terça-feira, 19 de junho de 2012

Caminhos da Cidade


Imagens que se vão.



Ao andar pelos bares da Cidade (Brasília), sinto, apesar dos anos que nela tenho, um estranhamento... Sei que nosso mental, enraigado do marasmo nacional, em conjunto com os problemas internacionais, nos torna um pouco lentos, quase parados, sem finalidades mil, seja onde estamos.

Talvez por isso me sinto enclausurado, como se estivesse em uma caixa (não de Pandora!), na qual filhos se curvam a uma mãe fria, sem respeito, e que faz questão de manter esse “brio”, ou seja, de uma criatura embalada pelo passado honroso, que, há muito, se foi, e que o presente nada mais é que elevação desse passado, retirando de todos a visão de uma realidade a qual não nos edifica nem um pouco...

Feita pelos ideais de um homem, Brasília, hoje, configura-se o respeito em forma de Capital do Brasil, na qual entraram seres maravilhosos, heróis que levantaram, aos poucos, essa grande ornamentação, a que tanto nos inclinamos quando saímos de casa...

Porém, sentimos o desespero, lá dentro do coração, ao saber que somos obrigados a ser o que o presente quer que sejamos... “A Capital da Educação”, “A Capital da Saúde”, “A Capital do Poder”... Eu, particularmente, não me sinto bem ao saber que toda essa marketing nada mais é que uma busca desenfreada para ser algo, não o que diz ser.

Sentimos, ainda, que somos tais quais bonecos, presos a essa razão sem razão, a esse ideal que, desde que somos gente, torna-se mais utopia do que um ideal. Este último, pelo menos, nos tornaria mais perto de uma realização; enquanto utopia...

Sabemos que a política é o ponto forte da Capital, sabemos também que se entende por política a arte de enganar a todos, até mesmo aquele que diz ser político. A falha talvez venha daí... Um dia ouvi de um grande professor a frase “política é uma estátua que há muito foi suja por nós, mas que um dia foi limpa”... E faz sentido...

A questão, no entanto, é que vivemos em torno de leis maiores do que aquelas que nos embutem no dia a dia, daquelas que um dia serviram para todos e que hoje, graças ao termo "imunidade", somos obrigados a ver ladrões de barras de chocolates presos no lugar de grandes ladrões de vidas, de gerações.

O mesmo professor sempre nos educou com relação a uma política ideal, daquela que muitos acreditam que é um sonho, ou seja, que só se realiza quando dormimos... Ele falava da República platônica, que nos fala de um mito, o da Caverna, na qual vários seres são educados, desde a infância. E algemados, acreditam em tudo, até mesmo em falácias claras, em discursos, em sombras, ou seja, em relatividades.

Daqueles, sai um ser que estava entre aqueles cujo tratamento não era diferente, porém havia conseguido se levantar, sair, e ver o sol – o mundo real. Ao voltar à Caverna,  Platão dá o nome do ato política... Ou seja, aquele que está acima de qualquer suspeita, que sabe da verdade, que viu e que tem tendência a ajudar... É o Político, na República (que fique bem claro...).



Então se buscássemos essa qualidade em cada um de nós, talvez fôssemos tão políticos quanto aos atuais. Para isso, seria necessário refletir acerca de nossas algemas, ou seja, nossas amarras que nos impedem de ver a realidade. Algemas impostas, na maioria das vezes, pelos donos da caverna, os quais se revelam mais donos do que nunca, em uma cidade que significa para muitos um Egito tradicional, pelo qual todos habitantes morriam... Mas estamos longe de sê-lo.

Não se pode ter orgulho de algo que não nos dá retorno ainda que damos a alma. Esse tempo se foi. Hoje, precisamos dar valor ao que está perto de nós, como os grandes amigos, família; aos grandes que ainda salvam muitos com gestos simples; ao filho que ama, que respeita, aos seres que não perderam a viagem da vida,  e que sabem o seu lugar onde quer que esteja...

