sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Responsabilidade: o equilíbrio que se vai.

Equilíbrio entre pai e filho; cada um fazendo sua parte.


Hoje quando me vejo casado, sinto que muitas coisas não mudaram, como a grande responsabilidade de um homem, que eu jamais larguei durante toda minha vida. Digo porque, quando pequeno, já trabalhando aos doze anos de idade, colocava as primeiras moedas nas mãos de minha mãe, mesmo sem saber para que eram ou se haveria retorno ou não.

Claro que, intuitivamente, sabemos sim da importância disso quando realizamos atos como esse. E quando via minha mãe na labuta, a entregar as roupas que lavava a um bando de bombeiros que a descobriram como a melhor das pessoas para o serviço (não podemos ter vergonha do nosso passado), sentia que o trabalho, assim como o de meu pai, ainda que meio ignorante para muitas coisas, trabalhava com amor e dedicação a sua empresa de construção – foi pioneiro nisso.

O que estava se construindo em mim era o sentimento de responsabilidade familiar, social e qualquer uma que houvesse para eu abraçar, graças aos dois, que me amavam do seu jeito, e eu, do meu, ou seja, imitando-os.

E hoje (voltando), com anéis dourados em nossos dedos da mão direita, eu e minha esposa realizamos coisas que muitos não entendem, e ficam coçando a cabeça, como micos que se concentram apenas em observar o humano. Não falo de minha família, pois toda ela sempre se realizou a fundo em práticas profissionais, em estudos, ou seja, também sempre trabalhamos, e nunca nos entregamos. Falo dos observadores de rua, os quais se sentam, conversam, e por dentro nos aplaudem.

Mas a questão não é essa. Eu só queria dizer que sem ele, sem esse exercício físico, ainda que obrigatório para muitos, para a maioria dos graduados emocional, psicológico, à minha família, sempre nos foi um ponto de equilíbrio constante no qual sempre nos fez nos harmonizar e realizar feitos, pequenos ou grandes, mas com grande valia para a educação  de nossos sucessores, nossos filhos.

Contudo, ainda que queiramos dar exemplos, nos esforçando o máximo para a realização de um todo, principalmente comportamental, nos vem a realidade do “depois do portão”, que nos invade a casa, sobrepõem-se em forma de internet, sites, diálogos informais, jogos de terror embutidos, como se estivéssemos a treinar fuzileiros do futuro, no entanto  como guerreiros de um futuro teriam que batalhar no presente, vivenciá-lo, sentir sua fraqueza, invadi-lo.

Parece-nos que o treinamento para tais guerreiros baseia-se em contradições. Hoje vivemos de jovens que se esforçam o máximo para fugir do trabalho, e o pouco que conseguem dessa fuga, transforma-se em uma realidade fantástica ao ponto de traduzir-se em imaginações quentes, sem nexo, como se houvesse algum ponto real e certo em sua vida...

Ou seja, na prática, a fuga assemelha-se ao trabalho, e na maioria das vezes o trabalho se torna o vilão, pois o faz seguir regras, disciplinas para as quais nunca fora nascido ou educado, e sim monstros dos quais se deve fugir eternamente. 

Essa natureza, no entanto, presa a valores em desiquilíbrio, pode ser quebrada e outra pode ser forjada em aço. O aço da responsabilidade. Ou seja, abraçar pequenas causas plausíveis, assegurar-se de que somente a pessoa pode ser responsável por aquilo que abraça, e nunca, jamais, deixar sucumbir por sentimentos de vingança a qualquer entidade de uma sociedade em putrefação, que não nos dá exemplos em nada; não deixar que demônios internos se revelem em sindicatos, pleiteando mais e mais, se nossas forças são limitadas --  assim, se isso houver, consequências virão em forma de roubos, furtos pequenos, sucessos rápidos, enfim... tudo que não se quer de um inimigo, muito menos de um jovem.

Voltando

Quando cresci, vi que somos a soma do que trabalhamos e do que nos responsabilizamos. Ontem, eu era objeto de responsabilidade de meus pais; um pouco mais a frente, eles foram meus jovens, pelos quais fui responsável, e hoje, como meu filho nessa linha imaginária tradicional de crescimento físico e psicológico, abraço-o, como a mim mesmo, antes de pular de um avião em movimento; amanhã, sei que serei seu objeto, mas sei que não gostarei de sê-lo, ainda sim terei que aceitar, terei que dormir e um dia não acordar, pois sei que até lá uma outra responsabilidade dele vai nascer.



quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Sonhos que Vivi: a vendedora gostosa.

Acredito que somos crianças eternas em busca de alguém que nos compreenda; o caminho é imenso, porém, não é impossível encontrarmos esse alguém; não façamos, no entanto, dessa estrada uma loucura desmedida, sem preço, como um cavaleiro em busca de justiça, mas como um homem em busca do aperfeiçoamento, de si mesmo.

