quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Oração dos Jovens zumbis (ii).

Cuidado com o que pede.




Esmirrados ao sol, presos ao um livro, cheios de ideias religiosas, pronto para enfrentar a adversidade tal qual o guerreiro cristão, o jovem religioso se embebeda de vontade de mudar o mundo, o dele, e, neste, cantar em nome de Cristo canções de louvor. Tal jovem sente que a sociedade está se transmutando com exemplos que denigrem seu espaço, e este, na maioria das vezes, sem saída, obrigando-o a recorrer ao céu, e subir até ele o mais breve possível, ou fazer da terra o paraíso literal, ao lado de seus companheiros.

O jovem, por mais cíclico que seja, está sendo manipulado por razões abstratas, dentro das quais não consegue modificar uma vírgula, mas o que compreende é o bastante para digladiar consigo próprio e com seus amigos de igreja.  Para eles, não importa se estão certos ou errados, e sim vivos em nome de uma esperança que não cessa – a de fazer um dia parte da juventude celeste – uma ideia quase concreta.

Suas ideias, de paraíso, de céu, de inferno, de dor, de amor, verdade, são perigosas, pois não chegam aos seus conceitos reais (pelo menos buscam...), nem mesmo a ludibriar o mal, mas o que importa? Para o jovem cristão, a energia dispendida em orações, em cânticos (rocks, baladas, achés...) com letras cheias de citações bíblicas, e esperar que uma política, sociedade, família façam o mesmo... É o que importa.

É difícil fazê-lo acordar para uma realidade. Dizer-lhe que o céu seja algo mais profundo que o que espera, e o que inferno, a depender da circunstância, pode ser suas dúvidas pré e pós-consciência. Esta, às vezes desde a infância presa ao que a família lhe impõe, sobrevoa entre árvores secas, sem frutos, dos quais não pode comer.

Sua consciência, por não se abrir para a realidade, revela-se um grilo mudo, ao contrário do grilo falante, da animação Pinóquio, se estendendo a horizontes com sol de plástico e estrelas de papel. E quando vem a manhã, um medo que o acompanha nas veias, mas que se vence nas entrelinhas de seu coração, pois o Cristo, que renasceu, subjaz em sua teoria forte, o qual o auxilia em sua praticidade simples... O acordar.

E no integrar, o jovem cristão sorri, como se fosse o mais simpático dos seres em busca de fieis à sua causa, a qual se torna mais abstrata e confusa do que suas teorias acerca do céu e inferno...  E vai, e canta, e trabalha, e, com o medo de amar, da maneira mais livre possível, recorre às orações a pedir a Deus que o retire desse mundo , pois não sabe lidar com os instintos...!

Questões...

E os questionamentos acerca da sociedade e de suas debilidades?...

Percebo que são como plásticos ao vento em suas opiniões, as quais sintetizam a inércia até mesmo em pontos realmente polêmicos, como o homossexualismo, lesbianismo, simpatizantes... E enfim, tudo que, segundo o arcaísmo conta, é contra as leis divinas.  Porém, não tentam, em sua praticidade, entender a realidade. Quero dizer... Não há somente decadência em sociedades distintas, quer dizer, em comunidades em que a minoria é discriminada. Qualquer minoria.

No caso em questão, para fundamentar uma opinião acerca de homossexuais, gays e lésbicas é preciso entender que nos ciclos humanos há a possibilidade de nascermos héteros e homos, etc... O que não invalida ninguém. O que invalida humanamente é o comportamento de um homem que mata, estupra, oprime...  E do lado da mulher, idem. Agora, direcionar todo o mal do mundo ao homos... É de se pensar, refletir, e iniciar um processo de respeito, ainda que, com seus modos não aceitos, também são seres humanos.

Seus erros, no entanto, são vistos como.. diferentes, pois fogem à regra dos erros. Mas quem disse que os erros têm leis? A realidade é que a patologia humana com relação ao próximo é individual, podemos aceitar não aceitando. Contudo, quando se torna uma grande patologia social, e quiçá civilizatória... Temos, nós, em nossa sã consciência rever nossos conceitos de amor ao próximo...

As notícias, entanto, não cessam. Os preconceitos, idem. E o jovem cristão, levado a acreditar que é o final do mundo, repugna todos os atos de uma minoria, que, acostumada a execração da maioria sacerdotal... , sente-se na vontade de ir em frente, conseguir, em meio à lama política, religiosa, familiar e educacional, criar leis...

