sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Homem, Arte, Eternidade...

Por que todos se baseiam na arte grega?



Não é difícil falar em eternidade ao nos depararmos com o pôr do sol, ou mesmo ao som de Noturnos, de Frederic  Chopin, não, não é. Nossos olhos se enchem dágua nesses raros momentos que passam por nós todos os dias, de forma que nos transformamos em seres entusiásticos pelo simples momento de contemplar o Belo.

E por falar em Belo, ainda ontem, ao ler o livro II d´A República, de Platão, o autor nos remente ao pensamento clássico de Justiça a partir de um mundo fragmentado, ao passo nos remete àquele conceito se aprofundando na alma humana – sei que os gregos, de algum modo, nos enganam quando falam em alma, pois ao se referirem ao Belo, assim como o autor citado, muitas vezes citam alma como Espírito, esse elemento que tanto desconhecemos e só temos uma parca visão dele quando nos aproximamos dos degraus de Arte.

E quando falamos em Arte, vem-nos conceitos físicos, retratados em belezas relativas, em quadros emoldurados, firmes, como plantas de plástico que não nascem, e sim são produzidas para enfeite. Assim, ainda que exista uma natureza lá fora em suas tentativas vãs em demonstrar seus inúmeros referenciais de Arte, Justiça, Bem, Amor, nos conduzimos a refletir nossas debilidades em telas as quais não sabemos, na maiorias das vezes, se estão ou não conectadas com os valores universais...

A Arte, também, é uma forma de eternidade – não porque nos mostra as loucuras de alguém ou de uma sociedade, de um universo humano, e que perdura entre gerações há quientos ou mil anos, não. É eterna porque nos faz nos religar a Deus, esse que permeia dentro de nós a cada entusiasmo (em+theo > deus em nós), ao passo em uma simplicidade que, aos olhos do modernismo, é sinônimo de atraso...

Não se pode chamar Arte de atraso, mesmo porque cascatas, como “véus de noiva”, a desaguarem num rio cálido, transparente, no qual pedras límpidas, no fundo, são enxergadas como seres místicos; não se pode julgar um jardim natural, cheio de flores que se diferem em cores, em tamanhos, em formas e ao mesmo tempo harmonizam com um céu azul... Não se pode vender a Arte, trocá-la, pois ela não é um produto de uma consciência pessoal, com finalidade de enriquecimento ou mesmo vaidosismo humano. Não.

Nessa arte, não apenas os jardins naturais se vão, mas músicas que nos religam as deusas, as musas, à alma, para qual nascera e nunca mais nos empobrecera até então. E hoje, como um quadro feito com tendências relativas, a música se tornou relativa, sem nexo, cheia de deformidade, e se porta como uma filha rebelde ao ilustrar qualquer coisa para as massas, para o homem que precisa de palco, para o lixo que precisa de uma trilha sonora.

A música, hoje, destrói o bom senso de um homem que tenta encontrar a si mesmo nas obras sagradas da natureza, pois sempre se depara com o que se traduz do mundo, ritmos, em letras sociais, nas quais a depender do estilo, faz uma leitura do que se passa dentro do homem, ou do próprio povo.

Contundo... Apesar de tudo, ainda há a eternidade. E dela, para o homem que involuntariamente deseja o Bem, retira-se o valor minúsculo do que podemos ser e compreender a respeito do que somos, e isso não se pode frear, podem até “escravizar” nossos corpos, mas não nossa alma, que quer subir aos Céus como um balão preso pelo peso de nossas raízes. Mas, um dia, ela se vai.

Outras formas de eternidades se mostram, mas é preciso que tenhamos olhos para tanto. Olhos para os rios celestes, que desaguam há milênios na grande consciência do criador; temos que reconhecer o nascimento físico e espiritual de uma natureza, antes mesmo do homem, o qual nascera sob o signo da transformação de sua própria existência, a qual, em algum ponto, podemos chamar de duradoura, não eterna.

Podemos, sim, chamar de eternidade o mais alto degrau – ou o que mais subjaz no homem, que, em sintonia com o ponto mais externo da vida, leia-se a mônada universal, nos faz, independente de nossas idades físicas, tão eternos quanto o próprio céu. E somos.




