quarta-feira, 12 de junho de 2013

O Dia do Amor

Amor: o primeiro e último dos deuses.



Amor, que palavra simples e ao mesmo tempo complexa. De todas as palavras, a mais cantada, a mais envolvida nos sentimentos, nos clássicos, nos mandamentos. Amor, um ser tão subjugado, mal compreendido, inibido e ao passo solar. Como o primeiro dos deuses (1), o único a unir o universo em seu manto sagrado, a demonstrar seu poder, seu... Amor.

Quando o poeta (2) nos disse, “Não diga ‘eu tenho o amor’, mas sim, ‘o amor me tem’”; e ainda, “abrace o amor, mas tenha cuidado com sua lança na cintura”..., teria um significado infinito, dentro do qual o próprio homem, ao relativizar a própria vida, até o amor, transforma-o em um sentimento vadio, medroso, temeroso, e ao mesmo tempo misterioso, ao ponto de iniciar uma fecunda parceria, abrindo margem ao maior dos deuses, aquele que une ao Todo, de ser apenas um... Sentimento humano!

Não diga ‘eu tenho o amor’, e sim, o amor me tem”. Nessa esfera, podemos dizer que o poeta eleva o primeiro dos deuses ao seu lugar, a sua realidade. Ou seja, tudo que somos, vivemos e pelo que idealizamos, está dentro de uma atmosfera chamada amor. É a verdade.

A verdade dos amantes, dos enamorados, dos apaixonados pela vida, dos filósofos, e seu amor à verdade, dos sentimentos maternos indecifráveis, da loucura embebida de sobriedade. A verdade das vestes dos lírios, das cores das plantas; do bater das asas do beija-flor, das garras da águia, revestidas beleza e brutalidade; é a fé da montanha, que a faz se mover. É a matéria e o espirito de mãos dadas.


Um grande filósofo (1) um dia nos disse que, para compreender o amor real, teríamos que passar pelas fases que a própria natureza nos deu. Ele, iniciados nos mistérios ocultos, divide o ser humano em Soma, Psique e Nows.  O primeiro seria, mais ou menos, a soma de nossos instintos, de nossos amores físicos, desejos, vontades...

Em Soma, teríamos que ultrapassar os valores físicos, com a finalidade de alcançar a Psiquê. Aqui, com ideais evolutivos, na esfera humana, o casal que chegasse ao segundo nível (psiquê), amar-se-ia tanto quanto da primeira vez, ainda que o sexo não fosse tão importante em suas vidas, pois não estariam mais na esfera instintiva.

Em Psiquê, em um nível mais menos personalístico, estaríamos voltados ao que poderíamos chamar de amor psicológico, em um nível de entendimento no qual não se precisaria tanto de físico para a compreensão, mas ao diálogo, fosse ele oral ou fático, mas que preponderasse, ainda, um amor virtuoso, pendendo um pouco para o relativo, pois ainda não haveria a simplicidade que tanto idealizam.

Em Psiquê, casais se amam em seus olhares, em seus abraços, em seus pequenos e breves diálogos de “eu te amo”, e ao homem, envio de flores em momentos informais, em pequenos gestos que sintetizam a beleza de um relacionamento.

Nesse nível, depois de entenderem que a realidade não se fecha em apenas dois seres, a compreensão do tudo se faz. O olhar, agora direcionado ao todo, ao céu, faz com que o Nows, a terceira e a real fase do amor se revele. Homem e mulher já não possuem valores terremos ou ideais terrenos; são filhos de outro mundo, e amam o mistério sagrado escondido no grande manto divino, e em si mesmo. Todos os seres, belos ou não, bons ou maus, são mil faces necessárias de uma divindade maior que o próprio sentimento de amor.

A música desse amor a Natureza canta no farfalhar, no grunhir, no gritar, no chorar... Na lágrima ao pôr do sol, na poesia bendita que direciona o homem a ele mesmo. O verdadeiro Amor seria este.

Eu, que ainda sou propenso a ser filósofo, parafraseio... “O Oceano é a gota; e a gota é o Oceano”. Enfim, tudo está dentro de tudo, e todas as coisas são válidas como amor, se idealizarem o bem ao próximo e a si mesmo, e porque não ao sagrado? Desde a parte física, com sua cortesia, com sua beleza, enraigada de paz e simplicidade, até o encontro do homem com Deus... Tudo, para mim, seria o amor. Nada estaria fora do contexto.

Por isso, diga “eu te amo” quantas vezes necessário for; cante suas canções preferidas, num grito sóbrio que somente você sabe por que canta. Não deixe apenas que a vulgaridade tome conta de seu corpo, de suas palavras, de seus gestos – pelo menos hoje! – e sinta em seu coração um amor silencioso, beirando ao puro, e não diga a ninguém apenas a você mesmo.




