quinta-feira, 4 de julho de 2013

A Vocação como Ponte


"Um coração que nasce para ser livre nunca se deixa escravizar. E, mesmo quando perder a liberdade, ainda conserva o orgulho e ri do Universo"




Mozart.  Vocação e iniciação.




... Mas o mestre filósofo, iniciado nos grandes mistérios sagrados, possui chaves para racionalizar o que pensar.  O que significa isso? Saber expor de maneira simplista o mais complexo de uma experiência, contudo, o faz de maneira simplista com agravantes simbólicos, ou seja, sem que percebamos que a estrutura, a que se refere, possui pontos profundos, que somente aos iniciados podem ser revelados.

Blavatsky*, uma teosofista que passou a dominar tais estruturas, dizia que Nows era a parte interna do homem, aquela para qual devíamos nos refugiar (falta de uma palavra melhor...), pois o que estaria na base humana eram bases personalisticas, como o físico, o astral, os desejos, instintos, até mesmo a parte psicológica, se não levada ao cume de nossas consciências, seria parte da base.

No entanto, se tais atributos no homem fossem levados ao Nows – Deus no homem – seriam como ferramentas trabalhando em prol da elevação humana, desde o físico à moral. Para isso, no entanto, argumentos apenas não seriam louváveis para a consecução do ideal, mas a prática, e para isso – dizia ela – em Ocultismo Prático - “mata o pensamento”. Pois sabia que o homem atual deixava-se levar pelo racional e este refletindo a parte “debaixo”, por assim dizer, jamais veria a parte de cima.

O certo, assim, seria trabalhar, agora, em prol de uma sacralidade interna, com ferramentas que os próprios deuses lhe deram na personalidade, no físico, alimentando a alma diariamente com forças que a própria natureza nos dá, antes mesmo de nascermos. A vocação, antes de tudo, segundo os mestres, seria uma delas...


Mozart

E trabalhar uma vocação, ainda que esta não esteja de acordo com uma sociedade, ou que muitos já a estejam dessacralizando, é difícil. Até mesmo Mozart, o grande compositor, embora estivesse em uma época na qual muitos compositores estivessem se formando, outros cujo estrelato o influenciou, tivera que se sobressair ministrado por um pai exigente.

Mozart, prodígio, com suas sonatas mais pródigas ainda, fora descoberto pelo genitor aos seis anos de idade, quando ainda fazia suas necessidades fisiológicas na cama e brincava de cavalinho na sala. Seu pai, também compositor, viu que o filho nascera para a música quando lhe dera o primeiro papel. Pois nele salientava notas como o “Chico Xavier mirim”, o que o assombrou.

Feliz da vida, começou, juntamente com sua filha, que também possuía certo dom para a música, não gênia como o irmão, mas eloquente no piano, saíram para a Europa a demonstrar o que o mundo já ouvia em Hardyn, Christian Bach, porém não em um menino com idade tão ingênua.

Mozart via aquilo como uma grande brincadeira, porém, não muito, pois seu pai Leopoldo Mozart o pedia para compor e compor ao ponto de chegar ao extremo de seus limites – coisa que não acreditava o pai, “ele não tinha limites para a música” --  e assim, foi ficando adolescente, em busca de um emprego de músico nas cortes.

Em suas caminhadas, descobrira um grande homem, que mais tarde poderia vir a ser seu mestre, aquele que faria com que toda sua obra fosse voltada para o sagrado, pois acreditava que o menino prodígio fosse o Grande Mago, ou seja, aquele que, com sua obra, diminuiria o materialismo do mundo, ou que pelo menos fizesse com que a consciência em relação a nós mesmos mudasse.

Thamos, seu mestre, que, segundo autor Cristian Jaq, seria um dos últimos maçons a seguir a risca a filosofia da entidade, encontrava-se com ele às escusas, sempre o podando, levando Mozart a criar obras inesquecíveis, ao passo que, à época, não eram muito compreensíveis, pois eram como enigmas ao ouvido, mas revelavam mistérios da alma humana. Mozart não sabia, mas estava se iniciando, indiretamente, nos mistérios sagrados.


A própria iniciação de Mozart, podemos dizer, foi uma revolução na música clássica, a qual, desde 1756, em diante, não se pudera ver ou ouvir coisa igual. E não menos do que isso. Quem a ouve, hoje, sente um pouco de luz refletir na alma, ao ponto de ser você mesmo. E esse é o ideal da música, da real música. A revolução de Mozart gerou outras revoluções.





