quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

De Volta ao Aprendizado, final


Hoje, com tantas experiências colhidas (extraídas) dessa criatura que Deus nos enviou, penso que cresci muito, mas não o bastante para dizer que solidifiquei meu caráter em torno na palavra pai.

De longe, observo que tenho muito a caminhar. Hoje, carrego um peso, amanhã, posso estar mais leve; hoje, meus pensamentos são como locomotivas expressas, amanhã, quem sabe, posso comer uma pizza sentindo o gostinho dela! Gosto da marguerita, e vocês?

Ontem, eu ia ao teatro, ao cinema, lia livros, estudava, saia com os amigos, contudo... São experiências incríveis das quais posso dizer que ninguém, a não ser o próprio individuo quem tem filho, pode passa-las com exatidão, e, é claro, ao ser pai – ao real homem que se vestiu os trajes de pai.

Nessas férias, via meu filho quebrar tudo, correr nosso apartamento, cuja sala mede menos de cinco metros quadrados, todinho. Eu tenho inveja dessa força louca que se enraíza nesses seres que nascem e não conseguem parar nem mesmo na hora de dormir.

Pedro, um claro exemplo deles, jogava seus brinquedos pesados para cima, para saber que barulho faziam ao cair no chão; se eu não interviesse, não haveria mais de que brincar... Fazia estripulias, se jogando em cima de mim, dando-me tapas no tórax, com toda sai força, só pra me ver berrar de brincadeira. E na hora de assistir a vídeos, posso dizer que os de carros falantes eu já decorei as falas, mas Pedro não. Um tal de Speed Racer, sucesso na década de oitenta, foi a sensação. Eu, que amava o seriado, passei a desgostar aos poucos; meu filho o vê todos os dias!...

Mas a aparência natural, pura, bela de como se faz o ser como esse, disposto a aprender, viver, amar, correr, viver, sempre, de acordo com sua natureza, lembra-me muito o conceito de Justiça platônico. “dar a cada um o que lhe é devido, de acordo com sua natureza e capacidade”. Pedro nada mais é que uma criança de sua idade. Não extrapola nem fica aquém do que é. Ele está seguindo – por enquanto – o ritmo que lhe convém seguir. Pra mim, isso é belo.

Belo, mas nem tanto, foi trocar suas fraldas, dar-lhe banhos; segurar-lhe as pernas para passar-lhe cremes; escovar os dentes...hum! Foi mais fácil do que mergulhar num rio e segurar a boca de um jacaré!... Esse era Pedro.

Nessa relação tão paterna, descobrimos que somos pai e filho, não porque ele saiu do ventre de sua mãe, a qual engravidei. Mas pelo fato de que somos semelhantes em algo – não sei dizer --; temos gênios, caricatura, modos... E muito mais. Mas o que nos difere é o que nos harmoniza.

Acho que o aprendizado nem começou ainda. A estrada pela qual não só pai, mas também mãe passam, apesar de estarem juntos, não é a mesma. Porém, se encontram no final dela como dois bons amigos a relatar acerca de uma pessoa da qual cuidam e amam.

Há muito o que dizer, mas fico por aqui. Acho que vou esperar por mais um momento desses nos quais uma nova e bela experiência vai me fazer um pouquinho mais pai do que ontem... rs.






segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

De Volta ao Aprendizado, segunda parte.


Por um momento, achei que não teria coragem de digitar mais um texto relacionado às minhas férias looongas, como eu havia lhes dito. Mas a procura da verdade que baila como princesa em nossas almas me fez retroceder e mudar esse fato. Na verdade, não há mais o que dizer, apenas viver.


Não que o que dissera no texto anterior tenha sido objeto de menosprezo, muito pelo contrario, realmente sempre vimos as coisas com o olhar lúdico, o que dá uma ideia de que sentimentos – emoções, vivencias a parte – são naturezas que estão em desuso humano, mas por quê? É uma historia complexa, então continuemos o texto anterior...


