quinta-feira, 11 de julho de 2013

O Que sou?






Leão ou Hiena? 










É de se questionar acerca de Deus, dos deuses, de nossos papéis na terra. Questionar o porquê de nossa vida, de nossa morte. Para onde vamos, por que viemos; por quê? O que somos?... A realidade desses mistérios nos seduz há séculos e nos é respondida de acordo nossa educação, em nossa época. Ou seja, assim como tais perguntas nos eram respondidas na Idade Média pela Igreja, hoje, nos são respondidas, também, pela Igreja, o que não nos desvencilha de ser seduzidos – mesmo sem as fogueiras – a um arcaísmo sem fim, tal qual no século das Sombras.

Não nos prolonguemos em críticas. Vamos iniciar um processo de reformulação desses questionamentos, mas com premissas ocultas, reveladas por contos, lendas e mitos. A começar pela antiga Índia, local em que muitos inciados deixaram resquícios de sua sabedoria em fábulas.

Tais fábulas, como sempre, com o papel não apenas de responder os mistérios humanos, tinham como finalidade fazer com que o homem refletisse acerca de seu papel no mundo e no universo, assim como diante de si mesmo.

E uma das que mais me impressiona é a do Leão que fora adotado por hienas.

Uma vez, na grande selva, um filhote de leão, filho de uma última leva de grandes leões da África, fora deixado pela mãe, que morrera em troca de sua proteção. Um grupo de hienas, no entanto, vilãs e inimigas declaradas daquela raça, em vez de matá-lo, resolveu levá-lo para o esconderijo, educando-o, segundo o que eram, hienas.

E o filhote cresceu. Observando, assim, seu físico, seu comportamento, seu rugido, enfim, seus modos frente ao que seus pais adotivos eram. Contudo, o grupo de hienas nunca haviam falado ou queriam falar sobre sua infância, pois seria muito difícil dizer a ele que, além de ser um leão, era, também, por natureza, um dos maiores inimigos delas...

Mas não puderam esconder por muito tempo. O pequeno leão, que já não era mais tão pequeno, um dia, em nome de seus instintos, fora caçar. E de longe, via seus pais – hienas – comer o que restava da caça dos grandes animais com jubas e patas grandes (!), e serem obrigados por estes a correr de medo.

Um grande nó se fez em seu coração. Não sabia, agora, mais do que nunca, quem era. Será que seus pais eram aqueles que o haviam criado, educado, amamentado, e lhe dado tudo até então?.. Ou aqueles seres brutos, de juba, com patas imensas a correr atrás de outros animais para suprir suas necessidades instintivas?...

Um grande leão, depois de ver o pequeno adotivo estático a observar o bando, teria lhe perguntado “quem é você, meu irmão? Por que não está correndo como todo mundo em busca do seu alimento?”

Síntese

Assim como em todas as culturas que se foram, a carga simbólica em todos os contos e fábulas era enorme – e ainda o é. Mas isso não nos faz menos reflexivos. Ao contrário. A profundidade do que foi exposto pela história, talvez, nunca saberemos, mas, a priori, entendemos que se trata de uma fábula que nos remete a nós mesmos, ao que somos, ao pensamento intuitivo em torno do que mais subjaz a nós. O Espírito.

O leão, com certeza, somos nós; e as hienas, o mundo em que vivemos, a sociedade, a cultura, os meios e modos. Ou, como diria o sábio, seria nosso corpo, com o qual nos identificamos e acreditamos, desde criança, que nos encerramos nele, e somos ele (E isso nos remete a outro mito!).

E por pensar que somos a realidade que nos circunda, nos fechamos para os mistérios humanos, quiçá universais, nos deixando mais longe do que realmente somos. Ou seja, o leão. E por que leão? Em todas as culturas, o leão é um ser solar, que vem de sol, que ilumina a todos, e mais profundamente falando, o Bem.

