quinta-feira, 18 de abril de 2013

Segredos

Poema.






Meu espelho,
A água que corre pura...

Minhas roupas,
A cor da vida.

Meu desejo,
Ver um sorriso.

Meu mundo,
Seus olhos

Minhas lágrimas,
A chuva que cai 


Meus sapatos,
A grama em meus pés,

Meus problemas,
A brisa em meu rosto...

Os furacões,
Dores que se vão.


Minhas luvas,
A areia fina em minhas mãos.

Minha canção,
O mar.

Minha oração,
O sol.

Minhas paixões,
Nuvens que se vão,
E vêm.

Meu amor,
Meu filho.

Deus,
Segredos eternos.

A terra,
Criatura-mãe.

Riachos,
Veias que correm
Nos braços da Vida.

Vida,
Teu sorriso.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Processos Iniciáticos: Caminhos para o sagrado III



Deméter, deusa da agricultura, na Grécia.




O mais predominante das etapas de iniciação era a coragem e a dação do jovem que iria fazer parte de um novo mundo, melhor dizendo, de uma nova vida. Seu coração, firme, o levaria a níveis mais dificultosos possíveis, os quais se tornariam mais difíceis com o subir dos degraus, assim como no Antigo Egito... Mas falemos dele mais tarde.

Ao contrário do que se pensa, a reclusão de tais indivíduos iniciados não existia, mas sim o modo de lidar com a vida, com as pessoas, com o próprio mundo; assim como uma lâmina, suas palavras cortavam outras que se desvencilhavam da verdade; a mente, diferente das que tortuosamente corriam para caminhos sem eixo, a do iniciado era reta, sempre sacralizada, em nome de símbolos que meneavam sua alma.

Seu olhar, ainda mais claro, visualizava um pouco mais além do natural. Via a política, a religião, a própria sociedade e sua submissão como necessidades pelas quais a natureza humana teria que passar. Deus, enfim, significava o manancial invisível, complexo ao olhar humano, e ao tempo simples ao olhar de uma criança. A consciência, assim, teria voltado ao senso de pureza, voluntariamente.

Contudo sabia que os deuses eram forças misteriosas com as quais o homem devia manter-se em comunhão, se quisesse manter a ordem e o equilíbrio do mundo; sabia, também, que  o próprio homem tinha em suas veias o mal que avassalava a natureza dele próprio, o que fazia com que os iniciados perdessem um pouco de suas esperanças em relação ao tempo em que viviam, pois, se não houvesse os rituais sagrados, os meios pelos quais tínhamos acessos aos mistérios, não haveria mais pontes para o sagrado, apenas vidas seguindo seus próprios rumos, com interesses diversos.

Elêusis

Já que estamos nos envolvendo o bastante para entender o complexo ritual mágico nas civilizações, e o porquê dele, podemos nos estender e retratar um pouco do que foi com os civilizações ainda mais interessantes. Falamos, em outro texto, um pouco dos druidas e sua maneira de lidar com o mundo das iniciações.

Então... Vamos avançar, invadir as escolas de iniciação e delas falar um pouco. Ou melhor, falemos de um dos mais interessantes, que foi o Mistérios de Elêusis, na Antiga Grécia, realizado me 6 a.C. e 4 d. C.

Todos sabem que, nesses meios, havia uma filosofia comparada com a das grandes civilizações do passado, como a do Antigo Egito, e há alguns autores até que dizem acerca desse processo como uma cópia daquela civilização, pois o simbolismo é profundo. Em razão dessa profundidade, cristãos à época, por não compreenderem a literalidade dos rituais, chamavam-no de pagãos. Ou seja, sem deus.

Mas os segredos de Elêusis, até hoje, atormentam filósofos, historiadores, sociedades, arqueólogos, pois não deixaram muitas pistas do seu significado. Claro! Era secreto! Porém, um dos mistérios, aludido por Homero, o qual discorre acerca de uma filha de Zeus, a qual, segundo conta o mito, fora raptada por Hades, deixa-nos em sintonia com a tendência não só dos mitos, como também da razão dos segredos que se mantinham nessa escola.

Deméter, deusa da agricultura, mãe da raptada, fora em busca da filha, deixando o mundo que comandava como deusa à mercê de tudo e desolado, gerando fome aos mortais. Deméter teria conseguido trazer a filha, e enfim, as colheitas voltaram, mas, em razão do acordo feito com Hades, Perséfone, a filha, teria que ficar um terço ao lado do marido, a cada ano...

