sexta-feira, 22 de maio de 2015

Quem são eles?





Sabe, é difícil falar dessas pessoas tão maravilhosas, tão puras e com sentimentos tão humanos. Que pessoas?! Essas que estão ao nosso lado, em nossas caminhadas, sempre dispostas a nos dar uma palavra de amor, ou pequena palavra amistosa, um gesto -- um abraço, um sorriso na horas mais duvidosas quanto à própria existência humana, ou quando tudo está perdido...

Quem são essas pessoas? Elas se divertem no frio, enquanto outras reclamam, difamam, se maltratam e ao outros, quando lhes é conveniente; indivíduos capazes de trilhar enormes montanhas, e dizer, depois de passar por todas as dificuldades, "quando é que vamos de novo??". Chega a ser anormal, quando comparados a nós, medrosos, maldosos, frios, aos nos deparar com situações gêmeas ou nem perto destas!

Por que não somos iguais a esses seres incríveis? Hoje.. ao subir o elevador do edifício, que dá acesso à minha seção, me encontro com um grande amigo que, nas horas vagas, faz suas orações, e pede a Deus que o mundo seja melhor que ontem. No momento em que o encontrei, eu estava um tanto quanto pensativo quanto ao meu dia, às pessoas, ao momento em que estamos passando de crise..

E quando eu o vejo, com sua fé disciplinar,  aparência reta e amável, metralhou-me com sua bonança em forma de palavras de amor e fé, advindas de um coração sensato, coerente e, quem sabe, puro. Sem querer, meus pensamentos acerca desse mundo desapareceram, e como um mágico que chama a atenção do seu público, ele, esse grande amigo, apertou-me a mão, e falou em Deus.

Claro que ele fazia parte de uma igreja, e que sua inquebrantável fé era prova de que aprendia muito mais que muitos seres convictos, que em horas de desespero amaldiçoam o mundo e até a própria vida; mas ele, não. A audácia singular em reverter razões estudadas historicamente, apenas em pequenos gestos, em palavras sutis e claras, nos deixam com o coração mole, e a alma mais flamejante.

E ao me deparar com ele, já sabia que era uma dessas pessoas que dormem no frio, andam quilômetros em nome do próximo, sobem montanhas, caem e se levantam tão sorridentes, quanto um menino que acabara de receber uma moeda. Acho que precisamos refletir sobre isso.

Mas.. Quem são eles?

Com toda a certeza, se eu fizesse a mesma pergunta a esse amigo, diria que era "Deus em sua vida", e muito mais que poderia me instigar a acreditar. Porém, devemos entender que há Deus em tudo, não somente no belo, mas no feio, no desamor, como se fossem contrapartes naturais na vida do homem com fins de fazer-lhe aprender acerca de si mesmo e do mundo.

O que nos refreia ante a essas pessoas é que elas escolhem ser assim, como um andarilho que escolhe para qual lugar ir. Elas passam por tudo, vão a qualquer lugar, lidam com todos os seres, e nos dão grandes aulas de humanidade. Sabe por quê? Porque sabem para onde vão, não importa o que passam ou por onde passam -- elas simplesmente escolheram andar nas brasas da vida com coragem e determinação, disciplina, paz e humanidade... Algo que, antes, era tão natural quanto abrir o portão do quintal e colher a manga que caiu.

Um grande Ave! a essas pessoas.

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Mutatis Mutantes






...Na realidade, sempre há uma transformação. A experiência. Esse conjunto de fatores internos que se alojam na alma (quase) física nos faz pensar e repensar mais de duas vezes antes de falar, andar, praticar algo que nos instiga a mudar a situação. 

Na prática, a mudança nos vale como algo (hiper) necessário, pois somos, a querer o não, mutantes, tanto internamente, quanto externamente, o que nos faz seres que lidam com algum tido de evolução, pois como diria o grande sábio... "até mesmo o próprio universo muda, ainda que nos pareça constante", além daquela máxima de Heráclito, "Não se banha em um rio dias vezes", o que sintetiza nossa afirmação acerca dessa grandeza divina.