Seríamos o Bem? Não necessariamente, mas teríamos, em nossa possibilidade, o reconhecimento consciente do que seria, isso quer dizer racionalmente, pois como diria Platão, na República, não há como, em nosso nível, entender o Bem, então fiquemos com o exemplo do sol, o que nos serve de parâmetro simbólico para reflexão.

Continuando... E quando nos encontramos conosco mesmos – o que veio a ocorrer com o nosso protagonista na fábula – é como se todas as perguntas inconscientes fossem respondidas de pronto. E tudo isso apenas em breves palavras... (aqui, o porquê da iniciação).

Ao nos depararmos conosco mesmos, e isso depois de várias revoluções físicas, como nos mostra o Bagavagita, a bíblia Hindu, nos deparamos com Krishina, o Cristo, em nós, o que há de mais sagrado e puro no homem. Ou seja, não é por intermédio de teorias ou práticas intelectuais que chegamos a Verdade, mas por meio de reflexões que nos levam à prática. 

E hoje, por meio de pequenos atos, o que para nós já são iniciações a curto prazo, nos questionamos o tempo todo, se somos leões ou hienas.






Mais revoluções à vista!

terça-feira, 9 de julho de 2013

A Odisseia da Minha Ilíada




















Manhãs em Mim


“Nosce te ipsum” * Sócrates.

Manhã adentro do sol,
Estrela única do dia,
Suspiro teu calor somente,
E uma semente em mim se cria.

Nasce a esperança da vida,
Em simples formas que vão,
Da célula mínima que se foi,
A maior temperança, meu coração.

Meus passos, na terra molhada,
Criam fôrmas como pão,
Brilham num sol fugidio,
Os deuses, enfim, criam uma canção.

Manhã adentro do sol,
Minha alma se foi vadia,
Voltou santa como Ontem,
Renasceu quieta por um dia.




Re-Nascer em Mim



Meu ser se revolta e volta ao tempo,
Nas lhanuras e fúrias de um vulcão,
Corta frívolo o dia pelo meio,
Amanhece em meio à multidão.

Solta o Verbo divino
Em nome do uno em formação,
Cria demônios no espaço e sem passo
Forma raízes na divina imensidão.

O Dia, filho de um deus em aluvião,
Cospe cometas e terras,
Miríades em estrelas velhas,
De repente, a escuridão.

E Chorou o pingo da chuva,
Sorriu o sol sem cor,
Abriu feridas cruas,
Fechou-as em nome do Amor.

Eis a beleza que nasceu,
Em Berço sério sem Prometeu,
Sem as brumas do frio belo,
No corpo da deusa que se deu.

E um vento quente das narinas de Deus
Se fizera e formara o vento,
E de tua lágrima,
Oceanos em contento.

E da solidão eu nasci, em verdade,
E em verdade, vos digo,
Que da saudade, além do mundo,
Nascera meu corpo, meu abrigo.


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*Conheça-te a Te Mesmo.


segunda-feira, 8 de julho de 2013

De Volta à Iniciação...



Iniciação egípcia: um ritual do passado que assegurou uma sociedade melhor.



... Tudo que fazemos, hoje, ou a depender de quem faz, pode ser um processo iniciático. Claro que temos que entender o que seja isso, senão esbarramos em conceitos mais uma vez desvirtuados pelo presente. Processo iniciático nada mais é que um processo pelo qual passamos para mudar o que em nós pede para mudar. É, na realidade, uma necessidade àqueles que um dia buscaram, de alguma forma, entender algum tipo de mistério. No passado, “iniciático” só poderia ser relacionado aos discípulos que eram voltados a busca divina, misteriosa, ou universal...

Pitágoras, Platão, Cristo, Zoroastro, Plotino, Anaxágoras, Anaxímenes, dentre outros, muitos outros, passaram pela iniciação dos mistérios sagrados e nos deixaram legados incríveis, os quais, até hoje, nos iluminam nas horas vagas, ou, com finalidades didáticas, nos fazem refletir acerca do que somos e do que a sociedade é feita. E muito mais.