A você, minha querida esposa, que amo tanto.


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(1) Platão 
(2) Kalil Gibran 

terça-feira, 11 de junho de 2013

Velhos e Idosos

Idade: apenas um detalhe.




"A idade de um homem se mede pelo seu ideal, pelos seus sonhos" - J.A.L




É um assunto interessante este, principalmente porque nos toca o fator ideal. Este nunca envelhece, ou como dizia um grande filósofo, “nunca cai de moda”. É falar, mais uma vez de nós, só que de uma forma mais direta, simplista, sem rodeios. Estou a falar de Velhos e Idosos.


Velhos
Conheço muitos, entre eles pessoas jovens que acordam tarde, não fazem questão de ir em frente, e aceitam dogmas frágeis da maneira como lhes convêm.  Falo de rapazes, cuja forma de viver não está espelhada em nada, nem mesmo naquilo que acreditam – seja em partidos, em sua facção religiosa, em pais, mães, tios, enfim, são meros transeuntes de uma vida que precisa de remos e remadores.

Não estão, assim, propensos a nenhum ensinamento, a nada. Estão quase mortos. É a juventude estática, que, hoje, em meio a tecnologias de ponta, senta-se e esquece-se que há livros, empregos, aventuras ideológicas, conquistas e muito mais.

É a velhice.
Nela, há a conformidade em estilos, ou seja, qualquer que seja a música, ele, o jovem, vai dizer que é a melhor; qualquer que seja o filme, idem; qualquer que seja o livro... Enfim, se trancará ideologicamente e não aceitará a sua evolução natural, que, antes, em um passado honroso, era uma necessidade, em razão de guerras.

O jovem espartano, por exemplo, antes de completar seus treze anos, já fazia parte do batalhão de elite dos grandes generais, se fosse aceito nos exercícios; isso é retratado no grande livro “Portões de Fogo”. Não havia, claro, escolhas, mas, se fosse para escolher entre ficar parado e lutar pela sua pátria, de modo sábio, lidando o exército mais disciplinado que já houve...  O jovem de hoje, com certeza, correria para o colo da mamãe.

A velhice espelha uma educação de proteção em demasia, por assim dizer. Pois o pai que não ensina seu filho a ir atrás de seu próprio pão é um pouco responsável pelo comportamento dele. E quando cresce, acredita que o filho, por osmose, se dedique a algo ou que lute por isso. É como se fosse uma busca em direção  ao grande desconhecido... Sendo assim, é melhor o sofá, seu computador, a televisão, e o prato de comida na mão...

O Idoso
Nada pior do que a velhice, pois revela uma educação passiva a tudo, e nos deixa a reclamar como se fôssemos radicais ou doutores em assuntos, apenas com razões para não iniciarmos nada. O jovem-velho é aquele que diz o que ouve e dorme acreditando que sua opinião, em meio a várias outras também formadas por opiniões de outros, surtiu efeito no mundo... e daqui se criam passeatas do nada.

E como expectador disso tudo, o idoso sorri. Trabalha em seu quintal, planta suas verduras, as colhe; vai ao mercado, compra, traz; lava sua louça, varre sua casa, leva seu filho ou neto ao parque, conta-lhe histórias, se diverte em um futebol caseiro, conta piadas refinadas a sua senhora, e dorme o sono dos anjos.

O idoso, ao contrário do velho, ouve o ensinamento dos deuses, não se cala, nem se conforma, vai atrás de seus direitos, dorme em fila, sobe ladeiras, as desce, caminha pela manhã, e, se der, aceita propostas de emprego!

Esse grande humano, em nome de uma vida que merece ser vivida, em nome do conhecimento eterno, paquera, sutilmente, a mulher que há muito conquistou, e faz questão de fazê-lo todos os dias.

A juventude de Ouro


A real juventude, aquela que está em cada um, pode ser alcançada. É seguir a natureza que nos é dada, é caminhar para os nossos objetivos, se forte, ainda que a muralha seja alta. É estar preparado para enfrentar o grande minotauro que se esconde no labirinto de nossos problemas, é adquirir uma filosofia própria, e seguir o fio de Ariadne, é saber que temos que respeitar nossas justiças, nossa natureza, e não ter medo de entender a morte, pois ela caminha com a vida, lado a lado.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Em Busca do Amor Perfeito

Eros: deixe o verdadeiro amor triunfar!



"Un hombre quiere ser el primer amor de su amada. Una mujer quiere que su amado sea su último amor"




Está-se chagando o Dia dos Namorados, e tudo em que pensamos é... Sexo, presentes, sexo e presentes...! Hoje, casado, com um belo filho, não tenho mais pensamentos conexos com os que citei, pelo menos não da maneira tão frívola como antes, mas... Penso. Mesmo porque sou homem!

