terça-feira, 13 de agosto de 2013

O Outro Lado do Espelho (ii)




...Se um dia, no entanto, tivermos que nos modificar internamente em atos e pensamentos, temos que entender que é preciso passar por uma avalanche de reestruturações. Não é só respeitar mais próximo, ser educado nas horas vagas, ou mesmo ser gentil com os velhinhos, como forma de zerar nossos pecados.

A mudança, como fora salientado diversas vezes, deve ser medida pelo grau de entendimento que temos para consigo mesmo e universo – ou Deus. Se somos apenas aquele que acredita em histórias da carochinha, precisamos dar mais que passos, precisamos de outra vida, pois nessa não aprenderemos nada além de complementos básicos, mas vitais para o nosso dia a dia.

Ao dizer histórias da carochinha, quero dizer em histórias arcaicas, das quais não podemos tirar nada a não ser firulas engraçadas ou meramente formas pessoas, em que, mais tarde muitos olharão e vão dizer que tais histórias não serviram para nada. O mundo está cheio delas. A maior delas, no entanto, com certeza, é a do deus pessoal (antropomórfico), a qual, depois de séculos, passou a ser uma verdade intransponível, ou seja, sobre a qual ninguém pode tecer julgamento (ou transpor), caso contrário teremos execrações em massa.

Mas... Como faísca que cai dentro do gesso, posso tecer algum comentário, mínimo, a respeito, deixando uma coceirinha ou uma vontade de quebrar logo com tudo!

Segundo alguns especialistas, principalmente egiptólogos respeitados, como Christian Jaq, a crença em um deus pessoal pode ter vindo de há séculos quando, um dia, o Egito possuía vários clãs que compunham aquela nação, sem restrição de divindades – pois o Egito era politeísta.

Em meio a essa junção de deuses em um só país, o grande AKenathon (1353-1336 a. C), faraó que levou todos os deuses a um só, o Sol, teve um entendimento horizontal acerca das divindades egípcias, as quais, antes deles, possuíam seus altares simbólicos e que eram, em essência, adoradas.

Dizem que, após essa notória capacidade de reunir todos os elementos em um, o Sol, Akenathon influenciou clãs à época, as quais, em um reinado diferente do dele – desse faraó monoteísta, combinaram toda a estrutura simbólica em um outro – o que temos hoje.

Bem mais tarde, toda essa estrutura com um caráter volúvel – pois era violento, misericordioso, de paz, de guerras de tribos..., fora reconhecida até mesmo por papas, na realidade tão pessoal quanto nós, como uma semântica humana (máscara) advinda de Zeus, o maior dos deuses do Olimpo grego.


Enfim, temos aqui uma estrutura que pode se assemelhar a nós mesmos em comportamento, em pensamento, até mesmo em sentimento, e isso deixa bem claro que somos portadores imaginação tão belas e ao mesmo tempo perigosas para as gerações, quanto o que somos.

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

O Outro Lado do Espelho (i)






Voltando aos nossos textos filosóficos, com finalidade revolucionária de modificação em nossa estrutura interna, gostaria de dizer que nada é gratuito, ou seja, de alguma forma há sempre algo em troca. Seja o nosso esforço, vontade, dinheiro, ações além-físico, tudo deve ser levado para o alto, como se fôssemos personagens míticos da Antiga Grécia... Caso contrário, teríamos mais santos no mundo do que seres normais.

Desde civilizações passadas, há mais de cinquenta mil anos, ainda com a presença dos Atlantes, havia a percepção humana de modificação, de revolução, de paz interna. Todos esses ingredientes, com a certeza de que todos eram mais sábios em alguma esfera. E a espiritual era a meta.

Alguns possuíam a notória sabedoria, desde a tenra idade, mesmo porque já passavam por uma educação levada ao que realmente o ser humano necessitava – de humanidade. Assim, caráter, personalidade, atos, palavras compunham  a escadaria que os levavam para o cimo sem maiores esforços, pois já tratavam de ser espirituais.

Como vamos falar de nós – desses seres fortes, estruturados, inteligentes, ao passo interesseiros, etc, etc, etc... – devemos deixar bem claro que não mais há o que podemos chamar literalmente de seres espirituais – talvez fôssemos por uma razão menos complexa, mas que, em educação, em buscar ser o que realmente temos e somos – esquece... Estamos vazios.