Então, não tenhamos medo de caminhar, de levantar ou simplesmente passar o andarilho que está a nossa frente, quer dizer, imprimir um ritmo mais forte, com uma visão de mudança em relação ao que somos ou que podemos ser. Colocar um pé na frente do outro, levantar a cabeça, tentar sorrir em meio a escuridão de caráter, passar em meio a rios de hipócritas, tentar algum objetivo, como se fosse um pequeno abrigo após a ponte, e até ele chegar.

Não fazer de sentimentos monstros que nos atrapalhe ou que nos envolva em pensamentos confusos ou obscuros, como se fôssemos criança perdida no próprio quarto. Sim. E é isso que somos. Se conhecemos o mundo, o nosso mundo, por que temos medo de nele andar, sorrir, cantar, mudar algum móvel, esticar as pernas, deitar no sofá, ou falar em voz alta quando nos vem a razão?... 

Então, por que o medo de mudar de setor, de vida, de namorada, de esposa, de casa, com vistas ao crescimento real? Temos que ter a certeza de que o queremos é algo maior que nós mesmos, caso contrário o que pretendemos com nossa "mudança" nada mais é que um descanso, uma paz relativa, ou uma fuga para o nada.

Gregos

A mudança é um necessidade. As peças teatrais gregas já diziam isso. Em cada ser que se apresentava, a condição de mudança estava em seu cerne. As máscaras em seu rosto, as roupas, o palco...Enfim, tudo era singular, mas até certa hora, pois tudo rodava, caia, desaparecia como por encanto.. Não dava tempo nem de se apaixonar! 

O teatro da vida é mais cíclico, mais real; não por isso o (teatro) grego não nos deixa de esquecer dos pontos nos quais nos aferramos quando crescemos e nos tornamos homens. Tais pontos são fortes, firmes, concretos, e com uma pitada de medo nos impede de mudar. 


Tenhamos consciência disso.





quarta-feira, 20 de maio de 2015

Mutar, Mudar, Mudanças...







Estou mudando de setor. Depois de mais de dez anos conhecendo colegas, fazendo alguns amigos, aprendendo com as chefias, ensinando meu serviço, me aperfeiçoando em práticas setoriais, hoje, percebo o quanto é difícil qualquer tipo de mudança, seja ela em qualquer nível...

Claro que estou me referindo a um tipo de mudança que, teoricamente, é mais fácil, pois nos faz refletir somente sobre para onde vamos, e se vamos encontrar algo melhor, ou pessoas melhores, ou melhor, pensamos em tudo que não tínhamos no anterior.

Mais que isso, fazemos comparações intuitivas, subjugamos a nós mesmos, declinamos de uma forma de pensar não natural no dia a dia. Enfim, o coração acelera, pernas ficam pesadas, cabeça confusa, paisagens ocultas! Nada fica de fora de nossos pensamentos, os quais, agora, são uma constante elucubração do presente, que não passa.

Imaginem mudanças reais, nas quais temos que mudar de comportamento, de falas, de visão acerca do mundo. É certo que a palavra mudar, aqui, não é mais a mesma, mesmo porque está nos imprimindo redefinir o que somos, por meio de ferramentas que não usamos, e se usamos um dia, não foi com seu único objetivo... Mudar.

Mudar com relação às pessoas, com relação à natureza, às instituições, ao mundo e a Deus... Com certeza não é um exercício fácil, gratuito, como se atravessássemos uma esquina sem carros, ou uma ponte vazia de meio metro de cumprimento. Mudar, nesse sentido, exige, antes de mais nada, um histórico pessoal, do qual se baseia-se para saber se estamos certos ou errados daqui para frente...

Se certos, continuamos e traçamos nossas metas, como peregrinos do amanhã que querem chegar aos céus; mas se não estivemos, temos que olhar o passado, a tradição, e nela trazer à tona alguns conceitos nos quais nos basearemos, de modo a segui-los, vivenciá-los, antes, amando-os como a nós mesmos...

Sim, não há como mudar se não há ânimo, amor, alma, vontade, dedicação, dação. Sem tais quesitos internos, a palavra mudar, mais uma vez, será vã, e ficará em seu sentido natural, material, palpável... Ou como queiram definir.

Para mudar, há de ter, além de esforços internos, referenciais,  dos quais vamos, como pequenos pardais, retirar o farelo precioso dos grandes homens e mulheres, os quais, de uma tradição, nos deram conhecimento acerca de nós mesmos, do próximo, de tudo. Eles sabiam o que diziam, sabiam o que deixavam, e sabiam qual o motivo.