Lembro-me dos dias em que, mais jovem, minha ardência era tanta que meu cérebro parecia-me uma panela de pressão prestes a explodir. Graças a Deus, esse jovem, assim como outros da idade, encontrou elementos naturais para suprir essa pressão, senão...!

Não eram diferentes os passos que dava em direção à maturidade, mas aprendi muitas coisas com as quais, querendo ou não, tinha que aprender. Meu aprendizado, no entanto, se reserva em trazer à tona, de algum modo, valores, ainda que a passos lentos, tradicionais, na tentativa de encontrar, entre a pessoa que amo e a mim, mistérios profundos, principalmente e no tocante ao do coração, esse segundo ser que nos manobra todos os dias...

Eu, na realidade, era tímido em qualquer aspecto, e quanto ao sexo, nem se fala. Era coisa de outro mundo. A juventude de hoje – vinte anos depois... --, com raríssimas exceções, é mais esporádica; um ser que se joga de uma janela metafórica e se esborracha num chão nada metafórico, simplesmente por causa de um coletivo voltado a uma apologia nada racional.

E quando se encontra uma menina? Puxa, que coisa hein! O que dizer, o que fazer, para que serve? É claro que é brincadeira; ao contrário do que pensam, as meninas serão sempre complementos de uma geração que precisa de asas para voar em par com o menino, não iscas de jovens solitários ou em grupos em aventuras sexuais, como passatempo, em novos relacionamentos – ficar, sair, ficar, namorar, ficar... – não, não são.

Todas elas são flores de um imenso jardim a serem apreciadas por nós, homens, jovens, seja por meio de uma educação clássica, machista ou bestial, não importa. Todas elas, envoltas em suas aparências, modernas ou não, no fundo, reivindicam homens que as apreciem, respeitem e que lhes deem tanto amor como no primeiro dia em que vieram ao mundo.

Nós, para suas infelicidades, um tanto quanto machistas, com raras exceções, de novo, preferimos saciar nossas vontades físicas, no sentido mais fisiológico possível, o que nos transforma, um pouco em... Cães, cavalos, bois, leões... Enfim, em seres que buscam o que várias outras espécies também o buscam, só que de maneira mais... Evidente que nós.

Temos, contudo, a fala, os gestos, a simpatia falsa, a jogada de corpo, o toque. São diálogos fáticos dos quais tiramos aprendizados apenas após o... Bebê no colo! E nem assim! E prosseguimos com a empreitada sexual, traduzindo nossas vidas ao que chamam os mais modernos e imbecis escritores de “amor moderno...”.

Ou seja, pouca coisa nos difere dos animais – se não fossem os abrigos reservados às margens das estradas, facilitando-nos, ou para alguns que se acham mais homens que outros,  não, porque sempre encontram meios para desaguar seus instintos antes do tempo.

Assim é o jovem de hoje. Enquanto não saciar suas vontades eloquentes, não encontram a real felicidade. E após terem a encontrado, fogem como pássaros solitários ou em bando mesmo, como finalidades de crescerem em outro terreno com esperanças de “pegarem” outra gaivota.

Estamos fugindo de conceitos, e o pior, de praticas dentro das quais, um dia, nos fizeram humanos, no sentido mais belo da palavra. E isso, no quesito em que, na maioria das vezes, fomos ingênuos, e por que não dizer crianças; teria sido melhor assim...

Contudo, cresceu o mercenário do sexo, aquele que investe, jogando tudo que tem, apenas em prol de si mesmo, e levando, como uma raiz do mal, a uma sociedade, e como hoje, a uma civilização mal formada, o pior dos valores.

Em outros ares
Digo isso porque, em outras civilizações, como se era de explanar aqui, não havia como surtir efeito o quesito bestial do ser humano, pois eram enraizados em ideais maiores e por que não dizer celestes em comparação ao que temos hoje.

Sim, podemos sim. Antes, tínhamos o Minos, o deus da fertilidade universal, na civilização berço do mundo, cujo símbolo era um falo gigante que passeava pelo Cairo, quando se comemorava seu dia. Ao contrário de hoje, podemos dizer que jamais se poderia qualquer falo – pequeno ou grande – passear por qualquer sociedade, pois estaríamos presos ao inconsciente coletivo sexual, e com certeza o desrespeito àquela entidade far-se-ia.

Uma grande teósofa  de renome chamada H.P.Blavatsky um dia disse que, hoje, podemos medir a espiritualidade dos seres humanos quando nos referimos ao aspecto sexual. Todas as vezes em que aparece o membro masculino, o pensamento é material, sexual, preso a valores baixos, advindos dos piores sentimentos humanos, instintivos;  como eu havia falado no texto anterior, nossa personalidade está refletindo valores terrenos e não celestes.

