quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Mãe, a estrela eterna.



A força e a simplicidade se foram.



As mães, segundo as leis universais, são portadoras do amor. A prova maior, talvez, não sei, é quando uma mãe é recolhida ao seu paraíso, de onde possivelmente saiu. Sabemos que, quando isso acontece, a família se desnutre, se enfraquece, e se torna deserta de união, de paz, de amor, e como consequência maior a desintegração total -- cada um para o seu lado.

No início, em meio a brigas, conflitos, intempéries que somente há em família, há a mãe, como acolhedora, conselheira, apaziguadora de seus entes queridos que não sabem dar um passo sem a sua palavra. É a mãe.

Nela, pela religiosidade natural, percebe-se a grande experiência nos olhos, no físico, em seu semblante cujo astral é tão forte e leve, que, por mais sábio que sejamos, não conseguimos deixar de nos ajoelhar ante esse ser humano. 

Muitos, no entanto, desconfiam desse amor, dessa forma divina que nos alegra, e se tornam combatentes irracionais, filhos cujo comportamento se iguala a de leões e hienas sorrateiras, ao vir o restante da carne deixada involuntariamente pelo predador, mas a ignorância, máscara fria que cai no meio das trincheiras, clama por Deus ao ver a grande senhora partir, e não voltar mais...

A dor, uma das maiores do mundo, nos faz tão infantis quanto o dia em que nascemos e necessitamos do grande colo que nos acolheu no primeiro dia, naquele leito de hospital. Uma dor tão divina e ao passo tão demoníaca que desconfiamos que seja normal e conosco... 

E nossa alma se vai, e com ela o caminho que nós tínhamos -- difícil trazê-la de novo --, e se vai a paz,  a ordem, a disciplina (muitos começam a se viciar ou transformar suas vidas em um caos), como se fôssemos a própria que se foi... Mas não éramos nós, "apenas" parte de nós.

E a sensação que nos fica é de que uma parte de nosso corpo foi comida, de uma hora para outra, por um monstro chamado morte (mas depois percebemos que não há mostro), e até passar essa sensação, pensamentos confusos, atos, conflitos, brigas.. guerras, falas sem nexo, desunião, como tsunamis, invadem uma família... É a hora de olhar para o irmão, ou como diriam os mais sábio, horizontalmente... (depois de tantos anos a olhar para o alto, para a mãe, para aquela que possuía as respostas,,,), agora temos que ouvir o que ele tem a dizer...

É hora de buscar a alma, que se perdeu, e confusa ficou com a dor; é hora de olhar para os pés, perguntar-lhes se ainda pode caminhar; é hora de perguntar a todos o que somos, para onde vamos e porquê. 

E quando olharmos fixamente nos olhos de cada um, sentir aquele aperto no coração, como forma de desculpas, iniciar um novo processo de nascimento, crescimento e desenvolvimento, não sem a grande rainha, que se foi, mas, agora, muito mais com ela, pois sabemos que a morte -- aprendemos -- é só um começo.

A mãe, a que se foi, no retrato acima, é minha mãe. E por possuir um elo com Deus -- não importava como -- criava em torno de si uma força misteriosa, tão misteriosa que em suas palavras o fogo das larvas caíam em nossos corpos frágeis, como uma justiça que cai na pele de um corrupto, como uma grade que se fecha ao pretenso intelectual. como um remédio que desce amargo sem querer,


Por isso tínhamos que olhar para cima ao vê-la -- e hoje, mais do que nunca.



Em nossos corações -- esse ser fiel aos olhos ocultos -- que sofrera por razões divinas, prevalecem lições, e dessas devemos aprender que cada ser humano tem um grande papel no mundo, nesse canteiro de flores débeis que somos, que é melhorar um pouco nossos pensamentos e direcioná-los a algo maior que nossas aparências, ou nossas vidas materiais... 

Sabemos que caminhar é para todos, mas saber para onde caminhar é para poucos. Então nos questionemos, e tenhamos coragem de responder tais perguntas simples ao passo fortes, pois a vida deve ser vivida, mas respeitada em seu âmbito, e quando isso parte de nós, nos tornamos um pouco melhores, assim como aquele ser que partiu.








