terça-feira, 13 de maio de 2014

Saber para Ser

Virtude. Uma linha imaginária que podemos seguir.



Há algo que nos faz pensar que levamos pouco tempo para compreender as coisas e fazer parte de seu mundo. Há algo que nos faz refletir e acreditar que já o temos, e somos portadores, guardiões, sábios, como nos grandes clássicos gregos, nos quais mitos se inclinam a contar exatamente o contrário (e não entendemos)... De que as coisas que não entendemos de imediato, como nossos próprios valores, não podem fazer parte de nossas vidas, de nossa alma, de um dia para o outro...

É o caso da virtude. Não se pode dizer...”sou um homem virtuoso”, acreditando realmente que é, enquanto vivermos em um mundo cheio de valores relativos – ou seja, o que é bom para uns e ruim para os outros! --  o que contradiz a realidade estoica do significado de valores humanos e universais, que dizem... “o que é bom para mim é bom para a humanidade”... Contradiz até mesmo o que realmente somos...

Ser virtuoso, um ser moral, dentro dos paradigmas atuais, é ser um ser que pode ser bom em algo, ou como se diz, com habilidades fora do comum, quando se utiliza alguma ferramenta ou instrumento com objetivo claro. A exemplo, temos trompetistas excelentes, violoncelistas maravilhosos, pianistas idem, de modo a compor músicas belíssimas. Contudo, são virtuosos apenas naquilo que demonstram em suas habilidades...

Outro conceito de virtuoso, esse já derivado do latim virtuosus, é ser homem honrado, reservado, bem quisto pela maioria. Enfim, um conceito que se busca de forma imediatista, mesmo porque fica perto do que podemos ter e ser. Tal conceito é um degrau dentro da grande pirâmide conceitual, na qual podemos tentar subir os seus inúmeros degraus e quem sabe entender o seu ideal.  Apenas entender no entanto...


Em filosofia, assim como Platão, Epiteto, o mestre que fora escravo, deixa-nos entender que virtude é uma realidade que levaríamos tempo para adquiri-la. Ou seja, homem realmente virtuoso, assim como Justo, o Moral , o Ético, nasceria já com uma esfera natural para tais valores, e passando pelos seus percalços sociais, teria somente o trabalho de alimentar seu conceito, pois uma sociedade não faz o homem Justo, ou mesmo virtuoso; ele, o homem, teria que ser, com alma reminiscente, com valores mais reminiscentes ainda, divino.

“O Homem virtuoso não precisa de mais nada”, dizia o Platão... Já estaria, segundo o filósofo, dentro do que os mestres do passado chamavam de ponto sagrado do homem (o nows), pois, a levar em conta o que somos, precisamos de muito tempo para ser o que realmente buscamos ser. E quando dizemos virtuoso, de modo filosófico, a complexidade se inicia, pois não temos um conceito mais claro, apenas o que precisamos entender.

Ou seja, quando me refiro a virtuoso, filosoficamente, é como se eu falasse de um ovo, de sua estrutura, de tudo que ele possui e pode ser. Nada mais. Ao homem, quando falamos em tal expressão, é como se quiséssemos entender o ovo querendo entender somente a casca...

É mais que isso.
Um ser virtuoso é o elemento completo e sagrado, e humano, beirando a compreensão mítica da linha imaginária pela qual passamos, e não sabemos.

Na antiga Índia, tínhamos a Reta Ação, uma linha imaginária que significava o caminho universal do homem em direção à sua origem, ao seu ideal, natureza, e esse o fazia (e faz) de maneira involuntária, passando por ela sempre que sofre por sua ignorância.

A Reta Ação, chamada também de linha Dármica, confunde-se com o Deus cristão, que nos pega de surpresa, dando palmadas em nossos traseiros magros, mas também iguala-se aos deuses antigos, os quais foram personalizados tais quais os heróis do passado e nos colocavam na linha da vida depois da morte... Ou seja, a própria vida seria a linha, e a morte nada mais que o final dela.

Ao passo que podemos interpretar que a morte, em si, estaria dentro do contexto vital, e que seu ressurgimento seria apenas uma necessidade às nossas transgressões, às nossas dúvidas quanto ao nosso poder. E, como diriam os mestres, a volta seria o perdão dos deuses, e uma segunda chance à nossa alma...

Voltando...

