sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Um Mundo Melhor para o Meu Filho (fim).

... E nele reflito, depois de tanto horror: será que foi uma boa ideia trazer um filho ao mundo? Será que, mesmo dando toda educação que proponho, vale à pena, sacrificar-se, amar, envelhecer em nome de uma educação de que ele – meu filho – será vitima? Será que somos obrigados a sentir medo de um mundo que não nos oferece – aos menos financeiramente beneficiados – algo melhor?

Acredito que todos sentem o mesmo medo, a mesma dor na alma, apenas em passar pelo mínimo do que foi dito. Não precisa ser precário financeiramente para que se passe por dificuldades com o filho. Os jornais estão lotados de crianças e adolescentes que se infiltraram em quadrilhas, em bandos, em corredores da morte (becos de viciados), e que, na maioria das vezes, são educados em colégios particulares, caindo por terra a grande educação dos grandes colégios.

Mas será que o grande problema do mundo é a educação? Ou reeducação? Um dos pilares básicos, talvez. O que nos falta é apenas uma palavra: humanidade. Sem esta, não nos resta mais nada, nem mesmo um mundo, apenas um grande planeta chamado Terra, azul, com relevos belos de terra, e com uma grande bola iluminada pelo sol, rondando-o incansavelmente... A lua. Não nos resta mais nada, somente seres estranhos, diferentes, na luta árdua pelo bem estar de suas crias, interesses coletivos ou não, perdidos entre a dualidade humana e animal.

A questão é: ter um mundo melhor baseado em premissas modernas do tipo: ter um partido, ter uma religião, ter uma família, ter um emprego, ter uma casa com carro (s) na garagem... Chega a ser fruto de um pensamento que não conheceu o real motivo de está aqui, vivo, trabalhando, vivendo em prol de algo, de alguém ou alguéns.

Não que devamos pensar o contrário. É nobre, e chega a ser belo ser partidário de algo que valha à pena viver, mas ter um partido, tal quais esses que se julgam políticos, não vale à pena. Ter um partido é diferente de ser partidário de causas nobres, heroicas, éticas, morais... Ter partido é ter uma forma de pensar sem levar o pensamento humano em questão, é retaliar as opiniões do povo, é restringir um universo de ideias, é sabotar o que foi escrito na história e escrever outra, apagando a primeira.

E família? Ter família é tão natural quanto respirar, contudo, quando se tem um ideal nobre, a própria família tem um conceito diferente do primeiro – e este é tão universal quanto qualquer forma de espaço. Assim trabalhavam os romanos. Toda Roma era considerada uma família, com propósitos idênticos, com ideais fortes de reformar o mundo em algo romano, ou seja, civilizado e sábio, como a familia romana. A nossa atual não tem ideais sábios. O mundo, idem.

Outro ponto visto como polêmico é o da religião. Ter religião, da maneira como hoje somos? É melhor que chamemos isso de outra coisa, menos religião. O seu conceito tradicional, os seus ritos, os respeitos aos símbolos, nada mais se fala, apenas se embrulha em papéis de presente, enfeita-se prateleiras, altares, enfim... Acabou. Assim como a política, a religião virou um jogo no qual se fala em Deus ou demônios apenas para a sobrevivência capital de poucos.

A questão empregatícia é relevante, em vários aspectos. Contudo, não podemos nos prender a máximas que nos dizem que o trabalho (o emprego) dignifica o homem. Tudo, se possível, dignifica o homem quando feito com a alma voltada ao céu, ao amor, à beleza, à bondade – assim o digam as ONGs nas quais voluntários trabalham em prol de favelas, de doentes, em campos isolados do resto do mundo, em florestas, etc.

Ter emprego é bom, mas o trabalho do homem não termina nunca, desde a hora em que sai de casa, até a hora em que dorme, seus pensamentos e atos poderiam estar voltados à humanidade, contudo, se não, ao bem do próximo que se encontra ali, pertinho dele – uma creche, uma escola de cegos, uma instituição de caridade... Enfim, há várias opções. Com o tempo, a família pode crescer... rs.

Mas o mundo civilizado, para não dizer hipócrita, é mentiroso. Devemos, assim, correr em direção a um norte, ou mesmo um caminho por onde poucos passaram: a filosofia clássica. Desenvolver um caminho dentro de si, baseado em premissas tradicionais, dentro das quais homens sábios passaram, viveram e até hoje ressoam como vozes em uma sala vazia. Vozes que nos elevam o coração, a mente, e nos fazem realmente sonhar com um mundo melhor, aqui, mesmo com todos os homens que ainda não conhecem sua real grandeza.

A filosofia clássica, e seus mestres, traduz o que de mais belo se buscou na humanidade, matando os monstros do labirinto (os nossos monstros!), voando como Dédalo, longe das mazelas humanas (indo atrás de nossos objetivos!); indo ao Hades e voltando como herói na pele de Hermes (passando pelos males da vida sorrindo!); guerreando contra si mesmo, tal qual Aquiles, em Troia (a busca da identidade!), e respeitando todo universo como Heitor, filho de Paris (encontrando Deus em tudo!). Amando a si mesmo como Narciso, porém, descobrindo que a beleza é algo universal, não material (adeus egoísmo!).