A prova disso foi a luta Medieval da Igreja em levar milhões ao que ela tinha dúvidas – não sabia mesmo – e que tal dúvida revelou-se certa após anos de inverdades relatadas, exibidas, inseridas nas mentes do mais simples ao mais intelectual, os quais não tinham outra saída... Quer dizer, tinham. Respeitavam as verdades inventadas ou iam para a fogueira. Poucos, como Giordano Bruno, que um dia respeitava os bispos, passou a ir de encontro a eles, graças ao seu caráter filosófico – de amigo da verdade – passou por diversos castigos cruéis, que, à época, eram fisicamente insuportáveis... Mas nunca deixou a verdade de lado.

Desde épocas passadas talvez éramos seres difíceis, pois os mesmos atlantes que desaguaram no continente foram os mesmos responsáveis por sua derrocada como seres do Bem. Ou seja, deixaram de sê-lo porque eram humanos que, mais cedo ou mais tarde, teriam que cair no devaneio de suas próprias personalidade vaidosas, intrigantes, que os levaram ao desastre esperado... O afundamento de continentes e a invasão das águas, como um dilúvio que modificara a terra.

Pelo mesmo motivo, somos obrigados a dizer que tormentas nos acontecem, como furacões, tsunamis, tornados, terremotos, pelo caráter que como é tratada a terra. E ela, querendo ou não, depende de nosso caráter coletivo, do pouco de personalidade que temos, e que, com certeza, devem ser levados a salvá-la...


Mas, contudo, no entanto... Como salvar a terra, se precisamos salvar a nós mesmos?... É preciso ter essa consciência, ou melhor, a coerência em entender que o resgate de nossa grandeza espiritual se faz por atos, mas também pela consciência humana religada ao que fomos – e somos, na medida do possível. 

Silêncio Verde







Silêncio, onde estás que não te encontro?
Teus olhos verdes, teu andado...
Tua pele alva e cabelos longos,
Onde estás?

Teu corpo, filho da harmonia,
Desfaz do mundo a maestria,
Apaga a luz do dia,
Clareia a noite tardia...
Silêncio, onde estás?

Chegas na tarde sombria,
Iluminas a lua tão fria,
Desfaz o sol que um dia
Deixou-me saudades...
Bom dia.

Silêncio, o que houve?
Invisível, sensível,
Ardente e sorridente,
Escuso, profundo e saliente...
Revelas a cor natura,
Quando olhas a pobre gente.

Silêncio...
Não vou te escutar.
O som que sai de sua boca,
Do teu mundo,
Melhor que músicas de Bach...
Adormece meu ser,
Engrandece minha alma,
Desfaz o medo do segredo,
Inicia um leve enredo...
Silêncio, o que é amar?

Das montanhas te vejo,
Em nuvens te escuto,
Traduzo tua beleza nos mares calmos,
Na manhã do sol astuto.

E no pranto do mudo,
Que se contorce de terror,
Cai a lágrima ausente,
Um grito, por favor!

Na alvorada fria,
Que um dia entardeceu,
Desfez a  veste saliente,
Para esse homem que é teu.

Silêncio, não posso te ouvir.
Nem quero nunca mais,
Apenas segurar tuas mãos leves,
Em meio a tons breves,
Amar-te perto do cais.

Silêncio,

Você chegou.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

O Grande Pai

Superman e Superboy!





Vossos filhos não são vossos filhos.
São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma.
Vêm através de vós, mas não de vós.
E embora vivam convosco, não vos pertencem.
Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos,
Porque eles têm seus próprios pensamentos.
Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas;
Pois suas almas moram na mansão do amanhã,
Que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho.
Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis fazê-los como vós,
Porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados.
Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas.
O arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com toda a sua força
Para que suas flechas se projetem, rápidas e para longe.
Que vosso encurvamento na mão do arqueiro seja vossa alegria:
Pois assim como ele ama a flecha que voa,
Ama também o arco que permanece estável.

 Khalil Gibran


Quando Jesus nos ordenou que rezássemos o Pai nosso, sabia que, em nós, reinava (e reina um ser) que governa nossas ações. Um ser puro, disciplinado, cuja abrangência de sua bondade e justiça equivale ao tamanho do universo: infinita. O mestre, visto como Pai que virou filho na cruz, depois de séculos, assemelha-se ao grande Pai, após tornar-se Cristo, aquele que se iluminou. Torna-se mais, uma estrutura simbólica referência dos homens de bem, os quais no passado, não apenas cristãos, como também templários, maçons, que, em seus templos iniciáticos dele lembravam como o cimo do espírito, ou o próprio.

