sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

A Chuva e a Rosa

Momentos mágicos se vão e não nos damos conta

Chuva
Em dia de chuva, chuvas que não cessam nem mesmo quando se quer observar o mínimo de sol, vem a lama, os acidentes, o tumulto com os veículos, além das reclamações da época, e mais, muito mais. Não há, no entanto, nenhum individuo que possa dizer “que dia lindo” ainda que chuvoso! E ninguém se arrisca em perder a imagem de uma cama macia, com edredons volumosos, no escuro de um quarto apaziguado pelo sono embalado pelas gotículas no telhado. É o céu.
Ao levantar, depois do grande esforço, olhamos, rapidamente, o quintal. Tão vasto e belo, cheio de flores e plantas bailando, como um grupo de balé em um grande palco. Tudo isso, no entanto, nos vem como um raio, mesmo porque o medo da chuva, do frio, do barro – do escorregão! – nos faz mais precavidos do que atentos à natureza que se revela ante de nós.

Rosa
Porém...nesses dias, pude perceber uma rosa. Tão bela em essência que parei para ver e sentir a sua necessidade de ser observada. Algo nela possuía uma forma de arte ou mesmo um conceito, ou mais que uma linda imagem.
Nela, seu botão e pétalas brilhavam intensamente. E me lembrei do conceito de beleza platônico... O conceito abrange beleza, arte, essência, pureza, espirito, amor, justiça, enfim, tudo que reúne elementos arquetípicos.
A beleza da rosa, segundo o filósofo, estaria na rosa, e não que ela possuísse a beleza. A Beleza platônica -- a absoluta -- passaria pela flor e quando esta não mais a possuísse perderia a essência, envelhecendo.
Desde o inicio, a rosa teria sua beleza, mas chegaria ao ápice e encontraria a essência, chegando a colidir com a Beleza universal. Esta, segundo Platão, não viria da ótica humana ou sequer de algum lugar do mundo, pois estaria em um “mundo” perfeito, advinda de um logus que abrange não só a Beleza, mas também o Amor e Justiça.
Tais aspectos, tão perfeitos, estariam longe do relativismo humano, mas que podem ser apreciados, brevemente, em alguns corpos – por assim dizer – da própria natureza. Não apenas na rosa, mas a Beleza, a Justiça e o Amor, também poderiam estar em uma mesa bem posta na sala, com um belo pano de mesa, com um pequeno jarro de vidro (ou mesmo de plástico...), com rosas harmonizando com o pano, com a mesa, ou mesmo com a casa... Enfim, com elementos diferentes, mas que estariam sendo parte de um todo, sem ressaltar qualquer cor, objeto, mas sendo harmônicos, ou seja, dando beleza ao todo.

Dever cumprido
A rosa, depois de dois dias, cumpriu seu ideal de Beleza, atingiu a esfera do arquétipo, sorriu aos transeuntes, fez o seu papel de rosa, com espinhos belos e macios, com pétalas molhadas por partículas de chuva branda, tentou erguer-se, ainda que não houvesse força, perdeu a essência da beleza, mas não de ser rosa; foi desfalecendo, perdeu seu vigor, caiu...
E cabisbaixa, como um ser que perdera tudo, lá ficou, sem que ninguém a arrancasse, a quebrasse. Seu cheiro se foi, mas até mesmo sua decadência estava nos planos da grande natureza, e por isso, tornou-se bela para sempre!
 É, em nossos quintais chuvosos, podemos, com pequenos relâmpagos internos, visualizar um mundo do qual participamos, mas que, às vezes, por causa do medo, da pressa, do sono, da preguiça... ou mesmo em razão de nossas infrutíferas aventuras em busca do nada, perdemos o que a grande natureza nos oferece.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Homem, um Mito Complexo.

Mito da Criação por Dali: há sempre algo que lembre a tradição.


