sexta-feira, 20 de julho de 2012

Vênus, Psiquês e Afrodites...



Vênus
  

Braços finos e longos ao chão...
Desmancham na cintura fina,
E iniciam minha sina,
Que carrego em minha alma... Solidão.

Teus olhos grandes me despertam,
Tua juventude em teu corpo,
São tais quais rios brandos em minha mão...

Não mo deixe te olhar,
És uma aparição!
Pareces uma pequena crença,
Uma pequena deusa,
A espera de oração.

Sou teu divino amor,
Que vos sente ao longo do teu passo,
Que canta como pássaro forte,
Como tambor do norte,
Beirando a sua santidade, ao pudor.

E divago em teus cabelos negros,
E nele navego marinheiro,
Sinto-me matreiro,
Quando não ouve meus apelos...

Teu rosto, tua face tão perfeita...
Harmoniza-se com teu céu e terras
Entre bestas e feras,

Em ruas cálidas eleitas,
Em meio a outras belas,
Porém cegas de nascença...

Em teus simples gestos meigos,
Tua alma voa em um mundo vão...
Desliga-se deste tão poderosa,
E religa-se ao meu coração.



Psiquê



Morenez que não descansa,
Assim é tua pele feroz;
Teu corpo esguio com fome,
Faz-me um homem sem voz.

Ainda, nesse manto tão puro,
Arrebento meu mar,
E tu, como rochas pontiagudas,
Traz-me eloquências sem ar.

Oh, mulher-criança,
Que dança sem canção,
Ouriça meu corpo solitário,
Ainda sem vazão.

Insulta-me ao longe,
Sem perceber,
Com tua graciosa pele,
Morreria por você.

Nada, todavia impedir-me-ia de te amar,
Por você, na montanha subiria,
De prédios altos pularia,
E caminharia em alto mar.

Mas... Nada é tão belo sem teu olhar,
Singelo por excelência,
Dá-me presença nas ausências,
Insulta-me sem pensar.

E carrego-te em meu colo,
Como príncipe que chegou,
A salvar-te do dragão da vida,
Até daquele que sou...



  

Afrodite



Do teu céu ela vem e me acorda,

Destoa a cantar de tua voz amada,

E de tuas asas brilhantes,

Encerra o esplendor da vida.

 

Teus olhos quão profundos são

A me deixar perdido em fossos,

Preso em meu âmago em solidão.

 

Vibram tais qual aquarela pura,

De cores frias e obscuras,

Ao passo belas e amantes,

Atingindo meu mundo distante.

 

Ela reina solitária em seu planeta,

Não há um ser a te clamar,

E bela onipotente em teu cometa,

Faz teu mito lírico a se formar.

 

E nas cadeias que formam estelar,

Brilha teu rosto alvo divino,

E quando nos desce o teu sino,

Corações acordam a te amar.

 

D.

terça-feira, 17 de julho de 2012

O Fogo de Prometeu

Prometeu e o Fogo dos Deuses.


Falar do Fogo de Prometeu requer a subtilidade de um especialista em mitologia, ou mesmo de um simbologista clássico, mas, mesmo assim, minha teimosia em ser um filósofo -- o que não sou, ou na tentativa de resgatar o filósofo interior de cada um, acredito que posso reverberar um pouco acerca deste mito tão belo que fala, mais uma vez, sobre a Consciência Humana.

Vamos partir de uma fonte tradicional da qual muitos retiram vários mitos e os expõem para a compreensão de muitos contextos atuais, nos quais estamos inseridos. Essa fonte se chama Hesíodo, grande poeta grego, que iniciou sua jornada na mesma época em que o historiador Homero iniciou sua empreitada em visitas a várias civilizações, das quais retirou as mais belas histórias. Hesíodo, assim como seu contemporâneo, escrevia peças, poesias e escreveu a saga de Prometeu por volta do fim do século VIII a. C.

O Mito


Segundo nos conta o poeta grego, Prometeu, irmão dos deuses Epimeteu, Menoécio e Atlas, filhos de Jápeto e Clímene, teria tido a tarefa de criar os homens e todos os seres da terra. Seu irmão Epimeteu encarregou-se de dar dons variados aos animais, como força, coragem, rapidez, além de asas e outros recursos para a sobrevivência... E o fez. Porém, ao chegar a vez do homem, formou-o do barro; e não havendo mais recursos para dar vida ao homem, recorreu a seu irmão Prometeu, o qual, já conhecido por desafiar a Zeus e sua Onipotência, roubou-lhe o Fogo.

