quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

A Maior das Ideias

A ideia é tão forte quanto aço. Cuidado.

Não sei se se lembram de uma grande cena do filme Gladiador, quando o ator Joaquim Phoenix, em sua grande interpretação como Comodus – filho legítimo de Marcus Aurélius --  discutia a respeito de Roma com sua irmã. Ele, ao contrário do pai, que seguia ou queria seguir a tradição, tentando voltar  a um passado no qual a grande cidade tinha seus princípios embalados pelos deuses e os seguia --, queria nada mais que nada menos começar do zero, a partir de seu reino, o qual obteve sarcasticamente: matando o grande pai.
Sua irmã, com mais aceitação da grande filosofia paterna, falava belamente sobre Roma, quando o irmão lhe dera  a pergunta propositalmente de volta... “O que é Roma?”. Ela, com todo seu charme e elegância, e sabedoria, devolveu-lhe.. “Roma é uma ideia”.

Em outro grande filme, agora com aspectos mais atuais, para ser mais claro, que nos faz adentrar em um mundo mais mental, psicológico, o filme "Origem", com Leonardo Di Caprio, e grande elenco, nos conta a história de investigadores de mente.  Homens capazes de entrar em sonhos por intermédio de sistemas sensoriais, nos quais a pessoa, se aceitar, tem invadida sua mente, para que possa elucidar seus problemas ou, como fora percebido na película, para encontrar segredos adormecidos.
No início, Di Caprio, um dos agentes invasores de mente, diz a um empresário, “Se eu disser para o senhor ‘não pense em elefantes’, o senhor já pensou, entende?”... “O que eu quero dizer é que nada é mais forte que uma ideia implantada”.
Assim... quando pensamos... e mais tarde somos imbuídos de uma ideia... está já se fez. Assim como uma célula que, do nada, aparece e, mais tarde, toma forma de um pulmão... de um coração... a ideia, com o tempo, se torna forte, e com o passar dos anos, dos séculos, uma grandiosa forma universal. Realmente, é incrível.
Temos, no entanto, que repensar, pensar, tentar entender, por nós mesmos, o que significa esse aço oculto, e ao passo concreto, como cordas de aço, como pontes físicas, e ao mesmo tempo abstrato, nos quadros, nas pinturas cubistas, supra-realistas, nas modernas...
A ideia se manifesta a partir de uma brisa fina, que burla nosso inconsciente, que mais tarde torna-se um vento, e muito mais depois um redemoinho que nos leva a todos. A ideia, aqui, torna-se perigosa, pois revela-se mais forte que outros pensamentos, sejam eles bons, virtuosos, práticos, mas que ficam como plásticos ao vento se não são tão fortes e firmes.
E quando se trata de ser humano, principalmente, somos obrigados a dizer que até mesmo ideias contrárias às reais nos faz crer que somos incapazes de raciocinar, comandar a nós mesmos, ter nossas escolhas, enfim, de não ter nossas próprias ideias...
Não é assim, não podemos ser assim. MAS, se acreditamos que não podemos, que não conseguimos, que somos os piores (nem melhores que ninguém ou qualquer coisa), somos obrigados a procurar psicólogos, psicoterapeutas, pois a ideia de que somos filhos do nada já se enraizou em nossa mente e tomou conta de nossos corpos e almas... Nessa última, quando atingida, vêm-nos igrejas, templos, tendas, jogos de azar... afim de dizer o que no fundo não encontramos, graças à primeira premissa enraizada, presa, e que nos diz “não vale à pena ser humano”... (vamos fugir disso!).

Há empresários de sucesso que conseguiram impor-se a partir de ideias. Histórias de grandes homens que, quando humildes, sem moradia, sem pai nem mãe, conseguiram com meras palavras do tipo “Eu vou conseguir”, “Eu sou o melhor”, “Eu não morrerei agora, pois preciso terminar minha mensagem”... não são meras histórias, são fatos reais. Imbuidos de uma vontade além-razão, conseguiram.
O grande lutador Murrandi Alli, um dos melhores, se não o melhor do mundo até hoje no box, chegava ao ringue pulando como se já tivesse ganho a luta. Pegava o cinturão dourado e dizia “Esse é meu”. Isso, olhando e rindo da (e na ) cara do adversário... O resultado? Não preciso dizer (tá bom, eu digo!), Ali ganhava em poucos rounds e, no final de tudo, o cinturão era dele.

