terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Poema Incompleto

À minha mãe, que se fora há três anos.
Esse poema, em sua homenagem, será sempre incompleto.




Eu e minha mãe. Amor real.





Foi uma lareira em tempo frio,
Em meu calor um rio,
Em meio às brumas, meu sol,
Em minha dor, meu carinho,
Em meio ao mundo, meu ninho,
...Meu dó.

Minha canção de ninar,
Em pequeno na outrora,
Ao dormir em seu colo,
Minha alma se fez na aurora.

Foste meu sorriso, meu apego,
Meu centro, meu amor,
Era a luz de minha vida,
Meu ninho de louvor.

Por que foste, minha querida?
Precisava do teu aconchego,
Dos teus segredos,
Presos aos meus.

Precisava de tua força fiel,
Dos teus olhos de busca,
De teu espírito de paz,
Do teu Deus.

(Mas) Ainda estás em mim,
Como o ar que respiro,
Como brisas sorrateiras,
Que me acorda matreiro,
Em meu mundo, por fim.

No entanto, não foste por encanto,
Pois estás em meu canto;
Assobio da manhã.

Estás em meu filho que amo,
No Deus que clamo,
Nas doces horas vãs.

Não menos em meus sonhos,
Em que tua mão eu sinto,
E tua presença  pressinto
Até o acordar.
Tão dura em teus olhos,
Tão forte em teu ser,
Resguardou vidas,
Como a tua,
Fez o Dever.

Mais que mãe tu foste,
Foste incansável rainha,
Destronou o mal teimoso,
Puxou-lhe a orelha e a minha.

Por que foste, amor meu,
Deixou-me sem ar,
E a vida sem encanto.
Deixou-me preso ao teu véu
À Tua lua bendita,
(E Hoje)
Choro meus dias sem teu manto.

(Ontem)
Caminhei ao teu lado, (e me deras tudo)
Nunca serei digno (no entanto),
Da tua face que da qual caíram prantos,
E que um dia me deixaram mudo.

Não acredito que se fora, (estrela minha)
Meu universo que um dia foi,
Estarás sempre ao meu lado,
Como um grande ser alado,

Assoprando a dor que dói.






Desculpe-me, mãe, pelas pobres palavras.
Saudade.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Acúmulo de Sonhos








Alma enamorada pelo tempo,
Nas abóbodas celestes,
Em resquícios de sua veste,
Tornou-me homem em desalento...
O que fez o rio de estrelas correr,
Num sistema escuro,
Ao passo tão puro,
Não vi o fruto amadurecer!
Foi um anjo que me disse,
Ao descer de um paraíso sem vez,
Calhou em viver na terra,
Amou a todos,
Virou salvador,
Nos prendeu em tua cela,
À terra lavrou.
Não há mais porquês
Se minha vida se esvaiu,
Caiu sem espírito do desejo,
Abriu meu ensejo
E no clarão do teu beijo...
Me salvou.
Foi um sonho em desatino,
Fez-me dormir homem de bem,
E me acordou menino.
No mas porém,
Do seu contudo,
O no entanto surgiu,
Seu ares entretanto,
E na diversidade,
Buscou-me prantos,
Que de meu ser pariu...
Estou confuso
Em meu espaço,
Ao te vir longe em aparição,
Marquei passo em meu nome,
Sangrou meu coração.
E dele nasceu a lua,
E de teus olhos, a canção,
Teu corpo em desalinho,
Uniu-se ao meu,
Formou universos de Pompeu,

Que se abriu em vão.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

O Triunfo da Responsabilidade


“O que acontece com os irresponsáveis é que eles amam os responsáveis. Porque estes farão sempre tudo pelos primeiros”.




Enfrentar a vida. Enfrentar o mundo.




Estou a ler um livro interessante a respeito de uma guerra que se deu nos tempos de Temístocles, um dos grandes guerreiros gregos, que conseguiram espantar os persas quando estes invadiram a antiga Grécia, há mais ou menos duzentos anos depois de Cristo.

No início do livro, para um desavisado, percebe-se que há uma aula com um grande professor de línguas, o qual, entre poucos alunos, entre eles nosso personagem, ainda muito jovem, tenta dar sua maravilhosa aula. Contudo, seus pequenos inventam, falam muito, brincam, enfim, quase não prestam atenção na aula...

