terça-feira, 3 de junho de 2014

Fogo Invisível

Os Quatro Elementos. Em nós como tudo que há.





...O homem, segundo a essência grega, possui  a sacralidade em si. Um microuniverso voltado a uma natureza maior que ele e que ao mesmo tempo está nele. Platão, mais que outro filósofo, expôs de maneira mítica esse homem, em seus clássicos, nos quais faz referência à alma, ao espírito e ao corpo, como dimensões análogas ao universo externo.

Não menos do que isso, Cristo também o faz em suas parábolas, mas sem que haja uma tangente de compreensão universal, ao ver dos cristãos, mas voltada simplesmente ao homem. E isso é meio perigoso, justamente porque não só o mito, mas as parábolas, quando evolvidas em contextos isolados, por mais que pareçam de massa (ao grande povo), têm  muito mais um tom universal, como em Sabedoria das Parábolas, de Huberto Rohden,por isso que suas essências permanecem sempre.

E quando no texto anterior me referi aos elementos do quaternário humano, também me referia a elementos universais, ou seja, o homem, isoladamente falando, sem ser criterioso, é  um copo, um veículo, e nesse veículo, há pequenos compartimentos nos quais há lugares em que os elementos – éter, astral, intuição, desejos... – são resguardados e que participam, a todo segundo, de nossas vidas, mesmo porque sem eles difícil é nos manter.

Resumo

O corpo, esse veículo complexo, ao passo mais simples que o outros, é o detentor de todos eles – é o veículo; o vital, subcorpo que possui a energia, a prana, como diria no passado, por nos dar a vida; o astral, ou linga sharira, que no passado fora tratado como nosso duplo, ou seja, um corpo que poderia nos substituir em razão de ser, ainda que invisível, portador de nossas intuições, mas o subcorpo do desejos, o kama manas, é o que direciona, segundo a tradição, o homem ao sagrado.

Entre todos os que citei, os quatro, o kama manas reflete nossas ideologias, filosofias, e mais, é o emblema humano, pois nenhum animal, planta ou pedra, o possui. E segundo estudos, os alquimistas passados se referiam às outras partes, assim... Corpo, como pedra; corpo vital, como vegetal; e astral, intuição, como animal... Mas somente o  elemento desejo, como humano.

Outros, ao corpo como terra; corpo vital, como água; astral, como ar, e o elemento do desejo como... Fogo. E assim, em muitas culturas, quando se referem ao homem como portador do fogo, de alguma forma citam o elemento do desejo, da paixão, do prosseguir com a mente voltada a algum interesse.

E é aqui que muitos dos grandes homens do passado, principalmente dos avathares, singularidade dos homens espirituais, tentam nos ensinar como lidar com essa parte que tanto desvencilhamos, quando obtemos a consciência plena. Isto é, depois que temos a visão do que realmente podemos ser no universo, trabalhando a parte que pode nos levar ao céu e ao mesmo tempo ao inferno – como diria Dante.

E em vários momentos, por assim dizer, encontramos de maneira simbólica essa dimensão citada pelos filósofos em mitos, pequenos ou grandes, de modo que saibamos interpretá-los e levá-los para nós, e ao mesmo tempo harmonizá-los com o todo. Porém tal exercício de conscientização em relação a esse elemento ainda nos é pobre, pois ainda somos meio sectários e às vezes cientistas, psicólogos, racionalizando ideologias que poderiam se harmonizar, não distanciar do que somos.


E o que somos?


No próximo episódio.


segunda-feira, 2 de junho de 2014

Kama em que Dormimos


O Mito. Maior realização do Kama.





Já ouviram Noturno, de Frederic Shopin, em uma sala silenciosa, numa expressão de beleza celeste, em que subimos, e ao passo sorrimos sozinhos, como crianças solitárias a transformar o mundo em uma brincadeira suave, e ao mesmo tempo tão sutil quanto o seu respirar numa noite de sono... Não. Acredito que não...

Então, um violoncelo de Sebastian Bach, te acordando com um despertar para o paraíso, mas, ao acordar, estás em uma terra sombria, a te consumir o corpo, deixando apenas alguns resquícios de uma lembrança interna, na qual esteves perto de  realiza-lo, perto de Deus... Não, tenho a certeza que não...