Volto com mais vocações.



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*Helena Petrovina Blavatsky

terça-feira, 2 de julho de 2013

Revolução... O legado de cada um.


A primeira e melhor vitória é conquistar a si mesmo. (Platão)




Quando acordamos, pensamos muitas vezes em voltar para a cama e não levantar mais. Certos pensamentos nos fazem retroagir, e a escutar a parte de nossa personalidade que colheu no dia anterior apenas destroços. Levantar, pedir aos deuses proteção, assim como em uma guerra. É o dia a dia de muitos que se sentem oprimidos pelos próprios seres humanos, que em volta, todos os dias, estão. Só esquecemos uma coisa... Também somos seres humanos.

E quando tal pensamento se ajusta em nossos mundos de modo a nos revelar homens que não tem medo do levantar, do sorrir, apesar dos pesares; de sufocar pensamentos frios e débeis, de imagens de seres vis que nos rodeiam; de buscar, pesquisar e entender que somos parte desse mundo tal qual aquele se subjuga melhor que outro, aí temos uma micro revolução.

Objetivos

É notório de cada um ir atrás de seus objetivos e por eles fazer algo – e disso posse dizer-lhes de camarote – cria-se uma energia, um núcleo natural de potencialidade interna, ultrapassando até mesmo certas dores que se acumulam no intestino. Mas quando esta passa a ser no coração, filtro maior dos homens de bem, não tem como não sentir a necessidade de realizar algo maior que nossos objetivos.

Ao se realizar o objetivo, ou quando o alcança, vem o um vazio a ser preenchido pelo glorioso sentimento de paz. Uma paz, no entanto, que se esfria com o tempo, pois não se pode dizer que tudo que queríamos está ali, diante de nós, ainda que seja  um castelo. Nossas mentes, corpos, astral, alma, tudo se revela inquieto como se fossem crianças loucas a brincar em parques num domingo.

Por isso, quando se diz que morremos querendo realizar o irrealizável é verdade. Não conseguimos deter-nos, e a esperança de nos modificar vai por água abaixo. Tudo deve ter um aprendizado, nas mínimas coisas, caso contrário, estaremos nos detendo apenas no superficial e dele retirando apenas alegrias passageiras, as quais não queremos – e sim a felicidade real, regada a sabedoria, amor, beleza e verdade.

O silêncio de uma revolução


Partir do individuo, sempre. Um filósofo um dia nos disse “Se o pai de família vai bem, a família vai bem; se a família vai bem, a sociedade também vai bem; e se a sociedade vai bem, o país vai bem...” – tudo, pressupõe-se, parte do homem. Assim começamos a reverberar acerca de nós mesmos, como grandes interrogações ambulantes, e nos deixamos levar pelas abjeções do mundo, como copos loucos por vinhos, a encontrar somente água suja em forma de músicas, artes, culturas em geral, baseadas em personalidades que nascem e crescem em nome de si mesmas.
  
Mas isso sempre houve, e sempre haverá, o que precisamos é entender que o processo de revolução material é feito pela quantidade de pessoas dispostas em dominar um território, um país, um mundo, e mais tarde não saberemos o tamanho do monstro; por outro lado, temos a revolução silenciosa, a qual, fora dos critérios de massa, ao passo necessário a ela, que equivale a traçar planos coletivos, baseados em premissas individuais.
O Individuo
Quando me refiro a indivíduos, trato não apenas da pessoa, mas ao que a tradição trata internamente cada um de nós. Individuo, antes de tudo, é aquele que não se pode dividir, indivisível. Algo que subjaz nossa compreensão.

Quando Platão nos ensina, em sua República, acerca do comportamento do individuo, refere-se ao que mais internamente possuímos, não externamente. Quando nos remete aos guardiões, a mesma coisa. Homens filósofos, incorrompíveis, fortes, os quais detêm todas as formas de violência mundana.

Para quem estuda o mestre filósofo, sabe que seu racionalismo fez com que reis tentassem erguer repúblicas tais qual a dele, porém, em razão de trabalhar o homem, de fazê-lo erguer-se contra as lhanuras dos sistemas, foram barrados pelos interesses da época.