Vamos nos transportar no tempo. Quando Roma era dominada pelos grandes heróis. Julius Caesar, ou Júlio César, em sua viagem para dominar a grande Gália, teve que pegar um trecho de navio, barco, sei lá... Nesse mesmo dia, grande tempestade se fez, e todos gritando desesperados não sabiam o que fazer, pois o capitão (ou melhor), o general Júlio César estava simplesmente a dormir em seu pequeno quarto, que nos parecia hoje mais com um porão.
Foi quando um dos marinheiros correu até seu quarto, acorda-o, e grita “capitão, estamos afundando, vamos todos morrer!”. Depois de ter ouvido o grande marinheiro, César olhou para ele e disse... “Não, não vamos morrer. Vamos conquistar a Gália e voltar”...
Com indignação, o soldado ainda lhe perguntou “Como o senhor tem tanta certeza, general??”.. O grande homem riu e disse “Porque eu sou Júlio César”. E voltou a dormir.
Realmente. Quem conhece esses seres, que parecem mais deuses em forma de homens, não precisa contar-lhes o resto. Júlio César dominou a Gália e voltou para Roma.
Para que possamos ter, no entanto, antes de tudo uma confiança à Júlio César, à Murrand Ali, é preciso confiar em si mesmo, treinando ideias de elevação moral. Esses homens, claro, já nasceram especiais, e não foi difícil conquistar o mundo que queriam, mas nós, seres que se tornam especiais com o tempo, precisamos entender que ideia é uma faca de dois gumes, é um corredor à parte de outro corredor, é uma via de mão dupla, é a depender de quem nos leva, ou traz, o precipício, o abismo para o nosso fim.
Um exemplo disso foi, entre muitas do tipo, uma reportagem a respeito da Igreja Universal do Reino de Deus, na qual vários fiéis são almejados com finalidade de contribuir voluntaria ou involuntariamente, com dizimo, sei lá... de modo que, segundo reza o principio de todas as seitas, terão eles de volta todo “tesouro” perdido em forma de reinos celestes. A reportagem, perdão, falava de um casal que havia contribuído há anos com tudo que ganhava, e mais, acreditavam que teriam muito mais de volta (!@#$%¨&* !!)...
A ideia aqui é forte.  Não apenas nessa igreja. Há outras, mas não sei se piores.  Ideia de céu e inferno como forma de ônus e bônus vagueia nesses templos de areia, ideias de aço, como forma de ganho para a entidade. Sim, claro. Se não trabalham, não têm casas imensas, carros do ano, castelos... Passam a ter da forma mais manipulável possível. E isso é real.

Não adianta. Rádios vão tocar a música; televisões vão passar programas; bispos vão gritar em sua cara; pessoas vão fingir quedas; homens vão deixar suas famílias... Tudo em nome de seus interesses; em nome de uma ideia que eles próprios "acreditam", e ao mesmo tempo sabem que é a melhor de todas para trazer a todos – como no filme do tocador de flautas e os ratinhos – e fazer-lhes acreditar que sabão é queijo. E comem se disser-lhes que vão ganhar o céu... E mais, ainda encontram no livro sagrado lastros para tanto. A idade média era mais sutil!
Hoje, se penso em ideias religiosas, no entanto, penso na ideia romana, egípcia, grega... a de que somos parte de tudo, e ainda somos um pouco de Deus. Por que não? Sim, somos sim. Se tenho um filho, com todas as características que possuo, posso dizer que ele tem um pouco de mim... E eu tenho um pouco do meu pai, e humanidade tem muito de Deus, e o Universo inteiro é Deus.
Essa ideia não descarta, não dissolve, não mata, não discrimina, não perturba, não preconceitua, e desenvolve em nós uma energia desconhecida, tão latente e forte que nos revela segredos que há muito diziam (e dizem) que nos fazem mais humanos.
Nós somos uma ideia divina. Estamos aqui, tentando nos compreender com questionamentos, vivencias, experiências, belas ou não, como minideuses em uma história mítica. Somos homens e mulheres buscando o Logus maior que nos religa; somos a eternidade se questionando acerca da própria eternidade...
Somos um projeto divino que deu certo, advindo de uma ideia mais divina ainda.

