sexta-feira, 27 de novembro de 2015

"Ontem eu vi, hoje eu sei" *











Não se pode mudar o Cosmos – mudando, acrescentando ou dando-lhe algo; nenhum mestre o fará pensar ao contrário, mesmo porque nada se acrescenta a Deus, pois não se tira ou se dá ao ouro, pois sempre será ouro.


Nas estrelas que brilham solitárias, nos planetas que respiram pela gravidade eterna, pelo silêncio das explosões dos universos, pelo amor que sonda o início e o meio e o fim das eras, acrescenta-se apenas o que se nasce todos os dias, os átomos – tão invioláveis quando sua semântica que o faz aparecer por meio de outro átomo, e assim por diante.


O Cosmos é Deus, e Deus é o Cosmos. Não há como saber sua extensão, seu Amor, sua Justiça, sua Verdade, pois estaríamos como frívolos grãos de areia a compreender o mar bravio, que não cessa, que transforma, que move a vida.


Mas dentro de nós correm tantos átomos, tantos mares quanto se pode contar em uma vida, e dentro dessa vida, agora tão microscópica, singular e protegida, mais mundos há. Por isso, busquemos em nós a paz tão almejada pelo maior dos humanos, ou pelos mestres que moram em nós, que reivindicam o conhecimento interno, que nos fazem melhores  a partir de nossa religiosidade – a única que nos pode fazer humanos.


 
---------------------------------

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Artur. O Mito que Chama (iii)

Parcifal 










A força mítica da história talvez não esteja no Rei Artur, mas em um escudeiro que se preparou, graças aos seus sonhos, em um grande cavaleiro. Não falo ainda em Lancelot, o braço direito de Artur, mas de Parcifal, um adolescente, que em meio à floresta (novamente!), consegue visualizar, de longe, cinco cavaleiros que, segundo conta a lenda, foram inspiração para o jovem se tornar de neófito à figura mais profunda do mito.


Parcifal, ainda cru em sabedoria, teria se assustado, como uma criança, ao ver os grandes cavaleiros de Artur a cavalgar belamente no meio da noite. Após isso, fez o possível e o impossível para que se tornasse um deles.


Deixando família – casa, mãe, pai, irmãos, os quais já tinham lutado como cavaleiros no passado – se embrenhou no mundo e conseguira encontrar donzelas, homens de ideias estranhas, cavaleiros sem rumo, mas, Parcifal, em sua trajetória, sabia que jamais deixaria de realizar seu maior objetivo... Ser um cavaleiro de Artur. E conseguiu.


Após defender causas honrosas, até mesmo a Guinewer, a rainha, passara a se portar como um dos principais personagens da história que demonstraria o papel do crescimento do homem, ou melhor, da adolescência à fase adulta.


Parcifal era o símbolo da pureza, do homem que ainda não tinha se contaminado com as agruras da vida. Por isso, seria o próprio Ideal Humano, pois nele resguardava-se apenas sonhos, perseveranças, paz, de modo que se assemelhava a um rio ainda não percebido pelo homem, portanto límpido.


E em sua jornada, em ser um grande cavaleiro, nosso herói percebe que é preciso lidar com a parte humana, cadenciá-la, canalizá-la ainda que o perigo seja grande. Não era nada fácil, pois a corrupção estava em qualquer lugar do mundo, em forma de donzelas e até mesmo de cavaleiros do mal, mas ele, no entanto, belo por excelência, conseguiu lidar com tudo isso graças a grande educação que recebera de sua mãe, Dor no Coração (nome da mãe).


E por ser filho de um grande cavaleiro, ficou mais fácil ou pelo menos melhor para enfrentar as lhanuras do mundo. Assim, depois de muitas cavalgadas, descobriu que seu coração precisava se completar. Precisava de uma mulher pela qual lutar, cortejar, tornar-se homem.


Aqui, somos buscadores dos mistérios humanos, da parte que nos prepara para a elevação, assim como um príncipe nos contos que necessita lutar por uma princesa, a matar dragões, monstros, enfim, passar pela parte psicológica do passado e ganhar a consciência maior.