Como eu dizia, o Toy Story, da Pixar, nos fez repensar nossos valores, ainda que arcaicos, e nosso apego em relação a eles. Fez-nos parar no tempo e no espaço, como uma célula perdida no cosmos a procura de seu grupo, porém sem saber por onde começar a jornada. Tudo isso porque nos apegamos a tudo – a tudo mesmo – sem que saibamos a consequência.


Ainda não sei qual meu grupo, minha jornada, meu caminho, todavia, coisas simples semelhantes a que passei com meu filho podem me dar uma linha imaginária do que fazer para achar.


Somos seres humanos, como todos sabem (será?), e que nos expressamos de forma inconsequente até a morte, de forma que não saibamos o que fazer depois que nos aparecem as dores. Mas a prática, ou seja, a outra parte da teoria pode nos salvar – e acho que me salvei um pouco nesses quase quarenta dias em casa, preso, trocando fraldas, alimentando, sustentando, vivendo em função de um outro ser humano... Imagino outras pessoas como se sentem ao se depararem em suas funções de babas, pedagogos, baby siter, sei lá... E que são obrigadas a cuidar de uma criança que não é delas... Realmente á uma imensa responsabilidade...


Pra mim, no entanto, vendo por esse lado, não foi tão difícil. A criança era minha. Claro que a responsabilidade não muda, mesmo porque era a primeira vez que eu estava cuidando de alguém que não fosse acima de cinquenta anos. Estou falando de minha família... Eu sempre cuidei dela, dos meus irmãos, de meus sobrinhos, talvez um pouco, mas, dentro do que se pode chamar de auxilio em algum sentido, acho que cuidei deles também...!


Não posso me gabar disso. Foi algo involuntário. A vida me deu esse mundo, e não posso me retirar dele assim, sem mais nem menos, e acredito que ganhei o gosto por isso também. Agora, volto com um zelo maior ainda ao meu filho. Este que já estava no ventre de minha esposa por dois meses quando o descobrimos.


Foi assim: ela, minha esposa, tinha comido um cachorro quente, e, achando que fosse uma linguiça mal cozida, sentindo dores por isso, me fez levá-la ao medico, e lá, depois de uma hora esperando sentado na sala de ‘espera’, uma loira (que loira!) me veio como uma fada e disse... “O senhor é que é o senhor Reginaldo?”, e eu, olhando aquele ser de outro mundo, rapidamente lha disse “Sim, sou eu!”. Fazendo gestos com a mão direita, a loira, quase sussurrando me disse... “Por favor, a sua esposa quer lhe falar”.


Foi maravilhoso o momento. Deitada em uma cama que parecia uma maca, Luciene, a senhora França, deitada de barriguinha de fora, com uma medica simpática ao lado, passando-lhe um gel abaixo do umbigo, sorria. “Ta aqui o cachorro quente!” disse a doutora.


De cabeça baixa, olhando a cena de minha esposa deitada, passei a levantar meu olhar para um ser que brincava dentro daquele ventre, tal qual uma criança de dois anos, rs ! Mas tinha apenas dois meses... Dois meses!


Daí por diante, nunca mais tivemos uma dormida, um almoço, uma janta, uma noitada sossegados. Pedro Achilles, o guerreiro mirim, nos faz batalhar, todos os dias, em busca da paz tão almejada.


Contudo, tem nos sido uma batalha deliciosa de confrontar. Com dois anos, Achilles joga, brinca, pula, fala, cria frases, chora a cada negativa, arrebenta corações, pois sua beleza, como a do seu pai, desequilibra a todas.


Hoje, com dois anos, pega a lixeira, sobe nela, pega água. Pula em cima da cama até se cansar, mas, quando se depara com o espelho, para, pensa r sorri bem alto, como se tivesse encontrado o amiguinho perdido. Com relação a amizades, ainda titubeia. Seu grau de sociabilidade aos dois anos me preocupa. Mas, como diria a pediatra, temos que respeitar a maneira pela qual sua vida transcorre ainda que haja coisas que não entendemos e tentamos frear. Bem, se for so isso... Tudo bem!

