quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Marco: O inicio do Estoicismo.








..Marco Aurélio sempre zelou pela honra em sua família, agradecendo a seus pais, irmãos mestres, dos quais retirava sessões diárias de aprendizado. Mas foi da profundidade estoica que ressaltou a importância de saber lidar com o ser -- a parte que nos cabe cuidar. Sabe, ainda, Marcos que o mundo não tinha nada gratuito, como jardins nos quais pensam certas facções hoje quando pensam no além-morte, pensava o imperador que nada havia de mais importante do que se cuidar, no sentido mais filosófico da questão, para o agora.

E para isso, lançou seus olhos a um mundo que, há muito, tradicionais no saber (filósofos) lançaram com vistas ao que sempre traduziram em comportamentos, em palavras, em atos, em vida. Provas há que Avathares vieram antes desse grande general, que filósofos como Platão, Sócrates, Plotino, dos quais se conheceu e aprendeu, a partir de textos e mestres estoicos, o porquê e o quê de uma natureza que persistia em se fazer de espelho a humanos cegos.

E quando Marco Aurélio diz, no inicio do segundo livro, “desde o raiar do dia, diga a você mesmo: hoje vou encontrar um intrometido, um ingrato, um insolente, um mentiroso, um intrigante e um grosseirão. A ignorância da natureza do bem e do mal fez deles o que são. Mas sei que o bem é por natureza o bem e o mal”...

Não há mundo perfeito quando nos referimos a pessoas, humanos de plantão; sejam bonitos, feios, ricos ou pobres, não há como trazer à tona elementos que nos faça dizer... “agora meu dia vai ser lindo, belo...”, não. Não dará certo.  E Marco Aurélio, filósofo, quando partia para a guerra sua de todos os dias, não sabia que nos trazia um exemplo do que seria hoje, nós, como guerreiros de batalhas pequenas, e ao passo talvez maiores a que ele, o grande imperador, enfrentava.

Nossas guerras são o próprio ser humano. Cheios de nuances relativas e ao passo absolutamente frias, na maioria das vezes, nos tornam indecifráveis, misteriosos, como espaços desconhecidos, e isso, ao nosso lado. No entanto, outros, na busca desenfreada pelo amor à verdade, até mesmo à verdade humana, ou simplesmente a ela... Se vão em guerras como crianças em quintais, ou namorados a se encontrar um com o outro, enfim, vão como forças de vontade, ou com simples vontades, em meio a depreciações as quais servem-nos de catapultas, não de dor.



E isso incomoda muita gente.



quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Um Marco na Filosofia: o respeito à Família.






Ao mendigo que busca desordenadamente seu caminho, ao sábio que se esconde em roupas remendadas e de linho; nascerão outros e mais outros, naturais dessa terra tão hipócrita e amante do homem vil e celeste, que busca nas entrelinhas da vida, o que se esconde nas ruas, na riqueza, na peste.

Digo que não somente o divino Cristo morreu, mas homens de estaturas tal Prometeu, os quais em cruzes, altares, em guerras, em chamas por cujas ideologias viveu, também o fizeram.  O que com eles se foi, foi um pouco de nós, seres que morrem em busca de compreender a ferida própria, ou a do próximo, do outro...  Realizando o que humanos sempre concretizaram em sonhos, saber o que somos, para onde vamos, e por quê...

Marco Aurélio, dono de uma filosofia que aprendeu a plasmar, não somente foi um desses heróis, mas também nos ensinou, em seu grande livro Meditações, a olhar o céu nosso de cada dia, a respeitar a si mesmo, e por consequência, o próximo, e a humanidade...

Para isso, usou de artifícios tradicionais, os do estoicismo, escola que nascera em III a.C., cujo ideal era de recuperar o sentido da existência humana, e isso em um século em que batalhas eram quase que diárias, e nas quais não havia como refletir acerca de qualquer mundo, apenas aquele que estava se desfazendo em sangue. Era Marco Aurélio, o imperador filósofo.