E nela, pode-se gritar por liberdade, como heróis que nasceram para se dar ao povo, ainda que a morte estivesse iminente. Pode-se lutar como Marte, em nome dos deuses (os nossos!), criar instrumentos de aço, como Vulcano, e como um vingador, cortar o mal pela raiz (o nosso mal) !

Podemos viver os mitos, pois nos falam aos ouvidos, como pais fortes e sábios, que são. Podemos intuir o mundo em que vivemos, mas podemos trabalhar outro externamente, como um leão que luta para sair da cria das hienas, e não consegue entender o porquê de sua coragem no passado em meio a um bando medroso.

Essa coragem – de coração – pode ser convertida em busca de identidade, busca de entender sua personalidade, que há muito pede para ser o que, no fundo, somos: humanos, e não bonecos manipuláveis dentro de governos que passam e nos esmagam, depois de conseguir o que querem, e quando não conseguem a totalidade do seu interesse, voltam e nos erguem com falácias macias.

Depois de tudo que foi dito, a única forma de construir um mundo melhor é nos basear em premissas que nos levem à verdade. E a verdade, apesar de ser inalcançável, pode nos dar um pouco de sua sombra quando a temos em mente, o que já é o suficiente para entender que sistemas corrompem, esmagam, humilham e manipulam sociedades, nas quais poucos sem caráter ascendem financeiramente em nome de muitos, o povo, o qual nasce, cresce, vive, e morre na esperança de uma boa educação aos filhos, a si mesmo, ad eternum! Esquecendo-se dos reais valores que um dia foram queimados na fogueira do poder.

Porém, ao se deparar com as vias estreitas da própria manipulação, a qual se revela em leis que só funcionam para o seu próprio maltrato, o povo fica desolado em busca de algo que o ilumine, descanso e paz... Daí, a necessidade das leis cristãs, que o levam a um suposto Deus, criado apenas para confortar, dar carinho, casa, carros, pois o governo não ajuda! Rs, daí vem o declínio do homem que não se indigna com os governos, com o mundo, e se revela passivo de receber as dores pelas quais seu passado o ensinou ter. Diferente do romano, do grego, do persa, do hicso, do egípcio, que um dia guerrearam por uma sociedade e mundo melhor.

Eu quero um mundo melhor para o meu filho, mas que este seja o mundo, e que seja melhor com pessoas, com humanos, não animais com duas pernas, que enganam, matam, genocidam... Quero a oportunidade gêmea, sem cotas, mas aquela que nos diz nas entrelinhas que ele deve usar da própria vontade para subir onde quer que ele queira.

Ter o poder de escolher com maturidade seu caminho, não sendo enganado por redes televisivas, revistas, jornais, mídias totais. Quero um mundo no qual ele possa ouvir os pais antes de se jogar no abismo das navegações em sites, quero que ele trabalhe, colha fruto deste, que seja um adolescente que ama a história, que leia acerca dos antigos heróis, que se aqueça na fogueira das grandes histórias, saídas das palavras dos mestres.

Quero meu filho forte em todos os sentidos, num mundo que lhe dará mais forças ainda para entender o sofrimento do próximo, e, ao mesmo tempo, amá-lo, por ser humano, não porque “Jesus” o quer. Mas porque somos humanos, e pretendemos lutar até o fim por nós, em busca do que nos retiraram no passado: a Justiça, a Verdade, a Beleza e o Amor.

E assim, peregrino pelo mundo no qual meu filho se formará e se tornará um grande homem respeitando e amando todos os valores que um dia a nós nos foi legado.



A Pedro Achilles


quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Um Mundo Melhor para Meu Filho



Ao chegar ao trabalho, ligo meu computador. Nele, depois da bendita senha, aparece-me o papel de parede: a terra pendurada no grande espaço pelos fios invisíveis da gravidade, e, em torno dela, seu satélite natural, a lua. Como fico vislumbrado com a cena! Uma bola azul, com terras em relevo, habitada por bilhões de pessoas de todos os níveis, de todas as esferas, e tipos! Como somos muitos, meu Deus! E, de presente, um ser mais belo ainda rondando, porém, menor, brincando em torno do grande planeta, como se fosse uma filha eterna, brincando com a mamãe... Na realidade, a lua é mais velha do que a terra.

Mas não venho com o propósito de levar a todos informações poéticas ou científicas acerca do que a terra é ou não. Gostaria muito, no entanto, vem-me mais a vontade de trazer à tona meus pensamentos acerca dos homens, os quais estão sendo responsáveis pela deterioração das sociedades e do próprio mundo, e da humanidade...

Tudo se inicia quando saio de casa, e vejo pessoas comuns jogando lixo fora do ônibus, ou antes disso, vejo paradas de ônibus lotadas de entulhos da noite anterior, na qual pedintes aproveitam para fazer no público o que se faz no privativo, e nós, seres que almejam uma sociedade limpa e consciente, nos deparamos com o odor do lixo, das fezes, às vezes, do próprio homem jogado em meio ao que ele mesmo chama de morada.