Saudades, Mãe.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Carnem Levare *




Nosso Carnaval pode ser explicado pela extravagância, irreverência, pela crítica às autoridades, pelo desabafo de um povo que precisa... Desabafar. Em meio a essa alegria, tentamos ser tão felizes quanto os dias em que saímos de casa, pegamos ônibus lotados, trabalhamos feitos escravos mal pagos, a observar a injustiça se plasmar todos os dias em uma tela de quarenta e dois ou sessenta polegadas na primeira vitrine de um shopping.

Choramos por dentro ao saber que nosso dinheiro está sendo desviado -- ou como diria aquele trapalhão, "desviado não, direto para o bolso do infeliz ladrão de pobre" -- e pensamos em como alimentar nossos filhos, mães, mulheres, família, enfim.. A injustiça, como peça principal de um governo fraco, prevalece ainda que lutemos para que suma pelo menos um dia de nossos olhos cansados...

E aparece então o Carnaval, e desaparece de nossas vidas -- em quatro dias de loucuras sem precedentes -- o mal que tanto nos assolou no inicio do ano (taxas, aumentos, impostos, juros, etc) -- como se nos preparasse para o restante do ano... Mas não pensamos assim, apenas como algo positivo, que nos tangencie do presente ou nos engane ao futuro...

É sempre assim, não há outro jeito de nos enganar, a não ser que queiramos dizer que faz parte de um país, que é um fator cultural, necessário, ocidental, etc, etc, além nos fazer crer que pode mudar um país... Não penso assim...

Penso que, se há um meio de nos extravasar, tínhamos que refletir acerca de nossas extravagâncias, pois nelas esconde-se uma essência educacional, querendo ou não, modificando pessoas, sociedades, país... Há mais. Estamos sempre tentando nos policiar em relação ao nossos atos, seja politica, seja religiosamente, e isso nos tem feito retos ou bambos na grande linha imaginária da vida, que, como uma sagrada linha, nos faz sentir dor ou prazer, à medida de nossas ações, e não dorme, não vacila, mesmo porque apenas nós, humanos, dormimos -- metaforicamente ou literalmente.

Mas ainda não entramos na parte filosófica da questão...

A parte histórica do Carnaval fala por si mesma, como parte da filosofia; e como toda filosofia tem um referencial, temos que levar, aqui, em consideração o que representou essa festa no passado tão cheia de alegorias quanto à nossa. 

Antes, os deuses influenciavam a vida das civilizações, mais do que as chuvas, ventos, tempestades, tsunamis, sol... O que não quer dizer que estes estariam fora, mas como próprios deuses em forma de elementos vitais, transformando, com suas grandes mãos simbólicas, o dia a dia do povo.

Deuses

Um deus que era muito respeitado na antiga Gália Aquitânica -- atual sudoeste da França -- o deus Abello, conhecido também como o deus das árvores; visto também como um deus da fauna e flora, as quais eram respeitas naquela passado, tão distante, pelo povo gálio. 

Desse nome, segundo constam, é o mesmo nome de Apolo, deus da música, da Natureza, da apoloraridade, na antiga Grécia. A esse deus eram feitas festas enormes com fantasias nas quais retratavam a figura do grande deus.

Na mitologia romana, tínhamos Ceres, equivalente à deusa Deméter, filha de Saturno e Cibele, amante de Júpiter, irmã de Juno, Vesta, Netuno e Plutão, e mãe de Proserpina com Júpiter.. Essa deusa, a quem eram feitas grandes festas após as colheitas, nas quais o sagrado e o profano quase se igualavam, era a deusa da Agricultura.

A deusa personificava a religação do homem com sua própria parte divina junto à Natureza, e dentro desse âmbito faziam escolas em que sacerdotisas cultuavam e purificavam o nome da deusa. Entre outros deuses que podemos elencar entre tais poderíamos falar de Fauno e Fauna, deuses que estariam ainda responsáveis pela parte mais universal da natureza..

Eram festas ditas como pagãs das quais saiam deuses e deuses louvados pela colheita, pelo fruto, pelas cheias dos rios -- poderíamos citar as festas osirianas quando o Nilo  voltava a se encher -- por tudo que a Natureza dava sem nada pedir em troca. Mas após Cristo, quando a Igreja tomou o lugar dos deuses e impôs o deus cristão, as festas se foram... No entanto, por meio de um acordo feito entre as várias culturas, no qual teria que ser em prol da Igreja, foi decretado que, após o Carnaval, haveria o período da quaresma (quarenta dias sem carne) -- daí a palavra Carnaval, Carnem Levare, significar Sem Carne...