MAS, ainda que houvesse essa possibilidade, Platão teria que revelar segredos na prática, pois o que se resguarda em seu livro, por meio de mitos, é irrealizável. Por isso, melhor seria, assim como em outros livros clássicos, como os de Plutarco, levar para si, buscando mudar, por meio de ferramentas naturais,  o que não se pode mudar em sistemas – a não ser que este seja celeste.

Mundo das Ideias

Dai a ideia do Mundo das Ideias Platônico, do qual podemos externar o que não compreendemos, mas nos sentir um pouco vaidosos por tentar. Nele, a perfeição, a mais justa, como diria um grande professor, um circulo mais que perfeito teria falhas no Mundo das Ideias.

Dentro dele, segundo Platão, o homem seria apenas sombras com a necessidade de ser concreto. Contudo, o seu individuo, a que tanto cita em sua república, estaria nesse mundo, pois seria o invisível perfeito, ao contrário do visível imperfeito – falava da personalidade, dos desejos, das vontades relativas, do profano advindo do mais baixo de seu ser. Não seria uma tese, um projeto, um fim...

Mas o que os hindus chamariam de Krishina, o que os cristãos chamam de Cristo, o que os budistas chama de Buda. E Platão chama de Nows no homem.





Daqui a pouco, mais revoluções.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

A Sombra de Um Legado.

... “caminhamos a vida inteira para o lugar de onde partimos, e quando chegamos, é como se nunca tivéssemos dele saído”. Rubem Alves, escritor e educador.




Antes de tudo, a Humanidade.





Se partimos do principio que temos que iniciar uma revolução, que ela seja agora, em nome dos valores que temos em mente, e que os queremos praticados, antes de tudo, por nós, sem incoerência, hipocrisia, e com muita satisfação, como se fôssemos vencedores gloriosos de uma grande competição, a qual nos exigiu esforço, mas que, dentro deste, um sorriso característico de alguém que ama a si mesmo e à própria humanidade.

Se partimos desse grande principio, sejamos fortes, sejamos leves, sejamos homens, e mais, guerreiros em tempo real, na batalha diária pela simplicidade interna, dentro da qual – ainda que seja aparente, ao passo concreta,-- encontremos um pouco daqueles mestres que nos trouxeram a vida, a revolução – a real, em que não somos apenas peças de uma nação nas mãos dos chamados políticos ou educadores modernos, e que sem os quais não somos nada... Somos tudo.

Somos o pico da montanha, somos a guerra, o conflito, a batalha, a paz, os mitos, as lendas, a mansidão, a dor, a borboleta, o tigre, o dragão e seu poder; somos o limbo, o céu e o inferno, e muito do que ainda podemos ter e ser.

Contudo, esse trabalho de r-evolução será como a passos de formiga. Para alguns, rápido demais; para outros, não nos mexeremos – até mesmo de acordo com o nosso ponto de vista, perceberemos que há passos e passos, pois consideramos, como sempre, o imediatismo e seu ônus, de modo a desconhecer a natureza da qualidade de nossas modificações internas, involuntárias até, contudo cheias de ideais, não porque sim, ou porque não.

Serão regadas de sacralismo – de céus e infernos (de Dante ou não), de individualismos, racionais ou não; mas dentro de uma universalidade jamais vista: a dos mestres da Tradição.

O chamado

Não se aprende a entender a natureza de um dia para o outro, ainda que nos apaixonamos por ela. Mas é inerente ao ser humano amar o que se acha belo, agradável, confortável, vívido. É a têmpera latente que nos ensina a ser sagrados e profanos, ao ponto de não sairmos da dualidade eterna a que os hindus chamam de “Bagava Gîta”...  ao que os cristão chamam de “Céu e Infernos”.

Não se aprende a amar de uma hora para outra, e, depois, deixando de amar, simplesmente pelo fato de não mais acreditar que aquilo não fazia parte de um interesse personalistico. Amar, como diria o grande escritor Kalil Gibran, é estar dentro do amor, não esperando que o amor esteja dentro de nós. Ou como diriam literalmente os especialistas em Biblia, é ter Jesus no coração.
  
Tê-lo em nosso coração, já traduzindo filosoficamente, é ser Cristo um tanto quando em nossas possibilidades, e entender que seu amor não era pessoal e sim universal, sagrado, indiscriminado, sem preconceitos, ajustando-se a todos, não apenas aos humanos, mas a uma ordem natural da qual não temos visão, apenas opinião. Por isso, muitas incoerências em segui-lo...