Em todas as épocas o homem buscou saber lidar consigo mesmo. E não conseguiu. Em todas as vezes que tomara decisões em situações nas quais ele teve que se sobressair, poucas vezes o conseguiu. Fora os grandes homens da humanidade que tiveram seus dias dourados, os mitos clássicos parecem ter nascido de erros e fragilidades humanos.
Em todos eles, o homem é um ser vilão e ao mesmo tempo símbolo do conhecimento universal, às vezes, por representar o logos masculino, como heróis em batalhas dantescas. Em outras vezes, a passividade, a inocência, a pureza, chegando ao desconhecimento, a traduzir profundamente o que Platão chamava de nows no homem.
Ou seja, já partindo da premissa de que nós não somos apenas personalidades isoladas em meio a um universo desconhecido, somos mais que isso, e como diria o mesmo filósofo “fomos deuses um dia, e disso nos esquecemos”.
Explicarei, com parcas ferramentas, um pouco do que representam alguns mitos mundiais creditados como reais histórias pelas quais se passou o homem-símbolo. E por ser símbolo, representara uma força de compreensão além-humana...
Como por exemplo...

Adão e Eva
Adão e Eva, um dos maiores e mais conhecidos mitos do mundo, foram figuras que explicaram a Noite e o Dia, ainda, a posse do conhecimento humano, e mais ainda a sensibilidade da alma em buscar a certeza através do coração.
Após ter desobedecido a Entidade, adão e Eva foram expulsos do paraíso, a demonstrar a fragilidade humana ante ao que é proibido. No entanto, há de convir que a Consciência foi despertada no ser humano, e que a o Conhecimento – como consequência – foi refletido.
Contudo, face ao que estamos passando, não podemos ser frágeis àquilo que sempre conhecemos, ainda que soe como uma linda maçã, melão, banana, melancia, sei lá – mas a maçã, não citada na bíblia, o é teoricamente em razão de vários contos e textos darem a mesma finalidade ao fruto, mas que reflete, e sempre o fará, de maneira sutil ou mesmo extravagante, a uma personalidade curiosa, emblemática e acima de tudo humana.
Outros mitos de algum modo traduzem tal personalidade mas a colidir com aspectos universais, que é o caso da Arca de Noé.

Noé
Aqui, a Bíblia relata a história de um casal que fora escolhido por Deus para salvar o que resta de bom na humanidade – igualando-se a vários mitos gregos, celtas... Os quais têm em sua natureza o inicio de uma nova era.
Noé, grande homem que servia a Deus, foi escolhido entre muitos para salvar o pouco dos homens que havia no mundo. Salvar, também, os animais, os quais teriam que subir em par na grande Arca.
Após, o dilúvio Divino, a destruir o mundo do homem, a estrutura teve que passar meses em altas ondas violentas até que o mundo estivesse em paz, após as águas. E baixou. Mas será que Deus tinha nos dado outro mundo? Havia outras terras?
Assim, na dúvida, o escolhido retirava uma pomba do pombal navegante, soltava-a e esperava que ela trouxesse algum ramo de planta, ou algo parecido. Depois, enviava um pássaro negro a saber, com intuito trazer outros pássaros – então, haveria vida enfim, e terra para se morar.
Na passagem, assim como na grega, assim como na asteca, celta, a cultura cristã abordou com transcendência a passagem dos ciclos nos quais o homem passou. Quando soltou a pomba, o homem (genericamente falando) queria saber se haveria paz, beleza, ordem e sacralidade no mundo... Quando soltou o pássaro negro, significou que havia ainda mistérios a serem descobertos, e ainda estão por sê-lo, de acordo com o entendimento sagrado, pois o homem se fechou à divindade.
Aquele que haviam “morrido” pelas águas nada mais significa, de acordo com a tradição, que se deram por completo na matéria. Noel, que ficara acima das águas, que significam o ‘horizontalismo’ da matéria, tornou-se um ser espiritual, iniciou-se nos mistérios sagrados, ‘salvando a humanidade’, a criar novos rumos, novos mundos não terrenos, e acima de nossas possibilidades e compreensões.
Assim, deixa-se claro que o homem, apegado às sensações, possui em si a morte antes que ela, literalmente, o leve. Mas também tem em sua estrutura a necessidade de estar além daquilo que a personalidade lhe oferece. Tem o profano e sagrado, o gelo e sol, tem a terra e o céu, tem a paz e guerra. E Noé, ao estar acima de nossas visões, como um cisne na visão de um peixe, é detentor dos mistérios.

