A Tradição não pode ser esquecida. Somos filhos dela, portanto nosso valor está em preservá-la.
quarta-feira, 22 de agosto de 2012
E o Filósofo se foi...
Nas folhas que se vão nas águas
Tão frias e sem mágoas
Em divinos ribeirões,
Onde nasce meu coração
E colhe o homem na terra
Seu fruto embebido
De chuvas e segredo,
Nos mistérios que se vão.
E olha para o céu
Semeia a sabedoria,
Tão azul no seu dia a dia,
Tão bela na escuridão.
E as águas se vão...
Torneando seu espirito
Ainda cheio de pedras,
Naturais de uma imensidão.
Seu universo se abre como véu
E o mundo se fecha no Alcorão,
Corre como filho da vida,
E descobre o simples prazer do pão.
Nada mais se vai,
E desaba estático em seu duro chão,
Morre na ignorância eterna,
sexta-feira, 17 de agosto de 2012
A Idade, o Tempo e o Homem...
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| Cronos, o devorador de tudo. |
A Idade e o Tempo
Em tudo que se toca, em tudo que se vê, há muita juventude, mas há também a perecividade. Nós, com certeza, não somos diferentes, simplesmente porque somos humanos. No entanto, em tudo que é inato ao homem e que possui a beleza real, transfigurasse em imortalidade, assim como as flores, que são perecíveis, ao passo imortais em sua essência. Assim, como o vislumbre dos raios do sol, os quais, na manhã edificam nossas mentes , corpos e alma, possui a eternidade... No homem, também. Pois temos a essência eterna.
O tempo, o grande Deus que consome a idade, as partículas relativas da vida, seja aqui ao lado de nossos semblantes, seja no infinito, alimenta-se das mudanças do grande Espirito imutável, o qual, estático, vê em seu corpo tudo ser sugado pelo Tempo, assim como um homem vê os frutos de uma árvore serem levados pelo vento, menos o inviolável tronco.
Cronos
Cronos, o grande deus do Tempo, começou a devorar os seus filhos, em uma carnificina sem tamanho, o que fez Zeus tomar partido e retira-lo do trono, tomando-o. Simbolizando, portanto, uma evolução natural do universo, dentro do qual, mais tarde, significaria o aparecimento de espiritualidade no homem.
Cronos, o Tempo encarnado, ao devorar seus filhos, significando o próprio tempo voraz em todas as coisas sejam elas providas ou não de subjetividade, é um mistério para o ser humano, mas nem por isso deixa de ser devorado, pois faz parte do todo.
Por isso é que se diz que o próprio Cronos o criou (se fez), pois quem o criaria senão o próprio tempo? Até mesmo o tempo é corroído por ele mesmo!
Homem e Tempo
O homem tem um pouco de Cronos em si. Pois devora a vida, seu tempo, suas atividades, mas ás vezes esquece que ele mesmo se vai, e quando se depara com seu rosto enrugado perante o espelho – ou quando olha para trás e percebe mudanças no presente tão fortes quanto às do passado... – sente que Cronos bateu à sua porta, e que é hora de realizar-se espiritualmente. Aqui, Zeus aparece.
E este deus, em forma de pássaros, leões, visita o homem, mulheres, alimenta os desejos fêmeos, traz os semideuses como esperança ao mundo e sente na obrigação de tomar conta da humanidade, sempre a comandar os grandes Titãs – seus irmãos.
Estes, tão representados pelos elementos que formam o universo, demonstram, na relatividades natural da vida, que o homem é sombra e pó, contudo, possui, em si, a sacralidade natural dada pelos deuses.
Por isso e por muito mais, devemos nos encontrar sempre com os deuses quando podemos, em uma natureza que está logo ali, nos esperando para ensinar que até ela se vai, ainda que demore, porém sua beleza real não se encontra diante de nossos olhos, mas dentro de um espirito maior, perfeito, eterno.
Cícero: a Idade e o Tempo
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| Jovem Cícero lendo suas poesias preferidas. |
Cicero, grande orador romano, nos deixou um legado fraterno sobre a velhice. Sempre dizia o mestre que ao chegar à idade divina, assim ele se referia àquele que chegasse à terceira idade, o homem cuidaria mais de si mesmo, seria mais respeitado, e deixaria os desejos de lado, indo ao encontro de tudo que um dia foi feito para o homem-filósofo: a natureza.