Enfim, mesmo sendo festas pagãs, nas quais havia um sentido sagrado, o nome Carnaval só veio muito depois, como foi dito acima, com o sentido de se abster da carne durante quarenta dias. Mas o que fica é alegria por algo realmente válido, não estrutural mas espiritual, ou seja, por deuses que se manifestavam dentro de nossos meios, como forças misteriosas que nos apareciam quando plantávamos o que era certo à natureza humana.


Hoje... Nosso maior sentido carnavalesco é a alegria, sair do chão, tentar igualar-se ao rico ou fingir-se de pobre, com alegorias cujo simbolismo nos remete apenas a uma história tão fugidia quanto nossa ápoca. Hoje, vamos em bloco exterminar a tristeza, nos esquecendo de que o choro vem noutro dia... Mas, no passado, o simbolismo a que nos remetíamos era em prol de um idealismo universal, no qual o próprio homem não significava muito, mas fazia o seu papel junto à Natureza como parte dela, dentro de um sagrado mistério, que só as escolas iniciaticas poderiam explicar, contudo, o grande povo que fazia a sua festa, a sua parte, sabia que estava colaborando com a grande linha imaginária.



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* Carnaval .

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Sombras de Uma Idade Média


Papas do passado e do presente. O que queriam, o que querem?


A Igreja pediu perdão pelos crimes cometidos há séculos, em nome de Deus, e nem sei se a perdoaram; a Igreja pediu perdão por suas omissões, em guerras mundias, nas quais poderia ter resguardado muito mais inocentes do que resguardou. No entanto, tal perdão não chegou ainda às esferas de muitos crimes morais e éticos, dos quais a humanidade sofreu na antiga Idade Média.

Se a Igreja tivesse sido realmente sincera, teria gerações e gerações a quem pedir desculpas, simplesmente pelo fato, de hoje, séculos depois, muitos acreditarem em seu Poder. Isso, no entanto, é quase que invisível aos olhos dos chamados humildes de coração, os quais, a necessitar de auxilio "espiritual" (muito mais psicológico), se dão por completo a essa entidade, que até então corrói nossas indagações a respeito de Deus.

Digam se estou errado. Sei o quanto que a Igreja tem se esforçado em nos apresentar papas modernos, dos quais aprendemos lições de humildade, gentileza, bondade... (preciosidades nos dias atuais), e que, aos seus fiéis, faz questão de bater o martelo em polêmicas que há muito deveriam ter sido resolvidas -- como a questão homoafetiva, casais do mesmo sexo que querem união sacramentada por Deus. E a questão da pedofilia, que, em nome de Dele, prevalece sem resolução? a humilhação aos negros, a omissão aos mais humildes, que há muito perderam sua religião, graças às formas que eram restritos à sua natureza religiosa...

Mas a questão Divina? Aquela pela qual Giordano e muitos outros se entregaram e se foram queimados em fogueiras tão altas quanto a hipocrisia moderna? Se a própria Igreja pediu perdão, então reconhece que estava errada em algum ponto.. Mas que ponto? A de perseguir, ou a de queimar vivos os supostos culpados por simplesmente pensar diferente, ou perdão ao mundo por se fortalecer às custas de pessoas ignorantes? Como diria Cid Moreira, o ex-âncora da TV Globo, "até o fechamento desta edição, ainda não sabemos."

Hoje, claro, estamos mais combativos, mais aguerridos e fortes em questões que se afloram no mundo e não se pode delas correr, e portanto, a maior das entidades deve tomar uma resolução em função do que pensam seus fiéis. Sabemos que ela, a Igreja, ainda que tenha passado vários séculos, não pode abrir mão de seus valores, de sua crença, de sua ideologia, política.. Enfim, não pode se debruçar a Giordanos modernos, por mais corretos que eles estejam...