E aí é que mora o perigo. Pois até mesmo nos antigos impérios, quando havia homens e mulheres com direitos iguais, não havia, pelos preceitos sagrados, universais, e divinos, casamentos entre iguais, fisicamente. E assim por diante...

Hoje, na esfera de uma decadência moral e ética, não poderia, jamais, a minoria contribuir para tanto, pois ir atrás de seus direitos, às vezes, não é ir atrás do que é correto, pois se temos referenciais tortos, não podemos sequer olhá-los.  Os únicos referenciais que temos são os do passado, os quais sintetizam respeito, humanidade, civilidade, amor (universal, não sexual), e uma contribuição enorme para o céu de cada um.

E aprender com esse amor, seja ele de cores e modos diferentes, em qualquer meio e situação, sempre direcionado ao todo, devendo os jovens aprender – não só eles... – e, aos poucos, e entender que somos todos passivos de erros, machistas, feministas, homos... E perceber que dentro deles podemos ser protagonistas ou não, forte ou não, partidário ou não, santos ou demônios.

Não adianta ouvir murmúrios discriminativos, baseados me premissas mais discriminativas ainda; deve-se questionar acerca deles, entendê-los, e obter a resposta.


terça-feira, 8 de outubro de 2013

Oração dos Jovens Zumbis (i)


Oração do jovem.


Ainda ontem, vi um jovem a pedir a Deus que o protegesse, que dele não esquecesse, e que protegesse seu “rebanho”. Teria sido um ato comum se não fosse a maneira como fazia... Ajoelhado ante uma parede, com a Bíblia no chão, sua voz alterada, caracterizada pela tonalidade normal, a subir a cada pedido nas orações... Isso dentro de um cômodo, pequeno, sem organização.  Fez-me refletir.

Até quando jovens de todas as idades devem passar por isso? Será que a prática diária lhe tem feito tão medonho ao ponto de implorar a Deus seu sucesso, ou menos... A proteção em família? Não... Talvez o questionamento não seja este. Ou seja talvez... Será que a falta de saída aos seus questionamentos tem lhe feito preso ao que sintetizam a ele acerca da Bíblia?... É a mais cotada...

Acho que tudo isso, a muitos, não importa. A razão pela qual se ajoelha, pede a Deus, seja de joelhos, de cabeça para baixo, ou berrando dentro de uma igreja, não faz um delinquente, um marginal, um individuo que a sociedade repugna. Pelo contrário. Que ama...

Porém, será a sociedade está tão vazia de valores ao ponto de criar marginais ou fanáticos religiosos – sempre aos extremos? Não há sequer um jovem que possa refletir acerca de seus atos, sem que se entregue a um ou ao outro? A realidade é que nos parece exatamente isso.

Quando deixei aquele cômodo no qual o jovem uivava em nome de Deus, vi que ele continuava ainda mais alto, como se estivesse retirando de si um grande mal. E pensei mais ainda... O que um jovem, que vai à igreja tantas vezes, e que possui uma personalidade simples, com uma vida regada de respeito à família, aos amigos, pode pedir com tanta força, eloquência, a um Deus? Perfeição? Ou terá nosso caro medo da punição Divina?...

Esta última me parece mais adequada. A certeza de existir um deus que pune pelos atos, pensamentos, má compreensão da vida; pela mínima falta de respeito, leva, na maioria das vezes, aquele dedicado servo de Cristo a acreditar que punições há como em produções cinematográficas... Advindas do céu. Se não pensar, é claro, que Deus o persegue, e que o Diadorim (não o personagem de Guimarães Rosa, em Grande Sertão: Veredas, mas um dos nomes do Capeta!), do outro lado de sua consciência o perturbará em cada pensamento justo...

É um conflito tão poderoso, que pode, no mais tardar, dar ao jovem sinais de conturbações maiores, afetando o lado físico, por meio da mente. Sim. Há, em instituições escondidas e isoladas pelo governo, de pessoas com menos de vinte anos de idade, que, um dia, se dedicaram a causas maiores do que seus pensamentos, sem que lhes respondessem quaisquer perguntas...