Pedro é ciumento. Com dois anos de idade, ainda não suporta ninguém chegando perto de seus pais; nem mesmo seus pais próximos um a outro. Motivo: ele ama a mãe, loucamente... E vive-versa. Coisas de criança! Eu sempre digo a minha esposa que é melhor aproveitar essa paixão, pois, quando tiver quinze anos, nem mesmo benção vai pedir a nós.


Volto no próximo texto...


sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

De Volta ao Aprendizado


Hoje é o ultimo dia de minhas loooongas férias. E como perceberam, não havia outros textos senão aqueles de dezembro de dois mil e dez, para trás. Fiquei sem meios para blogar. Minha internet ficou de férias, assim como eu. Mas, não querendo ser prolixo, foi até bom, porque pude refletir acerca daquilo que escrevi no passado, e de meus atos neles referenciados – às vezes vice e versa – não tem como ser diferente, somos aleatórios demais e precisamos nos basear em algo fixo, ainda que esse fixo sejam textos utópicos. A utopia precisa de credibilidade...

No entanto, a tônica deste texto não tem nada a ver com referenciais, e sim com meu filho, esse reizinho, para o qual vivo e me inclino a repensar meus valores, minha vida, enfim, tudo. Esse ser que me levou a dar uma volta em mim mesmo e descobrir que somos feitos de obrigações muito mais que direitos. Me fez ainda repensar meus critérios ao ter um filho, uma filha, uma esposa... ou melhor, mais uma vez, refletir sobre o papel do pai, da mãe e dele próprio – meu filho. Foi um “passeio”.

Foi mais que isso. Uma experiência voltada ao fortalecimento do caráter, do físico, do emocional, do coração... Não foi circunstancial, ou seja, um encontro voltado a uma união de duas pessoas apenas porque não havia outro jeito – quem quiser que acredite, contudo prefiro dizer que a lei maior nos uniu com a finalidade de nos conhecermos um pouco mais, e nos tornarmos mais pai e filho, no sentido mais amplo que se pode pensar.


Quando se abre esse leque, qualquer necessidade extrema se torna uma alegria, uma viagem numa onda semelhante à desses surfistas que fecham os olhos no tubo criado pelas imensas salinas marítimas. Foi mais que uma necessidade, foi filosófico.

Hoje, com dois anos de idade, suas palavras soam como descobertas a cada instante. Ele olha, pensa, fala e sente a necessidade de pronunciar a parte léxica com a semântica, mas não o faz. Na realidade, imita o que o falamos, de forma bela, com seus lábios meio fechados, outra vezes abertos demais, quando palavras mentalizadas são fáceis de repetir. Assim, nessa tentativa hercúlea, quebra seu próprio medo e grita. Haja ouvidos!


Com a idade de dois anos e meio, nada mais do que desorganizar o que se organiza pra ele. É um meio para chamar a atenção. E eu, seu pai, nunca me abaixei tanto para pegar, levar, trazer... Tentando lhe passar que tudo tem o seu devido lugar... E mais tarde, mais crescido, perceberá que não somente os cubos, mas também as esferas, as partículas (como legos ou não) se encaixam em determinados lugares, se formam, viram corpo, alma, universo... Deuses! Enfim, sempre se transformam ainda que não as observamos.


Mas Pedro precisa ser desorganizado. Ele é criança! Precisa adentrar naquele mundo do ‘desencaixe’ e saber o que tem dentro, assim como nós que, um dia crianças, fizemos o mesmo, mas, hoje, desenvolvemos a pesquisa, descobrimos coisas, vivemos em função da verdade que há na vida, e que precisa ser descoberta, ou pelo menos dentro de nossas possibilidades!