Falamos de Eternidade no próximo episódio...


Ótima sexta!

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Evangelho de São Tomé: o Herói Perdido.

Último texto sobre o Evangelho de São Tomé.






“Feliz do homem que foi submetido à prova – porque ele achou a vida.


Quando se tem uma humanidade para lutar, quando se pensa em uma justiça para abrandar em meio a uma injustiça que corrói as margens de um mundo frio, insensato, e a cada dia mais insensato, insano e débil, que se alastra desde a concupiscência até a base dessa pirâmide social que é comandada pela escória que ganha com a ignorância alheia, deixando, ao seu bel prazer, a pobreza se espalhar pelos poros do mundo e do próprio homem, sabe-se que temos muito a lutar.

Mesmo aquele que não se julga herói (talvez esse o seja por isso), ao se levantar de seu pequeno canto, alimentar a sua prole, amar sua família, trabalhar com disciplina em favor de alguém que esteja ao seu lado, sendo a cada dia aquele pingo que a sociedade precisa para se elevar em meio a um oceano sujo e que há milênios não se consegue sentir o cheiro da maresia dele e sim do interesse sujo, que corroeu toda a possibilidade de crescimento humano – de humanidade..., enfim, mesmo com toda sua simplicidade, o homem pode ser um herói, pode ser o que ele bem entender.

Os heróis, por meio de premissas gêmeas a anterior, não vão a guerra por acaso, e na maioria das vezes sabe que não voltam, mas sabem porque entram. Pela liberdade, pelo amor ao mundo, à sociedade; por acreditar que há sementes no coração no homem, por um povo que nele acredita e grita nas ruas em favor de mudanças, e que, descalço, sente a terra pela qual lutou.

E hoje, a realidade nos mostra que homens há de coração, de fé, de pensamentos ideológicos,  mas que não aprenderam a sair do sofá, de perto do controle remoto, a criticar governos, guerras, conflitos internacionais, ir a fundo em seus embasamentos, contudo não possuem razão de ser e assim, sem estratégias, se consolam com o café que chega.

Este, no entanto, não sabe que ser herói, dentro de suas possibilidades, não é apenas ir às guerras, suar frio com o inimigo, morrer pelo companheiro, assim como fariam os espartanos, romanos, persas... E sim encontrar meios naturais de modificar seu mundo – não o externo – e como uma oração disciplinada na noite, tentar subir os degraus de seus próprios sonhos, referenciando-se naquilo que chamamos necessidade de mudar o mundo por meio do homem.

Soa como algo utópico, desalentador, mas, se procurarmos entender o porquê das guerras, das injustiças sociais, do nascimento de genocidas, cairemos em vãos maiores que abismos ao descobrir que também somos homens, podemos ser injustos, genocidas, políticos nos pior sentido da palavra, e o pior, não acreditamos, por isso não mudamos.

Podemos ser heróis do aqui agora. O mundo pede isso. Nossa quota de mal já assola a humanidade há tempos e estamos perdendo filhos, mães, irmãos; estamos perdendo a vontade de viver, e ao sentir isso, caímos em outro vazio: não há outro meio senão nos suicidar ou ser um crente...!

Não podemos nos entregar a mais ninguém, a não ser ao nosso mestre interno, que quer ditar as regras de nossos caminhos, quer nos mostrar as estrelas – não físicas – o sol, que paira tão quente quanto o visível, e nos deter em nossa ignorância quando nos referimos ao próximo como covarde, injusto, pois se o somos, lá no fundo, temos que mostrar que podemos ser corajosos, justos, em uma guerra silenciosa que só os indignados pelo mundo veem.

Precisamos ser heróis. Precisamos tomar a cicuta, morrer por algo, por alguém; precisamos conversar com nosso lado mal, fazê-lo entender que existem coisas melhores do que elevar nossos desejos de areia, de conseguir o que sempre podemos em nome de uma máscara insaciável. Precisamos descer da montanha felizes por tê-la vencido; precisamos vencer, parcialmente, esse mal.