Educação clássica
A juventude, sem um pensamento voltado a uma educação clássica, sem as minucias do amor real, que traduz respeito humano, comportamento de cavalheiro ou dama, por menor que seja, encontrará diversos sentidos para o amor, menos o natural, real, universal, no qual ambos – homem e mulher – são partes de um todo, pois o todo, representado no mínimo ato, une e ninguém mais o desfaz. “O que Deus une o homem não separa” – já escutei essa frase em algum lugar...

Baseado nessa premissa, países há no mundo, até mesmo na própria Índia, em que casais se conhecem apenas após o casamento. De inicio, é difícil, mas o mistério do conhecer traduz justamente o mistério do conhecer ao outro, e por que não dizer a si mesmo? São comportamentos completamente diferentes dos que somos obrigados a observar todos os dias em praças, em filmes, em novelas ocidentais.
Não precisava ser assim.

Mas os preceitos vândalos dentro de uma educação de mentira se revelam como frutos que não conseguimos colher, pois o que vemos e ouvimos nada mais é que cenas de homens e mulheres ofuscando outra realidade, a nossa do dia a dia. É como se eu vivesse em meio àquilo que não gosto, mas já que não consigo controlar ou mesmo desligar, desviar, desaparecer... Então sou obrigado a lidar e a aprender com eles...! Sem falar nas redes sociais...!

É repudiante.

Esses dias um amigo me ligou dizendo que seu filho de quatro anos, que não dorme antes das nove da noite, começou a assistir à uma novela global, a qual sempre apela para cenas sensuais; enfim, o menino, coitado(!), estava com seu mini órgão futuramente reprodutor ereto...!  “Mamãe, por que pipiu da duro?”, disse a pobre criança... Enfim, quase enlouqueceram antes de mudar de canal...

Sabemos que as audiências de jornais e televisões, hoje, se baseiam nisso: no aspecto sexual do ser humano (por enquanto!). É como se houvesse um infiltramento em nossos pulmões de um ar venenoso, que somos obrigados a respirar. E assim, crianças, jovens, adultos e idosos se veem em um planeta com falta de uma grande propaganda voltada a uma educação sexual... É a apologia ao sexo. É a decadência.

Na realidade, o que temos de decadente nada mais é que nosso comportamento e visão em relação ao sexo. Ele é, a depender de nós, singularmente, maravilhoso. Contudo, o que fazemos dele é algo semelhante a um osso de cachorro. Não precisa dizer quem é o cachorro... Não conseguimos largar, e quando nos falta, roemos o pé, o pé do outro, e assim por diante! – Hoje não se pratica sexo humano, e sim algo parecido com o dos animais.

O próprio sexo pode-se tornar belo à medida que o usamos para iniciar o conhecimento daquela pessoa que realmente um dia vamos amar como esposo ou esposa. Antes, porém, devemos conhecer profundamente nossa outra parte. O que fazer?...

Amor Clássico.
Como disse antes, em civilizações que não faziam apologias a valores terrenos, poder-se-ia relacionar-se da melhor maneira possível, porque havia o sexo como complemento, não como o extravasamento de instintos.
Em tais épocas, olhava-se para cima, não para baixo. Reverenciavam-se deuses que, em mitos,  se relacionavam com mulheres terrenas, dando inicio a uma compreensão universal ao surgir um semideus. Assim era Zeus, o deus dos deuses, que se manifestava na terra, elevando as mulheres a seres que resguardavam, em sim, com maior evidência, a dualidade Matéria e Espírito.

O amor, aqui, não se banalizava, como sempre o dizem quando falam do deus Dionizio, o deus do vinho, mas também chamado de Baco, daí a palavra bacanagem, de tão mal interpretado que era. Dionísio, Baco..., o mesmo deus, sintetizava o amor mistérico, em festas secretas, nas quais romanos e gregos eram além-humanos. Hoje, filmes os mostram como percussores no amor banalizado.

Mas isso o fazemos com uma mente já impregnada do próprio coletivo, que vê com olhares terrenos, não celestes, o que há muito era ponte de conhecimento humano – o relacionamento sexual.

Década reminiscente
Não muito longe agora, podemos salientar o comportamento da década de sessenta, que, com muito orgulho, contavam senhores idosos aos netos de hoje. E têm muito o que contar, quando o objeto de desejo era apenas a presença da pessoa amada, e por de gestos simples como o toque nas mãos, um olhar, um caminhar juntos, e quando se davam as mãos em praça pública... Era melhor do que o encontro entre dois corpos.

Enfim, para alguns leitores, era a involução no comportamento; no entanto, para outros, nos coloca no chão, ainda que sejamos filhos daqueles que participaram desse resquício de grandeza. É uma realidade que temos que enfrentar. Mas, assim, podemos com ela aprender.