A virtude, para o homem, seria a linha em que nascera, e a saída dela, nada mais que a nossa falta de virtude ou de outros valores. O homem, enfim, para compreender o que seria tal expressão, teria que necessariamente ter passado por todas as fases da vida, e, por fim, compreendendo o lado de fora da linha, voltaria a fazer parte da Reta, agora de forma mais duradoura, mais forte, como se ele próprio fosse a própria virtude.

Aos nossos dias


Hoje, em razão desse conceito filosófico ser um tanto quanto complexo e de praticidade mais complexa ainda, nos permitimos em ser honrados em nossos compromissos, ser gentis para com o próximo, ser amável a todos que estão em nosso circulo – mais tarde – quem sabe, buscamos aos que dela estão fora... Nos permitimos, em nossas possibilidades, colaborar para uma sociedade melhor,  ainda que errando, ou seja, saindo de nossas linhas, mas voltando e quem sabe nos fixando ao que podemos ser aqui e agora.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

A Pedra a Catapulta


"Voltar não para retroagir, mas para nos tornar mais fortes"






M. Aurelius. Fiel à sua filosofia.




Marcus Aurelius, general romano, que um dia fizera suas memórias em meio às guerras com os bárbaros que nunca aprendiam nada acerca do poderio de Roma, traduzia sua vida em práticas filosóficas, fosse na própria Roma, fosse no arco esticado rumo ao inimigo.

Tal general, como se pôde constatar, era, antes de tudo, um ser humano inigualável, o qual, em suas reflexões, encarando os monstros do medo disse “temos que aceitar o mal como algo natural”, não o fez por acaso – como nunca nada é – e sim confrontando, levando, sorrindo, encarando-o, semelhante a um homem que já sabia de todas as respostas.

E ao fazer isso, na prática, não o fez como muitos o fazem hoje, com receios de enfrentar a vida, e teorizando acerca dela como sábios de fim de semana. A prática vital é necessária em todos os campos, e o general sabia disso. Por isso o fez como nenhum outro...

Tal questão, no entanto, a de aceitar o mal como algo natural, a de confrontá-lo, aceitando-o, semelhante a uma criança que vai ao parque de diversão e apesar de ter medo de certos brinquedos vai, é complexa, porém somente a prática de aceitação nos faz mais sábios – dentro de nosso nível...

Por exemplo, não adianta não ter filhos e montar um escritório de terapia infantil ou mesmo resolver questões inerentes a esses problemas, pois seremos incoerentes, e ao mesmo tempo ficaremos confusos quando situações entrelinhas nos pedirem algo mais que opiniões de livros modernos (ou clássicos) sobre o tema, se não tivermos pelo menos um filho...

Enfim... Quando Marcus Aurélio resolveu ‘meditar’ em meio à violência dos bárbaros, não tivera outra escolha, pois sabia que nada mais fácil seria que fazer o mesmo em cima de uma montanha, em paz, ou em retiros em uma de suas terras, nas quais somente ele poderia pensar sobre o presente, passado e futuro... Mas, ao resolver partir para a guerra, e lá conhecer o homem, sua vida, sua batalha; conhecer seus próprios atos em relação ao confronto com o próximo e até consigo mesmo. É o que devíamos fazer.

E quando partimos para o confronto nosso do dia a dia, pensamos demais, falamos demais, e refletimos muito pouco. Somente em nosso leito, quando há os deuses e nós, tolhidos em reverberações internas, é que conseguimos a resposta do porquê de nosso comportamento – bom ou mal – no dia que se passou.

É como se fôssemos um diário ambulante; passamos por tudo diariamente, até pelo que não tínhamos computado, e por isso recuamos, e nesse recuar, a depender de quem o faz, não volta mais, fica preso aos seus valores; volta às algemas da vida; da base da qual nunca mais sairá.

Outros, no entanto, se fortalecem, como uma catapulta que volta a grande rocha ao pé da base e solta a corda arremessando a pedra ao mais longe possível. É a história de muitos governos essa metáfora, mas também a de muitos homens que conseguiram, apesar do país, da sua sociedade, de seus meios e por que não dizer de sua família, vencer...


Assim, como “minigenerais” que um dia resolveram derrotar seus “bárbaros”, vamos nos levantar, e como diria o original, antes de filósofo, um grande humano, “vamos encontrar um imbecil, um ignorante, mas vamos aceita-los por que fazem parte da natureza humana, mas nós que já sabemos o que é o bem e a consequência do mal, optamos pelo bem”, assim como os dentes de cima aceitam os dentes de baixo.