Após muito tempo – ainda no livro (Salamita) – aparece o grande guerreiro, Temístocles, já vestido com a carapaça de um general de embarcação grega, sem seus traços juvenis de irresponsabilidade, que no passado deixara evidente.

O que faz uma pessoa escolher o triunfo da responsabilidade em meio a um mundo que lhe pede, vorazmente, que seja mundano, vadio, sem iniciativa e irresponsável? A educação? Família, iniciativa quanto aos seus objetivos, consciência natural do que precisa para crescer, ou muita dor?

Talvez uma mistura de tudo isso.


Triunfo da Irresponsabilidade


Quando se sente o arder das pernas estáticas, quando pessoas há que se mostram fiéis ao seu caminho, fazem de tudo para percorrê-lo, está sempre trabalhando em função das necessidades que, hora em hora, ou minuto em minuto, aparecem, e você, que optou por ser aquele que tem tudo, ainda que não tenha nada; você, que se adequou a ser aquele que se sente fraco, simplesmente porque lhe foi negado um emprego, um empréstimo... E, apesar de tudo, prefere que todos te façam tudo, e mesmo assim, mostra-se feliz...

O triunfo da irresponsabilidade inicia-se quando nos questionamos em demasia acerca do que dera errado com o próximo, e assim, de alguma forma, ou como dizem, por tabela, por ter o mesmo efeito conosco... É o medo. O medo de levantar é o mesmo de não ir atrás do que nos é inerente, assim como da própria comida, bebida, luz, água, esgotando todas as desculpas dentro de um meio em que há pessoas que nos possam fazer tudo. E nos entregamos ao mal da preguiça, das palavras entrecortantes, que justificam tudo, sem justificar nada... E assim, temos um homem irresponsável, formado pela universidade da vida, com crachá é tudo.

O Responsável

Este, já com o triunfo de ser o que é, até mesmo em horas que lhe pedem descanso, está sempre a fazer algo que justifique a necessidade de estar caminhando em prol de sua estrela, de seu caminho. Nunca, em momento algum, se cansa, pois sua arma maior – sua mente – está sempre engatilhada a abraçar causas e consequências de todos os lados. Até dos irresponsáveis. E isso é um defeito nosso de cada dia.

Se soubéssemos dar a César o que é de César, estaríamos mais confortáveis, em nossos caminhos, que já são um tanto quanto difíceis. E isso me lembra duma outra frase de um amigo professor... “Já nascemos com uma tremenda casa de abelha nas mãos, então por que pegar outra das mãos do próximo?”.

O que ele quis dizer, no entanto, é que, de alguma forma, já temos nossos problemas, cultivados durante toda nossa jornada, cheias de experiências nas quais alguns problemas são fáceis, outros, por assim dizer, são tão difíceis, que ficam para outra vida resolvê-los rs.

O responsável desenha seu destino, traça suas metas, seja em um plano horizontal – metas materiais, como consecução de realizações de seus sonhos de um carro, casa, família, filhos -; seja em planos verticais, os quais abrangem, a depender do mestre, fiéis, alunos ou até mesmo discípulos.

O mestre, aquele que aconselha por intermédio de chaves simples ao seu discípulo, sabe que há um pouco de responsabilidade dele quando a ele vem um individuo com objetivo de alcançar a espiritualidade por intermédio de seus conselhos; sabe, também, que, quando se é discípulo, fará o possível e o impossível para seguir suas palavras, ainda que erre na vida.

Podemos falar um pouco do papel dos pais quando se sentem eternamente responsáveis por seus filhos. É meio complexo, pois, quando se vê uma criança ao seu lado que ainda não entende o que se diz a ela, e mais tarde, a mesma coisa com um adolescente que não respeita as experiências do pai, e quer, a todo custo, passar por suas experiências sem qualquer tipo de conselho... É difícil de entender.

Talvez seja porque somos, em algum nível, incoerentes quando nos referimos a responsabilidades, conselhos, caminhos, dedicação, porque, há horas em que nos sentimos tão irresponsáveis quanto qualquer jovem que se deita altas horas da noite, e só volta a abrir os olhos quando se cansa de dormir; talvez, porque o que fazemos tem um pouco de tudo, inclusive das mínimas pessoas que conhecemos, cuidamos e são eternas crianças em pensamentos e atos.