Aprender que não adianta amar alguém e retirar dela todos os mistérios que possam com ela perdurar. Todos os mistérios têm um lado natural, e ao passo divino, quando olhamos para um critério sagrado – o do respeito. Todo ele, quando ritual, seja no servir de um café na cama, no sorriso puro e gracioso, tem um por quê.

E aqui, agora, reivindico, não apenas aos jovens, mas também aos adultos desavisados, que passem a rever a prática sexual eventual, instintiva, a qual só se revela na produção de enzimas, adrenalinas e outras inas, entre quatro paredes, ou para reprodução, e que tornem-se crianças conscientes, sendo puras, fazendo com que seu par lacrimeje de amor antes do próprio ato. E que este esteja religado aos mais íntimos sentimentos de amor, amor real.

Enamorem-se, antes de tudo, sejam corteses nas palavras, e principalmente em suas intenções. Não sejam filhos de uma propaganda massiva, que diz podemos fazer tudo, de qualquer maneira, e pronto. Sejamos capazes de mudar esse amor relativo e transformá-lo em um processo absoluto que desencadeia outros maiores, advindos de reais sentimentos, aos quais, um dia, o homem foi capaz de oferecer a sua outra parte.
 
Observe nos olhos dela e se envolva pelo sorriso puro. Leve-a como plumas nos braços, e a deixe como uma rainha amada, levada pelo grande rei aos seus aposentos. Não perca o coração. Não se deixe iludir pelo racionalismo. Nada é corpo, nada é material. Tudo é um ato sagrado do qual você e ela se lembrarão, eternamente, de tudo, ainda que distantes. Pense nos deuses que os acompanham, na paz que deve ser cada pensamento, e se esqueça, por momentos, dos conceitos machistas, feministas, e entenda que as razões de estar ali foram em razão de uma série progressões em sua vida, as quais, somatizadas, te deram o benefício de revelar um pouco do grande mistério humano-sagrado.



Feliz dia dos Namorados.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

A Sombra e o Dragão

A sombra de nossos instintos.




Se nos lembrássemos de onde viemos e para onde vamos, teríamos mais respeito, talvez mais amor ao próximo, nessa terra de ninguém. Somos, no entanto, falhos ocidentais em procurar rever nossos conceitos acerca de origem e fim, revelando-nos frios e calculistas em meio a pessoas, esses seres que não são compostos apenas de carne e ossos, tais quais reis sem tronos.

E na consecução de nossos fins, tão infinitos e ao passo vagos, somos o que não somos, vegetais, levados a cantarolar em dias de tristeza e chorar em dias de alegria. Ainda sim, presos ao vício de tentar ser algo, no propomos em seguir regras naturais de um universo só nosso. A lei relativa que diz que somos os melhores do mundo, e que não há nada nem ninguém que nos faça volver a palavra...

E pisamos, e matamos, maltratamos, injuriamos qualquer que seja o ser humano, animal, religião, partido, mulher, homem, em nome de uma lei que criamos, e que ao mesmo tempo desfazemos sem saber, pois nos faz rever nossos conceitos, o que seria uma tremenda afronta a nossa pequena relativa lei.

E morremos ao pedir perdão; ao achar belo o sol, ou até bonito o que uma criança negra, gorda, feia, de uma família pobre, pedinte, faz em um papel, com suas canetinhas de cor, ao ponto de nos transformar em santos por isso... Somos monstros.

Revestidos de sorrisos felizes, nos quais a qualidade de cínico nos faz bem, e o peso da hipocrisia em nossa consciência, nem se fala. O mais importante, nessa lei, assim, é resolver nossos problemas, onde estivermos, juntos a quem amamos, e o que o resto – resto mesmo – se encontre no pior estado de lamuria. Pois eu estou bem...

É a sombra do preconceito se fazendo como pequenas células em nosso corpo, por meio de uma patologia ancestral, na qual morrem e vivem seres humanos-vegetais, tolhidos a selecionar apenas (e somente...) aqueles que lhes interessam para o seu círculo de amizades, irmandades, e o que resta em sua jaula, de um circo montado por eles mesmos.

Enquanto isso, morrem crianças esquecidas, jogadas de morros, em fossas, em lixos, sem direitos, apenas na obrigação de morrer, simplesmente por essas células enormes, cancerígenas, que matam mais que cem Hitleres no mundo, todos os dias.

Mal sabemos nós que nascem todos os dias idealistas, filósofos reais, cientistas reais, homens reais, aos quais se podem dar credibilidade, e mais, a nossa própria vida. A sombra desses homens, mais que tais sombras do mal, reivindicam a vida, e o amor a todos os seres, inclusive aos maus, senão a morte destes e banimento do próprio mal.