Quantos poemas fizestes quando viras o pôr-do-sol ao longe, a pedir algumas palavras suas, em meio a pessoas congeladas pelo ódio diário em que se infiltram, mas não conseguem intuir o porquê da beleza do horizonte ao mundo... Quantas estrelas contastes, ou ficastes com medo? Quantos enigmas do espaço você desvendastes e sorristes somente ao pensar que ele era fruto de um presente aos seus olhos...?

Quantos poemas já lestes em nome de palavras que querem se expor, se mostrar ao espaço infinito seu valor...? Quantas vezes soletrou a palavra Amor? Será que souberas tu o significado dele, nesse complexo exercício, natural e... Humano? Já disse Eu te amo ao seu filho hoje?...

Kama Manas

Sei que estou sendo evasivo e um tanto quanto misterioso ao iniciar nosso texto diário a respeito do nosso assunto, mas, de algum modo, se não entenderam, vou dizer-lhes... Em todos os parágrafos acima, minha indagações a respeito de músicas, poesias, poemas, comportamento são nada mais o inicio do que eu aludi a respeito no texto anterior... O Kama Rupa, ou como diriam em sânscrito... Kama Manas, o mental do desejo: da cobiça, do ódio, do amor, de querer humano, do  mais ínfimo desejo interesseiro ao último...

Dele sintetizamos o que queremos e nele vivemos por razões que até mesmo homens cuja filosofia mais tradicional não conseguiram desvendar. Estamos falando de uma ponte ou mesmo de uma grande faca metafóricas, com as quais podemos atravessar rios turbulentos, ou como canoas firmes ou fracas, atravessar o pior dos mares...

É deveras complexo falar de uma parte que nos leva ao Céu e ao Inferno, e que deles, por ele, se falam, se exibem, se imaginam e sonham escritores, ou mesmo poetas que surgem do nada e nos deixam legados maiores que os primeiros. Deles se fazem filmes maravilhosos, nos quais romances, ficções, dramas e comédias nos instigam a reflexões que nos levam a lágrimas em linhas, em telas, em falas...

Do kama Manas o homem sobrevive, mesmo que pela violência que o consome em cotidianos, em gerações que se fazem e se desfazem em violência, em sons de indignação por um grupo, sociedade, país, e transformam vidas passadas em morte, e vidas futuras em suicidas. Ou seja, com o desejo de transformação, tropeçamos em ideias pequenas e delas nos apaixonamos, e só observamos tudo isso quando vimos morrer nosso primeiro amor, quem nos criou... E só sentimos a realidade do mal que fizemos quando, mais velhos, nossos filhos vão à mesma rua, depois de anos, pedir o que pedimos há séculos... O que muda são apenas as carcaças dos homens, mas seus interesses são os mesmos.

Dele, do elemento mais sutil entre os outros três, mitos foram criados, com pretensões de o homem conhecer o universo em que vive, sente, trabalha, realiza sonhos, enfim... Desde os primórdios de nossa civilização, o kama Manas, no ser humano, e só nele, faz com que haja uma contínua realização progressiva e concreta dos sentimentos em prol de uma evolução material, e que, em poucas nações do passado, fora espiritual.

Depois dessa reverberação acerca do Kama Manas, precisamos entendê-lo de modo tradicional. E é assim que o teremos no próximo texto.



Até amanhã.

sexta-feira, 30 de maio de 2014

A Dimensão Sensível


Egito. Uma cultura que sabia viver ao lado da morte.





... Muitos filósofos do passado se referem à parte inferior, à personalidade, como sombras que se vão em meio à luz. Dá para entender a alusão que fazem ao quaternário do homem principalmente se estivermos olhando do alto. Mas não estamos no alto, e sim, dentro de uma persona (como diziam os gregos), de uma máscara que se vai após “o pequenos sono”, como diria a teósofa Blavatsky, quando se refere à brevidade da vida.

Se pudéssemos realmente enxergar a vida dessa forma (como um pequeno sono, dentro de um veículo) não estaríamos fazendo alusões teóricas a respeito dos grandes, nós seríamos um deles. Mas isso não importa. E sim, a maneira como nos portamos frente ao mundo, às pessoas, e a uma sociedade que nos instiga questionamentos acerca de uma mudança gradual em nós mesmos, em nosso veículo natural – o quaternário.