Sem dor.


Memórias são formas de expressões humanas.
Devemos contá-las por mais bobas que sejam.






Eu já estava com os meus vinte e poucos anos, cheio de poesia nas veias, cheio de palavras novas a ressaltar, com o coração renovado para sofrer seja o que for, para viver uma nova decepção. E quando homens há no mundo com esse espírito, prosseguimos com dores, como cristãos a pagar promessas em escadas “da penha”, com calos, unhas cravadas, enfim... Lá vamos nós!


Ela era linda, e eu um belo rapaz; com seus dezessete aninhos, ela reluzia na flor da pele a sua juventude, a sua beleza. Olhos imensos, pele alva como a de um fantasma; cabelos encaracolados, e uma anca maravilhosa. Seu nomezinho... Edilma*. Uma menina que pedia para ser cantada, amada e quem sabe ter invadida a sua privacidade...

Eu, um coitado em busca de ânimo para viver, depois de várias (normais) tentativas de suicídio assistindo à novela das nove, resolvi passear num shopping que se situava mais ou menos perto de minha casa. Já na entrada do infeliz, seus olhos, sua anca vestida de jeans e sua enorme vontade de servir ao próximo estremeceram meu coração de longe.

Ela trabalhava em uma lojinha dessas de revelação, em que a vendedora ficava a conversar com o cliente sempre que ele tinha dúvida acerca de como poderia fazer o melhor para ele. E naquele dia, lindo dia, descobri que estava amando (mais uma vez!!).

Aproximei-me do balcão, olhei para o rostinho dela, e com um sorriso trêmulo no rosto iniciei um diálogo cínico somente para me aproximar daquela deusa que esperava ser... Tocada. Mas não seria fácil. Minha voz recolheu-se mais ainda ao vir que não estava diante de uma mera menina, mas uma benção dos céus, e eu estava doido para correr e dizer a minha mãe que tinha encontrado a sogra dela!

...Contudo, não seria fácil. No balcão, ela se aproximava como uma criança pura, sem maldade – ao contrário de mim. De tão perto que ficava, que poderia sentir o perfume do perfume, e o outro perfume que ficava abaixo da pele. Essas coisas só se percebe quando se está no cio... desculpe-me... Por outro lado, ao contrário do cachorro, não ficamos cheirando, quer dizer, abanando o rabo...

Como dizia, a vendedora, sem saber de minhas intenções, que por enquanto não era más, sorria com minhas piadas breves, e deixava minhas mãos sobreporem-se às delas, e mais, deixava que eu, com leves toques em seu cabelo, a reconhecesse, compreendesse, e tivesse meu momento dionisíaco... (de Dionísio, deus do vinho. Embriagado com o momento...).

E ao perceber, em poucos momentos, sentiu que minhas mãos já estavam livres de mais e que seus cabelos não eram cortinas de pobres; então, virou-se, sorridente, foi em busca de algo que pudesse pelo menos metaforizar seu comportamento na frente daquele cliente tão levado... EU.

Após aquele minuto celeste, em que minha alma já tinha saído do corpo, ido à guerra de Esparta, com trezentos e um guerreiros, vencido Xerxes, voado em direção à  Alemanha,  antes do nascimento do Füher, exterminado tudo... segurei tua mão, pela última vez. E mais uma vez seu sorriso foi o passaporte para o meu regresso de volta a minha casa, a meu lar, como se eu tivesse nascido de novo, ou melhor, renovado minhas forças, minha vontade de viver.

Noutro dia...
Edilma estava lá, e eu, dessa vez com um caderno de poesia, encadernado pessoalmente por mim, com mais ou menos trinta ou quarenta poesias feitas somente para ela, em menos de dois dias, a entreguei.

Seus olhos grandes como o de uma garrafa cinquenta e um naquele dia pareciam-me mais tristes, mais cerrados – como o de Capitu, de Bentinho (leiam Machado de Assis!) – encerravam o dia. Como assim? É... A ventania que me trouxe a ela naquele abençoado dia a levou para bem longe. Primeiramente sua alma, pois ao receber minhas poesias, ficou feliz, porém não muito – apesar de folhear com carinho, dentro de uma pequena loja cheia de atendimentos, clientes, patrões, etc, -- pois segundo ela... (disse no ato da entrega)... “Eu tenho namorado...” – claro!, pensei  eu. Como uma menina tão bela daquele jeito poderia viver sozinha naquele mundo!?

...O mais importante é que, naquele belo dia, suas mãos roçaram à minha, seus olhos olharam para os meus, seu corpo, com certeza, por pouco, não tremia; e assim, voltei para casa, com mais uma catapulta do destino que me jogou para frente, me fez cair no chão, e me machuquei de novo.