E passando pelos lugares mais simples, percebo que somos complacentes com o que passamos e choramos. Em rodoviárias, crianças correm de um lado para outro, com vidros de cola (de sapateiro!) ao ar livre como se estivéssemos no apocalipse, a observar a destruição, sem fazermos absolutamente nada! Essa criança, talvez, seja fruto de uma educação esmerada no interesse de poucos, os quais se alojam em suas casas e, com certeza, estão dizendo “ O ser humano é complicado!...”.

Não menos longe do que isso, pessoas de todos os níveis agarram-se em suas bolsas como se fossem suas vidas ou filhas, presas embaixo dos braços. Os homens, sem o medo aparente, observam e sorriem pelo ato ou se preparam para uma luta corporal caso necessário for, com uma criança, com um jovem ou mesmo uma menina com intenções terceiras.

Mais acima, no shopping, o policial, fardado até o nariz, torce para que nada ocorra fora do costume: sem correria atrás de jovens que levam mercadorias sem pagar, de senhoras que “esquecem” o cartão em casa e levam blusas, vestidos escondidos em suas grandes bolsas de passeio, enfim, o policial, mais inseguro e despreparado que crianças em sua primeira visita à creche, percebe que seu potencial não vai além de sorrir ao público e dar informações.


Não sei até que ponto, mas a insegurança tomou conta dos olhos, do corpo, e, antes de tudo, de nossa mente, graças ao quesito educação, pela qual a maioria dos homens de bem luta fervorosamente a fim de que se concretize e realize ante nossos olhos e mentes. Porém, o que se vê são disputas, são jogos, são formas de manipulação de ideias; são racionalidades voltadas a desculpas pelo grande ministro que roubou milhões, pelos juros que devem ser altos, pelas algemas que foram colocadas no graúdo que foi preso... A educação não existe.

O que se vê é uma educação genocida de gerações que amam seus pais, contudo, são obrigadas a ter ódio destes por não possuírem, em casa, seu computador, seu carro, sua internet, e, quando o tem, não sabem se direcionar em uma pesquisa, em diálogos, em amizades, mas destruírem-se em sites de relacionamentos, que são ferramentas duais, mas que, até hoje, ninguém as educou para tanto.

E assim, prossegue o pai, na tentativa de aprender o que significa internet, donlowad, Java, etc, apenas para se infiltrar no novo mundo... Aonde vamos? E pra quê? A incredulidade nasce graças a uma educação suicida, a qual abastece os lares de dor, quando o jovem se vê longe de encontrar alguém para um diálogo maduro e sensato, o que não acontece.

E continuo em minha caminhada, e leio os jornais... Não sei se os jornais são frios o bastante, mas o que percebo é que notícias descalabrosas estão sendo veiculadas como em concursos nos quais quem as divulga se sente honrado em levar o pior, o triste, o horrendo ao expectador, mas, sendo o primeiro a fazê-lo, leva a melhor: a audiência, a melhor critica, o melhor texto... Enfim, as mortes, as dores, o sofrimento humano estão se tornando manchetes não pelo fato de serem o que são – aberradores e tristes por natureza e que deveriam ser reflexos para uma sociedade decadente, e não pontes para a hipocrisia de muitos que querem se erguer com tudo que é triste.

Não apenas por isso. Percebo, no olhar das pessoas por que passo, que não sabemos mais refletir. Quando acontece algo em um país corrupto, muitos se deliciam, se elevam, deixando o fel nas palavras propiciando mais dores involuntárias àqueles que não têm nada a ver com o problema naquele país. E em países grandes cuja economia desacelera, ou mesmo há o principio de queda em suas finanças, há grupos que acreditam que tal problema deveria ter ocorrido de forma merecida, desconhecendo a história do país em questão.

E quando há noticias que se referem à prisão de homens que por milênios foram responsáveis por genocídios coletivos, e que sua história era construída pelo mal que fizera, tenho mais medo ainda: há seres que participam da história, apoiando o ditador, revelando uma humanidade em crise de identidade... Pois não se apoia democrata, anarquista, comunista que se firmaram nas costas de seres inocentes; não se apoia o grande vereador, governador ou presidente que ergueu, por meio ilícitos, pontes, edifícios, estradas, e que, em sua trajetória, um dia, fez “algo” pelo seu povo, muito menos um ditador!

O povo, em si, não merece falsos governos, penso. No entanto, enquanto houver sistemas que os fazem reeleger-se, haverá sempre a falácia de que “quem um dia fez algo pelo povo, pode assaltá-lo, roubá-lo, assassiná-lo da mesma forma”, ou mesmo outra falácia que virou cultura em países de terceiro mundo: “Eu roubei, mas eu peço perdão em público; eu roubei, mas eu reconheço que sou culpado”. O mesmo sistema vai criando uma cultura de isolamento e humilhação, na mesma proporção dos sistemas eleitorais democráticos, que se subjugam os melhores.