Por enquanto, nesse meu limiar material de mudanças, tento lidar com o conceito antigo dessa palavra tão curta e bela (mudança), e propagar em mim alguns conceitos que podem ser válidos para o meu caminhar literal e metafórico. O mais importante é aprender com a mudança.

sexta-feira, 15 de maio de 2015

O Dia em que nascemos






Eu gostaria de dizer algo pra mim, e queria muito que vocês, meus breves leitores, ouvissem... “Tudo vai dar certo!”, “Tudo volta ao seu lugar de origem!”, “todo mal será sucumbido, e voltará ao seu lugar!”... Assim como sempre será, para sempre, desde o início dos séculos!

Hoje, nessa sexta-feira feira tão nublada, em que nuvens se infiltram não somente no grande espírito celeste, nas almas dos sobreviventes desse mundo, o sol, esse ser majestoso, mostra-se herói, cavalheiro, um dom quixote de lanças amarelas digladiando contra o breu do tempo.

Hoje, e sempre, essas lanças, símbolo da retidão eterna, penetram em nossos corações, nos revitalizando o ideal mais íntimo, mais humano, de elevação, de produção, de fé às forças sobrenaturais, as quais um dia foram chamadas de deuses.

Aqui e agora, em mim, após tempos de dores supra-internas (!), me vejo como um sol na luta diária contra o breu em minha vida, dos homens que poluem o ar, machucam nossas vistas, nossos âmagos, e destroem esperanças assim que passam a existir.

Hoje, esses homens se foram, (pois) eu os eliminei com lâminas de minha fé cortante, com meu sorriso sincero, com meus atos mais que reais; hoje, esses homens deixam de existir, e morrem em seus hades, cobertos por suas larvas fétidas, das quais nascem seus filhos e gerações que não se importam com seus ideais, e nem sabem porque nascem...

Hoje, nasceu um herói, mais que isso, nasceu um outro sol, do qual raios mais fortes iniciarão uma revolução tão bela quanto o primeiro dia em que descobrimos nosso direito de ser e amar. Hoje, faço a aliança com outros heróis, e esses, filhos divinos que se resguardam pela falta de vida, devem se reerguer, em nome de algo maior, mais potente, ao passo mais simples e vital, quanto o dia em que descobrimos o amor

quinta-feira, 14 de maio de 2015

O Real e Irreal. O que queremos?



Enxergar pela alma é trazer aos olhos o que o impossível revela. Metáforas, semânticas, símbolos, tudo, menos o que o real, o concreto é, assim como nascemos, como somos. Assim como as pedras são, cheias de pontas, às vezes, lisas, e duras, como sempre são.

Enxergar pela alma é ser poeta, e ver o que está por trás do mundo, das vida, do oculto. É ter medo do que não existe, é inventar uma grande necessidade com a grande finalidade de se viver. É inventar sentimentos, dar nomes, se prender, morrer antes de provar o real sabor do tudo, do nada.

Sonhar, uma forma de ver o que acreditamos que seja, assim como queremos e não respeitamos o que realmente é. Sonhando, tendo esperanças, ressuscitando, é estar preso ao que imaginamos, tão loucamente, desesperadamente, que o tornamos nosso, de mais ninguém.

Sem sonho, sem poesia. Sem sonho,sem romantismo, sem lágrimas, sem mortes pelo que não é. Por isso, o sonho -- esse ser gerador de premissas plenas de elucubrações -- existe. Para não se morrer em vão.

Não levemos a sério esse contexto, nada nos faz melhores se não enxergamos o mundo de uma maneira mais sutil, melhor, mas simbólica, seja metafórica ou semanticamente, pois, se necessitamos, seja para viver ou morrer, é em razão de haver uma real existência, ainda que não seja concreta.. 

Mesmo porque nem tudo que se vê, há uma nele uma realidade, e, ainda que seja revestido de pontas, de cravos, de taxas, pregos ou tábuas da melhor madeira, podemos dizer que, neles, o amor se faz, quando envolve um mistério que religue ao todo -- tão real, tão eterno quanto nossa capacidade de compreender se faz.

