sexta-feira, 13 de abril de 2012

Egito -- a Vontade sem Muros.

Rá: o Sol egípcio.




Hoje, quando nos deparamos com grandes edifícios belos, desses de tirar o fôlego, ficamos impressionados, não é? Chega a fazer um frisson em nossas barrigas só de olhar pra cima, e ver o quanto foi investido e quantas pessoasnele trabalharam... E ao final de tudo, damos parabéns apenas ao grande arquiteto que elaborou o arranha céu. Tipo Brasília, São Paulo...

E quando nos reportamos ao passado, há mais ou menos (quase) três mil anos antes de Cristo? Consegue?... Bem... Na realidade, nem se quiséssemos, pois não temos material suficiente para imaginarmos. Porém, dá para, de pronto, entender que o nível dos materiais com os quais trabalhavam os egípcios era tão rudimentar, que, em relação à nossa cultura, nem mesmo martelos existiam, apenas pedras, paus, ferramentas não ferramentas, vamos dizer...

Na realidade, havia sim. Os egípcios se adaptaram mui rapidamente ao meio no qual viviam. Ou seja, já se mostraram donos de sua terra, após as grandes aglomerações aleatórias de clãs no Delta. Fizeram moradias, fincaram sua bandeira, e, por necessidade, surgiu um grande homem que, com o tempo, transformou aquele lugar, com o pouco que tinha, em uma das mais incríveis do planeta.

A impressão que nos dá é que houve um processo ditatorial (de ditadura) fomentado durante séculos. Não vou dizer que não houve, mas estaria sendo injusto em dizer que os egípcios fizeram parte desse processo até o fim de seus dias. Isso é falácia.

Prova disso temos vários faraós os quais, pela forma como governaram, são assuntos de várias universidades até então, pois não demonstraram sistemas escravocratas à época.  Não é fácil de entender, claro. Pegar uma terra e transformá-la no que se transformou o Egito Antigo. Primeiramente, nos vem os chicotes nas costas dos homens de bem, atormentados pelo senhor dos senhores, assim mostrados, incansavelmente, em películas holywoodianas, mas não foi assim.

Contudo, não se questiona (hoje é proibido...) o porquê das realizações, o que significavam para eles, e se realmente foram obrigados a fazer tudo aquilo; mas além disso fazem grandes questionamentos absurdos: “eram escravos?”, “eram extraterrestres”? – coisa que me causa náusea só de pensar que “pensam” em coisas desse tipo...

Mas tais pensamentos, infelizmente, têm sua lógica – ignóbil, ma há – pois a maioria não acredita que construções como as de antigamente foram realizadas com propósitos sagrados, desde o primeiro ao último serviçal egípcio, e não acreditam que havia um simbolismo profundo nas obras. Tais mistérios, que burlam o imaginário coletivo, são como portas fechadas as quais não se abrem por falta de pesquisa, das mais incessantes, ao se referir à terra vermelha – Egito.

Em um programa chamado “Egito revelado”, da Discovery Channel, pude assistir a um egiptólogo de respeito dando bronca ursais em seus alunos, ao subir na grande pirâmide Kefren, a qual possui uma altura considerável, e ao mesmo tempo com entranhas estreitas, as quais faziam com que o individuo – nesse caso o doutor e seus alunos – a se comprimirem quando nela entrassem. O grande egiptólogo, já de idade e bem experiente, demonstrava um racionalismo contundente ao passar pelos vários textos, peças, tumbas, pedras da grande pirâmide... Enfim, graças à sua vida dedicada ao Egito, pôde mostrar a todos, meio rispidamente claro, o trabalho dos grandes homens do passado.

Em meio à penumbra das paredes que se fechavam, lá estavam rapazes e moças ávidos para aprender o que mestre lhes passava. Todavia não sabiam os pequenos egiptólogos que a sensação de estar ali não era a mesma de estar em uma caverna, em um palácio com luzes apagadas, não.., não era. Era muito pior.

Os egípcios sabiam que culturas póstumas invadiriam suas terras, tomariam seu mundo e investigariam sua sacralidade, por isso fizeram com que o medo e desespero, mas acima de tudo o respeito fosse peça fundamental aos intrometidos de hoje, para que não houvesse tantos danos ao que fizeram durante séculos.

E conseguiram. Alguns dos alunos do professor e egiptólogo, após passarem pelas paredes e virem os trabalhos em relevo, tão perfeitos quanto qualquer outro, depois de presenciarem sarcófagos intactos, escadarias íngremes, as quais ficariam ainda mais íngremes à medida que subiam... tiveram medo, desespero e ao mesmo tempo respeito mútuo...

Muitos deles queriam ir embora, pois não conseguiam visualizar de perto aqueles grandes trabalhos, outros, urinaram nas calças, e mais alguns não pararam de falar, em consequência do nervosismo, porém o mestre, que conduzia a todos, fora tão ríspido quanto um faraó, pedindo àquele aluno que fizera suas necessidades ali, ainda que, involuntariamente, nas calças, que se redimisse, e ao mesmo tempo, ficasse longe dele, porque a dor de ver o que se passava, nunca fora visto em lugar algum naquela civilização.


A Sacralidade


Em tudo que o faraó tocava era como se um deus o fizesse. Tudo teria uma lógica sagrada, voltada aos deuses, ao universo. As pirâmides são um retrato desse mundo. Quando nos deparamos com aqueles grandes blocos, advindos de várias terras com a finalidade de compor apenas aquelas estruturas, por exemplo, não é por acaso que o fizeram, pois o mestre dos mestres sabia que, para atingir o sagrado – seja ele fora ou dentro de nós --, tínhamos (temos) diversos caminhos, entretanto, apenas um nos é inerente, correto, claro, visível...