Tais homens de bem, agora, mais do que nunca, minoria em nossa visão, se encontram em espírito, no alto de nossas possibilidades, inatingíveis talvez, no entanto, em orações podemos sentir que tais pessoas podem existir em nossas almas, e permitir que andemos como vingadores armados de fé e de fogo, que jamais encontraremos nos hipócritas, amor à humanidade!

O que podemos retirar disso tudo é que o Bem, feito de elementos misteriosos, nos une, a nós e ao todo; e o próprio mal – como diria o grande faraó Sessostris III, “como lágrima de Deus” – ferramenta do homem para dissipar seus vícios, separar-nos-ia completamente de nossos ideais, o que é normal do prisma natural do universo, contudo, lutaria até o fim para saciar seus desejos em forma de dores, misérias, política humana, sistemas assassinos, terror...

Apesar de tudo, também teríamos nossa luta, nossas vozes, nossos filhos por quem lutar. Teríamos a base familiar nos dada pelos deuses como estrutura inviolável e eterna, na qual nem mesmo o mais cruel dos homens teria receio de burlar. E mais, nossos corações, tão frágeis pela impunidade presente, tornar-se-ia um dragão de sete cabeças tão maiores quanto à própria cobiça alheia.


Aqui a sombra do mal se desfaz, sem o sorriso largo de sempre.  Sem a beleza para enfeitiçar os mais ingênuos, e se revelando como animais híbridos da pior espécie, envenenando o mundo. E nós, sem claudicar em nossos atos, a destruiríamos com a espada da virtude, como todo cavalheiro de bem enterrando sua certeza no centro do grande mal.







Aos que nascem e morrem sem ideal.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Admiração e Inveja: faces de uma mesma moeda.

Está no caráter de muitos poucos homens admirar sem inveja um amigo que prosperou. 

(Ésquilo)




"planejar a infelicidade do próximo é planejar um abismo para si mesmo" Chico Xavier.





Um dia, o grande Júlio César, comandante de várias vitórias do exército romano, olhou para a estátua de Alexandre, o grande, e chorou, admirado pelo garoto, que, com dezoito anos de idade, já havia conquistado toda a Europa...

Júlio César, com sua educação clássica, em que predominava a mais alta forma de lidar com os excessos, reverenciava grandes homens, inclusive seu maior inimigo, Pitolomeu, o qual morrera por exércitos aliados a César; contudo, ao saber da morte hedionda do Grande Inimigo, pedira para enforcar os responsáveis. Era o sentimento de admiração que predominava entre os dois, nem mais, nem menos.

O mesmo ocorrera entre Alexandre, o grande, e Dario. Nas lutas, grandes inimigos, mas na maneira de lide lidar com suas tropas, os dois iniciaram um processo de admiração mútua, de modo a se respeitarem como amigos.

Assim, como na História, há a inveja e a admiração das quais se aprende a lidar com duas como faces de uma mesma moeda, a personalidade.

Um grande professor nos disse um dia, “Há um espelho entre a alma e o espírito, em nós. Na maioria das vezes, ele reflete a terra, ou melhor, sentimentos natos de uma personalidade que está voltada a tudo aquilo que vem debaixo; outras vezes, ao céu, o qual sintetiza todos sentimentos mais sublimes do ser humano...” – e tinha razão.

Entendi que, quando não somos César, Alexandre, Ramsés, Sesostris... Somos esse ser que recolhe da terra frutos que planta, colhe e ainda acha injusto. E a inveja é a semente que germina da terra a dor em grande escala – a princípio, em particular, mas – sempre a corromper uma família, um grupo e mais tarde uma sociedade. A inveja é um dos reflexos de um sentimento baixo, capital, material e desonroso.

Casos Interessantes...

Há casos interessantes relatados na própria história do Brasil. Quando a família portuguesa teve que se esconder aqui, em uma época em que todos possuíam um sentimento de inveja (ou admiração?) da refinada família.

Napoleão Bonaparte havia feito o grande Bloqueio Continental a Portugal, fazendo com que a família real saísse daquele país, e,  necessariamente, se deslocasse do porto e viesse parar no Brasil-Colônia. Aqui, mais que colonizados, éramos fãs dos modos lusitanos, e principalmente da família Real...

No meio do caminho, como já é relatado por grandes historiadores, houve um “enxame” de piolhos (!), fazendo com que a maioria dos tripulantes do navio raspasse o cabelo. E chegando ao Brasil com aquela moda, vários fizeram o mesmo, num ato exagerado de admiração (ou inveja?)!