Sua simpatia à idade não era apenas um refúgio, assim como o é para homens que sempre possuem desculpas naturais com fins reclusos, ou melhor, sem a possibilidade de avançar na vida e conseguem usar seu racional para tudo, inclusive ler jornal o dia todo. “somos onde a juventude quer chegar”, dizia. Pois sabia que, mesmo naquela época, jovens tinham seus devaneios bobos, comparados com os de hoje.
Todavia, eram devaneios que “atrapalhavam” a consciência humana jovem em reconhecer a realidade da vida, de que somos perecíveis em corpo, e que antes de sermos fortes, guerreiros, homens, também temos uma raiz que nos faz espirituais, a qual só se é reconhecida quando chegamos à idade terceira.
Mal sabia ele (ou sabia?...) que a juventude de hoje é propícia a ser enterrada antes de seus pais. E como tal a referida se esvai com pouca sabedoria (ou nenhuma...) em meio a frutos podres de uma educação desvirtuada, sem sinais de vida.
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| O velho e sábio Cícero: morte como continuação. |
Cícero, em seus diálogos, nos cita os grandes homens que envelheceram e tornaram suas vidas tão magnificas quanto qualquer uma na tentativa de assemelhar-se a elas. Uma delas é a de Platão, que morrera fazendo o que queria, escrevendo com magnificência suas obras. O grande orador também fala da admiração dos jovens aos espartanos, que quando chegavam, idosos, em seus coliseus, e estes, lotados, tinham a complacência em respeitar, como em uma cerimônia sagrada, a vida do velho homem, que, com certeza, estaria ali porque passou por batalhas, em nome de seu país, de sua família, de sua sociedade, dos deuses, e ainda vivo.
Era belo, dizia Cícero, em ver todos a se levantar e aplaudir o grande homem, que, com certeza, estava ali apenas como um espectador dos jogos do coliseu, mas, para muitos, símbolo maior e troféu de uma nação guerreira.
Cicero sabia que a juventude era uma natureza pela qual devíamos passar, porém de maneira regada, sem excessos. Por isso, passou seus dias a ler velhos sábios e a praticar sua oratória ainda em vida tenra, além de sair de situações que pediam estratégia de um jovem que estaria crescendo em meio a uma república tão amada quanto Roma, o que lhe propiciou ideias grandiosas e uma sabedoria firme ante seus inimigos.
O grande orador veio a dizer que o homem deveria se sentir mais realizado em idade avançada, porque agora realizaria o que pretendia, ou seja, ficaria mais culto, mais elegante não apenas com as palavras, mas seu modo de vida seria um espelho a outros que procurariam sê-lo.
Cícero no cita quatro condições sine qua non para admirar a velhice.
- A privação dos melhores prazeres.
O mestre sabia que o homem é um ser de vontade, mas também de desejos. São forças distintas, porém advindas do mesmo corpo, e que podem lhe dar condições, a depender do individuo, de reconciliar-se com sua natureza, indo ao encontro de si mesmo. No entanto sabemos que, quando jovem, tais pensamentos filosóficos se esbaldam para o mar de infantilidades, a furtar-se de responsabilidades, obrigações, até mesmo acerca de seu comportamento ante a sociedade, simplesmente por causa dos desejos.
Quando da velhice, não podemos dizer o mesmo, simplesmente porque a própria natureza nos priva dos prazeres, a retirar do humano forças hormônicas, com o intuito de leva-lo a outro raciocínio, o de que precisamos pensar no espírito, na vida e na morte.
- O enfraquecimento do corpo.
Ao contrário do que podemos dizer acerca dos jovens, que sempre acreditam que força é algo que deva prevalecer eternamente, sabemos que, quando se vem a velhice, corpos enfraquecem, se tornam volúveis a determinadas atividades, por isso a complacência da reclusão, mas não da vida, pois há atividades nas quais se pode sentir-se útil, forte internamente, filósofo e passar aos pequenos e aos jovens experiências capazes de edifica-los.
- Afastamento da vida ativa
O que não quer dizer que devamos ficar menos fortes ou menos ativos. A velhice nos propõe maneira de viver como somos, não como crianças, jovens, mas como somos velhos – o que não significa ser diferente no pior sentido da palavra, talvez muito pelo contrário. A razão, claro, chega a sentir-se vazia, mas ao “treiná-la” ao proposito a que um dia chegará – a velhice – tornar-se-á mais fértil e útil tanto quanto na idade tenra.
- A velhice nos aproxima da morte
Já dizia um filósofo, “nascer nada mais é que viver para a morte”. Talvez esteja simbólico demais para a nossa compreensão; mas Cícero, filosofo-orador, sentia que havia uma necessidade de entendemos mais o “outro lado” da vida, não apenas em pequeno, mas principalmente na velhice, o que é natural.