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Revoada de Pardais

Às Mães















Menina, mulher...
Beleza cerrada pelo filho,
materna que se fora

Pelos atos que fizera,
contudo, o amara sem tino,
e tornara-se senhora daquele
destino...

Manas, Âmago, Mar, Mulher, Mãe...
Palavra interminável, sem fim.
Uma imensidão feminina, tão divina,
Não fora eleita por mim...

Mas teu rastro de flores no chão,
Teu  choro de criança nascida,
tal cantinho macio nas pedras,
revela-se um sopro na grande ferida...

Sonho eterno e ternura a quem fica,
preso pelo galho da dor,
na grande árvore da vida,
que um dia nos dera teu mero sabor,
                                            [Sua paz lírica

Mãe, magia, mistério, mítico...
Mil histórias em seu mar,
nele cultivou nossas esperanças,

Permeou tuas andanças,
Tua coragem criança...
Eu nunca vi medo em teu olhar.

Mãe, maravilhosa senhora,
rocha poderosa
ao lado de um rio...

Sol que se fizera como canção,
estrela numa noite solitária,
essência do vinho e do pão...
do cobertor no frio...

De preces vivo a te clamar,
pois tornar-te minha deusa amada,
minha preferida canção...

Tornou-se a rosa azul celeste,
Dela me encontro forte,
És meu querido Norte,
Meu coração...







quinta-feira, 8 de maio de 2014

Bem. Uma Lei Moral.

Charles Brown: esperando o bem alheio...



Um dia ouvi uma conversa de um desses sectários religiosos que dizia... “toda criança nasce com o mal, e cabe aos pais desenvolver seu amor a Deus”... Por incrível que pareça, tem sentido, mas nada mais é que uma protagórica conversa (de Protágoras), sem base, para impressionar os ouvintes.... Pois nada mais é mais belo, nada é tão do bem e mais puro que uma criança, por mais peralta que nos pareça aos olhos...

Entendi o ponto de vita daquele senhor. Mas não se pode ser taxativo nesses casos, enfim, é mais uma questão de ponto de vista. E o meu, embasado na Tradição diz, não somos do mal e, se o somos, desde criança, é porque nossos pais nos propiciaram tal característica...  O Bem é um potencial que se resguarda latente, e quando o digo latente, está fora de nossas possibilidades de percebê-lo racionalmente, apenas quando em ações naturais, quando algo nos indigna e chamamos a parte que nos move, involuntariamente...

No entanto, quando o percebemos, não tem volta; o praticamos em demasia, nas mínimas ocasiões, o que seria belo senão fosse nosso sentimento interesseiro em satisfazer a nós mesmos. Queremos ser reconhecidos...

Claro que queremos ser reconhecidos, mimados, voltados em elogios, porém, devemos ficar longe disso, transformar esse bem em algo que somos, aquela pequena estrela que pede para brilhar e há muito não observamos, apenas sentimos. Ficar distante dessa dependência de admiração, reverência, prestadas por pessoas que amam – nada mais errado que isso.

Uma questão de Alma...

Por que nos sentimos bem quando somos bem tratados, ou fazemos o possível para fazê-lo como cãezinhos que acabam de nascer? Supernatural. Ou quando acabamos de ler um poema, uma poesia de Drummond...  Ao rever um grande amigo que havia desaparecido do contexto... E quando o nosso filho acorda, pede a benção do dia, seguido do beijo sorridente de nossa esposa, sem falar das reuniões familiares nas quais conseguimos iniciar e terminar na maior paz do planeta, enfim, por que queremos esse sentimento de bem estar? A Alma nasceu para isso.

Por que nos sentimos bem quando levamos um café à visita que chega a casa? Ou mesmo quando uma pessoa chora e lá está você para fazer-lhe uma piada de bom gosto, e ao perceber, sentir-se melhor com sua pessoa... Quem não ama levar um presente às pessoas de que gosta, ou fazer um grande favor, ao levar amigos ou amigas, ou até mesmo desconhecidos em seus carro que acabara de comprar a qualquer lugar que queiram?

Enfim, se formos mais longe, perguntar-nos-emos, por que saímos de nossos pequenos e ínfimos lugares, retiramos todo dinheiro de nossa caderneta, ao perceber que nossas vidas estão se deteriorando, pegamos nossas malas, e partimos para a África ou Haiti, ou mesmo aqui, no interior do Brasil, e iniciamos um trabalho voluntário?

Por que nos impressionamos com as máximas dos homens que um dia nos retiram do eixo de nossos pensamentos pequenos? Por quê? Eu acredito que, assim como os grandes do passado, que nascemos para o bem, e nele um dia pretendemos dormir e acordar como numa cama perfeita...