Invasão

Homenagem às Deusas do mundo todo.


Sou um manancial de poesias,
Que percorre teu corpo, teu gosto;
Sou a chave que abre teu mundo,
Tão profundo, lindo e ao passo imundo.
Sou o vento forte
Que bate em teu rosto,
Implorando teu sorriso.
Sou a dor que te alivia da tempestade,
Dos trovões, relâmpagos... do Mal.
Sou o animal a sua espreita,
Que te morde, que te ama e rejeita...
Sou o vulcão em sua ilha,
E a larva que percorre sua alma,
Seus dons e traumas,
E a grama atormentada pelo fogo
Dos teus sentidos.
Sou a clarão do sol na tua ferida,
Na tua pele exibida,
Na qual toquei quando tomavas
Teu banho de amor...
Sou o inicio do teu pecado,
Sou o fim de uma santidade,
Sou a breve espada que corta
Teu pulso, impulso...
Sou a boca que bebe teu suor
Fino de suas unhas,
De seus cabelos, de seus apelos...
Sou a imensidão que governa tua vida.
Sou Teu homem,
Teu deus.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Construir. Uma ideia.



Queria muito saber transferir a semântica de várias palavras, nas quais exibe com louvor o que sentimos, o que fazemos e passamos. A palavra construir é uma dessas, que me deixam digno de um filósofo atordoado depois que vários questionamentos lhe são feitos.

Hoje, aqui e agora, penso nessa palavra tanto quanto qualquer outra, como se ela viesse a ser a chave de minhas outras palavras indecifráveis. Penso no construir, no levantar estruturas, ideias, conhecimentos, prédios, casas – principalmente porque tenho em mim que tudo isso começou por causa da construção de minha casa...

Sabe... Quando vejo os pedreiros chegando pela manhã, felizes, voltados com a consciência na meta principal – trabalhar bem – de modo que sejam chamados para outra obra, e sejam elogiados mais ainda – sinto que aqui, nesse meio, consegui construir uma nova amizade (ou amizades), e que sentirei falta deles quando tudo isso terminar...

Um deles, o menor, "mudo" até então, não conseguiu ficar com os lábios cerrados por muito tempo, pois piadas foram contadas, assuntos prosaicos, brincadeiras foram feitas, e ele começou a soltar-se, e hoje, quando me aproximo dele... É festa. E com seu jeito humilde, ajuda o mestre de obra, de nome Riginaldo (com i), a montar mais uma estrutura, também com muita alegria e, ao mesmo tempo, seriedade.

O outro, um pouco mais avantajado, para não dizer beneficiado adiposamente (gordo), de nome Reginaldo, também, tal qual o meu!..., revela-se um oráculo nas horas mais difíceis. Ou seja, quando o mestre tem receio de dizer, ou quer confirmar algo que este tem dúvida... é só dizer “Não é, Rê?”... E nesse combinado de conhecimentos, não sei como me veem, prosseguimos na certeza de que somos fortes candidatos a sermos amigos eternos...

E a palavra Construir continua, não apenas nesse meio, mas principalmente em família – outra palavra tão importante quanto à primeira, que estrutura psicológica e religiosamente todos nós. E se não faz esse papel, pelo menos nos encaminha para tanto.

Construir uma família... Uma ideia...

Casamo-nos, temos filhos, e pronto. Temos uma família. Fisicamente talvez. Mas a necessidade de “encimentar” a união dos tijolos para que fiquem fixos, fortes, unidos, sem que se separem mais tarde, é o que devemos buscar nela, nessa entidade que reúne todos os nossos valores, ainda que alguns não acreditem.