Moisés
Na época em que Moisés fora do antigo Egito, esse personagem tão incrível, o qual serviu maravilhosamente o faraó, que, um dia, quase o foi, se não fosse por problemas circunstanciais, detinha conhecimentos além-povo, e por ele ‘levar’ seu povo à Terra Prometida.
Depois de ser o escolhido por Deus para libertar (ninguém sabe de que o povo hebreu..., pois o grande Ramsés nunca fizera qualquer ser humano de escravo, muito menos povos ecléticos em sua religião, pois tinham uma religião politeísta, aceitando, assim, deuses de vários clãs), e assim, retirá-los do grande sofrimento...
O profeta Moisés, enfim, após várias ‘conversas’ com o faraó, que, segundo a bíblia cristã, era pior do que vários hitleres!, retirou-se da grande terra, levou seu povo pelo deserto, porém, antes, teve que passar pelo mar Vermelho, o qual teria sido aberto após pedidos ao Senhor... O povo, então, teria passado facilmente, pois as águas do grande mar teria sido dividida. Contudo, não há, em nenhuma escritura egípcia, tal relato... Seja de um povo escravizado, ou mesmo de passagens em mares.

Lenda Egípcia
Existem, porém, nas escrituras egípcias, explicações simbólicas de um ato que se repetiu quando o profeta fugiu dos guerreiros do faraó. É o ato de traspassar o mar. Reza a lenda que havia pessoas, da mais humilde até a mais reconhecida pelo povo... O homem deus,  segundo contam, tentavam passar com apenas um toque da mão na água do mar misterioso.
“Eu sou o faraó, e exijo que os deuses me deixem passar!”, dizia o texto egípcio. “Eu sou o sacerdote, e sou filho obediente e guardador da sacralidade do alto e baixo Egito! Por isso quero passar”. E aí, vinha o cidadão comum, com sua pompa de trabalhador e... “peço aos deuses que me deixem passar, pois pago meus impostos!”. Porém, em todas as situações, as águas nem se quer se moveram em qualquer sentido. Quando de repente, uma mulher, um tanto quanto bem vestida, com linho nas ancas, com véus dourados a tapar seu rosto, nem sequer olhara para os outros que ainda estavam ali, mas agora sorrir da senhora bela que, com certeza, tentaria passar pelo grande mar...
E conseguiu. Sem qualquer palavra, ato ou pensamento, a linda senhora se foi em meio a um caminho mágico que se fizera quando seus pequenos pés tocaram as águas misteriosas, que não se abriam nem mesmo para os faraós. E então a perguntaram... “como conseguires passar nesse mar, se nem mesmo és uma sacerdotisa ou rainha, ou sei lá quem és?!”. Olhando para trás, já no meio do mar, ela disse “Eu sei quem eu sou”.

Mitos que se vão...
Há mais, muito mais. Há realidades que se escondem por detrás de muitos outros, mas que possuem significados que foram desvirtuados com o tempo; porém não deixam de evidenciar o que há muito procuramos, que é a compreensão de nós mesmos!
Neles, no entanto, apesar dos pesares, brilha o que grandes sacerdotes do passado tentaram demonstrar – pode ser cultural ou universal, a depender da civilização que os viveu – que foi o significado intrínseco do mito, o qual fizera parte, tal qual religião o é hoje, de várias civilizações...
O homem, por ser universal, servira de personagem, não apenas como homem, teve que se revestir de Deus e explicar o papel das divindades. Muitos, no entanto, não entenderam esse papel humano nas histórias gregas, romanas, célticas, egípcias, e acreditaram que poderia ser o individuo uma entidade.
A questão, assim, se desdobrou e a massa desinformada, romântica e iletrada acreditou e ainda acredita em papeis literais do homem em contos, mitos, o que na realidade é impossível. A significação literal, como sempre digo, revelou trouxe uma humanidade mais desligada de seu objetivo. Não se pode acreditar em um Deus que retirara do homem uma costela e criara uma mulher; não se pode acreditar que uma maçã, ou sei lá qual seja  o fruto, tenha sido o proibido, e sem o qual a pureza humana teria seria abatida.
Há elementos fortes nos quais pondera um significado maior. Cada peça – personagem, ambiente, elemento terra, água, fogo...  deve ser religada ao que fora no passado (e que em algumas culturas ainda o são)! Para isso, a tradição resguarda, a sete chaves, aos realmente escolhidos – mestres --, os quais passarão aos seus discípulos, de forma mais resguardada  ainda, o segrego de cada um.
E assim, a passar pelos problemas que se vão, o homem estará perpassando o que há muito chamamos de mito. Cada um em seu nível, igualando-se a um Noé, Moisés... Ulisses, a um Aquiles, Heitor, a um Sanção, Hercules, os quais, em sua essência, falam do homem que superou a si mesmo e alcançou o céu.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Juventude... A Beleza do Poema sem Rima.