Cristo nos é referência, assim com o foram os grandes Pais da humanidade antes dele. A maioria, mesmo que muitos não aceitem, em razão do fanatismo, sabe que houve nações governadas por bons homens, os quais, em suas cidades ou países, transformaram o povo em seus filhos.


É o caso do grande faraó Ramsés II (1303 a 1213 aC), por seguir seus antecessores em sabedoria, mais também pelo seu amor ao Egito, tinha mais de oitenta filhos. Explico, por se tornar um homem espiritual, talvez um dos maiores da história, seguidores houve em seu reinado que disseminavam seu conhecimento em sua obras, e transformavam seu reinado em bem-aventurança.

Um pai, vigilante, austero, inclinado a cuidar de seu povo, de sua nação. Assim foi Ramsés II, que, ao pressentir pragas, enfermidades... tornava-se um místico, ou um ser que pedia auxílio aos deuses no sentido de isolar os males presente. Assim o fora aos seus filhos, que, governados por esse grande pai, o viam como um homem-deus, ou a ponte inquebrantável entre eles e Deus. E era.


A expressão grande pai, no entanto, após séculos, tornou-se sinônimo poder, pois, em nome de um governo assassino, um dia, após uma revolução (a Revolução Russa), tornou-se líder maior de um povo o pai que precisava insurgir-se após anos de caos e miséria naquele país.

Após a morte de seu companheiro Lenin, tornou-se o maior líder que a (antiga) União Soviética poderia ter, o que não significa a realização de um sonho, talvez para muitos, os quais, até hoje, se lembram dele como o maior dos pais. Para outros, o maior dos demônios. O nome dele: Josefh Stalin.

Na grande Segunda Guerra Mundial, Josefh Stálin fazia pactos com outro ditador, Hitler, o qual pedia auxílio na consecução de seus fins, mas Stálin, velhaco, sabia que a realidade era outra, e teria que exterminar todas as possibilidades de fazer qualquer pacto, acordo, enfim, de armistício com outro demo.

Terminada a guerra, depois da grande derrota de Hitler, todos viram o grande Pai Stálin como o maior dos homens, de modo que morriam por ele. Mal sabiam que alimentavam o maior dos cães da história, pois, em nome do vaidosismo governamental, muitos – mais de dois milhões de pessoas, entre cientistas, sociólogos e intelectuais em geral – foram assassinados, além de, claro, civis que na surdina eram contra o seu governo de massacres internos.


Mas, como hoje, quando governadores são presos, mesmo que tenham extorquido de muitos, Stálin foi amado, venerado pelos seus fiéis filhos, os quais não se esqueceram da grande derrota do mal que poderia ter tomado o berço das inteligências, a União Soviética.

Não vejo, no entanto, que esse ditador tenha sido um grande pai, longe disso – está mais para um grande monstro – mas, no antigo Império Romano, quando Julius Caezar fora um dia ditador, fez uma série de reformas administrativas e econômicas. Ditador, na antiga Roma, não seria exatamente o que temos em mente.

Quando se tem uma educação voltada ao sagrado, desde tenra idade; quando se é respeitador de um universo do qual respostas indagamos diariamente; quando se entende que a disciplina e a ética não é algo fruto de um individualismo, e sim muito maior; quando surge a possibilidade de poder, então vem o ditador, aquele que dita as regras baseadas em preceitos maiores que ele mesmo. No antigo Egito, chamaríamos de Maât. Na antiga Roma, de Júlio César...


Enfim, se eu pudesse fazer referência aos grandes pais da humanidade, não caberiam tantas histórias e reverências. Teria que buscar em pesquisas intermináveis nomes que jamais um dia citei, além de outros que cito normalmente, como o grande Mahatman Gandhi, que um dia, depois de libertar seu país, jamais fora esquecido pelo seu povo como o maior dos pais, a grande alma. Citaria, também, Sesóstris III, o grande faraó, antes de Ramsés II, que um dia, apesar da época, salvou seu povo das raízes de um fanatismo grotesco que, hoje, depois de séculos, assola mundo...

Falo do fanatismo religioso, cuja possibilidade de engrandecimento veio a época de  Sessóstris, o qual, com seu amor ao povo, com sua religação com o divino, levou a todos o pão de cada dia, a cerveja das festas, a alegria de ser filho desse grande pai.