E mais, buscar um motivo – além dos motivos técnicos, formais, profissionais – para mudar o que hoje precisa ser mudado. Nós mesmos. Não adianta falar em justiça se não sabemos, até hoje, trazê-la para dentro de nossa casa; não adianta falar de ética, de moral, de amor, e até mesmo de amizade, se um dia podemos trair nosso melhor amigo. Não podemos em meio a esse mundo ser tal qual a ele se guerras há como a maior das bolas de neve e que, no meio de um frio ínfimo, outras bolas nascem por meio de fagulhas que não se cansam de cair.

Cristo tinha razão, como sempre, quando disse que o homem submetido à prova achou a vida, pois, em todas as épocas, paira o sonho do homem em realizar a justiça, em trazer todos os valores humanos junto a uma sociedade que se desfaz em pobreza, ignorância, misérias, graças aos amos de uma grande caverna que preferem se ocultar aos olhos humanos, mas se mostrarem em forma  de guerras nas quais somente ele ganha, somente ele sobrevive.

O homem submetido à prova levanta-se do sofá, pronuncia a palavras corretas nas horas vis, andas nas águas do mal e não se afoga, abre os mares vermelhos com o cajado de sua simplicidade ainda que há aqueles que se julgam bons e não o são; mas ele, o grande herói, o real, que prossegue com o escudo de esparta, com as palavras de um Júlio César, que, em sua vida, nunca conhecera a derrota, enfim... Aqui o homem encontra a vida.



Aqui termina nossa saga. 

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Evangelho de São Tomé: segredo clássico.

“Eu vos darei o que nenhum olho viu, nenhum ouvido ouviu, nenhuma mão tangeu, e que jamais surgiu no coração do homem”

Continuando com nossa saga na tentativa de interpretar nosso querido mestre ocidental cristão – Cristo, sempre lembrando que tais interpretações advêm de estudos relativos aos grandes ocultistas e filósofos da antiguidade, os quais também cultivaram seus entendimentos acerca do homem a partir do conhecimento mais antigo que eles mesmos. Ou seja, fica difícil dizer de onde vem o Conhecimento, mesmo porque civilizações do passado, com seus reis e rainhas, sacerdotes e sacerdotisas, já o tiveram como legado de suas gerações de sábios...

Ou seja, não acreditamos que haja uma sabedoria que seja atemporal, ou seja, que passa de gerações e gerações e que ao mesmo tempo seja interpretadas por indivíduos quaisquer – leia-se pastores, anciãos, políticos-cristãos, budistas modernos, enfim, muito pelo contrário – acredito que haja uma singularidade clássica perdida em meio às escrituras, sejam elas da Bíblia, Alcorão, etc, nos quais nos sujeitamos, com nossa simplicidade (para não dizer ignorância) a levar rebanhos a terras improdutivas.

Vamos ao texto:

“Eu vos darei (...) coração do homem” – Naturalmente, a sabedoria é algo maior do que nossos sentidos físicos, ou seja, do que nossos cinco sentidos. Nada há que possa dizer o contrário, contudo há quem diga que podemos alcançar, por meio deles, a metafísica alcançada pelos estudiosos das escolas iniciáticas. Não é algo palpável.

Cristo, como já sabemos, passou por escolas – dizem essênias, egípcias, -- das quais retirou as chamadas Coisas da Alma, o que não o fez ser o que era, mesmo porque já havia no mestre a vocação que todo avathar possui.

E assim, como Platão, Pitágoras, Cristo bebeu das águas dos mestres antigos, e, como diria Blavatsky, resguardou  (ocultou) toda a sabedoria em forma  parábolas, entre outras coisas. Apenas os iniciados sabiam o que Ele dissera; apenas os “graduados” em esoterismo poderiam fazê-lo, no entanto, alguns filósofos – baseados no passado compreendem, e respeitam, e se lançam mostrar como um todo o que um dia se fechou com chaves desconhecidas ou perdidas pelos fiéis.