Os blocos imensos, gigantes, que passearam de barcos por diversos lugares, eram depositados, servilmente, nas terras onde são vistas as pirâmides até hoje. Depois dos blocos, as grandes estruturas foram montadas de forma a assustar até mesmo ao mais sábio dos homens. E conseguiram. Como disse Christiam Jacq, “são estruturas que estão em nós, por isso o vislumbre”.

Mais que isso, a atemporalidade não se fecha apenas em seu simbolismo. Todas as construções desatam nós internos dos seres humanos, e ao mesmo tempo fecham outros que nos transformam em crianças ao vê-las de longe; e quando de perto, a dor da ignorância em perceber que estamos em um mundo no qual construções são feitas aleatoriamente sem o mínimo de sacralidade, e quando o são, aqueles que as “fizeram” são tão duvidosos em caráter quanto o de um ladrão que confessa.

A confiança nas grandes estruturas egípcias – assim como em outras nações que partem do principio sagrado para estruturá-las – vem não somente dos faraós, que fizeram questão de realizá-las, mas graças aos grandes sacerdotes construtores, que desenhavam, milimetricamente, cada detalhe, de forma que não fosse preciso levantar outras, derrubando as primeiras.

Sacerdotes

As pirâmides estão em nós, dizia um professor. As bases são nossas personalidades, e vão se afunilando em razão de nossas buscas ao topo de nossos ideais – leia-se: princípios. E em cada um, assim como no passado, deve possuir um uma fagulha para subir um pouco mais, dificultosamente, até o topo dele, de nosso ser, do que é de mais divino em nós. E em outras estruturas, como a do próprio faraó, que significa o deus em si, temos que retirar o sagrado, visualizá-lo, e entender que podemos ser um (faraó), em nossas possibilidades, sempre obedecendo à regra divina dos deuses... E assim também eram os sacerdotes.

Sacerdotes eram grandes seres humanos dedicados aos deuses, tanto quanto aos faraós, pois descobriam fórmulas, trabalhavam métodos de agricultura, racionamento do Nilo, comida... Faziam livros divinos, baseados na vida dos  homens-deuses, acompanhavam-nos em lutas, davam conselhos e sabiam quando e como seria o futuro da grande terra.

Contudo, partia do faraó falar com os deuses para que seu povo fosse suprido em momentos de crise, seja ela de qualquer nível. E quando buscava aquela divindade especifica, dava-lhe formas em forma de monumento, como se fosse um presente pelo amor à terra. E os deuses o atendiam.


Batalhas

A terra vermelha era submetida a tudo, até mesmo a invasões, e ao passo delas, o grande povo egípcio lutava, como se fosse seu último dia, porém havia nações que se armavam com armas mais ‘modernas’ e outras com mais homens em batalha, assim, a grande terra era tomada, violada, e os egípcios – donos da mais bela e coerente terra do mundo – passava por percalços e deles aprendiam que além-deserto havia mais homens e menos deuses do que se imaginava.

Contudo, na história, conta-se que faraós – como o Grande Ramsés I, -- lutara sozinho em batalhas (como era normal, pois o faraó também era guerreiro), e as vencia como se fosse um deus ceifando vidas alheias para defender seu povo. E ele era.

Mesmo assim, somos obrigados a entender que essa terra aos olhares dos descobridores era não só bela, como também a filha do ouro latente, na qual se resguardavam sepulturas belíssimas cobertas de ouro, cujo governante tinha objetivos espirituais para com ele. Compreender isso ou levar para museus intocáveis, ou mesmo para comercialização, não há como titubear.

E assim o foram varias civilizações ao redor do Nilo, as quais sintetizaram a cobiça, a guerra pela guerra, no caso dos helenos, comandados por Alexandre, o qual dominou a terra vermelha, pôs o terror a toda prova, renomeou cidades; mas, depois dele, houve piores que, revestidos de exércitos modernos, chegaram a roubar, matar, estuprar, e reinar e acabar com quase tudo... Se não fosse esse “quase”, não haveria mais o que contar.

Os hicsos, um povo cuja educação era mais voltada à guerra que os nobres egípcios, tomaram o Egito e ficaram quase cem anos no poder... No entanto, estudando o inimigo, apreendendo com ele, e claro, ficando mais fortes em suas convicções, o povo egípcio voltou a reinar, batalhando, rompendo, e trazendo à tona toda sua imortalidade numa terra que jamais deveria ser tomada ou castigada, pois era (e foi) o berço de várias sociedades, no tocante à religião, à filosofia, a Deus, ao amor, à verdade, à simplicidade, à ordem...




Enfim, temos muitos que aprender sobre nós mesmos. E uma dessas formas, talvez, seja olhar para nossos ancestrais, os quais sintetizam nossas virtudes mais sagradas, ao passo esquecidas. Por isso, escrevo sobre o que podemos -- e podemos ser um pouquinho egipcio todos os dias, olhando para o sol, para a lua, para a vida, respirando o bem e o mal, peneirando com nossas consciências -- voltadas a Deus -- o que nos atrapalha a visão acerca da verdade.





Temos mais textos.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Egito - Visão de um Sonhador (e Filósofo)

Egito: uma terra, um sonho.



Muitos me acham meio, vamos dizer..., ingênuo quando tento retratar o que há de bom nas pessoas, no mundo, numa sociedade... E todas elas acreditam que o mundo não tem jeito, e que sociedades, pessoas e etc. nascem para o mesmo fim: serem corrompidas, levadas ao fosso do mundo ou mesmo a um gigante precipício no qual, lá embaixo, nos esperam capetas e coisas semelhantes. Claro, apenas aos referidos acima... Às vezes sou assim também, mas, na maioria das vezes, tenho que acreditar.