Jovens, não esqueçam suas origens.
E me veio a juventude,
Em nome do fogo,
Cruzar o oceano,
Como pássaro ferido
Se revoltar
Contra o homem perdido,
Dando luz a uma escuridão
Vadia.

E lá vem a juventude,
Cantar acima do sol,
Se debruçar em raios,
E amar mais que o deus.

Vem surfando em suas ondas,
Acalmando a lua
Na noite pura,
Em nome da larva que nasce.

Explode como a ira,
É mansa como um sacerdote,
Desfaz um mundo cínico,
E passeia nas ruas do sorriso.

Vai, juventude bela,
Andar nas esquinas dos sonhos,
Embelezar o palco da vida,
Colher frutos proibidos...

Vai...
Vai ao som dos seus instintos,
Rebentar nas rochas,
Até que rochas não existam mais.

Seduza o monstro do medo,
Releve seu rosto,
Enamore o coração,

Respire o ar dos ideais nobres,
Olhe dentro de teus olhos,
O espelho é todo seu.

Não se esqueça das raízes,
Da origem que te fez,
Lembre que um dia se vai como folha,
Que envelhece amarela,
Cai da árvore da vida,
E se vai num sopro do vento norte...

Então
Coma colha o melhor fruto,
descanse na melhor sombra,
Seja fiel ao sol que te levanta,
E siga teu coração...




À Sobrinha Beth.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Nascimento de uma Larva de Vulcão




Eu tenho uma sobrinha chamada Elizabeth. Uma adolescente de dezessete anos. Dela tenho um grande apreço, pois dali, daquela pequena grande alma, saem palavras, gestos, diálogos, eminentes de pessoas que possuem grandes ideias, e questionamentos incríveis. Porém, ela tem um problema: ela me acha um tanto quanto mais inteligente do que ela rs. Pois é, e ainda é humilde! Essa é minha sobrinha!

Nesses dias, voltando, revoltada com o capitalismo -- olha só! -- criou o texto abaixo com nuances de sociólogos capazes de mudar a estrutura do mundo! E eu, claro, ainda que não seja o mais perfeito dos homens, a coferir tal trabalho, fui humildimente chamado pela rainha das palavras.

Com vocês, Beth e Eu!


A motivação do homo sapiens de arranjar métodos para adquirir dinheiro e instintivamente de dentro pra fora, pelo fato primário nos sentidos dos homens de querer ter, de precisar, de se alto preencher com aquilo que agrada suas sensações.

Por esses motivos(,) ao passar das eras(,) o dinheiro se tornou o principal ícone nas vidas sociais. Obvio que ele trás (traz, de trazer) aquilo que precisamos, "mas será que ele deve ser tudo que buscamos?". Essa é uma questão que não reflete mais a humanidade, porque ele anda comprando mais do que deveria.

Pessoas vendem seus corpos por ele, vendem a honestidade como se os recursos materiais fosse maiores que sua decência. É o caso dos políticos julgados por fraldes no caixa que deveria ser para a sustentabilidade social. Porém já não se sabe se o caráter do júri ou juis (juiz de juizado) e integra pra tal caso.

Isso mostra que vale tudo pelo money ou din din. O papel valioso esta regendo o mundo de tal maneira que atrofia os pensamentos (nossos?) do que é realmente importante em nossa vida. Estamos sendo fantoches daquilo que criamos para o uso só que era necessário, para estímulos impulsivos de ganhos infinitos e poder. 
           