A Admiração

A admiração de Júlio César (no inicio do texto) reflete, por assim dizer, a real admiração, pois singulariza o que podemos ser apenas com o que temos, sem ter que correr, trapacear, e nos virar do avesso,  com o objetivo de obter o que, no fundo, não teremos nunca. Pois, quando se quer algo que não é do nosso meio, e fruto de alguém que plantou e colheu para tanto; é tentar ser (ou ter daq) aquele alguém , é trabalhar com uma personalidade voltada ao que ela não é, ou o que não somos.

Contudo... Conseguindo o objeto alheio (ou ser o que não é), fala-se, anda-se, veste-se e se tem tudo aquilo que um dia objetivou do próximo, esquecendo-se de refletir o que realmente era seu – ou o que se pode ser.

Júlio César chorou pelos dias que vivera até ali e não conseguira conquistar o bastante para chegar a ser um Alexandre. Aqui, ele assemelha o garoto prodígio a um deus. E dos deuses não se tem inveja, e sim no mínimo adoração. E sua admiração era a mesma de um fiel ao seu deus...

A admiração de um homem, mais uma vez, vai espelhar as qualidades mais sublimes do ser, advinda de um ponto inegoísta, virtuoso, moral, ético, e que dará mais forças ao individuo para idealizar (não objetivar) as obras materiais ou imateriais. Normalmente, um individuo que admira o outro traz para si singularidades humanas, não animais – inveja, cobiça... – realizando, como aquele a quem admira, seus projetos, e perseguindo seus próprios ideais, caminhando em seus próprios caminhos.

A Inveja

Na calada da noite, no entanto, nos debruçamos de raiva por não ter tudo, e o vizinho sim. E quando o dia se aproxima, juramos que a sua grama é a mais bela, que seu carro é o mais bonito, sua esposa... E não se observa o centro de nossas consecuções, de nossas batalhas pessoais com finalidades ao que deveras nos foram dadas pelos deuses – por Deus.

O vizinho, em sua justiça, percorreu e percorre um grande caminho, assim como nós, com finalidades gêmeas – família, contas, trabalho, filhos, escola... – as quais são trabalhadas de maneira diferente, às vezes de maneira virtuosa, honesta, outras não (!), mas que, de algum modo, as trabalhamos e as temos algum dia. As ferramentas sempre serão iguais, mas a maneira de usá-las será sempre diferente, sem falar na diferença de espaço e tempo – modo, meio, conduta...

Enfim, é um erro diametral querer entender o porquê que temos e não temos, e tentar encaixar na vida do próximo  tudo isso como se fôssemos nós do outro lado da cerca.


A inveja vem da terra, e a admiração, do céu.

terça-feira, 4 de junho de 2013

Maya e a Falsa Realidade


"Nada existe, o que vemos são apenas ilusões erguidas"(1)





Os antigos hindus sabiam das coisas (e ainda sabem!). Com uma visão além-objeto, sabiam que a realidade nossa de cada dia tinha algo de errado. Não poderia ser esse devaneio todo no qual acreditamos ser... Real.  Claro que ainda somos meio que ignorantes quando nos referimos aos sábios antigos, e principalmente da Índia, na qual figura milhares de deuses e milhões de religiões atualmente; mas não vamos fazer alusão a atual Índia, e sim, em específico, àquela que nos trouxe Maya, a deusa da Ilusão.

Dela, dessa antiga Índia, como chamam alguns autores de Ariavarta, de onde possivelmente vem o termo “ariano”, de povo sábio, conhecedor, do qual a maioria dos deuses tinha realmente fundamento – não que perderam completamente o sentido, mas se observarmos bem, há vacas enormes em meio a esquinas nas quais a fome e a miséria tomam conta... E isso, com certeza, não é sinal de espiritualidade – a não ser que a relativizaram tanto, que nivelaram por baixo seu conceito...

Na Ariavarta, deuses e homens se entrelaçavam; faziam a terra harmonizar-se com o céu, de modo que todos eles, homens e mulheres, e deuses vivessem em paz (ou em guerra quando preciso, mas...) procurando estabelecer regras universais, não conformistas, em comportamentos em grupos, em sociedade...

Nesse meio, a maior das deusas era Maya (ou Shakti, primeiro nome de antes)– que ainda prenomina nos dias de hoje – a qual era objeto de adoração e possuía, como a Maât, egípcia, o poder de sincronização, era além de tudo os mistérios da Ilusão.

Nela, e a partir dela, o homem subjugava-se como mero ser que participava de um todo e ao passo igualava-se ao átomo invisível, o qual guardava, em sua essência, assim como nós, o mistérios do Real. Mas sabia que ele mesmo era uma ilusão, não sua essência.

As aparências nada mais eram que a presença de Maya aos olhos do homem. Aparências essas que confundem o homem o transformando em escravo até mesmo de seu próprio corpo, de sua personalidade, e, quando sua própria alma cai, também se vai enganada pela parte de Maya que mais obscurece os sentidos...