Brasília, hoje, nos engana, não com suas construções, mas com a falsidade que se esconde por detrás dos sorrisos, das roupas elegantes, do menino que vai à escola para aprender, mas que, em pouco tempo, vai ser um assassino em potencial... E do menino que nasce às margens desse.. Poder, o que podemos esperar?

Hoje, em prol de Brasília e do Mundo, converso em demasia com meus sobrinhos, incansavelmente. Por serem adolescentes, de aparência incrédula em relação ao mundo, à vida, se enfurnam em televisões e seus programas cavernosos; faço questão de levar-lhes um pouco da filosofia do bem-viver, indo atrás de seus objetivos com suas próprias mãos. E tento ser um pai presente ao meu filhão, em todos os aspectos, para vingar uma infância que meu pai não pôde me dar com sua presença. E nem poderia. Falo muito de um mundo que podemos ter aqui e agora, com nossas forças internas, elevando o mental à ideias maiores ainda que tudo...!

Ah, no fundo sou um sonhador, não utópico. Apenas um sonhador que implora todos os dias a paz a Deus, e que minha família, apesar dos pesares, tenha fé na resolução dos problemas, pois eles nunca se vão, na medida em que somos o que somos. Humanos.

Na realidade, aqui, Brasília é o meu mundo. Aqui, eu nasci e aqui vou desaparecer. Assim como minha mãe que se foi como um dos melhores seres que já conheci, eu também pretendo, pelo menos, chegar à sua sombra.





segunda-feira, 18 de junho de 2012

Passeatas: passeios sem direção.


Passeatas na década de sessenta: elas sabiam muito mais o que queriam.

 


Há muito que se reivindica por meio de passeatas nas ruas, nas praças, até mesmo pela própria guerra, o necessário para a realização de um determinado grupo, para uma sociedade, ou mesmo país – e dentro desses quesitos, muitas coisas foram a essência para a modificação do mundo, como na Revolução Francesa, que nos deu princípios básicos de como ir à luta para a consecução de nossos nobres objetivos. Contudo, mais tarde, vimos que tal revolução nada mais era que uma necessidade de alguns, não da maioria – ou seja, não era uma revolução humana, dentro da qual poder-se-ía mudar comportamentos fossem eles éticos, morais ou não. Talvez, nenhuma o fizesse até hoje...

Assim são as passeatas... Não param jamais. São sempre em nome de paz, com porretes nas mãos; em nome de Deus, eliminando os supostos inimigos com palavras, ou mesmo com guerrilhas, todas – repetindo – em nome de Alah, Jeovah, Jesus, Deus, etc...; outras em nome do amor, na qual se configura a maior apologia ao sexo (às claras), pois querem liberdade para “expressar” seus sentimentos...

A mais nova é uma revolução às avessas. A passeata das Vadias, na qual meninas, mulheres, homens com sexo duvidoso, com sexo certeiro, caminham com faixas ao alto pedindo respeito ao corpo, respeito às vestes, de modo que sejam livres para “transar” com quem quiser, a hora que quiser, onde e como quiser. E vestir o que quiser, claro.

Vamos começar pelo inicio... Já faz algum tempo, que uma certa estudante foi pega pelos seus colegas de turma, com uma minissaia, entrando no recinto de uma faculdade conhecida. Houve, segundo ela, assédios além do normal, e mais, desrespeitos a sua pessoa de maneira que fora obrigada a sair correndo ou abrigada pelos seguranças da instituição...

Já percebeu que somos os únicos seres da espécie a pedir respeito? Por que motivo uma gazela, uma tigresa, uma onça não o pedem...? Não é brincadeira. Se colocarmos dessa forma, vamos dizer que não precisam, em razão de suas peles, pêlos, espinhos, enfim, são suas vestes naturais... as quais sincronizam com a maior das instituições... a própria Natureza.

Nós, claro, por razões animalescas que possuímos intuitivamente, não podemos fazer isso: andar nus. Podemos, sim, caminhar com harmonia, sintonia, seja aqui, ali, ou mesmo em qualquer lugar sem que possamos ser achincalhados, humilhados, ou vistos como animais predadores marinhos – piranhas, tubarões, baleias, etc – mesmo porque não o somos, ainda que insistam.  Há, com certeza, roupas que se harmonizam com o local, com tudo, sem que a pessoa seja ridicularizada.

