quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Filos Menino, Reflexões Segundas.




...Bem... Vamos voltar aos nossos pensamentos os quais possuem uma natureza já misteriosa, não é? Veja só, como é que pensamos? Como nos vêm as coisas na cabeça? Que tipo de célula capta todas as nossas vivencias, experiências e etc, e nos faz revê-las dentro dessa cachola, como a um filme em cores?
É muito questionamento!!
Voltamos, no entanto, ao nosso querido texto anterior, no qual havíamos falado sobre o papel dos vermes – lá no finalzinho, claro – e, mais uma vez, nos perguntamos “Se os vermes possuem algum papel, qual é o nosso??”...
Na realidade, a própria Biologia, a qual estuda a vida em geral, nos responde que é uma necessidade sobrevivência de cada espécie, assim como a nossa, de fazer o seu papel. É como se passássemos a existir em razão de cadeias e teias alimentares, dentro das quais somos apenas figurantes, assim como todo e qualquer animal se alimentando um do outro para a própria sobrevivência...
A Biologia, dentro daquilo que expõe, está certa, mas falta a ela alguma coisa, alguma parte oculta aos olhos dela mesma: a razão da essência de tudo. Por tratar os seres como iguais, há uma falha. Não somos iguais...
Os animais, esses seres que andam na vertical, que se alimentam mais que qualquer ser, possuem características naturais de animais; e assim, podemos perceber que há outros seres, além dos animais, que se alimentam da terra, da água, do sol, crescem na vertical, porém não são tão vorazes quanto os últimos, que são os vegetais; as pedras, que também se alimentam, bebem água, dentro das suas possibilidades, não podem deixar de fazer parte de uma... Teia!
Os humanos, esses os quais sintetizam um pouco de todos eles – pedras, vegetais, animais... –, crescem física e interiormente, e procuram seu lugar no mundo. E ainda claudicam na certeza de que são parte dele como seres que estão em uma esfera gêmea, porém com leis diferentes, das dos outros seres.
Calma! Meu quarto já está sendo arrumado!
... Assim, ao divagar acerca de nosso papel, encontro-me parado, estático, frente ao que chamei anteriormente de caos do meu miniuniverso.  Cada blusa em seu lugar, cada calça, cada sapato, e do meu filho, cada brinquedo, e... Depois de organizado, parcialmente, claro, percebo que minha estratégia deu certo, a de que precisamos de referenciais até mesmo para organizar (naturalmente) as coisas...
E o caos, que no quarto havia, se foi parcialmente.
Mas o que me fica depois de tudo isso? Muitos questionamentos sem respostas. “Será que Deus é uma organização?”, ou “Será que Deus é Caos e Organização?”. Será que o Lúcifer (Diadorim) é caos e Deus e Organização? Ou tudo isso não é nada mais que um rótulo do qual tiramos nossas opiniões?
E se eu digo, ou rotulo Deus em tudo? Ou rotulo tudo de Diabo? Iiiiiiihhhh, fica estranho neh? Mas a palavra Deus, segundo alguns livros, significa Onipotência, Onipresença... quer dizer, está em tudo, e rotular tudo isso de  Diabo... Não sei não!... Haja Igrejas em meu pé!!
Esse segundo ser, se eu não me engano, vem muito depois em aparições diferentes, até mesmo em aparições angelicais, ou seja, em forma de anjo, quando este, se eu não me engano, segundo as escrituras sagradas (tô pegando  pesado!), nada mais é que a “queda” de um ser do bem, que se transformou em mal, na matéria... É isso.
Mas o que tudo isso tem a ver com a ordem de meu quarto? Ou desordem, ne...?
Talvez, entender que dentro da palavra Deus podemos descobrir a infinidade e ao mesmo tempo a finidade (de finito). O finito, conhecemos; mas o infinito... (êpa!)
E se eu nos colocar como figuras infinitas e finitas? Claro, se eu sou um pouco de tudo, certo? Eu, aqui, não devo nem mesmo desconsiderar o mais horrendo dos seres, pois estaria colocando Deus como um ser unicamente finito; não posso desconsiderar nem mesmo as fezes dos animais, ou a do cavalo do bandido... senão... Lembrem-se do objetivo de tudo!
Então, voltando..., se eu me considerar finito, devo pensar apenas naquilo que vejo, que sinto, que percebo, porque são coisas que meus cinco sentidos entendem, compreendem, e não apenas “fazem ideia”, entenderam?
Meu corpo, minhas paixões, desejos, dor, etc, etc se vão como formigas depois de remédios espalhados no chão de casa... (Não fica uma! ). O infinito, em mim, é tão difícil de dizer que, graças ao nosso pensamento lógico, e um tanto quanto racional (elevado, evoluído...), sou capaz de dizer e rotular de alma, espírito, nows, eterno, etc... Ou seja, aquilo que desconheço.
Então podemos dizer que em tudo existe o finito e o infinito? Até nas pedras, nos animais, vegetais, fogo, ar, sol, chuva, vento... Talvez, sim. Uma coisa é certa, se houver nesses elementos o finito, nós o percebemos; e havendo o infinito, podemos dizer que, em algum grau, existe, mas diferentes de nós, humanos.