A importância do Agradecer

No inicio de Meditações, Marco agradece a todos que o educou – seu pai, sua mãe, seu avô, seus mestres, de modo a deixar claro que até ali seu caráter dependia de fatores educacionais ao bem de si mesmo, ao que almejava ou ao que o ensinaram almejar.

Não eram apenas parentes, como vimos hoje, ou apenas complementos de nossa família – cada um por si – mas um núcleo responsável pelo inicio de tudo que sabia ou que aprendera a lidar. Seu mundo começava;  e sua vida a se expandir; sua personalidade forte, e ao mesmo tempo leve, comungava com o respeito humano, e Aurélio sabia que tinha que começar com aqueles que um dia o ensinaram a andar, falar; ser disciplinado e honrado, desde o inicio...


O estoicismo, em suas palavras iniciais, não tinha começado.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Um Marco na Filosofia

"O melhor modo de vingar-se de um inimigo é não se assemelhar a ele"


Tivemos várias figuras no passado com a intenção de nos relatar seus feitos, seu heroísmo, enfim, suas histórias com a finalidade imortal de nos auxiliar no futuro, mas nenhum deles escreveu algo tão profundo e humano, e que servira em todas as épocas, a todos os homens, e se houvesse um semideus em terra, a ele também serviria. Marco Aurélio.




Marco Aurélio. Imperador-filósofo.




Muitos escritores tentam relatar seus feitos, em seus livros, como diários abertos ao mundo, mas nenhum deles, até hoje, como o Imperador-filósofo Marco Aurélio (26/4/121 a 17 marco de 180) o fez. Marco Aurélio foi um dos cinco melhores imperadores romanos, dos quais podemos retirar quase que completamente seus ensinamentos aos dias atuais.

Marco não perseguiu povos; foi dedicado ao seu; era um homem culto – apreciador de clássicos – e tornou-se estoico com a admiração de seu escravo Epiteto. Com tudo isso, escreveu uma obra que servira até os dias atuais como inspiração aos mais elevados dos generais – e ao mesmo tempo, ao mais comum dos homens.

Em suas batalhas, que foram marca de seu reinado, Marco escreveu Meditações, livro esse que fala de coisas profundas, nas quais ele mesmo tenta se pautar como homem coerente em busca de algo que o transcenda, ou que o melhorasse com cada batalha diária... Estas últimas semelhantes às nossas.
Dizem que faleceu em uma campanha, mas muitos falam que seu filho, Cômodus, o assassinou, em razão de Marco Aurélio escolher para o seu trono um general espanhol, o qual não teria o sucedido ante a morte do imperador.

Quando Marco fizera suas anotações, sabia que eram eternas, pois sintetizava valores absolutos ao ser humano, de modo profundo e simples. Eram verdades ditas em experiências e ao mesmo tempo utopias as quais, para muitos, eram vistas com inalcançáveis, mas para muitos forças advindas de um homem que conseguiu eternizar o próprio desejo humano, estoico ou não, em realizar suas vontades espirituais. E ninguém melhor que o discípulo de Epiteto, tão estoico quanto o primeiro, para realizar essa façanha.

Muitos, pelo fato de ser do estoicismo, uma escola pré-socrática, não observam da maneira como deve, ou seja, não dão atenção ao que ele chama de ‘ser’, de ‘alma’... mesmo porque para as seitas atualmente não interessa muito. Pelo contrário. Quando se refere ao estoicismo, ficam à mercê de pensamentos críticos, pois foi uma escola que corria em paralelo ao cristianismo.

Muitos não sabem, no entanto, que discípulos, como Paulo, João, podem ter bebido da mesma água que o imperador-filósofo. Dizem as benditas línguas que até mesmo o comportamento cristão se baseou em duas frentes, a egípcia e a estoica, sendo esta última uma escola helenística, fundada por Zenão de Citio, no século III a. C., e seus ensinamentos baseavam-se na perfeição moral e intelectual.

