sexta-feira, 11 de maio de 2012

Corpos, Cavernas e Mistérios... (ii)

Caverna: um grande corpo.


Corpo

Já perceberam o quanto somos ligados ao nosso corpo? A esse ser que nos prende a desejos formais, informais, a coisas simples e complexas, pois é... Já devem ter percebido o quando somos identificados com esse líquido concreto, em forma de braços e pernas, cabeça, pescoço, olhos, boca, no qual nos apegamos desde o dia do nascimento ao dia de nossa morte.  Esse grande computador natural pode ser uma caverna.

Uma caverna que, só de pensar em perdê-la, em machucá-la, quebrá-la, nos faz reduzidos a meras peças de museu antes de ser história. Mas sabemos que o que nos faz maiores e menores é o que possuímos internamente, e temos vários exemplos disso. Mesmo assim, com o passar dos anos, nada nos faz desapegar desse “individuo” forte, às vezes, frágil, às vezes, reduzido em frangalhos, que, mesmo e apesar de grandes exemplos na história, ou mesmo aqui ou ali, será parte, veículo, identidade, será uma combinação de esferas biológicas, químicas e espirituais em nossa visão tão curta.

Por isso, e para isso, é que temos sempre que ressaltar os valores mais internos, mais fortes, para que possamos, em nossas batalhas, se não nos entregarmos totalmente, pelo menos nos dar parcialmente, de maneira que vençamos parte delas. E vencer a ideia de que o corpo somos nós é uma das maiores batalhas da vida.

A guerra


Quando me refiro aos grandes do passado, não quero que sejam ou que eu seja parecido, mas que temos que nos basear em referenciais nos quais pilares de ferro existam para a consecução de nossos fins, dentro de nossa própria capacidade e natureza, ou seja, sendo o que nós somos, e ao mesmo tempo encontrando os mesmo valores que fizeram daqueles homens (ou mulheres) heróis ou homens de bem em sociedades que, um dia, precisaram deles. E a sociedade, hoje, é diferente, e os heróis idem, porém, os valores podem ser os mesmos, a partir de uma busca mais aprofundada, ou pelo menos parcial, de modo que realizamos, dia após dia, um pouco desse ideal: o de que somos algo mais profundo, mais interno, mais precioso.

Um ideal que nos faz dizer “eu não sou o que vejo, o que sinto, o que penso, o que desejo?”, é realmente fantástico e ao mesmo tempo dantesco, pois claudicamos ainda em psicologias que nos dizem, todos os dias, que precisamos cuidar mais do corpo do que do espírito! E quando nos dizem o inverso, soa até meio estranho, já perceberam?...

Cuidar do corpo, o que significa? Passar o dia fazendo ginástica, academia, ou, nas horas vagas, correr feito louco para nos satisfazer física, psicologicamente? Talvez sim. É notório do ser humano cuidar-se. Todavia, sem um fim natural, nos torna homens e mulheres com finalidades distintas das quais, a depender de quem as consegue, não há atrativo nenhum.

Sem delongas, acima me refiro aos jovens que hoje, sem uma educação interna, cuidam muito mais do físico do que até mesmo da mente. Não apenas os jovens. Há senhores de idade que se sentem na necessidade de elevar-se fisicamente para conquistarem o que não conquistaram no passado, assemelhando-se a ridículos jovens-velhos-anciãos.

E nessa cultura fisiculturista, academias(1) se formam, e homens e mulheres de níveis estáveis se mostram donos de uma outra cultura, a de que apenas os de melhor nível financeiro podem fazer academia, aparecendo, a qualquer hora do dia, em vitrines, tais quais produtos humanos à venda, em esteiras, em bicicletas ergométricas (estáticas!), com malhas coladas ao corpo... Põe ridículo nisso!

Referenciais


A de se buscar um referencial em tudo que fazemos. Desde a placa que nos serve de indicador para uma grande viagem, até mesmo a um ser que nos espelha confiança para prosseguir espiritualmente. E precisamos dessa dualidade vital para atingirmos nossas finalidades, assim como precisamos dos pais para uma grande educação que nos firme em um mundo vazio de conceitos e práticas.