A verdade é que por ser jovem, tal quais sacos ao vento, instituições aproveitam para jogar suas filosofias religiosas em pessoas que ainda não possuem maturidade para refletir acerca da vida, e lhes dão uma ferramenta, uma Bíblia – sem críticas! – já traduzida, mastigada, e respondida com visões modernas. Até aqui, o jovem se revela já um encantador de pastores, tendo visões, levando ao pé da letra seus mandos, esquecendo-se da vida pessoal, profissional, e digladiando com outros, do demo!, acerca do que aparentemente sabe... Porque quem não faz parte de seu círculo pode ir para o inferno...

Ainda não é a morte. É quase.

Não peço rebeldia, pois o jovem rebelde, atualmente, se perde, ao contrário do passado, em redes sociais, criando perfis falsos, ficando com meninas mais falsas ainda. Nem peço que se joguem nas drogas (longe disso!), mas encontrem o que Buda disse ao se iniciar... “O meio termo”. Não que precisem provar dos vícios, mas que tais vícios sejam o futebol, o namoro, ou experiências nas quais ele não se arrependa; que leiam acerca de heróis, e biografias de pessoas que conseguiram um abrigo com seu próprio esforço...

E se um dia alguém lhes questionar acerca de Deus, se fazem parte de alguma facção religiosa, digam que são católicos ou crentes, a depender do que a família defende, mas a respeito de Deus ainda não tem opinião própria, pois a cada instante vive da melhor maneira possível, e que, por enquanto, sua consciência o tem feito respeitar as outras crenças de modo que está em paz com Deus.


Não precisa se jogar aos pés de pastores ou anciões loucos para “raptar” fiéis para o seu templo, ou escravos jovens que não sabem pensar – esses, a maioria. –; não precisa se mostrar fraco, pois, tenho a certeza de que, se você, jovem, está vivo, inteiro, até este ponto, sem necessitar de auxilio de ludibriadores revestidos de pastores, é porque uma entidade, a não pessoal, a não manipulada, a não inventada, a não sombra humana, está tão perto de você quanto a de qualquer membro daquela instituição de zumbis.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Filósofo, coruja do mundo.

Simbolo da sabedoria



A decadência, na maioria das vezes, se mostra na estrutura que se constrói, em sua inutilidade, na falta de ideias para com o social, e mais para o interesse próprio. Ela, em si, reside na falta de base para alcançar objetivos para com o próprio homem. E este, consequência de si mesmo, revela-se perdido, e  com certeza se encontrando em relatividades que ele mesmo edifica com o sentido de agradar a si mesmo, sem que haja a holística universal, em pequenos e simples atos, retornando para si mesmo em grandes e complexas consequências.

O filósofo por manter o absoluto em suas opiniões, baseadas em premissas tradicionais, revela-se um mantedor de esperanças nos dias atuais; diferente do partidário às religiões, ao mesmo tempo sendo religioso (não como na religião moderna), nas quais referencias se confundem com a psicologia; revela-se tão político quanto os de hoje, quando tenta salvar vidas do filho, do jovem, do maduro... do Imaturo. Não como um padre, mas sim como um ser que possui chaves naturais (graças às experiências) que a própria tradição o concebeu. E ele entendeu.

O filósofo, em sua visão, precisa de alimentos naturais, como a batalha do dia a dia, das guerras, dos conflitos, da integração consigo mesmo e com o próximo; o filósofo, que busca manter a paz com suas ferramentas de guerra, encontra nesses meios circunstanciais a resolução dos problemas que o atingem, e ao que mora do lado.

Guerreiro do Silêncio

Guerreiro, herói, santo, papa, cristão ou não , o filósofo se esconde em cada homem que gera a necessidade de pensar, buscar, conseguir, não se cansar, levando, em cada prática vital, a singularidade dos grandes que um dia pisaram no mundo. É uma das responsabilidades mais humanas e belas a que temos direito.

Outra responsabilidade é não temer a céus ou infernos, seja ele qual for, pois se sabe que tais argumentos em direção a qualquer  dessas  crenças não são válidas em razão de nações antigas já se referirem a tais coisas como símbolos que estão presos à natureza concreta, mas semanticamente presos ao homem, dentro de si. E a responsabilidade é seguir acreditando e buscando, dentro de suas possibilidades, com seu racional voltado ao Céu, a verdade e passá-la ao simples e complexo homem, como a um pássaro pequeno que quer apagar um grande incêndio – fazendo sua parte no contexto universal.