Quaternário...

Como fora dito nos textos anteriores, temos faíscas de dimensões em nós, as quais sintetizam um universo invisível e ao passo sensível ao prisma da grande Maya – deusa Indiana, que sintetiza as ilusões do Mundo. 

E em nós, temos o sthula sharira, termo sânscrito, que significa corpo – físico, denso, -- enfim essa dimensão terra da qual vivemos e damos tanta importância, tem a grandeza a partir dos elementos visíveis no universo, e em nós representado pelo físico, composto pelo éter, por isso, também chamado de étero físico. Na realidade, vamos dar importância ao que temos a partir desse veículo, pois ele será a ponte dos elementos que nele residem, ou seja, de nossas energias. 

E por falar em energia, temos Prana, ou o corpo vital, responsável por carregar a vida, do grande oceano misterioso que corre lá fora, de forma invisível, tal qual brisas que não vemos e nela estamos, e que ao passo se encontra em nós.

De Prana, podemos dizer que somente os iniciados nos mistérios ocultos podem (podiam) manipular, assim como os sacerdotes egípcios, os quais em meio a seus estudos, e com fórmulas bastante complexas, faziam ressuscitar  sempre que necessário vidas animais ou até mesmo humanas. Tal procedimento também passou pelas mãos dos Alquimistas de séculos atrás, mas foram esquecidos por serem confundidos como bruxos.

Na Bíblia, no capitulo em que Lázaro ressuscita, dizem (somente para informação) que Jesus, por ter poderes de manipular a energia prânica, poderia muito bem tê-la usado no sentido de trazer seu amigo de volta à vida... “ressuscita, Lázaro!”... Mas são apenas informações.

Contudo, informações preciosas as quais poderiam (e podem) nos dar um norte do que os iniciados – e Cristo o era – faziam em circunstâncias como a descrita. Hoje, no entanto, temos pessoas que sequer passaram por escolas normais, quiçá de iniciação, e brincam com tamanhas forças desse elemento.

Linga Sharira. Mais um termo sânscrito que significa corpo astral, ou duplo etérico, responsável por abrigar o reflexo de nossas emoções; tanto que é que, coloquialmente falando, dentro do nosso meio, há pessoas que demonstram seu astral perturbado, e refletem isso no físico.

No antigo Egito, a importância desse elemento era tanta que, segundo Cristhian Jaq, autor de diversos livros acerca da civilização, que, quando enterravam pessoas – fosse no Vale dos Reis, lugar onde enterravam as autoridades, fosse  em locais longe dele, havia uma celebração, uma homenagem ao morto que se ia para o além, mas sabiam que, antes disso, seu corpo prânico – astral – estaria entre nós por muito tempo ainda; e mais, impostos eram cobrados até determinado tempo à família, sempre contando com o astral do morto, como se ele ainda estivesse vivo.

Enfim, não podemos entender com nossos olhos modernos tal comportamento de uma cultura que, no passado, era tão avançada quanto qualquer uma hoje em termos espirituais. Podemos, no entanto, entender que, se antes davam importância tamanha a esse elemento (subcorpo astral), o nível de consciência nosso de cada dia em relação ao que sabemos se torna a cada dia mais ínfimo, ou seja, é preciso que repitamos todos os dias “Só sei que nada sei mesmo”.

Para finalizar, temos  o quarto e último subcorpo: o Kama Rupa, ou corpo dos desejos, ou como conhecemos, o subcorpo em que reside nossas emoções. Dele vamos falar à parte no próximo texto.




Enfim, aqui já podemos dizer que percorremos metade do nosso caminho para elucidar um pouco o rastro de Didymos Tau´ma e seu mestre, Cristo.



Voltamos com mais quaternário na segunda.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

A sombra do que não somos

no rastro de Didymos Tauma

Platão: o quaternário seria o sensível em nós.


...Depois de reverberar pouco acerca do que somos, podemos falar um pouquinho mais do que não somos. Deixe-me melhor expressar. Em escolas iniciáticas não só da Grécia Antiga, mas de outras que se revelaram tão essenciais quanto à última, o ensinamento aos discípulos era dizer-lhes exatamente o que eram e não eram ante a um universo real, eterno, o qual, de alguma forma, estaria dentro de nós – e está – e cabe ao homem, em qualquer época, buscar esse ponto dentro do seu pequeno espaço que os deuses lhe dão...  A sua vida.