Mas há algo que precisa se sanado, ou melhor, salientado em meio ao que ela traspassa não somente aos seus, mas ao mundo. O que ela quer? Levar a fé de uma antiga Idade Média aos pobres? se ajoelhar falsamente ao inimigo somente para dizer que o respeita, mas que, na realidade, sabe-se, políticas há que a fazem tão fora do que pretende ensinar quanto outros quesitos, enfim... E a questão divina?

Há muitos questionamentos, e poucos a responder. Talvez precisamos de muitos idealistas capazes de fazê-la falar, mas idealistas que tenham em sua sombra um Copérnico, um Giordano Bruno, uma grande mulher que, de repente, no passado fora tão forte em sua razão quanto qualquer homem... Joana Darc.


E hoje, quando olho pela janela de meu quarto, observo que a paz reina de forma arbitrária em nossa sociedade. Não há questionamentos a serem respondidos? Não há verdades a serem reveladas? Não há uma cultura de subserviência imposta pela Igreja? O que somos? Escravos que se calam, senhores maduros que aprenderam que tudo isso não leva a nada, a não ser mais mortes, guerras, conflitos? Não sabemos... Ou simplesmente medo?

Mas de uma coisa sabemos, a nuvem que nos cobre não é a mesma de uma civilização sábia, na qual o povo tinha um grande amigo que buscava a verdade como seu representante divino; a atual nuvem que nos sobrevoa é a do vaidosismo, aquela que nos faz conformados com respostas rápidas, elegantes, cultas, cheias do floreio. 

Porém, é a mesma resposta de sempre, sem a verdade, sem a prática advinda daquele (ou daquela) que a responde. Nós, como atores que somos, deixamos tudo do jeito que está para não magoar nossos entes queridos, os quais obedecem fielmente a um Deus que mata muito mais que no passado.






terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Um pouco de Giordano

"Ele não poderia mudar de ideia. Ele simplesmente via. E Pronto"



Giordano Bruno. Eu viu e não abriu mão de sua visão.




Giordano Bruno, aos trinta anos, tivera uma visão após ser expulso de seu mosteiro. Antes, apenas um rapaz que discordava às espreitas da Igreja, de seus mestres; antes, um rapaz que lia Copérnico às escondidas, e descobria, no sótão de seu abrigo, o que no seu âmago crescia, o que em nós sempre tem a grande tendência em aumentar... Questionamentos relativos a Deus.

Em sua visão,viu não somente o limitado universo a que Igreja o fazia (não somente a ele, mas a todos, na Idade Média) ver, mas muitos outros e assim por diante -- ele tivera um siting, uma visão além daquela propícia pelos olhos naturais. O ex-monge viu uma realidade a que somente hoje supomos, mesmo que tenhamos todas as ferramentas possíveis para vê-la.

E ao contrário dos homens que sabiam e resguardavam seus saberes, mesmo porque, à época, era um tanto quanto difícil, em razão das perseguições, Giordano foi além e não teve medo. Apenas com sua visão e com a certeza dela no bolso, e na grande credibilidade do grande Copérnico, o qual morrera na prisão, muito antes do ex-monge, Giordano, na tentativa de relatar sua experiência e fazer discípulos, como numa grande empreitada natural, por meio de artificiosos orais, sem provas convincentes, fora expulso várias vezes, de várias convenções, e de lugares nos quais questionamentos a respeito da Bíblia eram proibidos, por fim, todavia, fora convidado a fazer uma palestra na Inglaterra, ainda que seus argumentos estivessem fora da ótica da religião presente.

Lá, não abrira mão de sua visão a respeito de Deus. "Há outros sóis, há outras estrelas, há estrelas que são sóis, e sóis que podem ser estrelas, enfim, há outros universos!", e não se calava em meio a ofensas, a agressões, e por fim, fora julgado.

A Igreja, como poder político maior, não aceitava que duvidassem do poder de Deus, nem mesmo das palavras do Salvador, e o grande Giordano não a desrespeitava, muito menos fazia pessoas desacreditarem nos homens do passado arcaico, apenas dizia-lhes que havia mais do que ensinavam a respeito do universo -- muito mais.

E por isso preso ficou. E durante oito anos, em subterrâneos jamais conhecidos, nosso herói tivera que repensar sua vida, suas indagações, seus amigos, sua família, enfim, repensar nos valores que acreditara e os respeitar, aceitar ou não, enfim, ele teria que acreditar em sua visão -- ou sonho, ou como diriam os monges, em facetas do Diabo -- e se libertar.