Dias se passaram, e eu a passar diante daquela maldita lojinha; um dia, nunca mais. Seu corpo tinha se ido para outros bares, quer dizer mares, quer dizer lojas. E nunca mais a vi. Nunca mais me esquecerei daqueles olhos.

Depois do episódio, fiquei sem dar um pio dentro de casa. Não falei a ninguém. Não chorei. E também não sorri. A escuridão se formou em mim. E com certeza se formaria outras vezes, e por isso, voltei à vida, depois de dois dias mudo, e renovei-me em meus afazeres.

Grande abraço!


sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Sonhos que Vivi

Acho que temos direito de maltratar um pouco a personalidade uma vez a cada ano. Há pessoas que fazem isso diariamente, outras a cada segundo de sua vida; eu, esse pobre blogueiro, expondo um pouco do que fui, sofro agora, mas depois disso, nuuuunca mais!


Se divirtam!


E as bobagens continuam!





... Naquele dia em que Aline tinha me entregue o bilhete ainda que indiretamente, ainda que sem intenção alguma, além da de fazer-me levantar a cabeça e de me sentir bem... Era a primeira pessoa, a primeira menina, fora aquela do inocente beijo fortuito, rápido, etc, Aline me dera a segurança de que eu existia para o mundo. Para o mundo das relações.

Meu coração palpitava, minhas pernas saltitavam; minha mente enlouquecia, meu... ah, esquece... Mas é incrível quando o homem, em sua adolescência, é lembrado como um ser existente e que pode participar dessa natureza  a que todos (menos eu, como me sentia) tinham direito.

O tempo me disse o contrário em tudo. Hoje, me vejo como um homem abençoado pelos deuses, quando me refiro a relacionamentos breves, pequenos, fortuitos e eternos. Mas não é desses que eu gostaria de citar e sim aqueles pequenos, nos quais a ingenuidade era dona, nos quais os deuses tinham a direção, não eu...

Nas Ruas

Em minha rua, havia varias casas, e hoje restam poucas. Mas à época, por volta dos anos oitenta, ou antes disso, vizinhos lotavam as ruas, e cada um deles tinha uma filha, e cada uma, amiga de minhas irmãs... E por que não dizer minhas também? Mas ao homem na adolescência, é dado somente o poder de passar por experiências naturais nas quais o corpo e a mente são sujeitos a sofrer (ou não, como diria Caetano!), o que, para mim, não foi diferente...

Havia uma casa à frente da minha que era feita de madeira, assim como todas na rua, mas essa era grande, imensa, como se fosse um acampamento – nome homogêneo daquela rua --, e nela, na grande casa, meninas moravam e todas elas – pelo menos umas cinco! --  passaram por mim, menos um infeliz que nascera com problemas psicológicos, que, segundo a mãe dela, nascera daquela forma...

Isso, no entanto, era menos importante, mesmo porque, hoje, ela é mãe, e seu filho está hipersaudável  ! – Mas no tocante ao que passei, ela não participou. Somente suas quatro irmãs restantes (quer dizer), as outras que não tinham qualquer problemas.

A primeira, Maria*, não era tão bonita, mas possuía um sorriso interessante, e com certeza, mais uma vez falando, queria passar por uma experiência mais interessante ainda, porém não comigo; e o que estava em seus planos era gente mais arredia, forte, pegador... E eu, tão quieto quanto um cachorro jogado, esperaria o dia em que ela passasse por tudo que toda menina em sua idade passaria...

Não adianta. Eu tinha que partir para outra, a menos bonita, contudo a mais adiantada (se é que me entendem), a mais intrépida, no entanto... Ela não queria fazer parte de uma experiência comigo, qualquer que fosse, com intuito de  satisfazer-me psicologicamente, ou qualquer  “mente”... Porque partira para cima de um amigo – de um grande amigo – que tinha outra opinião sobre ela...

Na realidade, éramos quase irmãos e ele, sabendo de minha paixão por Josina*, a esvoaçada, maluca e pirada por sexo, preferiu que eu desse o primeiro passo  (o primeiro pra mim, mas para ela... se não fosse o décimo terceiro...), e o  que mais importava, para ele, era a minha amizade...

Contudo, descobri mais tarde, rumores de que esse amigo vivia com outro cara... Enfim, com sua parte que lhe cabe, mesmo não cabendo, ou seja, ele era cabo macho e cabo fêmea da tomada... (O que não o fez de desistir da vida e não se casar com uma menina de dezoito anos, ualllaaa!).