E quando me refiro a contextos, não me refiro a opinar acerca das guerras atuais como um locutor preso ao microfone e que o larga apenas quando lhe faltam ar. Não. O filósofo, por ser um mero e simples ignorante que busca seu lugar no Mundo, encontra soluções na tradição e no conhecimento deixado pelos homens de bem, religados ao deuses, os quais governavam com disciplina, amor, dedicação, e que nunca faltaram com seu povo.

Não deixa de ser opinião, no entanto, o que não nos difere dos demais. Ao mesmo tempo não deixa de ser partidário, e às vezes, radical, mas, quando se reconhece a sombra da verdade, não se esquece jamais.

Assim como Giordano Bruno, Joana Darc, Sócrates, que um dia viram a verdade, o filósofo dos tempos atuais deve sempre se referenciar neles. Porque, ainda que nos sejam distantes tais exemplos, podemos, em nosso meio, de algum modo, negar (e renegar) o que vai de encontro aos nossos princípios.

Para esses grandes que nos deram tais exemplos, era como se respirasse o ar da vida, para nós, atos como os deles são como dar a nossa própria vida; por isso, em nome de algo maior que nossas próprias vidas – que tal aos deuses! – temos que viver, e se possível, sobreviver, pois a terra precisa de homens que deem o melhor de si, para salvar a todos, com seus pequenos e simples atos...

Passeatas, Eventos...

Um filósofo não precisa ir passeatas, gerar consequências que não pode abraçar. Um filósofo não precisa se mostrar, também, filósofo em demasia, a dar explicações pseudo-intelectuais, o que faria dele um medroso por não ser pés no chão... Não há ninguém mais pés no chão (realista) que o filósofo.

Não há ninguém mais feliz, mais humano, mais fiel a si mesmo que o verdadeiro filósofo.


Um filósofo tem seu caminho disciplinado, virtuoso, correto, no qual até os degraus da escada que limpa são os mais limpos; por isso que se diz que não precisa fazer da filosofia uma disciplina, mesmo porque ela é inerente a nós, como o ar que respiramos.

Um Legado Eterno

Platão e o espírito da busca





Houve época em que nascíamos com o conhecimento, graças a tribos, clãs, grupos, e principalmente escolas, com um cetro voltado ao sol, além de um espirito solidário. Época em que muitos (na realidade, poucos) fizeram suas escolhas baseadas em princípios e experiências voltados ao sagrado, e se ao profano, não desdenhavam ao medo o que muitos, depois dessa época, se espantaram e se foram...

O medo era apenas uma energia de guerra, não a ausência de coragem, o que por sua vez não era a ausência daquele, e sim a força do coração, de uma alma pura, embriagada de paixão pelos ideais, fossem eles quais fossem. O medo, em si, era a arma natural do homem, codificando ao corpo e à mente caminhos por onde deviam trilhar.

Houve época em que o espirito do homem, levado pelo Grande Espirito, fazia com que aquele fosse  em busca de uma verdade diferente da que estamos acostumados, era a verdade de dentro, do que mais subjazia em nós. Seria, em minha vã tentativa de exemplificar, a busca por água depois de anos em um deserto mais que árido. A água era nossa alma.

É a busca e nesta, tão maravilhosa, tão pura e cheia de amor, na integração do homem, na compreensão da mágica da vida, no topo de uma montanha, o homem encontrava meios simples, ao passo, complexos, nos quais se perdia, e perdia seus conceitos, porém, ao olhar para os referenciais de seus mestres, encontrava-se, dedicava-se, e via a face de Deus.

A verdade é que não se sabe o porquê de tantos homens em épocas tão raramente equidistantes surgiram e se foram como grandes cometas que jogaram do céu tanta humanidade, tantas obrigações a serem descobertas. No Egito, foram os grandes faraós, que transforaram a terra vermelha em berço da civilização, por meio de seus atos supra filosóficos. Mas foi na Grécia e em Roma que grandes homens surgiram traduzindo das terras das pirâmides, entre outras, o código precioso.

Assim como aquele passarinho que levava no bico a água para apagar o grande incêndio, todos os filósofos iniciaram o processo de salvar vidas, por meio da busca dos mistérios, e a água nada mais era que esse legado à humanidade, de encontrar a si mesmo, de modo a salvar-se da sua própria ignorância. Pois o que nos falta é um pouco de sabedoria, e isso a cada dia nos é escasso.

Por meio de suas escolas – Pitagóricas, Pré-Socráticas, Epicuristas, Estoicas... – conseguiram, por meio de uma linguagem fechada, simbólica, na qual apenas discípulos fiéis poderiam resguardá-la, os amantes da verdade entregavam-se com intuito de levar ao homem apenas a real verdade, nada mais.