Após cumpridos oito anos, Giordano foi colocado aos olhos dos mesmos homens que o haviam torturado, mas agora teria que dizer "aprendi a lição"... O que seria um adorno à Igreja, que estava, em nome de Deus, há tempos, defendendo o que muitos acreditavam ser a Verdade.. 

Giordano, olhando nos olhos de seu juiz, disse... "Nesses oito anos que estive preso, pude, com minhas poucas forças, redefinir o que é Deus. E hoje eu posso dizer... Não é o que vocês pensam"...

Giordano fora queimado e morto "em nome de Deus".





quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

O Céu de Cada Um, Uma Longa Jornada...


Tao: para muitos, a representar o céu e o inferno.



As sensações, unidas ao bom sentimento, sempre serão, para muitos, o caminho do Céu, ou o próprio. Prova disso, é quando realizamos uma tarefa não muito dentro de nossas capacidades, e nos inclinamos como heróis sagazes, em uma luta árdua, cheia de labirintos como... Varrer uma casa, lavar uma louça, passar o pano numa  janela... 

Não é uma piada. Nosso céu é o nosso retrato. O inferno, talvez, seja o inverso. Ou uma dualidade entre fazer o que não nos é dado pelo grande Deus, como deitar-se frente a uma TV, comer aquele prato de salada maravilhoso, com um arroz soltinho, unido ao um peixe... Sem espinhas, por favor. Mas sempre indo de encontro a Ele.. Isso é  o inferno!

O inferno, também, é a nossa cara. Mas o que mais me atrai é o céu, esse grande mistério universal, dentro do qual questionamos, reverberamos, e dele nos alimentamos quando lemos os clássicos, se reduzindo, de acordo com nossos interesses, a práticas personalisticas, que nós mesmos temos por obrigação, como homens que somos.

Não adianta, queremos o céu de qualquer maneira, como se fosse uma quantia que depositamos no banco, e a merecemos pelo simples fato de ter feito algo "grandioso". E as sensações continuam... Todavia, esquecemos que a rampa é pequena e que somos péssimos em esportes radicais, então nos entregamos... Varremos mal, somos péssimos lavadores de louça, o pano da janela, que tanto se sujou com a poeira, vira o próprio capeta. Daí, vem o cansaço, o desespero, a dor -- qual? -- a dormência, enfim... O infraerno (para não repetir a palavra, ok?)

Mas, contudo, entretanto, quando tudo dá certo, e a vassoura ajuda, a louça é pouca, e o bendito pano não se entrega... Vemos a face do Criador! Choramos, caímos ao chão, nos tornamos crentes, vamos ao ancião (pastor, bispo, sei lá..) e nos entregamos, juntamente com a alma, que não entende bulufas...!

A saga continua...
Viramos experientes em práticas caseiras e  damos aulas, palestras, vendemos livros, e conseguimos, por fim, nos desviar de nossos objetivos...  -- Qual era mesmo?? -- ah, ser Deus, quer dizer, encontrar Deus. Não! Encontrar o céu. 

O que nos sobra dessa empreitada? Não sei, talvez voltar à origem de tudo isso, e como diria o nosso querido Marco Aurélio, imperador-filósofo, "Já pensou se uma orelha pede aplauso só por ouvir?"... Já que estamos a repensar o que é e o que não é céu, vamos com calma em nosso vaidosismo, em nossas obrigações.  Pois de repente somos orelhas querendo não só aplausos, mas muito  mais que isso, sem mesmo cumprir, sequer, a primordial das tarefas, a de ser um pouco mais humano...

Sei que, em muitas tarefas claudicamos, mesmo porque temos vocações escondidas, mas não deixemos de lado qualquer que seja nossos objetivos, nos colocados com outro objetivo -- o de ser mais pacientes, amorosos, menos duros com a vida, mais sensatos, mais experientes... Uuufa..!