Assim entramos na esfera psicológica, fazendo comparações metafóricas e até transcendentes em relação a nós mesmos. E a criança que nos ronda – no meu caso, o meu filho – serve de parâmetro para o crescimento, desenvolvimento e até evolução do humano adulto. Chegamos a entender que ainda possuímos brinquedos dos quais não nos separamos, como nossos carros, aquele que não emprestamos nem mesmo a nossa mãe; às vezes, de nossos brinquedos que deixamos para trás e ao mesmo tempo trazemos sua figura em uma conversa, e até mesmo na hora da compra do brinquedo do filhão rs... É somos mais crianças que pensamos!


Mas o apego fica dentro daquele baú interno, do qual nem mesmo você abre. Lá existe o ursinho, o dragão, o boneco... etc, etc, etc , e você acredita piamente que cresceu, ficou maduro e pode enfrentar o mundo com seus terrores, assassinos, não, não pode.


Um exemplo dessa jornada ao centro de nós mesmos é a animação Toy Story, bem divulgada, vista e revista e elogiada por críticos e não críticos de cinema, na qual o Studio Pixar talhou essa realidade em todos os aspectos, levando-nos a uma viagem interna, na qual apenas você e você sabem da realidade que se passa em seu coração ainda cheio de algemas pelos bens que ainda te deixam criança eterna.


Nela, na trilogia, somos vistos no Woody, no Bus, no Wendy – menino dono dos brinquedos-personagens, dos quais se desenrolam aventuras incríveis, nas quais a tônica maior é o amor, a amizade, o carinho de um Cowboy de brinquedo ao seu dono, além da profundidade com a qual é exposta a emoção do abandono, do apego aos nossos valores arcaicos, dos quais nunca nos desfizemos e jamais o faremos.


No último episódio, há essa separação das algemas e do grande ser humano, quase iniciado, Wendy, talhado em um menino com um pouco pais de dezessete anos, que vai pra faculdade e tem a grande dificuldade em deixar seus brinquedos amados – que, quando criança, levou a sério todas suas aventuras ainda que lúdicas a nosso ver.


Mais uma vez a arte (ou animação) imita a vida.

(volto no próximo texto)

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Desconhecido


Está chegando o Natal, e as comemorações do fim de ano também. Não é de hoje que o espírito grandioso das festas em fim de ano, décadas, séculos... Fazem parte da vida humana. Não, não é. Sei o quanto é piegas falar sobre isso, mas é preciso. Tudo que se refere ao comportamento humano tinha que ser falado, descrito, narrado, dissertado.. Sei lá... teria que ser lido e praticado por todos.

No entanto, não somos assim. Não mudamos de uma hora para outra, nem mesmo de um século para outro, pois possuímos raízes profundas com as quais nos apegamos, e por elas lutamos, e com elas nos identificamos – estou falando de vida humana, e de tudo porque passamos, e se há alguma mudança em nós, graças a elas... e somente nelas.

As mudanças, ais quais me refiro, são baseadas em algo muito profundo. Mudanças que não precisam nos dizer o que nossas personalidades são – mesmo porque somos muito mais que um agrupamento de ossos, emoções, paixões.. Somos seres que se elevam com o simples, com a poesia... Com a música, e isso, claro, faz com que nossas emoções fiquem mais altas, no cimo, no topo...

Mas não há como deixá-las plantadas nessa montanha, como alpinista que finca a bandeira, e, às vezes, por lá acampa. Nossas emoções só duram o momento em que estamos ouvindo, lendo, recitando o belo poema, ou sentindo o por do sol em nossos corações, iluminando o resto de nossas entranhas...

As mudanças são para nós assim como são as partículas de um carvão a se transformar em ouro. É um processo belo, no entanto minucioso, vagaroso, mas valoroso... Desde a célula intima de nossos corações até o cume de nossas almas, desde a unha de nossos pés às raízes de nossos cabelos... As mudanças são naturais.

Do processo biológico esperamos modificações até nossas velhices, e ainda não aceitamos, pois retrata, às vezes, o que não somos em emoções, em determinações, enfim, em idade interna. Porém, a real mudança pela qual passamos, a espiritual, a que tanto almejamos, não se consegue como no físico; é preciso nos basear nas estrelas, nos sóis que nos rodeiam.