Folheio os jornais e percebo que o estrago é maior. Uma foto de um urso polar solitário, em cima de um pequeno iceberg, em meio a uma antiga geleira que fora no passado, não muito remoto, um grande tapete de gelo... E a exposição continua: fotos de lixos nas ruas, “enfeitando” cidades grandes, além do trânsito caótico, dos cartazes de candidatos que não os retiram nem com rezas fortes, poluindo, desde as eleições, a modernidade cruel dos edifícios – ninguém sabe o que é pior!

E minha caminhada pelo mundo de meu Deus continua.

Volto no próximo texto...

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Dia dos Homens-Pais (final).

O meu futuro, na realidade, modificou em todos os sentidos após seu nascimento. Todos os dias eu me olhava no espelho acreditando ter mudado algo – tipo cabelo, físico, aparência em geral, os quais mudariam com o tempo, mas não tão rápido. Mudaria meu comportamento frente à vida, frente aos meus amigos, família, etc. E mudou.
Pedro Achilles, três anos depois

E percebi, ao poucos, essa transição. A principio nós nos confundimos acerca do que é mudança. Acreditamos que ela vem com o tempo, pode ser, mas comigo não foi assim. Após o nascimento do bambino, logo eu que o filmei, logo eu que fui o primeiro a pegá-lo no colo... Tive uma brusca mudança, que, por sua vez, me fez mais velho, porém mais forte, ao mesmo tempo, mais jovem...

A outros, no entanto, leva tempo para cair a ficha, que é o caso de vários que conheço, e não pretendo citar nomes, mesmo porque faz parte de uma realidade porque passamos, e ao passo somamos, mas não levamos ao nosso consciente por diversas razões. Uma delas é vinda da criança em uma época difícil; outra, a falta de recursos para criá-la, e mais uma, a dúvida da “eternidade” com a parceira...

Há vários motivos que nos fazem repensar nossas obrigações como ser humanos, e como pai então... Nem se fale! Para este último, não tem volta. Ao vir o filho nascendo, não há o dizer “pode empurrar pra dentro que mudei de ideia!”... Contudo, muitos recorrem a outros meios, como deixá-los em portas de casas alheias, em quintais, em fossas, em lixos... Como “solução” simples e ao mesmo tempo monstruosas.

Graças à minha educação, sempre compartilhei o bem junto aos meus familiares e amigos, e sempre repudiei atos monstruosos seja em qualquer nível, com crianças ou não, com seres merecedores ou não. Acredito na Justiça como um todo e dela não abro mão. O ser humano, por mais complexo que seja, se mostra ingênuo em atos indizíveis, ignóbeis, mas que, ao mesmo tempo, nos traz a certeza de que é criança em tudo que faz – e a ignorância comprova isso.

A nossa ignorância se torna um ser à parte quando nos aparecem experiências diferentes e ao passo difíceis. Assim, caminha a vida e a certeza de vários jovens que vegetam criando filhos no ódio. Há muitos, no entanto, que assumem; contudo perdem a beleza de passar por experiências que poderiam movimentar seu futuro e quem sabe pensar em algo mais concreto, mais viável à sua vida, ao chegar a maturidade..

Eu, hoje, como pai, tive a força de me segurar para que não houvesse precipitações na juventude. Foi indizível. Por ser filho de pioneiros que não tiveram educação sexual, poderia eu, muito bem, ter “sujado” a minha ficha, todavia, estudei, li muito, e fiz o que deveria fazer um homem que raciocina a respeito de seu futuro... Eu esperei que “a folha caísse” e me desse a hora de colher o fruto.

Mesmo longe de ter a idade propicia para ser um pai – a qual talvez fosse de trinta anos --, me orgulho de ser um emblemático que chegou na hora certa da vida para dizer que está preparado para tudo. E ser pai.


Meu futuro é agora, e dele pretendo usufruir. E agora, mais do que um homem que cuidou dos sobrinhos, da mãe e dos irmãos, sou pai, sou esposo, sou marido de uma bela mulher e pai de um filho tão belo quanto. E na certeza de educá-lo acima do que eu fui, levá-lo o que não me chegou – a cultura mais cedo, o respeito à tradição mais cedo, o respeito às pessoas por sua historia, e à própria História, que nos legou épocas douradas, valores pelos quais lutaram os grandes heróis, e destes que, um dia, foram nossos pais. Levar ao meu filho a hereditariedade, porque em tudo há: na natureza, nos grupos, na sociedade, na família, toda ela baseada no grande universo.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Dia dos Homens-Pais


Pedro Achilles e a mãe: presentes.



O BENDITO CACHORRO QUENTE

Há uns três anos e meio, minha esposa tinha o pensamento de não ter filhos. Eu, um afoito homem de meia idade – não sei o que significa “meia idade” rs, rs --, pedia aos deuses o contrário dela, ainda que ela não quisesse – até parece que o moleque viria sem a concessão dela rs, rs.; minha esposa estaria, na época (e ainda está), preocupada com concursos, estabilidades, plano de saúde, salário, coisinhas desse tipo, sabe?..

