quinta-feira, 14 de julho de 2016

Um Planeta Desconhecido (em nós).





... Após algumas experiências ligadas ao que nos perturba no bom sentido, sentimos que estamos enraizados em propósitos profundos, nos quais nos encontramos e nos sentimos mais humanos. É tudo que queremos, é tudo que pedimos aos céus, uma chance de nos definirmos como pessoa, não apenas em vontades relativas, mas também em vontades que nos fazem bem -- no mais profundo da palavra.

Não somente um dia, mas todos os dias, com aquele sentimento de abraçar o mais próximo, rendê-lo homenagens não somente por vencer, mas por ser um de nós, guerreiro, forte, objetivo, com sonhos latentes nos olhos, com fraquezas físicas, mas teimoso em sobreviver nas larvas de um mundo que, visivelmente, se acabará por falta de humanidade antes que um cometa o faça.

Nossas práticas humanas devem render sonhos, render exemplos, dos quais crianças e jovens possam se espelhar e por eles resolver o pouco (mas complexo) que a vida lhes oferecem; dar-lhes algum tipo de vontade de viver, apesar do sistema falho, cruel e covarde que se nos apresenta hoje, em forma de máscaras risonhas em aeroportos, em balcões de lojas ou em portarias de câmaras, ou seja, dizer-lhes que podemos sê-lo sim, mas sinceros, amistosos, felizes, com o pouco que se tem, mas jamais se perdendo em hipocrisias suplantadas em nosso caráter somente com o prazer falso de dizer... "bom dia", sem querer desejar.

A Felicidade existe, para inicio de conversa; mas em um planeta perto de nós, assim como na história do rei que implorou aos seus subordinados cavalheiros que fossem atrás da peça de ouro, um cálice, no qual resguardava-se a água benta, que lhe dava a juventude, a vontade interior de lidar com o mundo... Temos, sim, esse planeta, que nos revela o que somos, como sol, que nos ilumina particularmente, a nos trazer aquele sorriso pequeno, mas fértil de pureza e paz, e vida.

A felicidade existe, sim; e não é uma sombra que se apaga com o sol da horda dos outros que buscam o mal, como estrela. E como uma semente, que nasce, crescer e dá frutos, e tornar-se uma árvore belíssima, nos burla a alma, nos faz ter a certeza de que não somos apenas meros ambulantes (ambulare), ou morcegos que se alojam em árvores, para, de noite, fazer seu trabalho... 

Não sabem, pois, que até mesmo os morcegos são tão felizes em seu papel, que semeiam a terra na madrugada, a jogar restos do que colhem de suas casas ao chão, como meros ambientalistas solitários, a realizar o que o homem -- com toda a sua consciência total -- propagandeia e ainda faz errado.

Preciso falar do Entusiasmo...

Não há falar em felicidade sem falar em entusiasmo (en>theo> em Deus), pois é preciso tê-lo na medida que façamos algo voluntário (vontade interna), baseado em premissas quase ocultas, sem racional, apenas de forma semântica, mas precisa, determinada, sem questionamentos, com forças para modificar não somente o mundo, mas a você também. A felicidade reside no entusiasmo.

E quando me deparei com aquelas circunstâncias sobre as quais falei em textos anteriores, pude ser feliz um pouco, mas com uma intensidade que não posso descrever, mas posso fechar o caxão de meu físico -- espero que daqui a cem anos! -- a sorrir, indo para o planeta desconhecido.



Don Quixote e os Homens de Pedra





... Continuando com minha saga-suga, posso dizer que essa que vou expor--lhes é uma das mais incríveis partes da minha vida em que pude perceber o quanto sou -- ou pelo menos no instante em que ocorreu o fato, fui -- louco, precipitado, mas ao mesmo tempo, de acordo com um prisma melhor, fui justo. Esse atributo, no entanto, como posso adiantar-lhes, não foi fruto de uma consecução racional baseada em preceitos familiares ou mesmo social -- foi mais que isso --, foi Kanteniano.

Eu morava em uma rua de minha cidade, nela havia vários condomínios alugados e eu, por mais crível que não pareça, fazia parte de um desses aluguéis. Tinha ele dois andares, sendo que o primeiro era residido por um casal de mais um menos vinte a trinta anos de idade, e uma criança linda, com seus oito anos.