Não se segue o Amor. Estamos nele. Nosso egoísmo fere todas as possibilidades de compreendê-lo e assim “amar o próximo como a si mesmo”.

Então...
Como disse, não se pode trazer à tona valores que ainda não temos a simplicidade em reconhecer, pois, a cada geração, uma tsunami de ideias controvertidas às tradicionais é lançada no meio de círculos de intelectuais, para que a própria cultura seja corrompida.

Mas, como em filmes de finais felizes, acreditamos, aqui e agora, que temos um legado para com nosso futuro, e para com o futuro de uma humanidade que corre perigo de vegetar com ternos de linhos, porém sem espiritualidade alguma, e por isso, e por outras, acreditamos no pouco que temos, ou seja, nos reais conceitos, nos reais modificadores de estruturas, dos filhos da verdade, dos conhecedores natos e amigos da sabedoria, pois eles são os mais confiáveis, ainda que sob protestos de anarquistas, modernistas, capitalistas, materialistas, e outros istas, para os quais não se pode falar nem mesmo em Deus.


Vamos falar sim!





A Revolução está apenas começando.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Revoluções: À Sombra dos Grandes Homens

Platão aponta para o céu, Aristóteles para a terra. Escolha o caminho.




Na tradição, encontro eu mesmo, revestido de homens que vivenciaram a letargia de sistemas, e sentiram na pele a necessidade de engrandecer, elevar a patamares morais, o próprio homem, que, mesmo cego ante os desastres que criou, pedia aos deuses que lhe dessem a primazia da proteção – uma hipocrisia, que fora retratada muito tempo depois em nosso tempo.

Assim, os tempos se passaram, a estrutura física, moral, ética do homem virou relatividades – conversa de barzinho – das quais nasceram frivolidades em forma de leis. E homens a obedecê-las. Era a desconexão com o passado, com o sagrado, com Deus, e, por consequência, consigo mesmo. Ficando para novos ciclos a tomada de atitudes em relação ao que é realmente valoroso...


Do que falo? – revolução.


Um dia, em uma palestra, de um filósofo chileno de nome Jorge A. Livrarga, em vídeo, fiquei estático com uma realidade simples a que estávamos passando. Ele falava de coisas simples, objetivando o profundo do ser humano, como o papel da mesa, da cadeira; falava da harmonia e beleza entre coisas diferentes. Falava do universo a que estamos tão acostumados a viver, mas não presenciar.

Enfim, ainda que não fosse possível entender todo seu sotaque rápido-latino, percebi que havia entendido o bastante. O resto não importava. Mesmo assim, vibrava quando podia! Era a informação adentrando em meu cérebro, tomando conta de meu racional, adentrando em meus sentidos, e sutilmente tocando a crista de minha alma. Era música para ela.

“Precisamos , disse ele, de voltar às nossas origens! De entender o papel humano, aqui e agora, senão a decadência nos banirá. Precisamos entender nosso papel, assim como uma mesa que serve para colocar coisas, assim como uma cadeira para se sentar” completou. “entender que a beleza não está longe de nós, pois é em elementos diferentes que a encontramos; em elementos simples, como esse forro – tocando no pano da mesa – e unido a essa jarra, a esses copos, podemos dizer que mesa, cadeira, copo e jarra fazem uma harmonia, por isso temos a beleza”, sublinhou. falou um pouco sobre Justiça. Se todos os objetos, naquela mesa, estivessem fazendo o seu papel de acordo com sua natureza, estariam sendo justos em relação ao que são. Isso me tocou, pois me perguntei se eu estaria de acordo com minha natureza...

...Olhei para mim, e pude ver um pouco dessa grandeza. Mas percebi que o simples não é tão fácil de ser percebido, pois somos passivos de sermos complexos, imediatistas, racionalistas, no sentido mais baixo possível, mas nunca simplistas, de modo a perceber que mesa, cadeira e copos formam elementos naturais de harmonia e beleza – claro, tudo isso como metáforas – e ainda, tinha que refletir mais, não só sobre mim e a meus atos, mas também sobre o próprio homem moderno, que, como foi dito, está se distanciando de suas origens.

Depois de muito tempo mesmo, percebi que o grande filósofo tinha bebido na água dos grandes mestres da humanidade – Platão, Sócrates, Pitágoras, Cristo, Zoroastro, Pré-socráticos, etc – e trazido a fumaça do conhecimento aos parcos seres que ali se sentiam mais parcos ainda, pois, tenho a certeza, foi um baque para todos...