Mas nós homens sabemos que, no limiar de nossas vidas, precisamos de herdeiros. Um dia um grande amigo me disse “não sei se a reencarnação existe, Regis, mas, se quero perpetuar minha espécie, prefiro um filho rs”, disse ele, sorrindo.

Não pelo que ele pensou, mas sim por saber o que eu sentiria, o que passaria, ou o que colheria educando, além de meus sobrinhos, um alguém especial pelo qual eu poderia realmente me preocupar e me sentir completo – ou melhor, ser pai de verdade. Quanto à minha mulher, perdão a ela, eu não quero ou queria ser egoísta.

Eu, um funcionário público concursado, já me sinto realizado. Cuidei de minha mãe, construí a casa dela; em boa parte da vida, ensinei meus irmãos, os ajudei em tarefas escolares; dos meus sobrinhos, tenho o respeito deles, a admiração, mas ainda me falta a grande admiração a que persigo desde o dia em que amadureci meus neurônios: a admiração do meu filho.

Acredito que há uma fase em que queremos ser super-heróis, e somos sempre. Um alguém para dialogar acerca de filosofias futuras, não sei... Mas ser herói particular de alguém vinte e quatro horas por dia! Meu Deus, que responsa! Nem mesmo o superman teria essa capacidade, pois sei que ele descansa longe dos olhos dos mortais, ao contrário do pai real, que não descansa nem quando está descansando! rs rs.

Há três anos exatos eu diria, tinha eu a mania louca de comer cachorro-quente, e minha querida mulher, não sei por quê, começou a comer também, de maneira que eu e ela não entendíamos a causa daquilo. Eu preferia pensar que ela estivesse louca também rs, o que não era um bom pensamento, porque já bastava um no casal.

Assim, um dia, passando por um bairro chamado Asa Norte, aqui em Brasília, passamos por um vendedor de cachorros-quentes cuja estrutura era de chorar (no bom sentido, claro), e então fomos... comemos... sorrimos.. E depois..

Passado um dia após do cachorro, minha esposa começara a se sentir mal. E eu, na esperança de ter esperança, fiquei ansioso, aflito, correndo para um lado e para o outro... E acabei levando-a para o hospital. Era um sentimento de estranheza. Como eu disse, por ela, não haveria filho tão cedo, o que gerava um sentimento de discórdia e intriga entre nós. E, no hospital, tal sentimento se desfizera quando a enfermeira – loiraça! –, fora me chamar para ver o estado de minha eposa-pós-cachorro-quente: quase desmaiei!

Com a barriga de fora, com o vestido aquém-umbigo, minha esposa ria bela como nunca sob uma luz fraca, e na sua frente uma minitv mostrando um ser “esotérico” a se mexer no vídeo... Tudo isso porque a médica, mais sorridente ainda, passava-lhe um aparelho sobre seu ventre, e dizia “olha o cachorro-quente, gente! rsrs”.

O futuro da espécie humana havia se modificado ali, naquele dia.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Espelhos no Parque

Um dia me disseram que Deus era o reflexo nosso em vários espelhos. Foi uma professora de literatura que queria abreviar o assunto antes de criar polemica sobre este, quando disseram que Deus era isso... Deus era aquilo. Então, com louvor, ela foi sucinta, “Sabe aqueles parques de diversão, vocês já entraram nas Salas dos Espelhos? Senão, vou dizer-lhes, olha, gente, Deus é aquelas imagens tortas, retas, finas, grossas, pequenas, grandes... Que são refletidas a partir de nosso corpo! Deus tem várias faces”, fechou.

Fora uma cachoeira em cima de um questionador que se viu saciado involuntariamente por não ter que prolongar sua tese não acadêmico-religiosa a uma professora cuja experiência em matar polêmica não era infantil. Era mortal.

Em tese, podemos dizer que a grande professora estava correta. Ela suscitou a simbologia antiga, e o aluno, por isso, não compreendeu. A mestra levou em consideração o que se ensinavam na Índia antiga, na qual várias crenças foram baseadas nesse principio, o de que todos os deuses vêm de um só. E todos estes possuem características adversas, mas todos eles são voltados a uma só essência, ao caráter humano voltado à sacralidade, ao Ser.

Não somente na Índia, quando Ariavarta, mas também nas antigas filosofias Maias, Incas e Astecas, nas quais deuses eram representados pelos sacerdotes que vivenciavam toda a crença no dia a dia, através da astrologia, dos rituais, das construções... Hoje, claro, incompreensível ao sacerdote moderno, que antropomorfizou os tempos e os deuses.

No próprio Egito, quando diziam que tudo era sagrado, falavam das mínimas pedras, ao último ser invisível os quais representados em forma concreta, ou não, tinham em sua essência um pouco de Deus.

O espelho no parque simboliza, de alguma forma, essa parte histórica das grandes nações, nas quais se acreditavam, se praticavam e dela viviam como seres que amavam e que se diziam imortais pelo que faziam – e faziam muito.