Não sou ingênuo, mas possuo o “dom” de ver a realidade através dos sonhos. Tais quais os grandes homens que um dia sonharam um mundo melhor, dentro daquilo que chamo de parâmetros existenciais, ou melhor dizendo, nas nossas esferas, ainda que antigas, das quais legados interessantes nos saíram, como a própria ética, a moral, a temperança, a coragem, o amor ao próximo – essas coisas que, hoje, cultivadas, segundo alguns, caem no esquecimento e, se fossem sementes, tardariam a dar frutos, ainda que jogássemos água. Sabe por quê? A água seria contaminada, e temeríamos nascer daquela árvore maus frutos...

E quando me refiro ao grande império dos faraós, sei que no passado houve grandes homens e homens grandes, ou melhor, sei que, por sermos humanos, não houve apenas uma época dourada, pois assim como em muitas nações que tiveram sua ascensão e queda, o mundo dos faraós também teve sua, porém, no momento dourado, poucas nações nos deram tanto quanto o Egito nos deu, ou melhor, nos presenteou.

Assim e dessa forma, vou sempre me reportar a ela como uma árvore da qual retiramos frutos doces, pois eles sabíamos governar, dar ao governado – o povo – o que realmente mereciam: humanidade! Tínhamos a nosso favor seres que cultivavam a ética, fosse ela fora ou dentro dos palácios, ou dento ou fora de nossos corações.


A Complexa Ética

 

E a ética obedecida – há muito – tinha sua singularidade a partir do momento em que a religião, a qual em todos as bases da sociedade era registrada como necessária ao homem, fosse ele de bem ou não, uniria não somente o homem com o homem, mas o homem com o próprio universo. Sabemos disso no fundo.

Contudo, de lá pra cá, há mais de dois mil anos, num mundo em que os valores mudam quase que anualmente, juntamente com as disparidades sociais, pode-se dizer que estamos a nos referir a um “planeta” fora das limitações dos cientistas, e dos nossos meios como realidade.

Podemos, no entanto, ressalvá-los e apreciá-los tais quais sóis na manhã ou na tarde de domingo. Podemos citá-los como se fôssemos PHD,s e racionalizá-los à medida de nossas razões sujas do barro dessa política educacional, de onde saímos e entramos, todos os dias, mas... podemos.

O que quero salientar é que há pilares que deviam ser respeitados em nosso mundo, mas a educação atual seria, para o nosso desgosto, na visão egípcia, um amontoado de informações das quais retiramos ferramentas para o convívio social, familiar, e só. Para o egípcio, a religião estava acima de tudo. E quando me dirijo à palavra educação, desconsidere a visão de hoje, e reporte-se a outro mundo, além é claro da palavra religião, manjedoura espiritual de todas as raças, nas quais (religião e educação) são apenas uma.

Nada, simplesmente nada, passaria a ter existência sob os olhares egípcios senão fosse pela religião – a educação por excelência – por isso, em escolas peripatéticas, como gregos e romanos copiaram, ou mesmo no trabalho, na política com o exército inimigo, na área econômica, enfim, em todos os setores da sociedade egípcia, a religião-educação seria tão concreta quanto um bloco de pirâmide – algo que nos faltará mais tarde, dois mil anos depois...

Daqui, segundo os olhares mais sutis, saiu a educação nossa de cada dia, sempre voltada à disciplina, ao bom senso, ao respeito – seja ele qual for – mas que, de alguma forma, norteou (e norteia), em alguns países europeus, nossos alunos, nossos pensadores. Isso, repetindo, de forma bem sutil.
  

E os sonhos continuam...


A compreensão divina


Ainda no campo religioso-educacional, podemos nos intrometer a dar algumas opiniões a respeito das potencialidades as quais eram norte da grande nação. Desde o inicio desta civilização, o Egito, assim como outras nações em paralelo, compreendiam – sem sombra de dúvida – a questão do sagrado, por isso adotaram rótulos em elementos conhecidos do próprio homem, os quais formam o universo, e outros para a formação da própria história daquela civilização.

Assim o foram Grécia e Roma, quando cantaram e se expressaram em forma de poesia e textos literários, os quais, mais tarde, chegaram até nós como expressões míticas, o que tornou a civilização responsável mais forte e ao passo eterna.

E o Egito, em razão desses textos tão míticos quanto os de Grécia e Roma e outras nações, sabia que havia uma necessidade: a de “esconder-se” por detrás de suas histórias, ainda que egiptólogos o façam como se fossem daquele mundo..., não, não são. Apenas interpretam o que foi deixado para tanto, e sabem o que foi deixado para entender, nada mais.




 Volto com outros Sonhos.






terça-feira, 10 de abril de 2012

Egito -- Um Olhar Filosófico


Pirâmides: Templos misteriosos.

Depois de muito refletir acerca dessa grande nação, que foi o Egito, eu iniciei um processo de autoconhecimento, um tanto quanto possível aos olhos de minha natureza – não da deles, ainda que eu quisesse rs. Não pelos deuses, porque, graças aos mitos mais que herméticos, diferentes dos mitos romanos e gregos, são difíceis de criar alguma forma de pensamento, dentro do que temos hoje, ou melhor, com as ferramentas que temos. Então, comecei pelos faraós. Esses homens-deuses, cujos atos eram mais que atos, eram uma modificação numa sociedade na qual nem mesmo o mais egiptólogo dos homens conseguiu entender. Contudo, com um olhar filosófico, consegue-se infiltrar em áreas nas quais nem mesmo o melhor dos cientistas compreende.

 

Vocação


E uma dessas maravilhas incompreensíveis são as pirâmides e para qual fim elas serviam, pois muitos se questionam a respeito delas, das grandes construções, dos “rabiscos”, os quais se mostram em revelo há mais de quatro mil anos! Ali, naquele lugar, onde faraós, sacerdotes dos deuses, onde construtores se iniciavam, havia uma mágica – a real – da qual muitos filósofos ocidentais beberam e se consagraram bases da civilização atual.