Levemos a fé, a verdade, e outros valores não criados como formas fortes, que nos revitalizam, e nos fazem tão humanos quanto àquele que se encontrou num monte tibetano. Assim, pelas águas, não concretas, mas nas primordiais, nas quais se mergulham os golfinhos do além, como forma de simbolizar nosso nascer eterno, vamos acreditar.

sábado, 9 de maio de 2015

A Mulher Sábia (A partida)





O seu medo não é o medo daqueles que ao seu lado está. Pois sabes o significado dele tanto quanto aos outros. E isso singulariza que vós estais no caminho correto, assim como aqueles que segues, lá dentro do teu coração. Não se desmereça nunca, pois, mais do que a todos os que conheces, busca a humanidade, a mais simples e bela humanidade, que norteou o mais justo dos homens, e isso, meu belo filho, o torna seguidor de uma Justiça que não se vê, da Verdade, do Amor, de princípios que se perderam e que arrebentam em seu ser como larvas internas em nome de um vulcão que não dorme, o seu Ideal.

Meu filho, continue a buscar, e serás mais que filho meu, mais, serás filho de universos que nascem todos os dias em nome daqueles valores que um dia se foram, mas, em alguns, permanecem em forma de atos e orações.

Meu filho, encontre um jardim, leve a ele seus questionamentos, responda com trabalho, com atitudes inerentes a ele, não deixando que o perfume das flores se vão como a dor do homem vil.  Sabeis que tal jardim pode ser a tua família, na qual há flores, terras, gramados, todos diferentes, contudo, fazem teu papel indiferente a opiniões alheias das quais sempre ornam temperamentos frios, mas vós, meu pequeno sábio, terás que molhar as plantas internas, antes de tudo, levar a vida aos seus, e mais tarde, verás o quanto aquele jardim que deixara em terra cresceu, desenvolveu e se tornou o mais belo de todos. Meu filho, não se importe com rosas de plástico, pois o real perfume é aquele que vem da rosa podada pela natureza, não pelo homem.

O Navio já queria singrar, e nossa mãe teria que ir. De longe, um grande homem nos acenava, e percebemos que, dentro daquela plataforma ambulante, nosso irmão que se fora mais cedo, fazia o possível para se comunicar conosco... Assim, pelo gesto que fizera, o reconhecemos, e percebemos o quanto somos egoístas, centralizadores, e personalísticos,  por acreditar somente no vento que arrebata o calor, por acreditar somente em nossas mentes, e não dar espaço ao real, ao que nos faz o que somos, filhos de Deus.

Antes de ir, no entanto, resguardava-se uma criatura linda, da qual aquela mulher sentia falta naquele grupo. Era sua filha mais emblemática, que um dia sofrera um dano quase irreversível da vida, um dano que virara sequela, mas que poderia ficar mais obtuso a depender do que poderia passar em sua vida. 

Sentiu-se que a partida tinha sido postergada por alguns segundos, pois a sábia mulher, em nome de Deus, pensara muitas vezes antes de partir a deixando entre os irmãos. E viu que estava correta. Aquela filha não era mais colhedora de amarguras, de tristezas, e dor, mas de esperanças das quais todos nós vivermos a partir de hoje.

Um grande abraço foi-lhe dado, e nada lhe fora dito. Apenas um "Que Deus te guie, Mãe", e uma lágrima de coragem descera seu rosto, como uma solitária mulher que desce o deserto e sobrevive com seu rastro.  Uma palavra a grande Dama disse por último... 

 - Que nos encontremos nas orações! Adeus, filhos meus.

A Mulher Sábia (iii)





E a filha que mais chorava sentiu, em seu coração, chegar mais perto de sua mãe. Seus olhos, vermelhos, cansados de lacrimejar, começaram a cessar as lágrimas como que por encanto. Tentou falar, mas faltavam-lhe palavras;  tentou se mover, mas seu corpo, estático, não obedecera. Mas sua alma, embebida de amor, fez com que a pureza voltasse a reinar em si.

Aos poucos, sua voz, trôpega, balbuciou lentamente uma pergunta que sufocava-se em meio à despedida dos outros. 