Tais escolas, no entanto, por seres fechadas e com uma linguagem específica, foram, na maioria das vezes, mal compreendidas. Algumas foram fechadas em razão de governos ditatoriais, outras incendiadas pelo povo, e mais algumas, pelos próprios discípulos que não lhe davam credibilidade...

No entanto, o que ficou ao homem ocidental, por meio de obras essenciais, foi um pingo d´água que se chamara Filosofia. Esta, ainda mal vista por muitos, é relativizada pela grande maioria em razão de abranger tudo e ao mesmo tempo não ser partidária a nada.

A filosofia, que vem de Philos, e Sophia, busca e conhecimento, revela-se mais vilã do que nunca. Apesar de ser mais um meio psicológico do que uma tendência humana, como o era no passado, também faz parte do cotidiano do homem racional que almeja entender (não saber, não ter conhecimento) mais que outros, o que nos faz repensar se queremos ou não ser um filos...

Um dia encontraram Pitágoras e lhe perguntaram... “O senhor sabe tudo?”, ele, na mera simplicidade que lhe era inerente, disse... “Não, sou apenas um filósofo, um amante do saber...”. Assim o foram antes e depois dele muitos que não almejavam nada, apenas o saber, assim como a comida lhe vinha na hora fome, como o copo de água nas horas do calor, como a roupa necessária ao frio, enfim... Não era uma disciplina, mas algo que carregava dentro de si, como o ar que respirava. Não era uma disciplina...

E o que ficou ao homem foi a descoberta desse ser que lateja no mais íntimo, que se indaga às vezes por não poder externar aos medíocres sua dor ao mundo, e por às vezes externar encontra (como muitas vezes) sistemas contrários  e genocidas, dos quais esconde em forma de idealistas, políticos, escritores e de professores na área de humanas, até mesmo em forma de religiosos...

Às vezes é melhor que tenhamos uma capa, não como a do batman!, mas a nossa do dia a dia, como a de pai que vai à igreja, porém entende que as certezas não estão ali; como a do padre que entende o simbolismo de uma Adão e Eva, como a de um político que nas horas vagas lê um Platão...

É preciso ser filósofo.


quinta-feira, 3 de outubro de 2013

E No Teatro da Vida...

Os gregos sabiam das coisas.

"Em um dia estamos em uma cena, no outro (Blum!), um pontapé no traseiro, e estamos em outra!" -- professor de filosofia.



O Teatro da Vida


Nos instantes em que assumimos o controle de nossas vidas, acreditamos piamente que tudo, literalmente tudo, está sob nosso comando. Quantas vezes isso acontece? Muitas e muitas vezes. No entanto, nas entrelinhas de nossas almas, sabemos que, antes, em nosso currículo vital, houve mudanças naturais, e a na maioria das vezes forçosas, nesse cenário que, na realidade, assemelha-se a um grande teatro.

Os personagens, nós. As vestimentas, muitas. O cenário, a própria vida. Nela, como burricos, andamos, corremos, comemos o sabugo enviado pelos deuses – plateia maior – o pão que o diabo amassou, caímos em fossos, saímos dele, sorrimos, choramos; perdemos pessoas em cenas fortes, morremos, voltamos em cenas maiores, desconhecendo ambientes, enfim... Não há como negar que somos personagem de um grande teatro. 

Ontem, éramos um, hoje, somos outro. Ontem, um pedreiro, amanhã, um mestre de obra; ontem, um menino que corria as ruas de Londres, em busca de comida, e hoje, lembrado como o ápice da comédia... Ontem, um menino que era humilhado em salas de aulas, hoje, um professor respeitado; ontem, um fugitivo da antiga Febem, e hoje, um dos melhores analistas das obras de Monteiro Lobato... E seguimos com mutações que nos ditam regras, as regras da ação e reação social, humana e universal, e nos intervalos destas, passamos por modificações internas, somas de nossas decisões ou decisões que por nós tomaram...

Não tem jeito, os gregos sabiam das coisas. Diziam que nada era mais estático do que as mudanças... O seja, nada fica sem mudar, até mesmo o que nasceu para não mudar. Entender? Só uma pratica que nos responde todos os dias o que somos, ou mesmo uma bruta realidade que nos serve de vacina para acordarmos e refletir acerca do que somos, para onde vamos... Entre outros.