É o caso de Platão, que, até hoje, causa espanto com sua República, com suas Leis, com seu Banquete, e com suas explicações acerca de um continente perdido.  Não podemos nos perder a partir do momento que acreditamos nele (ou neles), pois, se estamos na tentativa de aprender com eles, o respeito às suas teses, ao conhecimento, ao que do universo sabem, saberemos que há mais do que temos a priori, seja em qualquer ciência, religião, atém mesmo que a própria filosofia conhece atualmente.


E o que Cristo disse fundamenta-se no passado, na tradição, no mais interno ensinamento, e quanto às coisas entre o céu e a terra, podemos dizer que, graças ao nosso materialista coração, levaremos um susto.

terça-feira, 29 de julho de 2014

Evangelho de São Tomé: a mostarda.

"Reino dos Céus está aqui"



A mostarda, a Alma; o campo, o homem.







Disseram os discípulos a Jesus: Dize-nos, a que se assemelha o Reino dos céus? 

Respondeu-lhes ele: Ele é semelhante a um grão de mostarda, que é menor que todas as sementes; mas, quando cai em terra, que o homem trabalha, produz um broto e se transforma num abrigo para as aves do céu. 



Há de perceber que os discípulos de Cristo, ainda em formação a respeito dos mistérios ocultos, tinham informação um tanto quando desconfigurada a respeito do Reino dos Céus. Não que estejamos na frente deles, ou que saibamos tanto quanto àqueles que um dia caminharam com um dos maiores sábios da humanidade. Não. Apenas queríamos reiterar que, antes que soubessem a respeito do “Céu” e da “Terra”, simbolicamente falando, tinham uma visão estreita a respeito do que o mestre lhes falara há mais de dois mil anos.

Alguns discípulos, como João e Paulo, teriam se infiltrado em algumas escolas iniciáticas a ponto de entender, mais tarde, o que Cristo lhes dissera, contudo, não fora o bastante porque transformaram o cristianismo em uma escola em que seus fiéis acreditam somente nos termos literais das escrituras, nas quais sobrevoa parte do estoicismo, epicurismo, enfim, como todos sabem, são escolas de cunho iniciático, nas quais discípulos houve com intuito de aprender com seus mestres de sabedoria “mais coisas entre o céu e a terra”...

E com tais ferramentas, os cristãos iniciados persuadiram governos, criaram estratégias, e avançaram com suas ideologias dentro do que hoje é, graças a eles, uma das maiores crenças do mundo civilizado.  Mas, como diria um grande professor, nada melhor do que ser um ignorante convicto, que sabe que não sabe nada, ainda que saibamos um pouco mais que alguns.

Voltando...

E quando perguntam a Cristo, “a que se assemelha o Reino dos Céus?”... Com certeza tentam buscar uma resposta que se assemelhe ao que vemos, ouvimos, sentimos, ou seja, que esteja dentro de nossos sentidos, sonhos, imaginação... Porém, uma pergunta ao salvador merece uma resposta metafórica, enraigada de elementos que conhecemos, e, ao mesmo tempo, cheia de simbolismos, nos quais se revela a verdade – ou pelo menos uma brecha para a chave do conhecimento.

 “Ele é semelhante a um grão de mostarda, que é menos que todas as sementes” – disse Cristo, ao tentar passar o que, de alguma forma, se assemelha aos reinos dos céus  -- o qual, como já sabemos, nada mais é que a Tríade no homem, ou como poderíamos dizer na linguagem filosófica, o Nows no homem, a parte imortal humana – mas, enfim, palavras que possam chegar perto do conceito tradicional de Espirito, mas como esotérico que é, Cristo usou a natureza como porta de entrada para a compreensão dos discípulos...

O “grão de mostarda” seria a alma do homem que, ainda que pequena, mas enraigada das palavras, de atos, de pensamentos voltados ao céu, encheria a terra, ou melhor, todo o homem, deixando de ser apenas um ser voltado à matéria.

