terça-feira, 20 de outubro de 2015

Homens e Dragões

O Poder do Simbolismo VI
















Em muitos épicos de Hollywood, vocês já assistiram a figuras míticas que sobrevoam os céus com toda voracidade, como se fossem deuses. Se não fosse sua grande calda, suas escamas, seus olhos penetrantes, sempre em busca de vítimas, além das garras e presas, o dragão seria literalmente o animal mais fantástico do imaginário humano...!

E é.

Não há outro animal no universo – que conheçamos – que possua tais elementos em seu físico, o que nos remete à sensação de que faz parte do imaginário coletivo, e faz, só que não de agora, dos tempos atuais. Esse animal, com certeza, em algum ponto da História, foi inventado, ou plasmado, por seres especializados em mitos (sacerdotes, mestres, escola iniciática, enfim..), de modo a segredar algo do universo!

Assim como os deuses egípcios, alguns animais que foram se formando a partir do processo cultural daquele país, além de outros, como a Grécia e Roma, até mesmo dos nossos ameríndios, podemos dizer que o dragão realmente simboliza algo. Mas o quê?

Como na Terra Vermelha, na qual Hórus, filho de Isis e Osíris, era um falcão, na maioria das vezes, representado por diversas aves, até mesmo a cegonha, ou uma coruja, mas sua essência maior se guardaria no falcão, por isso, em diversas câmaras, a presença de homens com a cabeça de Ibis, representando o filho mítico. Além deste, Bastet, a gata, deusa da fertilidade e do sexo, filha de Rá, um dos principais deuses, sempre trazia boa sorte ao povo; Sekemeth, a deusa leoa, e Anúbis, o deus chacal, enfim, todos eles imprimiam um significado complexo, mas não ao Egito. A eles, tais deuses faziam parte de um Todo, a representar a unicidade sagrada que pairava sobre os homens e ao mesmo tempo estariam dentro de contextos caseiros. Simples assim.

O dragão, este fantástico animal, cuja existência veio muito mais na necessidade de aperfeiçoar o homem – isso em determinadas culturas, -- em outras, simbolizando o mundo material, com suas vicissitudes, temporalidades, conturbações, e ainda o assombro existencialista pós-nascimento, nos fascina e ao mesmo tempo nos dá medo.

Muitas vezes, esse animal incrível, além de seu vasto significado, assemelha-se ao grande deus Pã, grego, de onde retiraram a palavra panteísmo, e pagão. Pã, de vez em quando, segundo a mitologia grega, enraivecido, aparecia de supetão aos moradores, os quais morriam de medo – pânico (que vem de Pã, tb), fazendo devastações a qualquer minuto... Assim o era o dragão, um personagem muitas vezes assombroso, que invadia cidades, arrebatava vidas com suas chamas eloquentes, levando a todos o medo.

Assim, graças a histórias de cavalheiros que salvavam princesas de dragões, ou de dragões que representam o grande medo da humanidade, muitos dos diretores americanos iniciaram um processo de desmistificação do animal, que, com o tempo, foi se adaptando à cultura ocidental como um animal do mal, outras vezes do bem, e mais lá na frente até infantil...

As desmistificações, no entanto, a meu ver, devem ser feitas baseadas em conhecimentos a priori, ou seja, de conhecimentos que respeitam uma história, um legado; ou seja, não se pode inventar, ou esticar, simplesmente porque o tempo o pede. Não. Estamos em uma época em que os contos estão sendo desrespeitados, levados ao extremo do racionalismo fértil de sexo e violência gratuita, e isso não se pode aturar.

 Contos / HPB/ Escolas

E quando lemos os contos, não há outro modo de visualizá-lo sem que seja aquele que sequestra bens do povo, ou aquele a quem é entregue a princesa, para o príncipe obrigatoriamente salvá-la, enfim, esse caráter de “mau” vem a ser mais simbólico do que de outros animais, pois nos faz repensar o papel do ser humano frente às diversidades, sejam elas voadoras, ou não!