Contudo, o dinheiro é capaz de tornar meros seres em magníficos  por causa dele alguns sofrem na pele e outros ganham sensações prazerosas. Mas no final devemos falar da beleza da vida e não da busca interminável por um material que pode rasgar, queimar, molhar, estragar e que não levaremos conosco. Será uma luta em vão.
 

(Autor: Elizabeth de França).



O que achou do texto? Se tiver algo errado por favor mencione. :)


Beth,  minha querida, tudo bem?
Adorei seu texto. E fico grato por me confiá-lo.

Beth, não posso criticar o que vem da alma em ebulição. Tenho a certeza de que os meios sociais, seus livros e experiências a fizeram deter-se nesse tema tão amplo e gostoso de expor. E sua grande alma implora por uma resposta, pois estás presa a um meio psicossocial, voltado, mais do que em outros tempos, ao capitalismo – então, é mais do que normal sentires esse fervor idealístico quando se depara ou nos deparamos com injustiças, corrupção, dor, pobreza, insanidades, violações, tudo em nome do pobre papel que criaram em prol do ser humano... O dinheiro.

Eu atualmente leio um livro – A Árvore da Vida, de Cristian Jaq – que fala de um Egito que sofre com o mal caratismo, com a corrupção, com as injustiças, enfim, tudo isso que nos faz desumanos em nome do din-din. Só que, à época, há mais de 1500 aC, não havia dinheiro! Que coisa, hein! Nesse mesmo Egito, um grande faraó tenta erradicar o mal (o mesmo que nos consome atualmente) que consome o país, tentando manter a Árvore da Vida, que, miticamente falando, reflete o estado de espírito da humanidade (à época...)... A Árvore, assim, estaria morrendo.

Então, Beth...

Hoje o dinheiro não é o problema. Em todas as épocas, houve um algo que atraísse ser humano, a manipular seu instinto (é aquela mesma questão do video cassete, tv de tubos, dvs, blu ray...).

Vamos entrar na filosofia. Todas as coisas possuem seus dois lados. Todas elas, até a faca de cozinha possui duas finalidades... Se vc a pega para assassinar alguém, ela se desvia de seu objetivo natural, o que, segundo Aristóteles, também deixaria de ser o que realmente é... Nesse caso, ela deixaria de ser uma faca, e ser um instrumento mortal, o qual estaria apenas em semelhança com sua aparência... Entendeu?

Mas se a referida faca é usada como uma real faca, cortando queijos, carnes, cebolas... Ela não só estaria sendo ela mesma, como também encontrando sua real vocação: a de ser faca... e entrando em comunhão com seu próprio universo.

O dinheiro? A mesma coisa... (a internet, emails, iphones, celulares...). Se tivermos o mesmo prisma em relação ao dinheiro, podemos dizer que, se é usado de maneira errônea, tornar-se-ia uma simples folha de papel engrandecendo seres que se subjugam humanos. Mas... Não são. Seriam, sim, animais em busca dos seus próprios interesses materiais – ainda que usem a palavra ‘espirito’ como meio de consecução para seus objetivos... – e, acredite, ainda que não houvesse o dinheiro, eles existiriam.

Mas uma coisa é certa também, Beth, houve sempre, em todas as épocas, pessoas que sempre se revoltaram contra o mal que sempre assolou a humanidade, seja ele em forma de papel ou não.

A solução?
Um dia me falaram acerca da palavra ideal. Um dia converso com você a respeito dela.


Um grande abraço, Beth!



obs. Depois de "blogado" esta conversa, fiquei sabendo que a minha querida sobrinha havia passado em quarto lugar na Universidade Católica. E o texto acima nada mais é do que aquele que fizera no dia da prova!

Parabéns, larva de um imenso vulcão.


segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Mais um Pouco de Mim que se Foi...


