quinta-feira, 16 de junho de 2011

A goteira


Na maioria das vezes, quando se tem uma telha frágil, em uma casa frágil, onde os moradores relapsos, ou sem condição de cuidar de sua estrutura, deixam uma pequena goteira escapar por uma rachadura, sabemos muito bem que, se dela não cuidar, teremos uma infiltração maior, e mais tarde a casa pode ser vitima de uma enchente, e, dependendo do morador, pode-se até nela nadar, sem qualquer sentimento de culpa.


Isso serve de parâmetro para todos os nossos princípios, sejam eles sociais, familiares, científicos e filosóficos. Se no limiar de nossas vidas aprendemos e praticamos nossas experiências, sejam elas de fundo bom ou mau, estamos prontos sempre a enfrentar o que nos vem lá na frente. Contudo, nossas naturezas não são bem assim... Erramos, erramos e erramos...

Se partirmos do principio que todas nossas experiências nos valem a posteriori, tudo bem, mas a priori fica sempre pendente de quem as pratica, quem as exerce de forma séria e com vontade.

Estou me referindo à carapaça que surge em nós, depois de anos de vida. Ela poderia ser forte o bastante para que não sofrêssemos mais, ou mesmo forte o bastante para que não passássemos mais pelas virulências da vida, emocionalmente.

É, mas não é tão fácil assim. O homem se apega ao próximo, às suas dores, e, ao mesmo tempo, deixa de proteger o que aprendera no passado. Isso nos faz humanos em demasia, porém nos cria dores em excesso, medo em excesso, o que nos torna enclausurados em nós mesmos.

Precisamos ser fortes com o tempo, deixar de sermos avalanches emocionais ou simplesmente racionais em excesso. Neste último, talvez tenhamos menos dores, contudo nos faz menos humanos. A emoção nos faz humanos, mas não se pode deixar “vazar” muitas goteiras desse teto. Pois iremos sentir dores até mesmo antes do ocorrido – é o que acontece às mulheres, a maioria, ao se depararem com problemas que estão prestes a acontecer.


O racional em excesso nos traz um conforto mentiroso, pois, em nome de uma personalidade que não se interessa muito pelo próximo, o que se faz nada mais é que ficar mais racional ainda... Esse é o perigo. O racional, em excesso, nos transforma em máquinas urbanas pelas quais se passam notícias por mais desumanas que sejam e dela não tiramos nada, apenas passamos a diante como se não fosse conosco. No fundo é.

Quando acontece um acidente no qual há vitimas, muitos simplesmente se acovardam em tentar saber de suas minúcias, pois nada ali lhe interessa: “não é da minha conta” / “não foi com ninguém que conheço...”, enfim... De tanto fecharmos nossas mentes em função de experiências mal fadadas com pessoas, deixamos de perguntar pelo próximo, pelo vizinho, pelo filho do irmão, pelo próprio irmão... Aqui, a telha está fechada às goteiras, porém ficamos menos evoluídos, porque, de alguma forma, deixamos escapar outra goteira... A do desamor.


Por isso, temos que filtrar o que há de bom em nossas vidas, por mais difícil que seja. As experiências são moedas cujas faces não se anulam, muito pelo contrário, nos traduz uma realidade da qual participamos a cada segundo, e temos que levá-las ao centro de nossos princípios, como telhas fortes, firmes, feitas de estruturas indeclináveis e humanas.

A telha, firme, suportará tempestades, ciclones e até mesmo chuva de meteoros. Não deixará passar o racionalismo exacerbado, o emotivo excessivo – assim, as dores serão amenas, as lágrimas, enfim, terão duração; o coração sofrerá à medida de seu corpo, e a alma será mais humana.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

O Morador do Terceiro Andar (fim)

“A Dor Ensina”

Já dizia Sindartha Gautama, o jovem que se transformou em Buda, o iluminado. Gautama transformou-se num sábio depois de entender a relação entre nascer, crescer, morrer, entre a causa e as consequências de tudo em frente ao Todo.

