quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Sol Cinza




Sabe aquele odor de vida que traspassa nossas narinas pela manhã? Sabe daquele sentimento dourado, frio, e brilhante que almeja quando as nuvens carregadas de cinzas chegam e revela seu poder de escuridão? Sabe daquele cheiro de filho que perpassa em nossas almas ainda que ele esteja longe?...
Não, não sabem. Então levantem cedo, absolvam o ar dessa brisa gelada que nos imprime sua simpatia trêmula. Levantem e pronto. Exercitem a boa vontade, sem questionar aquele momento fino, agradável, no qual somente os homens de bem passam. Levantem, sorriem para si mesmo, beijem suas esposas, olhem-nas de longe, apreciem-nas de perto, e não digam nada.
Respirem fundo, façam um café quente, bem quente; estiquem-se para ver os passarinhos pelas janelas, seus cantos, e de alguns seus prantos por terem caído do seus ninhos. Esperem a saída do sol, mas não deixem que os monstros o levem novamente para cama, seja forte.
Pense que és o ser mais forte, mais heroico, maior que o próprio mundo, e que nada poderá te atingir, e realmente não pode. O dia, esse grande amigo dos dias que estão por vir, será belo, assim como os outros, será natural, sem trajetos difíceis, e teus olhos, janelas de tua grande alma, será sujeito a derramar lágrimas de vida.
O odor não passou. O frio também não. As nuvens, de tão negras, precipitam chuvas ao longe, e as neblinas, filhas destas, não param de corroborar em nome de um dia que promete, apesar dos homens, o melhor dos dias!

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Real. Puro e Simples.

Nascimento: choro de um lado, alegria de outro.

Quando uma pétala nasce, ou mesmo um pequeno animal selvagem ou não vem ao mundo, vê-se a natureza bela e limpa; quando um bebê humano vem aos nossos braços, clamando auxilio, depois de passar por todo seu trajeto natural, pelo sangue quente da mãe, a qual sintetiza um universo por onde todos passam, choram, clamam, e são amados, temos a sensação de que nada é mais real... Mais divino... Mais claro às nossas mentes.
Depois que se nasce, cresce e morre, temos um manancial de coisas a fazer que, com o tempo, nos soa como irreais, ilusórias, frias, humanas no sentido mais relativo da palavra, e passamos a conviver com o que não é real, ou melhor, como opinoso...
Porém, há realidades que nos batem à porta de forma ensurdecedora, como o próprio nascimento, não apenas dos seres com as quais comungamos o dia a dia, mas de uma natureza que se mostra tão maravilhosa quanto ela mesma...
Estou me referindo ao sol, à chuva pela manhã; estou me referindo às músicas que vêm das musas, nossas árvores que farfalham em brincadeira mútuas, tal qual crianças que não dormem. Falo do cheiro da terra, que nos faz abrir as janelas da casa e respirar fundo e sentir o contato com o perfume gerado pela colisão do elemento terra é água...
Falo da fogueira natural da vida, que é a emoção de ver um sol nascendo – revelando algo maior do que nossos egoísmos, interesses – nem que seja por um breve tempo, como se fôssemos partir para o desconhecido amanhã.
E não... Não há algo mais belo que ver um filho nascendo. Pensa-se em tudo, menos na cena biológica que nos retém, mas a parte simbólica que gera a ansiedade hibrida com o entusiasmo, com a loucura sana, e ao mesmo tempo com a paz no mundo, em nosso mundo.
E assim, mesmo assim, as relatividades, para alguns, causam mais impactos, como o ganhar de uma casa, de um prêmio... Com a volta da energia dentro de casa... Enfim, nada em absoluto, ou seja, nada com o qual podemos concordar em sua totalidade. E a busca por essa relatividade, nas mínimas coisas, transcende a busca pela beleza natural, pelo amor natural, que virou amor passageiro, relativo, rápido, frio, sem emoção, como um relâmpago de sentimentos finalizados com o primeiro ato sexual.
Nada é mais real que chorar por algo que não seja do fundo alma, e sorrir com uma gargalhada pela simples emoção do primeiro beijo. Isso é humano, é natural, é belo. E devemos por isso abrir as portas ao que se harmoniza com o mais profundo de nós, e se não der para ser diariamente, que seja em forma de oração; mas uma oração pequena, sem o pedir, sem o choro interesseiro pela matéria do dia a dia, mas para o Deus que adormece em cada ser humano, e que nos enriquece de estrelas ainda no cair da tarde, e nos faz filhos do universo, por breves instantes...