Isso, no entanto, não justifica. Não podemos ser responsáveis pelas abelhas do outro, ainda que o outro seja um filho barbado, adolescente, ou que esteja dormindo como se fosse uma criança em pleno meio dia. Nossos conselhos não são lixos que jogam em mentes que não querem entender que vivemos em função de algo que precisa ser feito, assim como um grande sol cuja responsabilidade é vir em nome de Deus, iluminar, satisfazer a todos, simbolizando o Bem, e ao mesmo tempo a Justiça e o Amor.


Não podemos jogar ao irresponsável nossas experiências que foram semeadas e colhidas anos antes de nascerem, ou não, mas que não queremos ser incapazes de levantar, ser medrosos em um mundo tão pobre em comunicação, de internets que satisfazem, de pronto, inteligências que poderiam mudar o mundo, mas que hoje se enclausuram em cavernas cheias de computadores, a semelhança da grande caverna que um dia fora metáfora eterna de uma cidade, e hoje, de um universo de pessoas que não mudam nem de cadeira, muito menos seu próprio mundo.




quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Apenas Uma Conversa entre Amigos...

Um processo tão antigo quanto o Cristianismo.





Ontem quanto fui comer algo para sanar a fome do almoço, preferi sair e ir à Lanchonete do Fabrício, um amigo muito gente boa, que sempre nos recebe – não só a mim, mas a todos – com um sorriso simples e sincero. Fabrício sempre gostou de conversar comigo, principalmente sobre futebol, mas neste dia ele abriu mão.

Em sua lanchonete, um misto de locadora e boteco, muitos passavam, comiam por lá, mas também ficavam sabendo dos últimos lançamentos de cinema. E ele, meu amigo, sabia dizer sempre, entre um salgado e outro, se o filme era bom ou ruim, mesmo não tendo aquele ar de crítico de cinema. O que mais importava era sua opinião. Vinha de dentro.

Naquele dia, Fabrício conversa de modo simpático, mas também meio chateado a respeito de maquininhas de cartão de crédito que não passam seu cartão nas horas mais difíceis. Um homem, alto e com voz de locutor, parecia ser um comerciante simpático, sem pretensões escusas de falir Fabrício; muito pelo contrário, estava ali fazendo a chamada boquinha, e já que meu amigo se abria aos assuntos fáceis, replicava contra as operadoras de cartão e empresas ricas pelo mau serviço.

Eu, de terno e gravata, cheguei, observei, atrapalhei um pouco Fabrício em sua conversa, o que não parecia, porque, todas as vezes em que me vê – e naquele dia não era diferente – sempre diz... “Meu caro amigo Reginaaaaaldo, como vai vossa excelência?!” – e com o mesmo ar de alegria, eu digo, “bem, meu amigo!”... E assim por diante.

E depois que me serviu com ser ar de amigo, voltou à conversa sobre as maquininhas... Mas não por muito tempo. Eu, ao me levantar de uma cadeira que ele coloca para os fregueses se sentirem à vontade, depois do grande lanche, olhei bem uma prateleira na qual ficava os filmes de terror, e mirei em um (não me lembro agora do nome) que fez um grande sucesso no ano passado – em dezembro – e já estava em sua locadora.

Não pude deixar de comentar... “Poxa, Fabrício, esse filme já está aqui?”, - “Sim, meu amigo, e é um dos mais vistos do filme de terror de todos os tempos! Para ser mais claro, o terceiro”, disse entusiasmado, como sempre.

O rapaz, que com ele conversava, olhou bem para o filme... “eu não gosto de ver essas coisas!”, disse em um tom leve, sem qualquer sinal de asco. Fabrício, por sua vez, continuou... “O que mais me impressionou nesse filme foi que deixam bem claro que quem não é batizado (pessoas que não são ungidas pelas águas) tem mais facilidade pegar o Mal”...

Fabrício, esqueci-me de dizer, é de uma igreja evangélica. Não sei qual. Mas sei que é um grande rapaz, que cultiva os princípios cristãos sempre que necessário, e quando se referiu ao batismo, no filme, percebi que seu prisma era o mesmo de sempre. Eu só não sabia que o comerciante, amigo com quem conversava, também era, e, sem mais nem menos, argumentou acerca do ponto de vista de Fabrício, já com outro ar. Não de defensor das maquinhas de cartão, mas do assunto, que já se pairava na alvorada do diálogo entre os três...

