forma divina de serem realizada.

Zeus, para tudo, lhe dá presentes para combater o mal, e, mesmo na relutância, Perseu aceita. Contudo, mostra que, ainda seja semideus, realiza facetas com potencialidades tais, que nos assemelha em tudo, quando temos força em nós mesmos.

Significado

A guerra entre Zeus e Hades nos lembra a natureza de nossa razão, sempre no meio de uma linha imaginária, relutando entre o céu e o inferno (simbólicos), os quais pairam eternamente em nossos ombros como dois seres briguentos, cada um levando a razão para onde quer. Na maioria das vezes, em nós, Hades vence.

Hades, na Grécia antiga, tinha uma simbologia tão profunda, que não era pronunciado. Era proibido. O homem comum grego não era medroso, mas espiritual e tinha lá suas razões para não citar o nome do deus que representava o mistério mais profundo do universo ou da alma humana.

Zeus, uma potencialidade que se parece com o homem, sempre descendo e amando as mulheres humanas, fazendo semideuses, representaria, talvez, a descida do divino à terra com a finalidade de elevar o ser humano. Perseu seria a figura do ser humano divino, porém com o pé ainda na matéria – ou vice-versa.

No filme, Perseu vence as armadilhas de Hades, reconhecendo, enfim, Zeus como seu pai. Na película, ainda se vê o filho terminando como uma sacerdotisa, como se fossem filmes em que a mocinha termina com o mocinho, depois da morte do vilão.

A importância, ainda que esteja longe de ser dita, não está tão longe. Está tão perto quanto nossos corações de nosso corpo, apenas não percebida. E todas as vezes, será assim, vamos transformar tudo que não pode ser compreendido em meras visões humanas, na busca da real essência, o que seria impossível. A real essência de tudo se resguarda em um intimo universal, divino, sagrado, nas mínimas e simples coisas...

Fim

Ufa! Assim, entre mitos a humanidade se vai, o universo se expande; entre mitos, nascemos, crescemos, vivemos, envelhecemos e morremos com sabedoria, sem medo, sem dor. Entre mitos, somos mais que pedras paradas nas calçadas, mais que plantas em busca de água e ritmo, ou animais em busca de alimentos... Entre mitos, somos humanos beirando a divindade, ou buscando ser.






sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Teatro e o Ser


Um dia um grande professor nos disse em sala de aula. “Quando o artista sai de cena, ele se desfaz das roupas, da personagem e volta a ser ele mesmo. E quando sabemos que não somos o que vemos, no que acreditamos ser? Conseguimos nos desfazer de nós mesmos? Difícil”, completa.

Ele sintetiza o que os gregos chamavam de persona, uma máscara que acreditavam existir em nós, como uma capa que “cobre” o que realmente somos: um ser. Um espírito. Hoje, como diz o mestre, é fácil se desfazer alegorias da dramaturgia, mas como o faremos se percebemos que tudo isso que nos cobre é outra “fantasia”, uma máscara?

O teatro se revela universal justamente por isso, isto é, tenta nos revelar que até mesmo as coisas mais metafísicas ou que achamos como tal são meras máscaras, e o que realmente são vivem em um mundo perfeito – é o que Platão chamara de mundo das Ideias.

Mas transportando para o nosso mundo, podemos dizer que também temos o nosso mundo das ideias, de forma micro, assim como todas as coisas o têm. Contudo, esse micromundo denominamos Ser, aquilo que é intocável, indivisível, que subjaz a tudo que vemos e sentimos, e que, na antiguidade, chamaram de nows no homem.

Cristo

Acreditavam os gregos, não somente, mas também outras culturas sábias, que tínhamos em nós a divindade, essa tão escondida quanto uma estrela de dia, ofuscada pelo sol. Acreditavam que essa estrela em nós era tão pura e perfeita, que jamais seria dita com palavras e sim codificada por aquele que tocasse pelo menos em suas margens, ou seja, somente os grandes avathares que, com sua mensagem tão simbólica quanto eles próprios, levaria à humanidade a Verdade, o Caminho e a Vida, ou seja, o próprio Ser, de maneira racional-alegorica, às vezes, em forma de mitos, parábolas, etc...

Cristo, um desses avathares, com suas palavras codificadas, nos dá até hoje uma ideia do que seria o ser: “Somente a Verdade o libertarás”, aqui a Verdade jamais pode ser compreendida de maneira relativa, pois estamos falando de um individuo cuja natureza traspassou a nossa, estamos falando de um homem que se tornou o próprio Ser, ou seja a Verdade, o Caminho, a Vida – porém, ele estava se referindo ao nosso ser, aquele que em nós subjaz, e nos alertava que poderíamos ser um pouquinho avathar, na busca pela real verdade, pelo real caminho... isto é, estaríamos libertos se fôssemos nós mesmos, no sentido mais profundo da palavra.

“Venham a mim as criancinhas, pois somente os puros de coração têm o reino dos céus” – aqui, Cristo diz que, para que possamos obter o reino dos céus, é preciso que tenhamos a pureza tal qual uma criança, contudo conscientes, a fim de conhecer o próprio céu interior.




Nome Real

Ainda, quando Cristo dera o nome a Saulo de Paulo, sabia que em cada um de nós se resguardava um Nome, um ser; sabia que o nome a que damos aos nascituros são invenções nossas, mesmo que buscamos através da inspiração em rios, mares, montanhas, heróis, reis, comandantes... o nome, o Real nome, é apenas um – e cada um o tem individualmente. Por isso a cultura de algumas religiões de re-denominar aquele que entra para a seita. Cristo, por fazer Saulo seu discípulo, disse “a partir de agora, serás Paulo” – nome interno daquele individuo –; o avathar falava do espírito humano, da maneira mais própria.

E por essas e outras que é tão difícil relatar acerca do que está por detrás de tudo, embora saibamos. Sabemos ainda que divagamos e não temos uma experiência concreta do é o Ser, tudo parte de nossa personalidade, que se apaixona (por) e deseja tudo. E o que nos fez relativizar tudo tirou um pouco daquilo que é divino na natureza...

Um exemplo disso são as denominações dos Deuses – Zeus, Plutão, Netuno... – ao se referir às potencialidades que criaram o universo. Platão diz na república que um dos erros de Homero foi personificar as divindades, pois elas são vistas com olhares humanos, o que as distanciaria do que realmente são. Mas o homem não consegue sintetizar o que aprende e com ele ficar, ele sempre expõe o que sente, ama, admira, contudo, às vezes, quebrando o significado real das coisas – nesse caso, dos deuses.

E quando soubermos que não somos essa persona que se apaixona, ama, admira, come, bebe e age conforme os seus ditames? Será que vamos fazer o mesmo? Tentar relativizar o Ser em tudo que fazemos?

É o que o teatro faz, pelo menos fazia. Ele tenta demonstrar, pela nossa realidade, a maior das realidades, Deus – seja em nós, seja no uno. Todavia, sem vulgarizar, mas tentando se aproximar do significado do grande espírito.


Fico por aqui.

A Parte que nos Falta

"É ótimo ter dúvidas, mas é muito melhor respondê-las"  A sensação é de que todos te deixaram. Não há mais ninguém ao seu lado....