O homem, quando representado na figura que reflete todas as imagens, nos proporciona pensamentos que nos direciona a um mundo, ainda que fora do alcance do passado, mais intuitivo, mais pensante, no sentido de rever nossos conceitos acerca de Deus. Pois, hoje, precisa-se dizer que a palavra Deus está perdida em meio a religiões meio egoístas, pois se apoderaram dela, criaram características fora do que ela representa, e a transformaram em um ser com tendências humanas, como a um homem a perdoar, a sentir, a ser misericordioso, a ser louvado, sem cessar; a ser buscado nas orações de modo a igualar-se a um pai grande e comum, nos dando tudo que pedimos...

A palavra Deus, hoje, a ser colocada ante aos espelhos do parque, transfere suas imagens gradativas em cada uma das religiões, ou mesmo em cada ser humano, que O vê como quer, como quiser... Na antiguidade, isso se chamava ignorância. Hoje, dá-se o nome de “normalidade...”

Antes, as imagens refletidas por Deus eram a própria Natureza, sendo ela má ou não – tanto que na Tríade egípcia havia o deus Seth, visto como a parte “negra dos deuses”, o qual retalhara Osíris e o fez, mais tarde, ser o Deus da Vida e da Morte. Também havia, na filosofia grega o deus “Hades”, que não era pronunciado pelos habitantes daquele país, pelo fato de que, segundo o mito, Hades traíra Zeus e queria tomar o mundo. Claro que a simbologia perfeita nos diz que Deus está em tudo... E por que não estaria no homem?

Então ficamos com Heráclito, filósofo grego, que dizia... “Deus é riqueza, é pobreza, é paz, é guerra, é amor, é ódio...”.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Nilos Ocultos

...Engraçado, bem que me parece um diário esse blog!...

Hoje, escrevo não com a pena da galhofa, como sempre!, mas com o coração de um menino que singra os mares bravios longe dos pais biológicos em busca dos grandes pais espirituais, os quais, como árvores e frutos, nos esperam em algum lugar da vida...

Filósofos na área
Depois de muito tempo longe da Escola de Filosofia – há mais de dois anos – pude rever, abraçar meus amigos, sorrir com eles e curtir uma das mais belas palestras já vistas. O que era para ser uma micropalestra, aos nossos olhos, se tornou um dos grandes momentos àqueles que se abrigam na grande alma da tradição.

Fernando Schwars, antropólogo, educador, filósofo, escritor etc, e muito mais, veio da França, lugar em que possui uma Escola de Filosofia da qual é diretor, para lançar seu livro “Egito Invisível’. Ali, frente a um auditório com mais trezentos filósofos (!) ou mais, o senhor de aparência sábia sentou-se a espera, com parcimônia, do inicio dos lisonjeios a sua pessoa, de um outro mestre que, sentado ao lado daquele, seria o “tradutor possível” do “portunhol” que saia calmo e audível a todos...

Não foi necessário traduzir a beleza da palestra que mais parecia uma oração ao grande Egito Antigo.

Schwars sentiu que poderia ficar à vontade, mas sabia que o “à vontade” poderia lhe servir de ônus mais tarde, por isso caprichou, iniciando suas falas se referindo ao invisível em nós: a emoção, a paixão, os desejos, os quais seriam o inicio do que ainda é válido, pois são advindos da alma.

Assim, nesse caminho, o filósofo nos colocou a necessidade de entender a tradição egípcia quando se referiam aos mitos, ao seu invisivel: “É necessário entender a morte para compreender a Vida”, disse ele, que, em uma breve máxima, expôs o pensamento daquele pais, o qual sempre fora visto pelos antigos como o reflexo do céu na terra.

E nesse mesmo contexto, abriu nossos pensamentos ao falar de Osíris, aquele que fora morto por Seth, e ressuscitado pela esposa-irmã, Isis, o qual não era apenas um ser que foi despedaçado pelo irmão, mas uma simbologia natural da Morte, da Vida, da união e da Harmonia entre os seres. E nesse mesmo contexto, discorreu acerca de Maat, uma deusa de asas abertas, representada, na maioria das vezes com uma pena de avestruz, a qual simbolizava a Disciplina, a Ordem, e como ele mesmo apregoou “a solidariedade” entre os seres...



O mais claro ficou sobre a deusa foi quando o mestre claudicou em seu espanhol, mas elucidou o seu mito, quando Maat espera o morto no céu e, como uma balança, pesa o coração do homem, no prato, e no outro a pena da Justiça...

Para muitos, a simbologia se resume em pesar o coração do morto e pronto. Já que a pena da Justiça seria a mais leve, com certeza, reencarnaria a criatura que jurou em falso, no inicio, e por isso sendo condenada a vários carmas, além do próprio...

Schwars disse apenas uma frase, “se teu coração está pesado, você não está em equilíbrio, portanto você não está em Maat”, resumiu. Depois disso, a simbologia profunda se tornou tão compreensível quanto o nascimento de uma criança. O filósofo sabia o que falava.

Fernando Schwars, o Nilo em pessoa.

Hoje, sabemos que o Egito está tão depredado quanto qualquer muro, contudo os egípcios clássicos sabiam disso, que tudo isso aconteceria com o tempo, mesmo porque seus trabalhos não eram voltados à pedra, a altura de seus templos, mas à formação do caráter humano, o que os fez trabalhar em função dos deuses com afinco; e mais, acreditavam que a parte oculta, a da harmonia entre os seres, a organização na agricultura, a astrologia, a ligação com o celeste era deveras importante; mais que isso, era natural.