No entanto, quando o homem estaciona sua mente em torno de seus objetivos, a própria morte, segundo alguns, já o tomou – e isso é real. Para isso, Cícero dizia que a morte nada mais era que a continuação natural de uma vida que vivemos aqui, em sociedade, porém a fazer algo simples, como se estivéssemos regando uma planta e a vendo crescer.
A velhice nos aproxima da morte física, dizia, não da espiritual que nos transmite a paz a que tanto almejamos quando jovem, isto é, numa época em que aspiramos a todos os ideais, mas nunca nos reconciliamos conosco mesmos, o que acontece na velhice.
Enfim, saber viver é saber morrer, e vice-versa, na visão de nosso grande orador.
obs:
Cícero nasceu em 106 a.C. em Arpino, uma cidade numa colina, 100 quilómetros a sul de Roma. Por isso, ainda que fosse um grande mestre de retórica e composição Latina, Cícero não era "Romano" no sentido tradicional, e sempre se sentiu envergonhado disto durante toda a sua vida.
terça-feira, 14 de agosto de 2012
Projetos, Idealismo e Ideal
Projetos, idealismo e Ideal...
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| O ideal constrói e modifica o homem. |
São questões meramente humanas. E por isso, talvez, haja uma pitada de complexidade no quesito compreensão, quando elencadas, assim, uma atrás da outra. Na realidade, há uma pitada de subjetivismo, pois a depender de conceitos, podemos pegar dicionários, opiniões, sejam coletivas ou individuais, e trazer à tona semelhanças ou não à verdade ao que realmente são.
Mas uma coisa é certa, quando tratadas à luz do coração, todas se parecem. Pois é do homem trabalhar em projetos de forma bela e arquitetar, transformar e concretizar casas, edifícios, cidades, como se fossem filhos do próprio útero, do qual saem ideias magníficas e ao mesmo tempo temporais.
Desse Homem, podem sair pirâmides retiradas de um universo que pede para ser descoberto, e ao mesmo tempo resguardado para o próprio bem da espécie. Saem cidades sagradas, em homenagem aos deuses, e nela guerreiros para a sua proteção. É o idealismo humano tomando conta da alma, se alastrando como constelações, com intuito de iluminar o caminho do homem.
No entanto... A luz real vem do ideal que trabalha os aspectos internos do homem no sentido de fazer não apenas uma casa, um edifício, ou mesmo cidades, mas principalmente para trabalhar a si mesmo, em consonância com o universo...
Por isso, dizia-se na tradição “o que está em cima, também está embaixo”... Quer dizer que, diante do que temos, precisamos nos harmonizar com o Todo no sentido de nos igualar à Ordem cósmica, caso contrário serão apenas peças aleatórias, reflexos da imaginação humana...
Hoje, quando observamos os grandes edifícios, podemos nos questionar acerca de sua beleza, de sua grandiosidade, porém nunca por sua ligação com Deus, pois não há nenhuma. Há a beleza relativa humana – o que não é pouco --, mas não chega a ser uma obra de arte atemporal , que permeará até mesmo depois da extinção humana...
A atemporalidade pode ser buscada nas obras de arte reais – em quadros, em esculturas, em músicas nas quais permeiam o simbólico, o mítico, e por que não dizer o mistério de cada um e do próprio universo? (já ouviram a Nona Sinfonia toda?)...
É uma das características que se pode perceber em obras quando religadas com o Todo, quando estão em sintonia com a Natureza. Uma prova disso, claro, está na reunião de vários trabalhos feitos na antiguidade – dos gregos, egípcios, persas, hindus, etc – evidenciando quão somos despercebidos no quesito espírito, pois este é que norteou o homem no feitio das obras divinas.
No Egito, homens e mulheres, frutos da grande árvore universal, trabalhavam como crianças na estruturação das grandes pirâmides, as quais sintetizavam representações simbólicas, desde o primeiro tijolo ao último, dádiva não apenas a elas mais a tudo que faziam – suas casas, seus fogões, suas ruas, sua agricultura... Até mesmo, suas batalhas.
E disso nos despercebemos também, que, em nossas casas, moramos nós, seres que querem o respeito do próximo, do(a) parceiro(a)-conjugue, do filho(a); queremos dormir e viver como príncipes e rainhas, e comer e beber como reis. Além de tudo, queremos nos acomodar religiosamente e fazer daquele templo nosso de cada dia uma ponte entre os deuses e nós.