Quando se constrói uma casa, cada tijolo vem de lugares diferentes, para se tornarem tijolos reais, e serem usados como... tijolos. Assim somos nós no universo... Viemos para sermos humanos, com pretensões simplesmente humanas e fazer nosso trabalho como tal. E para isso, necessitamos de um núcleo dentro do qual temos que aprender nossos reais valores, e saber, depois desse núcleo, o que queremos construir, como seres humanos que somos.

Construir nesse aspecto toma uma dimensão maior, elevada. Pois nos faz repensar o que somos e o que queremos fazer, como construir sonhos materiais ou espirituais, construir ideias a partir de princípios que criamos, que regamos lá trás.

Roma – por exemplo – foi exemplo de uma grande cidade que construiu suas ideias a partir de outras que lhe fizeram o que fora num passado brilhante. Não hoje. Assim o foi o grande Egito, no qual grandes pirâmides foram construídas com ideias míticas, e com os mesmos motivos, as civilizações maias, astecas, incas em seus tempo dourados, nos quais sobraram apenas interrogações em cima de suas construções belas e misteriosas.

E a palavra construir nos vem e desaparece como um mosquito inquieto. Quando aparece, olhamos fixos a sociedade, e trabalhamos nosso inconsciente com o desejo de fazer o bem, por meio da educação, por meio do trabalho, com ingredientes sociais, humanos, como ética, moral, amor, dedicação...

Porém, se vai ao nos depararmos com sujeiras advindas de poucos que se julgam governadores, presidentes, senadores, deputados... Como uma esperança que nunca nasceu, que nunca cresceu, e que só existe em filmes de idealistas que conseguem lutar e morrer pelos seus ideais.

...Eu, hoje, ao ler um desses textos que há muito não passo a vista – do meu blog, claro – o Pico da Montanha – o qual traduz a esperança de modificação interna para a realização externa, fiquei pasmo como somos medrosos em construir, por meio de nós mesmos, uma ideia que pode nos elevar como humanos, e nos tornar um pouco melhor, todos os dias, sem que precisemos derrubar governos, defender baleias, árvores, enfim, construir algo dentro de nós que possa ser perpétuo, sem que sejamos incoerentes, pois sabemos que defender causas humanas é tão necessário quanto qualquer outra ideia.

Construir é uma ideia que plasmada pode levantar milhões de edifícios, mas, principalmente, pessoas.







À Minha Família.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

O Lado oculto da Lua



E sussurramos nas altas estrelas até
A madrugada...
Chamavas-me de louco, e eu,
Roubando-lhe beijos, de amada.
Retirados os véus,
Não só em palavras,
Mas em cortinas,
Em roupas, como almas aladas,
Nos amamos sem valor.
Caímos em devaneios múltiplos
Pela fantasia,
Acordamos e dormimos frios,
No exercício quente
Da alforria.
Não éramos mais escravos,
Apenas governantes da magia,
Derramamos secas bebidas
E moramos no lado oculto da lua,
Fugimos um pouco agonia,
Da dor que nos unia...
Da cor neutra da paixão
Que naquele espaço persistia...

Embebedamo-nos de alegria,
Dançamos a música que se fora,
Apenas a mente nos servia.
Seu corpo, ao som do vento,
Parecia uma paisagem muda,
Até que em seus olhos firmes,
Na tempestade dos meus,
Brotaram frutos doces,
Ao passo de Deus.
Eu morri de amor,
Ressuscitei em segundos,
Corri campos e nadei mares,
Senti-me dono do mundo.