Fiquei meio perturbado com tudo isso, e iniciei um pensamento estranho com relação às pessoas que eram minhas amigas, tanto com relação às mulheres quanto aos amigos, pois tudo tinha que ser repensado! Sim... O que seria de mim, esse ser louco para ter uma experiência maravilhosa com uma gata, mesmo que fosse de telhado de zinco, mesmo que não fosse tão gata, mas que sucumbisse às minhas primeiras palavras doces ou salgadas não sei, mas que tivesse um momento com esse que lhes dedilha essa bobagem...

Não importa. Josina, mais tarde, ao perceber que meu grande amigo não era daqueles, mas sim daqueles outros, partiu para cima de mim com seu caminhão de pernas e bundas, e eu, filho de quem era, ou seja, de um pai que não perdoava, dei-lhe um tapa na parte maravilhosa, onde o sol não alcança (claro), que a coitadinha não entendeu nada (e para dizer a verdade, nem eu....)...

Aquele menino de natureza fria, aquele ser estático, aquele cuja professora o sacaniou em sala de aula, aquele que havia recebido um bilhete de uma patricinha, aquele... Basta! Eu passei a agir, levantei minha bandeira que há dias, quer dizer anos!, não tinha nem cor, e naquele dia...Mas também nesse dia, Josina se dissipou como bola de sabão de minha vida. Louca, pernas de atriz de chanchado , lindas, um corpo que fazia questão de mostrar... Porém, ao vir esse que lhes chora desentupindo a pia a dar-lhe um choque de realidade, se mandou... E ficamos como bons amigos.

Outra irmã dela, a Zoiona*, cujos olhos pareciam lanternas de dia, e no escuro nem se fala, pensei um dia chegar perto, contudo, a infeliz era mais centralizada nos estudos e mais responsável que as outras; e mulher, com essas características, como sabem, preferem se casar a ter qualquer relacionamento fortuito... Então, fiquei só a observar, e observar, até que um dia... "Não, meu querido, ela disse, prefiro estudar...".
Foi a última coisa que ela disse comigo antes de eu pronunciar qualquer coisa relativa a segundas intenções... 




Ainda bem! já pensou se ela dissesse... "Só casando" ??. 



_____________
*nomes fictícios. Mas só os nomes.




Ótima sexta.


quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Sonhos que Vivi.

Penso em colocar para vocês, e espero não enche-lhes a paciência, um pouco de minha infância, adolescência, de seus momentos puros, ingênuos até, como se fosse um pequeno diário a alguém que preza ainda as artimanhas sem maldades. 


Não tenho vergonha de minhas origens. E você?

Primeiro amor

Em pequeno, na primeira série, me apaixonei. Uma menina linda como uma sereia sorridente, que ondulava seu corpo naquele andado tão quente e singelo, que nunca irei esquecer mais na minha vida... Depois dela, outras e outras, como pragas em minha alma; mas o que mais me impressiona nisso tudo é que eu, ainda que sofresse, gostava e me alimentava e corria atrás desse sofrimento gostoso... Para muitos não.

O Banheiro

Lembro-me ainda de minhas peripécias em tentar ver meninas nuas a entrar no banheiro, e já que o danado era de madeira, longe das possibilidades de segurança, corria para trás dele, ficava atento às falas, aos comentários, e sorria bem baixinho, como um rato que sabia onde estava o queijo e sabia como pegá-lo... Era mais que isso. E queria vê-las nuas.

Meus olhos, mãos, corpo em geral, em um só ritmo, tremiam de medo, apesar do sorriso. É claro que alguns amigos já sabiam, mas não a maioria; o que me fazia, depois do atentado, um santo que só estava passando e de repente... Foi obrigado a usar a parte traseira de um banheiro lotado de mulheres!

Sim... Havia sempre enxames de mulheres. Vizinhas ou não. Todas elas usavam aquele “biongo” no fim do quintal para tomar banho. E eu, inocentemente, dono de uma travessura pura, estava sempre lá...

Primeiro Beijo

Mais tarde, em meu primeiro beijo – como um vento que colidira com outro – achei, enfim, que Deus existia. Sentia-me os últimos dos homens, mas nem tanto claro, pois, por onde eu passava, fosse ao lado de minha mão, ou mesmo ao lado de minhas irmãs, sentia que estava sendo observado daquela maneira, quando meninas cochicham no ouvido da outra, davam-me um tiauzinho, junto com sorrisinho, e... Pronto.

Que bobagem; penso; depois de tanto tempo, de tanto por que passei, ainda me importava com aquilo. Mas me importava porque eu tinha sempre essa queda para o abismo, para a pedreira do juízo final, graças a problemas específicos que eu possuía e ainda possuo, graças a um erro médico quando eu tinha uns cinco anos de idade...

Porém, não menos importante, o beijo saiu. Uma menina linda, amicíssima de uma de minhas irmãs, que sempre andava por perto de casa, às vezes dentro, tinha um afeto maternal por mim, apesar de sua idade (quase dois anos mais velha), sendo que eu, no primeiro beijo, deveria ter meus dez anos, então tudo bem rs.