Nesse condomínio de tudo acontecia; pauladas, visitas loucas, pancadas, violência, família desencontradas, show de prostitutas na madrugada, enfim, graças as deuses, tudo passou. O que ficou, no entanto, foi apenas um ato. Um desses que jamais em minha pobre vida pensei que iria acontecer, em razão de minha alienação pessoal em relação aos problemas alheios -- até aquele dia. Ou melhor, até o texto anterior!

Na parte de cima, meu filho, minha esposa, uma babá que cuidava de nosso filho durante a semana, e eu, este que lhes fala. No mesmo andar, repartindo conosco a metragem do terreno, um outro casal de cidadãos piauenses, os quais  não davam as horas antes de se perguntarem um ao outro. Mas eram pessoas boas, e isso é o que importava... 

Todavia, naquele dia (calma, vou começar), eles estavam tão assutados quanto gatos dentro uma carrocinha cheia de cachorros, pois não conheciam minha cidade -- e eu, sim. Seus modos, pensamentos, atos, restritos apenas ao que faziam, me fazia pensar e muito antes de soltar qualquer piada, ou mesmo iniciar qualquer conversa. E foi assim que os conquistei. E eles a nós,

Entretanto... ninguém se conheceu no dia em que o andar debaixo quase foi abaixo. Era Copa do Mundo, em 2010, e eu tinha comprado uma TV 42', e meu filho, Pedro, espantado com os fogos, dizia.. "Pai, fogo! Pai, fogo", se referindo aos estrondos do lado de fora, os quais se pareciam com bombas na França! Mas naquele dia...

No dia em que o famigerado dono do apê debaixo iniciou sua sessão de Muai Tai, tendo como sparring sua própria esposa... O barulho foi tão grande, que meu filho, ouvindo, cochichou aos meus ouvidos, "Pai, fogo, fogo!". Para quem não sabe, sparring é aquele que leva surra de graça nos treinamentos de lutas profissionais, como boxe, judô, caratê, MMA... etc. E, ao meu ver, a esposa do covarde estava sendo alvo de uma injustiça, que, mais uma vez, eu presenciava.

Vidros se quebrando, mulher gritando, criança chorando, e um marido dizendo "Eu não te traí, não, sua vadia!!". Meu peito se encheu de dor, minha cabeça se mergulhou num mundo confuso, meu coração disparou, e logo liguei para a polícia, a narrar o que acontecia naquele contexto. Minha esposa, ao ouvir também, não queria que eu me metesse no conflito, mesmo porque, segundo razões populares, ninguém se mete em briga de casal...

Entretanto, não pude pensar assim. O que passava pela minha cabeça era a figura de uma mulher indefesa sendo espancada por um ser, cuja barriga me parecia mais um tanque de lavar roupa, e uma cabeça de paraibano, louco para pegar em um facão. Imaginei uma criança em meio àquela loucura, correndo para cima e para baixo... E então...

Fui ao vizinho e pedi a ele que descêssemos e dessemos um jeito naquilo. Sob argumentos falhos de minha esposa, a dizer que não valia à pena, de que  a mulher merecia tudo aquilo (pasmem!), conversei com o casal do lado, por fim. E com um gesto estranho, para não dizer engraçado, o vizinho foi sozinho, a correr os quatorze degraus que nos separava dos debaixo, e não ficou mais que dez segundos de tempo, como se o tempo da descida fosse o mesmo da subida!

"chame a polícia mesmo!", disse ele. "Está tudo quebrado lá embaixo!"... Mas eu já tinha feito o chamado, e a infeliz não tinha sequer pensado em chegar. Enquanto isso, pauladas, gritos continuavam, e o tempo passava...  passava... e todos afoitos, "Você não poderia ter chamado ninguém", disse minha esposa. "Agora, vamos ficar com cara de tacho, de bobos, e eles, nem tão aí pra gente!"... Foi quando eu me revelei, "Você só pensa nas opiniões, no quem podem pensar de nós, mas se ele mata a esposa?"

Duas horas depois...