Há, no entanto, algo ainda mais grave a se constatar, a de que estamos em mundos diferentes, dentro dos quais cada um possui uma esfera de evolução – estou me referindo ao mundo de cada um. Muitos querem a honra, a ética, a moralidade; querem o pudor, o respeito real, liberdade real, esses somam-se àqueles que estão em um patamar natural, belo por excelência; ao passo que muitos outros querem a mesma coisa, porém de modo diferente... Ou seja, assemelharem-se àqueles animais no inicio, como se uma revolução Inversa fosse possível.

QUEREM andar de microssaias, em qualquer lugar, e com calças supercoladas ao corpo, seja em igreja, em formaturas, nas quais se comemora a melhor parte da consecução de uma juventude... Sem falar em templos religiosos, nos quais a formação de todos, desde épocas passadas, era a de religar-se com o sagrado, o qual se demonstra sempre vestido de paz e harmonia onde quer que estejamos!

Querem usar o corpo como lhes convêm, pois acreditam que este é delas, assim como um carro que compram, que usam, que trocam. O corpo envelhece, enruga-se, transforma-se num ser que se esvai com o tempo, assim como qualquer planta, animal, e, se fosse para ele, o corpo, pedir respeito, ele o faria. E seu respeito, a depender de quem dele cuida, fica ou se vai antes mesmo de virar pó.

Não querem, contudo, pensar, refletir ou repensar acerca disso. A passeata das Vadias, como são chamadas (ou é a passeata?), é com um intuito de “respeitar ainda que sejam vadias”. Soa contraditório. Se bebo até cair, como grama, sou pisado pelos transeuntes, e peço que me chamem de doutor?...  Soa-me estranho.

A palavra respeito, assim como outras que se vão sem o sensor natural de elevação humana e universal, tem sido muito repetida em várias instituições, principalmente em senados, câmaras, tribunais. Mas sabemos que, ainda que peçam, não mereçam, pois são como lobos que destroem sonhos nossos de cada dia.

Agora, sair às ruas, com seios à amostra, com minissaias que, em meio a crianças e adolescentes, são pedidos ao lado bestial de cada um..., além de frases deploráveis, como “o corpo é meu, eu dou pra quem eu quero”, e mais... “Quero respeito!” – O que seria respeito então?? O que é moral? O que é Ética?

As passeatas sempre trarão revoluções, pois modificam o comportamento humano em décadas. A questão é uma só. Quando é que entraremos em uma passeata coerente na qual pediremos nossos princípios básicos?

Quais são?! Há há há!
É melhor rever seus conceitos em tudo, senão, amanhã você estará a favor do sexo, indiscriminadamente, a céu aberto...

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Heróis de Ontem e de Hoje.

O Herói nosso de cada dia não possui batalhas como as de outrora, ou mesmo se veste com o elmo com a finalidade de dar medo ao adversário; o herói de hoje não possui escudos com o símbolo de sua campanha. Não possui lanças, martelos, coletes de aço. O herói de hoje não reivindica tronos ou mesmo aquela Liberdade... Os do passado... talvez.

Heróis do passado, heróis do presente, ainda quer se distanciam em sacralidades, objetivos, ideais, possuem algo em comum. São heróis. Os do passado realizavam feitos em nome de Deus, não dos homens. Tinham suas vitórias em homenagem ao Logus, ao uno. A virtude,  temperança, o amor, instrumentos dos quais tiravam suas garras naturais de um guerreiro, eram suas armas.

O herói de hoje, um tanto quanto distanciado da realidade de outrora, de seu eu, reivindica seu salário, seus direitos, sua família... Reivindica a paz em sua casa, a integração de uma sociedade aos seus direitos,  das bases políticas, religiosas; o herói de hoje vive distante dos heróis do passado em questões que se revelam mais duras, como a de iniciar uma revolução em favor dos próprios homens, no sentido mais brando possível.