Meu mundo se foi,
Como um divino ateu,
Acordei na noite,
Molhado pelos belos açoites,
E voltei ao sonho meu.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Romanos

Cena do filme "A Legião Perdida"

Eles nasceram com um intuito de guerrear, porque estava em suas veias, ou, para ser mais claro, em suas almas, a própria guerra.  Não tinham a compaixão nossa de cada dia, mas a dos deuses, e, ao passo, a maior das ideias, a de fazer a todos cidadãos do mundo.  Uma família cuja natureza era a certeza da filosofia prática, advinda das maiores e melhores nações que semearam em suas terras simbólicas a eternidade por meios dos valores a que obedeciam.
Aqui cabe ressaltar a que tipo de valor era esse, que, até hoje, tentamos compreender em meio a uma paixão pela batalha, pela reverência e ao mesmo tempo pelo amor à disciplina, à ética, à honra sagradas.
Porém, não se consegue entender as indisciplinas de vários homens herdeiros desse grande trono que reinou durante mais ou menos setecentos anos! Depois de vários estudos, nos precipitamos em opinar sobre esse mistério que abalou a linha da História. Dizemos que até o menor  dos universos sofre com a queda, com o esvaziamento, ou, enfim, com a decadência moral e física que o Destino lhe concebe.
Assim, olhamos para o horizonte e voltamos de costas com lágrimas nos olhos, pois há mais mistérios no mundo do que Deus nas páginas dos homens. E quando voltamos e nos questionamos acerca desses seres, que criaram pontes, criaram instituições, nos deram leis irreversíveis e nos ensinaram a sentir a divindade em forma de deuses-humanos, vimos que a pequenez da vida nos morde como mosquitos, todos os dias, em nosso racional frio e sem espelho.
Nada, porém, nos tira esse legado cultural, filosófico, natural das grandes nações, das grandes civilizações, que, miticamente, traduziram o que não nunca poderíamos com esse sotaque arrogante do modernismo, entender o que se passou com eles, quando vários seres de "outro planeta", como Platão, Aristóteles, Plotino, ou guerreiros como Júlio César Pitolomeu, Alexandre, o grande, Marcos Aurélio, e vários outros ets, nasceram e cresceram, e nunca mais morreram, apesar dos pesares porque passa a humanidade.
Nunca vamos compreender o Mito da Caverna, nunca iremos compreender a Bíblia, nunca, jamais, com esses olhos vaidosos, vamos entender o que aconteceu na época em que as maiores pirâmides foram construídas, ou como construíram, ou menos do que isso, nunca iremos saber se fora realmente verdade o que os grandes heróis nos deixaram, pois, em razão dos “óculos” que nos colocaram desde a tenra idade, somos obrigados a ver escravos, dinheiro e senhores capitalistas a comandar a vida de muitos, onde quer que pisamos...
Contudo, em meio a esse mundo cheio de mágoas de um passado que não se compreende, observamos os clássicos, e deles tiramos conclusões de que somos semelhantes de algum modo aos grandes homens, sejam eles vistos como extraterrestres ou não, sejam eles divinos ou não: podemos entrar para a história cultivar os mesmos valores universais, que um dia desceram como cometas, se transforam em homens, se foram como estrelas e deixaram raios de sol para caminharmos.
E mais, acredito que podemos ser gigantes, tais quais aqueles pequenos-grandes homens que iam às guerras, como se fossem namorar a filha do vizinho; podemos entender que somos eternos, tais qual o uno que mora longe da maior vida, mas também tão perto quanto à brisa que entra em nossos pulmões e sai de nossas almas.




Aos amigos

O Dia da Laje



Dia em que todos se uniram como guerreiros da terra, do cimento, da lama. Dia em que pessoas simples e fortes determinaram que iriam vencer a maior das guerras, a guerra da laje. E venceram.