Seus cabelinhos lisos que iam até o pescoço; sua pequena estatura como a de uma menina que tinha saído de um programa de criança; seu olhar cativo, e o que mais me impressionava... Sua pele...! Meu Deus do céu, o que era aquilo?! Seus olhinhos de bolinha de gude se arremessando de um lado para o outro, sua graciosidade fêmea, mas a sua pele...!

Não sei mais o que dizer sobre isso. Apenas sobre o beijo. Fortuito, rápido, mensageiro da esperança, liso, nem quente ou frio, breve. Sei o quanto nada significa aos leitores, claro, mas experiências há no mundo que nos fazem vê-lo (o mundo) com mais graça, ou melhor por uma ótica mais simples e bela; e, naquele dia, não sei qual da semana ou do mês, nem mesmo o ano, a Patricinha da Roça, que se escondia em meus sonhos, revelou-se e me deu um beijo... O beijo... O sonho... O roçar da alma (caramba!)... Achei que ia-me casar com ela! Na verdade, para ela só foi mais um entre duzentos que tinha dado em sua legião de coitados...

O Bilhete da Patricinha

Muito anos depois, em minha empreitada estudantil, sem qualquer motivo para ir em busca de beijos ou de meninas (claro que isso na vida de um homem é inédito, então.. é mentira, né), e voltado apenas ao espirito vocacional, sentia-me cansado. Eu, um flagelo do mato, estudava muito, por isso, nada de sentimentos, de paixões, de... Ah, vocês sabem!

Vamos ao assunto. Meus amigos, mais ou menos uns dois com os quais eu andava nos corredores daquele colégio, tinham resolvido me deixar sozinho por alguns dias. Foram jogar bola, paquerar, falar besteiras, invés de colocar em prática nossas lições, ou fazer trabalho escolar... Enfim, o que eu achava de bom à época.

Sentido a falta do sorriso, das brincadeiras dos caras, das conversas fiadas, eu me parecia um pinto abandonado no lixo, e nada melhor do que se sentir assim perto de uma menina linda, cheia de pena e amor para dar. O nome dela era Aline...

Olhos verdes, cabelos loiros curtos, sorriso de cristal, e uma educação de princesa. E pelo jeito, uma dó de mendigo que só!

Queria dizer que não era apaixonado por ela. Sua majestade educacional, seu jeito de ser para com os mortais era só dela, e isso me “incomodava” no sentido de não saber o que sentia por ela; era uma muralha boba que me separava. E talvez esse respeito que tinha para com ela me ajudou a lidar com as mulheres mais tarde...

A verdade é que Aline sabia que não poderia ter nada comigo e vice-versa; mas seu sentimento humano era como o pôr do sol. Todos sabiam que era dela e era lindo. Então, um dia, com aquele sentimento pedreira de suicida que me acompanha nas horas vagas até então, ficou tão visível naquele dia que... Recebi um cartão. Este veio indiretamente pelas mãos de uma amiga que tinha a voz de homem, andado de homem, mas que se tornou professora mais tarde; enfim, Aline tinha dado a ela um cartão para que pudesse me entregar, e ela o fez.

No inicio, não tinha acreditado, mas quando vi que era da princesa intocável, li duzentas e noventa e nove vezes! No cartão, o breve e lindo dizer, “A vida é bela para quem ama, então, ame”.

Não acreditei. Meus olhos berraram de felicidade. Em minha primordial visão, juvenil visão, pura e bela visão, ela era a-pai-xo-na-da por mim. É mole? De uma princesa que não chegava nem perto dos pobres, tornou-se louca de um dia para o outro. Hoje, quando me lembro disso, começo a rir sozinho...


O meu coração à época era um rio intocável, que ao ser visto balançava-se somente com a sombra da lágrima.

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Em Busca da Eternidade perdida *

Opinião


Star Trek. Clássico que nos remete ao impossível.


Desde que o homem é homem ele busca ser eterno, nas mínimas coisas. Deixando seus rastros de bondade, de maldade, mas sempre deixando legados dos quais gerações possam retirar algo. E podemos observar  isso em  Hollywood que descobriu a fórmula do sucesso em imprimir venturas a esse pensamentos clássico. Assim, nunca mais os filmes de ficção foram os mesmos.

Em Star Trek, Jornada nas Estrelas, para os aficionados em filmes do gênero, expuseram pensamentos futurísticos a personagens quase imortais, como o capitão Kirk (William Shatner), ao doutor Spok (Leonard Nimoy), nos quais, como protagonistas de viagens interplanetárias, a uma jornada que até hoje impossível fisicamente ao homem e a qualquer ser racional, retratou a vulnerabilidade do pensamento em tentar lidar com o que teorizamos, ainda que seja dentro do absurdo. 