Não terminamos a organização do quarto!


terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Filos Menino, Reflexões Primeiras.



Hoje, quando me pego arrumando meu quarto, que sempre está uma bagunça, em razão de me filho pequeno, de quatro anos, possuir brinquedos espalhados por ele (quase) todo, penso no cosmos e naquilo que antecedeu toda essa organização universal. Penso no Caos.
E meu querido quarto, com certeza, é um microuniverso no qual roupas que deviam estar em seu lugar, não estão; no qual, até mesmo os brinquedos de meu filho que deveriam estar encaixotados... Não estão...
Enfim, se eu fosse olhar para o céu e dizer “olha lá o meu quarto!”, o sol estaria completamente deslocado, assim como as árvores, no céu, as nuvens no mar, e etc. Porém, nesse quarto, que possui uma organização especifica – para não dizer louca --, sinto que há uma necessidade de cada coisa estar em seu devido  lugar. Não “aquela” necessidade básica, da qual tiramos dos ensinamentos pré-didáticos, mas a maior das razões... depois eu falo.
E então, nesse intuito de organização, me perguntei.. “cara, todas as coisas no mundo, não apenas o universo acima de nós, mas aquelas que mais se aproximam de nós, como animais, plantas, pedras, árvores... Sem falar em suas cores, em seus perfumes, em suas vidas, as quais, a depender do elemento, se vão tão rápido quanto a palavra que já se foi”...
E as esferas de pensamentos crescem, e à medida que meu pensamento se faz, o quarto ainda continua desorganizado...! Contudo, os questionamentos são avalanches quentes que chegam 'atingir' a Deus. “Como é que as coisas tiveram esses perfumes, essas cores, será que a vida tem cor? Será que Deus tem cor?” Iiiiiihhhh, o usufruto das palavras chega a escarnecer a alma de quem lê, mas continuemos...
Já sei, eu disse. “se tudo tem uma função, obviamente as cores e seus perfumes tem uma função nas coisas!” – é um pensamento lógico, até mesmo científico, pois sabemos que, quando nos referimos às plantas nesse sentido, descobrimos que todas elas não foram feitas para cheirar, provar, ou mesmo enfeitar as mesas humanas...
Todas elas têm um objetivo. Qual? E se for perfumar, embelezar a vida natural? E se tudo isso for um devaneio clássico de um poeta, que virou máxima piegas?... Não sabemos. Mas uma coisa é certa, somos obrigados a dizer que todas elas nos levam a pensar que somos pequenos diante das beleza natural dos lírios, das rosas, das flores, das grandes árvores... (êpa!)...
Eu disse árvores... Todas possuem frutos, e cada um deles, a depender do lugar em que nasce, é comestível. A maioria deles, graças a Deus! (êpa!), será que Deus fez de propósito tudo isso só para que nós pudéssemos comer dos frutos?... E que lance é aquele de fruto proibido??
Na verdade, os animais também comem, bebem das águas que correm teimosamente belas em forma de rios, lagos, mar... Assim, percebo que vermes de todos os tipo o fazem também... (êpa!)...
O que fazem os vermes na terra? Acho que chegamos à pergunta que nos fará entender a primeira, aquela da organização no quarto (que ainda continua...), o que nos revela uma pequena percepção... (pra dizer a verdade...), uma resposta interessante... Os pequenos vermes (não falo de deputados ou senadores... mas do fundo do lodo da terra), os quais não enxergamos, têm seu papel, possuem uma organização, possuem uma lei, e sua cor... percebem?
E – continuando – se tudo pode ser entendido de maneira micro (menor), por que não entender  de maneira macro (maior)? Claro que não foi difícil pensar nisso, apenas trouxe à tona alguns caminhos racionais para o devido fim...
E... Mais uma coisa... E nós? Qual o nosso papel? Se os vermes possuem, qual é o nosso?