Ao longo dos textos que serão publicados, colocarei um pouco do significado dessa profundidade estoica, mesmo que não seja tão profunda em alguns pontos; mas, para o nosso dia a dia, assim como até o fim de nossa breve vida – aos olhos de Maya, -- podemos desejar chegar a algum ponto, e que esse ponto seja a luz que tanto procuramos.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Um Pouco Mais sobre o Leão...

Um ser solar, mas também a representatividade de nossos vícios; outras vezes, de nossas forças, de nossas vontades. Esse é o Leão.


Leão. Não somente o rei dos animais.




Todos conhecem a lenda de Hércules, o grande herói grego que fora obrigado a realizar doze trabalhos antes os deuses, os quais serviram de simbolismo aos astros, assim como muitas vezes vimos na história, nos doze discípulos de Cristo, nos doze cavalheiros do rei Arthur, além dos horóscopos, que trazem uma relação quase direta com o semideus.

Contudo, todavia, no entanto... Não iremos tecer relações acerca de qualquer simbologia numérica ou mesmo histórica ao número doze... Iremos, em especifico, observar, mais uma vez, um ponto importantíssimo nesse personagem que nasceu da busca sana de um povo a um grande herói que trouxe esperança e que nos deu mais que isso... A reflexão acerca de nossas forças.

Hércules, filho da mortal Alcmena e de Zeus, realiza grandes proezas com seu talento, como a realização de feitos que colidem com o aspecto geográfico do Ocidente... - matar leão da Neméia; matar a Hidra de Lerna; capturar o javali de Erimanto; capturar;  corça de Cerinia; expulsar as aves do lago Estinfalis; limpar as estrebarias de Aúgias; capturar o touro de Creta; capturar os cavalos de Diómedes; obter o cinturão de Hipólita, rainha das Amazonas; buscar os bois de Gerião; buscar os pomos de ouro do jardim das Hespérides; capturar o cão Cérbero – como se estivesse traçando uma rota no grande Mediterrâneo...

Porém, como todos os personagens mitológicos gregos, Hércules traz em si uma potencialidade natural dos grande mitos, nos quais, ainda mais enraigados de simbologia, fica, não só em seu personagem, mas em seus trabalhos um latente sentido com o sagrado, ou mesmo com o homem. Claro, assim como todos os mitos, o do herói grego nos remete a um pensamento intuitivo, mas muito mais acerca do seu primeiro trabalho...

Por quem em primeiro lugar matar um leão...? Claro que não era qualquer leão; segundo o mito, este “aterrorizava” toda a região de Neméia. Mas era isso mesmo? Não havia dentro mito algo que nos pudesse responder acerca dessa ideia que murmura para ser identificada em nosso consciente?

Claro que sim... E filosoficamente devemos ir atrás dela, dessa resposta que nos incute, com as ferramentas que temos, a trabalhar, nos envolver e por fim revelar o que segreda esse Leão.

A persona primeiro

Na antiguidade clássica, em escolas de iniciação, discípulos aprendiam que todos os animais possuíam um simbolismo profundo que se identificavam com o uno, com o próprio homem. Uma prova disso, como foi salientando varias vezes nesse espaço, era o simbolismo das aves.  Elas, como se sabe, significavam o céu, não literal, mas o céu paradisíaco dos grandes reis sacerdotes, e por isso, estátuas há e em relevos egípcios de faraós com uma ave em seu ombro, a representar Horus, o Deus do Céu, Filho de Isis, enfim, religando o monarca ao mistério celeste.

Na Roma Antiga, aves eram a representação maior da disciplina e honra dos grandes exércitos e da própria cidade, a qual se referenciava simbolicamente, em suas asas, em seus olhos, em sua ordem, em seu brilho... Era tão forte o simbolismo romano da ave que, quando o estandarte com a ponta em forma de ave desaparecia, significava a desonra daquele exército...