O herói sagrado pintava-se para a guerra; o de hoje, sobrevive em meio a cores que o confundem em seus ideais, por mais nobres que sejam, pois partidos, sociedades, religiões, o fazem perdido, o fazem sem batalhas voluntarias, em uma guerra tão ampla quanto seus próprios pensamentos.

As diferenças se ampliam no campo idealístico, principalmente. Mas se unem numa só palavra. Herói. Vem de Eros, deus do Amor. Heróis, na raiz da palavra, seria o ser que se adentra com amor na consecução de suas batalhas, a saber que sua vitória não é aquela que se inicia apenas pelo fato de ser apenas uma batalha cheia de palavras e sangue... Seria, a seu ver, mais que isso... Seria, mais tarde, a lanterna de outras... Ela seria lembrada pela forma como foi levada, conseguida entre aqueles que deram a alma não apenas pela batalhas, mas pelos deuses... Nesse espírito, a Guerra de Troia nasceu. Falemos disso depois.

EGITO

Os egípcios, naturais de batalhas esplendorosas, tinham o seu rei-deus. Estes homens, que ocupavam a principal função do estado, iam a batalhas, venciam, e nestas tinham seus ideais de harmonia universal. Não havia genocídios, apenas a necessidade de trabalhar em função dos seres humanos, do cosmos, de tudo... Algo um tanto quanto mais brando com relação ao que temos atualmente.

Ramsés, o grande, ao viver desse grande ideal, era um dos melhores homens de sua época, não porque era um faraó, mas porque abarcava responsabilidades maiores que ele mesmo, pois além de suas obrigações de homem, era também um semideus, o qual dava a seu povo o esplendor de seu governo de Ética, Princípios, Moralidade, e muito mais sob a tutela de Maät,  deusa da Ordem.

Sabe-se que este faraó em uma batalha contra os Hicsos, povo que seria um dos maiores inimigos daquele país, fora a campo levado pela vontade de vencer e destruir o inimigo, porém, ainda que houvesse força para tanto, fora abandonado pelos seus homens no meio da luta.

Ramsés sentiu-se só, mas, dentro de sua alma, vira que seu país necessitava de equilíbrio, paz, no sentido mais social e universal possível, e, fazendo uma longa oração a Seth, levantou-se, subiu em seu carro de rodas frágeis, no qual apenas ele e seu serviçal cabiam, apenas ele, no entanto, lá estava e ao seu lado seus animais de estimação, um cão e um leão, dignos de qualquer rei, prontos para a maior das batalhas, a de Kadeshi, na qual o homem-deus armou-se e partiu para cima de todos os seus inimigos, deixando alguns mortos outros com medo do confronto por ver em seus olhos a guerra de um homem, a imortalidade. O rei venceu.

Assim como Ramsés, muitos faraós foram heróis. Assim como o grande rei, todos eles se viram na obrigação de equilibrar e harmonizar o país das pirâmides, como se fossem reais pontes necessárias para esse equilíbrio... Hoje, não há heróis assim.

Romanos, Espartanos...

Os soldados romanos, tão criticados no presente em razão da violência que os faziam guerreiros imbatíveis, eram mais que isso. Tinham em sua alma uma cidade que também os amava. Roma. A grandeza em espírito traduzida em organização política, religiosa, familiar, fazia a diferença. Os homens tinham pelo que lutar. Aqui, uma época na qual valores humanos eram respeitados, e que o que saísse dessa ideia teria que ser inimigo de Roma.

Os romanos, que possuíam em sua alma a conquista, às vezes tomavam cidades sem mesmo uma luta, pois sabiam os bárbaros da fama não somente dos guerreiros, mas da própria Roma, a qual tentava harmonizar – e não tomar -- aquele estado sitiado por ela, não o tornando escravo. A maioria se sentia assim, claro. Por mais que seja desequilibrado o sistema, era aquele que tinham escolhido; contudo, Roma tinha uma ideia grandiosa, a de tornar o mundo harmônico – dar a cada um o que lhe seria de direito – sob a sua bandeira... Isso talvez a atrapalhasse.