Parcifal encontra Artur, quer lutar por ele; quer subir, ser cavaleiro também; Parcifal precisa de referenciais, caso contrário volta para casa, e volta a ser apenas um sonhador. Essa prima consciência do herói nos torna mais humildes, mas ao mesmo tempo nos faz entender que precisamos deixar de ser um pouco Percival e enfrentar o maior mal de todos. O cavaleiro vermelho.


 Cavaleiro Vermelho


Este ser belo e ao mesmo tempo amplamente simbólico nos faz buscar o que somos e o que temos em nós mesmos, e reconhecer que temos ainda pedras a remover em nossas almas. Este cavaleiro para alguns é a parte mais difícil de enfrentar, pois estamos falando de uma personalidade que vive do passado, e se fortifica a cada instante pelo que deixamos no caminho. É a contraparte de Artur.


Para outros, é a melhor forma de crescimento, simplesmente pelo fato de que é a última indagação a ser feita antes de se tornar homem. Por isso, enfrentar o Cavaleiro Vermelho, que inflama nossas mentes, e nos pede duelos nos quais sempre vence, é buscar, como dizia Blavatsky, passar pela porta de papel – ou pelo menos, uma delas! – pois é apenas uma forma não real, imaginária, que construímos ao longo do tempo, e que se tornou forte tal qual uma pedra.


Parcifal enfrenta o cavaleiro, encontra sua ou metade, e tem o aval de Artur para ser um dos seus.

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Artur. O Mito que Chama (ii)

A iniciação








Quando Merlin, o grande mago, nascido das mais místicas casas de iniciação, aparece na vida de Artur, percebe-se que não é mais o pequeno Artur, o adolescente, que se indigna por maus caminhos, nos quais se deve se passar; sabe que os mistérios se faziam em concreto, na forma de um mago que mudaria a trajetória, desde a espada presa na bigorna, até sua ida para A ilha das Deusas.


O Ponto culminante, no entanto, na história de Artur, agora o homem, o destinado, é a retirada da espada mítica, vinda da deusa do Lago, com fins de fazer apenas o Bem, abrindo frestas, mares, florestas, enfim, tudo que se assemelhava a caminhos esquecidos, apagados, os quais seriam abertos pelo rei.


Artur, ainda o auxiliar de cavaleiro, um mero escudeiro, que zelava pela espada do adotivo irmão, a deixara escapar das mãos, e lá na frente, quando a vira (ou pensando que fosse ela) encravada numa pedra (a história real diria uma bigorna), a retira da forma mais simples e pura, sem refletir, sem a corrupção ou mesmo interesse próprio...


Ele havia retirado Excalibur, a espada que teria sido do seu pai, e por ele corrompida, mas trazida de volta por Merlin, o que teria dito “Aquele que retirar a espada da pedra será o Rei”. Uma dor de cabeça àquele ser que nascera para governar a terra, o mundo, ou pelo menos um reino que simbolizava o universo humano. Uma experiência que levara Artur a sujeitar-se a brigar com seus irmãos e amigos, os quais não o aceitavam ainda com um mandante, pela inexperiência visível...


Mal sabiam, todavia, que tal falta de prática, nada mais era que uma necessidade, pois o grande cavalheiro, o futuro rei da terra, teria que ser puro, inviolável, casto em experiências das quais somente os grandes sabiam. Artur, por ele mesmo, ficou em transe, pois teria que mudar de modos, de pensamentos, de todos os atos que antes o caracterizavam adolescente...


E sua primeira lição foi indagar a Merlin, seu mestre, entre florestas (ou bosques) como um fugitivo de si mesmo, de tudo; e ali, nas entranhas da natureza, escutava apenas o bater do coração da natureza, em forma de grilos, lagartas, moscas... répteis, e sentia que por traz de tudo havia um principio do qual suas perguntas ainda balbuciavam em sair: o dragão.


Merlin dizia que ele, agora, fazia parte daquele ar, do coração imenso que batia naquela floresta, do hálito forte do dragão. Que Artur era o dragão. A iniciação tinha essa finalidade, de fazer o grande Artur a criar uma personalidade voltada ao Uno, de modo a sê-lo, e por ele lutar, como se fosse o Todo.