“Deus que está em mim, que está em todas as partículas do universo e que abrange a todos os seus filhos, deixe-me agradecê-lo pela família, e pela saúde que os fazem operários em busca do pão de cada dia. Deixe-me agradecê-lo pela proteção, sem a qual não tardaria em acontecer algo nesse mundo velho, que se mostra um lobo na pele de cordeiros. Obrigado pelos olhos, pelas pernas, pela força, pelo trabalho e pelo amor que sempre faço questão de elevar e levar aonde vou. Obrigado pelas obras feitas em seu nome – e como diriam os templários, somente para ti – e por aqueles que um dia acreditaram em mim, e que ainda acreditam, e sabem que o bem é a porta de entrada e saída”.
A oração deve ser como uma canção ao sagrado, assim como os grandes do passado o faziam, sempre, engrandecendo e agradecendo os deuses pela passagem breve, e pelos trabalhos realizados em seus nomes.
Toda oração deve ser real, lá do fundo da alma, sem que haja sussurros ou berros, pessoas ao redor, ou brutos em nome de Deus, mas, se houver alguém, que seja de bem, e que tenha a mesma finalidade sua. Simplesmente porque a oração é algo nosso, pois nenhum ser o faz se não for com amor que transcende a própria existência.

O real
O real, como diria o samurai, é sincero, que vem da expressão “sem cera”, ou seja, aceita como ela é. Ele não passa pela mente do humano, mas pelas raízes do coração, que não subjuga, não mata, não morre. É a dor, é o sorriso, é a lágrima. O real é a montanha que um dia foi um montículo, é o homem, que um dia foi uma criança; é a mulher que veio ao mundo para ser sempre mulher.
O Real é a vida que passa pelas nossas veias, assim como o ar passa pelas tubulações criadas pelo homem... É tudo que não morre, é Deus.


terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Confiar. Uma estrada, uma vida.

"Confiança não se compra. Conquista-se!"

Confiar... confiar... palavra bendita que se esvai em meio a um mundo cheio de pessoas que se dizem... confiáveis. Não é bem assim... Nem mesmo casais que se unem depois de vários anos de namoro, noivado, e mesmo após o casamento não podem dizer, equilibradamente, que confiam um no outro...
Natural. Quando se trata de ser humano, podemos dizer que, mesmo depois de anos de convívio, somos desconfiáveis, ainda que, em todos esses anos, mostrou-se confiável. É a vida! Porém, por ser humano, precisamos demonstrar a confiança, nem que seja por um breve tempo – o que já nos seria louvável. Deveríamos, mais, sermos realmente confiáveis e apresentar ao próximo o que queremos ser.
O que nos faz desconfiáveis, no entanto, talvez seja esse jeito volúvel de ser em relação ao mundo indisciplinado, como se fôssemos obrigados a sê-lo!... Não é bem assim. A realidade nossa de cada dia pede que tenhamos alguém de confiança, ou seja, uma pessoa para quem podemos nos abrir, chorar e dizer bobagens sem compromisso...
Tais pessoas, contudo, estão se indo como um sol que não apareceu o dia todo. Olhamos para o céu, e nada. Assim são essas pessoas, nas quais se guarda o mais belo segredo, nas quais podemos dizer, “ah, que bom que você chegou, queria te dizer algo!”... Pessoas sem pretensões escusas de prejudicar qualquer que seja o individuo, porque sabem que precisam de, um dia, confiar em alguém.
Hoje, em guerras psicológicas, dizemos que confiamos em determinadas pessoas apenas para nos assegurar de que há, no fundo, uma esperança; outras juram de pé junto que há grupos inteiros nos quais podemos nos abrir, chorar, rezar, fazer jejum rs, e viver felizes para sempre!
O ser humano, por ser humano, deveria vir com esse aspecto que nos parece tão natural, mas, na realidade, chegar a ser relativo apenas àqueles que nascem com essa vocação – de ser confiável, ou àqueles que, com o tempo – põe tempo nisso! – conseguem dizer a que veio.
Enfim, se por enquanto não temos alguém em quem possamos confiar, confiemos em nosso mestre interior, por meio de nossos atos, e escolhemos pessoas de caráter, não para nos debulhar – como dizia minha mãe – em lágrimas, mas para fazer parte de nossas vidas, com pequenos segredos bons, não precisa ser os grandes, pois o tempo nos dirá quem somos ou quem é aquele ser que se mostra como papel parede durante anos – nada mais que normal, infelizmente, pois somos livros de difíceis leituras – ou, repente, tenhamos a sorte de ter alguém – não somente amigo, mas irmão, irmã, esposa, filhos – que venha de longe e como um cálice sagrado em forme humana, diria “estou aqui do seu lado, sempre”.