Não termina aqui, viu?

Canto Escuro




Preciso te ver,
Preciso de seu rosto.
Sentir seu cheiro de perto
Tocar em suas ondas,
E provar a maresia do teu corpo...
Preciso de tua ajuda,
Antes que enlouqueça,
Pois estou fadado a morrer
De saudades,
De fazer-te maldades,
liberdades,
Em nossas cabeças...

Sucumbo em vida,
Ainda sem você,
A madrugada doente,
Ao passo ausente,
Me revela deveras fraco...
Não sei se vou viver.

É preciso morrer,
Ressuscitar em outra vida,
Esquecer que um dia amei,
E não me lembrar de uma
Despedida...
E dos infernos a descida,
Onde mora meu clamor,
Jorro lágrimas
Frias de ansiedade
Em te ver,
Oh, meu amor!







Aos loucos de paixão.

sábado, 8 de dezembro de 2012

A pequena história de superação de um anjo.




Ainda ontem, sexta, dia 7 de dezembro, fui a um evento que, com certeza, marcou a minha vida e a de minha esposa. Nosso filho, Pedro, de quatro anos, em meio a várias crianças de sua idade, em uma despedida de professores e coleguinhas, por ser final de ano, esboçava o que pai e mãe chamam de superação solitária.
Vamos à história...
 
A festinha, já que estamos perto do Natal, tinha de tudo, até papai Noel vascaíno, mas com pretensões de um grande pai, que amava todas as crianças que ali cantavam, brincavam, e sorriam em um coral imenso – com mais de cem crianças --, reunindo todas as salas da instituição.
Os pais, claro, com seus celulares e máquinas de última moda, beiravam à loucura e quase não deixavam os pequenos em paz, quando os viam entrar. Havia uma diretora adjunta, que me parecia uma roliço mamífero fora dágua caindo no meio de todas as crianças somente para consertar alguns picorruchos que saiam e voltavam da cena...
Mesmo assim, soava como um grande conto de Natal. Pois meu filho estava ali, como um exagerado em tamanho, bem no meio do grande coral, à vontade, cantando, sorrindo, cutucando seus amiguinhos, e, ao contrario dos anos anteriores, quando nos via – eu e minha esposa – chorava, mas não chorou, e sim, sentiu-se bem, protegido, amado, apesar de nossa distância em relação a ele no palco.
Pedro Achilles...
Hoje é visto como um menino que precisa se integrar, brincar com outros meninos, vivenciar brincadeiras diferentes, contudo, sua natureza tímida o faz ser meio arredio em relação a outras crianças. Ele só não brinca, mas também não gosta de dividir sés brinquedos...
Para psicólogos, isso é o fim. Para mim, nada mais que natural. Há momentos em nossa vida que não gostamos de dividir nada, e há, em criança, a mesma fase, só que de modo mais forte – às vezes, porque pais não estão próximos de nós, às vezes, porque nós não vamos com a cara dos outros coleguinhas, que possuem, em si, uma outra natureza...
Assim, preocupados com seu jeito de ser, nós, pais de Pedro, procuramos opiniões e mais opiniões, com a finalidade de nos dar uma chave para a resolução desse pequeno problema, o qual estava fazendo com que nosso filho ficasse aquém do mundo das crianças que o cercava.
Pedro não somente tinha dificuldades em integra-se como também com pessoas adultas, as quais se aproximava dele e queriam sua amizade. Isso, acredito, não é problema, apenas uma outra fase pela qual o pequeno está passando e superando.
Por outro lado, alguns dizem que ele já nasceu com personalidade, pois não vai com qualquer pessoa, seja ela de qualquer nacionalidade, cor, sexo... Parece-nos que ele enxerga algo além do alcance dos outros, pois, para alguns, ele revela-se amistoso e, para outros, um bichinho de pelúcia difícil de por no colo...
Isso, como eu dissera, não era problema. E sim a integração. Ao ficar nos cantos com seus dinossauros de plástico, que tanto gosta de levar à creche, meu filho, nos instantes em que todos se divertiam com todos, era o único a ficar preso em seu mundo. Solitariamente brincava, e solitário terminava o dia. Sua mãe o buscava, ele sorria, corria para o colo dela, e em casa, ao contrário de seu comportamento no pequeno colégio, falava pelos cotovelos.