Os referencias são tão fortes que, ao pensar em máximas no inicio do dia, nós as vivenciamos em nosso meio quase sem querer. É a força e o poder dele que nos atrai. Contudo, há referenciais contrários que atraem tanto quando os bons, o que nos faz acreditar que não há referencias nobres, então não há o que seguir senão elementos opinosos de uma sociedade que indica o que você deve vestir – a chamada moda; outros elementos que produzem as suas próprias falas – as chamadas opiniões midiáticas (TV Rádios, Revistas, Internets, etc) – e, dentro desse quadro, os grandes referencias dançam em forma de imagens, não como referenciais...

 Por que estamos falando de referenciais, mais uma vez?
A história dos grandes impérios sempre nos trouxe grandes homens que sempre fizeram de sua vida um espelho eterno, ainda que tivessem suas poucas falhas vitais. Mas então por que sempre nos baseamos em seus atos, em suas máximas, e, de algum modo, nos deixamos levar pelas suas palavras mansas que nos tocam o coração? Simplesmente porque o que nos vale, na realidade, é o som da música e não o instrumento; o que vale é a paz que cristos, platãos, sócrates, zoroastros, plotinos, os quais nascem e crescem nas manhãs de domingo, como um sol que nos perturba para nos levantar, buscar, pesquisar e entender esse mundo que nos desloca em favor de mares bravios ao nosso gosto.

O corpo, para esses grandes homens, esses iniciados, homens, é apenas um regador para a grande planta. A alma.



(continuo no próximo texto...)




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(1)A palavra academia, para quem não sabe, vem de Academus, um dos deuses homenageados pelo mestre Platão, o qual usou pela primeira vez esse termo para intitular o lugar em que daria suas aulas de filosofia... Não de musculação.

Corpos, Cavernas e Mistérios...



A Caverna: simbolismo clássico

Já detalhamos inúmeras vezes, aqui nesse blog, acerca do capítulo sete da República, de Platão, no qual o mestre descreve uma a alegoria, a da Caverna, onde, de acordo com as ideias do mestre, se passa uma grande história da qual podemos retirar inúmeras outras, graças ao simbolismo que ela apresenta.

Vamos resumir o resumo...

Segundo Platão, indivíduos nascem e crescem algemados dentro de uma grande caverna. Esta, impregnada de sombras que se movimentam e de várias saídas, possui ao seu fundo sempre uma grande chama da qual emanam tais sombras. Os indivíduos do contexto não sabem disso, e sempre se enganam com suas opiniões quando se referem às paredes móveis, às sombras, ao fogo, acreditando, desde pequeno, que tais emancipações são de puras realidades, as quais tomam conta deles.

Nesse mundo (caverna), homens se confundem e ficam longe do que realmente necessitam: da saída. Um dia, um deles sente que as suas algemas estão folgadas, e começa e remexer. Entende que há a possibilidade de retirar o artefato de metal, de modo que consegue ficar livre dele. Por consequência, levanta-se. E nesse ato, começa a entender que tudo que amava, desejava, obedecia, e sentia, era um grande pano de fundo do qual saiam verdadeiras formas inventadas, outras, refletidas propositalmente com intuito de enganá-los...

Aqui, começa outra aventura. A de perceber a natureza como ela realmente é. E seus passos, em meio às pedras, prosseguem naturalmente para o que sempre nos norteia, a luz, e ele seguiu a luz da fogueira, chegando a ter, em si, um pouco de sua chama. Mais na frente (dependendo da visão) começou a enxergar outra luminosidade, agora, porém, era a mais importante: a da saída.

Depois de passar todos aqueles anos preso às algemas, assistindo a luzes irreais, sombras como verdade, ele se depara com a maior das luzes. A luz do sol. A principio, não consegue enxergar, pois a luz é intensa de qualquer ponto de vista para quem sai de uma caverna na qual ficou até então... Assim, ele prossegue, se entusiasma, sente, vê, colhe!

Depois de várias reflexões, volta para seus irmãos, mas agora para dizer a Verdade.

Aqui, nesse glorioso mito, cabem reverberações grandiosas acerca de tudo que queremos expandir, seja para o bem, para o mal, para nada, para crescer, viver, subir, descer, enfim, Platão conseguiu, assim como em outros mitos dos quais é autor, universalizar a alegoria. E como já aprendemos, todo mito esconde uma realidade da qual somos expectadores, mas, se quisermos, protagonistas. E ele apostava nisso...