Com esse pensamento, talvez, serviam os egípcios o faraó, que era o homem-deus, cujo trabalho era realizar feitos em prol dos cidadãos daquele país. Porém, hoje, penso que seja muito mais que isso... Penso que somos escravos de pensamentos mesquinhos que traduzem nossa ambição fria ante o dinheiro e suas consequências, boas ou más.
Penso que não compreendemos os grandes cidadãos egípcios graças à nossa falta de espiritualidade, que se perdeu com a decadência humana na ascensão do capitalismo doentio.
Mas os projetos sempre vão existir de algum modo, até o ultimo homem; o idealismo, assim como os projetos serão filhos dos homens com vontade de mudar uma época, um mundo, com seus textos, com suas palavras, seus gestos, mas nunca irão muito longe se não houver ideal em seus atos, porque ele, o ideal, transforma o homem em divino apenas com seu pensar, e quando seus atos são feitos pelo ideal, a glória se faz, o universo dentro do sujeito homem se manifesta, e o mundo inicia seu período de esperança.
sexta-feira, 10 de agosto de 2012
Gestos que Mudam o Mundo: o nosso triunfo.
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| Há tempo! |
Atualmente, trabalho em uma seção com mais ou menos quinze
pessoas – sendo cinco pela manhã e dez à tarde. Há mais outras que se infiltram
em seus gabinetes, que dão mais ou menos umas vinte. Se colocarmos aqui o nome
de cada uma, fica chato, então vamos nos predispor em citar apenas o
comportamento de maneira generalizada, com o fim de trazer à tona uma
estatística dentro da qual podemos ver como funciona o mundo em que vivemos.
De vinte pessoas, no quesito dedicação, podemos dizer que temos quinze o fazem, com afinco, o que lhes é passado. Dessas quinze, aquelas que fazem com primazia, posso dizer que são dez (ou menos). Se por ventura eu levar em consideração o fator cansaço, amor ao trabalho, vitalidade, vamos cair na subjetividade, ou seja, num relativo quase absoluto comportamento... E, se eu levar a seguinte pergunta: quantas dessas pessoas gostam de trabalhar com seus colegas de trabalho?
Também iremos cair em
relatividade, pois há uns, a minoria, que gostam; mas a maioria, não. Mas será
por que, se temos que encarar, todos os dias, pessoas de todos os níveis, em
nossas andanças, caminhadas, correrias, em idas e vindas, em filas, em ônibus,
em táxis, até mesmo se houver um edifício feito especialmente para suicidas,
teremos lá uma fila imensa de... Pessoas! Então por que não nos habituamos com
aqueles que estão em nosso dia a dia?
Nesse campo, não é fácil. Nesse
mesmo setor em que trabalho, daquelas vinte pessoas, apenas duas me dão “bom
dia” e apenas uma diz “até amanhã”. Eu juro que o problema não sou eu rs! Como
dizia minha linda mãe, “a bondade cabe em qualquer canto, e você é uma pessoa
boa, meu filho”. Dizia isso não por ser minha mãe, mas por me conhecer como uma
pessoa que nunca fizera um inimigo.
Mas qualidade como essas não é o
suficiente para que todos possam dizer “Olá, bom dia, tudo bem?” ou mesmo “Até
amanhã, e tenha um bom descanso”, não, infelizmente, não.
O que percebo, hoje, é que o que
ronda os círculos pessoais é a competição, ou melhor, aquela que me faz pensar
que tenho que ser um ótimo profissional, sem olhar para trás ou para frente,
apenas ascendendo de acordo com minha competência, esquecendo-me de que há
seres que precisam ser ouvidos, e mais, envolvidos na semântica humana de
relacionamentos, sejam pessoais ou não.
Mas... Se eu não me engano, o
fator humano é tão importante quanto o ser profissional, não é? Ou eu estaria
sendo bobo demais, piegas demais, ou pretenso a Cristo, simplesmente por tentar
levar em consideração esse aspecto tão esquecido – ou deteriorado com o tempo?
Talvez. Mas também podemos dizer
que nos esquecemos de salientar, praticar, viver e o que realmente importa: os
atos que nos tornam humanos. Mas e se não soubermos? Pois é, a distância entre
nós e o animalesco, a cada dia, fica mais estreita. Por isso, sempre que
tivermos dúvidas do que somos, ou de que espécie fazemos parte, olhemos para o
céu...