Desse animal, a Ocultista H.P. Blavatisky fala como se fosse de um animal já preexistente nos anais de um período clássico, no qual, não diz, já existira. Não é por acaso que ele venha com essas características, pois, em algum tempo, pode ter existido, mas não da maneira tão perfeita e simbólica como se revela hoje, ou seja, alguns atributos podem ter existido nele, outros inventados para um determinado fim.

Fim este que já nos precipitamos a entender. Isto é, pode ter havido dragões em uma determinada época, mas o fogo de sua boca, às vezes, das narinas, símbolo de elevação, a calda, a representar o ar, as escamas de seu corpo, a representar a água, e seu físico a terra, podem ter sido incrementados com o tempo, em escolas de ocultismo, com fins de demonstrar elementos sagrados do universo.

E como já estudamos, podemos nos remeter, agora, ao conto, que nos traz a princesa, o príncipe e o dragão. “A tríplice coroa” de todas as escrituras. Aqui o príncipe é aquele ser reto, interno, que se sobressai sempre na busca de salvar a alma (a princesa) do grande mal da personalidade humana, o dragão. Ele, o príncipe, vence, claro. Mata o dragão.

Porém, em algumas culturas mais avançadas, não necessitamos matar dragão algum, mesmo porque é um animal de forte simbolismo, como poucos, então é mais provável que fará parte do universo sempre que for chamado. Por ter a parte terra, ar, água e fogo, o dragão, segundo as escolas mais tradicionais, será confrontado, e se vencido, não morto, será objeto de transformação do indivíduo.

É uma transformação, segundo, necessária pela qual deve passar. Mas, nos aprofundando agora, percebemos em nossos estudos que não só a cultura ameríndia, grega ou romana, muito menos a egípcia, mas também a cristã teria sido voltada às lendas no sentido de mostrar o simbolismo dos animais. Quem lê a Bíblia sabe que há elementos fortes no burro, na cobra, nos leões, e também nos dragões!



Apócrifo

Dizem que, em um desses papiros encontrados no deserto, os chamados apócrifos, uma parte da Bíblia, em que Cristo teria, quando criança, estado com seus pais no deserto. Ainda de colo, Cristo teria ficado com sua mãe; e ao lado dela, seu pai e irmãos estavam sujeitos ao perigo.

Assim, em uma tempestade de areia, entraram numa caverna, e quando saíram dela avistaram vários dragões, os quais teriam ameaçado aquela família; mas não fizeram nada, pois, segundo consta no papiro, Cristo foi visto e reverenciado pelas criaturas, as quais saíram em revoada, como se temessem ao menino Jesus.

Assim, detalhando o ocorrido, muitas culturas, na iniciação, usavam tal legado como um processo de elevação humana, mesmo porque há indícios de uma estrutura simbólica, na qual o próprio homem deveria se tornar um ser consciente de sua busca pela pureza, pela paz e verdade.

Cristo representava a natureza intuitiva do homem. O Nows platônico, o Krishina dos hindus, o ser de todos. Assim, em sua pureza, o menino-deus possuía, em si, a harmonia de uma natureza contemplativa, ainda que na matéria, pois já viera como um sol, assim como um Sócrates, Zoroastro, um Buda, com intenção de reavivar a luz dos homens.

O dragão, como ser que representava os quatro elementos, pelos quais o homem deve passar para alcançar a iniciação, nada mais era do que a própria natureza reconhecendo um dos seus filhos, reverenciando-o, assim como devemos fazê-lo sempre em relação a ela.

O dragão, por ser um personagem grandemente simbólico, precisaríamos de mais elementos internos para lidar com ele, falar sobre ele. Vamos atrás disso. Vamos buscar!


sexta-feira, 16 de outubro de 2015

A Semântica do Simbolismo (iv)


Somos a única espécie a respirar poesia. Um instrumento literário em que nos dispusemos, sem obrigações humana, mas quem sabe divinas, formas metafóricas, simbólicas para retratar o que passamos, sem a intervenção de qualquer outro animal, planta, pedra. Muito pelo contrário. Com a ajuda de uma imaginação que atravessa mundos nos quais jamais nenhum homem um dia pisará, temos um instrumento de comunicação entre dois amores, ou mais, entre os homens e os deuses, como meras crianças na tentativa de pedir algo que não sabe pronunciar.
Aqui, nesse texto, o Amor é a peça de fundo entre duas pessoas que se amam, e na frente das cortinas, um homem tenta demonstrar seu amor, ainda que se fora sua amada, com palavras simbólicas, tão profundas quanto misteriosas.