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Artur. O Mito que Chama




Acredito que todos já tenham assistido ao filme, ou lido um livro, visto um desenho, ou até mesmo ouvido alguma coisa sobre o mitológico rei Artur. Então não vou me deter em falar muito, apenas desmembrar psicologicamente a parte dele – desse mito – com vistas a fazê-los entender o que significa, ou pelo menos chegar perto a isso.

O Rei Artur se transformou em um símbolo maravilhoso, do qual tiramos nossas visões semânticas para uma vivência relativa ou para a compreensão universal do homem– assim o é quase todos os mitos, ao segredar a parte mítica, e revelando a psicológica, ou seja, dando margem aos homens de se infiltrarem em suas margens, pois não conseguimos adentrar em seu meio pela pouca ferramenta que possuímos.

O Peixe

Muitas histórias em torno dele, do Rei, e uma delas conta o inicio de sua adolescência, aquela fase na qual a maioria dos jovens mergulha em mundos misteriosos para sua ascendência interior. E Artur, um dia, ao sair do castelo, se perdeu em uma floresta (ou em um bosque, como sempre!), e viu um acampamento abandonado, com uma lavareda de fogo que supostamente esquentava seus possíveis hóspedes, os quais não se encontravam nela.

O Rei, que ainda balbuciava questionamentos, não teve medo de se aproximar, e viu, em uma vasilha, um peixe (símbolo da sabedoria em diversas culturas, entre elas a cristã) que ainda borbulhava pelo calor da fogueira que o tinha esquentado. Com fome, o adolescente pegou-o, levou-o até a boca e... Queimou-se. Tal atitude o fez largar o peixe e deixa-lo cair no chão.

Segundo algumas civilizações, o peixe representa a sabedoria, ou o início dela. E quando Artur, na fase em que se encontrava, se queima com ele (o peixe), temos que entender que há uma manifestação por parte da natureza em fazer com que passemos por situações extremas, nas quais o ensinamento nada mais é que entendê-la.

Artur, naquele momento, passava, como rei, pela psicologia natural dos homens, a de conhecer a vida, sua intenção, sua profundidade... Mas não conseguira de início. Por ser ainda frívolo em seu comportamento, que não seguia por completo a ordem natural do uno, queimou-se e percebeu o quanto queima quando não segue a grande disciplina da Vida.

É o conhecimento. Nele Artur vai mergulhar, vai ser um sábio, vai se imortalizar, mas naquele instante, se queimou, pois estava além de suas possibilidades entender a vida. No entanto, nada melhor do que da maneira mais impiedosa para entender que tudo tem seu tempo, e ele, assim todo o jovem, terá.

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Uma pausa para lágrima






Em meio a guerras de terror aos países das Europa, principalmente na França, agora mais do que nunca somos obrigados a assistir a outras guerras, a da audiência nas tevês, das opiniões  mais contundentes em relação aos conflitos, da política sem nervos a testar o ânimo humano, como uma grande cobaia, em um imenso laboratório, chamado terra.

A frialdade se esvai na incompetência de empresas que nos asseguram proteção em barragens, as quais não protegem nada, muito menos o ser humano. Lama. Mortos.
Destruição. Morte. Dor. Dissabor. Morte. É uma canção de ninar o demônio mais perfeito do imaginário coletivo, e ainda somos obrigados a ouvir as inenarráveis façanhas de um governo perdido nas circunstâncias.

Lembro-me, nesse contexto, de dragões imensos tomando vilas, cidades, entres outras sociedades, e o homem, sem o herói que há muito iludia o monstro, observa o céu em chamas, e com lágrimas roliças em um rosto sujo de cinzas, não consegue nem mesmo clamar a Deus. O que houve conosco?

Amanhece, e sol, maestro, em meio à dor, surge potente, carrancudo, raivoso, criminalizando a raça que matou a esperança, desfez a imaginação, os sonhos, e nos fez pisar em uma realidade inconteste. A esperança, no entanto, sempre há, não morre facilmente. Joga-se em frente aos caos, manifesta seu apelo de vida, ganha espaço no chão, caminha junto ao homem... e o faz respirar.