Não menos simbólico ao ver das grandes escolas era o Leão, o rei das selvas, como hoje é revelado aos menos informados de sua grandiosidade... Digo, aos menos informados no sentido positivo, pois é muito mais que isso...

O Leão era visto como um ser solar. No sentido filosófico da questão significa possuir uma abrangência maior do que se pode supor, em relação a um grupo, seja ele da mesma espécie ou não... A exemplo disso, é que em certas igrejas chamam a Cristo de o leão de Judá, dando-lhe elementos fortes, dos quais podemos dizer que sua figura tornou-se maior do que ele mesmo; tornou-se solar.

Horóscopo

O Leão, animal, que simboliza esse aspecto o solar, também interfere (entre aspas) no horóscopo. Aquele que nasceu em julho e agosto, de acordo com a astrologia, é de Leão, ou ascendente em Leão. O que significa? Que todos aqueles que nascem nesse intervalo possuem uma personalidade forte, disciplinada; ou como diria uma grande mestre.. “com as jubas a amostra em meio a poucos”. Deu um exemplo... Quem é de Leão, é percebido ou percebida quando aparece, simplesmente porque brilha com sua simpatia, com seu brilho...
Não sei se há razão nisso tudo, mesmo porque tenho uma esposa que é de Leão, e quando penso nisso me dá medo porque sempre a vejo como uma leoa rs.

Brincadeiras à parte, podemos perceber o leão em nós, em atividades fortes e ao mesmo tempo apegados à matéria, ao mal. E quando digo ao mal, me refiro à persona, esse conjunto de elementos que conhecemos, e ao mesmo tempo não, pois há, como diria Shakespeare, “mais coisas entre o céu e a terra do que a vã filosofia conhece...”, e por mais que tenhamos conhecimentos a priori do que estamos lidando, percebemos que não sabemos nada.

Assim, nos perdemos, e confusos, acreditamos que, em certos momentos, conseguimos o céu, o paraíso, enfim, aquilo que sempre almejamos. Mas, no entanto, entretanto...

Escolas há que são contra essa falta de referenciais em encontrar nossos ideais, nosso cantinho idílico em nossa alma. Tais escolas falam em elementos fortes, tradicionais (tão antigos quanto elas próprias) para lidar com o que não somos – essa persona. Elas falam do morador esquecido.


Em nós, há o cume natural do ser, o morador esquecido, e que, graças à tradição, nos lembramos dele com vistas a informações acerca de nós mesmos. E descobrimos que somos aquele que vive no mais sublime dos lugares, no alto de nossas possibilidades, de nosso querer. 

E quando Hércules mata o grande leão, o simbolismo de nossas vontades egoístas, o animal em nós, não só destrói a persona, como diria Blavatsky, ele dá o primeiro passo em direção ao (seu) Pai.



quinta-feira, 4 de setembro de 2014

A Tensão dos Homens

Reflexão



A tensão das árvores, das folhas, do vento que as assopra não é a mesma tensão que nossas almas sintetizam quando escutam o sinal da ventania... Ah, se tivéssemos a leveza de ser como a folha que cai, do sol que se ergue, das teclas de um piano, que nascem nas mãos de um instrumentista que nascera para acariciar o piano, com intuito de trazer a música... Não temos.

Temos medo do sol da manhã, dos restos de frio, da noite que vem... Da paz limitada em nossas tardes... Enfim, temos a dor antes mesmo se senti-la. Não a mais teríamos se houvesse um olhar ao céu nosso de cada dia, plasmado em forma de natureza, de belezas nas quais esconde o porquê de tudo...

Por que nos escondermos da vida, se não há como fazê-lo nem mesmo na mais subterrânea das cavernas? Por que sentir medo do mistério, se em nosso mundo pequeno, temos tanto a resolver, e nem o fazemos! Não vale a pena correr, olhar para baixo, se infiltrar dentro de si mesmo, como toupeiras, avestruzes, as quais metaforizam o pânico ao sentir a aproximação do predador natural...