Tenham uma grande e misteriosa leitura.

SOMBRAS NA JANELA

Vidros, sol, árvore. O reflexo emanava uma sombra gigantesca, da qual eu tirava imagens dantescas. O céu e o inferno, demônios, deuses, pessoas, criaturas se moldando, dançando, semelhantes a deusas no Olimpo. Era o reflexo de uma consciência voltada a nós dois – esses dois seres que se emanaram em janelas, refletindo em nossos seres imagens, nada mais.

A nós, não eram apenas reflexos. Eram traços naturais de um mistério forjado e elaborado para ficarmos presos um ao outro... E ficamos. Tão presos, tão eloquentes, ridicularmente presos, que fomos obrigados a reconhecer que éramos felizes com tais imaginações, estas tão concretas, fortes, físicas, que precisávamos ser cientistas para entender o que éramos...

E descobrimos. Éramos dois apaixonados. Fincamos o desejo como ponte entre o bem e mal, atravessamos, e lutamos contra dragões, tigres imensos, seres rastejantes, voadores, e percebemos que nos transformávamos nestes à medida que os matávamos. Por quê?

Não sei. Talvez porque somos filhos de nossos desejos maiores, e fomos, ou pelo menos eu, filho desse desejo ante ao que me acontecia, junto de ti. Via teu corpo, tuas vestes, teus olhos, seus perfume, e me embriagava deles como criança no parque, do qual jamais quereria sair. Mas, como diria o pequeno sábio, temos que sair dele, pois crescemos, desenvolvemos nossos ideais, depois de saborear cada parte desse parque, que, com certeza, fez parte de mim.

Eu queria ter nascido ao teu lado. Visto a ciência de teus olhos nascerem, desse corpo do qual me embebedei e morri quando dele sentia saudade. Ver a ciência dos teus lábios, que nasceram de um riacho limpo, esbranquiçado, como principio da vida de uma selva; assim, fazer por eles orações em forma de reverência, como um apetrecho divino, que surgiu somente para confundir maravilhosamente minha vida.

Eu queria ter entendido tudo, desde o inicio: aquele abraço, aquele sofá, aquele desespero, aquele surgimento vaidoso, os ciúmes, nosso primeiro momento juntos, nossa primeira paz, entre muitas guerras, a qual gerou nossos filhos que não vieram. Como queria ter tido tudo – até o que não estava escrito nas estrelas ou no meu livro oculto.

Sei de uma coisa, não fomos sombras na janela. Fomos reais!

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

A Semântica do Simbolismo (iii)