A polícia chegou. Todos calmos. Ouvimos o policial pedir explicações ao casal, que, com as mãos dadas -- deu pra ver --, pareciam duas ovelhas no frio, se enroscando uma na outra. "Por aqui está tudo bem, policial"... "Pode ficar em paz", disse o barrida de tanque, covarde, que, com certeza, adestrou a família em seu favor. Os policiais, assim, como pedras a fazer seu trabalho -- de rolar o chão sem questionar nada, se foram, sem mesmo nos procurar. O mais importante é que ela, a mulher, estava bem.

Assim como no primeiro caso, este segundo me fez ser alvo de críticas em razão do meu comportamento; mas não tive medo de ligar para os policiais, e mais, iria sozinho se pudesse, se  os policiais demorassem mais. E isso, de pronto; sem pensar. 

A Justiça, a Ética, a Moral devem ser nossos espelhos, referenciais, nossas sementes... E se eu quero um mundo melhor, não posso deixar de mão tais valores.






quarta-feira, 13 de julho de 2016

O Cachorro, o Menino e Don Quixote




... Muitos me conhecem pela minha fragilidade física, mas também pela minha vontade anormal. Não tão anormal, claro. Mas, de vez em quando, ela se tangencia de seus limites, indo além. Quando no texto anterior me referi a atos sagrados, nos quais poderiam refletir a Justiça, a Ética e a Moral, não fazia alusão apenas a algo teórico, mas prático. 

Em minha pobre e insignificante vida, digo isso porque poderia sê-lo maior e melhor em razão de certos carmas físicos que carrego -- pude demonstrar que, mesmo com o pouco que tenho, mover uma pedra em favor da humanidade, ou mesmo de algo que brilha no alto de nossas cabeças -- estou me referindo às cadeias universais que englobam a totalidade do cosmos.

Falo dos dias em que temos aquele sobressalto natural e humano, que nos faz um pouco melhor em nosso chão, a fazer um pouco melhor do que as formigas, ou melhor do que o animal cujo instinto nada mais é que uma esfera que a eles comanda. Explico: temos o instinto, mas podemos superá-lo, elevá-lo e torná-lo nosso subserviente quando podemos.

E quando esse instinto se faz escravo, e nós, o seu senhor; quando as emoções se elevam, em questão de segundos, quando seu corpo para de reclamar em nome do conforto, quanto sua mente, em nome de vários inconscientes, não pede, nem mesmo raciocina; quando tudo que está ao seu redor possui a comunhão com o seu eu -- de forma que não saibamos lidar com isso racionalmente --, ou quando sentimento de equilíbrio em nome da Justiça lhe toma... Não se pensa. Se faz. E pronto.

O cachorro e o menino

Eu tinha um pastor alemão, lindo, de porte grande, obediente, dócil -- para os familiares, mas para os demais, não. Chego a dizer que envelheceu sem precisar ser domado, como a maioria dos cães pastores devem ser. Hórus, seu nome, tinha ciúmes do dono, da família, e amava ficar ouvindo histórias de namorados no portão de casa.

A vida para ele foi injusta, ou como poderia dizer filosoficamente, justa, pois fez seu trabalho, e cumpriu seu ideal de cão. Hórus foi obrigado a ser levado para zoonoses, pois tinha problemas no pêlo, que passou para o resto corpo, e teve que ser levado às pressas para morrer na agulha. Segurei meu choro.

Antes desse cachorro, desse grande ser, nasceu Lucas, meu sobrinho, que, à época, tinha seus dez anos. Os dois (cachorro e menino) se davam muito bem. Dias de glória. Dias em que colhíamos histórias engraçadas, ao passo didáticas à criança, que sorria, chorava e fazia peraltices em nome de seu crescimento...

O Justo

Um dia (calma!) eu,  o cachorro e o menino saímos do portão, ganhamos o mundo a fora, e isso em uma noite bela, em que luzes e holofotes nos iluminavam em nome de algo que nos iria acontecer. Uma noite, somente uma para ficar em nossas mentes, até mesmo na do cachorro, que, naquele dia, estava saltitante e nervoso...

Talvez estivesse ele a farejar o que eu e o menino jamais o faríamos. Injustiça. E lá longe, com um brilho fosco, ela irradiava falha, mas ficara mais forte quando dela nos aproximávamos: uma senhora de mais ou menos quarenta anos era espancada por dois homens, em frente a um bar, situado ao lado de uma oficina, mas que na hora não havia tanta gente, apenas homens bêbados, vulgares, miseráveis, pobres em sentidos completos, a não fazer nada quanto ao que ocorria...