Por sua vez, o deus dos deuses castigou o deus rebelde, crucificando-o (algumas das vezes, colocam em traduções diferentes, dando margem a outras interpretações, como em uma que diz que Prometeu foi colocado junto a rochas no Cáucaso, acorrentado, e devorado diariamente pelo fígado por uma águia – na maioria das vezes, um corvo, símbolo maior dos mistérios, da dúvida, da queda...), por mais de trinta mil anos -- Hércules, mais tarde, o salva, libertando-o...

Significado base.

Já explanamos acerca de vários elementos e seus significados, aqui no blog, o que nos facilita entender a natureza de vários daqueles que sintetizam, de pronto, um que pode estar por trás do que dizemos; nesse caso, ao citar o mito de Prometeu, teremos que falar essencialmente de duas coisas que clamam para serem dissertadas – a Matéria e o Espírito, os quais, por natureza, já constam nas mitologias gregas por terem valor universal.

Prometeu
 
Prometeu representa “a dação do fogo divino à humanidade”, ou seja, ele é “o símbolo da Alma humana”, o qual sente a necessidade subir, elevar-se, encontrar-se com a sua origem – com Deus. Contudo, está acorrentado à matéria, graças aos desejos que sintetizam o ouro de plástico, que engana e trai, além de retardar o crescimento do homem.

Desejos estes representados, na maioria das vezes, pela paixão ao efêmero, até mesmo pelos instintos, os quais podem ser responsáveis pela involução da espécie humana e também da evolução. Aqui a matéria tamém se faz responsável pelo retardamento da alma humana à origem, pois brilha e reluz falsamente tal qual, como diria Platão, um sol falso dentro de uma caverna.

A Faca

Um dia, um professor nos disse “A faca pode cortar a carne do boi, mas pode também matar semelhantes”. Assim usamos nossa capacidade de progredir (e discernir) espiritualmente, como se fôssemos assassinos em busca do ouro perdido, passando por cima de nossas reais naturezas, ou seja, sermos mais humanos, ou mesmo um pouco divinos, em nossos atos, em nossas capacidades de sermos um pouco melhores a cada dia.

Não fora uma faca, mas uma chispa divina nos dada pelos deuses, os quais são a soma de nossos desejos, ou do que realmente somos, que é usada de maneira errônea desde que o homem é homem, contudo, há aqueles que entendem e sabem que a praticidade espiritual leva (e eleva) o ser humano a conquistar seu tesouro maior, que é a sua própria identidade: "Somos deuses e nos esquecemos disso", disse Platão.

Mas graças a valores falsos, os quais nos confundem todos os dias, em forma de partidos, religiões, até mesmo em conceito de família, somos obrigados a buscar mais profundamente a tradição, ou seja, entender que existiram no passado homens que se projetaram em nome do conhecimento maior, de uma filosofia que abrangesse o universo e sua semântica natural, isto é, a de que somos parte dele, porém, hoje, enraigados de matéria, não sabemos conduzir esse conhecimento, pois, além da matéria, nossa razão está submetida -- graças a Idade Média eterna -- a refletir a terra, os valores passageiros, as sombras, o efêmero.

A Matéria

Tais valores existem como forma de barreiras que impedem a ascensão da alma humana, que quer voltar a fazer parte do Olimpo interior; assim, mitos, como Psiquê, Dedálo e Ícaro, e outros, sintetizam o que podemos chamar de realidade do Ser. A matéria não se refere apenas ao concreto, mas a sentimentos que prendem a alma com laços firmes, valendo-se o homem de aventuras idealistas na tentativa de desfazê-los no limiar de sua jornada humana.
E assim, a chipa divina de Prometeu se esvai em cada ato hediondo, abrindo feridas em nome da corrupção, na transgressão de nossos valores morais e éticos, os quais são pontes (às vezes, caminhos inatos), torres, montanhas, sem falar mastros nos quais bandeiras flamulam em nome de um ser que nos espera lá no topo.

Espírito


O topo a que me referido é apenas uma metáfora do que podemos alcançar. O mastro sería nossos caminhos os quais poderiam ser retos, sem aquela curva karmica. Porém, o que realmente nos faz dentro da razão, a que espelha o real sentimento de ascenção da alma, é a experiência, a labuta, a dor, e depois de tudo, a escolha pelo divino (sagrado), tudo dentro das possibilidades de cada um.