Em uma época na qual seu mestre Sócrates fora condenado, nada melhor para relatar a decadência humana a partir de preceitos universais, dentro dos quais jamais sabemos a quem ele se referia, ou a quê, pois, já que temos em mão uma alegoria de nível universal, podemos dizer que se referia à época de Sócrates, que morreu condenado pelos vis jurados de Atenas, os quais, pode-se dizer, eram os donos da “caverna” à época, mas também podemos dizer que, hoje, temos “donos de cavernas”, nas quais somos tão algemados quanto os primeiros...
  
Podemos mais ainda. Podemos dizer que o próprio universo, do ponto de vista deifico (ou divino) é uma grande caverna, dentro da qual tudo que vemos, ouvimos, seja a própria natureza – nas estrelas, nos ventos, nas brisas, nos planetas --, são apenas sombras! E Platão já chegou a dizer em uma de suas obras que o real mundo é o mundo Ideal, esse que não temos acesso, esse cujos mistérios nos batem as portas diariamente e damos o nome de Deus, diabo, fé, José, Maria, etc... O falso mundo seria o palpável.

A universalidade do mito não para por aí...
Ao nos referir a algo racional, ou seja, aquilo que podemos diagnosticar, escolher, ainda que não o vemos, assim como teorias cientificas, sociológicas, históricas, filosóficas, as quais traduzem pensamentos infinitos acerca de algo, pode também fazer parte de uma caverna, pois nada seriam senão fosse aspectos sutis a essas matérias.

Mas não estou aqui para aludir a tamanho de cavernas e relatar de onde vieram ou porque vieram, mesmo porque estamos falando de algo fortemente simbólico. Tentando, com parcas ferramentas, traduzir um mito.

E por meio desta quero demonstrar que somos uma minicaverna em meio a outras e outras, outras, e a saída nada mais seria que conhecer de si mesmo.

(continuo no próximo texto)

terça-feira, 8 de maio de 2012

Sombras e Pó


 

Ao vir algo se destruindo ou mesmo em falta porque acabou, temos a impressão – uma ligeira impressão – de que podemos repor rapidamente. Sim, dependendo do que estamos nos referimos, sim. Mas até mesmo esse algo, mais tarde, pode vir a se acabar... Ou seja, das mínimas coisas às maiores – isto é, de um cartucho que podemos trocar ou mesmo um sol que nos ilumina – tudo pode se esvair como água que se vai na ladeira ou grãos de areia no vento forte. Nada fica para contar a história.

O homem também é assim, possuindo seu físico forte e às vezes fraco, tem um físico concreto, biológico minuciosamente perfeito, mas que, de acordo com a natureza do concreto, do palpável, deve partir, virar areia nas mãos da natureza. Soprado pelos ventos divinos.

O estranhamento, no entanto, não é o medo de ver seu físico partir, mas a dúvida para onde ir depois que se deita na cama eterna, por isso a identificação com o físico. Sócrates um dia disse, antes de tomar seu veneno, que “o homem, por não saber para onde vai, é que devia ter menos medo”.

Hoje, no entanto, sobrevoa, em nós, as esferas duplas do céu e do inferno – como já fora explanado em textos deste que lhes fala – por isso o medo. Esse antagonismo célere desde o dia em que nascemos até o dia de nossa ida ao desconhecido nos fez menos buscadores, menos guerreiros, e ao mesmo tempo mais compassivos, menos aguerridos, enfim, toda a cultura relacionada a essa duplicidade nos fez mais lentos, menos descobridores e menos filósofos.

“Sombra e Pó”

Sabiam os guerreiros gregos e romanos que o físico tinha uma finalidade, a de realizar justiças na terra, sempre dentro de sua natureza, dentro de sua capacidade, ao contrário do homem de hoje, que, se algumas vezes se arrisca é muito mais para bater um recorde ou por uma medalha, o que vai de encontro a outras culturas das quais se tirava, nas guerras, lições de dação, de heroísmo, e ao mesmo tempo de consciência em relação ao seu corpo.

Diziam antes da batalha “É apenas sombras e pó”, entregando-se ao meio para salvar suas terras, sua família, seu amigo ou mesmo o seu exército. A cultura “sombra e pó” não era apenas uma expressão, e sim um legado. Todos os guerreiros tinham, desde a mais tenra idade, desde o dia em que seus pais o faziam confrontar-se com touros ou leões, a sabedoria interna. Hoje, desde criança, fugimos de testes naturais, até mesmo em uma simples caminhada ao sol. Isso revela um ponto crucial: que estamos mais acomodados em relação ao que somos, ou mesmo enganados.