Mas isso, no entanto, não faz o autor de Jornadas nas Estrelas um ser débil, muito pelo contrário. O que se passa em sua mente nada mais é que a cópia de vários ancestrais que um dia, até mesmo na antiguidade clássica, pensaram. Com diria um grande professor, se perguntássemos a um romano na época das vigas, puxadas a cavalo, qual seria o futuro do transporte naquele momento... e responderia, com quase total exatidão, “teremos vigas voadoras; mas fortes; sem a presença dos cavalos”...


A essência, então, é a mesma. Nós, no entanto, estamos tão perto de realizar viagens interplanetárias do que um dia o romano, mesmo com toda a sua “tecnologia” em relação aos países conquistados, teve. Mesmo assim, teríamos que sofrer com as possiblidades envolvidas. É preciso mais tempo?

E o que isso tem a ver com ser eterno? O homem, em seu pensamento profundo em relação ao que se passa ao seu redor, mesmo dentro do impossível, dá um passo rumo a ele, chegando a convicção de que pode, consegue, realiza,  e que nada para ele é impossível – de eterno, nesse caso, somente o poder de sua vontade, mesmo porque para o homem há limites, por mais que queira atravessar os ares de marte, o planeta vermelho, e criar novos ares após mais uma conquista.

A tecnologia dos filmes de ação nos remete a concretização de um futuro utópico em termos de ferramentas sejam elas espaciais ou não – tanto que não há pessoas miseráveis nas esquinas, influência de governos, religiões, família... Como se extinguíssemos as estruturas de uma sociedade que vive disso. Mas os filmes de ficção (a maioria) se desfaz dessas bases.

Ou seja, o futuro, para que seja permanente, fixo, deve conter o que mais apraz o homem: o seu sonho realizado a partir de suas descobertas, não das estruturas citadas. O que é uma falha.

Outro filme...



Origem. Somente o sonho nos leva ao real.


Não saindo da ficção, e ao mesmo tempo mudando de tema, saindo do espacial para o psicológico, posso citar entre os filmes que nos imprime uma realidade fantástica em busca da eternidade perdida, é o filme “Origem”, com Leonardo DiCaprio, no qual uma organização especializada em resolver assuntos por meio de sonhos, adentra na mente dos humanos, repetindo, por sonhos, na certeza de entrar em estruturas criadas involuntariamente por nós, durante nossos dias de vida.

No filme, DiCaprio, o chefe da equipe, apesar de sua competência em resolver os assuntos de outros, tem uma pendência com sua esposa, morta voluntariamente (suicídio), pelo fato de acreditar que, nesse estado (morta), viveria nessa estrutura eternamente; o filme demonstra isso com louvor.

Mas, fora a ficção, pude perceber que há uma verdade por trás de tudo isso. Há realmente um meio pelo qual tentamos fugir de nossa realidade, é o sonho. E isso não é uma opinião. Vários especialistas dizem que quando estamos com problemas, dormimos muito; outros, ao contrário, mas há que entender que há essa possibilidade de fuga por meio dos sonhos, os quais nos remetem, na maioria das vezes, a uma “realidade” que podemos sentir melhor, ou dominar, como se fôssemos donos das circunstâncias...

Outras vezes – e essa talvez seja a pedra fundamental para acharmos que tal estrutura há – é quando um ente nosso se vai (morre), e não temos meios de nos comunicar, ou mesmo vê-lo para dizer as últimas palavras, ou palavras que lhe faltaram, enfim, começamos, como pedreiros de sonhos, a partir daí, a criar o castelo no qual você e a pessoa que se foi ficarão.

Castelo esse em forma de pensamentos confusos, com situações idem, mas com a certeza tão clara como a tecla desse computador de que a pessoa que se foi está ali, e que a estrutura está feita, realizada, e que todas as vezes que eu quiser vê-la crio meios naturais em minha vida real, a partir de lembranças fortes, ou não, mas que são o suficiente para “visitar” aquele ente está mais forte e vivo do que nunca...

E o eterno? Em “Origem”, esse filme espetacular, descobri que há realmente esses castelos que construímos quase que involuntariamente (pois quando sabemos dele, sempre queremos colocar um tijolo), há sonhos fortes nos quais podemos resolver nossas pendências, mas há um simbolismo profundo nesse filme: de que somente o homem que sonha é eterno.

E quando me refiro a sonhos, não falo desses breves nos quais criamos ou destruímos estruturas, mas desses que nos fazem levantar, sorrir em direção ao sol, nos tornar um pouco dele, sair em nome do Belo, cheio de pensamentos humanos em relação às pessoas, criar meios de reverência ao sagrado, ser um pouco mítico como um Ícaro que deu certo; realizar façanhas como o herói que encontrou meios para matar o Minotauro e sair tão forte quanto entrou do labirinto...