Como símbolos, somos tais qual o verme que se arrasta pelo chão mais pobre, ou semelhantes ao sol que dedica ao céu, como a mais rica das estrelas. Nos igualamos ao leão que dorme e caça pela manhã para sustentar seus filhotes, ou à hiena que não para de sorrir ante as diversidades, outras vezes como chorões como a cigarra que não economizou no verão.
O homem é o maior símbolo, dentre as espécies, de que há meios de se alcançar a Deus quando ele próprio se mistifica junto à natureza, com ideais de realização interna. Somos, assim, em meio a tudo, um ponto de interrogação, que se embrenha nas matas físicas e metafóricas com fins de realizar buscas sejam elas quais forem.
Tais buscas, com o prisma da tradição, já se iniciam desde o minuto em que se nasce e não morre com o físico, encoberto pela terra; as buscas são eternas. Tão eternas que, se fossem limitadas, não haveria indignações por parte dos mais idealistas quanto ao seu governo, partidos e religiões. E quando tais buscas são voltadas a origem do homem – a questionar sua natureza e o porquê dela – os deuses despertam no mais puro e íntimo do homem...
E caminhando como um sol à parte, o homem compreende o inicio e o fim de tudo, sendo conhecedor dos reflexos da Vida, tornando-se parte dela, iluminando a mais escura das cavernas.
Ainda mais aprofundadamente, temos sua personalidade, cantada em verso e prosa, revelada como o fantasma mais visível dos séculos, levada ao extremo nos mitos, nas lendas, em romances, nos quais, por mais inclinados que sejam para desmistificá-la, deixam margem de mistérios a desvendar em gerações póstumas.
E dessa persona podemos nos inclinar à parte “étérica”, a qual simboliza a mineral, como a própria pedra, até mesmo as formas diversas  em vegetais e animais da natureza; a parte volúvel, ar, simbolizando a insustentabilidade do ser homem, que vaga com sua mente e alma, antes dos grandes ideais. Ela, ainda, em sua finita característica e forma, simboliza tudo que é perecível, como uma micro natureza que se expande e chega ao seu limiar a estacionar, voltando, se enfraquecendo,  até a morte.
Seu astral, tão volúvel quanto o vento, representa este deus em sintonia com a mais densa de sua possibilidade. Como diriam os pré-socráticos, “um pouco do homem iniciou o universo”, ou seja, sua temporalidade esteve fria, sustentando-se até o momento em que a manifestação da matéria se fez – leia-se em matéria tudo que não eterno, se condensou e se condensa nas entrelinhas do universo.
A mais simbólica de suas características, na verdade, simboliza o fogo: a vontade humana; vista como a parte dos desejos, a parte fogo, a parte consciencial, a qual se eleva ou decai aos infernos a depender de seus objetivos, e se eleva quando se entende por ideal. Este último, porém, é incriado do homem, que detém sua busca em caminhos longos, materiais, imperfeitos, o que não deixa de ser também um simbolismo a verdadeira busca, mas nos edifica como super-homens (Nietsche), quando nos detemos à verdade.
 O fogo, eternamente vertical, no homem, quando elevado é puro, e quando não, impuro, graças a portas de papel que se enraízam e nos faz acreditar que na maioria das vezes o caminho mais perto é o mais correto – e não é; se os deuses nos deram um caminho, o fogo e o próprio ideal, falta-nos apenas nos dedicarmos a ele.

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

A Semântica do Simbolismo (ii)


Tem coisa mais bela do que um homem ajoelhar-se ante uma pedra, vivenciar os mistérios divinos, cuidar de seu rebanho e, depois de tudo, ser consciente de seus atos?” (J.A.L).
...Uma pedra, uma planta, um ornamento... Qualquer figura que se transforme em algo que religue o homem a Deus, de modo a transformá-lo, todos os dias, em um ser humano, em tudo que faz, exercer seu melhor perante os outros seres humanos ao universo, é a tônica do símbolo.
Assim, em nossa mente nos vêm os grandes monumentos com ídolos enfeitando as paredes, os pedestais. Rochas talhadas a se transformar em deuses desconhecidos, em forma de pássaros, cobras, tigres, como por encanto nos transformando em admiradores de sua origem. Eu, em particular, iniciei meus estudos há pouco tempo sobre a nação das nações, da qual sobram conhecimentos clássicos, dos quais todas as outras obtiveram um pouco do manancial que soçobrou ao mundo – falo do Egito.
De seus deuses, em esculturas benditas, as quais, hoje, nada compreendemos, ou pelo menos não compreendíamos, retirei vários ensinamentos, nos quais me deleito, todos os dias, em forma de leitura, na tentativa de compreender como se tornou o maior legado religioso do mundo, além de outros dos quais usufruímos e não sabemos, até hoje.
Pensaram em tudo. Viam Deus de uma maneira diferente. Das mínimas criaturas vivas em torno do homem a mais grotesca; o egípcio, com seu olhar, assistia a todas as manifestações como divinas, sagradas, outras, mais misteriosas, não menos sagradas, mas vistas como a parte do grande segredo, como potencialidades incriadas que nele viviam, mas que nele estiveram adormecidas... (aqui, lembro-me de Sócrates)! Tais naturezas, hoje, vistas como do Mal. No Egito, apenas deuses que se harmonizavam com outros.
De repente, no cair da grande Noite, esculturas ao chão, templos destruídos, sábios mortos, crianças sem futuro. Era a morte sobre as pernas dos homens que possuíam verdades mortais, as quais não admitiam deuses, e sim, um deus. O Dia chegou. Tudo mudou. Hoje, nossas esperanças, nossas vontades, nossa força, todas se modificaram e embarcaram em outro navio, no qual o comandante é apenas um homem sem formação inciática, sem o conhecimento pleno da natureza, principalmente humana, a desdenhar de outras culturas continuando a derrubar templos, agora mais caros, menos significativos, contudo com a mesma violência do passado avassalador.
E com isso, os símbolos se tornaram dependentes de fatores humanos, não sagrados, dos quais aprendemos apenas como respeitar pelo rótulo, não pela origem natural para qual fora criado. Ou seja, nenhum símbolo atual – fora as seitas que tentam imitar o passado clássico – tem a mesma força de religar o homem com a divindade silenciosa, com o Num egípcio, do qual nasceram várias outras, empurradas por uma manifestação natural, não necessariamente humana. Caímos na vala.
 