Depois de buscar por meio de questionamentos acerca da vida – nascimento, crescimento, envelhecimento e morte – e não conseguindo junto a seus pares (pai, mãe, mulher...), saíra de sua mansão, de noite, e fora em busca de respostas. Assim, já no inicio, conseguira ver um senhor idoso já com a face enrugada à beira dos seus oitenta anos. Algo que jamais poderia ter visto, pois queriam (sua família) que o jovem estivesse sempre com a ideia de que o mundo era eterno, jovem e belo como ele.

Mas a alma do jovem guerreiro jamais se contentaria com aquela cena e fora embora. Depois de muitos anos, o jovem se tornou símbolo iniciático do Oriente. Tornou-se Buda, o iluminado.

Em seus escritos, ainda míticos para nós, Buda retrata a necessidade do nascimento. Para ele, nascer se tornará uma necessidade ao humano, pois temos muito que aprender com a vida, no sentido de saber quem somos nós, a partir de premissas universais, não religiosas, políticas, sociais, mas principalmente universais, as quais direcionam a humanidade e o resto dos seres.

O crescimento, sendo físico ou psicológico, daria ao homem estrutura para a consecução de seus fins internos, ou seja, espirituais. O crescimento baseia-se nas experiências por que passamos, contudo teríamos que fazê-lo hu-ma-na-men-te, o que para nós soa como se fosse um mistério. Aqui cabem nossos valores a que tanto um dia a humanidade respeitou --, ética, moral, respeito, amor... Os quais sintetizam um crescimento voltado ao sagrado, à verdadeira religião – de religare – religando o homem a Deus (ao Todo), auxiliando seu próximo, a natureza como se fosse uma obrigação semelhante ao andar do dia a dia.

A morte, pelo que me consta nos escritos budistas, também seria uma necessidade, não apenas ao humano, mas a todos os seres. A questão é apenas fática em nosso meio porque somos questionadores, sentimentais, educadores e isso nos faz ter medo daquilo que não vemos, ouvimos ou praticamos. A morte não se pratica, não se vive, mas se vê em forma de corpos decompostos sem a “alma falante”. O que traduz nossa maior indignação. Se não podemos saber para onde vai a alma, como saberemos para onde vamos?

Buda fala de reencarnação, assim como muitos antes dele. A reencarnação vem ao encontro da evolução humana na roda cármica. A cada “volta” em um corpo diferente, o homem teria que ser mais humano, até voltar a ser divino.

E quando se fala em ser humano, fala-se em ser humano pela ética universal, amor universal, moral universal, ainda que seja pela dor, paixão, vivência, dependência ao sagrado, ao Todo, não de forma branda, mas dedicada com a finalidade de ser o que sempre somos, lá no fundo de nossas almas, o morador do terceiro andar.

O Morador do Terceiro Andar (ii)

“Aquilo que não me destruir me tornará mais forte”




Mas os problemas jamais tiveram esse objetivo, todos eles têm um propósito – nos elevar para o andar de cima! Ao encontro do morador do terceiro andar! Contudo somos chorões, pedintes, mendigos mesmo do dia a dia, clamado ajuda aos céus, às pessoas, ao mundo e nos embriagamos da melhor bebida para esquecer o que nos roça a alma.

O que nos roça a alma, lá no fundo, é a vontade de entender o que passa conosco, o que somos e para onde vamos com tantos fios, teias, algemas amarrados em nós. Estes são os nossos maiores problemas, tentar entender o porquê deles. Poucos sabem, no entanto, que, a cada passo que damos e levantamos, nos tornamos mais forte, mais preparados (pelo menos metade de nossa raça!), e seguimos para o maior deles: a morte.

A morte, pela falta de respostas, hoje ainda é o maior de todos os nossos problemas, pois nos reduz a humanos! Não há por onde correr. Ela, em nossa visão, extermina todas as nossas possibilidades de sonhar, de viver o máximo que pudemos, em amar em demasia, em conseguir o que não conseguimos em vida... Enfim, ela se torna o mal ao qual temos que obedecer. Mas a morte, talvez, seja um desses mistérios os quais residem no terceiro andar, ao lado daquele morador.