Ele, um mestre, que já tinha milhares de discípulos, estava ali graças a sua praticidade naquilo que expunha a todos. Ou seja, não era mais um falacioso ser que lera duzentos e um livros e dizia-se (se é que disse alguma vez...) filósofo. Não, não era. Sua honradez, elucidada em suas palavras, deixava claro que não tínhamos um crente, católico, frei, monge, mas um homem especial, dizendo que não havia mais tempo a perder, e, mais do que nunca, partir para a humanização do homem. Já!

E dentro desse critério, desse referencial, digo mais uma vez, temos que nos pautar. Seja onde estivermos -, em casa, no trabalho, no amor, nas escolhas, no buscar material ou não. Enfim, dar um basta sem dar um basta radical, sem ser xiita, desumano, senão estaremos fazendo parte do mesmo mundo, tentando não ser dele.






Volto com mais revoluções.

Revoluções: Referenciais, Arcaísmo e Tradição.




Partir de referenciais fortes, sempre.





Partindo do principio que precisamos, urgentemente, de referenciais em tudo que tocamos, opinamos, escolhemos, participamos, escutamos... Nada melhor do que encontrar um referencial natural ao que queremos expor. Acerca das revoluções, principalmente. E tenho a certeza de que todos, sem exceção, buscam e se revelam um pouco buscadores de suas verdades no que fazem...

Como disse anteriormente, os movimentos – maçônico, teosófico, escola de “templários”, de filosofia, entre outros...  Ao contrário dos movimentos reais, ou Escolas Iniciáticas, nas quais o simbolismo sagrado era pregado a sete chaves, ou seja, sem intervenções de terceiros ou quartos, hoje, funcionam mais como uma tentativa heroica de reaver nossos valores os quais, há muito, se foram e se desvirtuam com a força da modernidade estanque.

Tais movimentos, ainda que heroicos, possuem referenciais arcaicos, não tradicionais. E usando a beleza dos clássicos, tentam trazer à tona, com seus olhares e consciência, o que não conseguem: a verdade que se esconde. E se se esconde, nunca vão encontra-la, mesmo que tenham a melhor das intenções. “Nada está acima da Verdade”, como nos disse HPB.

Como eu disse, precisamos de referenciais, e eu parto da Tradição, não do arcaísmo. Aqui, antes de partimos para a essência de nossa defesa em prol de uma revolução interna, cabe uma pequena explicação, dessas breves apenas pelo direito de entender como ainda não entendemos nada!..
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Arcaísmo

... É tudo que vive no passado, não no presente, e muito menos no futuro. Para os grandes jovens de hoje que se manifestam em prol de um país melhor, a partir de um governo leniente e burocrático, é fácil entender o que significa arcaísmo. Quando se olha para uma escola abandonada, apenas à mercê de pais, alunos e “amigos” da escola com objetivos de mudar seu mundo, não de um governo que teria, por assim dizer, a obrigação, como em todo país civilizado, pelo contrário, deixa-se a ideia arcaica de que somos responsáveis pelo bem estar de uma educação decadente, menos ele. Estou me referindo apenas a uma fagulha do quesito politica, do qual ainda somos passivos de aceitação desde eras remotas, arcaicas.

Na própria religião, que se adequa e se iguala à Idade Média, podemos dizer que o arcaísmo é o se calar diante de questões relevantes que a própria Igreja, com certeza, nos deixa abismados, e que, após maduros, aceitamos e ficamos passivos ao que ela nos apronta. Isso não apenas na Católica, que se esvai com padres pedófilos, papas cumplices, etc, mas principalmente na Evangélica, que se aproxima mais das pessoas tentando revelar mistérios da alma sem saber o que significa; do arcaísmo, ainda penso nos pastores que erguem, desde tempos idos, templos em nome de seu Deus, o qual o abençoa por ter uma megamansão, alimentada pelos dízimos dos fiéis.

Do arcaísmo da família, que acredita, piamente, que existe apenas um salvador (de que?), e que este é o detentor de almas que não se queimarão nos infernos, do lúcifer, que caiu do céu, expulso do paraíso pelo Deus, que reina no céu, e que se esqueceu de um mundo que ele mesmo criou.

Poderia passar o dia todo falando de arcaísmos em que acreditamos, levamos para o túmulo e que gerações que nos sucederam estarão no mesmo navio, sem capitão.