Como no país do Nilo, muitos dos gregos sobreviviam da agricultura, da terra, da chuva, de modo a acreditar que deuses, potencialidades sagradas, estivessem por trás das realidades que ali aconteciam, como chuva em excesso, perda da plantação, às vezes, um eclipse... Enfim, até aqui, como se percebe mesmo até hoje na atual Dinamarca, entre outras, que deuses planejavam o futuro do ser humano, e não menos na antiga Grécia, berço do conhecimento Ocidental, na qual filosofias tradicionais fizeram caminhos para o pouco que o homem moderno tem de bom na educação.

No mito...
...Quando a filha da deusa é raptada, percebe-se que fora a da deusa da agricultura e do maior dos deuses, Zeus, os quais percebem a falta da filha e deixam seus “postos”, desvencilhando de suas obrigações como deuses. Não tanto para Zeus, mas principalmente para Deméter, a qual, segundo conta, viajara para Atena, ido a Elêusis, construído um templo em homenagem à filha, e a trazido dos infernos.

É notório pensar que o plantio devia ter sofrido com a falta de chuva, ou que os deuses teriam saído em busca de sua “filha”, e ao trazê-la, as colheitas teriam sido férteis. No entanto, nos meses em que Perséfone estivesse com o deus do subterrâneo, viria a improdutividade nas colheitas e assim por diante.
Os rituais...

...com a finalidade de trazer elementos secretos e reavivar as colheitas, eram feitos por muitos, incluindo mulheres e escravos. Segundo historiadores, o culto secreto incluía sacrifícios de animais e dias de jejum para os candidatos a iniciados, os mystai.  Sacerdotisas carregavam objetos sagrados dentro de cestas sobre a cabeça; deuses eram representados pelos participantes, com trajes simbólicos, aqui, diziam, homens se vestiam de trajes femininos...

Baubo, deus do divertimento, era representado com piadas, com bebidas que deixavam os jovens mais alegres, e sob esse efeito contagioso de paz e vivacidade, a estátua de Dionísio, deus da fertilidade, do vinho, era carregada. Depois disso, diziam frases enigmáticas que simbolizava a iniciação nos mistérios...

À noite, em Elêusis havia uma cerimônia num templo chamado Telesterion, comandada por um sacerdote, Hierofantes. Nela, para finalizar havia exibição de falos, representações de pênis, assim como no país das pirâmides, em que havia o deus Mino, a representar a fecundidade.

Em Elêusis, durante muito tempo, houve tais celebrações, ainda que não estivesse de acordo com seus objetivos tradicionais, mas deixaram no passado provas de que o ser humano, não somente na Grécia, precisa, de alguma forma, dos mistérios, dos rituais, ainda que soe para muitos brincadeira de crianças, pois o homem, em relação ao conhecimento, nada mais é que uma criança dotada de consciência única ao que faz e pensa.


Os mistérios de Elêusis nunca serão imitados.




Voltamos com mais mistérios.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Processo Iniciáticos: Caminho para o Sagrado (II)



Ritual druida: pisar nas brasas da fogueira. Para nós, virou folclore.




Mas não eram somente no Antigo Egito os grandes processos iniciáticos, e sim em todas as nações cujas potencialidades sagradas eram respeitadas como divindades, fossem elas para o Bem ou para o Mal... Em Grécia e Roma, com filosofias gêmeas, Hades possuía tanta credibilidade quanto Zeus!

Enfim, todas sabiam que, para as regras daquelas civilizações, baseadas em leis universais, o mundo necessitava de deuses, os quais se encontravam nas minúsculas partículas atômicas ainda que não precisassem citar, mas que, em razão da crença que lhes cabia representar, a iniciação aos mistérios era mais que a união do homem com Deus, era o próprio encontro consigo mesmo.

Por isso, o nome de iniciação. Um começo a partir de elementos que temos em nós. E por isso, e para preservar a consciência em relação aos deuses, tínhamos que nos abster de nossos próprios interesses mundanos, pelo menos algumas vezes, ou menos que isso, quando realmente nos iniciamos e ativamos nosso caráter espiritual em nossos contextos vitais...

A palavra iniciação nos remete também aos grandes homens, que um dia, iniciados, trouxeram valores que jamais foram apagados, ainda que persistíssemos no ato. Assim o foram Platão, Anaxágoras, Pitágoras, Anaxímenes, dentre muitos, os quais passaram pelo mesmo processo, segundo nos contam os historiadores, no Antigo Egito.

Mas, para facilitar nosso diálogo, poderia dizer que todos, de alguma forma, passamos por um processo de iniciação, pois os problemas vitais nada mais são que provas incontestáveis, com finalidade de crescimento; e qual era um dos maiores problemas da humanidade no passado? – As guerras.

E jovens por completar a idade de treze ou quatorze anos eram iniciados às batalhas. Contam-se histórias em que o menino espartano enfrentava leões, touros, com olhares balbuciantes de terror, como se aludisse o inimigo no campo.