Do espírito, desse desconhecido e misterioso mundo, apenas ouvimos dizer e ainda achamos que sabemos muito dele. Ouvimos vozes, nos comunicamos com outro mundo, sonhamos, choramos... E já somos espiritualizados...!

Acredito que a imagem maior do grande espírito não nos cabe ver (revelar!) nem sentir, apenas buscar em nossas raízes mais profundas seu sentido, e dele tentar, pelo menos, ser mais prático, no sentido mais humano da palavra, nem que seja em respeito à palavra espírito, esta que nos ronda, e nos faz perceber que existe um objetivo, um ideal a realizar em torno de nossas esferas, sem que precisamos vê-la de perto.

A palavra espírito já nos é o bastante para se ter uma divindade em nosso norte. E, em frente a ela, nos ajoelharmos, agradecendo nossas tentativas de vencer batalhas, em meio a frágil coragem que temos, sem sucumbir numa terra em que, se cairmos, podemos ser pisoteados...

Assim, em uma vida tão bela, que está sempre continuando, evoluindo, independente de nossos conceitos, a única mudança natural é ir ao encontro dela, aceitando nossas idades, nossas velhices, nossos problemas, e que sem eles a grande roda não gira. A única mudança a ser feita é entender que não somos perfeitos, mas que nossos universos giram para esse final.

Nesse natal, como em outros que virão, nossas mudanças serão mínimas, mas nosso comportamento diante da grande vida mudará, pois possuímos uma personalidade que, às vezes, aprende com seus erros, mas depois desconhece seu caminho, mas para isso temos o grande espírito, o misterioso, que nos inclina a reta sagrada, mesmo que seja por alguns momentos.


Ao Meu filho, Pedro, que cresce ao meus olhos.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Convivência, segunda parte.

Na antiguidade, no antigo Egito, para ser mais especifico, se uma esposa deixasse de arrumar as vestes do marido, sua sandália, seu ouro, seus apetrechos de homem, não seria perdoada. Para os olhares modernos, isso seria a prova de um machismo extremista, advindo de uma era cujas mulheres não tiveram espaço nem para respirar... Errado. Não só no Egito, mas, em todas as civilizações, como Grécia, Roma, a mulher era tão valorizada quanto o homem. Ainda há quem discorde, pois há coisas pelas quais a mulher passava que o homem nem mesmo sabia, e vice-versa.

A questão é polêmica. Mas para traduzirmos o sentimento da época é preciso estudarmos um pouco a visão dela e daqueles que nela passaram, e seu comportamento...

No Inicio...

No inicio de nossa civilização, quando não havia esse partidarismo ou mesmo esse fosso religioso em que vivemos, porém em uma época em que o sentimento de religião era maior e mais universal que o nosso, tanto que, em tudo, cabia esse pilar da antiguidade, a mulher e o homem sabiam lidar um com o outro e com Deus. Havia a síntese sa tríade em tudo.

A religião estava no ar, no mar, no céu, no fogo, no homem, em tudo (e ainda está!...). E cada ser, sociedade, civilização entendia isso da sua forma, cabendo-lhes traduzir de maneira simbólica o que religava o homem a Deus. Isso pode ser apreciado em civilizações até mesmo distantes, como a do Peru e do Egito, quão distante são, mas cada qual com seus ornamentos semelhantes, já perceberam?

O simbolismo era fruto de algo misterioso que, regado a lendas e mitos, transportava os seres da época a um conhecimento brando e ao passo fechado, mas que, com o tempo, veio a ser desmistificado por alguns sacerdotes que não conseguiram manter o segredo. Razão: o materialismo era mais forte e o espiritualismo profundo, sem citar a razão de vários filósofos modernos, sendo transformado em algo palpável – como o céu dos cristãos, judeus, etc, os quais não mais se revestem de véus simbólicos, mas de uma realidade tão forte quanto à própria.