- Mãe, minhas irmãs são mais fortes do que eu, como podes ver. Todas elas, pelo pouco que possuem, conseguem lidar com o medo, com a dor, com seus conflitos... E eu, ainda, não aprendi a sufocar a dor, e por isso não consigo entender vossa partida, ainda que necessário for, pois apenas em pensar em tua ausência meu coração se vai ou avermelha-se de sangue pisado, de um mundo que não me trouxe nada, a não ser descrença, ao contrário da senhora, que nos trouxe proteção, segurança, paz ainda que não estivéssemos sempre unidos...  Mãe, o que farei sem ti?

- Minha filha, não tenhas medo de chorar, de sorrir, de amar, de realizar. Sabes que em você se escondem mistérios tão fortes quanto esse Navio que me leva; sabes que em lágrimas se esconde a verdade, e por isso és verdadeira, és firme, é mulher. E como a rocha que é maltratada pelas ondas da dor, não serás tu essa rocha, pois jamais serás vencida. Por ser tão verdadeira, conseguires  o que muitos não o fizeram, que é ver a humildade, o amor, a fé que ao seu lado estava, mas não enxergavas pela lente opaca do medo.

- Minha querida e divina filha, ensinou-me mais a mim do que eu a ti. Eu, em meio a seus prantos, estarei, em meio a tuas orações ficarei; e quando pensares em mim, pense no sol da manhã te alivia a tua dor, pois, o que o te faz chorar na noite, não impede de sorrir pela manhã.

E naquele momento, quando ouvi meus irmãos a falarem cada um de si, me perguntei diversas vezes se valeria à pena questionar sobre os mistérios além-mar, para o qual todos iam. Questionei a mim mesmo sobre o porquê daquele imenso Navio, que já encontrava no cais daquele pequeno porto que se via ao longe. Muitas perguntas, muitas palavras, mas principalmente muitos sentimentos àquela que partia ante aos meus olhos, e nada poderia fazer senão observar como um pequeno pássaro deixado pela mãe, e que estaria por voar sozinho assim que ela se despedisse...

Ao vir aquela senhora que há muito de mim cuidara, olhei aos céus e como era tarde, e com céu já estrelado, vi que o grande Navio não iria apenas ao grande mar da Vida, o chamado pós-vida, mas para as estrelas, a levar a grande Estrela, minha mãe.

Mas, em mim, mesmo com tudo que a priori já se respondia, me aproximei dela, abracei-a tão forte quanto o abraço do Amor que ela sentia por nós. Ao mesmo tempo, vieram todos, e num gesto tão universal quanto familiar, um grande abraço se fez, um grande e sagrado sentimento se fez naquele pequeno canto.

-Mãe, perguntei, não queria saber para onde vais, mas saber se estarás bem mesmo com tudo que deixaste ao nosso mundo, inacabado por natureza, mas que nos ajudou construir como a pedreira de Deus, com esses tijolos fortes os quais nem mesmo o mais bruto dos homens deles se desfaz; nos ajudou a trabalhar, mesmo com nossas parcas ferramentas, a viver, a realizar, a nos doar como um todo, vivificar cada pessoa com nossas palavras simples, tais quais às da senhora.

Mãe, hoje, sofremos de muitas coisas, e principalmente do mundo que nos corrói a alma, das pessoas, da paz mentirosa, da guerra entre a vida e a morte.. Mas vós, mãe, nos ensinou a enfrentar a brutalidade com trabalho, a insensatez com a simplicidade, a loucura humana, com gestos de amor.
Mãe, sei que és a tua hora. Mas não é a nossa. Sabemos que, quando subires naquele Navio, iremos cair em vida, sofrer ante a todos, e voltaremos nos tornar fracos. Fica conosco, pois seu lugar é e sempre será conosco...


- Meu filho, disse ela, com lágrimas na face, não consigo visualizar um ser tão sábio quanto vós. Nem mesmo Salomão em seus dias mais mágicos poderia entender como um homem suporta tanto conhecimento. Meu filho, vós que me fazeis tais perguntas, no fundo, sabes a resposta de todas elas, e quando olhas em meus olhos, e quando ponderas o porquê da vida, e quando olhas as estrelas em sinal de oração, sabes que estou ao seu lado, como agora, e estarei sempre. 



Continua...

A Parte que nos Falta

"É ótimo ter dúvidas, mas é muito melhor respondê-las"  A sensação é de que todos te deixaram. Não há mais ninguém ao seu lado....