Hoje, iniciações tais quais àquelas não existem, mas sim o sofrimento de crianças que são obrigadas a serem assassinas desde a mais tenra idade, com ideologias falsas em relação ao seu país ou religião, a qual, por mais significativa que acreditem ser, são meramente espelhos políticos de um mundo.

Porém, normalmente, o processo é bom, é natural e necessário. Então falemos um pouco desse processo, que nos induz a refletir sobre a sua necessidade em nossos tempos...

A iniciação do Druida

Significando o inicio de tudo, até mesmo de uma nova vida, a iniciação era feita normalmente com um veterano conduzindo um novato a um nível superior – estamos falando espiritualidade. O ritual era uma cerimônia na qual o discípulo renovaria seu voto ou iniciava um processo de conhecimento secreto, de uma determinada sociedade (religião, escola, entidade...).

Nela o fortalecimento interno era visado ao ponto de se tornar um homem, um senhor ou um mestre; um tanto quanto isolado dos demais, por um tempo determinado, assim, em meio a um caos civilizatório, seja em relação à credibilidade em sua época, ou aos valores que ela pratica, o jovem iniciado se portaria de maneira fiel aos seus conhecimentos adquiridos após o processo...

Na civilização Druida, era de saber que rituais sempre eram feitos no sentido de ampliar os conhecimentos acerca da espiritualidade, a qual já fazia parte de suas vidas, porque, segundo nos contam, eram senhores que, por terem realizado façanhas em um passado equidistante, assim como um romano no senado, após vários anos de batalha, o druida era a encarnação da sabedoria, e que viviam entre as árvores, meditando, filosofando acerca do conhecimento, que era passado por várias gerações de druidas.

Muitos historiadores dizem que os druidas tinham seus rituais, e neles o sacrifício humano, porém lanço dúvidas acerca disso pois, assim como o fim dos ameríndios se baseou em práticas gêmeas de rituais, os druidas o fizeram no fim com o mesmo sentido. Contudo, não acredito que o fizeram no inicio da Idade de Ferro na qual eram respeitados até pelos romanos, os quais possuíam rixas naturais com os germanos!...

César já dizia, "A doutrina cardinal que eles buscavam era ensinar que a alma não morre, mas após a morte ela passa de um para outro; e essa crença faz com que eles não temam a morte, e sim a deem valor".

Os druidas possuíam uma ordem moral, a qual, dentro, não admitia processos que tangiam a universalidade do conhecimento, assim como os celtas, maias, incas... E seus rituais espelhavam isso, pois normalmente consagravam o lugar, antes de meditar e trazer a paz, em oferendas, assim como em muitas tradições para que haja aceitação divina no local, aos deuses. E passavam por práticas simbólicas, como passear com os pés descalços no fogo, realizando danças, marcando áreas sagradas em torno de um ponto central, tudo em nome da Terra, Céu, Mar e Fogo.

Na iniciação druida, ao contrário do que se espera, não era a iniciação aos mistérios ou elevação ao nível superior de qualquer participante jovem com vistas ao crescimento, mas em transmitir uma linhagem, como se o iniciando estivesse entrando numa família.

Vale dizer que no druidismo qualquer praticante pode celebrar seus rituais pessoais, erguer seu altar para os deuses, fazer suas oferendas e suas conexões com o mundo invisível. No caso dos grandes ritos maiores - públicos ou fechados - aconselhamos que seja conduzido por algum sacerdote, principalmente se envolver ações de cura, limpeza espiritual e magia. Esses exigem, além de uma grande dose de responsabilidade, muita prática e alguns conhecimentos que são passados em treinamentos específicos.”

É belo!


Voltamos com mais iniciações!

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Iniciação: Caminho para o Sagrado (I)

Iniciação: descobrir os mistérios divinos




Houve certa época em que guerreiros antes das batalhas oravam ao céu, em nome de deuses que lhe clareavam a alma. Para os romanos, deus Marte, para os gregos Júpiter, para os ameríndios, Hatzililopotili ...E assim, por diante.  Lembro-me do grande Júlio César, general romano, que um dia, junto dos seus, pegou um filhote de cabra e, no momento em que iria fazer a oferenda ao deus Marte (deus da Guerra), vira o pequeno animal fugir... E disse “não tem importância, vamos vencer assim mesmo”, e venceu, e logo voltou a pegar o cabrito, terminando a oração e o sacrifício, num ato de agradecimento.

Por que davam tanta importância a esses rituais? Hoje, quando me vejo em um culto reverenciando Deus, penso em minhas batalhas pessoais e nas grandes batalhas de antigamente... Nada a ver! O simbólico, que um dia fizera parte de nossos rituais sagrados, em nome do grande Espírito, se foi...