Fora esse “bicho papão”, é o “não viver” que nos atormenta. A falta de algo que nos eleve a personalidade, ou mesmo de algo que nos massageie o ego, como elogios, aplausos, sorrisos, abraços etc, nos faz menor do que acreditamos ser quando pendentes estamos de energia interna.

Não podemos depender de fatores externos para ser feliz. Temos todas as ferramentas possíveis para tanto. Alguns dizem que temos deuses e demônios em nós, e realmente os temos. A questão é saber entender cada um e saberemos de pronto que, até mesmo os demônios fazem sentido em nossa alma. Claro que depende do que chamamos demônios, pois somos analfabetos nesses termos e acreditamos que são seres que se infiltram em nosso “espírito” com finalidades tremendamente terríveis.

Sócrates, o maior filósofo grego, tinha um Daimon com o qual dialogava e lhe dava direção na descoberta da verdade. Enfim, cada um entende como lhe apraz o significado de tudo. Embora, de Sócrates para cá, houve uma derrocada dos conceitos, e hoje temos preconceitos em relação a tudo, principalmente depois da demanda cristã.


A ignorância como vivência



Temos sim que citar os grandes antes de qualquer empreitada filosófica. Sócrates talvez tenha sido o maior filósofo, mas depois dele houve seu maior discípulo, Platão, que continuou sua ideologia e racionalizou conceitos que, na época, eram proibidos citar. Para tanto, usou dos mitos. Dentro deles, falou acerca da imortalidade, da Justiça, do Amor, da Verdade, da Educação dentre outros conceitos que ajudaram o Ocidente a refletir e avançar nesses conceitos ainda que não saibamos.

Acerca de nossos problemas o mestre Platão dizia que sofremos por ignorância. É claro que temos que discorrer sobre isso. No quesito, devemos entender por ignorância aquilo de que não sabemos ou daquilo que fazemos questão de não saber, em razão de nossos interesses simples ou complexos – como, por exemplo, o medo.

O medo é como se fosse uma atmosfera criada em torno de nós – de cada um – com a finalidade de nos proteger dos males (entende-se por males tudo aquilo que não queremos entender por nos fazer mal), de nossos atos, de nossos pensamentos, de nossas más educações, de nossos segredos maléficos, de nossa vida cotidiana... Enfim, o medo, nesse caso, nos protege de algo de que não se pode proteger. Essa é a maior de nossa ignorância.

Outro exemplo, tentar fazer com que nossos filhos não sofram, com doenças, com os males do mundo; o que podemos fazer, de antemão, é simplesmente minimizar tais consequências advindas de uma causa desconhecida, outra conhecida, mas sempre iremos nos perguntar “por que nossos filhos?!” a Deus. E, antes de tudo, buscar compreender que somos humanos e que, se persistimos em nada saber a respeito de nós mesmos, sempre iremos sofrer mais ainda.

A sensação de que temos uma áurea impenetrável nos faz parecer supermans (ou supergirls!) com relação a tudo que detestamos. Não adianta... Somos cegos, somos ignorantes, somos humanos. E não há nada que nos faça ver a realidade da vida a que tanto nos clama para aquela visita no terceiro andar.


Volto para finalizar...

O Morador do Terceiro Andar

Aos meus sobrinhos queridos






Hoje, em meio à pressa do dia a dia, entre atropelos de corpos em terminais rodoviários, por pessoas tão apressadas quanto o metrô, quanto o ônibus, quanto o táxi... não enxergamos as necessidade vitais das quais temos que, realmente, viver. E sob o manto do desespero em chegar a nossa casa, fazer comida, ou mesmo descansar da cara dos chefes, passamos por cima dos mais simples valores a que devíamos ter pressa em entender... O manto humano, aquele que nos aproxima mais do que somos.