O símbolo, adotado necessariamente pelo homem, antes colidia com seus interesses mais elevados, hoje, confunde-se com siglas, emblemas...  O que não é tão mal, se fizéssemos bom uso dele, assim como em guerras passadas nas quais o guerreiro, com um grande escudo, trazia elementos claros de seu objetivo reluzindo nas bordas, as quais nada mais eram que o seu próprio país estampado em forma de um dragão, espadas em forma de cruz, flores vermelhas a representar a guerra, enfim, símbolos que davam medo e na maioria das vezes respeito.
O que nos falta, hoje, além desse respeito, nada mais é que a reverência natural do homem ao símbolo. Sem esta forma mítica de lidar com os mistérios divinos, seremos apenas...humanos (ou não), simples seres informados, automatizados, presos a um mundo acreditando que somos o maior de todos os símbolos.

 Temos que ter humildade.

terça-feira, 13 de outubro de 2015

(Meses depois...) A Semântica do Simbolismo.


Tudo porque passamos tem um significado, nada é em vão; por mais abstrato que seja, sem cores ou com cores a mil; por mais que o concreto e sua matéria estejam maciços em nossos ombros tais quais vermes que nos correm em túmulos, tudo, tudo é significativo...
A vida é em si um significado, ou melhor, um símbolo; todavia, somente o sábio o vê assim, e o que nos fica nada mais é que seus elementos que nos traduzem, entrelinhas, uma realidade que nos custa aprender. Assim viam os grandes do passado...
Quando me refiro à realidade, estou falando daquela que Platão falava há mais de quientos anos antes de Cristo. Daquela que dizia que somos sombras de uma realidade maior que se esconde em um mundo ideal, o mundo das Ideias. Um mundo espiritual talvez. Não sei. Mas que nos detém a importância de nos fazer repensar o que é o que nos apresenta a vida.
Nela, nesse enigma divino, somos obrigados a entrar em vias nas quais jamais nos adentramos, como partículas, elétrons, deuses, mitos, lendas, nos quais o raciocínio é tão limitado quanto uma criança que pega uma tabuada e quer já aprender tudo...
Há no entanto crianças benditas, com as quais aprendemos desde cedo que a tradição é o caminho, que tal conhecimento desse mundo invisível, porém real, é uma grande necessidade à parte em meio a outras necessidades humanas. Tais crianças seriam os sábios. E nós, nem nascemos.
 