Intuição Natural

Já que a temos – essa natureza do bem – temos que desafiar nossos sentidos, fazendo com que sejam menos dependentes de elogios, de observadores, de patrões externos, e criar o nosso, lá dentro de nós, sem que haja critérios de avaliação de outros, apenas os nossos. E estes serão baseados em premissas divinas, nas quais o ser humano, portador desse grande tesouro, não se submete a nada, apenas a intuição natural, quebrando vitrines imaginárias, desfazendo preconceitos frios, desviando de julgamentos cujos juízes são pessoas tão hipócritas quanto o dia em que não olharam para si mesmas e começam a olhar o próximo e julgar, julgar...


O Bem é o nosso berço maior, mas sejamos dignos dele, caminhando dentro de leis morais, dentro de leis que nos levam a refletir acerca da ordem natural da vida. O que não faltam são barreiras para tanto, pois, um dia aprendi, onde há pessoas cultivando o bem, outras há cultivando a separatividade, a extinção, enfim, o desamor, sem falar naquelas que nos enganam sempre, como na charge acima... Não sejamos um Charles Brown, sejamos do bem e firmes em nossas convicções, pois delas vivemos e somos coerentes.



quarta-feira, 7 de maio de 2014

Nas Nuvens

Vamos por os pés no chão. 


Ao acordar com pensamentos retos, organizados, coerentes, rumo ao nosso ideal, ainda que sejam menos de um terço de nossa vontade... Ir ao banheiro, usar de técnicas naturais, eficazes, no seu lavar, escovar, até mesmo no enxugar do corpo... Respirar fundo; não ir de encontro a outros pensamentos infundados, dos quais tiramos opiniões insanas, e, por fim, vestir-se como um cavaleiro para a grande batalha... O trabalho; por enquanto é usar de retidão nas primeiras horas do dia...

Outro ser que também se levanta, faz seu trabalho sem pensar, e nos conduz graças a sua bela energia, porque sabe que, se não o fizer, não somente nós, humanos, teremos problemas, mas muitos outros, como numa grande cadeia, terão mais problemas ainda, o sol brilha e nos alimenta ainda que haja o solstício de inverno, quando se está um pouco longe da terra, ainda que não precisamos dele naquela tarde quente, enfim, o círculo, que outrora fora um deus, em razão de suas nuances naturais, universais, revela-se essencial por praticar, em suas possibilidades, a virtude.

E se soubéssemos levantar em nome dessa estrela, tal qual ela, por meio de uma vontade que em todos os seres permeia, mas somente alguns por ela são conduzidos, mesmo porque não pensam, não refletem, apenas agem em nome do grande Espirito; se soubéssemos ser guiados, involuntariamente, como são, levantando de nossas cama, indo direto ao nosso real trabalho humano, e vivendo como sagrados seres da terra – com certeza, estaríamos em outra esfera de consciência...

Ou melhor, da grande Consciência, da Inteligência, da qual, supõe-se, vem tamanha organização. Aquela que faz o sol iluminar, a chuva molhar, a terra fertilizar, os animais serem o que são, e os vegetais, idem. Uma organização sobre a qual não se questiona – (??) – apenas se vive, respeita e, como um grande dogma, jamais será revelado o mistério..

Fora isso, teríamos nela, na consciência em questão, a possibilidade se sermos mais sagrados do que somos. Ou seja, não nos contentaríamos apenas em viver do respeito à terra, mas ao todo, auxiliando nossos irmãos, amigos, comunidades, sociedades, enfim, não teríamos que questionar o porquê de nossos conflitos internos, os quais nos obrigam a sermos melhores, pois, se tivéssemos a prática dessa grande consciência, não precisaríamos ter problemas, pois já tínhamos as respostas a tudo...

Seria horrível. Nossa existência cairia no desvão dos animais, das plantas, dos minerais, os quais simplesmente retratam a harmonia de uma lei à qual não temos acesso, muito pelo contrário, atrapalhamos. Mas ao mesmo tempo sentimos a necessidade de com eles viver, harmonizar, cada um em seu mundo, a observar o comportamento deles, e eles, o nosso, o que não seria impossível, pois não sabemos, na realidade, o que pensam, ou que, na grande maioria das vezes, são, e por isso, o tratamos como inferiores, à parte, ou melhor, de uma cadeia abaixo da nossa... Será?