Já nos foi dito, não somente por Cristo, mas pela maioria dos homens de bem, que um dia plantaram ideias espirituais na terra, no homem, que somos perenes, ou seja, que passamos, vamos embora. Claro. Mas a tradição, e seu legado, como temos sempre colocado aqui, e é o motivo da existência deste blog, quiçá da nossa, diz que há uma parte que se revela eterna e a outra, não.

Da parte que dura, que se molda ao universo, é um tanto quanto difícil reverberar, contudo, tentamos em textos passados, como no anterior, no qual falamos um pouco do Nous Platônico, o qual se conecta com um Uno, e que, em nós, sobrevive como um morador de um terceiro andar não visitado há séculos, somente por sábios que o conheceram de “soslaio” e ainda sim são enigmáticos em suas palavras, ou melhor, necessariamente enigmáticos, pelo fato de ver o que a maioria tem dúvida.

E quando Cristo, em meio àquela época tão decadente, se expressa, somente aos seus discípulos, consegue ser um tanto quanto claro, mas, na realidade, nem todos os compreendem, mesmo porque nem todos teriam a profundidade do mestre. Mesmo assim, em tentativas de expor ao grande povo por meio de sermões o que “vira”, o ou que somos, ou que seria mais importante não somente naquela, mas em todas as épocas, ele aposta na busca sensata humana por si mesmo.

O quaternário

Bem... Vamos dar uma pausa em nossa ascensão  em nossa escadaria psicológica (rs) e tocar em um ponto interessante, ou melhor, em um ponto necessário para a compreensão de nosso Eu, a parte superior. Falemos de nossa personalidade, desse ser necessário ao homem animal, a qual serve de ponte aos nossos propósitos naturais – ideais, filosofias, psicologias etc – e que a atravessamos e/ou nela permanecemos com intuito de progredir em qualquer nível...

Porém, como meros veículos pelos quais nos apaixonamos, os elementos dessa personalidade agem e na maioria das vezes nos fazem acreditar que estamos no céu de nossas possibilidades; não, talvez, de nossos objetivos, os quais podem chegar ao que queremos sempre, e sempre baseados em premissas interesseiras, sejam externas ou internas.
Vamos clarear isso...


Mas no próximo texto.


Até amanhã...

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Um Pouco do Céu

no rastro de Didymos Tauma


Céu: um pouco do que somos.




E assim começamos a analisar o homem de acordo com a mais mística tradição. E, no texto anterior, demonstramos que Platão (428 aC-348aC), iniciado nos mistérios sagrados, tenta elucidar de “forma coloquial”, por assim dizer, o que podemos entender um pouco acerca do papel humano frente às dimensões naturais do universo. Platão dividiu a parte de cima em corpo mortal; princípio imortal e uma alma separada... Ou homem físico, alma animal e alma espiritual.

A Alma animal, ou emocional, seria todos os valores naturais que concebemos quando nascemos, os quais podem transladar para a parte ínfima, que é o corpo mortal (ou soma), ou mesmo, com o tempo, elevar-se para a parte de cima, a alma espiritual (ou Nous no homem).

Sempre deixando claro o mestre, que todos os elementos referidos, principalmente a alma espiritual, são dimensionais, ou seja, estão no universo como uma grande alma, à qual se referiu no Timeu, como um grande espírito, ou como ele mesmo um dia se referiu ao universo, um grande ser.

Aqui, cabe salientar que simbolicamente muitos se referiam (ou ainda se referem) à parte interna do homem como  Céu no Homem. Ou melhor, o próprio Nous seria o Céu, o Ideal humano, ou quem sabe, aquele Individuo interno ao qual se refere o autor de a República, quando fala de Justiça, Verdade, do Bem...