Os símbolos há em tudo. Nas rosas, no mato, nos vermes, nos fossos, nas ruas, na chuva, no sol, nos gestos de amor, carinho, paz, guerra, morte, louvor, enfim, o símbolo, em si, retrata uma realidade que, como disse, o racional pede para compreender e não consegue, mas é explicado por uma rosa dada à amante, ou mesmo jogada ao túmulo; pelo lenço de uma dama, dentro da camisa de um guerreiro, quando se vai a uma batalha... E muito mais.
Assim, nos seguem os questionamentos acerca da necessidade do símbolo em nossas vidas. Nos quesitos religião, política, família, sociedade, grupos, enfim, nação, precisamos demonstrar de alguma forma a relevância pura nas cores do um país, a fortaleza de um grupo, o caráter de uma sociedade. Tudo.
A essência do passado nas religiões, quando nos deparamos nas devoções de fiéis, os quais se igualam aos peregrinos gregos em homenagem às deusas, aos deuses, nada mais é que um dos ritos mais simbólicos e mais profundo de nossa história.
A tentativa de entender o misticismo por trás da pedra talhada, a qual bordada com parcimônia vira um santo ou uma Pietá; da cruz, que entrelaça os dois sentidos universais e humanos – o horizontal e vertical, a simbolizar a fragilidade humana e sua busca pelo alto.
E quando olhamos o sol? Não sei, mas os grandes egípcios, com sua formação bela e sagrada a respeito dos deuses, diziam que por trás do grande deus esférico, havia um outro, o qual era simbolizado por este, que se incumbe de nos queimar por fora. Enquanto o outro, por dentro.
Isso nos remete ao mundo das Ideias, de novo.

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Pedras e Esculturas

O Poder do Símbolo (v)


Sinto-me triste ao ver as grandes esculturas do passado sendo tratadas com desdém. Talvez a palavra não seja essa, mas o que me passa pela cabeça é que, a cada dia, damos passos para trás, em direção ao nada. Um movimento que só se repetiu na Idade das Trevas, na Europa Ocidental, quando padres da Igreja católica proibiam, com suas persuasões terroristas, qualquer questionamento em relação à cultura anticristã – leia-se, aqui, tudo que não havia o nome de Cristo.

No entanto, muitas culturas se sobressaíram, nessa Europa medieval, e conseguiram enganar o postulado. Hoje, em forma de Igrejas fantásticas, de basílicas, de esculturas de heróis, de deuses, sobrevive a Europa de agora.

Todavia, ainda se é proibido – dentro de outra semântica – falar das mensagens que essas esculturas nos trazem do passado. Não há nada de vazio. Nelas se guardam sacralidades, significados profundos; nelas, nos perdemos só de pensar o porquê ainda brilham acima das esculturas modernas de nosso século.

A verdade é que elas escondem uma espiritualidade, um caminho para a compreensão humana, e mais, um caminho àquele que um dia se iniciou e teve que seguir o seu próprio.
Não é apenas uma escultura nua, a demonstrar homens ou mulheres antigos, com físicos avantajados, como de combatentes eternos de guerras clássicas, não. É uma realidade que podemos introduzir em nossos sonhos, plasmar, realizar, como um mito que observamos de longe e agora, concreto, fazendo parte de nossas vidas.

Então... não nos perguntamos do porquê dessas fantásticas obras a céu aberto, que, como músicas de pedra, nos intimidam e ao mesmo passo nos reacendem a alma, propiciando questionamentos até mesmo infantis, porém, que tocam o cimo de nossos sentimentos, alcançando seu apogeu, lá no mais íntimo do grande curioso, que somos nós.




domingo, 16 de agosto de 2015

O Poder do Símbolo (iv) - O poder do sábio.




Dizem que os sábios, os conhecedores dos mistérios ocultos, não precisam ler grandes livros, nem mesmo viver entre os homens para se integrarem em comunidade, ou sociedade, para aprender a lidar com a vida. Eles leem na Natureza o comportamento simbólico do Todo -- de Deus. E essa Energia que perpassa  quente nas entranhas psicológicas desse homem-Deus, não é a mesma que conhecemos...

Contudo, como diria a tradicional sabedoria, temos a eternidade, temos o Tempo, temos nossas vidas, dentro da grande Vida, para aprender o que somos, para onde vamos e porquê, tudo em nome de um conhecimento que nos aclara os sentidos, alma, em direção ao grande Espírito.