E dentro dessa realtividade de experiências, tentamos subir, viver um pouco do que muito um dia vivemos remanescentemente. Aqui, a alma começa a roça o espírito, e sente na obrigação de unir-se a ele em forma de ações, comportamentos, dedicação ao próximo etc, acreditando que o espírito se sente bem com o advir da alma...

Mal sabemos, no entanto, que o espírito não pede, não reclama, não divaga, Ele simplesmente existe assim como uma estrela que subjaz às nossas possibilidades, por isso cantamos, e até fazemos reverberação acerca do que somos e podemos ser, mas apenas os grandes filósofos, que se iniciaram na matéria oculta, souberam lidar com o mistério que o ser demonstra.

Platão, por exemplo, alude acerca do Espírito, mas de maneira racional e ao passo mítica, ou seja, de uma profundidade tão ampla que até mesmo os especialistas no filósofo se confundem.

Quando o mestre fala sobre Nows, por exemplo, ele sintetiza o Deus no homem, mas ao mesmo tempo, há um Nows além-homem, o qual traspassa a compreensão humana, pois ele não se refere a qualquer deus pessoal antropomórfico, ao citar este último Nows.

Hoje, fica um tanto quanto explicitar sobre o que chamamos de espírito, pois confundimos com uma sombra humana que está para-além do cosmos e ao mesmo tempo ao nosso lado, representado pelos seus arcanjos.

Nada, no entanto, nos mitos Greco-romanos ou egípcios há dessa forma que não seja uma simbologia perfeita da origem do universo. Quando há figuras antropomórficas, há a certeza de que estamos falando de algo que possa ser maior que a nossa compreensão em forma de valores além-humanos. Mas que, assim como qualquer mito, nos faz buscar, por meio de empreitadas, a realização ou mesmo a sabedoria divina, sendo um pouco, todos os dias se praticado com disciplina e ordem.

De volta a Prometeu.

O Fogo, além de significar os desejos humanos, pode sintetizar a chama eterna que arde dentro de cada um, ou melhor o próprio espírito, como assim o diziam os greco-romanos em épocas passadas quando, em praças públicas, tinham uma labareda que ardia em nome dos deuses, e que tal Fogo era mais que isso, seria a representação do mistério que arde flamejante em nossos vistas sem que saibamos o porquê e para quê.
E com uma réplica em cada casa, os romanos se davam por completo para que tal chama jamais se apagasse, sempre se curvando, e respeitando aquele pouco que ardia no cantinho da casa, em nome de Deus.

A chama de Prometeu é a Vida. Esse ser incompreensível aos olhos dos ateus e cientistas, os quais acreditam que tudo é por acaso, e que por isso, como dia uma grande professora, “não choram em enterros”.

A Vida foi resgatada por Prometeu e cabe a nós fazer jus ao que ela representa, ou mesmo ao que ela nos dá de presente todos os dias – um sol maravilhoso, cascatas em forma de véus de noiva, lírios, pássaros, belezas que nunca, jamais, serão vistas como nós, humanos, a vimos.




segunda-feira, 16 de julho de 2012

Equilibrium, Filme (o Triunfo)


A Luta nunca será em vão.


...Não há nada de muito profundo no filme, mas um item que nos espanta pela ousadia do autor em tentar traduzir, de modo fantástico, sua visão acerca da culpabilidade humana. Ele, na película, culpa o ser humano por todas as mazelas existenciais nas quais vivemos ou podemos vivenciar a partir do que fazemos, pensamos e desejamos. Principalmente no que desejamos. E vou dizer, baseado em premissas tradicionais, ele está correto. Todavia, ele mexe com algo que nos faz humanos, com algo que, se não tivermos, deixaremos de nos conectar com os deuses!

Estou falando dos desejos, ou como diziam os indianos, com o Kama Manas (a parte fogo), aquela que nos faz vivenciar cada goteira de sensação humana e transmutá-la para o céu interno – em falta nos animais, plantas, pedras – e isso não se pode retirar de nós.

No filme, a sacada do autor em deixar apenas alguém no comando de uma sociedade, dando-lhe pílulas com a finalidade de controlá-la, realmente é científico, pois o que nos faz humanos, hoje, são os desejos, essa força traduzida em gestos, em falas, em sentimentos poéticos ou não, em garras, ideais, objetivos, em oração a deuses, em tudo que pensamos, caso contrário seremos apenas animais, pois estes são apenas instintos ambulantes selvagens os quais vivem dentro de leis as quais somente eles respeitam e vivem.