Isso se deve, talvez, a grande maioria de comerciais, propagandas massivas, revelando o que temos ou não que fazer com nossos corpos. E isso nos dá outro tipo de medo: o de que temos que ser iguais àquele que conseguiu ser melhor do que nós em físico – não em espiritualidade, como antes.

O guerreiro romano, como já se estudou, tinha a estatura de um homem médio – um metro e sessenta mais ou menos – e não era muito forte, contudo, tinha a aparência de um dragão pronto para mostrar suas chamas. Os inimigos sabiam que era assim, mas o medo do inimigo era ver a luta, a disposição daquele homem que crescia dentro da batalha tal quais os gigantes ciclopes de um olho só; mas ali, eram guerreiros com seus mantos vermelhos, cor de marte, deus da guerra, com seus elmos, escudos, espadas, ceifando vidas alheias como um assassino em potencial, mas não eram.

O guerreiro romano (e o persa, o espartano, grego...) era tão espiritual quanto o homem de hoje, que, embora clama um Deus santo, um Jesus dos humildes, corta cabeças de muitos e empobrece a todos, além de desfazer gerações de indivíduos os quais poderiam batalhar sem medo.  O romano que ia à batalha estava ali por um ideal, que era transformar Roma em um celeiro de homens fortes, espirituais, conscientes, divinos, e quase conseguiram...

Hoje, ao viver do físico, temos a ligeira impressão de somos perseguidos por ladrões, por assaltantes, por sombras que desconhecemos além da nossa, enfim, pela incapacidade de lidar concretamente com o conhecimento que um dia nos fez fortes e heróis, nos alojamos em nossas gaiolas (casas) e assistimos aos heróis nos filmes, às vezes, em sonhos, e acreditamos que a vida é maravilhosa porque não precisamos guerrear com antigamente.


...Falha nossa.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Quero ir Embora...

Eu quero ir embora, pra bem longe,
Onde não há humanos,
Onde não há enganos,
Eu não queria ser monge nesse barco triste.

Desistir dessa viagem,
Me unir ao nada
Mergulhar na alvorada,
E não voltar...

Queria ir embora e não voltar,
Onde não houvesse céus,
Nem mesmo infernos na terra,
Ou mesmo lar...

Queria ir embora, somente.
Ser homem sem ser demente,
Ser humano, sem ser doente,
Buscar o amor em mente,

E não amar.

Queria ir embora, agora,
E nunca mais voltar,
Ir para o infinito
Compreender o mito,
E nele me resguardar.

Queria morrer em paz,
Sem prantos ao redor,
Sorrir sozinho no escuro,
Embriagar-me de suor.

Queria ir embora,
Alguém deve me compreender,
Que a vida precisa de silêncio
Até mesmo do coração,
Que cria uma fria ilusão
De ser o órgão do centro.

E alma, essa figura que se vai?
Essa fortuna que nos vem?
Para onde vamos?
E por que o Bem?
Do mal já provo desde o nascimento,
E dele vivo como identidade,
Sob o véu da esperança
Que nada me dera de verdade...


Quero ir embora, não sei para onde,
Correr matas, subir montanhas,
Descobrir em suas entranhas,
Ser donos de manhas... Para quê?
Se nasci, percorri e vou morrer...?
Nasci para quê? Percorri o quê? e morrer... para onde?


Eu quero ir embora, e não sei a hora.
Mas sei que é agora,
Sei que sou eu e ninguém mais,
E não quero ressurgir em outrora, jamais.

Antes de ir, quero dizer que amei,
Amei sem demora,
Que sofri e fiz sofrer, não agora.
Dizer que nada valeu a pena,
Que pesei tanto quanto uma...
E não morri por falta de suas
Que me visitaram nuas amenas.



Regis

Inimigo Silencioso (final)





O inimigo silencioso corre o mundo em forma de ideais em favor das máquinas milionárias que arrecadam e deseducam milhões. Os pontos chaves são os jovens, como fora dito. Cheios de energia e vontade, ficam acesos diante dos computadores, que trazem de tudo, desde a esperança de um bom emprego, até a mais pútrida praga dos desejos mais íntimos do ser humano.

E apostando nessa energia, empresas encabeçadas por gênios da informática – ou não – trabalham dia e noite para o avanço dessa tecnologia até mesmo para território indígenas, com a finalidade de deixar-lhes “educados”  com relação ao mundo.