O manto humano é o espírito que navega entre nós a espera de um contato elevado, assim como um morador de um andar – vamos dizer do terceiro – pedindo que alguém se manifeste em seu favor, ligando, sorrindo, ou tentando encostar seus dedos pela janela desse andar tão “alto”, a fim de que, pelo menos, percebamos sua existência.

Contudo, prosseguimos em nossa empreitada pelo descanso após o trabalho, ou pelo trabalho melhor, nos distanciando de nossas obrigações com o morador do terceiro andar. E nos intervalos da vida, nos vêm os jornais, as novelas das seis, das sete, das oito, enfim, programações e atividades que nos desviam de nossas obrigações espirituais.

Mas quais nossas obrigações espirituais? Se somos espirituais, temos apenas que ser nós mesmos. Não nos confundir com nossas debilidades! Não somos debilidades, muito menos nossas educações! Somos mais que isso. Somos um pouco do que nos guarda aquele morador, que guarda preceitos divinos desconhecidos pelo homem.

Contudo, apesar de ser no terceiro andar, parece-nos uma distância cósmica, pois no trajeto entre ele e nós possui uma série de percalços dentro dos quais podemos nos elevar ou nos degradar, depende de cada um.

Porém, se somos afastados pelas intempéries diárias, não quer dizer que devemos seguir esse empurrão para baixo, pois, dentro delas, podemos trabalhar nossa espiritualidade. Não há outra forma. O ocidental, todavia, não tem o privilégio tibetano, chinês, ou japonês, os quais já nasceram com uma força magnífica interna com possibilidades de transpassar barreiras naturais, as quais para nós seriam castigos advindos de outros planos (Deus ou Diabo); o ocidental vê infernos em tudo!

Podemos vivenciar esses “infernos”, transformando-os em pequenas obrigações naturais pelas quais temos (repito, temos) que passar. Não há outra forma de elucidar os mistérios da vida, das pessoas, dos próprios problemas, sem que seja por vias divinas – assim como não há como tentar entender o andar de cima, sem que claudiquemos nos andares inferiores.


“Nada pode acontecer ao cavalo que não seja do próprio do cavalo”.


É simples, mas somos formados pela complexidade cotidiana, em entendimentos humanos e espirituais. Para todos os sofredores, tudo que nos acontece é um castigo advindo das duas maiores entidades universais – Deus ou Diabo. Não há como escapar delas! Se algo de bom nos acontece... Deus é o “culpado”; se algo de mal... Enfim, dependendo da pessoa, grupo ou mesmo sociedade, somos especiais ou amaldiçoados!

Nada é humano, nada é para aquele que cometeu a imprudência, por menor que seja, pois não aceitamos nossas consequências ou mesmo nos lembramos das causas que assim nos fizeram débeis ou física, biológica, psicologicamente cármicos.

Há algumas de que lembramos, outras não. As que lembramos, não aceitamos. Das que não lembramos, também não aceitamos. Porém, aceitamos quando algo acontece ao vizinho, pois sabemos de cor sua vida, e, assim, o que pode lhe acontecer...

Na realidade, vivemos como pequenos observadores de vidas e de suas consequências, seja na natureza física ou, como dito, com pessoas próximas, mas não aceitamos quando ocorre conosco – aí, a ajuda divina! “Socorro, Deus!”; “Me ajude, Deus!”; “Ajude minha filha, meu filho, minha esposa, a mim...” – Assim por diante...

Tudo pode nos acontecer. Não há seres especiais. Há alguns seres (elementais, ou anjos) que tomam conta de nós até uma determinada faixa de idade, mas, depois, tchau e bênção! Mas nada pode nos ocorrer que não seja da esfera humana. Não somos cavalos, macacos, nem mesmo deuses, portanto, o que temos que fazer é nos preparar e sermos fortes, usando todas nossas ferramentas naturais, as quais já nos é dada com o decorrer de nossas experiências vitais. Por isso, por falta destas, damos uma de imaturos frente a alguns problemas, pois há alguns que realmente nos destroem!












sexta-feira, 10 de junho de 2011

Ah, como eu queria mudar o mundo!