E assim, tudo nos emancipava a uma semântica natural, no passado, e nos fazia crer no sagrado de maneira ordenada, harmônica, isto é, todos diferentes e necessários um ao outro, sem distinção de raças, cores, sociedade... Hoje até podemos entender, mas acreditar, de verdade, como a pele do nosso corpo que reveste os ossos, não, não acreditamos, e nisso eles acreditavam e disso viviam.

Deus, para terminar o assunto, era representado, dependendo da civilização, como um Peixe, com o número Zero, com, com o Infinito, e o restante – o que nos cercava – emancipações, formas, geometrias, etc, era o fruto dessa divindade, ou seja, tudo era diferente, mas possuía, na semente, a característica sagrada.

Enfim, a convivência era ordenada por disciplinas universais. O homem com o seu Logus, e a mulher, com o dela. Cada qual com sua essência e característica. Hoje, no entanto, temos outra ordem a ‘iluminar’ nossos passos, e é aí que nos perdemos. O materialismo, o capitalismo, o comunismo, o desenfreado modo reliogioso-político, e demais ismos, além do machismo, feminismo, com os quais lidamos e vivemos, podem ter levado o homem a essa bola de neve, cheia de valores contrários à cortesia, ao amor ao próximo, ao cavalheirismo, mas é difícil de dizer, mesmo porque há uma grande necessidade por trás de tudo por que passamos, inclusive o mal de uma civilização.

O espiritualismo egípcio, a hombridade romana, a filosofia grega, o misticismo maia, hindu... Tudo, de alguma forma, teve seu ápice como cultura, e delas aprendemos muito, contudo não o bastante e, de acordo com as últimas, não aprenderemos tão cedo... E tais culturas tiveram sua decadência, e dela somente nos lembramos.

O homem e a mulher egípcia não foram seres perfeitos, mas sabiam que havia uma ordem universal com a finalidade de organizar o universo, ou melhor, uma ordem total na qual estariam incluídos o homem e a mulher e os seres em sua volta, sem que qualquer ser racional fosse dono disso ou daquilo, nem mesmo dono ou senhor da mulher com quem ele casasse ou tivesse qualquer tipo de união.

Contudo, sabiam de seus papeis. Graças a esses conceitos praticados, todos comungavam os mesmo valores, não precisando de qualquer religião para nortear princípios humanos – a religião era respirada.

A união do homem e dos seus semelhantes está dentro dessa filosofia de vida. Em tudo que se fazia, olhava-se para essa ordem; assim, ao organizar os apetrechos do homem, a mulher não estaria trabalhando para ele, mas sim para o uno, para Deus, de forma que se religasse aquele ato com tudo. O homem se realizava, a mulher idem. Tanto que um dos papeis mais cobiçados pela mulher antiga era fazer as honras ao homem, pois este representava a ponte entre o sagrado e o profano, e fazer as honras aos deuses. Ao homem, cultivar o fogo simbólico da casa, sempre brando, puro, e ser cortês, traduzia um pouco da ordem à qual era obedecida...

E conviver sob esse manto seria o ideal de todo o homem e mulher. O filósofo estava certo, de novo...

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Convivência - a iniciação humana.

Um dia um filósofo tradicional-modernista nos disse “conviver talvez seja a parte mais difícil pela qual temos que passar”. E, com o passar de minhas experiências, ainda não tão prático quanto, contudo sempre perto de me sujeitar a defini-las, posso dizer... “Existe uma graaande verdade no que ele diz”.

Depois que me casei, pude perceber o quanto somos seres difíceis, sempre tentando defender aquilo que nos apraz, sempre. O que quer dizer isso? Significa defender apenas o que nos interessa... O homem a defender aquilo que lhe é inerente como tal, a mulher, como mulher, idem.