Daquelas paredes, nas quais o sagrado, o mais perfeito deles, por ser miticamente hermético, se fez, muitos até hoje se digladiam pela perfeição, pela beleza que, ao ver dos grandes cientistas, é uma realidade que jamais alcançaremos o significado – e estavam certos. Nada é tão perfeito, achamos, porque nos dá a impressão da chegada ao transcendente, ao místico, de forma incompreensível.

Contudo, podem-se responder algumas perguntas, dentro das quais sombreia nossa maior dúvida a respeito de uma nação que sempre nos causou espanto, tanto na maneira de governar, como na forma de respeitar as vocações. Explico: ao contrário do que temos na atualidade, o Egito, por volta de 2000 a C., zelava pelo individuo no tocante à sua vocação para a escrita, para o sacerdócio, para o governo, e em todas as funções necessárias ao Estado.

Daqui surgiam grandes escultores, desenhistas, artesãos, e governos que duravam décadas – como fora o caso de vários faraós os quais tinham obrigações natas para com o seu país e com seu povo; e, por mais que se coloque essa questão para um ser que nasce, hoje, em nações de culturas distantes, fica difícil explicar, pois o que nos passa pela cabeça é que há um governo que satisfaça, provisoriamente, os desejos alheios – isso materialmente – e pronto.

 

 

A Alma nas Construções


No tocante às construções, o que devemos salientar, a principio, é que nada foi feito para o bel prazer dos homens-deuses, mas para os deuses, numa sintonia em que o sagrado e o profano se uniam de forma que houvesse uma harmonia entre os dois – por consequência entre povo, universo, faraó, deuses...

Quando se fala em pirâmides, vêm-nos logo questionamentos acerca de suas construções, do modo a que foram feitas, enfim, pairam dúvidas seculares (e normais) a respeito delas. Nelas, no entanto, pairam mais mistérios que seus próprios blocos pesados, pois singularizavam a perfeição, a ponte e o processo de iniciação para o conhecimentos da Vida.

Muitos, todavia, graças à cultura de se reconhecer algo, alguém, ou mesmo uma nação pelos seus últimos momentos – como aconteceu com Roma, que é reconhecida apenas pelos leões e gladiadores nas grandes arenas – o Egito é conhecido pelo país mais louco do planeta por ter construído grandes sarcófagos (pirâmides) ao longo do tempo. Outra falácia.

Pirâmides eram centros iniciáticos nos quais todos aqueles que aceitavam suas vocações, fosse de pintor, desenhista, arquiteto, até mesmo um faraó, teriam que conhecer os mistérios sagrados, legados pelos antigos. Dali, entravam seres pensantes, filósofos, e saiam outro seres, voltados ao que os deuses lhe deram de acordo com sua natureza e capacidade: prova disso, foram vários filósofos que beberam dessa água e expandiram a todo o Ocidente, tais como Platão, Pitágoras, Anaxágoras, Anaxímenes...



sexta-feira, 6 de abril de 2012

Egito -- um olhar apaixonado

Egito: berço e tesouro da humanidade.

Sabe, após várias leituras clássicas acerca de uma civilização, podemos nos sentir dentro dela como um viajante ou mesmo um habitante que há muito não a visita há séculos. Assim eu me sinto quando folheio com paixão meus livros sobre Roma, Grécia, Pérsia , Índia e principalmente sobre o Egito.

Nada há que me tire da concentração, nem mesmo minha esposa e filho quando a lua é cheia e começam a esquentar o ambiente, trazendo inquietude a um mundo particular em que vivo. Porém... O mundo meu fica um pouco menor (ou maior) e dispenso a realidade e caio nos sonhos de uma civilização que fora a mais coerente, em tudo.
A partir de hoje, convido-os a entrar nesse sonho que um dia foi uma realidade aos habitantes mesclados do Delta – segundo um grande escritor, no qual tentarei me basear (Christian Jacq, egiptólogo francês, amante do povo egípcio desde criança), diz que “o Egito e suas origens são muito difíceis de explicar”.

Por enquanto, todavia, remeto-lhes uma visão – mais opinião particular – de um Egito fechado e ao mesmo tempo fascinante, o qual me levou a suprir as melhores informações acerca desse manancial que, um dia, se chamou Ken – terra vermelha, e na qual a palavra alquimia se fez, de Al-Ken, após conhecer um pouco dos amantes da terra em destaque.

E graças a esses amantes, pude quebrar preconceitos fortes que estavam enraizados em minha alma desde pequeno, pois graças à cultura cristã, tão atormentada pelas grandes civilizações (principalmente a egípcia in biblos), a qual, obrigada a velar a verdade repetindo e  citando mentiras através dos tempos, fiquei com minha visão serrada e preconceituosa até o dia em que li o primeiro livro desse grande mestre chamado Christian Jacq.

Como dizia um grande professor de filosofia, nada vem por acaso. Se um dia comecei a respeitar o Egito como nação, não foi porque apenas li um livro ou dois, e sim porque, há tempos, a ideia me persegue inconscientemente, ou seja, eu já procurava saber a respeito dela, dessa grande nação, de maneira que, assim como acontece com todas as crianças que são presenteadas um dia com o brinquedo que sonham, eu fui contemplado em saber algumas verdades (tabus) as quais bailam no mundo, mas com outra máscara...

Ou melhor máscaras. E uma delas é o preconceito em saber a respeito da Terra Vermelha. Outra máscara, a da opinião. Todos podem opinar sobre tudo, por isso, não apenas por isso, a falta de trato com o passado de muitas nações – principalmente a referida. Outras máscaras, como a da ignorância, que impede qualquer ser ir em busca de algo, e mais, uma ignorância involuntária revestida de racionalismos; e a pior de todas, a difusão de várias nações – inclusive a cristã – em fazer com que verdades sejam veladas, transformando-as em mentiras frias, por gerações e gerações.

Há muitas máscaras, e se começarmos a escrever sobre elas, cairemos na profundidade de um mal que nos assola todos os dias: a patologia de uma personalidade que cria, em si, modalidades de preconceitos. E isso seria, dentro do que podemos passar aos senhores leitores, uma falta de respeito à cultura que foi o grande Egito.