Nesse mesmo dia, eu me desconheci. Com um celular na mão, com o cachorro na outra, e com o menino Lucas do outro lado, à direita de meu braço, gritei : "O que é isso?? O que vocês estão fazendo??", como um demônio louco, gritei e a assustar o ato covarde dos desafetos, cheguei com o cachorro, que latia mais do que devia, com força suficiente para sair de minhas mãos e pular em cima dos dois biltres!

Lucas, o menino, disse "ligue para polícia, tio!", e assim, nervos à pele, coração saindo pela boca, dei o celular a ele, que discou, discou, e nada conseguia; enquanto isso, em meio ao clima tenso, tentava dizer algo que os fizesse parar com a violência -- e pararam. Sem saber o que dizer, disse, "Olha, eu tenho influência por aqui, e posso colocá-los na cadeia, posso sim!", e, como dois desinformados, deixaram a coitada de lado... deixando-a falar: "Eles são meus irmão, mas são covarde, eles não me deixa em paz, e estão me batendo!"...

Nem sei se a ouvi, mas pedi que ficasse perto de mim, num ato de proteção. Ela agradeceu. Os dois, na tentativa de justificar o injustificável, disseram "Ela é uma vadia, ela é nossa irmã, ela tem que ir pra casa!"... Diante do que ouvi, fiquei frio, pedindo ao cachorro para se acalmar (em vão), e insistindo ao Lucas que falasse com a polícia -- era mais fácil baixar uma nave espacial por ali e nos levar, trazer, etc, do que a polícia chegar...

A violência passou. Peguei o celular e teatralizei uma conversa com um policial. Depois disso, os três, com medo, se foram. A noite passou. Cheguei em casa, contei aos meus familiares, o quais não tiveram palavras, e fui dormir. 

Mais tarde, me perguntei do porquê fiz aquilo. Não soube me responder. Só sei que minha alma se mostrou ou mostrou algo que jamais poderia repetir, se por um momento eu pensasse, calculasse, ou agisse de alguma outra forma.

Hoje posso dizer... Dever cumprido.




terça-feira, 12 de julho de 2016

Até Mesmo as Pedras Se Movem




... Continuando...

Olhar ao espelho, observar bem o que somos. Refletir acerca do que semeamos, colhemos, enfim, é um grande exercício para quem quer mudar sua persona e transmutá-la em favor de algo. O que nos cabe aqui é teorizar o máximo a respeito dela, de nossa persona, no sentido de elevá-la, não diminuí-la. Não adianta, no entanto, ficarmos a "ver espelhos" pelo resto de nossas vidas. É preciso encarar a si mesmo, dar passos, realizar, a enfrentar crises, dores, guerras pessoais -- ou não, a poder, quem sabe, até as externas, mesmo porque quanto queremos mudar há sempre alguém ou algo que nos impede.

Um dia (de novo??) um grande professor nos disse, "já percebeu: quando dissemos a todos 'ah, amanhã vou começar um regime sério de emagrecimento, vocês podem ver'". A partir dali, "vocês nunca emagrecem, jamais iniciam qualquer coisa!" -- e prosseguiu. "Outro dia um amigo me disse 'cara, nunca mais vou beber na vida, não aguento mais minha mulher reclamando! Noutro dia, adeus promessa, pois amigos de vários lugares o convidaram para uma despedida de solteiro!"... 

A partir dai então queria nos dizer que temos que ser "Kantinianos", ou seja, se temos um propósito, seja ele qual for para nosso bem, ou visando outros bens, não podemos escutar premissas relativas, nem mesmo nossa persona. Não há tempo para isso, disse. Temos que fazer, e pronto. 

Para afincar mais, darei outro exemplo: se em sua casa há um almoço em que nele serve-se feijoada, e depois desse almoço sua cozinha torna-se um inferno pós-festa, não se pode deixar questionamentos pessoais ou familiares tomem conta de sua consciência. pois, assim, sempre haverá espaços para dúvida, e a cozinha... enfim, vai dormir suja. Vamos lavar a louça, o chão, passar panos nas paredes, varrer a casa inteira, e sorrindo, beber um bom vinho após tudo.