Ajuda de Santa Rita

Ao me encontrar em casa, sempre me chamava para brincar com os seus, e eu, louco de saudade, ficava até mais tarde com ele... A amizade que tanto eu esperava o dia todo. Mas a preocupação com o seu comportamento começou a tomar dimensões. E um dia, uma professora de nome Rita, graças a sua experiência, disse “nada disso, o Pedro tem que brincar com os outros!”, quebrando o tabu de outras professoras que o deixavam distante.
Essa preocupação divina com nosso filho nos fez pais dedicados, nos fez adentrar em seu mundo como se ele, Pedro, fosse um menino que tivesse reais problemas – mas era uma questão de estilo.
Rita, a professora, o fez brincar, ainda que não quisesse, com outros meninos. Se não desse, fazia com que outros fossem até ele e tentar compartilhar seus brinquedos, e meu querido filho, como sempre, não abria mão de seus mistérios.
Porém, como todo mistério leva tempo para ser desvendado, Pedro precisava de tempo e espaço. E deram, e demos. Respeitamos seu limite, seu comportamento, e, levando em conta os princípios da grande professora que foram seguidos por várias outras, meu filho começou a falar com outras crianças, a brincar com elas, mas a divisão dos brinquedos ainda é o mais difícil...!
Difícil ou não, sinto que este último comportamento é pra lá de normal, e é. Contudo, para alguns... E isso nos incomoda, pois, qualquer que seja seu jeito de lidar com as coisas, agora, é visto como se necessitasse de um especialista...!
E por falar em especialista, fomos obrigados a procurar uma fono porque Pedro, em razão de outros probleminhas, não pronunciava algumas consoantes. E acabamos nos deparando com uma excelente fono, contudo minhas experiências de vida sempre disseram que cada criança tem seu modo de entender e seu ritmo para aprender tudo.
Mas... os grandes especialistas sempre dizem que a vida de hoje não é a de ontem. Se podemos “interferir”, no bom sentido, para que seu filho possa sair de seu mundinho ou aprender mais rapidamente tudo, então vamos fazê-lo.
Eu era contra, mas quando a fono me disse que ele podia ser um menino em meio a outros como vitima de buyling – nome dado ao comportamento de pessoas que transformam a vida de outras em infernos – e acabei por concordar.. E hoje, com o passar dos meses, vejo meu filho melhor do que antes...
Pedro, no entanto, ainda tinha um pouco de medo em lidar como parceiro de seus colegas. Nos outros anos, a exemplo disso, meu filho chorou, saiu no meio das festas de fim de ano, de natal, de modo que era o único a sair das rodas, dos corais... e nós, chateados, dizíamos “não precisa chorar, é só uma festa; tem seus amigos, as professoras... papai tá aqui, mamãe...”, enfim, havia três anos que dizíamos a mesma coisa.
Hoje, dedilhando esses caracteres com a paciência dos anjos, com a paz de meu filho, confiando nos deuses, sei o quanto me senti quando o vi, pela primeira vez, forte, firme, sorridente, amado por todas as professoras e amigos, como se fosse aquele menino especial, tanto quanto qualquer outro, que um dia, no cantinho da sala de aula, brincava sozinho, talvez chorasse sozinho, com saudades da mãe e do pai. Talvez...
Talvez eu seja um pai problemático, que ache que tudo isso é  um grande problema, descartando tantos outros pelos quais passam todos por tão pouco e conseguem lidar com a coisa. Talvez precisamos amar mais, ficar muito mais com ele do que com nossos mundos frios e bárbaros, feitos de guerras e dores. Se minha mãe estivesse viva, ela teria a resposta para tudo rs.
E tudo isso se desfez quando nossos olhares ficaram voltados ao grande coral, no qual iam se reunir mais de cem crianças (ou mais). Aos poucos foram chegando, pelo meio da plateia de pais, os anjinhos de branco, e de gorro vermelho de papai Noel, assim pareciam-se mais netos do barbudo, ou mesmo ajudantes dele.
Pedro, à vontade, foi se aproximando do palco, afincou-se em seu lugar de sempre, por ser o maior da turma, viu seus amiguinhos se aglomerarem ao seu redor, e por fim, ao seu lado, e em três fileiras de anjos, de cima para baixo, Pedro era a maior das crianças – e até ai, tudo bem. E era mesmo.
Naquele momento, eu e minhas esposa já na espreita, atrás das cadeiras, fomos aos poucos nos aproximando do coral. O medo em vê-lo desistir mais uma vez, por mais um ano, nos fazia temerosos.
 