Um Homem se levanta

Desde criança, achei que aquelas grandes figuras humanas, mais que humanas, os faraós, eram maus. Pela forma como se vestiam e nos olhavam em seus desenhos cavernosos, era assustador. Porém, a História nos diz que o Egito foi a nação mais coerente em todos os sentidos, em todos os tempos, desde o inicio de todas as civilizações, graças a esses homens “assustadores”, pode?

Sabemos, pelos textos apresentados aqui, nesse blog, que havia uma Roma dourada, na qual césares fizeram dela um dos maiores expoentes do Ocidente. Não menos que isso foi o Egito. E digo porque acredito.
Uma terra que, segundo os mais respeitados egiptólogos, foi o berço de todas as culturas que mais avançaram no contexto histórico, seja moral, física ou espiritualmente. Prova disso foram os faraós, os quais traduziam a beleza de governar por décadas, sempre baseados e estruturados em filosofias míticas advindas dos textos sagrados que foram deixados por seus ancestrais.

Nada por eles foi feito porque “quiseram”, mas porque houve uma necessidade intrínseca, na realidade uma necessidade sagrada. Quem poderia dizer isso, com toda a pompa, seriam os hebreus, os quais foram clãs, que, segundo a história, foram bem recebidos, bem alimentados e que trabalharam na terra dos faraós sem que fossem tratados como escravos... É uma das realidades. No Egito, como já foi constatado, não havia escravos...

Quando houvesse guerra, talvez o fizessem em nome da própria guerra que, até hoje, tenta eliminar o inimigo ou faz dele escravo... Mas nunca houve, mais uma vez, escravos numa terra que tratava – segundo escavações recentes – dos seus hóspedes como se fossem do próprio povo. O que significa, em termos naturais, respeitar ideias, religião, família, Deus...
O que nos passa, no entanto, é que o Egito, por ser uma terra escondida, distante das demais, escondeu a escravidão depois do grande deserto. Falácia literária. Se houvesse escravos entre os egípcios, nenhum deles teria tratamento humano, ou menos que isso, não haveria nem mesmo covas para sepultá-los. Nessa nação, no entanto, assim como a de Roma, Grécia, entre outras, o que ficou foi a “última cena”, ou seja, quando uma civilização se apaga, o que dela fica é apenas o pequeno e ridículo fogo de uma vela que um dia iluminou o mundo inteiro – quem diga os povos ameríndios, os romanos, os gregos, indianos, os quais já foram manto de nossa cultura, mas que, graças a um passado recente, são vistos como culturas à parte.





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A Música e Eu - o Triunfo da Música



Música: o elo entre o Homem e Deus.

...E os embalos continuam. Mas agora ao ritmo do Blues, que me impressionava com suas guitarras que levavam e ainda levam muitos à loucura, porém, quando o Blues se mostra como raiz de uma melodia que por obrigação reflete a necessidade de o negro de lamentar-se, tenho a impressão de que sou parte de um ritmo que me decompõe, ao mesmo tempo me eleva.

O Blues, do grande estado do Mississipi americano, conta em sua história lamentos de escravos açoitados pelos senhores do próprio estado os quais deixaram seqüelas em muitas gerações, não apenas o Mississipi, mas em todos os Estados Unidos.
E ao passar de geração em geração, contaminou o mundo, e sociedades que se identificaram com a melodia arrastada, o que me fez desgrudar um pouco desse mundo. No entanto, há melodias que citam histórias de amor, de vida, de paz, mas a maioria é de dores  que nunca serão cicatrizadas.

Essa fase de minha vida foi muito racional e ao passo emotiva, graças a uma percepção gerada pelo número de livros acerca de músicas. Hoje, contudo, não critico os grandes especialistas em dizer que o Blues é um dos melhores ritmos, mas a questão não é essa, e sim dizer a que veio, pois, o que percebo é que de ritmos temos muitos, e sempre haverá, contudo a utilidade delesi (seja qualquer que seja) fica semelhante a uma pessoa que veio apenas ao mundo a passeio e, sem querer, muda o caminho de diversas outras ao encontro do seu.
O caminho do Blues era mais a denúncia – o mesmo do rap, do jazz, do hip hop, funk – assim como outros que nascem. E graças a um sistema falho em seus pilares, haverá sempre quem cante músicas com ênfase em discriminações, preconceitos, injustiças, corrupção.. etc, enfim, o que fere realmente o núcleo da música, a qual sempre veio com ideais raros.

Clássicos reais.
Mas que ideais são esses? Falar de Deus. Saber tocar a alma humana no sentido mais sublime da palavra. E não somente músicas americanas, mas brasileiras, espanholas, mexicanas, italianas, quando não falam de amor, o vulgarizam com tonicidade sexual, ao ponto de transformá-las em vozes coletivas de um povo que nunca leu um livro, e se leu, e se se compenetrou em diversas culturas através deste, são quase que obrigados a cantar, a fazer gestos, a  levar seus filhos a escolas que fazem apologia ao ridículo, as quais impõem em seu programa o que o aluno jamais deveria saber... caso contrário não se integra.

Absurdos assim, notórios de uma sociedade em decadência, vão sempre refletir coletivamente, seja aqui ao lado, ou mesmo no Japão...

Bach, Bethoven, Vivaldi... Clássicos.
...E a filosofia bateu-me como água nos rosto após gerações no deserto. Infelizmente, sou influenciável, no entanto, sempre dentro do que eu chamo influência escolhida. Ou seja, na maioria das vezes sou uma criança que, mesmo com medo do estranho, se joga em seu colo e aceita o doce – mas não é qualquer doce, tem que ser de abóbora.
Depois de ilustrar metaforicamente o que a natureza de minha vontade é, digo-lhes que minha escolha, hoje, no tocante à música, após anos e anos dançando, se revoltando e à procura de idealismos a seguir, forcei minha alma a gostar de uma melodia que há muito tinha medo: a música clássica.