Prova disso são as predileções aos homens de caráter duvidoso no mundo inteiro, dos quais conhecimento acerca dos mistérios são totalmente duvidosos, porém levam multidões consigo.  Atualmente, leio uma grande romance de Cristhian Jaq, ilustrando a vida do grande Sesóstris III, que governara há quase dois mil anos antes de Cristo o país do Nilo. No livro o autor tenta nos expor uma realidade com a qual nós nunca saberemos compreender o real sentido. O dos rituais sagrados no antigo Egito.

E há um momento em que explica ao seu Filho Real a necessidade de entender o sagrado pelos rituais:

Depois da intensa luta pela Árvore da Vida, e das consequentes investidas do inimigo contra o país das pirâmides, Sesóstris tem um diálogo acerca de Deus – o Criador – com seu Filho Iker, o qual, atento às palavras do soberano, entende que, ainda que haja o mal no mundo, para prevalecer a obra de Deus, é necessário os rituais sagrados – os processos iniciáticos, pelos quais passará um dia...

“-- Para se combater isefe e facilitar o reinado da luz, declarou o soberano --, o Criador realizou quatro estações. A primeira consistiu em formar os quatro ventos, de modo que todo ser vivo respirasse. A segunda foi criar a grande onda, que pequeno e grandes podem dominar se chegarem ao conhecimento. A terceira, fazer cada individuo como seu semelhante.  Ao fazer o mal voluntariamente, os humanos transgrediram a formulação celeste. A quarta ação permitiu que os corações iniciados não esquecessem o Ocidente e se preocupassem com as oferendas às divindades. Como prolongar a obra, meu Filho?
- pelo ritual, Majestade. Ele não abre a nossa consciência para a realidade da luz?”
(Mistérios de Osíris; O Caminho de Fogo,3V, p419)

No Antigo Egito, os faraós, dotados de poderes semelhantes aos deuses, sabiam que confrontar as forças malignas da terra (ou nas Duas Terras), teria que ser quase uma potencialidade. E acima, em palavras simbólicas, resume a ação do Criador ante o homem, mas também fala do papel do homem frente ao Criador, o qual para se manifestar de forma mais concreta, ou seja, das leis universais a humanas, teria que ser reivindicado pelos rituais – ou seja, por processos tão simbólicos, quanto os próprios atos dos faraós.

Mas semelhantes processos não existem mais. O Ocidente dessacralizou formas de reverencia a Deus e criou palcos como o codinome de igreja. Nele, a palavra ritual é proibida, pois ela teria (agora como Igreja) deturpado seu significado. Ritual, atualmente, tem o valor bruxaria, satanismo, etc...

Tudo isso graças à decadência pela qual passamos em relação aos valores que um dia fizeram parte da humanidade, os quais, como vimos acima, nada mais eram que a contínua forma de trazer o Criador – ou seus aspectos sagrados – à vida humana.

Porém, em nome de um mal que criamos, deturpamos, e pelo qual fomos corrompidos, acreditamos que nossos “rituais” em forma de orações dantescas, cheias de berros, sem simbologia alguma, traz, de alguma forma, os mistérios até nós. Não podemos no iludir...

O preconceito em lidar com o conhecimento fez até mesmo a palavra mito semelhar-se àquilo que não é verdadeiro, isto é, uma mentira. Fez palavras como sacrifício virar sinônimo de dor, em nome de alguma coisa, ou de alguma divindade...

As palavras, na maioria das vezes, espelham uma realidade chamada decadência, pela qual passamos no limiar dos séculos, nos quais muitos dos governos – imperadores, reis, até mesmo faraós a época de um Egito sem sua magia, foram responsáveis pelo real mal da humanidade, pois interesses políticos e religiosos fizeram pauta de suas reuniões...

A iniciação

... Não podemos, no entanto, nos abster de ir atrás de nossos valores por meio das palavras, as quais sintetizam a cultura de uma civilização, às vezes, em meio a papiros, pedras, cavernas, revelam o “irrevelável”, o que não quer dizer nada para aqueles cientistas que elucubram acerca de qualquer coisa em nome da Ciência. E isso, podemos dizer, é tão natural quanto acharmos que Roma foi apenas uma cidade que exterminava cristãos, ou que o próprio Egito fora um apenas país que construíra pirâmides ao léu, por um rei vaidoso – quanta ignorância!

Contudo, no fundo, todos sabem que houve civilizações que reinavam em nome de divindades, não criadas ao léu, fruto de sacerdotes, filósofos, enfim, sabemos que todas as potencialidades tinham seu nome, dado por reais homens que levaram civilizações míticas, no sentido de não (re) velar, a todos os mistérios mais profundos e sagrados.