Nele, resguarda-se a origem
humana e simbólica do que somos, nesse céu azul, que traspassa qualquer
compreensão científica quando deparados com o espírito maior, e nesse mesmo
céu, a possibilidade de nos reatarmos com o nosso self, quando reflete o
que somos...
Olhemos para a terra, pois é para
onde nosso corpo irá. Olhemos para o nosso intermediário, o grande sol, que nos
demonstra, com seus gestos simples e claros, a objetividade da Justiça e da
Ordem. Mas se ainda estivermos com dúvida de que somos parte desse todo,
tentemos dar um bom dia, bem alegre, como um pretenso teste, à primeira pessoa
que encontrarmos. Não precisa ser, de início, aquele ser monstruoso que nos
espera nos trabalho, e sim, alguém simples que necessita, naquele minuto, mais
que dinheiro, casa, roupas... Precisa de um grande abraço forte no qual possa
sentir a diferença entre o que somos e o podemos ser.
Tente dizer, além do abraço, um
“Bom dia” regado de esperança, amor, paz e vida. Tenho a certeza de que o
resultado será o processo da reação entrando em sua alma, como um perfume pelas
suas narinas.
O processo, no entanto, é
gradual. Pois, por sermos humanos, não pretendemos abrir mão de nossos valores
mesquinhos, e dizer que somos humildes o bastante para dizer “você venceu”,
então... “Bom dia, para você”. Nada disso. Pretendemos vencer nossas barreiras
do egoísmo e entender que cada um de nós possui problemas, sejam pessoais,
sejam profissionais, espirituais... De modo que fica difícil dizer “bom dia a
todos” ou até mesmo “tenha um ótimo fim de semana”, sei lá, cada um com suas
razões.
Como disse, é gradual. O mistério
humano precisa ser revelado, claro, mas por sê-lo precisa ser redescoberto por
meio de chaves simples, até mesmo por meio de palavra como um “olá”, “você vai bem?”, “como você está?”... Porém, no nosso nível, apenas iniciados são
capazes de parar alguém e lhe perguntar tais coisas....!
É por essas e outras que temos
que rever nossos atos, palavras, sentimentos, no sentido de consertá-los, e
reavivá-los, com finalidades precípuas, e ao passo reais, sem falsidades, ou
apenas por educação. Tem que vir do peito, lá do fundo do coração, se puder. Se
não, pode esquecer...
Porém há sempre aquele que se
mostra mais rancoroso que os outros, e transforma nossas vidas em filmes de
Steve Spielberg, às vezes em casa, nas ruas ou mais comumente no ambiente de
trabalho, transformando o dia a dia em uma guerra fria, com direito a mísseis
teleguiados!
Esse, apesar de tudo, nunca vai
abrir mão do que ele é, pois, em algum lugar de sua vida, só vivenciou
amarguras com quem viveu ou tentou viver; e graças às ferramentas que lhe
deram, nunca soube lidar com ninguém, apenas ser um bom profissional. E
ponto. A vida, para esse, é apenas um
meio para a consecução de seus fins profissionais, pessoais... Esse nunca
saberá ler uma poesia.
Por outro lado, há os seres
especiais, que passam suas energias, tais quais seres iluminados por um sol
particular. Pessoas que não conseguem ser maus, apenas bons. Esses dos quais
são tiradas substâncias químicas para criação de vacinas contra o mal do mundo
(ah, se pudesse!)...
terça-feira, 7 de agosto de 2012
Gestos que Mudam o Mundo
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| Um sorriso pode trazer a paz real em sua plenitude |
As guerras começam com um gesto ou com uma palavra árdua. Depois delas, milhões de indivíduos se vão. Uma fagulha de cinza de cigarro, involuntária, carrega em si a morte de diversas espécies em incêndios, dentro das quais até mesmo a nossa se vai. Assim, é a dor, a violência, o castigo, a tortura, sempre sombreadas com intenções mórbidas, as quais frutificam a mudança de comportamento de uma sociedade, de uma geração e da humanidade... Tudo por causa de um simples gesto.
E, com toda sua expressividade, o ato singelo pode também desestruturar o mal de um mundo magoado pela corrupção, pelos conflitos e guerras inúteis. Nele, se de coração for, vem-nos a esperança de que, um dia, o próprio ser humano se redima ante seus atos, que, há anos, desordenam um mundo que fica à mercê do homem para sobreviver no universo.
Sabemos, mais do que todos, que é preciso que haja, em nossos meios, batalhas cuja natureza íntima é a busca pela paz, ainda que nos pareça contraditório, pois somos de uma natureza de força e reação, coalizão, mas, nas entrelinhas, sabemos que a paz é o nosso maior ideal. E este não se busca em montanhas, em picos gelados, nos quais iniciantes a Buda se prontificam... A paz se busca aqui e agora.