Aqui, somam-se heróis. Um império que durou mais de quientos anos precisou de guerreiros que fizessem seu papel. Há histórias de homens que morreram por Roma, pelo maior dos ideais que encontraram.

Há histórias nas quais se dizem que um dia um grande soldado levou consigo uma mensagem de apenas resguardar a fronteira de uma das cidades tomadas por Roma, e não se exaltar, caso viesse acontecer algo que o desse medo, como o avanço bárbaro – que para os romanos era costume enfrentar; não sozinhos...

Após o ocorrido, generais romanos foram ao encontro do homem cujas tropas que tinham como responsabilidade resguardar a fronteira daquela cidade, porém não haviam conseguido.  A maioria tinha tombado. Encontraram o soldado... E antes de falecer nas mãos de um dos generais, ouviu um deles dizer... “você salvou Roma”.

As batalhas tinham heróis que salvaram os ideais de Roma, os quais resguardavam não somente fronteiras, famílias, seus deuses, mas principalmente o espírito romano. E hoje, o que nos falta é esse espírito romano em cada cidade, em cada pais.

Hoje, heróis vão às ruas pedir empregos, pedir paz, pedir amor, pedir... tudo. Os heróis romanos, em cada atitude, não apenas nas guerras, mas principalmente em casa, eram coerentes com aquilo que acreditavam; mais que isso... eles se vestiam da própria lei.

Há relatos de que, um dia, César ficou sabendo que seus soldados não iriam mais as suas batalhas, pois estavam se arriscando por muito pouco. César, o grande general, foi ao parlatório das reuniões secretas, olhou para cada um – mais de trezentos soldados – e disse-lhes “soldados!” – César, que sempre os tratava como “meus amigos” – “temos uma grande batalha, a batalha de nossas vidas, defender nossos sonhos!”... Os soldados, desde a primeira fala, haviam concordado, pois jamais tinham negado um pedido de seu amado general, o qual jamais tinha perdido uma batalha. Alguns choraram e pediram perdão, outros já se enfileiravam... César, mais uma vez, tinha vencido.

O herói César, que nunca havia perdido uma batalha, tinha seus motivos de alavancar seus homens, pois sabia que uma batalha não se ganha apenas com teorias, mas com estratégias em prosseguir com seus planos, os quais se harmonizavam com o maior deles. Roma.

E assim, era o grande Leônidas, general espartano, o qual fazia transbordar a ira de Xerxes, majestade da Pérsia, quando recebia de seus batedores a noticia de que o grande rei tinha tomado a maior parte da atual Europa. O general, com trezentos homens, e Xerxes, com mais de dez mil, dizia ao batedor... “Se sua majestade quiser se entregar, tudo bem”.

Nesse espírito, Leônidas conseguiu deter, em mais de duas semanas, com seus trezentos homens, mais de um milhão de homens de Xerxes, um dos mais cruéis reis da Pérsia. Leônidas perdeu a batalha, mas, graças a ele, o  gregos tiveram tempo de se armarem e vencerem o grande rei, cujo exército já não era o mesmo depois das Termópilas (i)..

AQUILLES

Aquilles – guerreiro espartano da Guerra de Troia, era temido não apenas pela força, mas pela destreza e impiedade aos inimigos, os quais o viam como um semideus – e era – pois Aquilles, em uma guerra real, era um figura mitológica criada por Homero. Mitológica pelo fato de trazer em sua figura elementos universais... (já tratados aqui nesse blog).

Mesmo assim, reunindo tais elementos, Homero quis nos dizer que, ainda que sejamos heróis, por mais belos que sejamos, mais fortes que sejamos, por mais guerras que vencemos, precisamos de caráter, de disciplina, de ordem e sacralidades para os quais lutar, e se perderiam com o tempo, e ele tinha razão. E o Calcanhar de Aquiles representava essa falta.

Hoje, ser herói é esquecer da semântica que nos faz vivos e lutadores por algo maior que nós mesmos. Hoje, ser herói é lembrar que temos forças para acordar cedo, não reclamar da esposa, do filho, da segunda-feira; brigar por posições no trabalho, pelo dinheiro fácil, pelas férias não tiradas...; hoje, ser herói é vencer as drogas, o vicio como um todo; vencer nosso racionalismo doentio que vive em prol de nossos erros; hoje, ser herói é levantar a cabeça apesar dos pesares – corrupção, injustiça, violência, medo de sair de casa... Psicoptas, etc.