E, hoje, quando se abre um computador, seja ele em casa ou não, com finalidades profissionais ou não, cai-se sempre no devaneio da inutilidade fácil, da cultura inútil, da crítica sem pudor, da pornografia.

Por isso, teme-se quando crianças cujas mentalidades ainda estão se formando, à beira de um computador, navegando, ainda que seja por brincadeira, em emails, jogos simples, faces... Mas que, mais tarde, descobre descaminhos pelos quais sua personalidade nunca passou, e que não será mais a mesma. Essa é a formação a que tanto se obedece nos dias de hoje.

Há exemplos a se seguir, no entanto. Li em uma revista uma reportagem interessante, a qual dizia que uma menina de dezessete anos tinha feito um Blog (programa onde se faz textos diários ou semanais, com objetivos de informar, ou dissertar acerca de assuntos pessoais, jornalísticos, culturais), idealizando interpretar livros clássicos de autores brasileiros, dentro do qual poder-se-ía comentar, como quisesse, acerca até mesmo dos próprios comentários. Era um trabalho metalinguístico, parece...

Na realidade, sua ideia era fazer com que todos aqueles que entrassem em seu blog se reunissem, após comentários, em uma biblioteca, pois sabiam (ou sabia a autora) que o computador tinha o poder de interagir, mas era pouco para se reunir – o que era o mais importante.

A reunião, segundo a incrível menina, trazia mais lenha às discussões (no bom sentido é claro), além de conhecer mais amigos, além de vê-los comentando com todo ardor de alguém que amava a leitura, a cultura, os bons autores brasileiros... Era um sonho para ela.

É de salientar que chega a ser atípico advindo de uma jovem, mas não se pode generalizar, como eu disse, mas que somos obrigados a dizer que o que mais nos impressiona é a falta de senso entre os aqueles que se prostram, se revelam, e chegam até criar raízes na cadeira, a espera de água para crescer.

Identidade

E quando entram em programas virtuais, perdem a identidade, perdem amizades, criando outras de plástico. As verdadeiras amizades, graças à falta de prática, ficam presas a sensações internas, ou seja, sempre na vontade de fazê-las, mas o medo de ser criticado, ou mesmo deletado, vem à tona, e assim, tchau... Fica mais fácil as amizades dos chats, dos orkuts, dos faces, do que das escolas, da rua perto de casa, dos vizinhos, restringindo a cada minuto o meio no qual poderia viver em harmonia com amigos.

Liberdade

Nesses programas, não há leis. Raríssimos são os sites que intervêm no pensamento dos jovens que amadurecem em meio a essa fria realidade. Para eles, é como um paraíso, dentro do qual fotos pornôs, assuntos sem pudor, escritas sem gramática, loucuras, são ferramentas para estruturação de um caminho sem fim. Aqui, o desapego ao mundo das leis – esse real em que vivemos – é vital, pois é como se dissessem “aqui eu sou o dono!”, e realmente o são, pois revelam detalhes tristes de suas personalidades revoltados com os pais, com o país, com a política, com a religião, com a falta de programas... Enfim, com tudo aquilo com o qual vivemos, mas assumimos e enfrentamos diariamente com nossas reais armas: livros, cultura, educação, ideais, filosofia, etc.

Isso, todavia, graças a uma elite desnorteadora, fica mais distante a cada momento, pois, se o computador, essa grande ferramenta que poderia ser a ponte para a consecução dos maiores fins da juventude, não ajuda a facilitar – a maioria quem o diz – a vida dos cidadãos, o que pode facilitar então?!

Um dia um filósofo me disse “Um assaltante com uma faca pode matar, mas uma dona de casa, com a mesma faca, pode cortar a carne, a cenoura...”. Isso em miúdos quer dizer que, se usarmos todas as nossas ferramentas de maneira correta, teremos não somente um computador que seja uma ponte para ótimos fins, mas a tudo que nos apegamos e usamos para seus fins corretos.

O que nos faz falta é um filósofo direcionar os jovens desde a infância para fazê-los entender que tudo que se usa, até mesmo uma arma, tem seu fim correto. E o computador tem assassinado gerações.




Aos Meus Sobrinhos.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

"Eu fico com a pureza da resposta das crianças"





Temos que educar nossas crianças para não castigar os adultos”.