“quando morre um ser humano, morre um pouco de mim; deixo de me conhecer um pouco” (C.G.Jung)

Umas das máximas mais humanas que já pude constatar talvez seja essa do psicanalista e filósofo Carll G. Jung, o qual sabia que em cada um de nós nascem, mas também vivem aspectos de uma personalidade (ou de personalidades) que se vai antes mesmo de nos conhecer.
Inicio assim, porque, hoje, em razão das tragédias que se seguem – sejam elas políticas ou religiosas, ou mesmo por fatalidades, como a que ocorreu em Porto Alegre, -- podemos dizer que morremos um pouco, não apenas por termos compaixão, mas, principalmente, porque somos humanos, e temos uma alma que precisa conhecer os meandros de si mesma, e desfalece ao passo dos acontecimentos quando um ser se vai de maneira tão triste e vil, e injusta.
O que ocorreu, e com certeza pode vir a ocorrer, é um exemplo da falta de competência conjunta de empresários, sociedade, governos (não necessariamente nessa ordem...), os quais não se compadecem com qualquer tipo de acidente que pode vir a acontecer em qualquer circunstância. O capitalismo corrompeu o ser humano, não é de hoje.
Se houvesse uma estrutura que assegurasse a todos a proteção, segurança, em todos os níveis, dentro e fora daquela boate, não haveria qualquer perigo. Porém, o que nos bate à porta, pelo menos é o que percebo, é a realização desordenada, em nome do conforto perigoso, em nome das realizações rápidas, ao passo insanas e interesseiras, a um público que, antes de tudo, confia em uma modernidade tecnológica, sinônimo de "fortaleza"...
Pelo que vimos, tais estruturas precisam ser vistas e revistas, ao ponto de chegar ao cume do cansaço. Se o sucesso  depende do público, e este provido de seres que confiam nas instituições, a possibilidade de vir ocorrer desastres é sempre eminente. Então, devem-se abrir vários leques, e revê-los no sentido de fechar qualquer possibilidade de erro. Pode ser fatal.

Enchentes.
No Brasil, graças ao descaso, todos os anos pessoas de baixa renda, que moram em encostas, em favelas, sofrem com a chuva. A maioria, ainda que saiba do que pode vir a ocorrer – quedas de barrancos, quedas de casas, mortes coletivas, em família, em grupos... – não consegue sair de seus lugares, pois não têm onde morar, ou mesmo algum parente. Nesse caso, contam com a sorte ou com a benevolência divina...
Nada, no entanto, faz com que autoridades, a saber dos riscos eminentes anuais, trabalhem no sentido de retirar antecipadamente os moradores, ou invista em lugares mais seguros para as famílias. Assim, já sabemos que no ano que vem teremos mais lágrimas, e mais desvio de recursos...

 Japão...
Não faz muito tempo vimos as tsunamis tomarem conta do Japão. Milhares de pessoas se foram para o desconhecido – morreram. Os estragos foram na ordem de bilhões de dólares, e várias entidades governamentais estrangeiras fizeram questão de ajudar o país destroçado...
Ao contrário do Brasil, que anualmente extermina milhares de pessoas com desvios de recursos advindo de auxílios internos e externos, o Japão aceitou o auxilio bilionário, usou-o e devolveu o restante às entidades que o ajudaram.
Hoje, o Japão, como meio de vida, sabe lidar em sociedade não apenas consigo mesmo, mas com a maioria dos países do mundo.

Ensinamento...
Depois do ocorrido na boate em Santa Maria, Porto Alegre, havia pessoas  -- não sei se de bom juízo – a dizer que os que haviam morrido tinham que tê-lo, pois não obedeciam aos pais e por isso estes não teriam que ficar tristes, pois poderiam ter outros filhos e educá-los corretamente da próxima vez...
Nunca podemos pensar jamais dessa forma. É claro que esse senhor, uma essa pessoa conturbada com os seus, teria dito isso de maneira que tentasse encaixar a sua própria situação, de maneira virulenta, ao que aconteceu com os jovens, os quais eram, no mínimo, educados, pois eram de universidades daquela cidade.
Nunca podemos dizer que tal pessoa tinha que passar por isso ou por aquilo, pois, naquela circunstância, seja ela qual for, poderíamos ter alguém que amamos, ou não. Mas isso não invalida a pessoa, pois somos humanos, e precisamos ter no mínimo de humanidade nessa hora, e refletindo acerca de tudo em nossas vidas, principalmente na morte.
As instituições existem, mas todas elas são feitas por humanos interesseiros. Ao mesmo tempo, devemos refletir que, ainda que estejamos longe de tais instituições, há coisas com as quais não sabemos lidar, e estão à nossa espreita na primeira esquina que entrarmos; é por isso é por outra que devemos estar sempre atentos e principalmente vivos.
E não esquecer jamais que um ser humano que se vai é um pouco de nós que se foi.


sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Reflexo de Adeus.