No fundo, temos que ser tais quais os caracóis que, ao caminhar devagar, dentro de seu belo caminho, um dia morre, mas deixa um rastro de fagulhas brilhante por onde passou. 


Assim nos tornamos eternos.


segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Homem, Arte, Eternidade... (ii)

Eternidade. Por que buscamos?





Sei que é um assunto deveras complicado a se falar, e talvez por isso não vamos ser muitos específicos quando falarmos de eternidade. Assunto que mexe com a vida, com a morte, com nossos brios e que às vezes nos dá calafrios, mas como eu disse não serei especifico...

E nada melhor que começar falando de nós mesmos, dos pequenos momentos que nos fazem eternos, humanos e com alguns... Quase divinos. Entre tais momentos, quando somos agraciados por presentes belos que nos fazem refletir acerca de nossa existência, do porquê estarmos aqui, pisando em um chão frio, lidando com pessoas mais frias ainda, mas que não são donas do mundo – ainda que se achem – porém, mesmo assim, olhamos para o céu, em sua imensa grandiosidade e dissemos...

“Obrigado”... Palavra que não retrata de forma clara o que queremos dizer, mas traduz o mínimo, o simples, o mero prazer de ser agraciado – ou abençoado – por um presente que ninguém jamais poderia (ou pode) nos retirar... Um filho.

Um ser que – esse sim – pode nos passar a alegria da alma de maneira concreta, e ao passo livre de rejeições, complicações, sempre ao lado da verdade de sentimentos, o que não nos ocorre quando estamos em situações complexas, ao lado de pessoas que buscam outras felicidades, e que se recusam a ver a paz, a alegria, somente para satisfazer suas razões.

Um filho, o terceiro ponto entre duas pessoas, torna-se eterno dentro do seu simbolismo, que é religar as duas partes, transformá-las ou fazer com que compreendam que, na vida, se não há um terceiro ponto, um tríade natural em tudo, a possibilidade entender Deus é muito pouco...

No próprio universo, no próprio homem, nas mínimas criaturas, há essa tríade, caso contrário, não seríamos imagens divinas ou como diria a Bíblia... “O homem não seria imagem de Deus”, e haveria, assim, um universo imperfeito – o que não é... – A única coisa imperfeita, no entanto, sabemos, é o próprio ser humano, que busca realizar-se nas pequenas coisas, ao passo desconhece o grande mistério que se esconde tão perto dele quanto o gral de Artur, o rei que procurava pelo cálice sagrado, tanto que enviou seus homens para tanto e depois ficou vislumbrado por saber que todo tempo estava ao seu lado...

Assim o somos. A verdade se esconde em nós, Deus se esconde em nós, a Felicidade, também. E por que não a eternidade, que somente se reitera quando olhamos para trás e dissemos “Como eu era feliz e não sabia”?.. É mais que isso, é uma junção de elementos simples que se concatenam com a finalidade de nos dizer que somos felizes, aqui e agora, e para sempre...

Nem por isso, vamos jogar nossas malas de inutilidades pela janela, ou mesmo rasgar nossas roupas antigas ou novas, a viver de ventos em nossas entranhas, não, pelo contrário... Felicidade não é jogar fora o que possuímos, mas sim o mal que se acumula, todos os dias, em nossa alma; é vivenciar cada pessoa, cada passo como se fôssemos crianças que estão se iniciando com seus pezinhos na terra; é descartar a hipocrisia quando bate a nossa porta consciente gerando outras em nós...

Enfim... Felicidade, hoje, não sei de ontem, mas é descartar o anjo mal, esquecê-lo, não descartá-lo de nossas vidas, pois sem ele não há a dúvida, a determinação, o conflito natural, mas é preciso não alimentá-lo às vezes, deixando-o rosnando no fundo do porão quando ele quer nos tomar os objetivos.

E no fundo queremos entender a eternidade, nem que seja por meio de religiões que se julgam bases da civilização, contudo, atravessam gerações germinando o mal na mente e na alma dos homens. Não é religião. Não é nada. Queremos entender a eternidade nos sentido mártires em nossos atos, em nossa máximas depois de um ato forçoso. Queremos mais... queremos escrever o que somos, deixar tudo para a posteridade, na qual falarão de nós, e realizarão atos em nosso nome, pelo que fomos, ou pelo menos pelo que tentamos ser...

Eterno, entretanto, foge a todas as regras naturais a que fomos concebidos intelectualmente em entender, inclusive quando olhamos ao sol sem saber que ali, tão longe e tão perto, flutua um astro que pode se ir.