Queria mudar o mundo, mas não posso. Dizer aos jovens que a vida não é apenas a busca de prazeres insensatos, aleatórios, quentes, físicos e suicidas. Dizer que a vida é um emaranhado de leis guiadas por uma lei maior, dessas que a gente não compreende e quando o fazemos não sabemos explicar. Dizer que o mundo não é tão ruim do ponto de vista humano, pois, ainda que sejamos os culpados pelas mazelas nele apresentadas, podemos mudá-lo, não nos mudarmos de cidade, de país ou mesmo de mundo, quando desejamos sair dessa esfera, acreditando que há outra melhor... Mas mudar nossa atitude frente a ele, ao mundo.

Dizer que somos responsáveis pelo nosso destino, mesmo quando não temos o caráter para guiá-lo. O universo não perdoa nem mesmo as crianças, pois já está inserida dentro do seu contexto, quiçá os jovens que possuem uma mentalidade mais consciente – pelo menos era pra ter – a mais que as crianças, embora haja jovens que se indignam em crescer e se transformarem em serem adultos e estacionam no tempo, assim como há alguns adultos que o fazem, e não aceitam os grisalhos, buscando sempre o comportamento da fase antecessora – a adolescência.

Claro que é uma fase maravilhosa, mas é preciso dosar as experiências de maneira que, se for tóxica, amorosa, etc, que se possa sair dela sem maiores danos. A questão é que sempre os conselhos são apenas palavras que se vão como flechas sem acertar ninguém; são fumaça que dissolvem no ar após a calada da noite, quando vem a lua e as estrelas.


As experiências são "apenas" degraus em que devemos subir sem olhar para trás senão nos apaixonamos por ele e ficamos eternamente presos àquele que deveria ser apenas um... Degrau.

Nós nos apaixonamos por tudo, menos pelas leis a que devemos obedecer. As leis, segundo a juventude, são parte de um ritual que foi feito apenas para barrar sua vivência junto aos outros jovens. Não. Não é. As leis são formas de critérios não casuais que existem pela necessidade de haver uma retidão em tudo, em todos os lugares. A exemplo disso, até mesmo as mais terroristas das organizações é obrigada a fundir leis nas quais elas a obedecem – explodindo uns aos outros. Mas não estamos nos referindo a leis criadas por homens e sim daquelas voltadas ao bom senso comum a todos, ou seja, o que é bom pra mim é bom para todos, não a lei que diz “o que é bom para mim é bom para mim”, e pronto.

Dessas leis somos obrigados a obedecer, às vezes, quando o governo nos lança taxas de juros altíssimas no mercado barrando inflações e o poder de compra da maioria, mas não de uma camada, a minoria, que não sabe o que é inflação, juros, pobreza... As leis, aqui, só existem quando querem...

Aqui, graças a essa falta de leis, a essa elite, somos obrigados a reconhecer que existem os imitadores, aqueles que se subjugam ricos, mas são pobres; se subjugam intelectuais, mas não sabem bater um prego; aqueles que vivem de tudo, mas não conseguem suportar a dor da vida.

Na juventude, os olhos brilham na certeza de que as leis funcionam, às vezes, somente para ela. E com a ajuda divina, vão a festas, bebem de tudo, se embriagam, caem nas ruas, acordam cheios de dores, e continuam na certeza de que Deus vai lhes perdoar – Gregório de Matos amaria essa juventude!


Assim, se vão os princípios dos jovens, que se enamoram pelo nada – internets, sites de relacionamentos, livros inúteis, amigos idem – e propagam suas ideias ao vento como a fumaça do cachimbo dos caciques da paz, no caso deles, dos jovens, da morte.