O sábio não nasceu sábio. Ele já viera do grande Darma -- linha imaginária da qual se retirou as grande leis do  passado, principalmente na Índia clássica, -- que o julgou e o fez um homem-Deus. Ou seja, dentro de uma tradição, podemos filosofar a respeito do que foi feito por ele, seja como homem, seja como pai de família ou um profissional -- sapateiro, lavrador, agricultor... -- sempre com um intuito de elevação interna, em sacrifícios (sacro ofícios), ou mesmo em batalhas pessoais, em guerras consigo mesmo, vencendo o mal que dele foi exigido.

Provas temos de avathares como Buda e Cristo, que venceram a si mesmos, e provaram de sua coragem dentro de suas realidades, dentro de circunstâncias que homem comuns, as vencendo, tornam-se deuses de um momento a outro. Não foram, entanto, homens normais tais seres que são lembrados diariamente por seus fundamentos --- palavras, ensinamentos, superioridade -- foram serem que já vieram de tentativas e práticas evolutivas.

Temos que vencer o nosso mal constante, sem alimentá-lo. É o que fazemos. Alimentamos um cão, e queremos nos livrar dele. Uma filosofia perigosa que pode nos fazer perder nossa sensatez e direção ao sagrado. Se não queremos o mal, não o praticamos; se não queremos maçãs, não a comemos, se não queremos bananas, não devemos plantá-las...

Isto é, se queremos vida, pratiquemos a vida, se queremos a paz, que a pratiquemos, se queremos amor, por que não deixemos de falar nele, e começamos a entendê-lo? São premissas que no passado eram tão simples quanto visitar um jardim; mas tornamos tais questões perigosas, dentro de sistemas que pedem hipocrisia para viver . A verdade se tornou supérflua. Não nos liberta tão facilmente...

A Verdade se tornou moeda de troca: me mostre a verdade e eu te darei minha casa, minhas moedas, minha vida! Não somente a verdade, mas também o próprio Amor, que, como um Deus abandonado, observando de longe os horrores em seu nome, foi relativizado, individualizado, morto por nós nas ruas, nas canções, em nossos sentimentos, em tudo..

Como diria Kalil Gibran, filósofo, "O Amor, ele pode te abraçar, mas, cuidado, em sua cintura, guarda-se uma adaga que pode te ferir".. Aqui, ele critica o amor do homem, que virou uma arma contra ele mesmo; mas ressalta, "Não diga 'eu tenho amor', e sim o Amor me tem", pois, na verdade, estamos dentro de um conjunto universal de partículas cuja semântica nada mais é que unir o Tudo ao Todo. E nós, ignóbeis, não entendemos, pois matamos o real Deus, que, segundo o grande Platão, foi um dos primeiros deuses a surgir.

Enquanto não somos sábios, vamos ler mais clássicos, tentar interpretá-los na medida do  possível, tentar criar uma ponte entre eles e nós, dentro de nossas vidas, com uma praticidade natural, sem dor, sem esforços, sacrifícios, nos sentido cristão da palavras, mas com muito amor, desejo, vontade e alegria -- assim como faziam os construtores das grandes pirâmides.

Vamos construir a nossa, devagar, sem pressa, levando tijolo por tijolo a nossas almas, com fervor de um herói, com ideal de um romano! Ainda sim, iremos cair, levantar, tentaremos desistir, porém, uma voz divina do grande Espírito, a grande voz do ideal, irá sussurrar em nossos ouvidos e voltaremos como formigas incansáveis, incompreensíveis aos olhos comuns, e, enfim, seremos, dentro de nossas possibilidades, um pouco sábios.





Precisamos deixar o relativismo de lado. Busquemos o infinito dentro de nossa alma. Ele vai nos levar a universos imensos, nos quais nunca imaginamos estar.

A Parte que nos Falta

"É ótimo ter dúvidas, mas é muito melhor respondê-las"  A sensação é de que todos te deixaram. Não há mais ninguém ao seu lado....