MAS... Hoje, como pais que somos, pelo menos eu que sou, sinto que há poesias no ar, apesar do pesares. Sinto como se fosse uma taça de vinho tentando passar o melhor que tenho em mim para o meu filho. Seja na hora que acordo, e lhe dou um grande beijo de bom dia, seja na hora em que dormimos, ao beijá-lo de novo, esperando que durma mais cedo.

Como pai, penso nos grandes homens que do passado, como sempre..., iniciavam seus rebentos em guerras, e penso na minha diariamente. A guerra, graças, não é a mesma do passado, na qual, com cinco ou seis anos de idade, o pequeno enfrentava sozinho, em situações de medo, animais, o escuro...

Hoje, ao ver meu filho junto a mim nas horas em que vou dormir, penso em sua pequena iniciação, nos seus querês , nos seus questionamentos acerca de tudo que o ronda, e mais, penso em minhas respostas, as quais, no fundo, são ditas com o veludo merecido, ainda que eu esteja bravo.

Penso na forma que vai ter quando crescer. Em suas titubeações em conseguir um local na sombra do mundo; penso em mim, como o referencial para as suas consecuções, além da minha grande responsabilidade de ser herói sem capa, sem cinto, sem poderes, mas com o maior deles, de transferir todo o meu amor – não confundamos com fragilidade em excesso --, além de ir ao passado e resgatar o pouco que nos deixaram como legado para o crescimento interno do indivíduo.

Os pais, querendo ou não, são frutos do grande pai espiritual, a que tanto Jesus no inicio citava, mas, muito mais, somos a materialização desse Pai, que, espiritual, no ilumina com o intuito de velarmos pela segurança de nossa família e por que não do mundo?




Ao meu grande Pai.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Às Margens da Montanha



Referencial grandioso de elevação.



Quando nos sentimos no topo da montanha, seja ela física ou metafórica, o bem-estar nos toma. Muitas de nossas ideias quase mortas se tornam nosso alvo principal como cordas de aço para manter firme aquele estado de bem aventurança.  Como um sacerdote do presente – pastores, bispos, padres, pai ou mãe, que buscam lidar diariamente com o “espiritual” – chegamos ao ápice de nossas possibilidades, e queremos mais, sempre mais.

Assim, vai-se o homem humilde, o simples caçador de mistérios, e surge aquele rico ser que acredita ser o único no mundo que possui a verdade nas mãos. A montanha, ou aquele sentimento altíssimo, dessa forma, torna-se o alvo principal da espécie humana. A felicidade foi encontrada...

Será? Então por que nos surgem momentos que nos revelam o contrário? Sempre, em todas as circunstâncias, em qualquer lugar que estivermos, fugir do escorregão, da queda, da ferida é fugir de outra realidade, a de que não aprendemos com a montanha.

Ela, na verdade, não foi escalada em sua totalidade, e sim visualizada de longe, amada, conquistada pelo coração, mas escalada, não. Se tivéssemos chegado ao ápice, é provável que nossos olhos em relação a ela, ao que somos e fazemos, seriam outros, pois chegar ao ponto maior de nossos sonhos, sejam eles materiais ou não sejam, é entender um âmbito, um universo.

Escorregar da montanha vem a ser apenas uma expressão, mesmo porque não a escalamos e se isso vier a ocorrer, aconteceu às margens dela, nas primeiras encostas, como em uma escada de milhões de degraus, nos quais, em vida, tentamos subir e encontrar em seu final a resposta para tudo que se passa conosco. Mas é apenas um simbolismo, que revela que as pretensões são maiores do que a prática – o que é um erro --, pois não se pode confundir o primeiro degrau com o último.

Quando se é humilde, no entanto, e se reconhece que não se pode ir além do que se pode, tudo bem; mas quando se tem a experiência, sabedoria, e todas as ferramentas colhidas durante essa jornada chamada vida nos dá, vem a ser vergonhoso trocar o primeiro degrau pelo último.

Contudo, como já frisamos, aqui, o homem é um ser racional, e isso, às vezes, o impede de conquistar até mesmo os primeiros degraus, aos quais a vida lhe submete, pois se fecha em uma outra realidade, a teórica, sem a prática. E dentro desse contexto, o próprio homem, acreditando que suas ferramentas já chegaram ao fim de suas utilidades, joga-as fora, sendo assim, por exemplo, um cientista de pensamento limitado, porque não acredita em Deus, apenas pelo simples fato de ser cientista, e que tudo que se descobre vai de encontro às religiões...