Temos a tensão do leão, do animal solar que predominara em culturas como o imperador das selvas, e nós, como reis do nosso mundo, desse micromundo que se esconde nas vésperas da noite mais escura, do inimigo mais ausente, porém que nos deixa sua frialdade como perfume do mal.

A tensão das colinas, das pequenas e belas flores que em seu pico se encontram; a tensão da brisa que nelas bate, do aguar dos pingos que lhe chegam, do silêncio das brumas quando a manhã vem... É o mais idílico dos mundos, em que moramos como seres que saem do corpo e se alimentam de virtudes naturais, sem subjugações, meras palavras, interesses... Temos a tensão das esferas.

E quando olhamos o céu, estrelas nos perseguem em questionamentos confusos, e como crianças, respondemos mais confusos ainda, encantados com tanta beleza. E o manto se abre à lua, e cometas se arriscam, meteoros se fazem, rios de escuridão atravessam nossos olhos, e a tensão se faz, se ergue, e nos faz refletir que temos o que queremos, desde que seja  em direção ao céu...

A terra dos homens, essa em que pisamos, desfaz a tensão natural das coisas, do coração, e o faz acelerar a ritmos quentes ao ponto de morrer em nosso corpo, como um ser que se vai ao nada. Nessa terra de ninguém, pisamos como donos e morremos como vermes; nela nascemos como sacerdotes e nos vamos como faíscas ao mar.

A terra, essa mesma terra, é o elo do homem ao seu corpo, às suas pretensões físicas – o que é diferente de apegar-se ou morrer pelo que pensamos em ser, terrenos.  O ar, que se inclina a entrar em nossos pulmões, é um pouco de nossa alma,  ao que ela objetiva – o alto; as águas, o mistério da energia, desse prana, do levantar de nosso sol interno, é a calmaria... E o fogo, esse elemento indestrutível, sempre vertical, produz a vontade, a força, a eloquência de todos os elementos voltados a maior das naturezas.

Temos a tensão de Deus.


terça-feira, 2 de setembro de 2014

Perder, o que significa?

O que perdemos, o que é nosso? Como podemos ganhar? ganhar o quê?


Soldados romanos: preparados para ganhar ou perder, sempre com honra.



Enfim, o que nos pertence? Não sei, talvez muitas coisas que conseguimos com o tempo, ou por livre arbítrio de nosso vaidosismo nos apegamos e dizemos o que é nosso... Sei lá.

Perder... O que tem a ver conosco? Se muitos já nascem com certas coisas e sabem que não é de seu poderio, como a própria vida, ou menos que isso, o que está por dentro desse manancial que nos faz correr em cima dele como folhas sobre rios, ou em meio a ventanias, nas quais papéis, paus, árvores não conseguem deter esse grande poder, dizem para si mesmos.. “Não, a vida não é minha”... “Somente aquilo de que detenho poder é meu...” – é uma sábia constatação...

Agora me lembrei de Epíteto, esse maravilhoso filósofo estoico, que em suas palavras, em seu livro homônimo, dizia... “Tudo que achamos que é nosso volta à sua origem, ou volta para aquilo que um dia foi”.. Como um abrigo abandonado, há séculos, recebe seu primeiro dono, você, eu, todos, ou seja, o lugar em nascemos, como primeiros que éramos...

E isso nos remente a pergunta, de onde viemos? Não vamos discorrer sobre isso, por enquanto, mas resguardar em nossas almas certas perguntas que nos intrigam e que podemos refletir acerca delas no decorrer do texto...