Devemos, no entanto, entender que quando falamos em matéria, em terra,  parece que estamos a falar apenas  das coisas palpáveis; mas não  é. Matéria é uma dimensão, e nela não podemos deixar de viver, pensar, desejar, errar, e da terra (literalmente) retiramos a comida para o nosso alimento diário; nela nos ajoelhamos para plantar, nela oramos e agradecemos aos deuses, ou a Deus, como preferir, o que nos faz repensar nosso modo de viver Cristão, que quer banir a matéria de sua própria vida, e na maioria das vezes, se vestindo mal, se alimentando mal, e o pior... Não tentando buscar a tradição por meio de outras fontes, a não ser a própria escritura.

Voltando...

O grão de mostarda, nossa alma, engrandecido apenas por sua qualidade natural, sobrepuja-se a outras sementes se voltado ao que realmente veio, ser um grão. Assim, nossa alma, em devaneio com o mal que circula no mundo, nas sociedades, e até mesmo se detendo em valores corpóreos, se desvia de sua função, deixando de ser alma para ser apenas um elemento sem cor, sem consciência, como uma criança sem pai.

“Quando cai em terra, que o homem trabalha”... Na dimensão maior que trouxe o próprio homem a reconhecer seus valores, seu papel no mundo, suas leis, ou a lei que o rege, aqui, quando esse broto cai, ou seja, quando a própria alma reconhece papel na terra (quaternário e dimensões) há a evolução natural, o crescimento dela, em direção ao Reino dos Céus, onde as aves – símbolo maior, em todas as culturas, de quem alcançou o Céu em si – sobrevoam.

Fechando..


Enfim, em nossa humilde tentativa de compreender a frase acima, descobrimos que temos que plantar em nós valores melhores do que estes no quais acreditamos. Temos que ir em busca de um ideal espiritual, o qual nos faz ser um pouco melhor todos os dias, um pouco; mas para isso temos que nos assegurar de que teremos formas mentais, materiais entre outras com o intuito de nos deter. Então devemos plantar em nós essa ideia, e cultivar sempre o que há de mais humanos em nós, assim estaremos indo em direção ao Reino dos Céus.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Evangelho de São Tomé: a essência.

Em todas as tradições houve sempre uma filosofia reencarnacionista gerada por sábios que um dia dela provaram, e desde épocas passadas tentam nos passar de maneira simples e ao mesmo tempo complexa como e porque temos a imortalidade. E no Evangelho de Tomé, Cristo nos dá uma pista dessa característica não tão singular, mas essencial à compreensão de nós mesmos.



O legado da reencarnação não morreu.





Perguntaram os discípulos a Jesus:

Como será o nosso fim? Respondeu-lhes Jesus: Descobristes o princípio, para que estejais procurando o fim? Pois onde estiver o princípio ali estará o fim. Feliz de quem está no princípio; também conhecerá o fim - e não provará a morte.

Segundo a sabedoria tradicional, que nos deixou legados eternos, podemos dizer, baseados nela, que houve civilizações, como fora diversas vezes aqui colocado, que seguiam o caminho da imortalidade, não por meio de remédios, de fórmulas científicas, mas por meio de uma cultura de Ser..

Explicado anteriormente, o ser, segundo conta a tradição, é a parte natural do homem que subjaz à personalidade, e ao que mais interno há no homem – ou como diria um grande filósofo, é a parte que aparece quando não a procuramos.

Formada por dimensões, essa parte, constituída por três elementos os quais singularizam o que somos, permanece eterna, assim como em tudo que a detém. O homem, por ser detentor da consciência de sua própria existência, e por isso de questionamentos que o levam a tentar entender suas características internas – emoções, desejos... – sabe, graças ao passado, que há mais em sua natureza dantesca, do que no próprio céu físico, pois houve outros homens que procuraram e encontraram na natureza o que temos em nós, a imortalidade, a essência, Deus.

O que nos falta, no entanto, é segui-lo, e não faremos porque a cultura de massa, o inconsciente coletivo, trouxe em sua profundidade uma busca mais material, menos interna, a qual nos reflete em roupas, em casas, em falas, em pensamentos... Diferente de um passado no qual havia um comportamento gerado pela nata das tradições, e assim havia o real reflexo em toda sociedade.
Não devemos, no entanto, deixar de lado o que nos deixaram, ainda que sejamos tão materialistas quanto ontem. Devemos, na certeza de compreender a história da imortalidade humana, na qual a morte era apenas o outro lado da vida, não apenas para saber, nos informar, mas, como já vimos, entender o que os mestres de saberia nos deixaram...