Tudo isso era passado de gerações e gerações. E o respeito, o cultivo, pelos processos iniciáticos, de poucos, faziam com que tais mistérios permanecessem por séculos, pois sabiam que todos eles, se fossem levados ao povo, deixariam de ser mistérios, e mais, deixariam de ser sagrados, como diziam Sesóstris III e Ramsés II.

Não somente os grandes governantes acreditavam que os mistérios eram para poucos, mas especialistas depois de tempos concluíram que determinadas filosofias se perderam em razão das difusões em falas, indiscriminadamente passadas a todos, destruíram quase todas as formas conhecimento...

Difícil dizer quando ou quem enraizou esse processo, mas há exemplos na história, como o dos espanhóis que invadiram o território maia e destruíram um mundo que, para nós, ficará apenas nas esculturas, nos nomes complicados dos deuses, em alguns atos sagrados, mas da realidade pouco saberemos...

Contudo, sobrou um pouco àqueles que se interessam pela ascensão do guerreiro, do homem, fosse nas batalhas ou não, mas que tinham processos iniciáticos visualizados em deuses, como Quetzocoatlh, uma serpente emplumada, significando, sabedoria e leveza depois do processo.

Em Roma, depois da destruição moral, restou apenas a história para contar que sacerdotisas, mulheres que nasceram com vocação às divindades, davam a vida para orar e preservar os deuses, os quais regiam aquela cidade, e sem elas, não haveria mais guardiões sagrados, nem deuses. Apenas estátuas.

No Egito, após a fervilhação das crenças sem base, tudo se foi. A manifestação do deus único tornou-se ideal. A propagação de um mundo sem rituais sagrados fez com que não somente os iniciados, mas textos acerca dos cultos fossem apagados, túmulos saqueados, templos também destruídos, enfim, hoje, somente alguns egiptólogos conseguiram distinguir o que muitos tentaram acerca do que se foi, principalmente acerca das iniciações e seus porquês.

Tentaremos explicá-los no próximo texto.

terça-feira, 9 de abril de 2013

O Eco das Montanhas



Nada melhor do que sentir o poder da montanha.


“A palavra eclético, atualmente, significa aceitar tudo de bom grado, o que, na realidade, pode ser perigoso, pois, se somos humanos, devemos respeitar nosso corpo e mente tal qual respeitamos nossa casa. Vocês não aceitariam baratas por todos os lados de suas casas, não é?... Então façamos com que sejamos nossas casas, e nossos olhos e mentes filtros naturais.”

Formado em Regência pela UnB, além de Direito e Filosofia, meu amigo professor Carlos Ilha dava aulas de filosofia clássica em Nova Acrópole, uma respeitada escola na qual tive o prazer de estudar durante muito tempo...

Ilha estava a se referir ao Ser. Sei que para muitos soa como algo confuso, complexo até, e confesso que, no inicio, para mim, também. No entanto, para desfazer determinadas opiniões preconceituosas em relação ao que o mestre disse, posso tentar dizer algo...

O Ser, inviolável, impenetrável, sutilíssimo, cúspide maior dos seres em geral, seríamos nós. Segundo autores mais complexos como Platão, Helena P. Blavatsky, Parmênedes, seria o Nows – o espírito no homem. Bem... É melhor que sintetizemos essa aula...

Na realidade, se formos mais além, vamos dizer que o homem precisa entender que existe o Inegoísmo, a Vontade, a Bondade... Todos de uma maneira além-pura, inviolável, sem os quais não há possibilidade de sê-lo. Entender que penetrar no Ser seria tentar moldar, primeiramente, uma personalidade, a qual, dentro que nos foi dado desde o nascimento, precisa ser moldada para elevar-se e chegar ao fim do topo, ou pelo menos parecer-se com ele.

E nessa tentativa eterna de o homem lidar consigo mesmo, em batalhas diárias entre o Bem e o Mal, nos surgem possibilidades de declinar e elevar nossas características humanas, não animais, podando, pelo grande Ideal, até um dia encostarmos nas vestes de prata do grande espírito.

Mas... Engana-se quem diria “então a personalidade é algo mau?”... Depende do que você entende por mau, porque tudo que há na vida – assim como foi e é demonstrado por várias civilizações – pode-se chamar-se de necessidade, de bom, de certo... Mas, por outro lado, misterioso, obscuro, indizível... E assim por diante.

A personalidade é o chamado degrau necessário para chegarmos ao que realmente somos. Por isso, como acreditavam no passado, há a necessidade de entender as diversas vidas após a morte (o que seria apenas um rótulo), a saber que todos a possuímos, e que levamos conosco, tão naturalmente quanto uma brisa que bate num mar.