Foi assim...
Um grupo de jovens foi convidado a participar da colocação da laje, um misto de cimento, terra lavada e brita fina. Toda ela seria colocada em cima do primeiro andar de minha casa em construção, toda ela seria espalhada, delineada com o objetivo de formar o chão do segundo andar. O trabalho não era para qualquer um...
Contudo, ainda dizem que é um trabalho voltado muito mais à união daqueles que estão ali, se manifestando em favor da grande causa, vencer a guerra da laje – levando terra em carrinhos de mão em questão de minutos, às vezes correndo, às vezes sorrindo; levando até o cimento, que é misturado à água, unida à brita fina, misturados até virar a massa que será levada pelos peões, em um balde, até a parte de cima...
O grupo de jovens que eu convidei para a integração, união e trabalho... No entanto, infelizmente, não compareceu. Assim, o mestre de obras, que possui a visão “além do alcance”, havia preparado um outro grupo, o de guerreiros.
Descendo de suas cavalarias – carros simples – e com suas vaidades em dias, roupas já sujas, meio rasgadas, para enfrentar a guerra, além do diálogo clássico, aquela língua de pedreiro que só eles entendem, tais homens sorridentes, animados, e por que não dizer criados em construção de casas, edifícios, torres..., fizeram uma roda ao redor do mestre pedreiro espartano, seguraram seus escudos, suas lanças, gritavam suas máximas, e iniciaram a maior das orações... O trabalho.
Assim, quem os via dedicados a subir a descer, levantar, cair, falar, se esbaldar em lama de cimento, dizia “esses caras são bons!”. A rapidez, a sinceridade, a força em lidar com seus instrumentos de trabalho, a dação, lembrava-me a palavra vocação.
Dela posso extrair – sem discriminar ou preconceituar – a natureza de cada um onde estiver. E ali, naquele canteiro de obras, seres advindos de lugares diferentes, com objetivos iguais, igualaram-se em ideais, mesmo que involuntariamente, pois fizeram o melhor dos trabalhos, a melhor das lajes.
Pessoas simples, que demonstraram compromisso em meio a um mundo de jovens que se digladiam em frente a um computador que não podem perder a internet, e nela o site, a página, a foto, o recado, senão se infiltram em mundos desconhecidos e ficam mudos. Jovens que não entendem o valor do trabalho, do estudo, da necessidade de cultura, e sequer sabem o que é educação...
Os homens que fizeram minha laje, hoje, talvez, saibam menos do que isso, mas, com certeza, estão mais à frente do que muitos apregoados em bibliotecas virtuais, faculdades de borracha, pois a destreza e o compromisso com os quais se dedicaram naquele dia foi de encher os olhos e o coração de muitos.







Mãe, queria muito que a senhora tivesse visto.
Beijos do teu filho.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Águias Perdidas

 

Há muito tempo, impérios se firmaram sobre ideias grandiosas de domínio do mundo, de construção e evolução dentro das sociedades, e muito mais, da própria humanidade. Sabe-se que essas civilizações tiveram um corpo, desenvolveram, mas caíram com o tempo, assim como tudo que nasce, cresce e morre, entretanto, para muitos, tais civilizações ainda que com características aprazíveis ou não, reencarnam como uma grande alma em “corpos diferentes”, e tentam se manifestar, imporem-se, e recomeçarem seus sonhos, ou a depender, nossos pesadelos...
Para quem não sabe do que estou falando (ou pelo menos tentando), eu vou lhes dizer, estou me referindo a Roma, ou Persa, entre outras, e por que não dizer da Alemanha, em seus tempos áureos. Da Alemanha, nem tanto, pois, quando se fala em auge, sempre nos direcionamos a alguém (nesse caso, ou país) em sua mais alta forma seja ela educacional, material ou espiritual.
Esta última potência, Alemanha, no entanto, depois da Primeira Grande Guerra, só esteve em seu auge quando um ditador iniciou seu processo “civilizatório” baseado em premissas genocidas – exterminar povos. Isso, na realidade, não chega a ser desenvolvimento, ascensão, evolução. É o mesmo que dizer que a máfia – seja ela em qualquer sociedade – conseguiu seu auge. Talvez no material, mesmo assim, eliminando muitos adversários, por meio de disciplinas e ordens que ela mesma – a máfia – honrava todos os seus compromissos.
E é, apesar de tudo, elogiável, pois coloca no chão várias instituições, quando se trata da matéria disciplina. Porém, não passa disso. E a Alemanha, em busca de renovar-se no contexto mundial, à época, agiu como a máfia. Em termos de disciplina e honra a seus interesses, ela foi notável. Eliminava seus adversários, destronava governos, quebrava regras para se manter nas nuvens, e nunca perdeu sua estrela: ser dona do mundo...
Enfim, em nome do mal, não se pode falar em ascensão. O mal – como diria Platão – é o que separa. O amor é tudo aquilo que une. Não podemos fugir de nossos ideais. Fica mais simples. E impérios se formaram em cima desses ideais, porque a premissa era muito forte, e ao mesmo tempo, soava ser mais fácil conseguir... e era.
Disfarçado de interesses humanitários, surgiu o ditador. Abriu fábricas que foram necessariamente fechadas, em uma época em que a Alemanha, país cujo alimento pós-guerra chegou a ser indecifrável o preço de tudo, dada a inflação pós-guerra, havia praticamente falecido aos olhos do mundo; ele trouxe a todos a esperança de renovação, de fortaleza, honra e dignidade. Palavras fortes que cabiam como uma luva até mesmo para uma pessoa depressiva, o mesmo a um país em decadência financeira e moral.