O cansaço?? Não há tempo para o cansaço. O bem, elevado à máxima potência, incriado, fomentado em fogos puros, não admite pensar em dores, ou qualquer coisa, a não ser no próprio bem.

Assim o somos, ou pelo menos devíamos ser em relação aos nossos objetivos, projetos e ideais. Todos eles regados de certezas ao bem, ao correto, ao sagrado, ao Eu. Sei que nem mesmo os heróis do passado seriam assim, mas sei que poucos o foram em razão dessa certeza que um dia o fizeram o que foram: heróis. Modificaram sociedades, mundos, e educaram civilizações sem a mínima intenção de fazê-lo (ou, sim, talvez) e atravessam épocas desde que olharam para si mesmos e se moveram para um grande ideal.

A olhar para trás e a seguir tal premissas podemos nos encaixar como heróis, não em vencer batalhas, guerras, mas em nome de algo que possa fazer diferenças em nossas vidas. Um ato. Somente um ato pode dizer o que somos. E quanto me refiro a ato, penso naquele que um dia nos faz seguir a lei maior, regada de sacralidade: ética, moral, amor, justiça, verdade, paz, temperança, vida, união, integração..



Pergunte as pedras!




Cegos e Guias




...Locupletando nosso texto anterior,

podemos dizer que não entendemos bem essa natureza ideológica que nos foi concebida desde que nascemos. Sempre nos questionamos em relação a ela. Por que nascemos, o que fazemos, por que fazemos, para onde vamos... Enfim, as mesmas questões que nos afetam a consciência e depois ao racional, mas depois nos abastecemos com simples respostas, de modo a não "cansar nossa beleza": - nascemos porque nossos pais queriam, ou mesmo, porque Deus quer "algo" de você, e quanto ao fazer, é o seguinte: trabalhar sempre com vistas as responsabilidades familiares, profissionais, religiosas e morrer com vistas a um paraíso, com lagoas brilhantes, virgens sedentas, cascatas de mel, ou como diria o bom cristão, para ficar ao lado do bom Jesus...

Seja qual for o motivo que nos faz vir ao mundo, temos que repensá-lo, refletir acerca de nosso papel, observar as leis, praticá-las, e em nossa medida, sermos justos, verdadeiros e bons. Mas, com o tempo, mesmo com toda essa filosofia básica da qual tiramos nossos leites e cafés eternos, às vezes, um bolinho, saímos do foco, e como os transformers (carros que se transformam em robôs com cara de taxo) da parte do mal, ou mesmo como um ex-fiel discípulo de nossas virtudes, caímos no desvão, nos arrebentamos e caímos na matéria, literalmente.

Pontos que nos fizeram o que somos, nos deram questionamentos e respostas ao todo, agora se revelam frágeis pelo simples fato de o colocarmos de cabeça para baixo, como um espelho que há muito refletia o sol, agora reflete nossas debilidades. Amamos. Adoramos a terra, seus vermes, as sementes do mal, os desejos, suas elucubrações a respeito dos seus habitantes, e nos esquecemos de nossos ideais celestes, aqueles que nos trouxeram.

Lembrar deles, voltar a tê-los, encarnar suas práticas, ensinar ao próximo, sentir não apenas no corpo, mas obter as sensações a que os estoicos chamavam de virtude da alma, mas se não podemos, se não conseguirmos, não quer dizer que devemos descer as escadas, voltar a sermos matéria, animais, vermes; e sim, tentar entender o que deu errado... Provavelmente um vaidosismo, uma pequena ganância que virou uma cratera lunar em nosso caráter.

Dessa forma, em meio a esse "mapeamento" natural, que damos o nome de reflexão, podemos voltar e tentar entender nosso papel nesse cosmo, que nos trata como formigas preguiçosas, sem rainhas para as quais trabalhar, sem referenciais, sem reis... Mas, se olharmos para o real cosmos de nossos corpos, até mesmo aquele que trabalha dentro de nós, antevemos que somos muito mais que pensamos.

Célula

Um dia um grande professor nos disse, "Se uma célula do coração parar, é provável que ele tenha problemas", "É provável até que outros órgão tenham problema"...  -- Ou seja, se nos colocarmos como essa célula dentro do grande Cosmos, teremos quase a certeza de que não iremos mudar nada, ainda que doentes, desempregados, parados, frios, desumanos, mas dentro de nossa sociedade, grupo, seja ele qual for, ou mesmo família, teremos a realidade de uma consequência bem visível ante ao nossos olhos. 