À minha querida mãe, na qual confiei desde o dia em que nasci até sua ida para o desconhecido.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Férias que se vão, descanso que vem...

"Meu trabalho é minha oração"

J.A.L




Tudo vale a pena quando a obra não é pequena.



Olá, meus amigos e caros leitores! Pra quem lê esse blog, sabe que todo ele é voltado a experiências, teorias e mensagens com vistas a desenvolver estudos, reflexões (aos que já refletem!) acerca do tema – filosofia. Nada é tão belo, puro e simples.
Pois é, meus queridos, a prática é realmente, como eu venho batendo em todos os textos, a tônica natural humana em progredir, avançar, ter sucesso. Porém, quando se trata de elementos internos, isso se torna uma grande e imaculada verdade, e só.
Há, com base nisso, inúmeros exemplos. Entretanto, há outros que antevemos no grande processo cultural do mundo, como em países, sociedades, grupos, que sempre tiveram reflexos positivos, e que, até hoje, fazem jus ao que foram...
Para quem lê esse blog, sabe muito bem de que mundo, sociedade, países eu me refiro, então não sejamos repetitivos pelo menos nesse aspecto, porque há um que sempre o será, como lhes disse, que é o objetivo deste que lhes escreve, em fazer-lhes refletir, questionar, seguir, progredir, seja em estruturas sólidas, nas quais podemos nos segurar, havendo (ou não) intempéries...
Assim, como eu sempre digo, vamos ao trabalho!
E por falar em trabalho, fiquei de férias durante trinta e um dias – como é de praxe aos que labutam anualmente rs --, porém, sempre  há um porém... Fiquei de babá de uns pedreiros, cujo trabalho é, nada mais que nada menos, terminar uma obra, a minha casa – como também lhes disse em textos passados.
Realmente... realmente... vou dizer-lhes... É brincadeira!! Nunca fui coronel, capitão, tenente... mas, por ser patrão, tive que encarnar todos eles! Pois comandar um time de cinco profissionais é realmente difícil.
No entanto, por serem grandes profissionais, fiquei menos tenso do que de costume. Um eletricista que, segundo ele, havia auxiliado na energia do torre digital, me fez acreditar nele graças à sua responsabilidade durante a obra, da manutenção dos equipamentos, da maneira como se portava, e, por incrível que pareça, sabia o nome de todos os encaixes que já tinham sido colocados, além dos que seriam postos na casa... E outras cositas.
Os pedreiros principais, que já me haviam dado dicas, e foram até agora responsáveis quanto qualquer que eu conheça, só me pareciam meio tristes em razão de situações que eu não podia me incluir, como família, dificuldade financeira, enfim, mas eu fiz o que pude, e o que minha mulher pedia, claro...
Assim, veio o quinto guerreiro, que me parecia de qualidade... Não era. Sua praia era falar demais, conversar demais, e reclamar da vida. No entanto, quando começava a trabalhar, seu talento fluía como água para chocolate!
Mesmo assim, tive que mandar-lhe mais cedo para casa... (demiti-lo). Hoje, dois dos melhores pedreiros tiveram problemas de saúde, e por isso não puderam vir... assim, se dois não podem vir, o terceiro ficaria dispensado. O quarto, o eletricista, tinha feito todo o trabalho, por isso viria apenas na terça, mas o quinto... o quinto... o ajudante de eletricista, que, agora, faria outro trabalho, o de encanamento, de reposição, de nivelamento de terra, foi, mas não encontrara ninguém, por isso... voltou.
Voltou mesmo. E ao chegar a sua casa, não me telefonara, não se importou com qualquer coisa parecida... e disse que não trabalharia sem que não houvesse alguém na obra, acreditem se quiser...
Tendo tudo em suas mãos a seu favor, preferiu dizer que não trabalhava sozinho!... resultado: adeus... (ou coisa parecida...).