Os sete princípios humanos.

Estudamos em teosofia, com a mestra Blavatsky, que somos uma constituição septenária – unida pela junção de sete subcorpos e que perfazemos a busca pelo que somos, pelo ser.

1.   Sthula sharira - O corpo físico, corpo denso.
2.   Prâna - O corpo vital;
3.   Linga sharira - O duplo etérico, o corpo astral na teosofia original, de Blavatsky;
4.   Kâma rupa - O corpo de desejos ou corpo emocional, o corpo astral na literatura teosófica posterior a Blavatsky;
5.   Manas - Nossa Alma Humana, ou Mente Divina. É o elo entre a Díade Atman-Budhi e nossos princípios inferiores; O corpo mental de Manas inferior;
6.   Budhi - Nossa Alma Divina;
7.   Atman - O raio do Absoluto, nossa Essência Divina (*)

Os últimos, Manas, Budhi e Atmam, são subcorpos de nossa tríade que, segundo a história das civilizações, sempre fizeram parte do homem – desde que o homem é homem, passando pelos sábios aramaicos, arianos (de Ariavarta), persas, gregos, romanos, egípcios... Hindus, árabes, enfim, por todas as culturas, que souberam que a imortalidade não era apenas uma crendice, mas uma realidade tão forte quanto à própria vida em que vivemos.

E, por isso, tentaram nos passar por meio de suas escolas, de seus mitos, teatros; de sua sabedoria, humanidade... Que tínhamos algo maior do que nossa grandeza física a ser encontrado. Tínhamos a evolução baseada na natureza externa.

E quando Cristo nos diz... “Descobriste o principio, para que estejas procurando fim?”... Conota em nossas mentes que a grandeza de suas palavras, ditas do cume de seu universo interno, vem ao encontro do que foi proposto há mais de dois anos, quando culturas diziam que “a gota está no oceano, e o oceano está na gota”... Deixando, sem meros simbolismos, que, ainda que estejamos voltados à nossa personalidade bruta, fazemos parte de Deus, da Tríade Maior, e que, se somos parte dela, temos em nós a mesma característica, a mesma essência, a imortalidade...

Finalizando...

Se descobrirmos, não apenas em teoria, mas por meio de uma realidade prática, ou seja, tentando nos elevar por meio dos mistérios esquecidos no passado, como passar pelas iniciações sagradas, pela busca do que somos, porque somos, e porquê, começáramos a ver o principio e o fim de tudo.  E a morte, enfim, será apenas uma palavra, como todas as outras.




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*Wlkipédia

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Reflexões sobre o frio

Um pouco mais sobre ele




O tempo esfriou de um tempo para cá, é verdade. O sol me parece um ser vaidoso que quer ficar em paz por algumas horas, e nos deixar à mercê dos ventos e brisas fortes pela manhã, e quando nos vem, sorridente, tímido, mas belo como sempre, nos esquecemos dessa manha, um artifício natural das crianças grandes em deixar a todos preocupados por qualquer atitude, ainda que infantil, também pré-adolescente.

Hoje, as nuvens o fecharam. Não consigo vê-lo. Nem mesmo a pequena cor laranja que cobre o céu, antecipando o eterno deus dos maias, que, em forma de oração coletiva pela manhã, era lembrado e amado pelos raios longos que abençoava os homens, como um grande bem. E hoje, nuvens e ventos frios, de natureza misteriosa, arrancam gemidos dos transeuntes, os quais, a olhar para o céu, se perguntam... “onde está ele?”, “o que aconteceu?!”...

Nada de mais... A precipitação de chuva pede o descanso do rei sol, que dorme e sonha em amanhecer melhor a cada dia, como todos deveríamos ser. Mas sabemos que ele dorme para os homens que não o veem, mas ilumina outras nações, e quando se põe lá do outro lado... Nasce e cresce desse aqui. Não descansa. Como deveríamos também...