Batismo Cristão

As pessoas se confundem muito, quando acreditam que é batismo o que feito no evangélico”, disse o rapaz alto, já com a mão nos bolsos da calça e com um ar sério. Fabrício, esperto na questão, e para não ir de encontro ao amigo, concordou descordando, sendo que nesta última não queria deixar tão explícito...

E eu, já aceso, percebi que os dois iam descambar para uma ladeira sem fim, e que para acompanha-los eu teria que frear, e ao mesmo tempo não ir junto com eles... Entenderam? Com as pernas meio trocadas, de pé, encostado no pequeno balcão, pensei duas vezes antes de falar algo, mas observei que os dois, com pontos de vistas iguais, sem muita profundidade, teriam que rever seus conceitos acerca do assunto (batismo), pois era notório que suas experiências falavam mais alto, contudo, o que sabiam sobre ele era tão raso quando um córrego no qual se vê peixes nadando... Então tive que ajudá-los.

Foi quando entrei de vez. “Sei que vocês sabem, mas é sempre bom salientar que o batismo é tão antigo quanto o próprio Cristianismo...”. Eu não queria citar Blavatsky, Faraós, Sacerdotes iniciados, mas fazê-los entender que naquele filme a “falta de batismo”, como mero iniciador de causas malignas, como havia proposto o autor, nada mais era que uma ideia incrível para fazer muitos acreditarem que sem ele (o batismo) ficamos vulneráveis ao mal.

Mas, acredito, ainda não tinha sido o suficiente em minha opinião. Assim, dei margem para ele, amigo do meu amigo,  afirmar o que dizia antes. “Talvez na Igreja Católica, mas não há o batismo no evangélio.”, disse. “Não entendi o porquê”, repliquei sob os olhares de Fabrício. “O que eu quis dizer...”, continuou, “... É que existe a parte do Espirito Santo”, ficando mais sério o homem das maquininhas. “O Espirito Santo...” – segundo dizem, a parte mais elevada do homem, responsável pela conexão com o maior deles, Deus. – “...viria com o tempo, muito após o ‘mergulho nas águas’,” relatou como se fosse um especialista...

Eu, claro, fiquei meio sem entender. Depois disse, para melhor entendimento das partes, não só minha como a de Fabrício também, que, a meu ver, não havia entendido essa questão do batismo que não era batismo, “Bem... Se uma pessoa se banha nas águas, ela passa por uma iniciação, certo?”, todos concordaram. 

“...Na antiguidade, quando a pessoa mergulhava nas águas, não era chamado batismo, mas iniciação, pois, em razão das águas, que significavam Vida (Oceano Primordial), o individuo não era mais o mesmo. Talvez em corpo. Mas, por dentro, não. Até hoje, em alguns lugares na Índia, uma pessoa quando diz adeus, e vai ao mar, tomar banho em suas águas, ela se torna outro ser. Tanto que, a depender do deus a que obedece, ao sair do mar, ela segue, vai embora, e não conhece mais os seus".

Fabrício ficou espantando com tanta explicação, que ficara vermelho. Ao contrário de seu amigo que persistia em dizer que o espirito santo, hoje, é algo que se conhece pós-iniciação cristã (batismo), mas depende de cada pessoa. “Eu, por exemplo”, disse ele, “.. Sou banhado nas águas, mas não sou batizado, apesar de ser crente (denominação do fiel à sua religião). Porque o espirito santo não se revelou em mim!”... Fiquei impressionado com tanta reverberação com pouco fundamento.

Assim passei a dizer a ele que não só ali, mas, no passado, há mais de 2000 a. C., homens, como faraós, sacerdotes, tinham a iniciação como forma de oração, ou seja, uma mística que os religava com o Todo, com Deus. Fabrício não guardava sem empolgação “Cara, esse homem sabe muito!”. E eu, na janela do discurso, disse, “Se temos amor a algo, nada melhor do que ir atrás e tentar entende-lo melhor. Tenho a certeza de que você, quando lê a sua bíblia, e gosta do que lê, vai atrás de mais informações, não?” – achei que estava sendo demais simplista. Mas fui cortado gentilmente por seu amigo, que me disse “É isso mesmo, você tem razão”.