Em meio a conflitos, a dores construídas por palavras, a elucubrações estratosféricas ditas  apenas para confundir ou maltratar o companheiro ou a companheira, esquecemo-nos de que, quando há, uma criança pode estar por perto. E ela, com suas poucas nuances psicológicas para lidar com esse mal, assemelha-se a uma pequena torre com toda sorte de raios em sua mente se formando a respeito de um mundo, de uma sociedade, dos pais...

E ficamos envergonhados, pois sabemos que ali, em nossa frente, está-se construindo um mundo novo, um ser humano ainda vazio de perspectivas, sem o mínimo de desejo de construir voluntariamente algo, apenas plasmando ideias, palavras, carinhos, e tudo que se refere à vida.

E percebemos isso muito depois. As piores expectativas nos passam pela mente, do tipo, “ele vai me responder quando estiver maior”, “Ele não gostará de mim”. “Na primeira oportunidade, ele vai me deixar”, “Ele não terá boas lembranças de mim...”, etc, etc.. O que nos faz mais tristes, mais voltados ao nosso âmago sem luz, apenas um foco de sabedoria querendo subir à tona e dizer “Não entregue os pontos”.

E não devemos nos entregar. Temos que nos redimir antes aos erros, mas esse – o de brigar, gritar, discutir ante os filhos – deve ser sanado o mais breve possível, pois não está em jogo apenas a união da família, mas a honra, a dignidade e todos os projetos que, um dia, pensamos em realizar...

A Honra em forma de palavras, pois abraçamos a causa ao nos comprometer em formar uma família; a dignidade, quando nossos atos são incoerentes em relação àquela pequena lei que nos burla desde que nos tornamos adultos; os projeto, enfim, se vão... Ou seja, uma casa, um carro, ou até mesmo uma máquina de costurar... tornam-se objetivos que complementam vidas de casais que economizaram juntos, trabalharam juntos, e sorriram juntos... E agora, se foi.

A criança, o maior de todos os projetos, também se vai. Ela perde o senso infantil se transformando em um miniadulto, respondendo os pais, não brincando com aquilo que é inerente à idade, zanga-se por tudo, grita, pede, implora... E do seu jeito, quase adulto, quase criança, cresce perturbada, levando a todos a se perguntar mais tarde “O que acontecer com esse menino?”.

Ninguém nunca se pergunta “será que sou eu?” / “será que somos nós”/ “onde eu falhei?”...

Pitágoras, filósofo de Samos, disse um dia “Temos que educar nossas crianças para não castigar os adultos”. Essa é a realidade. Assim como é real cuidar de uma árvore para que ela seja forte, para que dê frutos macios, belos, bons. É necessário até cuidar de animais, dos quais tiramos tantas histórias interessantes de vida, mas nunca levamos para o nosso cotidiano, pois somos frios o bastante para entender a natureza a nossa volta. Cuidar desde pequeno de um cão, até mesmo de um leão, torná-lo-á um animal dentro de sua natureza, e ao mesmo tempo respeitador de seu dono.

E quando nos referimos a crianças, todos os exemplos são poucos, pois são humanos. Possuem inteligência, coração, alma, espírito – portanto, pensam, agem, estudam, meticulam, sugestionam; são alegres, tristes, brincam conosco, tentam falar com gestos, com gritos, com choros, e nos dão todos os retornos possíveis e impossíveis – estes últimos, quando há descobertas em seu mundo e nos fazem grandes sem sermos.

Temos que ter coragem. Coragem em construir um amor sem brigas, e não conflitos fortes dos quais não se tiram nada, a não ser a violência; coragem em assumir nossos erros, e nos redimir, dizendo a nós mesmos "ele é meu filho e eu quero o melhor para ele, de verdade"; e ter a coragem de mudar, ser melhor, não apenas com ele -- sua continuação -- mas com a própria companheira e ela com o companheiro.

Quando brigamos, atingimos a alma do pequeno ser que um dia nasceu apenas com um objetivo: nos fazer felizes.



Ao meu querido Filho, Pedro Achilles.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Inimigo Silencioso (i)




"Criamos a época da velocidade e nos sentimos perdidos dentro dela". C. Chaplin.



Traduzir o que gerações aprenderam em épocas que se passaram daria uma eternidade de textos e, ainda sim, não terminaríamos nunca; então, vamos apenas expor em breves linhas o que nos interessa acerca desse assunto que nos envolve e ao passo nos declina a polemizar todas as vezes que o citamos.