Os trinta e um dia dedicados à obra não foram apenas deles, mas meu também. Pude entender melhor cada um, e rever meus conceitos acerca das pessoas simples, que se tornam fortes a cada dia com o trabalho. Tive que me retratar comigo mesmo, em dias que a vida me pedia para fazê-lo, e o pior de tudo, observar o erro do próximo em mim mesmo...
Foram dias de trovão, chuva, água em demasia – metafórica e literalmente! Foram dias cruéis, naturais de homens guerreiros que constroem castelos para que fiquem nos anais dá história, se não for da humanidade, que seja pelo menos da minha família.
Foram dias em que minha mãe esteve tão presente quanto nos dias em que estava viva, pois lembrávamos de suas palavras e de sus conselhos, mas, acima de tudo, de sua amizade, que fazia qualquer pessoa filha ou filho dela.
E todos os dias, eu observo o grande manancial da escuridão que me cerra os olhos, e agradeço pela existência de meu filho, pela esposa dedicada, pela bela família, por meus irmãos, amigos...
Mas lá no inicio de meus pensamentos, todos os dias, em forma de oração, agradeço a esse ser que só de pensar nele, a ajuda me vem.
Obrigado, mãe.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Filos Menino, chegamos ao Ideal!


Perguntas são boas, mas o interessante é buscar a resposta.