Essa, tão cheia de violinos, contrabaixos, pianos, além de não entender o papel daquele cara espanador de moscas, nem sequer passava pelas minhas veias, muito menos vida, como o gênero musical mais importante de toda a minha existência. Motivo: acreditava eu que eram músicas burguesas que lotavam teatros apenas ao educados em berço de ouro. E são.
No entanto, não é culpa dos burgueses, do elitizados desde berço, ter sinfonias belas ou mesmo cânticos gregorianos como embalos na manhã de domingo. Não é culpa não. Ainda que fosse, teríamos que dizer o mesmo dos ritmos anteriores, porque a maioria deles tem emblemas ocultos, ainda que não sejam clássicos.

O Rap sempre será dos negros, assim como o Blues, o Jazz... Mas a real música, aquela que se aproxima dos deuses, será uma ponte entre os deuses e o homem. Assim acredito. Não há nada que venha dos arquétipos, do grande Mundo Perfeito que seja dos homens. Eles apenas plasmam e nos fazem escutar, fechar os olhos e nos encontrar com as divindades...

Sabe muito bem a que me refiro quando ouvimos os apreciadores de Bach, Amadeus Mozart, Bethoven, Vivald, Mendhel... Estes que, apesar de soarem como nomes livres de problemas, conseguiram, no limiar de suas vidas, de seu tempo, superar suas personalidades e suas debilidades, e plasmar, em suas almas as notas divinas do Mundo Perfeito. Principalmente Bethoven, o qual, segundo consta, tinha um caráter duvidoso.

Hoje, em músicas furtivas, as chamadas de sucesso, percebemos letras de músicas voltadas a vidas presas ao desespero, a dor, à psique inflamada de desejos sensuais, ou seja, a música atual nadas mais é que um quadro expositivo de uma época que, em quadros, esculturas, e também (o mal da época) a programas, novelas etc, são pano de fundo tenebroso do que criamos.
E na falta clássica de alternativa, o homem começa a criar novos mundos, iniciando outro com o que tem... mais besteiras advindas de uma personalidade que quer um mundo novo com a mesma educação, com a mesma falta de valores – sejam éticos ou morais – e nos lembram Moisés, o da Arca, só que sem ferramentas, apenas com as mãos, com seus pés, e uma cabeça sem direção. E a Arca do homem atual está feita... quem quiser, abanque-se.


De Volta ao Clássico
A música clássica está na natureza, além dessa que presenciamos todos os dias. Ela se compõe de elementos simbólicos que podemos apreciar em peças nas quais pássaros simbólicos voam para a liberdade estóica, nas quais a morte é apenas um lado do homem que ainda não conhecemos.
Em muitos autores, como Vivaldi, a peça das Estações, a que presenciamos todos os anos, fica mais visível no canto de nossa alma, tão sutil, ao mesmo tempo tão eterna, forte e bela, que não acreditamos ao ouvir, apenas quando começam a cair as primeiras pétalas de rosas, na primavera, quando o frio do outono, do inferno... E o fogo do verão, se remontam como espíritos guardiões ao nosso lado.
E as gaivotas solares, no cenário da vida, tomam vôo em direção ao centro do universo, do nosso universo, e assim se vai ao violino Vivaldiano todos os crivos do homem. Lá no alto, no entanto, do espírito humano, os homens deixam de sê-lo para se tornarem deuses, na música de Bach, a que obedece às leis tradicionais, desde a era egípcia à antiga Roma, ou antes disso, antes mesmo do próprio homem ser homem, porque essa música adentra nos seios dos Logus encontrando as divindades, nos transformando, depois, em crianças em busca do sol perdido...

Após esse vôo furtivo, nas asas de um anjo mítico, caímos, em suaves penas, na música de Bethoven, que com um papel mais personalistico, e ao mesmo tempo mítico, nos sentimos em montanhas russas nas quais o susto é mais belo e calmo que os de costume, pois nos revela mais força e ao mesmo tempo uma calma, uma beleza...

Nessa montanha russa, na maior das subidas, encontramos Deus, no cimo do grande Nows platônico, no qual tentam todos os filósofos modernos e cientistas da música racionaliza-lo, no entanto, ao tentar racionalizar o que não se entende, cai-se em armadilhas, em buracos, e sai-se envergonhado pela maldição da porta fechada do mistério. Estou me referindo à Nona Sinfonia.

Dela não se tira nem mesmo se põe, apenas se inclina a chorar e se questionar acerca das ações e reações da própria Vida. Aqui Bethoven plasmou a divindade, e não sabe.
Todos, literalmente todos, temos céus e infernos. Mas provocar um é já querer fazer parte dele. E a música clássica, como ponte para um céu, assim como vários caminhos temos, pode nos revelar a face dos mistérios divinos, sem que necessitemos de pessoas, de templos – talvez os naturais a que temo direitos inatos – mestres, professores... Mas precisamos saber que existe uma necessidade: a de passar por diversas pontes nas quais encontremos outros seres semelhantes aos divinos, o que já é algo bom, pois estaremos bem perto do real caminho, da real divindade...

E quando ouvimos músicas, temos que nos aperceber disso, de que somos humanos, e que há algo a ser respeitado além desses ossos, desse emocional criança, que se apaixona por tudo... Há o terceiro andar em nós, e temos que usar de artifícios com finalidades intuitivas e ao mesmo tempo artifícios forçosos para abrir a porta daquele apartamento e descobrir o que somos...

E minhas lembranças nunca vão deixar de existir, por isso são lembranças. Quando eu quiser recorrer à minha infância, aos shows aos quais eu ia na adolescência, ou mesmo rir das discussões entre amigos sobre músicas, nada melhor que ouvir e sorrir, às vezes chorar. Contudo, encontrei na música clássica o meu ninho a que tanto buscava – e encontrei mais do que isso, encontrei todas as músicas e nenhuma, encontrei tudo e nada, encontrei Deus.