Assim, em um contexto maior, posso entender com mais facilidade (essa complexidade!) o que realmente nos faz perder a cabeça, a serenidade, a paciência... Tudo pelo simples fato de sermos inflexíveis ao que “somos”. Se sou homem, defendo minha ida aos bares, sou a favor das amizades femininas, das leituras, da cultura, dos diálogos informais... da beira do mar, dos quiosques... De chegar tarde sem dar satisfações a ninguém, enfim, uma série de individualidades sem caráter algum social, mas que podem transformar uma família, uma sociedade em flagelos interesseiros, a partir de um ponto – nós.

A mulher, o direito de falar de suas amigas, de sair em busca do sapato perdido – ainda que tenha milhares em casa; da bolsa nova, mesmo com três ou quatro penduradas no ‘bolseiro’, porém nenhuma parecida com a de sua amiga (!), ou com a da moda da novela...

E no plano emocional, quando o filho nasce, adeus esposo, adeus carinhos, ou mesmo a reserva deles na despensa. Ela se joga em uma vida paralela e dela não sai enquanto não descobrir um terapeuta ou uma amante do marido correndo entre os três – marido, filho e ela! Esse é um dos males em viver de interesses restritos, não sociais. Perde-se quem te escuta, quem te ama, quem sempre se inclinou a lhe fazer o bem... Perde-se o significado até mesmo na união entre os dois.

Os interesses da mãe, ao se declinar para o filho como único, desfaz o que o sagrado iniciou: a tríade. Entre os três – pai, mãe e filho – haveria de ter a harmonia sem dor, a sabedoria sem dono, o conhecimento diário, a paz que tanto se busca quando se une, e enfim, a consecução do amor... Por isso, convivência é difícil entre casais. Há sempre algo que os direciona ao caminho oposto.

Um dia, o mesmo filósofo disse “Se não há ideal entre os dois, não há união”. Hoje, temos casais unidos pela mesma crença, ideologia partidária e outras ideologias criadas dentro de uma sociedade necessitada de tudo isso. Porém, ideologias, ainda que belas ao olhar social, não enriquecem internamente – no sentido mais profundo – o ser humano. Quer dizer, tais, ainda que brilhem como estrelas, mas não modifiquem o ser humano, são apenas livretos de bancas, e mais, historietas de heróis que se corrompem facilmente...

A ideologia deve transpassar o valor social, estar acima de si mesmo, assim como o sol que se vê, todos os dias, ainda que nuvens o tapem, mas que sobrevoa o céu humano, como forma simbólica do que devemos ser – sóis a iluminar um ao outro.

Todavia, há em nosso mundo a psicologia. Mãe a qual recorremos nas horas chorosas, e que se vê como a última das saídas – pelo menos àqueles mais inclinados a ouvir outros além de padres, pastores... pais e mães sábios. Assim, a psicologia se torna dona do ser humano. O perigo se torna maior, pois acreditamos ter superado todos nossos dilemas, problemas, e todos os “emas”, até mesmo o apego à matéria (!), e recorremos ao divã, sempre que a dualidade física nos vem à alma...

Pobre de nós, pois a solução de nossos problemas estão longe a cada dia... a cada ano... enfim, somos perfuradores de cimento duro na busca de um tesouro do outro lado da terra (entenderam?). Claro que, em terrenos menores, a psicologia nos ajuda a trabalhar mais nossa consciência em relação às pessoas, e, dependendo do doutor, de nós mesmos. Essa última baseada em preceitos freudianos, lincados à psicologia modernista, nos deixa mais abertos, no entanto mais dispersos ao nosso caminho natural – o de ser um pouquinho melhor todos os dias.

Mas o convívio dentro desse parâmetro (psicológico) nos leva, na maioria das vezes, a achar que encontramos o self junguiano (C. G. Jung), mas a realidade é outra... A psicologia – seja entre casais, entre seres da mesma família, sociedade... – revela-se filha e não mãe de um problema tão maior quanto o do convívio... revela-se dona das resposta ao mundo...

Assim, graças à psicologia, a ideologia humana se desfaz. Vem aí o feminismo! A mulher se torna dona de si mesma e se torna a dona do cosmos, sem mesmo observar o sol. O homem, já machista, começa acreditar que ter amantes, amigos em botequim, amigas a qualquer preço, é algo de sua natureza divina... A ideologia se desfaz em mídias, em forma de novelas, filmes, desenhos, como resposta ao que o homem e mulher sentem um em relação ao outro...