Entretanto, estamos nos esquecendo de que esse grupo familiar se encontra dentro de outro maior, e assim por diante. Uma grande Teia (não alimentar), lotada de Cadeias, alcançando esferas além-terra, além-espaço, além sistemas, se interliga, se conecta, e em algum ponto -- lá no alto -- fazemos a diferença.

Tudo assim se inicia com referenciais, com boas leituras (clássicas, por gentileza), músicas, idem, pois nelas se escondem os mistérios da alma, da vida, da harmonia natural do homem com o homem. Tudo se inicia com a força motriz em relação ao seu ideal de humanidade, não de homem-macho, mulher-fêmea, mas de humano para humano, sem medo de buscar o que somos.




Por enquanto é isso.

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Dory e o Tubarão (fim)




...Não quero que meu filho pense como certos políticos que se acham heróis somente porque se reúnem para apreciar uma emenda, uma medida em benefício de uma sociedade. Não quero  nem mesmo me aproximar de indivíduos tais, mesmo porque somos feitos de carne e osso, e possuímos ideais humanos, dos quais tentamos passar o máximo de obrigações naturais a nós mesmos, quando nos deparamos com ele -- com esse ideal.

Não podemos ser aquela orelha, como diria o grande Marcus Aurelius, que pede aplauso simplesmente porque fez o seu papel de ouvir. Se fosse assim, os pés, por andar, as mãos, por acenar, os olhos, por enxergar, etc... E nós, como um universo, em meio a outros, a pedir e a implorar que nos deem medalhas, troféus -- como aquele cachorrinho que fez sucesso na década de oitenta, o Mutle, ao lado de seu dono, a dizer... "medalha! medalha" para tudo que fizer.

Na realidade, somos Mutles, e muito mais. Somos filhos do aplauso, do carinho após a realização mínima; do "muito bem", após um passo atrás do outro. E isso, em doses garrafais, nos faz ser viciosos, presos a alguém, a alguma coisa, de modo a nos fazer dependentes eternos do afago.

Antes de mais nada, acredito, ao saber de nossas ferramentas e possibilidades, dentro de um universo e seus mistérios nos quais nos encaixamos como luvas, seja como cobradores, varredores... cientistas, ou meros presidentes, não necessitamos de empurrões, a não ser o nosso. Sei que muitos são contra o que digo, mas... não podemos empurrar sempre ou mesmo ser empurrados pela eternidade inteira!

Temos nossas fases, nossos momentos, sejam físicos ou emocionais. Mas, por mais que acreditemos nisso, há adolescentes, adultos e até senhores de idade que precisam de auxílio por não terem a força ideológica para seguir sozinhos. Normal. Até o dia em que olhamos para o espelho e não conseguimos ver nada mais que uma pessoa vestida de sentimentos (além das roupas) alheios, os quais nos fizeram o que somos ou o que parecemos ser. 

É preciso olhar para o espelho e dizer... "Esse sou eu, e tudo que eu sou nada mais é do que aquilo que semeei e colhi com minhas próprias mãos"...  Assim, em um pequeno universo -- mas seu, somente seu -- no qual saberás levar a vida sem interrupções, sem ideologias emprestadas, ainda que válidas, mas são suas! O mais importante é ter o seu caminho, encontrado por si mesmo, dentro daquele parâmetro que você é, sem a consciência hipócrita acerca da política, das religiões, da família e do mundo...

Aí você me pergunta: "E os professores, mestres, sei lá... onde ficam nisso? seriam os terceiros?" -- Não. Não seriam. Quando Sócrates trabalhava a maiêutica nos jovens, a fazê-los entender a verdade e a justiça divinas, não estava a se colocar como o dono de nossas opiniões, mas nos direcionando em relação ao que deveríamos entender e ser, de modo que melhorássemos o que éramos (ou que eram os jovens em relação às suas sociedades...).

Ou seja, há seres que possuem a chave mestra para que cheguemos à nossa individualidade, ao nosso caráter real. A questão fica difícil, entretanto, quanto possuímos uma já formada personalidade em relação aos conceitos (dados), o que nos dificulta a encontrar nossos mestres, que vão nos abrir a porta para o que o que somos. É aquela questão do copo: se cheio demais, podemos esvaziar e pôr uma nova água. 