...E nossas reflexões de menino estão por “terminar”. Mas, já que eu coloquei propositalmente aspas no último verbete antes do ponto final, quer dizer que ainda temos uma jornada a enfrentar, temos mais diálogos, mais dúvidas, e questionamentos longos. Mas como diria um grande professor de filosofia... “Melhor que perguntar é praticar rs”.
E ele tinha razão... Os mistérios são encontrados debaixo das pedras – onde posso encontrar Deus, como diria um texto bíblico visto nas ruinas de uma cidade de Israel, sem autor. E como já aprendemos, Ele está em tudo, é tudo, assim como uma Onipotência, Onisciência, Único e Um. Por isso, abrange uma totalidade não humana.
E nunca podemos duvidar disso. Porém, “mais vale a prática do que  perguntas”, então, tentaremos iniciar um assunto que, deveras, de tudo que falei até agora é o mais difícil e ao mesmo tempo mais fácil. Por quê? Porque é algo que transcende a compreensão nossa de cada dia. E para que possamos entendê-lo, é preciso nos despir de nossos preconceitos, de nossas religiões interiores, de nossos partidos, de nossas opiniões...
Falar dele (ou Dele) é falar do nascer de uma pétala de rosa ou do mais complexo sistema desconhecido pela raça humana. É falar de Amor, e ao mesmo tempo de um racional frio que nos mergulha no gelo mais ácido do mundo. É tentar entender os anjos, caídos ou não; falar de todos os mitos, lendas, contos, histórias e ao passo de reflexão.
Não precisarei falar de tudo isso, especificadamente claro, e sim apenas de sua sombra que já com um grau elevado de temperatura nos conduz ao sol real.
É... Para o cristão mais ortodoxo, eu estaria a falar do Deus pessoal, pois a Biblia deles está cheia de passagens que nos fazem lembrar o que eu vim dizendo até este minuto. Porém uma coisa é certa, falarei realmente de Deus, mas não nesse aspecto o qual traduz uma forma desvirtuada de compreensão do que realmente vou dizer...
Vamos parar de mistério... Eu estou me referindo ao IDEAL.
Um grande filósofo nos disse um dia, “O ideal pode ser encontrado no fundo de um copo, na borra de um café”.
O que seria então ideal?
No universo há leis que nos ordenam; um infinito que nos move; um Todo, cuja Inteligência, em forma de energia, move a todos os seres, do mais simples ao mais complexo.  Temos várias complexidades que já foram descobertas pela ciência, temos os mistérios das ações e reações que foram rotuladas como “mistérios de Deus aos ignorantes”... , mas isso não nos faz conhecedores da verdade, que é maior que todas as religiões juntas. Faz-nos racionais em demasia, no pior sentido humano possível, só isso.
Mas... E o Ideal?
A realidade nossa de cada dia nos impede às vezes de entender o mais simples pio do pássaro, quiçá o que desconhecemos, então rotulamos. Nada melhor. Porém, antes de rotular qualquer coisa, é preciso que tenhamos a mente aberta, o espirito leve, a alma forte e o físico preparado.
É preciso mais que isso... É preciso ser filósofo. Amor à sabedoria, à verdade, ao conhecimento do sagrado e do profano. Fazer-se conhecedor das culturas antigas, respeitá-las e encontrar nelas um pouco de si, pois, de algum modo, estivemos lá em meio àquela multidão que orava aos deuses, e que trabalhávamos  em função de algo maior que nossos salários.
Entender que estivemos ao lado dos grandes heróis, e que não rotulamos o passado através de nomes  como Zeus, Hera, Poseidon, Atena, Ceres, Prometeu... Enfim, não foram nomes que retratavam nossa ignorância, mas o segredo do Um. E nós nos esquecemos de tudo isso... Por isso, como diria Platão “Somos deuses e disso nos esquecemos”.
A linha de raciocínio, no entanto, que temos hoje é de que tudo é manipulado por um grande ser, ao contrário do que diria os romanos, gregos... “pelos deuses”, e que não podemos sair de nossa linha imaginária – como diria na linguagem jurídica, de “nossa jurisprudência”, de nosso quintal – senão teremos o castigo terreno ou celeste (ou a depender de nosso pecado... castigo eterno)...
Esse rascunho de tolice colide com uma grande filosofia a que se propunha na antiga Índia, cujo nome nem mesmo era esse e sim Ariavarta (de onde vem o termo ariano), na qual os termos Dharma e Kharma eram leis opostas, sendo que a primeira era a ação individual, coletiva, ou universal – ou a Retação, para ser mais claro, englobando todos os  princípios naturais a que temos ou não acesso.
O segundo, Kharma, talvez o mais popular – já vi cristãos dizerem “ah, isso é carma na minha vida!”, sem terem noção da lei, vem ao encontro do que vivemos no presente. O Kharma é a lei de reação a todos os atos, a todos os movimentos, dessa vida ou da anterior – como acreditavam. Sim, pois, se se nasce, já estamos a “pagar” pelos erros do passado (vida anterior). Se cometemos erros, se somos justos, há ônus ou bônus...
E entender isso de modo universal... É complexo, pois se desliga um sensor de compreensão e nos faz partir para o mais fácil e dizer “Deus, por que comigo??” ou “Obrigado, Deus, obrigado por isso ou por aquilo!!” – é muito melhor. E no fundo estão inconscientemente certos, pois se Deus está em todas as coisas...
E a borra do café??!
Calma!!
O Dharma, a Retação universal, como disse acima, encontra-se como lei universal, abrangendo dharmas individuais, coletivos, etc, de modo que todos se interligam em uma só Lei. Quando o filósofo disse “o Ideal se encontra até mesmo no fundo de um copo, na borra de um café”, estaria a dizer acerca do reflexo do Ideal, que estaria nas mínimas coisas das quais a simplicidade surge.
Estaria, ainda, como reflexo, no nascer de uma planta, no desabrochar de uma flor, de um espinho; do pousar de uma abelha, de um beija-flor; do rápido de um filhote por um predador, em um bater de asas; em um andado humano, no cruzar de braços, no olhar ao horizonte, na lágrima que deságua por emoções simples; no correr de um rio, no transpassar desse rio nas pedras, nas cascatas... Nas cores das coisas, no porquê de cada cor, na luz que brilha sobre as plantas a alimentá-las.
O Ideal, ao se confundir com o Dharma, estaria no amor incondicional, na atitude cheia de Vontade inegoista, no ato impensado voltado ao coração, no heroísmo natural do homem, na intuição bela da mulher, na dor necessária, na vida natural, no Uno. E muito mais.
Enfim, o Ideal é a lei que se une ao todo e que se iguala a Deus. Ai daquele que conhece o Ideal, pois este alcançará a Glória.