Hoje, nosso maior calcanhar somos nós mesmos. Portanto, o que fica de Aquilles em nós é o que deve ser conquistado. Resgatar esse herói em nós é o nosso ideal.



Aos meu Filho, Pedro Achilles.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Oração aos Homens de Bem

"Para que precisas de mais milagres? para que tantas explicações? Não me proceurei fora! Não me acharás. Procura-me dentro? aí é que estou, batendo em ti"






Orar batendo no peito,
Não sentir-se um eleito,
Desfrutar o mundo,
E por ele conhecer a ti.


Passear em Meus templos,
Acreditar em Meus ventos,
Em Meus bosques,
Onde praias batam em Mim.


Não se culpar pela miséria,
Passear pela terra,
Não sentir-se fora de si.


Crer em tua alegria,
Dizer que em Mim confia,
Deixar clarear o dia,
E dizer que és filho Meu.


Não sentir medo,
Revelar Meus segredos,
Não ler nas escrituras
Que o mundo se perdeu.


Esquecer mandamentos,
Colher frutos ao vento,
E em todos, amar a Mim.


Sentir nas montanhas,
Nos Alpes que desenhei,
A presença Minha,
Não nos templos de marfim.


Se tu és livre para pensar,
És livre como água que corre,
Como nela o peixe doce,
Que sobe até o fim.


Este prelúdio que me precede
Me faz junto a ti,
Mais que o fogo que corre a terra,
És parte de mim.





A Espinosa.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Saudade

A saudade do sol dura pouco: a nossa não.




Saudade

É como pedras imensas que carregamos quando alguém se vai, e vão se desfazendo à medida que o tempo passa. Mais tarde, tornar-se-á uma pequena pedra, tão pequena, que se tornará inimaginável o seu tamanho; contudo, não será desintegrada com o tempo, pois ficará em nossos ombros ou mesmo coração como sinal de que, um dia, aquela pessoa que nos fez tanto bem fez parte de nossas vidas...

Saudade

É levar um passageiro desejável dentro de nossas mentes seja para onde nós formos: seja para o alto de uma cordilheira, ou mesmo para o fundo de um fosso, não interessa, e sim que esteja lá pedindo que seja lembrada ao passo de nossas consecuções, de nossas vitórias ou perdas.

Saudade

É olhar para  uma planta e dizer que um dia fomos semlhantes, e que hoje somos troncos fortes de árvores inigualáveis, tais quais sequoias naturais, imbatíveis, em meio a florestas frias, em um mundo mais frio ainda. Nessa grande floresta, ao crescer, podemos olhar para cima – acima até das outras árvores – e perceber que há muito que viver.

Saudade

É guardar o segredo que há muito aquela pessoa nos confiou. Dar gargalhadas ao lembrar que somos ainda amigos, companheiros, ou mesmo mãe e filho. Lembrar que, ainda que se fora uma parte de nós, estamos tão unidos quando no dia em que passamos a existir um para o outro. E nessa saudade, não lamentar perdas, mas dar graças à existência de quem se foi, pois, ainda que sejamos racionais o bastante para compreender a vida, não o somos para compreender a totalidade do que somos e para onde vamos.

Saudade

É olhar o sol, dar graças a ele por ter um dia iluminado aquele ser que, um dia, fizera parte dessa vida, e que agora vive de um sol desconhecido, misterioso, só visto pelos deuses. Dar graças à terra, à chuva, aos dias, a tudo que um dia foram portas abertas àquela que um dia fora a porta para os segredos terrenos, fora a chuva na terra molhada de muitos, e que nos dera o melhor dos dias enquanto esteve aqui, conosco.