Estudamos, aqui, nesse blog, várias escolas iniciáticas, nas quais e pelas quais grandes homens passaram e soubemos, teoricamente, da real necessidade de tudo isso, mas, sempre, em nós, fica aquela perguntinha que se sobressai nas horas em que nos sentamos no pequeno sofá de casa, com a luz amena, a escutar nossos pensamentos... “Será que o mundo moderno é assim em razão de não existir mais rituais tais quais os do passado?”...

Talvez. Vimos, aqui também, que no Antigo Egito, a necessidade de buscar a Deus por intermédio das iniciações era quase que um processo automático aos sacerdotes, aos faraós, pois não se podia governar sem a ajuda dos deuses. E aos sacerdotes, a iniciação tornava-se mais idealística pelo fato de manter as forças naquilo que se fazia, e ao povo que era governado.

Depois dessa recopilação, podemos dizer que uma iniciação no passado fez com o período em que eram realizadas fosse melhor, mas organizado, mais forte e, com certeza, mais voltado às raízes humanas. Podemos dizer mais: a religião, de antes, tão vasta e respeitada por todos, fazia brotar nas esferas políticas e familiares uma organização estruturada em valores universais, não individuais.


No entanto, temos atualmente movimentos que ainda persistem em dizer que seguem regras semelhantes às do passado. Não acredito, pois é preciso entender que as raízes, quaisquer que sejam os movimentos, por mais bem intencionados que sejam, não são as mesmas, pois os frutos já nascem capitalistas, voltados a interesses escusos, os quais se revelam em roupas, carros, moradias, em viagens... Totalmente diferentes daqueles que se preocupavam com o  materialismo, ou com a forma de pensar moderno em relação à própria filosofia de sua instituição.... 

Vamos nos fechar, assim, com a Tradição, que nos passou reais conhecimentos, legados à humanidade, que até hoje pedem e insistem para que o homem olhe para trás ou para si mesmo, no sentido de se transformar e melhorar o seu meio.


Partindo dessa premissa, nos perguntamos, e hoje, o que fazemos para melhorar a nós mesmos dentro de uma sociedade, ou até mesmo dentro da família? Será que a iniciação é o único meio pelo qual toda uma estrutura pode se erguer e se transformar?

Boa pergunta...! No Antigo Egito, ainda em fins de uma época dourada, quando os grandes faraós resguardavam aquele país, sabiam que, apesar de tudo, a culpa pela decadência era do próprio homem que não levava os rituais a sério. Diziam que os rituais faziam com que o homem entendesse mais os mistérios acerca de si mesmo, respondendo-lhes os questionamentos internos, e assim os respeitando, de modo a levar-lhes ao próximo – ou à própria sociedade em que estavam, a praticidade baseada em preceitos sagrados.

Na Antiga Roma, lugar em que escolas iniciáticas fluíam, a prática era tão maior quanto à dos gregos, que um dia beberam na água dos sacerdotes egípcios, mas que foram os romanos que foram às batalhas e nos ensinaram como guerrear com os deuses no coração.

É assim, com os deuses no coração, que sempre devemos trabalhar, levantar, sermos pertinentes, para que nossa revolução seja certa. Abrir nossas mentes, deixar um pouco de lado nossos conceitos musicais sobre o amor, deixar de mão a justiça interesseira, que só serve quando estamos com a conta corrente recheada; além da verdade, ética, moral, humildade, paz... Conceitos estes que nos constroem desde que somos crianças, e que, por interesses culturais, familiares, e que por gerações invadiram nossas vidas.

É preciso abrir a mente, mas também o coração, essa ponte entre o homem e Deus, saciar nossas almas de música, nosso corpo de paz, e encontrar em nós um pouco do que há muito procuramos e não sabemos o quê, e por quê.


Um Mestre, Por favor...

Não temos elementos para uma iniciação, mas temos nosso mestre interior. Ele vai nos reger e nos fazer seguir pelas calçadas mais íngremes da vida, tais quais sonhadores diante do sonho. Nosso mestre, podemos dizer, um dia nos irá aparecer e dizer “estava me procurando? Pois eu nunca estive longe de ti!”.
E, em forma de raios de sol, no abrir de uma janela, atingirá nossas almas como a uma lança, e, como um doce na ponta da língua, sentiremos a natureza de seus raios, quentes, explodindo e nos transformando em larvas ambulantes em nome de Deus.