Não menos importante do que sabermos de onde viemos é saber o que é nosso; o que seria isso? A conquista, a labuta, o buscar de valores sejam eles materiais, psicológicos, emocionais, intuitivos, espirituais... os fazem nossos? E quando realizamos algo, como em uma competição, o que vale realmente? O que fazemos para almejar a vitória; a competição em si; o que aprendemos dela, ou o troféu?

Nossa consciência nos revela um depósito de consecuções, realizações, das quais podemos tirar muitas lições nas quais nos sentimos melhores, sejam no aspecto físico ou interno – o que nos faz pensar o que é céu, infernos, dores, alívios, pessoas boas ou más, as quais encontramos em nossa jornada em busca daquele ouro que vimos em nossas possibilidades.

Não sei. E o que me faz refletir sobre uma frase de Kalil Gibran, filósofo indiano, sobre qual muitas religiões ergueram-se e à sua filosofia,  o Profeta, foi questionado... “E nossos filhos?”.. “Nossos filhos não são nossos, e sim filhos do universo; e nos cabe educá-los para Ele”.

É de matar, não é? Se nossos filhos de quem cuidamos tanto, amamos tanto, vivemos para, morremos para não são nossos?!... O que seria nosso? Gibran não foi duro conosco, apenas está acima de nossos interesses pessoais, de nossas emoções (não que o filósofo não seja humano!), e nos diz em meio a partida de seu personagem (parafraseando a si mesmo) que, na verdade, não devemos temer a perda, pois a vida nada mais é que a preparação de tudo, até mesmo de nós mesmo em relação ao que nos apegamos.

E quando se refere a filhos, por mais forte que seja o ser humano, vai sentir a dor de suas palavras no íntimo, ou senti-las-á como uma poesia utópica que emerge com o sentido de preparar para um futuro que um dia vamos ter que enfrentar; para isso temos que criar escudos!


O que é nosso? A camisa que compro, a calça que me dão; o emprego que possuo, a gratificação merecida; a mulher, o filho... A família? Perder um desses elementos é, nos dias de hoje, perder a si mesmo; sair de uma consciência adquirida com o tempo, mas que não estava tão preparada para isso.

Perder um filho em um assalto, em um sequestro; perder um filho em uma facção religiosa... Talvez nos faça perder a razão com toda certeza do mundo, mas nos sentir preso a ele como se fôssemos perder o chão quando chegar a hora de casar-se, ou mesmo se alistar, menos ainda, quando encontrar sua independência natural, a possuir sua própria morada, a pensar em seu mundo como consequência do que fez até ali... É um premio!

“Quando vir seu filho, diga a si mesmo: um dia vou perder você”... Epiteto.

E quando perdemos uma gratificação? Para muitos é como se perdesse um filho! Realmente para ambos é preciso uma educação, mesmo porque fazemos parte de um mundo materialista no qual alimentamos a cria, a família, nosso conforto, nossas viagens, enfim, não aceitamos perder, seja em pequenas coisas, seja pequenas coisas, ou alguma coisa que achamos que supomos eterna...

Nada é eterno; nem nossas vidas físicas! Então por que nossos prêmios devem ser? Sei que lutamos, fomos à lona, suamos em cada corrida, mas nada se compara à vida, esse mistério nos dado pelos deuses piedosos, que nos potencializaram de forças para realizar o que quiséssemos, até mesmo entender o próprio mundo, mas não o fazemos, pois estamos ocupados demais para isso...


Perder significa olhar a vida sem perspectiva, sem sabedoria; perder significa entrar em uma guerra achar que não vale à pena; perder significa morrer em vida, antes da morte.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Rumo ao Desconhecido.

Olhar para o lado, mudar de esquina, falar com alguém que não conhece, fazer algo que não se faz no cotidiano... Coisas pequenas que significam muito ao homem que precisa dar passos rumo a terrenos nos quais nunca pisou.