Saudade

É caminhar sozinho, feliz, nas lembranças belas, em grupo ou não, desfazendo os dias tristes (que houve), no entanto, não foram suficientes para amargar nosso viver. É chorar nos cantos, e ao mesmo tempo cantar, baixinho, a música favorita de quem partiu. É viver, a cada dia, tal qual guerreiros que perderam os melhores companheiros, porém nunca desistiram da guerra, graças aos conselhos sábios, aos rastros, às armas, ao amor que nos deixaram.

Saudade

É canalizar toda a força que nos deram quando em vida estiveram... É amar o próximo, é progredir, é trabalhar, é subir as montanhas da vida, e buscar em cada degrau da vida uma experiência nata, justa, pela qual sempre vale lutar. É olhar para frente, sentir em nossas vidas que há mais vidas, mais ar, fogo... Pois aqueles que foram, ainda que exista um céu ou mesmo um inferno (ou não...), nos observam, com olhares maiores, mais fixos, tais qual os do sol que nos alimenta de forças místicas.



A mãe das mães!

Onde quer que estejas, saudações, irmão!


Saudade,
Meu irmão,
Saudade,
Minha mãe.

terça-feira, 5 de junho de 2012

Heróis sem Poesia


Traje do Herói



Eu vi um homem no lixo da vida,
Amando profissões, suas ilusões,
E nele eu vi a ferida.

Ele anda, come e sorri para vida,
Cheio de ternos e gravatas,
Solidário a bravatas,
Só sei que nada sabia.

Faz do próximo seu assoalho,
E desfila como um soldado avante,
Não sabe se viera de pai ou mãe,
Bem tratado como amante.

É filho do nada,
E do nada soma sua vida,
Pois de tão vazio que é,
Morre sempre nas guaritas.

Não ama, e não se importa em amar.
Apenas em se iludir,
Pois corre a tua mesa,
Os papeis, a sobremesa,
Sobrevive em mentir.

Determinado ao sol apagado,
Ainda sim se admira,
Consegue frutos de seu público,
Tão fúteis em sua cria.

Ao vê-lo distante, não sinto nada,
Apenas um mal.
Pois carrega o mal do herói dos dias,
Fabricado pelas rinhas... Normal.

Vergonhoso e presente
Este ser deprimente,
Que se julga homem,

Tão triste ainda é a mulher,
Suposta esposa, companhia,
Que se julga rainha...
Dois lobisomens.

Tão fria ou seria heroína?
Ela não sabe o que é,
Diz-se ser dele admiradora,
Algum patrocínio ela quer...

Esse homem cresce,
Se torna presidente,
Vai ao cume das palavras,
E delas nada tece.

Seu modo de caminhar é tão discreto,
Julga-se esperto, camarada,
Se embriaga com a riqueza,
E da pobreza, execrada.

Esse ser não morre,
Ele dá frutos!
Tantos que o amam,
E de noite viram defuntos!

A justiça é dele,
Nada se pode fazer,
Racional e perspicaz desde a infância,

Tem trauma de ignorância,
E tem medo de perder.

Esse é o nosso herói de hoje,
Cujos sonhos são nossos pesadelos,
Sua alegria, nossa dor,
Mal caráter e conselhos...

Esse é o amado dos homens
Que se consomem na matéria,
Se procriam como bactéria,
E o amam como salvador!

Dele somos criadores,
Somos pais e protetores,
Agentes bestiais,
Versos do terror...

Não adianta a morte,
Como fuga do desamor,
Pois fomos firmes em fazê-los,
Entreguemos a ele, então, nossa sorte

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Luz Apagada no Escuro




Desarmonias entre o bem e o mal,
Entre o sol e a chuva,
Entre a mão e luva,
Entre o açúcar e o sal.

Dissintonias de paz e guerras,
Armas e belas,
Vidas e mortes,
Água e terra...

Dissincronias entre amor é ódio,
Dor e ópio,
Suor e descanso,
Rudes e mansos.

Aqui, em meu coração,
Uma luz no escuro,
Desse ser impuro,
Reina paços de solidão...

A Parte que nos Falta

"É ótimo ter dúvidas, mas é muito melhor respondê-las"  A sensação é de que todos te deixaram. Não há mais ninguém ao seu lado....