Aos olhos da Deusa, não há tempo ou espaço, tudo é Um. O ontem é agora, o futuro também. A idade do homem não existe, a do universo é de uma criança que acorda e obedece a sua mãe. Cometas são apenas pequenos riscos quase invisíveis riscando o minúsculo espaço, e este, como um ponto obscuro dentro de uma concha, cheia de pérolas negras, na qual se encontra estático, dentro de outros espaços, formando um cosmos, mais estático ainda.

Maya e ilusão são sinônimos, mas também nos confundem pela dualidade em representar o Absoluto, como realidade, e a parte objetiva como irreal. Aqui, nos transformamos em pequenos seres que não conseguem entender a parte completa de um mistério maior que a própria Maya.






Por isso, aqui fico.



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(1)... Na sexta série, quando me perguntaram como eu via o mundo...

segunda-feira, 3 de junho de 2013

A Dívida com Prometheu: o que ficou.






Em cada ato, voltado ao mistério, Prometeu está;





... Não podemos nos esquecer de Prometheu; suas centelhas efervescentes em nossos corações nos transformam em vulcões em busca de uma verdade latente; seja ela relativa ou absoluta – não importa – realçando o que somos, dentro de um universo  em que precisamos saber principalmente de onde viemos e para onde vamos.

Sob as asas da dúvida, questionamentos nos vêm e nos revelam poderes, portas, caminhos, mistérios. Contudo, nem tudo pode-se ter, como portas a abrir, caminhos a trilhar, mistérios a desvendar, mas sabemos, no entanto, que somos humanos, e já nos é o bastante para galgar o que um dia os deuses nos deram para subir.

Alguns nascem com seus dons, outros, com menos, nascem com parcas ferramentas, desatam seus nós, e em outras chances, revelam-se sábios em seu tempo. E assim, se vão nossas remanescentes forças, que foram nos dadas em épocas de Prometheu, o deus que roubara dos deuses a chama da vida, e fora castigado por isso...

Claro que somos pequenos em compreender o que os maiores sacerdotes nos deram de presente para decifrar esse mito, mas o certo é que esse sopro de vida, tão frágil e precioso, é o maior tesouro que um deus pudera dar ao seu humano.

Muitos, entretanto, respiram, andam, conseguem suas profissões nobres, e se vão na velhice sem entender o porquê da vida. Tão difícil se torna, assim, essa centelha de ser compreendida, tornando-se mais evidente a natureza humana com relação ao que lhe foi dado.

Criança

Quando criança, questiona-se o porquê de tudo. Aqui um pequeno diálogo entre mim e meu filho de quatro anos...

Ao pegar um desses carrinhos de metal da hot wells, cheio de parafusos pequenos, fechando partes, como a de cima e a de baixo, rodas, volantes, poltronas, ele, filhão, com a idade de um pequeno humano que se impressiona com o concreto, pergunta-me:

- pai, que isso? – apontando para debaixo carro.

- são parafusos,

- pra quê, pai?

- para segurar as duas partes, a de cima e a de baixo...

- por que, pai?

- por que podem sair, se não estiverem seguras.

- por quê?!

- porque que podem sair, e o carro se abrir, e perder as peças.

- por quê?

E por ai vai...

Assim, para ressarcir suas reais e simples dúvidas, ele questiona, sem medo, acerca de uma pequena peça, e ao passo que consegue elementos para a primeira pergunta (respostas), não para e consegue, em pouco tempo, descobrir mais mistérios de seu pequeno universo.

Por quê?

Porque somos assim, seres que não cessam de procurar o que nos incomoda,  graças a nossas almas. E como crianças nos revelamos, às vezes, com mais de quarenta, cinquenta, sessenta e mesmo, bem velhinhos, em nosso último respirar, muitas coisas nos são reveladas, e outras, como diriam os mestres, nos serão reveladas com o Tempo, pois nossos questionamentos não foram todos respondidos...

Por essas e outras que os maiores sábios nos fizeram histórias nas quais somos protagonistas. Ou mesmo contos nos quais há príncipes e princesas, com papeis simbólicos, e dentro deles alma, coração e mente são fontes que sintetizam o que somos.

Por quê?

Porque haverá um dia que vamos esquecer que somos humanos e buscaremos apenas o que é de deleite apenas no mundo animal, vegetal e mineral. Porque um dia perderemos a singularidade de ir atrás daquilo que nos é inerente, através das orações, dos nossos caminhos, perdendo até mesmo o amor pela manhã de sol, que nos espera tão bela, do outro lado da areia.

A Parte que nos Falta

"É ótimo ter dúvidas, mas é muito melhor respondê-las"  A sensação é de que todos te deixaram. Não há mais ninguém ao seu lado....