Claro que, quando o autor nos coloca a possibilidade de sermos os reais culpados pelas dores da humanidade, há uma verdade nisso, contudo, há os grandes homens que sempre nos trouxeram suas filosofias, e outros, o seu amor, e que, sem eles, não havia outra coisa no mundo a não ser guerras, desordem, desamor, o que nos faz repensar que não há apenas mazelas, tristezas neste planeta, mas também pessoas que lutam em favor da paz e conseguem; que se dão em batalhas em nome de ideais grandiosos, e vencem!

Contudo, o que nos fica são as imagem da dor que se sobrepõem a cada ano, e reunidas de modo proposital, assim como no grande telão do filme em questão, para usufruir do próximo ou mesmo comandar seu livre arbítrio, nos faz refletir se realmente não seria melhor que houvesse uma força para nos direcionar em caminhos reais ou metafóricos.

E há. Os mestres da humanidade, desde que existem, vivem em função de apenas um objetivo, dar-nos a direção correta a partir de nossas ferramentas (personalidade), parcas ou não, sendo cada pessoa responsável pela chegada à linha final.

Tais mestres – Platão, Aristóteles, Zoroastro, Cristo, Plotino, e muitos outros que vieram antes – nos trouxeram conhecimentos em forma de mitos, parábolas, escrituras clássicas, as quais sintetizam o trabalho humano dentro de sua evolução. Compreender isso é tão complexo que muitos se destroem e outros se enganam, ou enganam muitos, na tentativa de realizar a maior das tarefas.

Alguns tentam se parecerem com seus mestres, outros, tentam fazer o que fizeram no passado, mais alguns se suicidam tentando encontrar um meio de conhecer o céu mais rápido, e assim por diante... Dessa forma, confusos, somos meros homens em pé de guerra consigo mesmos, refletindo em nossos atos em forma de guerras, mortes hediondas, loucuras, o que nos faz, nada mais que nada menos, dentro de tudo, buscadores, ainda que em meio a intempéries!

No filme,

Quando Christian Bale escuta, depois de anos, uma música que, a meu ver, foi uma outra sacada genial do autor (já pensou se fosse um rock pesado?!), colocando Bale frente a uma das mais belas canções feitas pelo homem (Beethoven), dando margem ao personagem de refletir, dentro de seu estado psíquico e astral, acerca do mundo a sua volta, e das pessoas que nele estão; margem para repensar os valores a partir do nosso comportamento, tão frio ante as coisas mais belas, as quais se passam sem serem notadas, e mais, reviver, ainda que em poucos segundos, o mais belo dos pensamentos, “o que somos nós?” -- o autor fez um dos poucos filmes a serem vistos e revistos.

Não somos pedras, que vivem paradas esperando a inércia do mundo movimentar-nos, ou mesmo plantas ou árvores, que crescem, dão frutos, e morrem sem saber o que as trouxe e o porquê, muito menos animais, os quais crescem, nascem e morrem satisfazendo seus desejos instintivos, seja em forma de coitos, ou como predadores carnívoros, não, não somos. Talvez nos caiba ser tudo isso metaforicamente, mas, no fundo, somos humanos, e assim seremos ainda que guerras homicidas nasçam e assassinem milhões de inocentes, em detrimento de alguns poucos. Somos humanos, sim, pois temos a grande ponte a atravessar, duvidas a sanar, temos respostas a dar, amor em compreender, vidas a cuidar.  Temos uma viva a ser vivida.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Equilibrium, o Filme (primeira parte)

Um filme, uma grande reflexão.





Aqui vou discorrer acerca de um filme que possui, para mim, uma das maiores maneiras de explicar o desconsenso humano a partir de uma premissa básica: nossos pensamentos, nossos desejos, ou aquilo que na Antinguidade já diziam... O Fogo de Prometeu.

Na primeira parte, explico, resumidamente, o filme; e na segunda parte do texto, explico filosoficamente. Espero que gostem.


O Sacerdote

Há muito assisti a um filme excelente, chamado Equilibrium. Nele, um grande ator, Cristhian Bale, faz um papel incrível de um sacerdote, não desses que ficam enclausurados em templos, adorando aos deuses ou a um deus específico não, mas, como o próprio filme deixa bem claro, um sacerdote que tinha um papel fundamental numa época futura, daquelas nas quais o ser humano é dominado por um grande homem, que fala o tempo todo, e que sabe de tudo... Esse era o maior deles, como se fosse homem-deus.