O Nous, apesar de ser pouco expresso semanticamente em temos coloquiais na obras de Platão, podemos dizer que é a parte que está acima de nossas possibilidades sensíveis de projetá-lo e visualizá-lo como sombra do homem. Não, não podemos. Mesmo porque tal denominação adveio de tradições mais tradicionais ainda, talvez um Pitágoras, um Zoroastro, ou mesmo de culturas mais espirituais que a própria Grécia, enfim, do Egito, onde teria o grande filósofo se iniciado... Assim como Pitágoras, Anaxágoras, Anaxímenes, e até mesmo, segundo alguns estudiosos, Cristo.

Enfim, podemos por assim dizer que “a parte de cima” de nossas possibilidades, chamada de Nous por Platão, de Átman, pelos indianos, é relatada de várias maneiras em palavras dos mestres de sabedoria, como na tentativa de nos transferir esse mundo que desconhecemos – “Meu Reino não é desse mundo”, dizia Cristo, incansavelmente – e a assim, com simples ferramentas, entrar pelo menos na parte racional que nos indica que há uma realidade por trás desse simples corpo do qual vivemos, e que se vai com um simples sopro.

E podemos, enfim, por meio dessas elucidações, trazer à tona parte de um universo que necessita ser compreendido, mas a passos de formiga, com o faziam anteriormente. E como todos esperam, entender um pouco as palavras dos grandes que um dia estiveram entre nós e nos deram termos para elucidar seus sentidos, nos deram uma personalidade que pode ir ao Céu e ao Inferno, na busca invariável por uma verdade que brilha tão longínqua quanto aquela estrela que vive no obscuro espaço em tempos de frio.


No próximo texto falaremos  da parte que nos concebe relatar com mais ânimo, ou com menos complexidade que a primeira, a qual, de acordo com os parâmetros exotéricos, sintetiza o que não somos, ao passo pensamos em ser, em razão de nossa dedicação a ela... a personalidade do homem, a parte sensível.




Ave!

terça-feira, 27 de maio de 2014

Escudo Eterno do Homem

No rastro de Didymos Tauma



Platão: um brilhante mistério .




Há muitas divagações acerca do que somos internamente, sendo um amontoado  de opiniões deveras ligadas à massificação, a deturpações, de grupos e indivíduos que se julgam sábios. Mas, na realidade, se nos detivermos nessas opiniões e fizermos analogias com o que foi estudado há séculos pelos guardiões iniciados, veremos que são somente substratos incoerentes com verdade.

Para quem respeita a filosofia grega – a platônica, pitagórica, zoroastriana, sabe que a essência delas sobrepuja a qualquer uma em razão de ser uma das épocas, como não se sabe ainda, em que os maiores pensadores com suas ideologias transformaram e marcaram aquele tempo e  o nosso para sempre.

E, hoje, quando nos referimos a Alma, a Espírito, a Corpo, devemos sempre deixar claro que todos esses elementos, de alguma forma, vão significar não algo literal, justamente pelo fato de serem, a nosso ver, uma natureza compreensível,  e por consequência deturpável... E foi assim que o Ocidente entendeu, deturpou e levou a gerações a incutirem o que bem entenderem a respeito de tais elementos.

A prova disso é que no Ocidente, há muito tempo, padres se iniciaram e desceram as escadas da pirâmide da sabedoria com intuito de levar às massas o que não poderia ter saído das escolas iniciáticas; sábios falaciosos de rua nasceram, cresceram e, até mesmo na era em que Sócrates era vivo, e que os combatera arduamente, "ensinavam" em troca de valores em espécie.

A Natureza Humana

Antes disso...

Quando Platão escrevia acerca do que chamamos corpo e alma e homem, não se referia ao que conhecemos como tal. Como iniciado que era, não poderia detalhar, esmiuçar em palavras ao público em geral, mas racionalizar, no sentido mais inteligente da história, o que tais elementos significavam dentro do prisma filosófico, pois era mais que proibido, era um dogma universal...

E quando o mestre falava em corpos, por alto, referia-se a parte concreta, em uma dimensão criada, corruptível; por outro lado, a parte eterna, formada da mesma essência do absoluto. Para ele o homem é composto por 1) um corpo mortal, 2) um principio imortal e 3) uma alma separada, é o que chamaríamos (ou chamamos) de homem físico, a alma espiritual ou espírito, e alma animal (o Nous e psique)... *

Um conceito que até mesmo o discípulo Paulo englobou, segundo H.P. Blavatsky, iniciado também nos mistérios ocultos (!), ou seja, ele tinha o mesmo conceito platônico acerca de alma e espírito quando conceituava o homem, o que não era desrespeitoso ao fiel cristão, pois muitos depois dele, do discípulo, cristianizaram Platão, ou seja, tiveram a mesma ideia, mas cravaram como ideologias sectárias mais tarde, desconfigurando o real conceito.