Para entender a eternidade, devemos buscar os grandes do passado que um dia, na seriedade de suas buscas, disseram que possuíamos um Ser, um espírito, que, assim como tudo que é vivo – ou seja, tudo – sobrepõe-se ao que pensamos ser, e que, dentro do que se pode dizer acerca de nós, O somos.




Amanhã tem mais eternidade.


sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Homem, Arte, Eternidade...

Por que todos se baseiam na arte grega?



Não é difícil falar em eternidade ao nos depararmos com o pôr do sol, ou mesmo ao som de Noturnos, de Frederic  Chopin, não, não é. Nossos olhos se enchem dágua nesses raros momentos que passam por nós todos os dias, de forma que nos transformamos em seres entusiásticos pelo simples momento de contemplar o Belo.

E por falar em Belo, ainda ontem, ao ler o livro II d´A República, de Platão, o autor nos remente ao pensamento clássico de Justiça a partir de um mundo fragmentado, ao passo nos remete àquele conceito se aprofundando na alma humana – sei que os gregos, de algum modo, nos enganam quando falam em alma, pois ao se referirem ao Belo, assim como o autor citado, muitas vezes citam alma como Espírito, esse elemento que tanto desconhecemos e só temos uma parca visão dele quando nos aproximamos dos degraus de Arte.

E quando falamos em Arte, vem-nos conceitos físicos, retratados em belezas relativas, em quadros emoldurados, firmes, como plantas de plástico que não nascem, e sim são produzidas para enfeite. Assim, ainda que exista uma natureza lá fora em suas tentativas vãs em demonstrar seus inúmeros referenciais de Arte, Justiça, Bem, Amor, nos conduzimos a refletir nossas debilidades em telas as quais não sabemos, na maiorias das vezes, se estão ou não conectadas com os valores universais...

A Arte, também, é uma forma de eternidade – não porque nos mostra as loucuras de alguém ou de uma sociedade, de um universo humano, e que perdura entre gerações há quientos ou mil anos, não. É eterna porque nos faz nos religar a Deus, esse que permeia dentro de nós a cada entusiasmo (em+theo > deus em nós), ao passo em uma simplicidade que, aos olhos do modernismo, é sinônimo de atraso...

Não se pode chamar Arte de atraso, mesmo porque cascatas, como “véus de noiva”, a desaguarem num rio cálido, transparente, no qual pedras límpidas, no fundo, são enxergadas como seres místicos; não se pode julgar um jardim natural, cheio de flores que se diferem em cores, em tamanhos, em formas e ao mesmo tempo harmonizam com um céu azul... Não se pode vender a Arte, trocá-la, pois ela não é um produto de uma consciência pessoal, com finalidade de enriquecimento ou mesmo vaidosismo humano. Não.

Nessa arte, não apenas os jardins naturais se vão, mas músicas que nos religam as deusas, as musas, à alma, para qual nascera e nunca mais nos empobrecera até então. E hoje, como um quadro feito com tendências relativas, a música se tornou relativa, sem nexo, cheia de deformidade, e se porta como uma filha rebelde ao ilustrar qualquer coisa para as massas, para o homem que precisa de palco, para o lixo que precisa de uma trilha sonora.

A música, hoje, destrói o bom senso de um homem que tenta encontrar a si mesmo nas obras sagradas da natureza, pois sempre se depara com o que se traduz do mundo, ritmos, em letras sociais, nas quais a depender do estilo, faz uma leitura do que se passa dentro do homem, ou do próprio povo.

Contundo... Apesar de tudo, ainda há a eternidade. E dela, para o homem que involuntariamente deseja o Bem, retira-se o valor minúsculo do que podemos ser e compreender a respeito do que somos, e isso não se pode frear, podem até “escravizar” nossos corpos, mas não nossa alma, que quer subir aos Céus como um balão preso pelo peso de nossas raízes. Mas, um dia, ela se vai.

Outras formas de eternidades se mostram, mas é preciso que tenhamos olhos para tanto. Olhos para os rios celestes, que desaguam há milênios na grande consciência do criador; temos que reconhecer o nascimento físico e espiritual de uma natureza, antes mesmo do homem, o qual nascera sob o signo da transformação de sua própria existência, a qual, em algum ponto, podemos chamar de duradoura, não eterna.

Podemos, sim, chamar de eternidade o mais alto degrau – ou o que mais subjaz no homem, que, em sintonia com o ponto mais externo da vida, leia-se a mônada universal, nos faz, independente de nossas idades físicas, tão eternos quanto o próprio céu. E somos.




Falamos de Eternidade no próximo episódio...


Ótima sexta!

A Parte que nos Falta

"É ótimo ter dúvidas, mas é muito melhor respondê-las"  A sensação é de que todos te deixaram. Não há mais ninguém ao seu lado....