É... A música tem esse poder.





Aos Buscadores de Deus.

terça-feira, 3 de abril de 2012

A Música e Eu (ii)

Bossa Nova: forte influência do Jazz.


Às vezes parecia que de tanto acreditar em tudo que achávamos tão certo,
teríamos o mundo inteiro e até um pouco mais, faríamos florestas no deserto” Andréa Doria / (Legião Urbana)



... E embalado pelo idealismo de muitas bandas, e hipnotizado pelos discos que se arranhavam nas agulhas, deixei que minhas veias e a música se tornarem uma só. Eu e a música éramos um. Não havia outro jeito. No banheiro, no quarto, no trabalho, na escola... Eu tinha algo em mim que queria gritar, por pra fora, mas não conseguia. A música, no entanto, fizera o trabalho por mim.

Lembro-me de quando minha mãe dizia... “até quando isso?!”,  e eu não sabia o que dizer. Apenas ouvia, ouvia, ouvia... Atordoando os mortais do meu lado. Eu não. Eu e a música éramos eternos. Até mesmo em enterros, quando sentia que estava ficando muito triste, lembrava de canções que possuíam batidas fortes e dali pra frente pés e corpo começavam a se mexer, discretamente. Eu era louco.

Loucura, graças aos deuses, tem idade e não eternidade. Os anos foram se passando e com eles minha maneira de ver o mundo. Principalmente depois que me engajei no serviço público. Mesmo assim, me lembro quando houve uma reunião dos candidatos que foram chamados para trabalhar, aqui, no Tribunal.

Era de rir. Queriam fazer algo no qual os pretensos indivíduos manipulados pelo cafezinho falassem de sua vida, de que mais gostavam, quais musicas ouviam... E foi ai que o vexame se fez. Eu, que há época tinha saído da adolescência, com meus vinte e poucos anos, ainda apaixonado pela música negra, me submeti a um daqueles momentos impagáveis.

Meus colegas adoravam MPB, Jazz, Blues, Clássicos diversos, e eu... Rap, a ovelha negra das músicas. Muitos riram, outros respeitavam, mas o que me ficou na esfera lúdica da coisa foi o riso patético daqueles filhos da burguesia que nem sequer sabiam a graça que tem em ser o que somos, independente do lugar em que nos encontramos.

Sei que há fases e fases, mas eu ainda defendia as minhas antigas, nas (e pelas) quais passei bons momentos, e não abriria mão jamais disso. Resultado, ainda que houvesse marmanjos cultos na sala dos novatos, se fazendo de maiores, eu me sobressai. A música tem disso.

Um Banquinho e um Violão...

Como eu disse, todavia, crescemos. Submetemo-nos a momentos que nós mesmos criamos, graças à lei da ação e reação (calma), estou me referindo a situações nas quais nos pegamos sem calças, cuecas... E pude perceber que, ainda que gostasse do que gostava, teria que sair dessa fase barulhenta e sem rumo da minha vida, mesmo que ainda batesse o pezinho embaixo da cadeira.

Dali em diante, comecei a estudar e não havia mais ninguém que pudesse me dizer o que eu era, o que eu pretendia, o que eu queria, apenas eu. A música de minha vida agora era a bossa nova. Um ritmo quase que sampleado do jazz que invadiu minha vida ao assistir, em pleno teatro nacional, Leila Pinheiro... Aí já é covardia! Eu vi meu idealismo contundente se derreter naquela voz, naquela suavidade em forma de pessoa – e morri, e voltei. Minha iniciação musical se fez.

E a cada passo que dava em direção aos meus estudos, a bossa nova – como nos anos sessenta – subia as escadas comigo, sorrindo, feliz, suavemente... E comprava, escutava, e, ao contrário (totalmente) das batidas americanas, minha alma estava se tornando algo mais pomposo, mais fácil de se carregar.

Ao som do mestre Tom Jobim, e do grandíssimo João Gilberto, meu chuveiro caia em gotas leves em uma cabeça que, agora, só pensava em terminar os estudos, fazer alguma especialidade, e fiz.

Mas quem escuta os mestres da Bossa, deve passar por obrigação pelos grandes da MPB – Gil, Caetano, Chico Buarque, Milton, entre outros. Eu me enamorei de todas as canções belas de uma língua que há muito eu havia deixado graças ao estrangeirismo da juventude. O idealismo, no entanto, foi encontrado em músicas da década de setenta, com Chico, Caetano, os quais alimentavam meu ego racional e ao mesmo tempo emotivo. São páginas que não se passam na vida de um homem.

Jazz: o primeiro degrau do bom senso.


O Jazz e Blues


O Jazz, natural de Nova Orleans, nos Estados Unidos, influenciou deveras gerações, principalmente as do século vinte. Unido ao balanço do negro pobre à subtilidade do homem branco rico, o ritmo cresceu, sem nem mesmo passar pela adolescência. Com um contrabaixo, pratos de metal, um sax ou trompete, as casas de jazz americanas lotavam para traduzir a elegância do negro americano. E, a partir dali, do ambiente saudável, cheio de musicalidade, e estilo, senti a ousadia de tentar ser eu mesmo, no melhor sentido da palavra.

Um ser com um estilo próprio. Eu passei a amar o Jazz; ouvia todos, até os mais anormais. O jazz mostrou-me que a música tinha cor; não a musica Pitágorica, a Clássica, mas aquela que produzimos baseadas em nossa cultura, em nossa personalidade, de acordo com nosso caráter – e, claro, tudo isso já se passava em minha cabeça desde o Rap, mas ficou mais claro agora, num momento em que meu espaço havia crescido e se tornado mais que cultural. Eu havia chegado a mim mesmo...


segunda-feira, 2 de abril de 2012

A Música e Eu


Blues: ritmo original de uma raça guerreira

Há séculos que a música nos acompanha, quem diga o grande Pitágoras de Samos, filósofoso que conseguiu plasmar a música das esferas em circustâncias que até hoje não se sabe explicar o certo. De lá pra cá, não damos um passo sem cantarolar, assobiando, batendo em madeiras, ou mesmo o pezinho se mexendo debaixo da cadeira quando se escuta uma canção plausível.