O mestre, em sua grandeza, irá nos revelar a natureza de nossa vocação, pelo modo mais simples e belo, ou seja, o que somos e qual ferramentas usaremos para nos manter independentemente do que podemos ou sabemos fazer.

Esse grande ser, que regenciará nossos atos, traduzirá nossas angústias, revelará o porquê delas, seus enigmas em torno de tudo que nos indignamos, e de nossas decisões, que um dia foram aleatórias, mas que agora terão uma direção...



Para cima, e avante!

sexta-feira, 5 de julho de 2013

O Início de uma longa jornada.


Buscar o passado é a busca de si mesmo.






... Assim como Mozart, muitos na tradição tiveram que passar por processos idênticos para se chegar a um consenso sobre si mesmo. Estranho não? Um consenso sobre si, baseado em premissas das quais alguém, de longe, um dia aprendeu a lidar com a sabedoria do equilíbrio, e dizer a mim ou a ti o que fazer com nossas vidas rs.

Na realidade, esse Consenso sobre Si, sabemos, não é algo fácil, visível, concreto. É um conjunto de características pessoais voltadas a meu centro – ao ser. Esse, que subjaz a tudo que entendemos por personalidade, caráter, os ilumina, os rega, a depender do mestre que encontramos... E Mozart, o grande compositor, iluminado pela prudência divina, foi regenciado por um que tinha como princípios a grande sabedoria egípcia.

No passado, com receios de uma decadência, muitos discípulos foram iniciados às pressas, o que os transformou em renegados do saber, deixando os degraus da iniciação pela metade. Prova disso foram alguns padres que, ao tentarem se iniciar, ou quando completamente iniciados, preferiram cair em devaneio pelo clamor da massa, desfazendo-se dos princípios que um dia aprenderam e maldizendo-os.

Outro exemplo foram as tumbas egípcias, que, no passado, eram encontradas apenas em vales de reis e rainhas, e que, no fim da grande civilização, foram encontradas urnas, como múmias mal feitas, em templos que, antes, eram para formação do individuo. Templo iniciáticos.

Por outro lado, nem todas as civilizações foram depredadas com o tempo pelos novos sacerdotes*, houve várias escolas de iniciação – como já fora explicitado aqui – que conseguiram manter a tradição de levar o vacacionado à espiritualidade. E quando dizemos espiritualidade, não nos referimos apenas a um cubículo fechado em que alguns falam besteiras, colocando a cabeça do individuo em uma cuba de água, recitando versos de um livro antigo, e pronto... pode seguir.

Falo de algo maior. E nada melhor para falar disso do que a própria tradição, que um dia levou vários indivíduos a sabedoria, ensinando-os os mistérios divinos, com base no que a humanidade necessitava – valores.

Tais valores foram encerrados na própria natureza, e buscados pelo mais simples meio universal a que se pode trazer ao homem, a oração, a comunhão com os deuses, o entendimento universal, a propagação genérica a todos, com vista ao bem comum.

Porém, como salientou o grande faraó Sesostris III “O Criador quando sorriu fez aparecer os deuses, e quando chorou, fez aparecer os homens”. Dizia quando seu reino estava ao ponto de ser tomado por forças desconhecidas, ao mesmo tempo frágeis em conhecimento, o que as fez distanciar-se da grande civilização por tempo indeterminado.

Atualmente, vivemos do que sabemos, e o que sabemos é muito pouco acerca do que um dia souberam os grandes homens em grandes civilizações. Porém, não nos faz menores a época por isso, e podemos resgatar, com o que sabemos acerca do passado, e referenciar, tentar internalizar e harmonizar, com todas nossas forças, o tudo com o nada, pois, se no passado apenas alguns puderam exercer o discipulado, é de entender que a nossa versão de melhorar nossas vidas baseada em preceitos clássicos vai significar um modo diferente de pensar e de agir com relação a nós mesmos.