Isso me faz lembrar uma autora que nos dizia que, se não vivermos nossos ideais de humanidade, é como se estivéssemos mortos em vida. Então... Haja covas coletivas kkkk! Pois não se vê outra coisa senão o devaneio de seres que se julgam corretos sem ao menos viverem a prática do amor, da paz, da vida, da ética, da moral... Dessas coisinhas, sabe, que constroem impérios, mas, na falta de um deles, destroem uma civilização.

São jovens cujo brilho no rosto saltita de energia para mudar o mundo, para deslocar o eixo da terra por amor à sua pátria, e, assim, vão às ruas, marcham em favor da paz, contra os massacres coletivos, contra isso, contra aquilo, contudo, são meros seres desnorteados, sem o mínimo de educação que os faça não ser aquilo que são contra. E no futuro, lá estão outros jovens lutando pelo mesmo motivo, contra aqueles que um dia foram às ruas contra outros... Enfim, é uma cobra de duas cabeças indignada tentando entender seu rabo. Ou seja, estamos indo às ruas na tentativa de mudar a nós mesmos rs.

Haja o que houver, temos que ser frios e calculistas na consecução de nossos ideais. Não olhar para trás, ainda que estejamos lá, em forma de mãe, de pai, de filhos, de amor à pátria, de mudança do mundo... de uma educação... – pois desse mundo, não devemos nada! – temos que ser, no sentido mais literal da palavra, guerreiros! Lutar quando lutar, até o fim da batalha, auxiliando quem deve, eliminando quem deve... obedecendo quem deve, enfim, depois disso, seguir em frente, com amor à espada, ao escudo, menos à guerra, pois haverá outras, sempre, em todos os sentidos, tentando nos destruir interna e externamente – a interna é como se fosse por um vírus que nos adentra em nossa alma sem pedir, com todas suas armas, nos matando devagar, sussurrando nossos defeitos em nossos ouvidos, de maneira que, aos poucos, caímos em meio a batalha ao som de marchas fúnebres.


"É preciso muito tempo para se ser jovem"!

Como eu queria mudar o mundo!





segunda-feira, 6 de junho de 2011

(Des) Ordem do (I) Mundo

Gritos de horror, diários rasgados,
Almas quebras, confianças caladas.
Sóis escondidos, luas minguadas,
Filhos calados, mulheres chorando.

Homens sem filhos, mulheres no chão.
Gritos sem gritos, dores paradas.
Perguntas em demasia, respostas no ar.
Amores imperfeitos, traições, canções,

Pedras, muros, fogo!
Amor em desamor, paixões mortas.
Duelo de palavras... Adeus!

E me veio a educação reinar,
Como filha da alma distante,
Que me viera como errante,
Em minha casa sossegar.

O fogo ficara brando em adeus,
Coração quebrado tal vidro,
E nas dores sem amigo,
Fiquei em criança ao lado teu.

Ainda há cinzas a se apagar,
Dos fogos que criei,
Da paixão que nem sei,
Da guerra que não há.

Se morri em vida não sei,
Mas vegeto sem aquele olhar,
Que me dera razões para uma guerra,
Poque dela fiquei cego de amar.

Batalhas, escudos...



Eu sempre sonhei em minha vida, um dia, ser agricultor. Um desses caras que levantam cedo, vão para a agricultura cultivar seu alimento e do próximo. Mas, a partir de disciplinas que me deram hoje, talvez eu acordasse tarde e a terra ficasse sem os devidos cuidados para receber a semente... E a semente, esta tão importante quanto à terra, levaria tempo demais para ser o que deveria ser – um grão de arroz, de feijão, melancia... Ou seja, o que tenho hoje, como ferramentas para lidar com a agricultura, far-me-ia morrer de fome e ao próximo.

Tudo isso claro foi exposto de maneira óbvia com a finalidade de mostrar o não óbvio: uma metáfora por trás de tudo, demonstrando parte do que devo ou não devo ser como humano, quando regado um projeto, um ideal, seja ele físico, mental, psicológico, e é claro, espiritual. Este último é o mais difícil a nós, que sempre o confundimos até mesmo o físico com o espiritual; o emocional com o físico, e o psicológico também com o espiritual...