A morte da humanidade está anunciada.


Voltamos em outro texto.


















sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Natal, puro sentimento


Fico pálido quando escrevo algo acerca dessa época maravilhosa, tão bela e cheia de paz aos homens, à natureza, à vida, ao cosmos, enfim, a tudo... É o Natal. Tão esperado quanto uma criança que vem com amor, lá de dentro do infinito da barriguinha da mamãe... Tão exotérico! Dizia um amigo meu. Tão fora do comum que chegamos sentir um aperto no peito e dar um berro de vida, Aaaaaaahhhhh!!!!, sair abraçando senhores, senhoras, crianças, todos, sem o mínimo de razão para nos atrapalhar esse ato tão incompreensível e ao mesmo tempo tão simples...

Esse é o Natal... Há muito criado para nos remeter à esperança de paz entre os homens, a fraternidade, a confraternização! Sem aquele pensamento frio e desgostoso de separatividade que nos incutam desde o inicio do ano, até o dia em que o momento é falado, lembrado e enfim executado: começam os enfeites, as lindas canções, os sorrisos sinceros, os papais noéis de todos os jeitos, e os presentes chegando, chegando... Tudo porque o Natal está vindo como um navio a atracar em nossas almas, todo o dia vinte e cinco de dezembro, a partir da meia-noite, com sua ceia, cheia de pães e vinhos, nozes, frutas e mais pães e muito mais!

A felicidade está instalada. A família se acolhe no seio do abrigo, numa mesa graaaannnde, e todos a conversar, morrendo de rir das histórias de cada um, sem malicia, e, a cada minuto, uma reflexão, uma interiorização do que se fez no ano todo, e atrás dela o pedido de perdão ao grande Deus, que sempre nos perdoa.

A alegria dói de tão grande que é o momento. Músicas, danças, abraços, brincadeiras, presentes, até mesmo aos ausentes, são distribuídos, abertos, e lá vêm mais sorrisos de surpresas! Lá vem o amigo que deixou a mãe para ver você, lá vem o irmão que faltara na festa passada, lá vem o cunhado que nunca na festa esteve; lá vem... a lembrança de quem se foi... e que sempre estará em nossos corações... Mas a alegria continua... A lua continua, as estrelas continuam... O amor em sua plenitude continua...

Não há nada que possa parar essa roda gigante chamada Natal. Ela passa por cima de todos, deixa-nos marcados no físico, no coração, mas também, como um perfume que chega, seduz a todos pela paz que se edifica nos homens de todas as espécies, até mesmo os maus homens. Tenho a certeza.

E dele, depois que se vai, ficam apenas lembranças, saudades, o gosto na boca, o sorriso, o choro, a luz de todos. Depois, só no ano que vem.

Não importa a história do Natal, se ele é comercial ou não; se empresários ganham, o vendedor, o comprador, o presidente, governador, não, não importa! O importante nessa festa majestosa é que somos mais humanos, mais quentes interiormente, por isso abrimos mais nossos corações, damos mais atenção ao próximo...ao distante. Escrevemos cartas, damos presentes de coração – seja à criança, seja ao velhinho, ao cachorrinho... sempre com lágrimas ricas de sentimento sinceros.

E para finalizar o que não se finaliza, deixo meu último conceito do Natal: é como uma brisa que nasce de uma necessidade de amar, estar próximo, ser alguém, ser melhor... Ter paz. Um ‘basta’ provisório nos conflitos, essas guerras pessoais que progridem em nossas almas e que refletem em nossos rostos...





Tenhamos um belo Natal. Sempre.





Aos homens

A Parte que nos Falta

"É ótimo ter dúvidas, mas é muito melhor respondê-las"  A sensação é de que todos te deixaram. Não há mais ninguém ao seu lado....