As turbulências.

Desde o inicio, falamos em revolução. E, agora, pretendermos fazê-la em nós, enfim, manter o equilíbrio, ou seja, entender a parte mítica do violeiro que no barco junto com seu filho disse “filho, se as cordas estiverem frouxas, não tocarão; e se apertadas demais, vão se arrebentar”**... Ouvir, em nós, vozes inaudíveis acerca de nossos defeitos morais e éticos; fazer com que nossos corações estejam abertos à Verdade, e entender que o mal nada mais é que uma necessidade, apesar de que, na maioria das vezes, o próprio homem o faz de “pão de cada dia”.

E assim, como Cristo no deserto, encontraremos Infernos se fazendo de céus, e como Buda, em sua iniciação, choros e desesperos em nome do nada, para que possamos voltar ao arcaísmo das ideias. Ele, diante disso, sorriu.

E falaremos em referenciais e sua necessidade em nós. Buscaremos no próximo nossos defeitos e, em nós, ainda que seja uma eternidade, tentaremos consertá-lo. E quando nos referir a Amor, à Paz, a Verdade, a Justiça, a Humildade, a Preconceitos, a Dor, a Vida, enfim, a Deus, nos remeteremos aos conceitos clássicos e vamos fazer com que todos eles sejam ladrilhos de nossos caminhos eternos, cuja eternidade começa agora.





A revolução vai depender de cada um.


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*cristãos que iniciaram suas crenças desfazendo a história
** lenda budista


quinta-feira, 4 de julho de 2013

A Vocação como Ponte


"Um coração que nasce para ser livre nunca se deixa escravizar. E, mesmo quando perder a liberdade, ainda conserva o orgulho e ri do Universo"




Mozart.  Vocação e iniciação.




... Mas o mestre filósofo, iniciado nos grandes mistérios sagrados, possui chaves para racionalizar o que pensar.  O que significa isso? Saber expor de maneira simplista o mais complexo de uma experiência, contudo, o faz de maneira simplista com agravantes simbólicos, ou seja, sem que percebamos que a estrutura, a que se refere, possui pontos profundos, que somente aos iniciados podem ser revelados.

Blavatsky*, uma teosofista que passou a dominar tais estruturas, dizia que Nows era a parte interna do homem, aquela para qual devíamos nos refugiar (falta de uma palavra melhor...), pois o que estaria na base humana eram bases personalisticas, como o físico, o astral, os desejos, instintos, até mesmo a parte psicológica, se não levada ao cume de nossas consciências, seria parte da base.

No entanto, se tais atributos no homem fossem levados ao Nows – Deus no homem – seriam como ferramentas trabalhando em prol da elevação humana, desde o físico à moral. Para isso, no entanto, argumentos apenas não seriam louváveis para a consecução do ideal, mas a prática, e para isso – dizia ela – em Ocultismo Prático - “mata o pensamento”. Pois sabia que o homem atual deixava-se levar pelo racional e este refletindo a parte “debaixo”, por assim dizer, jamais veria a parte de cima.

O certo, assim, seria trabalhar, agora, em prol de uma sacralidade interna, com ferramentas que os próprios deuses lhe deram na personalidade, no físico, alimentando a alma diariamente com forças que a própria natureza nos dá, antes mesmo de nascermos. A vocação, antes de tudo, segundo os mestres, seria uma delas...


Mozart

E trabalhar uma vocação, ainda que esta não esteja de acordo com uma sociedade, ou que muitos já a estejam dessacralizando, é difícil. Até mesmo Mozart, o grande compositor, embora estivesse em uma época na qual muitos compositores estivessem se formando, outros cujo estrelato o influenciou, tivera que se sobressair ministrado por um pai exigente.