Brilha sol,
brilha em sua imensidão,
deixa a chuva chorar de dia,
os casais se darem bom dia,
Mas não deixa de brilhar não...

Brilha, astro-rei
Desfaz o mítico da vida,
cicatriza a ferida,
O amor que deixei...

Brilha, suntuoso no mar de Deus,
refaz as ondas que a lua deixou,
protege os filhos meus,
dê lembrança à mãe que me amou.

Sol, meu irmão que arde no céu,
teus olhos me cegam,
Que os ventos não me negam
O sabor do teu mel.

Antes, um deus do mundo,
Dos seres profundos,
Filhos de Osíris e Zeus.

Encerrava nos braços a paz,
de teus olhos vinham o amor,
cerrava a virtude senhora
Porém, hoje, e agora,

Os homens a ti dizem adeus.

A Magia da Escuridão

"Muita luz também pode cegar"

A magia vai começar...


E correm pela sala, com suas energias evidentes, e contam e cantam, e caem e brincam, e falam em demasia! Não, não é uma festa, mas o som da escuridão caindo em meio a uma chuva, ou mesmo o tempo frio lá fora. Parece contraditório, mas não é?

Desde pequeno, sinto que as pessoas não se direcionam uma a outra quando as luzes da televisão, às vezes, a música de um rádio, agora, mais do que nunca, uma internet fazem seus murmúrios altos, ao ponto de ninguém se escutar ou mesmo olhar diretamente cada um, ainda que estejam um do lado do outro... Uns assistem, alguns ouvem sons altos, outros amam sua vozes e falam alto, mais alguns querem ser ouvidos, enfim...
E vi que estava certo. Quando a luz se vai, pegamos uma vela, ou velas, e começamos procurar o fósforo com uma luz ínfima de uma lua que traspassa as janelas; depois que o encontramos, a magia se faz, pois a vela, com seu singelo fogo, enfeitiça a todos, como se a última flor do Ocidente estivesse ali, acesa, e nós, acampados ao seu lado, sentimos que há algo no ar, além daquela cera que alimenta o fogo.
...Há as pessoas ao redor dela, e por isso, na penumbra, iniciamos um contanto quase que de segundo grau, ou seja, um pouco mais familiar do que de costume. Nesse momento, olhamos nos olhos um do outro, sorrimos e vemos que aquela pessoa que tanto fazia parte de nossa família – e que nunca olhamos tão atentos – é um ser humano com o qual podemos conversar e expor nossas ideias.
A princípio, um show de diálogos confusos, depois, reclamações acerca da luz que se fora, da escuridão mal vinda, da vela pequena, das vozes que soaram mais alto que de costume, mas tudo se vai, com o conforto de um tempo frio que insiste em nos unir, apesar do frio. E o fez.
Assim, as velas, testemunhas, balançam seu fogo ao som do vento que penetra fino dentro de casa, e nós, agora nos conhecendo melhor, contamos piadas, soltamos gargalhadas sinceras, contamos nossos sonhos, filosofamos! E muito mais.
Outras vezes, ficamos em nossos cantos a espera de um milagre – a luz acender-se. Pois a saudade do clarão ou o medo do escuro nos faz estáticos e sem assunto... Mesmo assim, observamos, atentos, o que a luz escondia: a alegria de observar pessoas que estavam tão perto de nós e não a víamos, mesmo com as luzes acesas.
A escuridão se foi. Muitos dormiram antes que a luz chegasse. Outros protestaram até o fim a “incompetência de mais uma instituição governamental que não funciona”. Contudo, sabiam que o que veio foi apenas a breve necessidade de cada um conversar, olhar no olho do outro, dizer algo de bom, sorrir apesar do tempo, e conhecer um pouco aquele que estava ao seu lado, e você não via, pois as luzes embaçavam nossas vistas.

A Parte que nos Falta

"É ótimo ter dúvidas, mas é muito melhor respondê-las"  A sensação é de que todos te deixaram. Não há mais ninguém ao seu lado....