Desde que somos humanos, tememos o desconhecido. As invenções, por mais incríveis que tenham sido, passaram por um processo mental dificultoso aos olhos do homem, pois, em meio a histórias contadas por seus antepassados, de sonhos mal interpretados, a raça humana teve que esperar um pouco para dar seus primeiros passos rumo a qualquer realização. Simplesmente por causa do medo...

Hoje, com a aparência de arrojados, com edifícios gigantescos, por estradas que ligam nações, além de grandes veículos nos quais nos transportamos, como aviões, navios, carros, tivemos que optar em realizar ou sermos donos de uma consequência que, no mais tardar, nos prejudicaríamos (ou não); o que ficou, no entanto, foi o primeiro passo, aquele que nos dá o frio na barriga a nos dizer “você está no caminho correto!”...

Em campos pelos quais não passamos ou desconhecemos, iremos sempre sentir esse frio – ou quem sabe – nunca dar os passos rumo a estrelas metafóricas ou reais, às vezes porque ideias arcaicas nos seguram, outras vezes porque não temos o suficiente para chegar ao que queremos – diferente de podemos.

Quando um cientista olha para o céu, pensa em realizar seus sonhos por meio de passos importantíssimos, baseados em experiências bem sucedidas, mas que ainda não são suficientes para alcançar aquele céu; contudo, entende que passos rumo ao desconhecido devem ser dado com cautela, pois temos realidades literalmente diferentes ao nosso redor, ou seja, teorizamos andar em marte, com toda a instrumentalidade possível, mas só sabemos como é subir em uma montanha bem alta, de modo a distinguir o que se leva para seu pico, não em marte.

Este último, por enquanto, está em sonhos humanos, o que não significa utopia fechada, lacrada, e sim, uma forma de dizer... “espere por nós”. Assim são nossos sonhos. Objetos de espera. Na maioria das vezes, ideais de realização humana e espiritual.

Quando um religioso pensa em Deus, pensa no desconhecido, em sua natureza justa, caridosa, boa, verdadeira, singularizando características que por ele mesmo – no religioso – passa, elevando-as ao cume de sua alma em uma propagação que o próprio homem, religioso por natureza, vem fazendo desde o dia em que nomeou uma pedra, uma planta, uma montanha, ou mesmo um grande animal o seu deus. Ou seja, o desconhecido se encontrava no homem, que precisa transmutar elementos que o religam consigo mesmo e com o todo.

Quando uma criança dá seus primeiros passos rumo a sua mãe, sente que deve por seus pés um na frente do outro, e corajosamente, temendo a queda ao chão, prende seus lábios, abre seus braços, fecha seus olhos e vai... Dentro desse contexto podemos retirar o que somos ante ao mistério, que nos move ante outros mistérios e assim por diante. Na descoberta do primeiro, sorrimos e não paramos de andar; antes, no entanto, pelo medo aparente que nos sustenta, em razão da dor que vamos sentir, da guerra que vamos enfrentar... Desistimos, e deixamos para outro dia aquele passo fundamental...


Não é errado. Sabemos que temos uma alma que, por si só, se revela dona de reminiscências das quais participamos, e como ela é enraigada de lembranças  que nos enjaularam no passado, revela-se no presente um tanto quanto estratégica, o que é diferente de medrosa, no sentido arcaico, ou seja, que nos vai levar ao pânico e nos fazer correr para debaixo da cama...

A alma, guerreira, dona de situações nas quais predominou a coragem, a destreza, dentro de desafios que não saberemos nunca, dará seus primeiros passos, fazendo com que o corpo, seu veículo natural, respire fundo, feche os olhos e pronto...

Assim foram os grandes homens que nasceram para descobertas. Todos eles se perguntaram “será que vai dar certo?”, “o que vai acontecer agora?”... E enfim, a história, testemunha de seus grandes atos, viu pequenos seres se transformarem em lendas.




A Parte que nos Falta

"É ótimo ter dúvidas, mas é muito melhor respondê-las"  A sensação é de que todos te deixaram. Não há mais ninguém ao seu lado....