O dia, no entanto, estava iluminado, e os anjos de todos os tipos saudando seus pequenos irmãos. O sol, do lado de fora, fazia seu papel, ao irradiar o grande palco. E os sorriso dos pais brilhavam à frente dos filhos que davam suas vozes como filhos que queriam ver seu papai (Noel). Não, o dia era perfeito.
 
Eu, ao contrário dos pais que tiravam fotos, filmava meu filho, que se harmonizava com todos seus coleguinhas, e, quando nos viu, não chorava ou nos queria ao seu lado, e sim cantava, sorria, e buscava se exibir como um menino que superava a todos, ou pelo menos a si mesmo.
 
 
Eu fui às lagrimas.
 

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Esquecidos



...E vem o vento forte de teu perfume,
Eclodir em minha alma como peixes em
Cardume.

Vem o beijo de seus lábios
Sugar os meus...
Tornar-me um sem abrigo,
Que um dia roubou sonhos teus.

Vem a peste de nossos desejos
Arranhar os céus, criar infernos,
Desatar palavras,
Criar em nós... Larvas,
Fluir lampejos.

Vem a crença no nada,
Apenas homem e amada
No vicio,
Jogados do amor ao precipicio.

Destronados e esquecidos
No drama,
À meia luz da lua,
Férteis como rios,
No cio...
Na cama.







à amada

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

A Maior das Ideias

A ideia é tão forte quanto aço. Cuidado.

Não sei se se lembram de uma grande cena do filme Gladiador, quando o ator Joaquim Phoenix, em sua grande interpretação como Comodus – filho legítimo de Marcus Aurélius --  discutia a respeito de Roma com sua irmã. Ele, ao contrário do pai, que seguia ou queria seguir a tradição, tentando voltar  a um passado no qual a grande cidade tinha seus princípios embalados pelos deuses e os seguia --, queria nada mais que nada menos começar do zero, a partir de seu reino, o qual obteve sarcasticamente: matando o grande pai.
Sua irmã, com mais aceitação da grande filosofia paterna, falava belamente sobre Roma, quando o irmão lhe dera  a pergunta propositalmente de volta... “O que é Roma?”. Ela, com todo seu charme e elegância, e sabedoria, devolveu-lhe.. “Roma é uma ideia”.