Mal sabe ele, no entanto, que o próprio universo em que se encontra, descobrindo e revelando seus mistérios, também pode ser denominado Deus, pois estaria indo ao encontro de vários conceitos tradicionais, e mais, tendo em mãos possibilidades de elevar mais suas pesquisas não só no campo material, como também no semântico, como o confronto com a própria morte, que, para a maioria, nada mais é que a transformação do corpo de comida para os vermes.

O racional é necessário, mas se torna uma faca cortando com o lado errado uma carne que precisa ser cozida urgentemente! A ciência é atrasada por isso. Na combinação da matéria e da semântica que a conduz, que a faz matéria, como se acreditava no passado, poder-se-ia ter dado passos fundamentais para a descoberta de várias doenças no presente, e muito mais.

Mas a descrença em Deus o faz ser individualista e isso custa caro à humanidade. Ele quer ser Deus, assim como o do cristão, que chega ser a maior figura simbólica dos dias atuais, e de quebra a mais discursiva. Ou seja, o cientista escorregou sem mesmo chegar ao topo.

Assim somos nós em nossas montanhas, dentro de nossas possibilidades. Até mesmo um pedinte que, ao encontrar um mero lugar para ficar, uma comida sadia por dia, acredita que chegou ao ápice de sua consecução e não precisa mais de nada, então não adianta oferecer-lhe um abrigo real, um conforto material a mais, ou mesmo um emprego, pois dirá que não tem mais forças para tanto, e volta ao seu mundo. É a morte.

Abaixo da montanha

Aqui, no subsolo de nossas possibilidades – para alguns, como fora dito, a própria montanha... – temos a sublime certeza de que alcançamos o pico, e, como na mítica Torre de Babel, entramos em conflito e, sem razão, teorizamos em nome de influências de “amos de cavernas” que nos assistem, de longe, a deixar que caminhemos para o precipício até cairmos nele.

Na verdade, a peça que nos falta para a compreensão de nós mesmos, nessa hora, é humildade. Ela nos faz ver o que podemos ser e o que queremos ser, o que somos. Ainda, nos faz pisar no chão, literalmente, e entender que alguma coisa deve ser feita, caso contrário o precipício ficará tão perto quanto o próprio ser humano que mora ao nosso lado.

Temos ferramentas para tanto – e desde o dia que nascemos, procuramos entender para que elas servem ou como funcionam, e porquê nos deram. As reflexões nesse âmbito nos surgem, mas não para descobrir o universo do cientista, nem mesmo o do cristão, mas o nosso, o mais simples; e assim, caminhamos, em nosso nível, para a margem da montanha, que nos espera.

Aqui, somos obrigados a olhar para cima, não para nós mesmos, e encontramos a passividade de alguns e atividade de outros, e enfim, as nossas respostas quanto às ferramentas que nos deram. Elas, assim, seriam meio para nossa realização material ou espiritual. Seria a ponte entre nós e nossos objetivos. E assim, caminhamos.

Nesse nível, todos os problemas nos vêm. Desde o mais pessoal ao mais reflexivo. E nós, medonhos, nos entregamos a qualquer um que nos complete a frase de nossa semântica imperfeita – tão imperfeita, que se assemelha a de uma criança. E toma-lhe influência alheia, e mais, e mais...


E a montanha se distancia, pois não fomos ao encontro dela corretamente. Chegamos perto, vislumbramos seu rosto – branco, congelado, poderoso – choramos ou sorrimos entusiásticos pela “descoberta”, que não era nova aos olhos de muitos. Mas somente aos olhos.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

A Viagem que Não Fiz



"Não preciso viajar, tenho tudo aqui, em minha pequena praça" autor desconhecido.



Sempre tive a vontade de viajar e nunca mais voltar. Conhecer edifícios belíssimos, os coliseus, as grandes muralhas, as eternas pirâmides egípcias, astecas;  fazer parte dos países que sempre tiveram legado histórico e que mudaram o pensamento humano em relação a tudo e a todos.