Tradição

O arcaísmo, embora não tenha passado nem futuro, e, apesar de tudo, vira quase uma norma em nosso tempo, ainda sim, é arcaísmo, pois se baseia em distorções que um dia não eram distorções, e sim uma lei, uma reta conveniente, que seguíamos, mas que, graças àqueles homens que se dedicam ao mal, virou uma verdade advinda de várias mentiras.

A tradição, pelo contrário, é a verdade. Nela, como nos braços de uma mãe, o homem vivia. Na tradição, como uma brisa doce na manhã de domingo, ou como uma rajada de glória no coração humano, vivíamos. Nela, a Verdade, o Amor, a Beleza, como capitães de um grande navio traçam caminhos rumo a céu conhecido apenas pelos grandes sábios, que um dia entre nós viviam.

Falo da real humanidade. Falo do homem. Falo de todos os seres que se inclinam a fazer atos voluntários em nome da Paz, e que vivem em nome do sagrado e que o profano nada mais é que uma necessidade humana de crescimento interno. Não falo de modas, nem mesmo de rituais, mas de um sentimento nosso, que beira à divindade.

E o sábio, antes de ser sábio, já era um sábio, pois buscara a tradição na ponta do pensamento, o qual racionaliza em função da humanidade, e que, com os ciclos, encarnou no corpo humano com ideais (não objetivos!) de elevação da alma, de espírito.


A tradição é o nosso tesouro esquecido, e para que possamos falar em revolução devemos encará-la, de modo a ficar face a face conosco mesmos.






Tem mais revolução daqui a pouco.


quinta-feira, 27 de junho de 2013

Vândalo de Mim

Sou vândalo de mim, de seu corpo,
Que morre na pedra aguda,
Pontiaguda, da agulha vadia,
Na esquina suntuosa da morte.

Sem sorte, sem lágrima, sem dor,
Num abismo fatal da lamúria
Que na fúria se quebra,
Que nas curas desvai.

Como dói.
Dói um amor bandido sem amigo,
Secreto nas ondas que algemam pedras,
Nas Pedras que alimentam calma,
Em minha pobre e mítica alma.

A dor me clama.
Sua ausência, forte quanto meu pranto,
Desfaz o encanto, que há tanto,
Em meu desejo escuro,
Tornou-se puro com seu canto.

Desfiz a vida em rios
E dela, o que não tinha,
Roubei teu amor hipócrita,
Arrombei tua porta.

Fui ao topo de sua torre,
Beijei-lhes os pés,
Amei tuas curvas,
E uivei como crias de lobo.

Fui seu lodo, sua lama,
Foste minha dama,
Minha cama, paz em guerras,
Retirou-me a terra...

Exterminei-me em sentidos,
Fiz de mim um inimigo,
Sem abrigo, sem caminho...
Pássaro sem ninho.



Adeus.

Revoluções: a Brisa do Conhecer a Si Mesmo.


A História é o espelho do que somos.





Há milhares de anos, passamos pela história tentando lidar com a perfeição, ainda que muitos ditadores, tiranos, déspotas tenham realizado façanhas que nos deixaram assombrados, pelo fato de levarem consigo a frialdade nas veias, exterminando todas as possibilidades de uma sociedade melhor. A perfeição, assim, como solstício – quando o sol fica um pouco mais distante da terra – observa-nos do céu e sorri.

Contudo, na História, os ciclos históricos não escondem a beleza dos grandes homens, que se iniciaram e procuraram pelos mistérios que nos está latente, e que, com o passar dos séculos, ficou mais ainda, devido à distância que nos fez sofrer o modernismo, capitalismo – meio que responsáveis pelo sol que se foi e que nos era de direito.

Mas não vivíamos sempre de capitalismos ou qualquer ismos há séculos, e isso nos proporcionou uma razão voltada para o céu, ou seja, para o sagrado. Prova maior disso são os grandes que nasceram quase que a granel na Grécia Antiga, como Anaxágoras, Anaxímenes, Tales, Aristóteles, Sócrates, Platão, Cristo, em Jerusalém, entre outros, que, bebendo do licor da sabedoria, transformaram o mundo Ocidental. Outros, no Oriente, como Buda, Confúcio, Lao Tsé, etc, revelaram-se mais eficientes, pois, até então, percebe-se em países como no Japão uma brisa de comportamento prático ao que a tradição dos grandes deixou.