Eram vários sacerdotes que obedeciam a esse homem. Cada um tinha uma especialidade, a de saber lutar, como ninguém, uma arte marcial que chegava a tirar até, sem armas, um individuo da resistência, que possuísse uma arma letal, como uma metralhadora. A resistência se fazia ao regime do homem-deus, que, um dia, achou melhor retirar de todos a possibilidade de sentir e pensar por si mesmos, deixando a maioria semelhantes a robôs...

Remédio

Um remédio que era usado por todos ao acordar mantinha a mente voltada ao que o homem-deus dizia, vinte e quatro horas por dia, sem descanso, mesmo porque um vídeo, gravado há muito tempo, repetia diversas vezes, incessantemente... “O homem, com seu poder de pensar e escolher, conseguiu transformar o mundo do passado sem legado. Apenas em guerras, guerras, mortes, miséria, horror, fome...” --- ou mais ou menos isso. Sabe-se apenas que o grande homem conseguia fazer com que a maioria tomasse a cápsula pela manhã, trabalhasse, deixando seus filhos (também dopados...), e voltando do trabalho, como ciborgs...

Resistência

A resistência era feita por homens e mulheres que queriam escolher, pensar, amar, opinar, enfim, ser seres humanos assim como no passado, contudo aprenderem com seus erros, ainda que, no ‘presente’, fosse difícil a missão, pois eram caçados tais quais cães doentes. Assim, o telespectador, ainda que com seus sentimentos à flor da pele, ainda triste pela realidade que o filme nos mostra, graças às cenas trágicas repetidas no proposital telão, fica a favor, claro, da resistência...

Um belo dia, Cristhian Bale, o melhor sacerdote, descobre que um de seus irmãos (aliados ao homem-deus) faz parte da resistência. E mais, que este grande irmão não tomava a pílula, o que significava a maior infração que se podia cometer ante ao sistema, pois, na realidade, não havia infrações, graças à bendita pílula, que era exatamente o cabresto usado pelo grande mestre.

A realidade era essa.

O sacerdote-mor, depois da morte do amigo-resistente, em um daqueles momentos angustiantes da vida humana, quer saber o mistério daqueles que não tomam a pílula, ou melhor, se encontra, ainda que sem o remédio, reflexivo, por alguns instantes, o bastante para deixar, na caixa de remédio do banheiro, o que ele um dia jamais pensara, deixar de tomar o remédio por um dia...

Contudo, um dia, quando fizera apreensão na casa de um individuo da resistência, o sacerdote-mor, juntamente com outros, destruíra uma residência na qual lá estava um disco de vinil. O personagem de Bale, o sacerdote, sem a pílula, com seus sentimentos à beira de descobrir o inimaginável, o mistério vital, pega o disco, e em uma vitrola bem antiga, coloca-o... Na capa, depois, de visto, estava Beethoven, e o sacerdote, que há muito não ouvia outra coisa senão a voz do homem-deus, sentiu uma fisgada na alma: era a Nona Sinfonia iniciando!

Naquele momento, o sacerdote-mor olhou para trás, e, ao sentir dentro de si a ferroada do grande mistério da vida – um pouquinho de espiritualidade pura --, chorou uma lágrima fina que demorou a descer, mas que fizera seus olhos, antes, transbordarem. Ali, ele renascera.

Resumo do final

Depois de entender tudo o que se passava, o sacerdote começou a ter sentimentos, ter outro tipo de raciocínio em relação às coisas da vida, e, com seus poderes marciais, começa defender a resistência da qual começa a fazer parte. E com a sua ajuda, destrói todo o comando do homem-deus, o qual também morre com vários golpes em uma luta fantástica.


quarta-feira, 4 de julho de 2012

Identidades, Personas e Falsos Mundos...(fim)

Talvez este título tivesse que ser chamado de Amigos de Plástico, segunda parte, fazendo referência a um texto que trata dos anseios de alguns em fazer amizades apenas para lotar agendas de celulares, mas não vou... Este texto é um pouco mais profundo, pois trata não apenas dessas pessoas mais de outras que conseguem infiltrar-se em mundos irreais como forma de fugir de si mesmas, ou do mundo real.