Penso  um dia sair de casa, como um Forest Gump da vida, caminhar até Roma, correr até a Grécia, voar até o Egito, voltar ao Oriente Médio, em meio aquela desavença toda, e observar de perto a história da Pérsia, que um dia, notória, guerreou para conquistar o mundo, assim como Esparta, a melhor de todas!

Sonhar não custa nada, e disso eu vivo. Mas, em minhas reflexões, penso que a necessidade de ir ao longe, e voltar, meu pensamento, ou melhor, meu psicológico mudará no tocante à realidade que verei. Não sei se teria a mesma visão apaixonada dos monumentos, dos nativos que herdaram o pouco que amo nos livros – guerreiros, reis, rainhas, sacerdotes... – além do comportamento, tão diferente, que me causaria um dor... Boa ou má.

Não sei. Sei apenas que minhas reflexões não cabem dentro de mim, quando me deparo com os mitos, com sua universalidade, além de culturas que, ao mesmo tempo, se elevam e me elevam na mesma proporção. É uma busca, percebe-se.

E consegui encontrar. Hoje, após anos de leituras, posso me permitir dizer que mudei um pouco, em pensamentos, em comportamentos. Não tem como, pois, ficar passivo a uma leitura de um “Ramsés”, sem chorar no final da historia, na qual o grande faraó nos deixa órfãos quando fará parte dos deuses.

Não tem como ficar estático, ao ver as lutas dos grandes espartanos em sua época dourada, respeitando o inimigo, ainda que este não tivesse o mesmo por eles. Descobre-se que somos meros mortais, sem história, presos a pequenos valores e medrosos quando conflitos internos nos convocam para saná-los. Os espartanos foram os únicos que brilharam em todos os sentidos nas batalhas, pois deram sinais de valor ao homem, ao país, às leis. E muito mais.

E, hoje, se eu passo pela antiguidade, e tento descobrir o porquê desse amor à batalha, às leis, tenho a obrigação de me sentir um espartano, no meu nível, e me obrigar a respeitar o meu inimigo, o meu país, ainda que seja um país que não mereça, mas tem minhas raízes e delas não posso abdicar. Estaria deixando um pouco de mim, e isso é traição.

Não apenas na sabedoria grega que devemos nos fincar, mas em todas elas. Dar a volta ao mundo, descobrir o Oriente e sua dedicação ao sol, à chuva, à terra; sentir um pouco da retidão sublime dos japoneses, chineses... Aprender um pouco sobre suas religiões, filosofias, compreender que seus mitos são tão fortes, que até hoje muitos não entendem o comportamento de algumas culturas orientais.

Claro... Nós do Ocidente aprendemos a nos fechar ao mundo, chorar sentados ao meio fio, e esperar que alguém nos diga alguma coisa, pois nos cerraram a mente de tal maneira que não conseguimos mais abri-la para a grandiosidade de nossa alma; pelo contrário, criticamos, e dizemos que nossa filosofia, religião, política, família são exemplos... Como somos pobres!

E a pobreza cultural, aquela que nos encerra uma verdade que não temos, é a mais perigosa, pois nos envelhece, nos mata e nos leva ao um céu inexistente. E nos vamos em forma de cinzas para as florestas, na esperança de sermos algo, pois não fomos nada em vida.

E quando olho para o além, depois de paginar meus livros, penso na totalidade de uma população que busca romances rápidos, frios, às vezes quentes demais. Penso nessas pessoas que se dizem leitoras, cultas, aprendizes do dia a dia e que se sentem bem... lendo o que vem e o que vai na moda das editoras. Perda de tempo.

Sei o quanto o perdi, e ainda perco quando me refiro a essas pessoas, no passado e compreendo que o passado de muitos é o agora, pois terão dores de estômago de tanto rir ao saber que o pensamento humano não é nenhuma lixeira, e que um dia o foi quando jovem (para muito adultos ainda o é...), mas se dão uma chance, se levantam, e se questionam a respeito de seu ecletismo cultural.

Bem... Ainda não viajei, mas espero ser um dos poucos a modificar minha vida, para melhor, pois o que tenho em mim, como riqueza, é ainda teórico. E não gostaria de perder esse tesouro que há muito faz parte de mim.



terça-feira, 6 de agosto de 2013

Segredos que Não Morrem.

Cuidado, ele pode crescer e te domar!