Um grande abraço a todos!
Feliz Natal!

Desculpe-me, mestre, pelos erros.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Feliz Nastral




 
Há milhares de razões para um bom Natal, e milhões para um mau, pois nós, homens e mulheres, transformamos tudo em algo relativo – como dizia Einstein, tudo é... – talvez baseado em tudo que fazemos, opinamos, agimos, e por que não dizer criamos?... O que invalida a essência das coisas que vêm com o intuito de alegrar, nos fazer melhor, nos integrar.
Mas a realidade é mais embaixo... Há mais um fator que invalida a essência das coisas, que é o problema que atinge o âmago do individuo e o transforma em um vegetal-humano, ou antes de tudo, em um animal pensante. Situação na qual somos reais australopithecus (!), pois a raiz de nossas almas está presa em nossos instintos, e, por isso, caímos em um fosso sem fundo, de uma personalidade presa no labirinto de seus devaneios.
E hoje, após vários devaneios tristes que me interpõe o ser, fico a refletir sobre as eras nas quais eu fui feliz, juntamente com minha família toda, sem aquele desagrado astral que um dia se formou no dia em que minha mãe se foi.
Há de me perdoarem, pois mãe é a deusa que nos resguarda dos males até sua ida para o manancial da bem-aventurança, e que um dia, mesmo sabendo que um dia esse ser se vai, a dor e a queda de nossos dias é quase inexorável.
E sofremos, e morremos; e no levantar... a falta de sentido para o viver se sobressai ao do sobreviver. Mas... Levantamos, e começamos a sorrir sinicamente ao vento, assobiando uma musica seca, da qual não se encontra ritmo, letra, harmonia... Apenas uma dor que se vai com o juntar dos lábios.
O estômago sente o frio de uma imaginação que não para como prensas ritmadas pelo botão de um cérebro físico que, por Deus, como gostaríamos que não existisse. As imagens de uma senhora sorrindo sozinha quando fazia seu jantar, de uma criança-idosa que amava cuidar, servir, viver, sonhar com projetos inacabáveis, depois que se foi nos fez chorar mais sozinhos, com ar de abandonados, sem a pessoa que um dia achávamos que nunca iria morrer (e ao mesmo tempo, sim)...
... E, agora, as luzes de uma data nos vêm como filmes em preto e branco, sem as cores reais. Até mesmo o senhor barbudo, que carrega os eternos brinquedos do pequenos, me soa como um velho ridículo e mentiroso, carregando pesadelos financeiros a mando dos capitalistas.
Tudo morreu. Nem mesmo as flores que eram mais flores nessa data se irradiam, desabrocham, elevam, perfumam. São apenas botões de plástico, que morrem e no outro dia são esquecidos. Assim como nós.
...Luzes que encantavam, brilhavam, davam tons de um mundo melhor... se foram – pelo menos até nossos rios se forem e entrarem novos rios, novas águas, a transpassar novas pedras, novos mundos.
Tudo nos lembra. A comida, regada ao carinho das mãos leves, porém calejadas de experiências dos dias em que chegava a Brasília dos homens de bem; a pessoa forte no meio de todos, com palavras certeiras que nos davam semblantes de crianças grandes; o sorriso belo advindo de uma face sofredora, a qual não se sentia nem medo, nem dor, apenas o prazer de estar junto de seus filhos grandes, netos, bisnetos, e outros por chegar.
Era uma mãe que tinha o natal em si. Pedia reunião para limpeza da grande casa, mas sempre o fazia antes dando um show de juventude, ainda que doesse a perna em meio a um tempo covarde. Depois de tudo, achei que não o tempo, mas nós éramos covardes.
Nada pior do que o Natal de agora, que surge como uma data natural, sem seu grande objetivo. Nós, hoje, tentaremos obedecer à ultima ordem de minha mãe... Talvez, a mais difícil delas: nos reunir em torno de uma alma oculta aos nossos olhos, em forma de integração, amor, paz, lembranças, e elevar nossos instintos para algo que está acima de nossas possibilidades.
Mas vamos tentar, mãe, pois nada melhor do que materializa-la e trazê-la como num sonho do mundo das mães que se foram e que viraram estrelas a nos iluminar onde quer que estejamos.