Entretanto, fazer das batalhas o pão de cada dia, sem mesmo saber o porquê, torna-se vã a nossa busca, pois sabemos que até mesmo os animais, seres predadores – e também respeitadores de sua natureza --, têm seu limite em batalhas. Então, saibamos o nosso!
Benefícios da Guerra
Após anos, sabemos o quanto nos arrependemos com os atos dantescos, como a Guerra do Vietnã, dos Bálcãs, dos Sete Dias, até mesmo da Segunda Grande Guerra, a qual nos custou o “nascimento” de uma besta, cujo maior ideal era dominar o mundo à custa de judeus, negros, ciganos, paraplégicos, enfim, em nome de um ideal às avessas, estruturado por pilares de areia, que é o próprio mal. Sabemos, também, que fechar os buracos antigos não nos dá tempo da redenção, mas ficarmos presos a um passado sem respostas a um futuro que precisa de nós.
Tudo isso poderia ter sido repensado, e assim – para o bem de uns, para o mal de outros --, não nasceriam nações comerciais como os Estados Unidos, que, ante a tomada de Perl Harbor, viram-se na “necessidade” de se mostrar como donos das circunstâncias, jogando bombas em nações orientais, como forma de finalizar um processo no qual ele estaria se destacando pelos grandes atos.
Assim, ao demonstrar mais poder de fogo, foi detentor da melhor moeda, do melhor idioma, da cultura... Ou seja, a guerra, para determinados países, foi (e é) um bom negócio, ainda que inocentes se vão sem o mínimo de razão.
Todo mal é análogo a uma montanha. E a montanha se fez. E nela as razões porque foi feita se vão. Quem observa uma, se indigna com ela, ou a admira. As guerras são assim: montanhas altíssimas em cima de vários milhões de inocentes, traumatizados, loucos, a mostrar, em seu cimo, a bandeira da paz...
Não sabemos nós, todavia, até agora, que a montanha da guerra se fez com a mínima poeira da natureza humana, e que preferiu optar pela dor e não pelo sorriso (ou pelo abraço, pela brandura da paz) que nos espera sempre no alto de nossas almas.
A alma do homem, que dá vida à montanha, no entanto, não é um produto que se faz em fábricas ou que se vende em feiras ou lojas em liquidação. A alma humana é plástica, é vento, é fogo, é o fluir das ondas e ao passo o canto do sabiá nas manhãs de domingo. Ela se identifica com o belo, com o justo, com o que há de mais verdadeiro no universo.
Não é difícil se apaixonar por uma poesia, ou mesmo por um pôr do sol. E quando a alvorada se faz, muitos correm de suas casas apenas para vê-la – e em muitos países, somente para reverenciá-lo. E do alto de nossas reais montanhas, vimos mares, pássaros em extinção cantando canções que o próprio homem nunca as ouviu. E ao acordar pela manhã, ao ver o filho sonífero em seu quarto, sorrindo pelo sonho que teve, sem mesmo abrir os pequenos olhos, ele agradece a Deus pelos dias que o fizeram vivo na terra.
Esses são sentimentos sagrados, pois não há nenhum ser no planeta que o sinta ao não ser nós, seres humanos. Sentimentos profundos que podem ser transpassados a todos, sem medo, estruturados pelo Bem, pelo Amor e pela Justiça, regados pela verdade de uma natureza pura, advinda dos deuses e do deus interior de cada homem por meio de gestos que podem nos levar a sermos mais humanos, todos os dias.
Epíteto/Platão/Sócrates...
O grande mestre de Marco Aurélio, Epíteto, que um dia foi um escravo, mas também filósofo estoico, nos deixou máximas incríveis, em um livro homônimo, no qual diz “devemos sempre idealizar a natureza como um todo para com ela nos harmonizar”.
Explica Epíteto, na verdade, que em simples atos corretos, interligados com o desprendimento, em função do sagrado, podemos buscar não somente a paz, mas a resolução de muitos problemas que nos enclausuram, porém não nos retirando o que temos, o que conseguimos na vida. Apenas não nos importando tanto quanto nos importamos com as coisas banais.
Marco Aurélio, seu discípulo, mais tarde, em batalhas, escreve seu único livro “Meditações”, aperfeiçoando o que o mestre lhe impôs, sempre buscando através de atos simples, retos, a harmonia da vida, com Deus.