As leis se subdividem. E delas organizações são impostas, como minileis paralelas em diversos ramos da existência universal. Por isso nos sentimos melhores que outras raças; porém, quando nos deparamos com outras organizações, não tão longe da nossa, questionamos nosso “poder”, e nos sentimos frágeis.

Se não nos individualizássemos tanto, se não nos sentíssemos tão poderosos, tão melhores que outras organizações, talvez estaríamos melhores no caminho de nossas respostas... A questão talvez não seja apenas essa, mas outras que não sabemos. Mas nos deixa no ar e no coração mais questionamentos, mais dores, mais conflitos, e dentro deles realidades que se sobrepõem ao que somos internamente...

Não podemos deixar de ir atrás do que é simples, uma esfera a que temos acesso e dela podemos teorizar e praticar, viver dos abraços de irmãos e amigos, dos conselhos dos idosos, da paz dos filhos, do amor das esposas e namoradas, da paz que a flor nos traz, ao desabrochar em nossos jardins, do cântico dos periquitos que nos acordam na manhã de sábado... Do sol de domingo, do verde que fica mais verde após a chuva, dos pequenos córregos que levam a vida, independentemente das pedras... Dessas pequenas organizações, dessa pequenas e belas poesias que correm diariamente sob e sobre nossos olhos e cabeça, mas não temos tempo...


Por fim, por que falar de organizações, leis, comportamentos, se não damos o passo natural dentro de nossas possibilidades humanas – o que é um papel raro hoje em dia – e traduzir tudo para o nosso bem-viver, ao que buscamos desde que nossas almas tateiam a matéria...

terça-feira, 6 de maio de 2014

Plásticos ao vento... O fim da ventania.

Plástico ao vento. Nossas mentes e a influência externa.





Escuta-se de tudo entre pessoas que dialogam frivolamente em meio a outras as quais, com objetivos claros de exporem-se racionalmente, tentam manter o status quo com seus princípios tão frágeis quanto castelo de areia mal feito.

Fugir disso é a nossa meta. Temos que nos manter fieis ao que somos, à nossa identidade, ao mais íntimo que segreda a mais pura verdade. Caso contrário, seremos mais um plástico ao vento. Para isso devemos filtrar – mais uma vez – o que é dito, ou seja, o que se discorre entre as mentes mais explícitas e ao mesmo tempo mais incoerentes, e transformar, melhor, regar e fazer com que seja válido o que ouvimos.

Às vezes, é bom saber, temos em nós os mesmos modelos de princípios os quais, como fumaça, estão em nossas mentes, corpo e roupa, e saber destitui-los de nossas vidas diárias é outro objetivo, talvez mais árduo que iniciar uma filosofia organizacional externa.

Mas é para isso que estamos aqui. Tentar, tentar sempre, mesmo porque sabemos que tudo que precisamos está entre a grande ignorância e a pequena sabedoria. Tudo é uma questão de tempo.

E ficar longe de pessoas sem disciplina, de alguma forma, como um dos passos primordiais, nos faz melhor até mesmo em saúde. Pois passamos menos revesses na vida, e conseguimos descansar nossas mentes, nossa alma, nosso corpo.

Faz parte de nosso trabalho. Harmonizar com filtros, sendo coerentes, deixando cada um com suas convicções, convenções, mas elevando apenas o que nos cabe, dentro de nossas possibilidades, ainda que seja diminuta.

Harmonizar até mesmo o mais frio e esdrúxulo, o mais vulgar, mesmo porque estamos perto de linguagens, modos, meios de comunicação, pessoas, bestas, os quais se manifestam como parlamentares racionais, com inteligências raras. Porém, nenhuma Inteligencia, como diria um grande professor, o seria, senão fizesse o seu trabalho humano de transformar o ser humano em mais humano...

É o mesmo que ver um grande espada chim, com uma grande espada, a cortar um pedaço de carne, tão menor quanto sua mão. A espada seria a inteligência do homem atual, que desperdiça um dos mais preciosos dons na consecução de seus objetivos.

Outro grande filósofo diria..."Temos que tratar a vida como nossas casas”--- Bem... isso, para mim é relativo...Pois vejo tantos amigos com casas enormes e sujas e desarrumadas, que, se entrasse ou saísse um ser vivo de quatro patas em busca de comida, no meio da louça, não perceberiam... Mas o grande mestre quis dizer que, para os homens de bom senso, que amam a organização, e refletem isso na limpeza, na colocação dos móveis, antes de qualquer vontade relativa, devem com exatidão se manter em seus princípios, como grandes guerreiros que tentam manter um forte, obedecendo ordem de seus grande general interno... Você mesmo.
  