Nossos preconceitos, que ditam regras, nos viciam; nossos medos nos escondem; nossas cavernas nos confortam... então fica  ainda mais fácil ficar preso a valores modernos, sem os quais não caminhamos (abismo abaixo), como cegos, com guias mais cegos ainda.


Ah... A Dory e o Tubarão?? Eles não precisam disso. Já sabem o que são.





segunda-feira, 4 de julho de 2016

Dory e o Tubarão

Dory

Temos ideais, projetos, ideias, objetivos -- e todos eles, de alguma forma, parecidos. E quando bate essa semelhança, tentamos elevar todos eles à condição de espirituais. E podemos. Se observarmos bem, tudo que há no universo tem um objetivo, um ideal, um projeto... Enfim, não se pode fugir desse detalhe, que nos assombra todos os dias.

Esses dias, comentava a respeito de uma notícia que saiu em um dos sites mais vistos do planeta (não vou dizer o nome), e que fortificou minha reflexão sobre a manutenção dos seres vivos para com seu habitat, seu grupo, sociedade, mundo, e por que não dizer universo?

Nos cinemas, "Procurando Dory", continuação de "Procurando Nemo", tem levados milhões às salas dos Estados Unidos, fazendo com que os Estúdios Disney alertem a todos com relação ao quadro preocupante que se encontra o peixe "Dory" nos mares. Quer dizer, o medo de que possam todos ir atrás do peixinho, desfazendo, de certo modo, a cadeira alimentar na qual vive.

O medo é natural, é passível. Nesse caso, principalmente. Segundo notícias, após a animação 'Procurando Nemo', se eu não me engano, em 2009, várias crianças queriam o peixe palhaço, protagonista do "Nemo", para vê-lo em seus aquários particulares, o que fez com que houvesse falta em vários de seus habitats naturais, nos quais ele desova, nasce e cresce, e querendo ou não, é presa natural de outros peixes.

Bonito ou não, temos que respeitar a natureza das cadeias alimentares, mesmo porque fazemos parte delas e, mais na frente, de outra maior, na qual Todos estamos; bonita ou não, temos que apreciar a beleza, apreciá-la, e com ela aprender, refletir, nos envolver, nos comunicar, nos integrar, e saber nossos limites.

Tubarão







O homem, no entanto, surge como dono do mundo, se espelhando em deuses antropomórficos (como pessoas), além de obter vantagens, como ditador de uma natureza, a acreditar em sua inteligência natural, acima da dos animais, dos seres em geral, e por isso espalha suas nuances dignas de um rei atrapalhado.

Prova disso são os tubarões, os quais, graças a um filme da década de oitenta, ganhador da simpatia de muitos que já não gostavam de peixes grandes, mostra a proeza de um tubarão enorme -- nos parece mais um boneco empalhado, o qual se movimentava por controle remoto, a dar medo nas praias americanas, nas quais, no verão, são mais lotadas que vagões em época de show...

Destemidos, três homens vão ao seu encalço. E no final, o menos especializado em tubarões o mata, com um tiro, na boca, depois que o "grande animal" ter destruído todo o barco, que parecia muito mais uma banheira em meio a um mar sem ondas!

Tudo muito bem feito, para que Tubarão, o filme desse bilheteria. E deu. E muito mais que dinheiro, o filme rendeu um inconsciente a maioria dos seres que já tinham medo do animal. Agora, mais do que nunca, ele seria caçado, morto, e visto como a maior ameaça dos oceanos!

O tubarão, assim como o urso americano, que perdeu seu habitat para os homens que adentraram na floresta americana, construíram casas, e hoje são "vítimas" daqueles, teve seu meio atravessado e tomado pelo progresso das praias, nas quais crianças, mulheres, e até surfistas, que nem sequer sabem pronunciar a palavra tubarão, e hoje nem questionam o fato de serem invasores de habitat, são pegos em armadilhas do inconsciente, deixando claro a irrelevância de uma reflexão mais aprofundada sobre a questão....



Voltamos mais tarde.










A Parte que nos Falta

"É ótimo ter dúvidas, mas é muito melhor respondê-las"  A sensação é de que todos te deixaram. Não há mais ninguém ao seu lado....