E podando nossa personalidade, a cada vida, estaríamos sempre mais perto do Ser, ou seja, mais perto do que realmente somos. Ilustrando... Assim como um grande círculo que possui um pequeno ponto dentro, ao centro, e ao redor deste vários pontos, podemos dizer que o ponto seria o ser, e que os outros que estariam ao seu redor seriam os “eus” diários que aparecem em nossa personalidade, durante o correr de nossas vidas.

Tais pontos, que estariam ao redor do ponto maior ao centro, teriam que estar voltados ao maior como filhos ao pai. Mas estamos falando de personalidade, atributos, ser... Nada que a ele se iguala. Por quê?
Mais uma vez ilustrando...

Se olharmos para o sol e queremos entendê-lo, o que podemos fazer? Pesquisamos e buscamos saber a realidade física que foi esse grande disco. Mas se nos aprofundarmos, teremos a possibilidade de compreender o quão misterioso foi para determinadas nações; e mais, se iniciarmos um processo ritualístico – baseado na tradição – veremos que o sol, agora não este que vemos e nos iluminamos, faz parte de nós como a própria necessidade de viver.

Assim é a personalidade, o ser, seus atributos... são apenas um. Mas o primeiro tem sua necessidade de ser, assim como o segundo. Não podemos, no entanto, dizer que um é mau e o outro é bom! Todos participam de acordo com a sua natureza, ainda que não saibamos.

No entanto, é mais que necessário intuir: não nascemos vocacionados ao ser. É preciso mais que uma vida para viver, ainda que em simples atos, pequenos momentos, e saibamos o quanto precisamos nos ver no espelho da grande Vida.

Eclético?

O ecletismo, baseado no que foi dito, seria a abrangência de tudo, sem o mínimo filtro, sem o mínimo referencial. E isso nos leva a trazer à tona valores que não interessam ao ser, ao mais puro, o não egoísta  e sim a uma personalidade volúvel, plástica, que se vai como saquinhos ao vento por qualquer coisa, qualquer brisa.

Uma personalidade que titubeia nas decisões, e que se limita a não ter limites nenhum. E assim, de acordo com sua natureza, assim sempre o será, afastar-se-á do ser, do grande espírito, dos mistérios da Vida, é cairá no fosso dos conceitos sem conceitos...

E quando o ecletismo nos vem como simples ponte para o não preconceito, na realidade, vem-nos como uma frágil construção que se igualará aos maiores castelos de areia. Por isso, precisa-se entender que aqueles pontos, ao redor do grande ponto ao centro, somos nós em busca de uma resposta ao que realmente somos, mas que só a encontramos quando olhamos para dentro... Dentro de nós.










Obrigado, mestre.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

A Pesca



Já pescou alguma coisa hoje?



Um dia um grande professor nos disse “quando eu vou pescar, fico pensando: ‘o que posso pescar da vida?’”, e continuou... “Muitos não se questionam a respeito. Nem querem saber. Mas, no lago da vida, temos que sempre que fazer essa pergunta, se não acabamos por não pescar nada”...

Isso tudo antes de iniciar uma aula de filosofia, na qual todos ficavam de olhos atentos às palavras e sorrisos infinitos que saiam de seus olhos, sempre que nos via com nossas feições pasmas, arregaladas, como crianças frente ao desconhecido...

Realmente somos crianças. Em algum nível, claro. A natureza nos faz enfrentar certos mistérios dentro dos quais ficamos cegos naqueles instantes, e prontos para correr. É humano, é natural ter medo do desconhecido, mas é muito mais dar um passo à frente, como se o medo fosse uma energia benéfica, não maléfica, a ponto de sairmos correndo... É preciso ser questionador, mas é muito mais preciso dar passos rumos às respostas, mesmo que achemos que tais questionamentos sejam portas.

É inerente a todos o medo, o não medo, o desespero, a falta de iniciativa graças a pensamentos retrógrados; mas também é preciso retroagir – não de medo – às vezes, para que possamos enfrentar o problema com mais garras, assim como uma catapulta que volta uma pedra até o inicio com a finalidade de soltá-la ao seu objetivo, a depender, tão longe quanto da primeira vez...

E a pesca?

A essência da vida sabemos. Dar passos rumo a ela, difícil. Com mentes voltadas a problemas, ficamos sempre para a ultima hora ir a uma igreja, a uma viagem, cuidar de si mesmo, no sentido mais filosófico possível, enfim... Refletir acerca de Deus e seus mistérios.