A esperança é a arte, a beleza, a simplicidade; são os pequenos mistérios que deram origem a todas as raças, e hoje, como sempre, levantar-nos-á do mal que criamos e dele não conseguimos sair. A esperança é a humildade, em forma de reconhecimento próprio, aceitação dos erros, e a beleza em reconhecê-los como seu, dando novas chances a si mesmo.

Em meio a essa guerra, que nos faz morrer aos poucos, sem ouvir o bater das asas do beija-flor, o roçar das pernas da borboleta, o sorrir da joaninha, o som dos raios do sol no mar, ouço o som de piano, cujas teclas soavam o mais clássico dos ritmos. Esse ritmo, tão diferente ao povo, que fora sujeito às tempestades sonoras, aos sons mais ensandecidos da mente humana, naquele instante, vibrava na alma dos anjos mal vestidos, rostos sujos, os quais sem nunca terem visto um grande instrumento, tornaram-se estátuas biológicas, e porque não dizer divinas.

Shakespeare talvez tivesse dito, em sua semântica eternamente analógica ao universo, “Como miseráveis que roçam a terra, e que em suas unhas sujas colhem o verme, viram Deus na face oculta da beleza, da qual saíra uma lágrima de dor”.

Uma dor inimaginável de paz, que alcançara a última nota no mais edílico lugar da alma humana, o que fez todos eles – aqueles humildes homens – acordarem num paraíso, sem virgens, sem mel, sem cachoeiras, num palco em que somente a música os tornava mais humanos.


------------------
* Acima, Jaci Toffano, pianista internacional, faz apresentações em vários locais no Distrito Federal.
 http://www.jornaldebrasilia.com.br/viva/653914/pianista-internacional-faz-concerto-em-locais-do-distrito-federal/

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Tempos de Guerra






É tempo de guerra, tempo de buscar a paz nos campos minados, junto aos companheiros veteranos, acostados nas trincheiras, no barro da chuva, que desloca a bota, a qual se enlameia, que nos faz pensar em casa, no café da manhã, nas lutas pequenas com a parceira, nas lutas de mentirinha com seu filho... Enfim, já estamos com saudades das palavras deslocadas que soam como perfume que inundam nossos dias.

Mas temos que andar, procurar e encontrar um abrigo, pois a guerra nos faz de formigas medrosas, as quais carregam rifles em vez de folhas. Tão pesados, tão donos de nossos martírios, que precisamos descansar antes da própria batalha.

Precisamos pensar, e não conseguimos. As bombas do inimigo são como uivos de lobos antes de virarem pó ao lado de nossas tendas; cantam com seus sons maravilhosamente horripilantes, e se não fôssemos soldados, partiríamos como crianças nos braços de nossos pais.

Sei que não estamos em guerra, mas deveríamos. Há muitas contradições em terra, das quais só se podem tirar as reais dúvidas, respostas, pela guerra. Hoje, com a nossa passividade, assinamos nossa morte, nosso desalento. Estou me referindo ao campo mais pútrido do mundo, a política, principalmente neste país cuja passividade me assombra.
Morremos aos poucos ao nos levantar e saber que há uma presidente que usou de artifícios poucos viáveis para pagar suas contas, as quais foram geradas de forma ilícita em meios políticos dos quais nada se aprende, apenas a votar e chorar mais tarde.

Nele, nesse último ninho de uma horda viral, temos um partido que fora escudo do povo, ou pelo menos pensei que fosse, a ser lança que se encrava em nossos intestinos, propositalmente, e, na grande mídia, somos apenas observadores frágeis a ofender o que colocamos e não conseguimos retirar, pois a chamada Democracia possui suas artimanhas naturais com vistas àquele que entra e só sai quando quer.

Nessa caverna conjectural, temos partidos que se assemelham a prostitutas, pois quanto mais se dá a ele, mas quer para satisfazer pouco seu desejo e muito  o do outro... Temos mercenários ex-presidentes que não saem do palácio do rei, pois acredita que o é, desde que contara sobre sua mãe na corte. Ele quer opinar, mudar, ou mesmo se enraizar com políticas hipócritas, nas quais somente o povo sem estudo acredita. Mal sabe ele que sua profissão natural era a de bobo da corte.