Em outro grande filme, agora com aspectos mais atuais, para ser mais claro, que nos faz adentrar em um mundo mais mental, psicológico, o filme "Origem", com Leonardo Di Caprio, e grande elenco, nos conta a história de investigadores de mente.  Homens capazes de entrar em sonhos por intermédio de sistemas sensoriais, nos quais a pessoa, se aceitar, tem invadida sua mente, para que possa elucidar seus problemas ou, como fora percebido na película, para encontrar segredos adormecidos.
No início, Di Caprio, um dos agentes invasores de mente, diz a um empresário, “Se eu disser para o senhor ‘não pense em elefantes’, o senhor já pensou, entende?”... “O que eu quero dizer é que nada é mais forte que uma ideia implantada”.
Assim... quando pensamos... e mais tarde somos imbuídos de uma ideia... está já se fez. Assim como uma célula que, do nada, aparece e, mais tarde, toma forma de um pulmão... de um coração... a ideia, com o tempo, se torna forte, e com o passar dos anos, dos séculos, uma grandiosa forma universal. Realmente, é incrível.
Temos, no entanto, que repensar, pensar, tentar entender, por nós mesmos, o que significa esse aço oculto, e ao passo concreto, como cordas de aço, como pontes físicas, e ao mesmo tempo abstrato, nos quadros, nas pinturas cubistas, supra-realistas, nas modernas...
A ideia se manifesta a partir de uma brisa fina, que burla nosso inconsciente, que mais tarde torna-se um vento, e muito mais depois um redemoinho que nos leva a todos. A ideia, aqui, torna-se perigosa, pois revela-se mais forte que outros pensamentos, sejam eles bons, virtuosos, práticos, mas que ficam como plásticos ao vento se não são tão fortes e firmes.
E quando se trata de ser humano, principalmente, somos obrigados a dizer que até mesmo ideias contrárias às reais nos faz crer que somos incapazes de raciocinar, comandar a nós mesmos, ter nossas escolhas, enfim, de não ter nossas próprias ideias...
Não é assim, não podemos ser assim. MAS, se acreditamos que não podemos, que não conseguimos, que somos os piores (nem melhores que ninguém ou qualquer coisa), somos obrigados a procurar psicólogos, psicoterapeutas, pois a ideia de que somos filhos do nada já se enraizou em nossa mente e tomou conta de nossos corpos e almas... Nessa última, quando atingida, vêm-nos igrejas, templos, tendas, jogos de azar... afim de dizer o que no fundo não encontramos, graças à primeira premissa enraizada, presa, e que nos diz “não vale à pena ser humano”... (vamos fugir disso!).

Há empresários de sucesso que conseguiram impor-se a partir de ideias. Histórias de grandes homens que, quando humildes, sem moradia, sem pai nem mãe, conseguiram com meras palavras do tipo “Eu vou conseguir”, “Eu sou o melhor”, “Eu não morrerei agora, pois preciso terminar minha mensagem”... não são meras histórias, são fatos reais. Imbuidos de uma vontade além-razão, conseguiram.
O grande lutador Murrandi Alli, um dos melhores, se não o melhor do mundo até hoje no box, chegava ao ringue pulando como se já tivesse ganho a luta. Pegava o cinturão dourado e dizia “Esse é meu”. Isso, olhando e rindo da (e na ) cara do adversário... O resultado? Não preciso dizer (tá bom, eu digo!), Ali ganhava em poucos rounds e, no final de tudo, o cinturão era dele.

Vamos nos transportar no tempo. Quando Roma era dominada pelos grandes heróis. Julius Caesar, ou Júlio César, em sua viagem para dominar a grande Gália, teve que pegar um trecho de navio, barco, sei lá... Nesse mesmo dia, grande tempestade se fez, e todos gritando desesperados não sabiam o que fazer, pois o capitão (ou melhor), o general Júlio César estava simplesmente a dormir em seu pequeno quarto, que nos parecia hoje mais com um porão.
Foi quando um dos marinheiros correu até seu quarto, acorda-o, e grita “capitão, estamos afundando, vamos todos morrer!”. Depois de ter ouvido o grande marinheiro, César olhou para ele e disse... “Não, não vamos morrer. Vamos conquistar a Gália e voltar”...
Com indignação, o soldado ainda lhe perguntou “Como o senhor tem tanta certeza, general??”.. O grande homem riu e disse “Porque eu sou Júlio César”. E voltou a dormir.
Realmente. Quem conhece esses seres, que parecem mais deuses em forma de homens, não precisa contar-lhes o resto. Júlio César dominou a Gália e voltou para Roma.
Para que possamos ter, no entanto, antes de tudo uma confiança à Júlio César, à Murrand Ali, é preciso confiar em si mesmo, treinando ideias de elevação moral. Esses homens, claro, já nasceram especiais, e não foi difícil conquistar o mundo que queriam, mas nós, seres que se tornam especiais com o tempo, precisamos entender que ideia é uma faca de dois gumes, é um corredor à parte de outro corredor, é uma via de mão dupla, é a depender de quem nos leva, ou traz, o precipício, o abismo para o nosso fim.
Um exemplo disso foi, entre muitas do tipo, uma reportagem a respeito da Igreja Universal do Reino de Deus, na qual vários fiéis são almejados com finalidade de contribuir voluntaria ou involuntariamente, com dizimo, sei lá... de modo que, segundo reza o principio de todas as seitas, terão eles de volta todo “tesouro” perdido em forma de reinos celestes. A reportagem, perdão, falava de um casal que havia contribuído há anos com tudo que ganhava, e mais, acreditavam que teriam muito mais de volta (!@#$%¨&* !!)...
A ideia aqui é forte.  Não apenas nessa igreja. Há outras, mas não sei se piores.  Ideia de céu e inferno como forma de ônus e bônus vagueia nesses templos de areia, ideias de aço, como forma de ganho para a entidade. Sim, claro. Se não trabalham, não têm casas imensas, carros do ano, castelos... Passam a ter da forma mais manipulável possível. E isso é real.