Entender?... Não. Ainda somos pequenos, cheios de teorias que nos resguardam do mal que é cair em cena, chorar, e acordar em outro cenário como um ator que, antes, era o protagonista, e agora, tão secundário quanto limpador de janelas de um edifício pequeno.

Teorias que se calam quando somos chefes durante anos, em uma instituição – tribunal, empresa privada, ou até mesmo um senador, deputado, em um congresso que aparentemente é símbolo de (e para) um povo – e, no dia seguinte, por pisar involuntariamente em um dedo de um ministro... (o que significa pisar em um faraó ditador), voltamos à origem do que somos... Mas o que éramos mesmo, antes de sermos chefes?

De tanto fazer as vontades dos ignóbeis metidos a deuses, durante anos, nos esquecemos do teatro da vida. Esquecemos a mudança. Podemos voltar a ser o que nunca deixamos de ser, uma pessoa, um ser humano sem revestimentos, ganhando um salário sóbrio, sem enfeites, sorrindo naturalmente, sem aquele peito inchado, notado apenas pelos observadores de plantão.

Voltamos a ler, a escrever, a assistir a filmes cômicos, não peças teatrais longe de nossas possibilidades, perto de nossos desejos. Voltamos a nos vestir sem moda, com um brilho simples, verdadeiro; a procurar amigos reais, aqueles que nos conhecem tanto, que nunca nos deixaram de nos chamar pelos codinomes, apelidos de infância...

Agora que entendemos a função do teatro, desse serviço divino pelo qual passamos como burricos, com exceção de alguns que se desamarram de seus cabrestos e fazem seus dias melhores, ainda em nome do grande teatro, ainda sim somos burricos presos ao que acreditamos conhecer.

Vamos fazer sempre da melhor maneira nossos papeis, em cada cena, sendo ou não protagonistas; vamos embelezar o teatro, não deixando que o mal vença, que se eleve e que grite, como em filmes de Hollywood, eu venci!

Podemos vencer sempre, amando e respeitando todos os atores desse grande teatro, porque, quando fecharmos os olhos na última cena, não nos arrependeremos  de entrar em outra.

A Serenata e o Luar






As teclas de minha alma tocam
                                              uma canção...
Rebentam como rios em rochas
Levando  pedras, erguendo restos,
Metáforas em formação...

Montanhas vesgas pelo olhar.
Caminham lentas ao sol,
Mergulham tarde nas ondas,
À noite, sombras além-mar.

Cânticos perfeitos nas brumas,
Que violam o invisível,
O homem sensível,
Após o amar.

Ressaltam na lua os santos,
Pecam feito crianças nos cantos,
É o amor que vai chegar...

Pois nas teclas de meu caminho,
Nos sonhos, em meu ninho,
Recordo o meu pardal...

Voava em meus espinhos,
Nos sonhos, nos cimos,
Caiu no limbo...
De meu astral.

Foi-se como sombra ao sol,
Como sal em mar.
Partiu para o véu das estrelas,
Para a paz do meu arrebol.

Toca canção da vida,
Acima de meu pensar,
Penetra no sol de meu ser risonho,

Eleva o meu sonho,
Sublima o perene amar,
O que é amar?

Senão abrir a alma ao desejo,
Abraçar o amor e seu velho lampejo,

Degustando seu pleno amar.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Patriotas

Já se perguntou o que é ser patriota?






Egito



Sempre me diziam que o Egito era uma nação pobre, sem recursos, sem patriotismo, sem vida. Enfeitada apenas com pirâmides colossais, monumentos faraônicos, mulheres dadas, homens ambíguos, de modo que não pudéssemos retirar nada desta grande civilização, desvirtuada por uma cultura que afundou muitas outras. Não nos cabe aqui dizer a que cultura me refiro...

O Egito, esse manancial que se perde em sabedoria, foi mais que uma nação, uma civilização... Como disse nosso grande faraó Sessostris III, “o Egito não é desse mundo”, deixando bem claro que nosso conhecimento acerca do país nada mais é que do que uma ínfima partícula em meio a um universo que desconhecemos...