Nada melhor do que nos informar acerca do que cada parte representa. No material, ou físico, um exemplo a ser dado é aquele que, ao correr uma maratona, precisamos nos preparar durante anos, pois, a depender do físico, que pode possuir determinadas dificuldades em subidas ou descidas, pode sentir câimbras ou dores enormes, e parar no meio do trajeto, por isso a necessidade de treinar.

No emocional, temos que ser fortes. O guerreiro espartano era sujeito a experiências terríveis que o faziam desistir, mas a maioria deles não só conseguia como também levavam para a guerra e praticavam em plena batalha. Era mais ou menos assim: não se podia, na treino, que era, às vezes mais forte a luta do quem em qualquer campo, deixar cair o escudo – símbolo de resguardo do companheiro, do próximo, daquele que poderia salvar a batalha. Então, sob gritos e socos de generais, o pretendente guerreiro – que não comia há dias – sucumbia ou partia para cima do “inimigo” com virulência, sem que o escudo caísse. Caindo, era sujeito a pontapés, ou mesmo a chibatadas até a morte.

O campo emocional do guerreiro, nesse caso, deveria se conter com os berros, com os socos, com as dores, de maneira a traduzir quase uma iniciação prévia à batalha. Ao contrário do nosso emocional, voltado às paixões, aos nossos interesses materiais, as quais não passaram por nenhuma educação para a “batalha” da vida, que nos traz experiências nas quais sucumbimos ou heroicamente sobrevivemos.

Justamente por não termos essa sorte espartana em lidar com nosso físico, com o emocional e quiçá espiritual, partimos para a vida desarmados. Aqui, dentro dela, somos crianças que só sabem o nome do pai e da mãe, clamamos a Deus a todo instante, chorando e chorando...

Assim, quando a situação nos toma, ficamos presos como gorilas em zoológicos, com fome e cansados de gritar e sermos incompreendidos. Ou, às vezes, sabemos lidar com a situação, tentando levá-la à mente, preparando até mesmo o físico (pois ele sofre com tudo), sorrindo a tudo, entendendo que tudo aquilo porque se passa é uma esfera passageira, não um monstro, ou mesmo inferno. É simplesmente a falta de experiência.

Assim, passando pela intempérie, intuindo, podemos passar por batalhas diversas, nas quais o guerreiro principal, nós, se eleva com as pancadas, com os socos, desvia das flechas, das balas, enfim, dentro de nossa capacidade, vencemos nossa guerra.

No espiritual, após o físico, astral, emocional, todos os tipos de experiências pelas quais passamos, se tornam meramente brisas, quando estamos voltados ao espiritual. Aqui, é difícil de falar, pois me faltam experiências e me sobram opiniões.

O espírito não depende de nada, pois ele é o que é. Todas as nossas experiências passadas, presentes e futuras vão para ele, apenas para ele, porque ele é o ponto principal onde todas elas se unem – como várias retas diferentes que, no final, encontram.

E o físico, voltado ao espiritual, sente, mas segue adiante como se nada houvesse nele; e o astral se funde com o emocional forjando espadas em experiências pequenas, médias e enfim grandes, para serem fortes o bastante para se reconhecer como elo entre o homem e Deus.

No espiritual temos a compreensão da vida, das pessoas, de tudo – até mesmo das batalhas porque passamos. Todas elas, no fundo são formas naturais de vidas que, sintéticas, nos mostram o quanto somos sem conhecimento, sem amor, sem nossos princípios, os quais deviam ser forjados desde a infância, tal qual qualquer guerreiro.

Ainda, nesse elemento – opinando, claro – olhamos de cima, como do alto de uma pirâmide (e dentro de nós), e vivenciamos a razão de tudo que nos cerca.

A Parte que nos Falta

"É ótimo ter dúvidas, mas é muito melhor respondê-las"  A sensação é de que todos te deixaram. Não há mais ninguém ao seu lado....