Contudo, e apesar de tudo, nem quando estamos em paz, conseguimos ficar em paz, pois a correria, agora, toma conta de nossos corpos, mentes, veias, com se estivéssemos correndo, trabalhando, e, novamente, com aquela sensação de que não há mais nada a fazer do que ser um homem do tempo de hoje – preocupado, sorriso falso, bem por fora, mas desesperado por dentro, iludido com as resoluções politicas, e... Louco para sair na sexta-feira e tomar uma cerveja com os amigos...

Talvez não saibamos, mas a tônica maior, além daquela básica que sabemos, é integrar, além de refletir; é comungar valores, além de trabalhar; é traduzir o que somos em cada tarefa, além de pensar em terminá-la. É subsistir ao mal, antes de querer o bem. É tentar amar a si mesmo, antes de amar o próximo...

Não há outro meio de se conhecer a Deus, senão nos meandros pelos quais passamos, ou seja, aquele que os deuses nos dão todos os santos dias. Não é pensar em igrejas, em paz, em amor, se não sabemos lidar com pessoas em nossos caminhos. Não há pensar em calmaria, se não conseguimos apaziguar nossa própria guerra pessoal. É impossível.

Buscar a Deus nas mínimas coisas é belo, é humano. É um ato que fora praticado deveras por muitos filósofos, mas cada um o fizera de acordo com suas possibilidades, o que quer dizer que não estacionaram no tempo e iniciaram processos de questionamentos, com as mãos no queixo, como a estátua “o pensador” de Rodin. Todos eles, sem exceção, colheram frutos de suas vidas, que foram tão perturbadas quanto às nossas, e colocaram, em suas sacolas, apenas “peixes” que valiam a pena...

Somos filósofos também, mas estamos deixando que os problemas sejam uma segunda pessoa, ou terceira, ou quarta, de modo a interferir em nossas práticas naturais em busca de mistérios, em busca de Deus. Claro que um sala vazia, com paredes brancas, cheia de quadros belos, e uma música clássica, de preferência de Bach, nos concederia mais possibilidades de reflexões, nos facilitando a busca da paz, do amor, por meio de pensamentos sagrados, como numa oração...

Porém, a vida nossa de cada dia nos leva a pensar que não podemos pensar em Deus, praticá-lo, busca-lo, reverenciá-lo, de forma que nascem mais problemáticos a cada dia do que em toda a existência humana! É um erro.
Temos que harmonizar tudo com todos, ao Todo. Essa é palavra de ordem. Quer dizer, trazer à tona nossos melhores sentimentos, palavras, atos, valentia, coragem, temperança, moral, ética, aqui e agora, seja no trabalho, em casa, no banheiro, como se a igreja estivesse presente, aqui e agora. Se não há tal possibilidade, aprendamos com os erros – e façamos isso de uma máxima real, e que não fique apenas como uma frase de efeito depois de um escorregão, pois todos os erros são necessários, assim como a falta de luz precedendo a própria luz.

Um dos nossos males talvez seja esse, a incoerência – como eu sempre digo em meus textos --, pois, mesmo depois dos escorregões, caímos em outro, em outro, em outro... Como se por nada tivéssemos passado! É assim mesmo... Não precisamos pirar. Se nesse caldeirão temos tudo, por que não levamos todos eles para nossa Caixa de Pandora (nossas almas), e harmonizamos?

Difícil. Somos deseducados desde eras passadas, e não vai ser agora que vamos levar para o nosso dia a dia o que nos fizeram acreditar com mentiras que se tornaram verdades. Mesmo assim, é sempre bom, quando observarmos a natureza, a de fora, saber que nossas naturezas, pela qual passamos diariamente, não estão desconectadas com o todo. E se nos abstivermos desse pensamento, vamos correr atrás de uma paz que já está em nós, há muito, e não sabemos...

Afinal de contas, Deus está em tudo.

terça-feira, 2 de abril de 2013

As Árvores da Vida



Sesóstris III. 

Por volta de 1878 a.C a 1842 a.C, no Antigo Egito, havia um faraó que reinou esplendidamente aquele país, tentando, com todas as suas forças, evitar o mal que vinha de um outro iniciado nos mistérios, só que dessa vez das forças contrárias à de Maat, a deusa da ordem, da disciplina. Um mal que, ainda que fosse de encontro aos deuses egípcios, sabia que teria que usar forças quase semelhantes para exterminar a cultura das pirâmides. O mal foi obrigado a usar as força de Seth, o deus das sombras.

Sesóstris III, reto, alto, moreno, com um leve aclive no nariz, cultivador dos mistérios sagrados, tinha como objetivo cultivar o Bem, afim de que o povo egípcio fosse beneficiado pelas leis divinas as quais defendia com todo o seu espírito. Porém, nos meandros do deserto, forças escuras nasciam com o objetivo de transformar a sociedade daquele país em cinzas,  usurpando, corrompendo, exterminando da mesma forma que o próprio faraó o fazia para o Bem, tal individuo o fazia para o Mal...