Temos senadores que deviam (devem) ser chefes de crimes organizados; presidentes que dariam inveja aos quarenta ladrões, pois roubam, levam, são descobertos, e ainda batem no peito dizendo “só saio quando eu quiser”.

São as nuances de um sistema falido, que nasceu para matar a criança quando nasce e desvalorizar o idoso que lutou desde o inicio para o seu país, na última guerra, dando-lhe mais guerras, a pior de todas... A dele contra o desrespeito nacional. Ah, esquecemos dos jovens que amam heróis pré-fabricados, sem honra, sem valor.
 
Senadores, deputados, ou qualquer palavrão que lhes podem ser natos, não correspondem aos seus sagrados conceitos, dos quais no passado aprendemos que tais vocações -- digo vocações não eleições -- eram demonstrar o real motivo de suas presenças, como ideais vivos, espíritos falantes, grandes heróis ambulantes. Hoje, crápulas, donos de bordeis, chefes de quadrilha, ignorantes que não sabem nem mesmo pronunciar seus nomes, fazem reverência a si mesmos, se intitulam faraós dos tempos modernos, os quais, ao contrário do grande homem clássico, não favorecem a ninguém, nem mesmo a si mesmo, pois, quando voltado ao interesse próprio, assassina qualquer possibilidade de crescimento de um cidadão, de uma sociedade, de um país...

Eu queria, por isso, ter levantado hoje, com a finalidade de ir a uma guerra, destronar falsos reis, verdadeiros tiranos, e colocar um grande homem que em mim nasce todos os dias. Aquele que anda em favor dos valores reais, sem partidarismos, ou mesmo a rotular minhas convicções com vistas a ter uma bancada evangélica, católica,.. Mas acreditando que Deus está em tudo, até mesmo em atos políticos, como no passado o foi. E talvez por isso sentimos tanta saudade.

Entretanto, se não temos uma guerra, ou mesmo uma batalha pequena que nos faça matar essa dor diária, participemos pelo menos de uma passeata, de uma carreata, buzinando, gritando, fazendo soar o máximo a voz que engasgada se encontra no fundo de nossa alma.

Ah... Nossa alma, tão presa ao seu cabresto, que morre às sobras daqueles admirados homens de bem que não têm medo, nem sentem dor quando policiais biltres partem como cães em cima de seus corpos, despreparados para a guerra cotidiana. Estou falando dos grandes educadores, os quais em um sistema mais ou menos razoável estariam ganhando o suficiente para o seu sustento, mas neste, no grande democrático mundo que criamos, os reais educadores são levados por policiais, violados em alma e profissão, a sofrer a dor que deveríamos sentir por eles: estão sendo maculados mais do que em países que o odeiam.

Fica em paz, minha alma, vai chegar a sua vez, e vamos partir para uma real guerra não somente em nome da paz, mas em nome de uma humanidade que precisa urgente acordar.

A guerra, por si só, já começou. Vamos à luta!

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Fundamentalismo sem Fundamentos





Mais um ataque na França, dessa vez em escala desproporcional às nossas fragilidades, ao nosso medo. Deixou-nos em pavor, como ratos em sua própria cidade invadidos por gatos assassinos e débeis, os quais, na espreita, esperaram que os pequeninos voltassem sua vida normal para depois voltar ao ataque.

No início do ano, nossos corações se sobressaltaram quando, em televisões do mundo inteiro, cenas de um terrorista, caminhando, portando uma arma automática, em direção a um guarda caído, friamente assassinando-o. O mundo inteiro, mais uma vez, dentro do seu inconsciente, no qual outras cenas mais frias adormeciam, foi obrigado a trazer à tona todas elas, não somente pela última, mas por outras que ocorreram em uma sexta-feira 13, que, tradicionalmente, é um dia em que todos ficam de forma lúdica atentos.

Esta, no entanto, não tinha nada de lúdico.  Veio à tona a dor e o desespero proporcionados pelos fundamentalistas, que se dizem religiosos, protetores da palavra de Alah. Se dizem, ainda, líderes de uma nova ordem mundial, baseados em façanhas no mínimo desumanas. E assim, por meio de seus atos, por meio do radicalismo extremo, traçam uma conduta que não faz jus a qualquer organização, lei, ou conceito se enquadrar em qualquer referencial...