Nascendo com tais premissas, honrosas, em principio, o ditador conseguiu chegar ao auge de suas ideias. Transformou seus interesses homicidas em um sentimento quase que coletivo. Muitos o apoiaram, outros, ainda que fossem contra os obsurdos, tiveram que se calar. O fato é que o silêncio dos bons foi primordial para que a maioria interpretasse que o ditador teria feito toda a Alemanha submissa a seus interesses. Não fora dessa forma.
O grande ditador buscou a raiz dos impérios romanos, gregos, egípcios... Chegou a copiar – do seu modo – o símbolo antigo egípcio de criação do mundo, como os dois s, intitulado suástica; a reverência romana, um pouco mais berrada ao modo nazista, foi a que chegou mais perto se não fosse o nome do ditador no fim da reverência “ave”, a qual tem uma particularidade tão sagrada quanto qualquer sol visível. Em tudo, o ditador copiou, além da disciplina romana, a maneira de lidar com o adversário, a educação – ainda que sem nexo – sobre a morte, fez com que a Alemanha fosse o império quase completo.
O ditador, graças ao um ideal falho, de separatividade, de dores e massacres de povos, foi derrotado pela união de vários países com outro ideal: o de união. Mas para isso, teria que destruir a rota do mal pela raiz, se infiltrando pelas margens, até conseguir destronar o monstro – que se suicidou...

Roma, a águia.

O  que faz um império ser odiado? Por que nos lembramos mais dos benefícios romanos do que os malefícios aos bárbaros? Roma era uma ideia de integração não só civilizatória, mas universal. A prova disso é que há histórias nas quais se diz que Roma era tão respeitada e, à vezes, amada por alguns adversários, que estes se rendiam, antes mesmo que o grande exército romano chegasse. Outras vezes, sorriam, e mais outras, temiam. As notícias corriam como a brincadeira de telefone sem fio. Contudo, não eram guerreiros de brincadeira, e sim pior do que uma realidade.

Massacres houve, tomadas de cidades indiscriminadamente, também, porém, sabe-se que os reais genocídios vieram após a Primeira Guerra Mundial, quando mortes em massa de inocentes começaram a transferir o desejo real do homem atual. Dos antigos podemos dizer que havia tomada de países com intuito de transferir sua cultura e seus ideais ao mais fraco. E Roma o fazia.

Civilização: conceito.

Falar de um império completo é tentar entender os conceitos de moral, ética, civilidade, humanidade, e Roma, um grande império formado por diversas culturas, concretizou-se, na prática, após séculos, em a maior do Ocidente.

Nela, todos os conceitos cabiam. Religião, família, política, civilidade, humanidade, justiça... Já eram praticados em todos os campos, de maneira que todos tinham suas obrigações e deveres como cidadãos, e aqueles que se tornavam também o tinham.

Hoje, não é somente Alemanha do passado que não tinha seus conceitos, mas muitas outras de hoje, as quais são potências, não possuem civilidade, humanidade, justiça, religião, dotados como pontos principais para a consecução de seus fins progressistas. Pelo contrário lutam contra qualquer um que o tenham.



> Voltamos no próximo texto >

A Parte que nos Falta

"É ótimo ter dúvidas, mas é muito melhor respondê-las"  A sensação é de que todos te deixaram. Não há mais ninguém ao seu lado....