E a saga continua...
Falar dessa nova identidade, desse devaneio humano é falar de um atributo da personalidade que transborda nas horas mais obscuras da vida. Com o medo na face, ou com o desespero nas veias, disfarçados de alegria, seguidos de um profundo sentimento de solidão, percebe-se no ser humano, por meio das palavras, nos modos de vestir-se, e principalmente em comportamentos enlouquecidos de felicidades, a tristeza de ser o que é – sem vida, ideal, amor, carinho, paz... humanidade, -- ele pede, ou implora para emergir e gritar ao vento a exclamar ajuda.
No entanto, não ser quer auxilio. Não se quer ajuda, nem se transformar em um ser que necessita de alguém e tentar ser ele mesmo. “O ser ele mesmo”, infelizmente, colide com um mundo do “Não gosto desse”, e se insere no mais profundo do inconsciente humano, dando margens a dores tardias, reveladas em seres que não conseguem lidar consigo mesmo, nas horas em que o “real” dele necessita. Daí, a fuga.
E a busca do Eu se vai ou fica mais complexa.
A realidade se confunde com o mundo virtual, com o mundo das trincheiras – aquele no qual se escondem os mais covardes embaixo das camas, dentro dos escritórios, dentro das faculdades (estudando todas as matérias), passando o dia trancafiado nas bibliotecas, virtuais ou não, nas bebidas, até mesmo nas comidas! – a deixar as estruturas fisiológicas em pré-coma, pois o físico sente e ás vezes falece tal quais grandes antropólogos na busca louca pelo elo perdido.
E, no fundo, buscamos. Quando a reflexão nos bate, vem a igreja, os centros espíritas, os livros de autoajuda, até mesmo a filosofia barata nos serve. Quando não, até mesmo o suicídio serve de respostas a questionamentos inerentes ao homem, latentes, que nos sufocam, e que não há em mundos virtuais, seja lá qual for.
Precisa-se de práticas diárias para se ter respostas de determinados questionamentos, pois o mundo virtual nunca foi sábio para tanto, pois o que há do outro lado da “linha” nada mais é que outro ser perdido, na tentativa de encontrar o seu centro, da pior maneira possível.
A experiência real não se passa e seu resultado não se colhe em computadores e, ao contrário do que pensam os grandes da informática, o homem não precisa do computador, mas o inverso, porque a máquina precisa ser o que é graças ao homem, mas este não precisa daquele para ser real e humano...
Precisa se conscientizar apenas de que em todos os setores da vida, até mesmo em internets, procuramos respostas, mas apenas em si mesmo elas se escondem. Para descobri-las, no entanto, saliento buscar livros da tradição, e pessoas que levam a sério e buscam com amor o que procuramos ser, nós mesmos. Não precisamos criar novos mundos, novas identidades, e nos perder em uma personalidade cheia de nuances enganosas, nas quais somos  controle remoto para tais nuances.
Hoje, em meio a donos de si mesmo, sem serem, em meio a criaturas que se amam sem qualquer referencial de amor, em meio a identidades que não voltam à realidade, e que preferem a dor suave da ofensa em dígitos, do que a luta natural de cada um, sinto que não temos volta, e que há gerações cuja beleza de ser a si mesmo está-se indo embora, e mais, nascendo uma pirâmide de calados, de mortos.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Identidade, Personas e Falsos Mundos... (i)

O que sou?

Hoje não se fala em outra coisa senão celular, Ipods, Tablets, Televisões de LCD, computadores de bolso, livros de bolso, como se nada mais houvesse além disso, de modo que mergulhamos como crianças nessas invenções como em piscinas em verões ensolarados, ou muito pior. Hoje, milhões de pessoas desfrutam dessas grandezas tecnológicas e perdem, com o tempo, o que realmente importa... a Identidade.

Um dia, um professor me disse que temos vários “eus” – ou identidades internas, em nossa grande personalidade. Para ilustrar, seria como vários círculos dentro de um maior, fazendo seu papel para a grande mãe que se compõe de vícios, ou não.

A grande personalidade acima referida, segundo os gregos, seria a máscara de nossas vidas, a qual, com sua cortina, em forma de corpo, de pele, de ossos, e sentimentos, tapa o que realmente somos: o grande EU, a identidade real, aquele que se esconde dentro dos porões naturais de nossa alma, ou mais ainda. Como se fosse um elo entre o homem e o universo, o Eu, hoje em dia, torna-se apenas uma mera divulgação religiosa entre aqueles que supõe saber o que realmente são.