Mozart, prodígio, com suas sonatas mais pródigas ainda, fora descoberto pelo genitor aos seis anos de idade, quando ainda fazia suas necessidades fisiológicas na cama e brincava de cavalinho na sala. Seu pai, também compositor, viu que o filho nascera para a música quando lhe dera o primeiro papel. Pois nele salientava notas como o “Chico Xavier mirim”, o que o assombrou.

Feliz da vida, começou, juntamente com sua filha, que também possuía certo dom para a música, não gênia como o irmão, mas eloquente no piano, saíram para a Europa a demonstrar o que o mundo já ouvia em Hardyn, Christian Bach, porém não em um menino com idade tão ingênua.

Mozart via aquilo como uma grande brincadeira, porém, não muito, pois seu pai Leopoldo Mozart o pedia para compor e compor ao ponto de chegar ao extremo de seus limites – coisa que não acreditava o pai, “ele não tinha limites para a música” --  e assim, foi ficando adolescente, em busca de um emprego de músico nas cortes.

Em suas caminhadas, descobrira um grande homem, que mais tarde poderia vir a ser seu mestre, aquele que faria com que toda sua obra fosse voltada para o sagrado, pois acreditava que o menino prodígio fosse o Grande Mago, ou seja, aquele que, com sua obra, diminuiria o materialismo do mundo, ou que pelo menos fizesse com que a consciência em relação a nós mesmos mudasse.

Thamos, seu mestre, que, segundo autor Cristian Jaq, seria um dos últimos maçons a seguir a risca a filosofia da entidade, encontrava-se com ele às escusas, sempre o podando, levando Mozart a criar obras inesquecíveis, ao passo que, à época, não eram muito compreensíveis, pois eram como enigmas ao ouvido, mas revelavam mistérios da alma humana. Mozart não sabia, mas estava se iniciando, indiretamente, nos mistérios sagrados.


A própria iniciação de Mozart, podemos dizer, foi uma revolução na música clássica, a qual, desde 1756, em diante, não se pudera ver ou ouvir coisa igual. E não menos do que isso. Quem a ouve, hoje, sente um pouco de luz refletir na alma, ao ponto de ser você mesmo. E esse é o ideal da música, da real música. A revolução de Mozart gerou outras revoluções.





Volto com mais vocações.



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*Helena Petrovina Blavatsky

terça-feira, 2 de julho de 2013

Revolução... O legado de cada um.


A primeira e melhor vitória é conquistar a si mesmo. (Platão)




Quando acordamos, pensamos muitas vezes em voltar para a cama e não levantar mais. Certos pensamentos nos fazem retroagir, e a escutar a parte de nossa personalidade que colheu no dia anterior apenas destroços. Levantar, pedir aos deuses proteção, assim como em uma guerra. É o dia a dia de muitos que se sentem oprimidos pelos próprios seres humanos, que em volta, todos os dias, estão. Só esquecemos uma coisa... Também somos seres humanos.

E quando tal pensamento se ajusta em nossos mundos de modo a nos revelar homens que não tem medo do levantar, do sorrir, apesar dos pesares; de sufocar pensamentos frios e débeis, de imagens de seres vis que nos rodeiam; de buscar, pesquisar e entender que somos parte desse mundo tal qual aquele se subjuga melhor que outro, aí temos uma micro revolução.

Objetivos

É notório de cada um ir atrás de seus objetivos e por eles fazer algo – e disso posse dizer-lhes de camarote – cria-se uma energia, um núcleo natural de potencialidade interna, ultrapassando até mesmo certas dores que se acumulam no intestino. Mas quando esta passa a ser no coração, filtro maior dos homens de bem, não tem como não sentir a necessidade de realizar algo maior que nossos objetivos.

Ao se realizar o objetivo, ou quando o alcança, vem o um vazio a ser preenchido pelo glorioso sentimento de paz. Uma paz, no entanto, que se esfria com o tempo, pois não se pode dizer que tudo que queríamos está ali, diante de nós, ainda que seja  um castelo. Nossas mentes, corpos, astral, alma, tudo se revela inquieto como se fossem crianças loucas a brincar em parques num domingo.