Se não fosse por essas brisas, acredito, o mundo não seria o mesmo. Seriamos cegos, tortos, sem caminhos, falhos no pensar, e não tínhamos rumos, ou mesmo a própria história não o teria, o que seria mais grave ainda. Mas o homem, por ser homem, e nele, por adormecer a divindade, sofre de um mal necessário, o de ser o que acredita ser, não o que realmente é.

E todos os filósofos por encontrarem nessa tônica a mudança para um mundo melhor, entraram em conflito algumas vezes com reis que sem julgavam a própria entidade, ou seja, o próprio Deus encarnado – o que, com certeza, é uma mania, inclusive, de alguns políticos... – mas isso, com certeza, não fez com que a busca cessasse. Ao contrário.

Depois disso, por uma grande necessidade, houve as escolas de iniciação, que preservaram o cunho simbólico de uma época na qual vários de seus integrantes, ainda que houvesse perseguições, foram obrigados a se fecharem, mas com um objetivo, preservar o sagrado dos homens profanos.

Em “O Segredo de Tutancâmon” , de Cristian Jack, por exemplo, ao falar de um Egito moderno já tomado pelo árabe e mulçumano, conta a história de um advogado famoso, que recebe a carta de um monge que, ainda que fizesse curas em nome de Jesus, tinha um porão no qual havia relíquias egípcias, guardadas a sete chaves, as quais serviam de reverência e devoção. O monge nada mais era que um sacerdote velado, iniciado nos grandes mistérios sagrados do Antigo Egito, filho dos ancestrais que um dia governaram aquele país.

Mas o passado bate à nossa porta, todos os dias, não apenas quando olhamos a Efigie, as pirâmides, ou os monumentos romanos, gregos, persas, quando vamos ao Oriente Médio, ou mesmo quando visitamos o Peru, México... Não precisamos sair de casa e perceber que tudo isso é uma forma natural e ao passo simbólica de o homem dizer que temos um legado a obedecer, e uma direção a tomar – nós mesmos.



A brisa do Conhecer a Si mesmo



As revoluções históricas, como foi dito em textos anteriores, não citam pensadores tradicionais, os quais margearam e margeiam toda uma civilização. Isso não interessa aos revolucionários, que, partidários de ideologias (não de ideais!), exterminam qualquer possibilidade de crescimento interno, seja do país ou mesmo do próprio homem...

É a vez, então, de abrir mão da grande revolução e dizer, somos ignorantes, e queremos entender o conhecer a si mesmo. Poderia, mas nunca, jamais isso será dito, mesmo porque não interessa, pela cultura que sobrevoa o homem, de abrir mão de seus valores, como se fosse da sua própria vida.

Assim, no entanto, sobrevivem algumas escolas de cunho clássico, que se subjugam melhores que as tradicionais e revelam-se buscadoras, sem sentido, de um homem melhor. Batem com o rosto na porta, caem em abismos, e sofrem com a perda de fieis... Refiro-me às Maçonarias, que, após um passado glorioso, em que se baseavam no simbolismo profundo das grandes tradições, principalmente do Egito Antigo, hoje, fazem propagandas, marketing, chamados, e são tão sutis em seus códigos quanto elefantes em direção a uma loja de amendoins...

Refiro-me também aos movimentos “Templários”, que, hoje, pela internet, ao se apropriar do saber antigo, pelo menos é o que pensam, destinam seus chamados a qualquer cavalheiro que esteja disponível ou que queira fazer parte de sua escola de homens disciplinados. Ainda, aos Teosofistas, que tiveram como mentora a nossa querida Blavatsky, se dirigem ao público fiel como se fossem reais donos da verdade... E HPB nos disse “Nada é superior a Verdade...”, imagine se ela não tivesse dito?!... Sem falar nos movimentos das igrejas atuais, o que já deu muito o que falar por aqui...


Vejo tais movimentos como espelhos de uma necessidade religiosa – no sentido de tentar lidar com o comportamento humano – em buscar, ainda que com parcas ferramentas, ou nenhuma, para dizer a verdade, com a ferramenta errada, o que o homem de hoje mais necessita, conhecer a si mesmo e ao seu universo...




Volto com mais revoluções! (Próximo texto)


A Parte que nos Falta

"É ótimo ter dúvidas, mas é muito melhor respondê-las"  A sensação é de que todos te deixaram. Não há mais ninguém ao seu lado....