E levam jovens de mentalidades revoltosas em relação aos seus países, ao seu nacionalismo, ao próprio mundo, e traçam radicalismos férteis de esterco dos quais nascem rosas negras, onde poderiam nascer amor ao ser humano, amor ao próprio país, por meio de um trabalho, ou mesmo de uma atividade simples na qual ganhar-se-ia o suficiente para suprir sua inquietude quando ao mundo...

Mas o jovem, como conhecemos, tem a mente fértil de desejos de mudar o mundo, e quando há mais mentes, talvez maiores, com premissas tão bem fundamentadas quando ao que o Ocidente ou mesmo Oriente faz, são hipnotizados por uma flauta, cujo artista nada mais é que um homem a comandar outras, e assim por diante, em uma canção tão triste, tão odiosa, mas ao mesmo tempo diferente, que fascina a mente dos desavisados.

E podemos sentir nas veias a canção, quando pessoas inocentes são baleadas, mortas, assassinadas em bares, em discotecas, ou mesmo tomando um café em uma determinada hora. Não estamos mais seguros.

 

Sabemos que a natureza nos prega uma peça de vez em quando, e choramos com desabamentos de rochas, de encostas em casas de pessoas humildes, e muito mais. Todavia, em termos mundiais, quando temos em nossa civilização grupos que não possuem sequer um mínimo de humanidade, e querem transformá-lo tal qual o caráter que possui, temos que rever nossos quesitos acerca da proteção aos inocentes, não somente fechando fronteiras, mas trazendo à tona a ideia de pátria, de educação quanto ao país em que estamos; levar jovens que não possuem escolaridade, empregos, a oportunidades de viver em função de um objetivo...

E é por meio deste que os fundamentalistas trabalham. Se eu odeio meu país, se ele não tem um plano para mim ou para minha família; se sou excluído dos planos do Ocidente, terei que repensar o que sou ante a tudo isso. E se há uma organização que leva em consideração meus pensamentos – ou melhor, se fundamenta nessas premissas, -- eu vivo por ela, ou melhor, morro por ela.

Sabemos que o sistema democrático não é um dos melhores – talvez o pior – mas ainda não resguarda em suas pretensões ser tão desumano, homicida, genocida... Enfim, estamos longe disso. Na realidade, há uma política voltada ao medo – como no conto do ratinho Despereaux, no qual todos os ratos são obrigados a temerem a tudo, desde o dia em que nasce até o fim. Apenas um ratinho, estranhamente, nasce com a vivacidade de um herói que quer transpor as ratoeiras, enfrentar os gatos, descer ao  mundo sombrio e enfrentar o caos.

E tenho a certeza de que estamos no caos. O medo exacerbado existe, e a falta de referenciais para enfrentar o caos é tanta, que só de falar nele pulamos para debaixo da cama. E os líderes mundiais sabem disso. Sabem que o medo nas reuniões nas quais engomados de termos temem represálias é tanto, que o outro caos, agora com pessoas saindo de seu país de origem, para morrer no mar, humilhadas em fronteiras, taxadas de terroristas, simplesmente pelo fato de a grande Europa amar reuniões, morrem todos os dias, ou viram sem-objetivo em seu próprio ninho, é uma consequência da inércia humana.

Enquanto isso, os organizadores do novo mundo, sem reuniões, praticam seus ideais de  morte, de crueldade, em nome de um salvador mal compreendido – Alah. Mal sabem eles que religião, em qualquer sentido, não somente no clássico, vem a ser uma forma de conceito que une você a Deus, e se houvesse Deus nesse ideal de organização jamais haveria mortes tão terríveis... Então, não me venham falar ou escrever acerca de pudor, se o próprio pudor lhes falta quando inocentes se vão.

Precisamos de ratos, quer dizer, de heróis!

A Parte que nos Falta

"É ótimo ter dúvidas, mas é muito melhor respondê-las"  A sensação é de que todos te deixaram. Não há mais ninguém ao seu lado....