Aprendizado

Um dia, um grande professor me disse que, se temos que dizer algo, que digamos com ideias de mudar uma pessoa, para que não seja vã nossas opiniões. A energia que dispendemos é muito grande, e a tendência é ativar um racional embriagado de opiniões, as quais não deixam de ser nunca se não forem práticas.

Por isso, no final de tudo... Quando o caríssimo amigo de Fabrício iria prolongar o assunto, eu disse,"tenho que me ir." Com um ar triste, ainda ouvi alguém dizer “estava tão bom, um assunto tão bom”.



Concordei.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Fidelidade Sagrada - Provas e Escolhas.

“Justo é o Homem que conhece a Justiça, pois antes passou pela injustiça, e mesmo assim escolheu a Justiça”. (Platão)




Ser fiel  ás Leis da Natureza, assim como os pássaros são.




Temos que escolher, pois somos dotados de relatividades visuais, e mais, sempre haverá meios que vão nos levar a essa circunstância. Não há outro jeito. E quando falamos de fidelidade, tentamos nos sobressair, encolhendo, para os nossos princípios, que estão eternamente sendo moldado, o que é de melhor para eles.

O que é de melhor, assim como tudo que tocamos, pode ser um castelo de areia, uma brisa passageira, uma dedicação natural a um determinado projeto, enfim, nada que dure, que seja fiel ao Supremo, ao Ideal. Por isso as escolhas. Elas provêm de uma busca interna, que, mais cedo ou mais tarde, deparar-se-á com algo um tanto quanto parecido com a eternidade que buscamos. Não há fuga para isso.


Provas

Quando olhamos a borra do café, no fundo do copo, pensamos, por que sempre a deixamos ali, no fundo, de maneira quase que involuntária? E por que trocamos as coisas pequenas por outras e nunca aceitamos trocar aquelas que temos tanto amor? Por que somos tão humanos no início, e quase terminamos nossa vida como animais? Respostas há para tais questionamentos como esse. É o próprio Ideal em nosso caminho a se mostrar em pequenos mistérios, os quais podem ser aparentemente aniquilados por uma simples ciência, mas só aparentemente, pois não podem ser respondidos de pronto.

E todo questionamento, seja ele qual for, em sua semântica, vem a significar uma busca, e ela deve ser mantida. Assim como Artur, o grande rei mitológico, que um dia foi atrás do cálice sagrado e, depois de anos, descobriu que estava ao seu lado; vamos atrás do ideal, que sempre está aqui, dentro de nós, e fora de nós, por meio de rastros como numa possível borra de café que nunca se desfaz por mais loucos que somos pela bebida.


A escolha

A escolha pelo Ideal vem com a inquietação. Há aquele que se sente inquieto em relação a uma série de coisas, principalmente em relação àquilo que gosta de fazer com afinco, desde a tenra idade. Ao crescer, desenvolve e manipula tal projeto em prol da humanidade, pois sabe, nas entrelinhas, que há algo no universo que é verdadeiramente bom, em todos os sentidos, e de maneira natural, como se um Arquiteto trabalhasse para o benefício de todas as coisas que se manifestam por meio de uma grande Harmonia, em Amor, em Bondade e Verdade. E nós queremos fazer parte Dele.

Ao escolher e ser fiel a essa transcendência, percebemos o quanto necessitamos ser tais quais a ele, ao Ideal, pois a semelhança conosco não será coincidência, mesmo porque estaremos sendo fiéis a nós mesmos, no fundo da questão. Nossos sentimentos – como a borra que sempre estará no fundo do copo – de alguma forma, nos atormentarão, e nos levarão a loucura se deixarmos. O motivo nada mais é do que nossa fraqueza ante ao visível, que nos faz ver céus imaginários e infernos concretos, e mesmo assim amamos e obedecemos às regras dele.

Mas o Amor é invisível, e tentamos compreendê-lo. A Verdade, também, e somos loucos para conhecê-la; enfim, todos os valores, assim como os ventos que nos calam, são invisíveis e ao mesmo tempo necessários ao nossos corações e almas, que se revezam em entender e nos fazer praticar o que não vemos.

Por isso que, ser fiel, a priori, nos remete a ser fiel a algo ou a alguém. Mas esse algo vem a ser o nosso Segredo vivo, sagrado, como se reconhecêssemos realmente nossa finalidade nesse Uno.