Sabiam que o Nilo, grande rio responsável pelo bem estar daquele povo, teria que ser canalizado de forma que houvesse encanamentos fortes, os quais até hoje, de alguma forma, idealizaram o atual Egito na consecução de suas construções modernas.

Contudo, ressaltando, não era um trabalho a esmo, por necessidade concreta, mas espiritual, do qual retiravam seu alimento, tanto externo quanto interno, a bem-aventurança e, quem sabe, a subsistência milenar deste povo. E o era, tanto que tribos, clãs de vários povos foram reconhecidos à época como povos que se harmonizavam com o maior império de todos os tempos. Não há maior prova de amor do que essa.

O amor à deusa Maat, talvez, seja o principio de tudo isso, pois sabiam seu significado, que praticavam em nome de uma aliança infindável em seu trabalho, na honra aos outros homens e aos deuses, os quais estariam em tudo... em todos.

Assim como Horus, cuja liberdade do pássaro significava o poder no céu, assim como Maat significa a leveza da harmonia, Isis, a intuição natural no universo, os egípcios eram o símbolo do homem de bem consigo mesmo e com o uno, tanto que diziam que o egipcio não tinha  outro céu, além do proprio Egito, pois “O Egito era o céu na terra”, e nada os fazia sair dali, pois morrer nessa terra era o sonho deles.

Hoje

Atualmente, não há egípcios que relevam seu trabalho e que buscam honrá-lo, muito pelo contrário, se houver algum habitante natural de linhagem realmente egípcia, tenho a certeza de que seus olhos estão aterrorizados pelo embate do terrorismo psicológico de uma política fria e calculista, interesseira, de uma democracia que os faz sentir asco do próprio país.

Hoje, em meio ao medo, vive o habitante desse país que fora berço de muitas civilizações, o berço de várias especialidades, do primeiro livro, dos primeiros heróis – como o grande Ramsés, que reinou por quase sessenta anos, e que deixou vários filhos (espirituais) em seu lugar...

Mas o grande berço do Nilo entra em decadência, semelhante às grandes nações douradas que nos deixaram mares de conhecimento. Contudo, o grande Egito nos proporcionou apenas uma ínfima parte de seu conhecimento, que, embora invisível aos olhos dos homens, é visível aos olhos dos sábios que sabem que uma nação clássica não se mostra gratuitamente com finalidades faraônicas, como dizem por aí, mas esconde uma realidade oculta, e que persevera no coração de todos, como aquela balança eterna, como a disciplina em qualquer nível, como a organização em nosso Nilo interno, como a fortaleza do grande Osíris harmonizando todas nossas diferenças, lá em nossa alma, às vezes, fria, mas que, ao compreender um pouco desses mitos, sobe com o sol... O Deus em nós.




No Templo dos Homens

... Ontem fui à igreja. Momentos bons eu e minha família passamos. Em meio a homens de bem, a crianças puras que corriam nos corredores do templo, em meio a hinos de letras simples e ritmos fortes, lá estava eu a pensar, no cantinho, de cabeça baixa, de joelhos, e ao poucos observando cada um daqueles que clamavam e até mesmo gritavam um só nome e uma só expressão: “em nome do Senhor Jesus...”


E assim, pude, como filósofo, enriquecer minha alma, mesmo que não estando em “minha praia”. Na realidade, a praia do homem que busca a Deus são todas e nenhuma. Todas, pelo fato de sempre observar a essência em tudo, e em nenhuma, por não ser eclético ou preso a algo volúvel. “O ser eclético é como aquele que suporta até mesmo baratas e ratos em sua própria casa”, dizia um grande mestre e amigo.

Queria dizer o mestre que temos que ter referenciais em nossas vidas pelos quais viver, caso contrário, em nossas vidas, coisas que não nos interessa em nosso Caminho surgirão e nos atrapalharão na “subida”, ou mesmo, nos farão presos graças a uma persona volúvel ao que é mal.

Na Igreja

Voltando à igreja. Pude ouvir histórias de pessoas que testemunharam “milagres” em suas vidas – o que para um filósofo não há, pois o milagre é tão natural quanto o próprio ar que respiramos. O milagre a que se referiam era o Desconhecido. E nele residia a força e o dedo de Deus. Ao filósofo, em tudo, em exatamente tudo, há Deus, assim, portanto, não há que se vislumbrar facilmente pelo que escutamos, vemos, apenas questionar a razão de seus acontecimentos, se são ou não humanos (forçosos) ou realmente divinos (ou seja, naturais).

E o que eu ouvi eram divinos, mais que isso, havia a força idealística presente em pessoas que possuíam a fortaleza interna, tal qual os grandes homens do passado – como os generais, os capitães e heróis que se saciavam com a liberdade de seu povo e que, mesmo sob algemas e torturas, jamais deixavam seu ideal... No entanto, naquele templo, do mais simples ao mais rico, todos eram crentes, não filósofos, cada um possuía ideais gêmeos – o de encontrar Cristo no Céu.