Estou me referindo ao comportamento jovem em relação aos games, twiters, facebooks, os quais transformaram, de um tempo para cá, a vida daqueles que se prostram em frente a essas máquinas que viraram pais e mães de alguns, e para outros, apenas tios.

No entanto, ainda que eu que tente traçar de maneira simples, ficaria difícil. Principalmente, no tocante ao comportamento dos jovens que, hoje, sem referenciais, não adotam nortes para os quais ir e deixam a natureza instintiva e personalistica se traduzir em vícios.

Todavia, como já falei no inicio, não são todos, mas há uma percepção de uma realidade concreta tomando conta desse mar de frialdade pela educação, a qual tanto se distancia (ou nos faz distanciar) dos reais interessados nela: nós.

A internet


E nesse mar bravio de frialdades, sempre nos deparamos com ferramentas naturais que sempre fizeram parte de nosas vidas, e outras que nascem e crecem para o desenvolvimento humano, através de tecnologias... – bem, pelo menos era para ser! Como a própria internet, que, visivelmente, não seria um mal, não apenas para os conceitos modernos, mas tradicionais também. Platão diria “Se é para o Bem é bom”. O “Bem”, a que se refere o mestre, seria tudo que se religaria aos homens, aos seres em geral, no sentido de harmonizar o homem com suas necessidades e essência; e a internet tem esse poder, contudo, no entanto, entretanto... Entramos com nossos vícios de personalidade os quais burlam qualquer bem, não apenas o maior, mas o menor possível.

Traduzindo, há, então, a grande necessidade de se vigiar quaisquer que seja a criatura de duas pernas quando se trata de dar algo a alguém para alguma finalidade, mesmo porque a finalidade, de alguma forma, ficaria em segundo plano – sempre.

Games


Os jogos em geral são a prova disso. Não são mais os joguinhos de dados, as figurinhas marcadas, as bolinhas de gude, os bilboquês, os piques-pega, dentre outros de décadas passadas que fizeram parte de uma geração como meio para uma educação. E, se fizerem um “balanço” geral, saberão o quanto as brincadeiras influenciaram no comportamento dos jovens de ontem. Mas agora, como toda caverna tem suas sombras apaixonantes, temos os jogos mais reais, mais fortes, cujas brincadeiras não passam nem perto de uma simplicidade educacional... Se é que sabem o que digo.




É notório que os comportamentos mudem, mas nem toda mudança deveria ser, pelo que vimos em termos de comportamentos, para pior, pois o que presenciamos é uma série de meninos-robôs sorrindo e se inteirando, com ou sem a autorização dos pais com uma máquina que, embora não tenha nervos ou emoção, pede e reluta para que o jovem saia e dela se distancie e crie novos objetivos dentro dos quais a própria sobrevivência de sua espécie esteja em questão...

Não é radicalismo. Atualmente, crianças com menos de três anos de idade – com reminiscências passadas – já sabem lidar com a máquina (computador) como se já nascessem com ela, deixando pais impressionados, ao ponto de ficarem presos a essa impressão e ficarem estáticos diante do horror. Os pais, aqui, dormem acordados.

O horror, com toda certeza, ainda não mora no comportamento desses sonhadores da morte, mas nos “Amos da Caverna”, como diria o mais belo e nobre discípulo de Sócrates, os quais jogam palhas secas na fogueira da vaidade juvenil dando-lhes um mundo virtual do qual, para saírem, torna-se complicado...

Os “amos” – filosoficamente falando – seriam empresas que ganham bilhões por ano, as quais educam a todos com seus jogos virtuais, sempre fazendo com que emplaque com a tecnologia de ponta a imagem mais real, mais nítida, às vezes, tão nítida quanto à própria realidade com a finalidade de levar a eles um mundo tão cruel quanto o próprio. E conseguem.

Não precisamos de crueldades, ainda que sejam de ‘brincadeira’, precisamos de batalhas naturais da vida, com intuito de crescer e desenvolver nossa personalidade, nosso caráter, e, dentro dessa experiência, nos transformar em homens, ou antes disso, de crianças e jovens saudáveis, assim como num passado não muito distante, aprendendo a lidar com a vida, com o mundo, e principalmente, sair da frente das telas e ganhar um grande abraço dos pais, dos amigos, pela primeira batalha vencida.

A Parte que nos Falta

"É ótimo ter dúvidas, mas é muito melhor respondê-las"  A sensação é de que todos te deixaram. Não há mais ninguém ao seu lado....