A Nós.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Fidelidade Sagrada

Ser fiel ao nosso caminho. Sempre.




Não vamos falar aqui de relatividades que nos aborrecem diariamente, nem mesmo citá-las; vamos, sim, falar de um modo de natural de ser, dentro do qual nos adequamos desde quando somos humanos – depois disso, não sei.

Sei que na maioria das vezes sou duro nas palavras, sou meio radical na imposição de leis que há muito deixaram de governar o mundo, e de outras que, não tem outro jeito, temos que obedecê-las.

E quando falo em Leis, falo em amor, sagrado, justiça, paz, natureza, Deus... Ou seja, de valores que permeiam e não permeiam em nosso mundo. Mundo este que – ás vezes agradeço por ser tão medíocre, senão não haveria possibilidades de contraposições acerca de suas ridicularidades, as quais se sobrepujam, na maior parte das vezes, em muitas comunidades.

O bom, no entanto, é quando nos referimos a saídas filosóficas, não políticas, religiosas, no sentido moderno de ser, mas geral, total, como se a própria consciência falasse. E daqui, dessa consciência, nos revoltamos contra os males que nos desafiam, sejam dentro e fora de nós.

E dessa revolta tão forte, somos obrigamos a mostrar nossas armas: Amor, Deus, Sagrado, Natureza, Paz... Vida. Um misto de vontade racional, com sentimentos elevados – assim podemos falar de valores, coisas que sempre incomodam.


Fidelidade


Enfim, em meio a esses valores, quero falar de Fidelidade. Não a relativa, cheia de sentimentos, dores e lamentos, mas a Fidelidade ao Bem, ao Bom, ao Justo, a tudo que necessitamos como humanos.

Uma Fidelidade além-partidária, sindical, democrática (longe disso!), que nos faz conectados, harmonizados, integrados com o todo. Enfim, devemos ser fiéis a tudo que é Bom, Belo e Verdadeiro. A tudo que é real, que permanece, graças à sua eternidade mística, ao que nos faz caminhar para cima.

Para entender, temos que manter nossas opiniões e atitudes corretas em relação ao sagrado, ao Espírito Maior, ao Elementar. Sabemos, a priori, que não estamos em um universo que nascera por acaso, mas por meio de uma Inteligência fundamentalmente Boa. O que significa? Que pode ser compartilhada por todos, e isso não exclui os seres mais diminutos da terra.

A vontade divina, aquela que citamos em vários textos, manto dessa inteligência, se revela justa, em todos os sentidos, ainda que acreditamos em seres duais, dos quais nos faz pensar acerca do que é justo ou não. Não adianta, o que nos ocorre é sempre justo.

Devemos ser partidários, sim, a essa junção de Justiça e bondade universais, mas partidários de modo que tenhamos apenas um pensamento, o correto, baseado em premissas tradicionais, das quais muitos no passado retiraram e se fundamentaram e delas a prática em direção à felicidade.

Temos que nos adaptar, colocar nossas ações voltadas à ordem divina, de modo a não sermos vigiados, criticados, pois, quem age em favor de uma ordem harmônica, revela-se, em seus modos, compreensivo, mais humano, e por que não dizer mais divino? Dessa ordem, ganhamos força, determinação e segurança e nos revelamos mais míticos.
Não estou me referindo a uma crença cega. Estou me referindo a algo que nos faz seguir um principio que diz “siga apenas o que lhe é de direito, e o que possa ser de seu controle”, fora isso, percebo (ou percebemos) não tem como entender qualquer que seja nosso papel no universo.

E entender nosso papel não significa revelar-se em favor das obrigações alheias, retirando daquela pessoa a possibilidade de caminhar e viver em função de algo que lhe possa dar algum dia um entendimento interno. Temos que deixar pessoas com seus critérios de escolha e de responsabilidade entender a vida como lhes convier.


A dualidade


O que nos vem à mente é sempre a dúvida sobre se estamos ou não no caminho correto. Um dia um professor me disse que para entendermos o que é acreditar, teríamos que pegar um caminho – seja ele das sombras ou do sol – e nos infiltrarmos nele. Mas teríamos que nele entrar sem dúvidas, como se estivéssemos indo para uma guerra de coração, sem medo.