Mas o descanso, no entanto, é necessário. Não somos o sol, literalmente; podemos tê-lo em mente, ou mesmo em nossos corações e alma, como uma fonte de inspiração, com intuito de acordarmos e fazer o nosso pequeno papel, que os deuses nos legaram. E nem isso podemos...

A falta de regras, o livre arbítrio levado sem importância, os sistemas fogosos... Sem falar em nossa inclinação para o mal – isto é, para uma personalidade que se sente livre para fazer o que bem entender com nosso corpo,  mente, e com a própria alma, reflete, na maioria da vezes, atitudes sem direção, palavras sem nexo, modos deseducados, vida sem rumo...

O sol, que tanto amamos, reflete seus raios na terra, nas plantas, nas pedras, nos humanos, em toda sua limitação, e nem sequer pensamos nessa grande disciplina que nasce de um mistério que só mesmo os grandes homens compreendem, e que deixam os físicos apenas a conhecerem o aspecto material do grande sentido que traz esse deus.

O Bem

Sabe aquele ser que saiu da caverna e se deparou com o sol, e com isso, quase se cegou, pois seus olhos não tinham o costume de tanta brandura celeste? Pois é... Ele voltou para dizer aos irmãos-amigos que havia vida lá fora, que havia muitos mais que sombras dançantes em paredes, e que a vida era muito mais que uma fogueira fria, sem cor, inventada, nas costas dos homens.

A vida era tudo. E o sol, que alimenta essa ideia, está em nós o tempo todo, e que nos conduz a sair de cavernas, de frialdades, de pensamentos tempestuosos, nos inclina a pedir perdão pelos males ao mundo e ao próximo cometidos, e ao tempo nos dá o ar de sua paz, de seus amor, alinhado à disciplina, à ordem ao mistério de sua semântica, que, simplesmente, nos remete ao Bem maior.


Nuvens

O frio continua... O vento também. Conjugados como seres que querem desarmonizar o tempo dos homens, fazendo-os recolherem-se, lembra-me os indianos de outrora, os quais acreditavam no Manvantatara, a expansão do universo; e Pralaya, o recolhimento dele. E se observamos de modo pessoal, humano, com vistas a trazer à tona em nosso meio, à nossa semântica interna, podemos dizer que temos nossos momentos de Manvantara e Pralaya...

No frio, nesse instante, ao nos recolher, recorremos ao conforto dos lençóis, da comida quente, da bebida, do programa alegre na tv, nos esquecemos de que a consciência pede um  outro tipo de recolhimento – a da paz interna, da reflexão  acerca de nós mesmos..

E quanto o sol nos vem, a pedir que nos conduzamos de volta ao nosso caminho, é como um grande mestre dizendo “Volte a caminhar na linha que eu tracei para ti”... Caminho da disciplina, da ordem, do entendimento e da sabedoria.

Enfim, hoje é dia de viver em nome de uma natureza que pede que sejamos um pouco melhor, seja no recolhimento de nossas casas, sob o frio de nossos teto,  seja no caminhar em direção ao sol.





Tenhamos uma ótima sexta!

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Evangelho de São Tomé: o fogo.

Nada melhor do que falar da tradição e sua sabedoria. Nesse diálogo, Cristo cita o fogo em nós, como uma sabedoria que nos foi dada naturalmente, mas que temos que nos conhecer para saber direcioná-la.



O fogo deve ser a vontade humana para o alto.




Disse Jesus... “Eu lancei o fogo sobre a terra – e eis que o vigio até que arda”.

Vulcão, incêndio, caos, fim do mundo! Parece-nos que o mestre cristão com seu dizer acima quer-nos passar uma realidade que traspassa qualquer sinônimo fim dos tempos... pode ser, mas eu, fora dessa realidade a que me referencio sempre, visualizo da seguinte forma...