 
A Benção, mãe.

Filos Menino, Reflexões Quintas!


Noutro texto, antes deste que vou escrever-vos, eu disse que a maioria das ideias são concebidas por ligações feitas com outras ideias, e dei exemplos da Igreja na Idade Média, a qual desvirtuava ideias cristãs com interesses de transformar o individuo em um ser tal qual eles quisessem, à época.
Mas quando digo isso, parece que falo de uma Idade Média que ainda vigora, não é? Há muitas ideias – com eu já havia citado em textos anteriores – das quais podemos tirar o sumo do que quero retratar.
Porém, não só Igreja, uma instituição que nos manipulou (e manipula), é culpada por ideias difundidas que se alastraram como pragas na mente de indivíduos necessitados ou mesmo forçados a ter tal ideia, mas a politica – que virou sinônimo de roubalheira, canalhice, mentiras... – revela-se uma das mais perigosas formas de ideia a que se propõe em nossos dias...
Mas o mais importante, porém, foi ressaltado, levado de proposito, no final daquele texto – que disse “Mas por que caímos (em outras formas de ideias sutis) como crianças em bolinhas de parque...?
Pergunta fácil de responder, no entanto difícil de resolver, pois somos meros humanos com desejos e vontades quase que encabrestados por um mundo no qual os valores reais, em raros momentos, foram adquiridos. Criaram-se novos valores. Para ser mais exato, o preço.
Nada se faz hoje sem que haja o preço, o valor, a compra ou a venda de algo ou de alguém. Não se pode deixar de trabalhar, de ganhar seu dinheirinho no final do mês, de comprar o almoço, o lanche, o jantar de cada dia.
Não se pode deixar de casar, de ter filhos, de educa-los, lutar por uma boa educação, sem que não haja o preço por trás disso. Somos, atualmente, filhos desordenados de uma organização voltada ao preço, ao valor...
E baseado nisso, extrapolam nossos desejos, por meio de propagandas, vendas baratas, ou a venda cara com o produto bom. Fazem-nos escravos da televisão, na qual produtos elegantes transitam como bailarinas em um espetáculo circense. E... Escolhemos, e compramos, e nos sentimos bem, e queremos mais, e sorrimos, e festejamos a chegada do produto o qual ficará inerte durante anos em um depósito, sem termos, sequer, usado deste dez ou vinte por cento de sua capacidade...
É como se nadássemos em bolinhas de parque de diversão. Ficamos algum tempo, pulando, mergulhando, nos saciando... Mas, quando nos cansamos, adeus! – queremos outra coisa... (mas nunca usamos a piscininha em sua totalidade...).
Caímos facilmente em tudo, pois estamos dentro de inconscientes coletivos, nos quais razões de estar vivo são as mesmas;  nas quais as de estar doente, também são as mesmas; na qual pessoas que se julgam diferentes – na tentativa de tangenciar seu comportamento em relação as leis – se deparam com milhões de pessoas cujo comportamento rebelde é o mesmo... !
Não adianta dizer , lá no meio de sua família ou sociedade (ou mundo), que somos assim, diferentes porque temos raiva de um governo, indiferenças à certas raças, amor aos vermes, discordâncias com o sagrado, sei lá... Mas, nesse nosso mundo, ideias assim pairam todos os dias na cabeça de pessoas que querem ser... Diferentes, pois acreditam que isso as fazem melhor do que os outros... Que sintam! (mas) isso, no entanto, só as fazem afastadas de uma resolução para os reais problemas aqui e agora...
Se não houver uma indiferença útil, por assim dizer, que nos faça ter resoluções, somos realmente iguais ao objeto da critica, seja do governo, da família, das religiões... Enfim, é preciso que haja em nossa mala de intenções não apenas a foice, mas martelos, pregos, chaves de fenda, fita métrica, furadeiras... entendem?...
Como fazer então, já que criticamos tudo?...
É da nossa natureza criticar, mas é muito mais de nossa natureza realizar, concretizar, por meio de decisões ou mesmo como nossas mãos afincadas no desejo de ajudar o próximo (ou mesmo o distante), e nos sentir melhor por isso.
É de nossa natureza, nos levantar, fazer uma saudação a Deus, de diversos modos, orando, rezando, nos ajoelhando perante o sol, agradecendo o dia a dia em nossas vidas; é de nossa natureza tentar desviar do mal, e entender que este é tão necessário quanto o bem, pois é preciso sentir a dor, a morte, os problemas, já que não somos nenhum Buda ou Jesus – os quais tiveram suas dificuldades em seus níveis –, e sorrir quando for para sorrir, e chorar quanto preciso.