Plásticos

O plástico ao vento, como grande símbolo que encontrei para as mentes que vagam em busca de algo, pode estacionar em um caminho sem brisas, muito menos ventanias. Pode, como uma mente que busca acalanto, sobreviver perto de um grande referencial, preso a um poste, a uma placa, mas ao mesmo tempo sem vida... E nossa mente tem vida, tem pensamentos que nos ordenam graças ao que colhemos durante nossas experiências junto ao próximo, ou mesmo caminhando solitariamente...

Mas o que importa? Temos meios para nos livrar de ventos, ventanias, brisas, pequenas formas que nos fazem levantar os olhos e nada ver. Tudo pode ser uma forma de corrupção, e a ineficiência de nossas mentes pode nos levar a ela. Sejamos atenciosos. Sejamos organizados.


segunda-feira, 5 de maio de 2014

Plásticos ao vento (o início de uma Política)

Refletir acerca da Política como organização.

Falamos em uma estrutura delicada, que é a religiosa, na qual submetem seres a adotar pensamentos, ideologias, cultura, opiniões e perder uma identidade graças a uma organização voltada para isso. Deixamos de falar, no entanto, do papel do homem comum no próprio contexto religioso que é buscar sempre uma organização maior, sombra de suas próprias possibilidades.

O homem, na verdade, não precisa ir atrás de sombras, mas realizar-se internamente, como ser sagrado, não religar-se em qualquer canto, seita, ou meio para conseguir seus objetivos religiosos, pois isso o deteriora, e não volta mais a razão.  

Esse homem, filho do dia a dia, das aparências Ocidentais, em conflitos políticos e também religiosos, se submete à própria dor como naquela piada em que um homem diz “uma casca de banana no chão, ah não!!”, e o outro espantado diz... “mas por que você diz isso, amigo”.. Então responde o infeliz, “serei obrigado a cair de novo!”...

O homem comum tem que saber pular as cascas da vida ou tentar retirá-las do seu presente. Olhá-las e assumir a fraqueza, escorregar nelas então, seria (e é) o fim de um ser que nasceu para se organizar frente a uma estrutura como ele é em si.  E isso é tão real e certo que, em civilizações passadas, acreditavam que o homem nada mais era que um microuniverso, e o universo, um grande organismo, um ser do qual poderíamos retirar a maior das organizações...

É um fato. É claro é certo. Muitas das cidades antigas, principalmente as egípcias, foram cópias do que chamaram de universo invisível, retratadas tais quais os sacerdotes as viam, e por fim faziam com que outros iniciados engenheiros-arquitetos trabalhassem em sua construção. No fim, a energia que passava pelo céu, passaria como brisa naquele mundo. O sagrado estava em tudo.

A volta do Político

Vamos falar um pouco daquele que saiu da caverna, viu e se entusiasmou (de entheo, Deus em si) com o Bem e se enamorou da Verdade.

Quando aquele individuo (ser indivisível) saiu da caverna e se deparou com outro mundo, sentiu uma grande alegria, um grande espanto e ao mesmo tempo uma necessidade de levar a verdade a seus irmãos que estavam penando dentro da escuridão....

E quando o fez, infelizmente, teria sido desacreditado e por fim, segundo o grande mito, sido exposto ao ridículo. Assim é a política, segundo o mestre, a qual, tem, por entre outras funções, auxilia-lo em seus pensamentos, como diria Sócrates, por meio da maiêutica, a gerar por si mesmo a verdade – e foi isso que fez em Atenas, mas fora condenado à morte.

Platão, com isso, quis demonstrar que, ao contrário do que pensamos, podemos nos desfazer de nossos frágeis e quase eternos princípios, pois nos embutem realidades com a finalidade de nos aprisionar ao que não somos. Para isso, usam nossas próprias fragilidades, paixões, e desfazem nossos conceitos mais internos com intuito de prevalecerem como nossos referenciais.


Política, enfim, seria completamente o contrário do que vimos na obra do mestre grego. Talvez, em essência, ela se mostre assim, mas a realidade é que quando sabemos que estamos dependendo desse fator nos sentimos mais presos às falsidades antes das realidades a que temos direito. 

A Parte que nos Falta

"É ótimo ter dúvidas, mas é muito melhor respondê-las"  A sensação é de que todos te deixaram. Não há mais ninguém ao seu lado....