Na República Platônica, o autor faz alusão à Justiça, ao Bem, à Verdade, mas todos direcionados a nós, como se a única chance de obtemos sucesso da perfeição fosse a busca interna. Ele tinha razão.
Sócrates, e o seu “Conheça a Ti Mesmo, e conhecerás o Universo”, resume, antes de todos, a prontificação humana na busca determinada pelo seu lugar no universo. E Cristo, “Eu sou a Luz, e a Verdade”, deixa-nos claro que somos mais que meros corpos em busca de prazeres sem sentido. Somos grãos em busca da duna perdida, e ao mesmo tempo somos o mar, o céu, as estrelas, o infinito puro e divino, assim como tudo que é sagrado e divino.
Não é sonho, é real. Podemos mudar o mundo com pequenos gestos simples e humanos, dentro do que somos, ainda que não acreditamos. Gestos, como vimos, podem matar milhões, mas podem fazer nascer seres maravilhosos, dedicados, voluntários em causas nobres.
Acreditemos nisso!
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
A Criação do Homem-Símbolo
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| Somos tudo e nada. |
Sabe-se que somos mais que Corpo,
Mente e Alma. Somos peças fundamentais em um universo que necessita ser
compreendido para que a nossa própria existência não se torne apenas um joguete
de pequenos seres humanos que detêm a maioria das informações acerca dos
mistérios da vida e do mundo... Nossa existência tem um sentido, tem um
processo dentro do qual nos permite evoluir em todos os sentidos.
Alguns desses pequenos, a de
saber, progridem em seus objetivos com a finalidade de manipular outros seres
humanos; outros, no entanto, baseados em premissas clássicas, nas quais o
conhecimento e a sabedoria são nortes do homem, nos fazem repensar essa
estrutura bela chamada universo, não apenas o de fora, mas principalmente o de
dentro de nós.
E, hoje, como alvos de um
processo discriminatório-voluntário por parte daquela minoria que nos confunde
o racional, somos obrigados a lutar como guerreiros em nome de uma verdade que
há muito se desconhece, a verdade sobre nós, seres humanos. Obrigados a
batalhar, como grandes generais, contra mentiras que governam mentes, corpos e
almas de gerações, desvirtuando a real educação a precipícios metafóricos,
porém tão reais ao ver do filósofo, que produzem efeitos piores tanto quanto o
precipício literal.
Contudo, dentro caverna-mãe, na
qual nascemos, morremos... e nascemos... Possuímos semânticas que nos fazem, às
vezes, pensar que somos tudo e nada. Que somos deuses ou meramente vermes, em
busca de justiça, verdade, coragem, cada um dentro de suas possibilidades.
E realmente, somos tudo e nada,
ainda que acreditem que somos apenas sombras e pó ambulantes, em vias
tortuosas, em um mundo que nasceu para viver e conosco harmonizar-se. Somos
vermes, árvores, plantas, terra, sol... etc, os quais burlam em nossas almas,
às vezes, em características tão evidentes, que precisamos, dentro delas, nos
enxergar melhor e quem sabe voltar a ser humanos-humanos.
Símbolos do Homem
Antes, porém, teremos que seguir os degraus dessa identidade metafórica e galga-los com a finalidade de sermos o que pretendemos ser: humanos.
Homem-verme
O homem-verme rasteja junto com
seus entes, em busca do lodo, da dor, e tentando subtrair do próximo o que não
tem, bate no peito e sorri ao conseguir, por meio escusos, um pouco da lama
fria que o alimenta.
Homem-terra
O homem-terra, pela sua
materialidade, não perde nunca meios de subir, seja no lodo ou mesmo em cargos
em repartições públicas, pois, para ele, o que importa é está acima das
possibilidades terrenas, dos outros. Para isso, vai sorrir forçosamente ao
amigo, ao irmão; vai enganar seus pais, e passará ao seu filho o que muitos
homens, até agora, em uma educação falsa, o fazem: “o que importa é ser simples”, vão dizer, e, na
prática, terá o prazer de ver seu filho como um advogado, antes de sua vocação para gari...
Ao contrário do que pensamos,
somos todos terra, mas, dentro de nossa natureza, alguns se conscientizam da
necessidade de sê-lo, pois acreditam (os) que a terra e o valor dela são apenas
sinais de que podemos transcender dentro de possibilidades que ela mesma dá.