Nosso céu, mais uma vez, com certeza, está se fazendo em algum lugar de nossas memórias da grande Vida, mas não somos sacerdotes, sábios, filósofos (ou pretensos) clássicos, para perceber essa religação natural a que obedecemos sem querer, e sim pessoas comuns, sem aquele  crachá de especial do Criador, simplesmente porque tudo que nos acontece, com certeza, é inerente a qualquer ser humano.




quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Lições Ocultas (ii)

Mitos Egípcios: como uma lua inalcançável.




É muito fácil um historiador pegar tudo que sabe, e dentro de sua grande experiência (como historiador), fazer comparações, interpretar à luz de sua matéria, que o fez especialista, um profissional na área, qualquer versículo, até mesmo lendas, mitos, tudo que seja clássico.

Não diferente seria um radical ideológico (um comunista, um xiita islâmico, etc) fazer o mesmo, tentando, com as ferramentas que possui, interpretar um clássico que há séculos resguarda informações acerca do mundo, do universo...

Enfim... O que nos atrai nessas figuras é que, ainda que tenham suas parcas ferramentas para interpretar qualquer texto simbólico, eles o fazem como se fossem reais intérpretes de tudo aquilo que nos foi deixado, de propósito, sem as chaves necessárias para abrir e entender. 

Champollion

No caso de Jean Francoi Champollion, considerado o primeiro egiptólogo francês, considerado o pai da Egiptologia, quando Napoleão invadiu o Egito, levando para a terra sagrada seus maiores filósofos e cientistas da ápoca, somente com o intuito de tentar revelar o que estava por trás daqueles monumentos, podemos fazer um adendo...

O grande Champolion foi um dos primeiros a entender que, naquele país, existia algo maior que seu parco entendimento acerca de tudo, mas mesmo assim, em nome da Ciência, tentou descobrir o que estava escrito em alguns pergaminhos, os quais foram demonstrados como hieroglifos (escrita sagrada), nos quais a síntese de um passado perturbador aos olhos do homem moderno estava apenas começando a aparecer...

Com essa visão, a de respeito aos valores de um passado que se foi, não apenas Champollion, mas outros foram ao encontro de muitas descobertas maravilhosas, no entanto, a maioria se desfez desses valores e iniciaram muito mais um sentimento capitalista e intelectual, ao contrário do nosso primeiro personagem,,,

Hoje, pouquíssimos egiptólogos traduzem pergaminhos, respeitam os homens-deuses, os mitos, as lendas e histórias egípcias como deviam. E como precisamos de respeitar a história das grandes nações, surgem sentimentos negativos em relação a elas, e mais, o que devia ser revelado e levado às gerações que buscam a verdade, temos pessoas que ainda acreditam em histórias absurdas do tipo... "os egípcios foram um povo mal, porque escravizaram os hebreus"... "O mar vermelho nada mais foi que a vingança de Deus ao povo que um dia amava homens acima Dele", e mais... "As pirâmides do Egito foram construídas por ets", e assim por diante...

Enxovalhadas de absurdos advindos de leitores tortos, de autores mais tortos ainda, frios telespectadores de filmes americanos, que, repito, assassinam gerações que poderiam, hoje, dar valor às suas origens, com buscas sensatas, feitas de coração, em autores, como o Cristian Jac,  um dos melhores do mundo -- que escreveu a saga de Ramsés II, -- e muitos mais, -- os quais segredam valores dessas nações, e  nos fazem perseguir ideais dentro de histórias romanceadas, feitas com todo cuidado para não desfazer a crença nos mistérios antigos, dentro dos quais o próprio homem se sente dono de uma capacidade maior ao que nos colocam atualmente... a de ser meramente um ser existencial, que coexiste em função de outros valores, o monetário, por exemplo...

Não se pode ser apenas um profissional e acreditar que pode tudo. As escrituras, não apenas a Bíblia, mas muitas outras, como o Bagava Gita, os Vedas, Mahabarata. além de hieroglifos, e obras apócrifas que se encontram aterradas à espera de nossa ignorância, não podem ser apenas lidas e traduzidas à luz de nossas visões capitalistas, xiitas, modernistas, frias, sem pudor. É preciso que se tenha amor à busca, respeito às obras do passado, que duraram até então, não pelo fato de durarem, mas muito mais por serem feitas por homens que entendiam tudo sobre o Céu e Terra.