As especulações sempre vão continuar, pois somos especuladores naturais de algo, principalmente quando não conhecemos... Falamos do céu e do inferno, de fantasmas, de seres de outro mundo, e saímos de nossas esferas para falar de ETs.

Tais seres, no entanto, para muitos, seria uma ilusão criada pela grande persona como forma de se enganar em seu real caminho. O caminho do Eu. Atualmente, vê-se que os fantasmas são outros...

Fantasmas do Dia a Dia

... E hoje, como grandes fantasmas incompreensíveis, filhos da tecnologia tomam campo e nos fazem amá-los, não detestá-los, ou mesmo deles correr. Assim como os grandes mistérios que se vão, elementos criados pelos homens substituem aqueles que precisam ser identificados – como a própria vida, a própria morte, etc – e nos tiram a identidade. Ou mais. Direcionam-nos a uma espécie de caminho virtual sem fim, desconfigurando o que tanto tínhamos buscado e realizado desde que somos homens...

Talvez eu esteja exagerando. Há alguns que demonstram a complacência em saber harmonizar suas idéias, seus mundos. No entanto, sabemos que esses alguns são parte de uma realidade que pode se transformar naquilo que tanto o virtual quer. Isto é, uma outra pessoa.

E consegue... Milhões de celulares, iphones, tablets e seus derivados são pontes de um mundo irreal do qual não saimos, do qual somos apenas seres que neles adentram com um “eu” enraigado de dores do mundo real. Um “eu” cansado das lhanuras de um mundo infiel aos seus princípios, os quais nos desnorteiam e nos descaminham do nosso real objetivo... Ser humano.

Prova disso são pais e mães que não mais dialogam com os filhos como antes; homens e mulheres que, em parques de diversões, preferem ficar antenados ao facebook, ao twiter, ao Orkut, ao sms, deixando seus filhos de lado, como se não existissem.

Infelizmente, a prova maior dessa grande ignorância acerca da nossa identidade é usufruir em conjunto com nossos pares uma realidade que não existe. Dela saímos “felizes” graças aos valores que nos trazem: a liberdade em excesso, o comungar de valores criados do nada, a filosofia do nada, a sociabilidade do nada, a amizade...

Uma amizade feita sem o estreito conhecimento das partes, mesmo porque não nos interessa, pois o que importa é satisfazer uma personalidade vazia de ideologia, que fica a cargo de elogios às vezes pelo que se coloca em rede, pelo que se diz, pelo que se mostra... ou seja, lá vem apologia sexual envernizada de pernas e olhares sensuais, como se fosse o cume de um processo civilizatório... E é.

Porém, um processo civilizatório recheado de homens e mulheres que buscam, incansavelmente, vender e dar seus corpos abertos em propagandas mais incansáveis ainda... Assim, criam-se sociedades virtuais de modo tão natural quanto o nascimento de um peixe nágua. Assim, revelam-se todos o que pensam e fazem dentro de um mundo no qual não somos nós mesmos... É só refletir em cima disso.

Fantasia e realidade: falsos amigos, falsa identidade...

Tive a oportunidade de conversar com uma pessoa que se mostra em rede como se fosse uma estrela de novela ou mesmo uma coelhinha da Playboy em sem seu site pessoal, o Facebook. Essa, dona de casa e mãe de uma filha linda, escolhe fotos sensuais, das mais incríveis, com o intuito de revelar-se como, além de mãe, além de mulher, uma dessas que podem demonstrar, em meio a tudo e a todos, seus dotes de uma mulher de trinta anos.

Se perguntar o que faz em sua vida real, diz-me que sua vida é uma das mais apaziguadoras possíveis, pois ama a família, sua filha, seus afazeres de dona de casa, sua casa, e, com o pouco tempo que tem, faz o que um grupo de amigos em rede mais gosta: posta suas imagens para serem observadas e elogiadas, em um meio que, segundo pude constatar, palavras de baixo calão de indivíduos sem rostos, ou de rostos monstruosos, parecem bichos saboreando a presa ao longe.

Em sua opinião? Nada. Sua opinião é de uma pessoa cuja natureza revela-se tão sem caminho ao real, que não há palavras em sua boca que sejam aproveitadas, pois se acostumara à falsa identidade, aos falsos amigos, ao falso mundo...