Homem-árvore
E na terra, o homem-árvore é aquele que não
se abala com a tempestade, com o sol em excesso, com opiniões, como a
escuridão, e, graças a terra – aos seus valores básicos (de pai e mãe) –
edifica-se, mas, às vezes, por ter tais valores tão fortes, não consegue
destituir-se das raízes de seu passado, dando margem a ficar eternamente preso
a eles.
Esse homem também dá frutos,
sejam eles doces ou amargos. Os doces não só nos revelam a face da doçura, mas
da simplicidade, ainda que advinda de uma estrutura arcaica, porém necessária
para lidar com outros homens. Daqui vem o papel da religião moderna, da qual
saem seres que juram que vão para o céu, mas estão presos à ignorância gostosa
e por isso não querem abrir mão de suas convicções, por isso, não ouvem, e
adoram falar, e vivem muito pouco, como medo da verdade.
Os frutos amargos são dos homens
feitos apenas para maltratar verbalmente o próximo, pois não conseguem ascensão
na vida, ou menos que isso, não gostam de elogios, não gostam de si mesmos, e
reclamam diariamente das mínimas
coisas, pois lhe convém. Esses seres amargos denotam um falecimento antes da
cova, pois, além de não dar valor à raiz da qual veio, não prova do fruto doce
e nem se interessa em buscar saber o que há do outro lado da vida.
Homem-vegetal
A vida, para os homens-vegetais,
filhos não apenas da terra, mas do processo cíclico, da inércia, da involução
espiritual, é apenas uma viagem sem rumo, na qual canteiros imensos de pessoas
de sua classe são regados todos os dias por opiniões racionais que não combinam
com a ação, com o fazer, e sim, com a preguiça, com a mesmice, e ganham muito com isso.
Tais canteiros são regados por homens que
acreditam que ir às ruas reclamar seus direitos é apenas de pessoas que não têm
nada mais a fazer na vida e vão clarear as ideias num sol odioso; para esse
vegetais humanos, levantar da cama é um sacrilégio, ou uma forma de
castigo. Destes, esperamos a leitura de
clássicos, de textos incríveis, de opiniões formidáveis, mas são contra a
mudança literal do mundo, pois não têm força para tanto, e esperam que todos o
sejam da mesma forma – vegetais. Nestes homens, o crescimento espiritual é
apenas aparente...
Homem-animal
Para o homem-animal, somente o aspecto sexual lhe interessa.
Depois de encontrar sua natureza, tenta esconder-se por trás de sua força, seus
músculos – no caso da mulher – de seu corpo --, ama sair em grupo para
destacar-se com floreios físicos, o que na realidade, nada mais é que a busca
por uma matilha humana, com a finalidade de juntar-se a outra ou outro e fazer
o que vários animais o fazem. A diferença é que animais podem fazer o que
quiserem (e onde quiserem), mas dentro de sua natureza. O homem-animal está
entre o vegetal, que sente, e o animal, que não segue as leis éticas de sua
própria..
Esse homens instintivos, mal direcionados sexualmente, desde a infância, crescem, se formam, são hiperinteligentes, porém, em suas mentes, nada mais fica senão a ideia de realizar seus desejos mais frios. Daqui nascem os padres pedófilos e outros tipos de seres, cujo caráter patológico pode traduzir em um dos mais tristes da espécie.
Homem-sol
Contudo, temos o homem que venceu
as etapas acima. Passou por deveras provas virulentas da vida, compreendeu seu
papel da vida, no universo, tornou-se reflexivo em seus atos, encontrou meios
de elevar-se, ainda que com parcas e poucas ferramentas, tornou-se sábio, dentro
do seu meio e é dono de si. É o homem-sol.
Este, podemos dizer, brilha no
escuro. Seu olhar é de um ser que atravessa nossas almas, e alcança nosso
espírito, ainda que sejamos brutos. Desse ser esperamos o Amor, a Justiça, a
Verdade, a Coragem, dentre outros valores pelos quais lutamos, lá dentro de
nossos corações, mas não entendemos direito, pois as sombras do dia a dia nos
perturbam e nos deixam cegos pelo materialismo frio e constante, a nos deixar
sem rumo.
Este homem-sol é a tocha da vida
que precisamos para nos alimentar todos os dias, e nos basear em suas máximas,
em seu trabalho, revelando-nos o que somos e o que podemos fazer pelo mundo,
essa pequena partícula na qual somos tão pequenos, porém tão importantes quanto
uma folha que nasce.
O homem-sol nos dá medo. Pois
traduz o que precisamos ser aqui e agora para “salvar” um mundo que se revela,
a cada minuto, símbolo da morte em vida.
Humano-humano... É alem do homem
sol.
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