Sabe daquele segredo que nem mesmo você quer se lembrar...? Daquele prisioneiro que, ao sair para a rua de sua alma, para a avenida de seu espirito, para a lua de sua noite mais escura... e quando se expõe com sua frialdade de dar medo, nos faz gelar os ossos, e repensar a vida como um mero sopro divino, e passa a ser o meio de vigília eterna de um ser que não pode sair, apenas ser lembrado, odiado, amaldiçoado pelo que não poderíamos ter feito.

Mas ele nasceu, se tornou jovem, e pelos olhos, um adulto a qualquer preço, e luta, como um monstro, para sair de seu cativeiro de ferro, abaixo de nossas consciências, daquela estrutura que edificamos com intuito de prendê-lo e nunca mais o virmos.

E, no entanto, seu choro enganoso nos faz perceber que quer nos fazer de tolos e nos confundir, sensibilizar, e trazê-lo à tona, como um herói que não é. É vil criatura que nasceu de nossas entranhas sujas, de nossa imaturidade com a vida, com o mundo que nos deu elementos para tanto. É o peso de nossa consciência, ou da falta dela, num momento em que Deus para nós era apenas um ponto luminoso em nossos sonhos.

Percebemos, assim, após nosso crescimento psicológico, que o melhor de tudo é o esquecimento daquele segredo, que virou homem, que se transformou em uma criatura além-compreensão humana, e que, agora, penso, se um dia todas as pessoas o têm, estaríamos alimentando, sem perceber, um gigante dentro do imaginário coletivo, em uma prisão maior ainda, porém de frágil estrutura.

A realidade é que se estamos reverberando acerca dele, desse monstro que se esconde em nossos subconscientes, é porque sua voz ressoa no castelo de nossos sonhos, e que, a depender, podemos enfrenta-lo, um dia, quando tivermos forças e ferramentas, como guerreiros advindos do nada...

Podemos ainda, pensar que esse segredo, esse dragão que se esconde com seu fogo brando, em seu ser, cresceu, se tornou o maior dos dragões, foi educado para incendiar seus pares, mas para respeitar seus criadores. Contudo, como dragão abandonado, é preciso entender que não conhece o dono, e a luta em torná-lo dele é a pior possível.

Pegamos, então, nossos elmos, espadas, cavalos e tornamo-nos cavalheiros dentro de nós mesmos, domemos esse ser que nos intimida nas vezes em que aparece somente a ponta de suas escamas, e mais, nos faz correr feito crianças para dentro do armário.

Não podemos deixar que a vida se resuma nisso. Tenhamos em nós outros monstros, talvez maiores que aquele, e que sejam monstros passivos de paz, de utopia, nem que seja para acalmar, por algum tempo, esse segredo que não morre.

Ele pode morrer.

Temos, contudo, uma chance de derrota-lo. Se um dia criamos alguma coisa, ainda que nos aspecto psicológico, podemos sim desenvolver uma técnica na qual a humanização de elementos internos pode ser tornar benéfica a nós mesmos.

No nosso caso, elevar-se, mudar de caminho. Repensar valores que há muito éramos a favor e hoje somos completamente contra. Não deixar resquícios dessa evidência, de que não somos mais o que pensamos no passado. Isso pode nos auxiliar a encarar segredos e monstros do passado como uma criança que não quer ir para a aula, mas levanta a cabeça porque não tem outro jeito. Iniciar um processo prático contra o que éramos, e se possível manifestar-se ante você mesmo, no espelho interno de sua alma, e entender que todas as coisas mudam, como seu corpo, mente, pensamentos, e seus sonhos também mudam.

Deixar a corrente de elevação tomar conta de sua vida, e começar a plantar novos frutos, bons, e ter a certeza de que aquele segredo, agora, é fruto passado, quase apodrecido, e que se um dia voltar após uma grande primavera, olhar para ele, frente a frente, e dizer que a pessoa que o fez está se indo com os fungos que o corroeram, e ao passo renascendo deles próprios.


Se isso não for possível, entender que o segredo deixou marcas inesquecíveis, e que ao contrario do que foi, pode ser lembrado em forma de energia positiva, ou seja, todas as vezes que o retirarmos do porão de ferro, olharmos para sua face hedionda,  e não corrermos, saiamos de nossa penúria e tentemos ser um pouco melhor com alguém que há muito tempo precisa de um abraço.

A Parte que nos Falta

"É ótimo ter dúvidas, mas é muito melhor respondê-las"  A sensação é de que todos te deixaram. Não há mais ninguém ao seu lado....