Hoje, sem ferramentas para lidar com este mundo, usa apenas duas palavras: “ridículo” e “hipócritas”, como se fossem as únicas palavras do mundo, advindas de uma faculdade chamada televisão, de uma disciplina chamada novela...

Enfim, este talvez seja um dos milhões de exemplos que circulam nas redes sociais. Delas nascem e crescem seres que precisam dela sair, e morrem antes mesmo de serem sepultadas.

A felicidade

A contínua alegria em rede é, como dito, alegria não encontrada fora dela. Mas como podemos encontrar alegria ou mesmo a grande felicidade de nossas vidas, se as telas nos devoram todos os dias ditando o que podemos ser e que alegria podemos ter? é covardia.

Hoje, com meu filho e esposa lindos à minha espera nos portões de minha casa, sinto que nenhuma internet pode me dar o que realmente quero. Quando olho, em minhas caminhadas, o sol que se levanta, ao passo seus raios em minha pele, em meu coração, em minha alma; quando vejo a vitória nos olhos dos jovens que vão à luta, e conseguem “dominar” o mundo... Quando vejo o mundo mudar com ações dignas, acredito que estão nascendo senhores de si mesmo, com reais princípios, não com opiniões nascidas em um mundo virtual, do qual não se encontram vitórias, mas derrotas revestidas de alegria.






segunda-feira, 2 de julho de 2012

O Que Vi...

..e o que vejo.

Vi alegrias aletrônicas e rostos pálidos de dor atrás de monitores.
Vi suas fugas de uma realidade indigente, imoral e corrupta,  em televisões cheias de mais irrealidades,  ou realidades frias nas quais se enclausuram apenas os fracos.
Vi os fracos se fazerem de fortes, como galinhas vestidas de falcões.
Vi homens-abutres em lixos se fazendo de ricos pelos podres limpos que encontram.
Vi famílias inteiras sorrindo com o pouco, com a dor do vento na noite, ou na madrugada sonora.
Vi ricos-pobres calejados de sorrisos sem o porquê do sorriso. Neles eu vi a farsa e a façanha de construir impérios como homens de bem no passado.
Vi heróis em filmes a satisfazer o jovem impregnado de juventude, mas idoso em atitudes heróicas.
Vi o conto eterno das crianças a se transformar em histórias de aventuras ou de cunho sexual para alimentar a febre humana, reeducando os filhos meus e seus.
Vi opiniões se transformarem em verdades, e estas a se transformarem em artigo de luxo. E o luxo aos pobres de espírito sendo negociado como armas a crianças...
Vi a paz arbitrária ser descoberta. Vi a guerra certa nas mãos dos errados. Vi a morte em vida.
Vi cores sendo alvo de diferenças humanas. Vi a distância, a separatividade em meios religiosos, quando falavam de Deus.
Vi da boca que beija palavras de desamor e guerra, e da mesma boca o desafio ao pai e à mãe, que um dia dela cuidou.
Vi fortalezas fracas, e vi homens e mulheres como grandes fortalezas; homens e mulheres que nunca caíram, apesar da batalha.
Vi o poder se transformar em política, e nesta vi crimes, quadrilhas, máfias, pedófilos, e vi homens de bem a se transformar em vilões na história...
Vi a História ser apenas uma lembrança, não nossas origens, como forma de recompor o nosso presente.
Vi o homem se esquecer do passado, do presente e do futuro.
Vi o homem levantar, do nada, edifícios sem base, sem estruturas, sem humanidade, sem sacralidade, como no passado.
Vi pessoas sem amor, tão robóticas quanto suas criações a palestrar acerca dos sentimentos humanos.
Vi  os olhos humanos mentirem, antes de acordarem.
Vi a tristeza tão forte em meu peito, que morrera em mim mais de duas gerações, e toda forma de amor.
Vi a coragem ser chamada de medo, e vi o medo a se transformar em armas, em casas cheias de grades, com cães, com cercas elétricas, com o vazio nas ruas.
Vi  a dúvida ao que somos. Vi mitos serem chamados de mentiras, e mentiras levadas como verdades naturais ao homem.
 Vi, no entanto, apesar dos prantos, uma lágrima de esperança renascer na alma humana, quando a sinceridade fiel aos princípios morais reais e absolutos, não relativos, se abrandou nos olhos de um povo sedento de justiça.



Ao homem

A Parte que nos Falta

"É ótimo ter dúvidas, mas é muito melhor respondê-las"  A sensação é de que todos te deixaram. Não há mais ninguém ao seu lado....