Fogo, elemento que simboliza o mais enigmático dos sentimentos, dos desejos, da vontade humana. Fogo, elemento que no passado, ao ver dos alquimistas transformava, por meios “mágicos”, peças em ouro... Fogo, peça fundamental para compreender a paixão, a fuga da matéria, a inclinação para o ideal... Fogo, elemento do deus Vulcano, que norteava outros elementos para a criação do universo...

Enfim... Assim o vejo. E nas linhas do mestre cristão, posso dizer que o fogo a que se refere não é o fogo do caos, da desordem – não. Muito pelo contrário. Quando um avathar diz “eu lancei o fogo sobre a terra”, não é o mesmo fogo de nossas visões, muito menos ao que me referia pouco depois de sua máxima.

O Fogo dos mestres, já me referindo aos outros mestres de sabedoria, começa a nos levar a pensamentos refletidos acerca de quem somos e qual o nosso papel no universo. Uma maneira de dizer... “Conheça a Ti mesmo”, mas de uma forma mais forte e ao mesmo tempo mais radical, no sentido esotérico da questão.

O fogo sobre a terra, essa que nos conduz diariamente ao trabalho, que nos faz andar sobre duas pernas, que nos atém aos nossos problemas constantes, e que nos faz acreditar que somos nada mais que seres ambulantes (falo do corpo), na maioria das vezes nos enjaula, coloca-nos algemas fortes, e direciona nossos desejos a ele mesmo – ao corpo.

Isso porque, há milhões de anos, aprendemos que temos que nos alimentar antes de tudo, ficar de pé, ir atrás de nosso pão de cada dia, estar satisfeito com nossa saúde física... Nada de anormal até aqui. A questão, no entanto, é que, ainda que tenhamos aulas sobre espirito, assim como no passado, somos e estamos aferrados ainda mais ao corpo...

O fogo dos avathares do passado, assim como o de Cristo, nos faz pensar acerca de nós mesmos, refletir sobre o papel não só de nosso corpo, mas de nossas possibilidades em direção ao céu nosso de cada dia. Ou seja, de nossa felicidade. Felicidade física, psicológica, religiosa, familiar... profissional... Porém aquela para qual nossos sentidos foram criados, em nome de uma evolução natural, não trabalhamos direito.

Falo de nossos passos em direção à mônada, ao Reino dos Céus, ao Nous platônico... Ao Paraiso interno de cada um. E quando percebemos essa realidade, caímos confusos em busca de uma resposta real, exata, e ao mesmo tempo filosófica, que nos indique os caminhos da verdade. Aqui, “o fogo se faz na terra” quando nos aparece, não por acaso, nosso mestre interior, a nos direcionar para cima, com seu fogo da tradição.

E como todo fogo, começamos a perceber que as chamas se iniciam nas mínimas questões, nos mínimos atos, palavras, sonhos, a nos fazer crescer sem que percebamos. Nosso mundo começa a florescer, nosso céu se torna mais azul, nossas lágrimas são mais que choros descabidos, são emoções reais por um ato simples, como  o pôr do sol... uma poesia.

“E eis que vigio até que arda”, disse o salvador dos cristãos...
E como todo avathar é o cimo real de nossas possibilidades, é a própria montanha, ou melhor, o próprio Nous, há de convir que o mestre fala de Si mesmo em nós. Como se o próprio nous humano estivesse plasmado em nossa frente – no caso, na frente de seus discípulos – a dizer que está a vigiar nossas ações, nossas vidas...

Enfim... O fogo que fora lançado pelos mestres é o mesmo que sempre esteve em nós. Contudo, é preciso que tenhamos olhos para o alto, como se estivéssemos em busca de uma estrela eterna, e sempre supondo, em sonhos, que um dia vamos alcança-la... É pouco provável se colocarmos de maneira física tal questão, mesmo porque nem a lua visitamos mais como antes, então saibamos que tal estrela há no alto do eu personalístico, está no Eu real.

E não nos esqueçamos de que o fogo sempre flamula para cima, para o alto, e, como uma fogueira eterna, pode nos direcionar ao nosso céu.


A Parte que nos Falta

"É ótimo ter dúvidas, mas é muito melhor respondê-las"  A sensação é de que todos te deixaram. Não há mais ninguém ao seu lado....