Se houver uma busca, seja ela qual for, deve ser feita com amor. Amor à humanidade.




terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Lições Ocultas

"Não adianta buscar respostas se não estás pronto para praticá-las" (L.C)*


A reverência antes de tudo: somos pequenos.






Ainda ontem li um artigo na internet de um físico mediano chamado Osny Ramos, em que fazia uma série de referências às escrituras cristãs (na Bíblia), à luz da Física Quântica, a tecer comparações, interpretações, tudo dentro do campo mais oculto da ciência.

Não tem como não haver razões naquilo que foi abordado, mesmo porque, como já comentamos aqui, há mistérios indecifráveis, os quais religiões fazem questão de respeitar -- ou como diria uma ocultista famosa (H.P.Blavatsky), de permanecerem na ignorância -- o que seria excelente se não fosse para interesse de alguns que comandam iletrados.

Ramos, como um guru físico, não mede palavras e não refreia sua crítica ao comportamento humano quanto à obediência a Deus. E isso, em nome de uma tradição que sempre considerou deuses e rainhas, reis e outros, é desrespeitoso, mesmo porque, ainda que nossa capacidade racional chegue a compreender (será?) o comportamento dos elétrons, não quer dizer que encontramos a pedra filosofal, muito menos o mistério maior do alquimio...

Um dia um samurai nos disse "para baixo e para cima, há infinitos". E Osny, contundente em suas "revelações", parece-me descobridor do Tudo, desmistificador de mistérios dos quais viviam nossos antepassados, e ainda vivem homens do nosso presente; contudo, em suas frialdade mecânica, esquece-se de que um dia uma grande nação -- a qual desconhece ele, certeza tenho -- que nos fez suspirar com suas construções que desafiam o homem, e quem sabe a própria física atual, e que nos fez entender que acerca do maior mistério não questionamos.

Qual o maior mistério? Talvez a própria origem de tudo do qual viemos, ou simplesmente respostas para as mais intrigantes de nossas perguntas, ou mais que isso; porém, o que equivaleria tudo isso se não houvesse um respeito advindo de nossas consciências, de nossa pequeno saber? Qual seria o motivo desse "descobrimento" desse grande mistério?... 
Não importa...

O que o grande Egito sabia, essa grande nação que brilha tanto quanto qualquer estrela presente, apesar de seu atual momento, é que não se pode ir em busca de sagrados mistérios se não temos uma grande alma para tanto. Sabia aquela nação que os deuses -- esses átomos ocultos que tanto incomodam a alma da ciência -- fazem parte de nosso cotidiano, desse ar quente que respiramos, e desses objetivos que tanto buscamos.

Reverência

O Físico se entristece ao saber que o homem atual não se questiona a respeito desse Deus pessoal, que interfere na vida humana. Mas a própria física, ao pegar para si a visão de Deus, torna-se tão fria e quem sabe ígnia, quanto àquele pastor que não fabrica ideias, não faz seu fiel ir atrás de respostas por si mesmo. 

O Físico, ao dar credibilidade a forças naturais infinitas, não foge do tradição, tanto que respeita o passado humano quanto refere-se aos grande filósofos, mas, ao mesmo tempo, para ele (físico), são forças e formas físicas, ainda que tratadas com profundidade... E isso, nosso passado não perdoa.

Se tratarmos qualquer sol ou estrela em sua profundidade, teremos respostas quase idênticas, o que destruiria o saber infinito a que temos direito (e obrigação) de descobrir, mas se tal profundidade estiver no campo racional humano -- desse que nos faz vaidosos e políticos -- podemos acabar por matar gerações... O samurai tinha razão.

É preciso reverenciar com nossas almas, levar ao mais alto de nossas considerações humanas o que os grandes do passado faziam em prol dessa humanidade que se debate em conflitos por meras interpretações e religiogismo... Não podemos cair no querer saber pelo simples fato de querer. (Temos que) Abrir as portas do passado, com o espirito imaculado, com vestes puras, sentir a presença do todo em nossas almas, deixar palpitar o coração, e ter a plena convicção de que somos parte de tudo é um trabalho humano, mas muito mais divino.




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* Luiz Carlos, professor de filosofia.

A Parte que nos Falta

"É ótimo ter dúvidas, mas é muito melhor respondê-las"  A sensação é de que todos te deixaram. Não há mais ninguém ao seu lado....