Mais tarde, observaremos que tais aspectos foram esmiuçados nos sentido de explicar outras dimensões em forma de subcorpos, mas que, assim como as primeiras, não foram reveladas completamente pelos filósofos do passado, justamente pelo  fato de que haveria a ascensão das religiões, e por consequência a elucubração de conceitos novos, misturados aos do passado.


Enfim, os aspectos humanos internos até então estão resguardados, graças a sabedoria dos iniciados. E por isso vamos respeitá-los como devemos.






No próximo episódio, mais homem setenário.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

A Semântica na Matemática

No Rastro de Didymos Tauma


Pitágoras. Sua Matemática era sagrada.



Sabemos que existe uma matemática sagrada por trás de tudo que dissemos, dentro da qual cientistas especializados se contorcem em expressá-la por meio de imagens, ou até mesmo ao nos explicar o tempo e o espaço das questões inerentes ao cosmos. Mas se estudarmos um pouquinho mais, vamos ver que essa questão pode ser estruturada a partir de homens consagrados no passado que fizeram da matéria a conexão humana entre os deuses.

Pitágoras (nascido por volta de 580 aC) foi um deles. Quem nunca estudou o Teorema de Pitágoras? Pois é, ali é apenas uma manifestação física a partir de uma fórmula que nos faz entender a estrutura da matéria. Mas o grande Pitágoras, considerado um dos mais importantes matemáticos da antiguidade, como todos sabem, alinhava seus cálculos para descobrir a música (música das esferas), o espaço, o tempo, enfim, algo mais profundo do que geralmente se espera de um matemático. Diziam que, para entrar em sua Academia, em principio, dever-se-ia saber geometria, e fazer parte do grupo dos matemáticos. Assim, mais tarde, também na Academia Platônica...

A matemática sagrada nos ensina a entender que não somente há números perfeitos, mas que, cada um, significa algo, mas  um algo completamente diferente do que sempre pensamos. Por exemplo... O Zero (0) significava Deus, e em algumas nações que preservam esse sentido, pois o número, ao contrário do que refletimos acerca dele, vem com a semântica do silêncio do Espaço, de Brahmam adormecido,  do momento Pralaya do universo, enfim, das estrelas não surgidas, do Escuro no escuro, da palavra não dita... A partir daí, as manifestações... o Um, o Dois, o Três... Nesse terceiro número, far-se-ia a Tríade que equivaleria o espírito manifestado.

Depois do Terceiro, manifestações puras foram surgindo, até surgir dimensões maiores e compreensíveis ao olhar humano, mesmo assim, relativas culturalmente, o que possibilitou interpretações inúmeras em livros sagrados. Mas o mais importante é que todas elas concordam que daqueles três pontos – como diria a teósofa Blavastsky – houve uma Inteligência organizada da qual todos os astros vieram e se alinharam matematicamente, sem que houvesse casualidade entre eles.

A partir deles, desses três pontos, a Filosofia iniciou um processo de estudo humano, no qual todos os pontos macros foram encontrados dentro do homem, e neste, mistérios que poderiam ser visualizados no Macro, ou seja, tudo estaria dentro do Todo – o homem no Macro, e o Macro no homem... Por isso, na Astrologia do Timeu, livro de Platão acerca dos mistérios de Atlântida, o escritor nos diz que as almas humanas estão em conformidade com as almas do universo, e se fundem – como dito em textos anteriores.

A questão, no entanto, vai além. Uma estudiosa do assunto, a Teósofa Helena Blavatsky diz que o uno é dotado de dimensões das quais o próprio homem aparece como portador de todas elas – isso é Platônico. E subdivide todas elas como elementos internos, ou subcorpos que equivalem Personalidade e Espirito...





Voltamos amanhã


A Parte que nos Falta

"É ótimo ter dúvidas, mas é muito melhor respondê-las"  A sensação é de que todos te deixaram. Não há mais ninguém ao seu lado....