Mesmo assim, o que eu ouvi foi a história de mulheres que usaram de sua feminilidade para ser mulheres, não seres que competem, que ganham, que perdem, mas principalmente seres que conseguem ser o que são em um mundo tão machista e perverso. Ouvi histórias de grandes homens, embora não tão grandes em estatura, revelavam-se forte em caráter, e fiéis aos seus princípios os quais foram moldados ali, em conjunto com outros homens que acreditaram nele e em sua força de vontade para prosseguir na vida com seu Mestre no coração.

O bom de encontrar uma linha que nos faça seguir um norte é saber que essa linha nos faz homens e mulheres de bem, acreditando ou não em paraísos celestes.

Filosofia...

Pensei na semântica da vida. Por mais engraçado que fosse, pensei em coisas paralelas ao que se clamava naquele templo. Em coisas simples: como a planta que nasce e precisa da água para crescer; precisa da música para se alegrar, do sol para ser forte... Engraçado, não...? Semelhante a nós em alguns aspectos..

Todavia, a nossa água se chama espiritualidade, amor, vida... A nossa música, infelizmente, essa vem de pessoa para pessoa; mas Platão, na República, Livro Sete, nos diz que a música deve ser necessária à Educação, que, por sua vez, deve ser dada ainda quando no ventre da mãe. Por isso, qualquer música, nesse sentido, é perigoso. Que tal Bach rs ?

Pensei nos grandes homens que se ajoelhavam antes da batalha, e eu, lá estava, a repetir o mesmo ato do grande Julio César, do grande Henrique V, do grande Rei Artur! Foi muita emoção.

A minha batalha, no entanto, seria a do outro dia, não tão cheia de guerrilhas e homens caindo ao chão, ou cheia de palavras que davam forças aos soldados, mas, sim, de uma batalha cheia de guerras naturais, daquelas que se olha no olho do inimigo, sorri, volta a batalhar. A minha batalha seria contra o instinto que se infiltra nas redes sociais cheias de resquícios de um mundo que se acaba em pornografias, em mortes de jovens em tenra idade, de filhos que se vão antes dos pais, de pais que são obrigados a matar o filho por este ser um viciado, e outras batalhas... A minha batalha é a do homem em pagar suas contas, em preocupar-se com o filho, com a esposa, com a família que está longe, com todos... Enfim, é uma guerra.

Sei eu que tais batalhas talvez sejam mais árduas e difíceis pelo fato de não estarmos preparados para o dia a dia, ao contrário dos grandes que eram preparados desde criança para a guerra, mas posso me referenciar nos grandes de maneira a me preparar para as minhas, e quem sabe ser vitorioso em algumas.


Simbolismo Revelado

E cantaram músicas de louvor, e agradeceram, e se exaltaram em orações e mais hinos. Do lado direito, da igreja, homens com seus ternos e gravatas clássicos; do esquerdo, mulheres e crianças, clamando o nome do Leão de Judá, do Nazareno, do Galileu, do Filho de Deus, de Cristo...

Véus cobriam a cabeça daquelas senhoras em um ato simbólico de respeito à Entidade maior, ato esse tão simbólico e profundo que nem eles mesmos sabem dizer o porquê. E no fim, atos de ósculos na face entre os homens, algo que poderia dar meia dúzia de páginas em explicações. Mas, para eles, entre eles, como um igreja que se une à tradição literalmente, deve-se apenas imitar os apóstolos cristãos, sempre seguido da senha que os caracteriza: "em nome do Senhor".


O aprendizado

Precisamos entender que água é essa que corre em nossas veias, dessa semântica perfeita que nos faz buscar o precioso dom de estar bem ou mesmo simplesmente viver em função de algo. Precisamos entender o porquê dessa busca infindável pela perfeição, que nos faz mais perto dos grandes que vieram com apenas uma função, dizer que precisamos ser mais humanos e melhores, como passo fundamental em nossa grande jornada frente à vida.

Por essas e mais outras é que foram criados os mitos, os simbolos, pontes necessárias à compreensão e à aproximação dos mestres, dos quais tiramos lições práticas de como se portar ante o universo que nos comporta como seus pequenos grãos de areia. Contudo, até mesmo o grão possui a beleza da justiça, do amor, e da singularidade de ser o que é.

Aquela planta que precisa de água somos nós. A semântica a que me referi era a alma, que singra os mares da vida em busca do espírito, que, por mais simples que vivenciamos, ainda é uma incógnita, mas, na realidade, permeia em nossos seres tais quais a energia que flui no universo, sim, pois somos um miniuniverso em busca de explicações acerca de nossa existência, de nossos sofrimentos, somos budas que se calam, que manifestam, que se encontram em igrejas, na tentativa de responder nossas perguntas mais intimas... Somos, também, pontes nas quais correm rios de vida.

A Parte que nos Falta

"É ótimo ter dúvidas, mas é muito melhor respondê-las"  A sensação é de que todos te deixaram. Não há mais ninguém ao seu lado....