Para mim, hoje, que tento me espelhar em meu mestre, sinto-me tão distante dele quanto à lua da terra, mas vejo-o como um sol que me ilumina todos os dias, pois não acredito que nascemos apenas para casar e ter filhos – uma mera forma sutil de nossa raça se não fosse o altar simbólico seriamos tais quais os animais --; não acredito que viemos somente para aprender da hora da morte, e sobreviver comendo, bebendo, com ou sem dinheiro. Não acredito no inferno tal qual os cristãos o veem, muito menos o céu, pois é fácil demais antes de morrer e se entregar aos infernos ou ao céu, sob os desejos de um ser chifrudo e outro com barba imensa, caduco, com um cetro, além-nuvens, além-estrelas...
Acredito que as civilizações antigas souberam lidar com as potencialidades da natureza transformando-as em figuras simbólicas, de modo que resguardassem toda e qualquer realidade do homem, de Deus. Acredito que Ele está em mim, até mesmo por meio de uma energia desconhecida e que me pode fazer o bem ou o mal, a depender de meu uso.
Deus estaria, assim, nas organizações totais do universo – até mesmo desconhecido – não como um ser, mas sim como uma totalidade a qual, sem qualquer objeto, não existiria nem eu, nem você que me lê...
É difícil explicar...
Mas, já queremos um caminho para compreender tudo isso, que elejamos nosso mestre, seja ele interior ou exterior, com a finalidade sagrada de nos mostrar uma trilha na qual possamos entender a nós mesmos, como um sinal ínfimo (e precioso) para entender Deus.

Por que entender Deus?
Não há ninguém, até mesmo o mais errôneo ser, que não diga “obrigado, Deus!!”. Não há ser humano – até o mais mafioso, o contrabandista, traficante, político, trombadinha, pseudo-religioso, etc, que não diga “Deus me livre!”.
A intenção é a de todos. Livrar-se dos problemas e, quando o faz, agradecer à entidade em qualquer lugar que estiver. Contudo, os mais próximos do caminho – os reais sacerdotes, os quais tentam ser melhores todos os dias (poucos) – são nossos referenciais.
E, como pessoas de bem, não devemos ser contraditórios. Busquemos nossos caminhos em nós, e se não der, elegemos uma pessoa que possamos ouvir os conselhos, de modo a praticá-los com nossas próprias ferramentas, assim, como diria um samurai moderno, estaríamos indo para o infinito (para cima) e não para o infinito de baixo, ainda que Deus esteja em ambas posições. Vamos conhecer o lado superior.

Falta o último texto, calma!

A Parte que nos Falta

"É ótimo ter dúvidas, mas é muito melhor respondê-las"  A sensação é de que todos te deixaram. Não há mais ninguém ao seu lado....