Por isso, quando se diz que morremos querendo realizar o irrealizável é verdade. Não conseguimos deter-nos, e a esperança de nos modificar vai por água abaixo. Tudo deve ter um aprendizado, nas mínimas coisas, caso contrário, estaremos nos detendo apenas no superficial e dele retirando apenas alegrias passageiras, as quais não queremos – e sim a felicidade real, regada a sabedoria, amor, beleza e verdade.

O silêncio de uma revolução


Partir do individuo, sempre. Um filósofo um dia nos disse “Se o pai de família vai bem, a família vai bem; se a família vai bem, a sociedade também vai bem; e se a sociedade vai bem, o país vai bem...” – tudo, pressupõe-se, parte do homem. Assim começamos a reverberar acerca de nós mesmos, como grandes interrogações ambulantes, e nos deixamos levar pelas abjeções do mundo, como copos loucos por vinhos, a encontrar somente água suja em forma de músicas, artes, culturas em geral, baseadas em personalidades que nascem e crescem em nome de si mesmas.
  
Mas isso sempre houve, e sempre haverá, o que precisamos é entender que o processo de revolução material é feito pela quantidade de pessoas dispostas em dominar um território, um país, um mundo, e mais tarde não saberemos o tamanho do monstro; por outro lado, temos a revolução silenciosa, a qual, fora dos critérios de massa, ao passo necessário a ela, que equivale a traçar planos coletivos, baseados em premissas individuais.
O Individuo
Quando me refiro a indivíduos, trato não apenas da pessoa, mas ao que a tradição trata internamente cada um de nós. Individuo, antes de tudo, é aquele que não se pode dividir, indivisível. Algo que subjaz nossa compreensão.

Quando Platão nos ensina, em sua República, acerca do comportamento do individuo, refere-se ao que mais internamente possuímos, não externamente. Quando nos remete aos guardiões, a mesma coisa. Homens filósofos, incorrompíveis, fortes, os quais detêm todas as formas de violência mundana.

Para quem estuda o mestre filósofo, sabe que seu racionalismo fez com que reis tentassem erguer repúblicas tais qual a dele, porém, em razão de trabalhar o homem, de fazê-lo erguer-se contra as lhanuras dos sistemas, foram barrados pelos interesses da época.

MAS, ainda que houvesse essa possibilidade, Platão teria que revelar segredos na prática, pois o que se resguarda em seu livro, por meio de mitos, é irrealizável. Por isso, melhor seria, assim como em outros livros clássicos, como os de Plutarco, levar para si, buscando mudar, por meio de ferramentas naturais,  o que não se pode mudar em sistemas – a não ser que este seja celeste.

Mundo das Ideias

Dai a ideia do Mundo das Ideias Platônico, do qual podemos externar o que não compreendemos, mas nos sentir um pouco vaidosos por tentar. Nele, a perfeição, a mais justa, como diria um grande professor, um circulo mais que perfeito teria falhas no Mundo das Ideias.

Dentro dele, segundo Platão, o homem seria apenas sombras com a necessidade de ser concreto. Contudo, o seu individuo, a que tanto cita em sua república, estaria nesse mundo, pois seria o invisível perfeito, ao contrário do visível imperfeito – falava da personalidade, dos desejos, das vontades relativas, do profano advindo do mais baixo de seu ser. Não seria uma tese, um projeto, um fim...

Mas o que os hindus chamariam de Krishina, o que os cristãos chamam de Cristo, o que os budistas chama de Buda. E Platão chama de Nows no homem.





Daqui a pouco, mais revoluções.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

A Sombra de Um Legado.

... “caminhamos a vida inteira para o lugar de onde partimos, e quando chegamos, é como se nunca tivéssemos dele saído”. Rubem Alves, escritor e educador.




Antes de tudo, a Humanidade.





Se partimos do principio que temos que iniciar uma revolução, que ela seja agora, em nome dos valores que temos em mente, e que os queremos praticados, antes de tudo, por nós, sem incoerência, hipocrisia, e com muita satisfação, como se fôssemos vencedores gloriosos de uma grande competição, a qual nos exigiu esforço, mas que, dentro deste, um sorriso característico de alguém que ama a si mesmo e à própria humanidade.