Assim, com o passar dos anos, as forças se colidiriam, e o povo egípcio foi-se dizimando, ainda que nascessem esperanças e frutos benignos ao longe, o grande país e sua cultura mítica iniciou seu processo de queda.

Assim o foi entre Sesóstris e o Anunciador, nome do feiticeiro do mal, que jurava fazer o que fazia em nome de um deus único. E no meio dos dois... A Árvore da Vida. Uma pequena acácia, guardada em Ábidos, cidade espiritual do país, dentro de um centro no qual se chamava templo iniciático dos mistérios sagrados egípcios.

Ali, apenas os reais discípulos que, de coração, se entregavam aos deuses – Maat, Num, Osiris, Isis... entre outros – tinham possibilidade de ver a pequena árvore que crescia à medida que a temperança e luz reinavam no reino das duas terras, e, naturalmente, perdia a essência que singularizava o espírito de tudo quando as trevas se faziam no país...

A luta de Sesóstris pelo antigo Egito não fora em vão, pois singularizava o valor a ser dado ao humano, ainda que houvesse mentes contrárias a suas atitudes benéficas fossem advindas dos deuses ou não.  Singularizava o valor a ser dado à humanidade, que, como diria certa professora, “não nasceu para ser sábia, mas também não nasceu para ser injustiçada”.

As árvores da vida, como a acácia, assim se vão em nossos dias. Pois a preocupação com a humanidade se resvala em atos ditatoriais, com presidentes que se dizem democráticos e acostumam o povo a amá-lo simplesmente para transformá-los em cordeiros em uma futura ditadura. Assim o foi na Venezuela, e o será até o fim, pois há pessoas que acreditam na “bondade” de um tirano que, graças a Deus, se foi, mas que, porém, deixou mais que rastros, sua família...

Assim o foi em Cuba, a qual, no passado, se transformou em potência idealista com Che Guevara, Fidel Castro e seus amigos, no entanto, hoje, para não dizer há tempos, com portões fechados a nações civilizadas economicamente, respinga contradições, pois vive de mentiras, dentro das quais a Saúde, dita como de primeiro mundo, que não é, morre em hospitais tais quais qualquer país democraticamente corrupto; outra, a da medicina, que, até mesmo eu acreditava, transformava a mente dos iconoclastas da medicina a dizer que era a melhor do mundo...

E quando tentam vociferar a verdade, tentam encontrar razões para calá-la. Motivo: Cuba foi potência e que se mostrou forte na principal revolução... Contudo, não adianta revoluções se o principal foco de mudança não for as pessoas que a promovem.

Aqui, em nossa época, tão falha ideologicamente, não há nem mesmo as revoluções naturais que fazem o homem se importar com o ser humano. Razão... Tudo soa com interesse espúrio, do pastor ao político!
A acácia que resguardava a essência dos valores com certeza teria sido destruída. A exemplo temos dois países – Coreia do Norte e do Sul – em pé de guerra. A do Sul infiltrando-se no capitalismo, tentando manter, apesar de tudo, sua cultura. A do Norte cultivando a miséria, a falsidade, sangue, em nome de uma economia que os ditadores do passado deixaram para o atual.

O pior, no entanto, é que estamos tão estagnados e dormentes com tantas dores, que não sabemos como e por quem chorar primeiro... E isso, em uma época de grandes edifícios, terminais de computadores em todos os lugares, sem falar nos tablets, iphones, facebooks, sempre nos vem o pensamento de que tudo isso vai nos socorrer do mal... o que é um pensamento mais que falho.

Nenhuma máquina, por mais moderna que seja, se não tiver o objetivo de auxiliar o ser humano em todos os sentidos, pode-se dizer que é uma máquina para o Bem, pois haverá a dúvida em sua utilidade junto aos homens, os quais, com desejos, instintos, e ideologias, podem literalmente mudar da noite para o dia.

E mais, podemos estar presos a atmosferas que nos sucumbem diariamente, com o medo de sair de casa, medo de criar os filhos, medo da solidão, medo do próximo, o que nos prova que a acácia interna do homem atual está morrendo tão velozmente quanto o foi no passado...

A árvore da vida pode até existir, mas somente àqueles – homens de bem, sociedade, grupo, instituição, seja filantrópica ou não, filosófica ou não – que tenham ideais nobres voltados à humanidade, o que, para nós, atualmente , é apenas uma lembrança de alguém que defendia em algum lugar um povo, visando todo universo... aos deuses.

A Parte que nos Falta

"É ótimo ter dúvidas, mas é muito melhor respondê-las"  A sensação é de que todos te deixaram. Não há mais ninguém ao seu lado....