Assim temos que ser em relação a essa inteligência divina que nos cerca. Não podemos ter medo. Talvez um medo que faça ser estratégicos em relação às pessoas, mas não ao que acreditamos, ao que somos fiéis. Se isso não acontecer, ou seja, se temos dúvida quanto ao que queremos acreditar, colocaremos culpa em terceiros, quartos, e não podemos cair nesse erro.





Volto com mais Fidelidade.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

A Madeira e o Fogo


Madeira e Fogo. Símbolos que nos representam.



Sabemos que a essência nossa de cada dia é aprender com as coisas, leva-las para o coração e, no final do dia, encontrar um meio de refletir acerca de nossos erros e acertos. Certo seria, no entanto, fazer uma oração a cada instante, como meio de nos lembrarmos de nossa disciplina para com o sagrado, com Deus, ou, assim como os líderes do passado, tomar decisões baseadas em nossos princípios, tão sagrados quanto os primeiros.

Às vezes nos vêm questionamentos, do tipo, o que faz o homem mudar sua vida, ir ao encontro daquilo que acredita, deixando seus pequenos ensinamentos de lado? Será que nossos círculos já se preencheram ao ponto de sairmos pela tangente deste, e procurarmos novas aventuras, de modo que encontremos mais mistérios além-possibilidades?

Claro. Somos humanos! Tudo é possível. O que na realidade nos segura é o medo – o medo em demasia. Mais uma vez desvirtuado pela psicologia histórica, o medo nos serve de catapulta, não de freio de mão. E muitas vezes, é usado como essa última forma. Mas é natural.

E mais natural do que isso é nos perdermos em devaneios materiais, psicológicos e até mesmo espirituais – sendo este último modelo do que devíamos ser, porém, em razão de nossa ignorância de berço, traímos seu objetivo, que é comungar valores, distribuir-se, ampliar, integrar mais aos internos, e fazê-los adequarem-se aos externos.

Nesse devaneio espiritual, quando o racional toma conta, sem religar-se com o todo, o que na maioria das vezes acontece, nos tornamos obedientes de uma razão relativa, individualista, egoísta, sem conexão com a Verdade. Sabemos disso, lá dentro de nós, mas não temos outra forma de iniciativa, e fazemo-la perdurar por gerações, sem reflexões simbólicas; e sim estanque.

Contudo, há sempre meios pelos quais podemos encontrar a saída. Nossos corações falam mais alto, nossas almas se questionam, e nosso racional, a depender de quem reflete, tenta, por meio de seu poder, viver a real religião, interconectando-se; e nessa tentativa maravilhosa de entender a realidade, a Verdade, por meio da profundidade que a própria natureza lhe dá, encontramos caminhos maduros e fortes, sem flexão.

Mas pelo fato de ser o coração, esse outro ser em nós, tais caminhos são reconhecidos pelas pegadas da pureza, pelo amor incondicional, pela universalidade que se encontra em cada ser humano. Esse talvez seja um dos mistérios porque passamos diariamente e só o reconhecemos quando oramos.

E depois de anos, percebo o quão é importante tal ato em nossas vidas tão frias e conflituosas. A oração nos faz religar conosco mesmos, pois ali, no cantinho de nossos quartos, de nossa alma, “naquele lugar idílico”, como diriam os sábios, esconde-se a nossa essência, o nosso real ser. Não há como fugir. Ali confessamos, nos entregamos, agimos com ou sem lágrimas, e realizamos mais um ato que nos favorece ao encontro do grande espírito.

Percebo, ainda, precisamos nos reconfortar com esse ato tão humano. Não apenas nas horas em que o pássaro dorme, mas sempre em nome de uma tradição de homens que conseguiram unir a si mesmo com Deus, realizando seus ritos diários, em práticas, por meio de palavras, atos, pensamentos, vida...


Nessas horas, penso, como somos pequenos! Mas até mesmo “os pequenos, em lugares pequenos, realizando coisas pequenas, podem mudar o mundo”, não é mesmo? Então o que prevalece, em nós, nada mais é que a tentativa de buscar, nas entrelinhas dos pequenos mistérios, o que somos, e quando estivermos perto dele iremos saber, pois nada se iguala, segundo os sábios, ao encontro do homem consigo mesmo.




A Parte que nos Falta

"É ótimo ter dúvidas, mas é muito melhor respondê-las"  A sensação é de que todos te deixaram. Não há mais ninguém ao seu lado....