Se partimos desse grande principio, sejamos fortes, sejamos leves, sejamos homens, e mais, guerreiros em tempo real, na batalha diária pela simplicidade interna, dentro da qual – ainda que seja aparente, ao passo concreta,-- encontremos um pouco daqueles mestres que nos trouxeram a vida, a revolução – a real, em que não somos apenas peças de uma nação nas mãos dos chamados políticos ou educadores modernos, e que sem os quais não somos nada... Somos tudo.

Somos o pico da montanha, somos a guerra, o conflito, a batalha, a paz, os mitos, as lendas, a mansidão, a dor, a borboleta, o tigre, o dragão e seu poder; somos o limbo, o céu e o inferno, e muito do que ainda podemos ter e ser.

Contudo, esse trabalho de r-evolução será como a passos de formiga. Para alguns, rápido demais; para outros, não nos mexeremos – até mesmo de acordo com o nosso ponto de vista, perceberemos que há passos e passos, pois consideramos, como sempre, o imediatismo e seu ônus, de modo a desconhecer a natureza da qualidade de nossas modificações internas, involuntárias até, contudo cheias de ideais, não porque sim, ou porque não.

Serão regadas de sacralismo – de céus e infernos (de Dante ou não), de individualismos, racionais ou não; mas dentro de uma universalidade jamais vista: a dos mestres da Tradição.

O chamado

Não se aprende a entender a natureza de um dia para o outro, ainda que nos apaixonamos por ela. Mas é inerente ao ser humano amar o que se acha belo, agradável, confortável, vívido. É a têmpera latente que nos ensina a ser sagrados e profanos, ao ponto de não sairmos da dualidade eterna a que os hindus chamam de “Bagava Gîta”...  ao que os cristão chamam de “Céu e Infernos”.

Não se aprende a amar de uma hora para outra, e, depois, deixando de amar, simplesmente pelo fato de não mais acreditar que aquilo não fazia parte de um interesse personalistico. Amar, como diria o grande escritor Kalil Gibran, é estar dentro do amor, não esperando que o amor esteja dentro de nós. Ou como diriam literalmente os especialistas em Biblia, é ter Jesus no coração.
  
Tê-lo em nosso coração, já traduzindo filosoficamente, é ser Cristo um tanto quando em nossas possibilidades, e entender que seu amor não era pessoal e sim universal, sagrado, indiscriminado, sem preconceitos, ajustando-se a todos, não apenas aos humanos, mas a uma ordem natural da qual não temos visão, apenas opinião. Por isso, muitas incoerências em segui-lo...

Não se segue o Amor. Estamos nele. Nosso egoísmo fere todas as possibilidades de compreendê-lo e assim “amar o próximo como a si mesmo”.

Então...
Como disse, não se pode trazer à tona valores que ainda não temos a simplicidade em reconhecer, pois, a cada geração, uma tsunami de ideias controvertidas às tradicionais é lançada no meio de círculos de intelectuais, para que a própria cultura seja corrompida.

Mas, como em filmes de finais felizes, acreditamos, aqui e agora, que temos um legado para com nosso futuro, e para com o futuro de uma humanidade que corre perigo de vegetar com ternos de linhos, porém sem espiritualidade alguma, e por isso, e por outras, acreditamos no pouco que temos, ou seja, nos reais conceitos, nos reais modificadores de estruturas, dos filhos da verdade, dos conhecedores natos e amigos da sabedoria, pois eles são os mais confiáveis, ainda que sob protestos de anarquistas, modernistas, capitalistas, materialistas, e outros istas, para os quais não se pode falar nem mesmo em Deus.


Vamos falar sim!





A Revolução está apenas começando.

A Parte que nos Falta

"É ótimo ter dúvidas, mas é muito melhor respondê-las"  A sensação é de que todos te deixaram. Não há mais ninguém ao seu lado....