Não adianta. Rádios vão tocar a música; televisões vão passar programas; bispos vão gritar em sua cara; pessoas vão fingir quedas; homens vão deixar suas famílias... Tudo em nome de seus interesses; em nome de uma ideia que eles próprios "acreditam", e ao mesmo tempo sabem que é a melhor de todas para trazer a todos – como no filme do tocador de flautas e os ratinhos – e fazer-lhes acreditar que sabão é queijo. E comem se disser-lhes que vão ganhar o céu... E mais, ainda encontram no livro sagrado lastros para tanto. A idade média era mais sutil!
Hoje, se penso em ideias religiosas, no entanto, penso na ideia romana, egípcia, grega... a de que somos parte de tudo, e ainda somos um pouco de Deus. Por que não? Sim, somos sim. Se tenho um filho, com todas as características que possuo, posso dizer que ele tem um pouco de mim... E eu tenho um pouco do meu pai, e humanidade tem muito de Deus, e o Universo inteiro é Deus.
Essa ideia não descarta, não dissolve, não mata, não discrimina, não perturba, não preconceitua, e desenvolve em nós uma energia desconhecida, tão latente e forte que nos revela segredos que há muito diziam (e dizem) que nos fazem mais humanos.
Nós somos uma ideia divina. Estamos aqui, tentando nos compreender com questionamentos, vivencias, experiências, belas ou não, como minideuses em uma história mítica. Somos homens e mulheres buscando o Logus maior que nos religa; somos a eternidade se questionando acerca da própria eternidade...
Somos um projeto divino que deu certo, advindo de uma ideia mais divina ainda.

Invasão

Homenagem às Deusas do mundo todo.


Sou um manancial de poesias,
Que percorre teu corpo, teu gosto;
Sou a chave que abre teu mundo,
Tão profundo, lindo e ao passo imundo.
Sou o vento forte
Que bate em teu rosto,
Implorando teu sorriso.
Sou a dor que te alivia da tempestade,
Dos trovões, relâmpagos... do Mal.
Sou o animal a sua espreita,
Que te morde, que te ama e rejeita...
Sou o vulcão em sua ilha,
E a larva que percorre sua alma,
Seus dons e traumas,
E a grama atormentada pelo fogo
Dos teus sentidos.
Sou a clarão do sol na tua ferida,
Na tua pele exibida,
Na qual toquei quando tomavas
Teu banho de amor...
Sou o inicio do teu pecado,
Sou o fim de uma santidade,
Sou a breve espada que corta
Teu pulso, impulso...
Sou a boca que bebe teu suor
Fino de suas unhas,
De seus cabelos, de seus apelos...
Sou a imensidão que governa tua vida.
Sou Teu homem,
Teu deus.

A Parte que nos Falta

"É ótimo ter dúvidas, mas é muito melhor respondê-las"  A sensação é de que todos te deixaram. Não há mais ninguém ao seu lado....