A vida, como diziam os gregos, é assim,  feita de música, em homenagem às Musas -- deusas do Ritmo -- as quais embalam o som das árvores, quando o vento nelas bate; além do som do mato no outro, dos trovões, dos pássaros... Enfim, é um show!

E embalado nessa sonoplastia natural, nós, seres humanos, temos enraizados em nossa alma tantas músicas quanto nuvens no céu, quanto raios no sol, quanto pingos em chuvas de março, abril... É a semântica em nós, assim como uma palavra que só começa a ter sentido dando a ela um significado, um contexto, só começamos a  existir no momento em que temos uma música em nossas lembranças.

Eu, este que lhes escreve, tive, desde a infãncia, uma queda natural pela música -- e acredito que todos o tenham --, mas eu, em especial (risos), não consigo nem mesmo lembrar do meu nome se não houver uma canção por perto. E desde esta tenra idade, tenho, graças a ela, a música, sido um pouco mais humano, mais forte e ao passo mais guerreiro -- haja música de Corações Valentes!

Por essa e por outras, contar-lhes-ei um pouco de minha vida, que fora regada por uma sonoplastia idealista, cheia de traços fortes de personalidade, os quais ainda ficam em minha alma, em minha vida até hoje, e ficará comigo até a ida ao Hades.
RAP




Antes de amar a grande música clássica, eu era um revoltado. Revoltado com a pobreza em excesso, com a riqueza em excesso, e todas as injustiças sociais, então me sobrava cantar revoltas, e por iso, eu amava os hip hops da vida, com bandas ainda mais revoltadas com o sistema, no qual tiravam o próprio sustento vendendo discos de vinil, com capas imensas, com bandas que pareciam mais times de basquete com colares, chapéus, coletes; outras mais pareciam gangues com revolver, metralhadoras, sempre com o líder da banda com um rosto que nunca se parecia com um cantor... L.L. Kool J., os Beasteas Boys, e o próprio Whill Smith, ator, quando era vocalista de Rap.

Eu achava o máximo! Colocava casacos, medalhas, Jeans e até imitava suas falas, repetindo refrãos de músicas de caras que, com certeza, jamais saberia o que cantavam... Era a cultura de Mahatans, do bairro do Quens, de onde veio a melhor banda de Rap do planeta – que eu considerava, claro! – o Run DMC!, a qual buscou no Rock e no Rap uma forma de unir os dois ritmos e ao mesmo tempo dar o recado acerca do que ocorria no mundo racista. Após, outros vários: boogie boys, África Bambata – excelentes em tudo --, Gigolo Tonnes, Woodini, Publi Enemy, etc... etc. Era legal!

Eu tinha em minhas veias um idealismo. Pobre, mas não deixava de ser. Descobria nas músicas meu tom, minha revolta, ainda que fossem ritmadas, sem letras, com berros, admirações furtivas, culturais... Enfim, eu era pobre em tudo, não apenas financeiramente rs, mas desenhava minha vida com melodias que em meu bairro apenas os mais desajustados amavam, pois falavam de crise em família, nas ruas; falava da pobreza, e da dor de ser pobre... Falavam de amor, mas bem vulgarmente, e isso eu não tolerava.

Ouvia, ainda, idiotices, fossem chulas, mas com tom de revoltas, sofrimentos, cujas letras eram um drible na burrice: as músicas de Rap brasileiras. Dessas eu faturei pouco, pois haviam mais solas que sapato de samples (misturas de ritmos batidos), e não aguentava mais as baboseiras de grupos que iniciavam, e que queriam mais se mostrarem que propriamente cantar ideologicamente algo. Isso eu não queria.

Mas nada me fez mudar de opção. O Rap era a minha cara. O Rock, como música, seria apenas uma falha da natureza em tentar mudar o tom para algo que pudesse ser bom, mas não conseguiu. A natureza errou. Os notáveis do rock são mais lembrados pelo que comiam nos shows – cabras, cobras, lagartos, -- do que pelo que cantavam. Isso na minha adolescência, claro.



Legião: sem ela, o rock já teria morrido


Depois percebi o contrário. Os cantores de rock, nessa terra que nada dá, Brasil, a meu ver eram mais preciosos que os de fora. E fui contaminadíssimo pelo Legião Urbana – não deixando de lado meus Raps! – o qual sempre me acordava com seu Tempo Perdido – embalando uma juventude cheia de força e guerra nas veias, convidando-a mover o mundo com a alma. Era belo.

O Legião Urbana, a meu ver, ainda que passe milênios, ainda será a banda mais lembrada e cantada por mim, e se meu filho um dia cantarolar, terei o prazer de contar a história de minha adolescência, sempre entoada por esse grande grupo.

Mais tarde simpatizei com U2, mas, como eu disse, já era tarde demais. Uma banda irlandesa que buscava manter seus ideais de liberdade pátrio, com letras incrivelmente revestidas de um romantismo febril. Mas, o pior de tudo é que essa banda era totalmente incompreendida por seus simpatizantes, os quais gritavam, urravam, e, mesmo cantando suas letras claramente, não compreendiam sua totalidade. Isso acontece em uma juventude que procura forças abstratas, no meio do escuro.


Mas as lembranças só estão começando...

(Próximo texto tem mais)

A Parte que nos Falta

"É ótimo ter dúvidas, mas é muito melhor respondê-las"  A sensação é de que todos te deixaram. Não há mais ninguém ao seu lado....