Mas o que mais me impressiona, aliás, minto, uma das coisas que me impressionam nessa nação era o amor a ele. Todos, do mais humilde ao mais poderoso, amavam cada singularidade que caracterizava o Egito. A terra, o ar, o céu, os animais... As pessoas, tudo estaria sincronizado, harmonicamente, de acordo com os deuses, ou, como sempre acreditaram... Na deusa Maât, a qual representava a Sincronia, a Ordem e Disciplina Universais, e dela viviam, ou pelo menos o governante o fazia, com ideais de obediência ao Todo.
O amor ao país, como diriam grandes autores, contagiava até os clãs que nele viviam, pois o Egito não trabalhava com hipótese de “imigrantes ilegais”, mas de pessoas que poderiam comungar valores gêmeos ao do povo nativo. E acontecia.

Tais povos, que lá trabalhavam, eram tais quais egípcios, e, na maioria das vezes, assumiam compromissos maiores, a depender do governante. Prova disso foram as pirâmides. Monumentos que foram trabalhados com ajuda de vários povos, que se estabeleceram, e que aprenderam a respeitar a cultura da nação.
Como diria Christian Jaq, “a alegria de viver em função dos deuses e do homem que os representava era algo somente egípcio...” – tenho em mim que, o autor de Ramsés, disse isso porque não há (mesmo) provas de que houve escravidão no Egito Clássico...  E, como não encontraram meios de provar a escravidão no Egito, sobra a credibilidade em uma cultura que nega sua própria origem... Não comentarei a respeito desta...

Roma...



Em Roma, para não dizer o mesmo, podemos dizer que o amor à cidade era sutilmente mais arraigado. Desde o nascimento, ouviam as crianças histórias dos grandes heróis que em batalhas morriam por Roma. Nas escolas, a trindade que auxiliava o romano desde a terra ao céu; na adolescência, pais eram tais quais mestres que levavam filhos ao trabalho, ou faziam-nos, na porta Senado, escutar as grandes discursões, as quais eram mais que uma aulas sobre Roma, mas uma necessidade de defendê-la acima de qualquer coisa...

E grandes homens nasceram nesse emblema. Júlio César, o melhor dos generais até então, antes de qualquer batalha, dizia aos seus homens que fossem em nome de Roma, seu maior ideal e que não esquecessem que o mais importante em cada ida aos campos era morrer pela cidade...

Nas invasões de Roma, em países que colonizava, a prática desse patriotismo era registrada internamente quando soldados, com suas mochilas cheias de ferramentas, depois de tomada a cidade, faziam aquedutos com finalidade de levar água limpa àquele povo. Ou seja, o que Roma queria para ela dava aos lugares porque passava e colonizava.

Esparta



Em seu livro Portões de Fogo, de Steven Pressfield, que conta a história dos trezentos homens mais corajosos do mundo, que evitaram a armada do imperador Xerxes de tomar o mundo, o patriotismo, o amor, a dedicação dos homens a um país que ensinava, desde pequena, a criança a lidar com a guerra; um patriotismo em dizer que eram os melhores guerreiros, em todos os aspectos, pois havia outras nações que o eram, no entanto não tanto quanto os espartanos, pois estes eram os únicos a nascerem para tanto.

O respeito às leis, as diferenças, ao homem, à natureza, ao simbolismo, aos mitos, o fizeram amantes da harmonia universal, a qual subsistia em Esparta. Nada melhor. E por isso, talvez, amassem a guerra, pois demonstravam não apenas a força, mas a propriedade natural do homem em relação aos deuses.

Se formos analisar todos essas três nações, veremos que todas elas, no fundo, são gêmeas. Pois são realmente civilizações que cuidaram desde a educação religiosa à politica, no sentido de nunca deixar que seus valores fossem  esquecidos ou deixados no deserto da consciência Muito pelo contrário.

O patriotismo nelas tem um sentido. Para nós, é esotérico (incompreensível), porque não compreendemos o que significa valores, humanidade, história, cultura (de cultivar), origem (de onde viemos), amor (de algo maior que nós), e que não o possuímos como elementos naturais e sim forçosos, como em uma propaganda fria, cheia de “sete de setembros”, “quatro de Júlios”,  “de democracias votantes”, aos quais se vai como cordeiros no abate...

Hoje tanto faz nascer ou morrer em uma nação. Mas uma coisa é certa, e é historicamente provado: não havia coisa pior para um romano, para um egípcio ou um espartano, do que morrer longe de seu povo.

A Parte que nos Falta

"É ótimo ter dúvidas, mas é muito melhor respondê-las"  A sensação é de que todos te deixaram. Não há mais ninguém ao seu lado....